Notas iniciais
Novamente, dando sinal de vida por aqui! Peço desculpas a todos vocês. Eu realmente venho desaparecendo bastante. Mas, é claro que eu não estive de braços cruzados esse tempo todo! Já avancei bastante na história e agora começa a vir aquele medo de criar coisas que não se encaixem e não poder mais alterar nada (já que já terá sido lido). Por enquanto, não encontrei nada do tipo, mas vou continuar sendo cautelosa. Aproveitem o novo capítulo! ♥

A primeira coisa que eu senti enquanto acordava foi um pano fortemente atado pelo meu ombro e peito, um torniquete. A facada doía muito menos do que eu esperava, e quando abri os olhos, estar num quarto obviamente de hospital não foi o que mais me surpreendeu, mas sim os magros braços de Linda me contendo.

Sorrindo fracamente ela analisou meus olhos. —Se sentindo melhor?

—Claro. E com mais drogas no meu sistema do que toda uma farmácia. —sorri de volta, me remexendo na cama pequena de mais para duas pessoas. Ao menos não havia eletrocardiograma com seus bipes irritantes.

—Uma humana normal teria se afogado no próprio sangue, você sabe… —Linda deslizou fora da cama, saltando em seus pés descalços para abrir as cortinas. —Thayer me explicou que você teve sérios danos no pulmão direito, e pediu repouso absoluto.

Tomei uma respiração profunda. —Eu não queria estar num hospital.

Linda riu. —Boa sorte em tentar dissuadir seu garoto sobre qualquer coisa.

Um sorrisinho acabou esticando meus lábios. —Onde ele está?

—Aqui no hospital. Nenhum de nós saiu daqui por toda a noite. Eu pensei que ele pudesse se açoitar quando não conseguiu ficar aqui até você acordar.

Movi meus ombros ao rir, mas estar enfaixada era um grande incômodo que me levava a uma série de contorcionismos. A dor não era nada mais do que um fantasma, então eu comecei a desfazer minha fantasia parcial de múmia.

—Você é uma grossa. —Linda suspirou, não confiando muito em meu prognóstico, mas me ajudando a me livrar do torniquete. —Mesmo assim, isso é muito mais divertido do que assistir televisão com você. —ela disse enquanto limpava os pontos dados em minhas costas. —Boa coisa estarmos num hospital, porque, se o controle da TV cair em suas mãos, eu atiro em mim mesma.

Estalei a língua. —Conta outra, Linda. Você ama as coisas que eu assisto.

Sem negar, nem admitir, ela finalizou a limpeza e levou os algodões manchados de sangue para o lixo, enquanto eu voltava a vestir um pesado casaco por sobre o vestido do hospital. Aquilo foi o melhor que conseguiram para substituir o minúsculo vestido de couro banhado com sangue e me proteger do frio.

Quando Linda enrijeceu e foi até a porta, eu soube que algo ia errado.

Gritos de socorro inaudíveis até então, agora chegavam aos meus ouvidos. Eram altos o suficiente para vir do mesmo andar. Bastou uma troca de olhares para que eu me esticasse até uma muleta próxima e seguisse Linda até a fonte dos berros.

Enfermeiras amontoadas na frente de um dos quartos nos poupou a busca.

—Tirem-no daqui!—implorava uma voz feminina de dentro do quarto.

Não precisei de explicações sobre a cena. Eu já conhecia os rostos dos protagonistas. Aquela que tinha seu rosto marcado por lágrimas frescas e horror em seus olhos era Eren Khor. Os bigodes de gato ainda não haviam curado bem e marcavam suas bochechas alvas. E aquele que ela afastava era seu noivo.

—Meu amor, por favor, me deixe falar você. —ele suplicara, sendo fortemente contido por um segurança enorme. —Eren, por favor…

—Seu monstro! Como você pode… —a voz dela falhou. —Leve-o daqui!

O segurança não esperou muito mais. Com cara de poucos amigos, guiou o relutante noivo da garota para fora. O rapaz ainda tenta se desvencilhar, não parecendo muito agressivo. Ele apenas parecia destruído.

Aproveitei que as enfermeiras tinham seus olhos no segurança e no noivo e entrei no quarto. Doía ver as marcas em seu rosto e saber que eu era a culpada. —Está tudo bem agora. Aquele segurança não vai deixá-lo voltar aqui.

—Você não entende. —ela ofegava em meio ao seu choro. —Aquele maníaco fez isso comigo, e depois me socorreu, como se nada tivesse acontecido. Agora, ele estava me assistindo dormir. Quando abri meus olhos, ele já estava dentro do quarto.

Oh, sim, eu lembrava que o noivo era o maior suspeito do crime. Não me surpreendia que ele parecesse tão cabisbaixo. Não bastava ser acusado erroneamente, ele ainda tinha o ódio daquela que ele amava.

—O que você lembra? Do criminoso, eu quero dizer.

A garota ergueu seu olhar para mim, finalmente me vendo. A dor em seus olhos me fez mais do que uma insensível por estar fazendo aquela pergunta. Me fez uma intrometida.

Sua voz soou bastante grosseira para uma chorosa. —Quem é você?

—Uma paciente do hospital no momento. —sorri sem jeito, engomando meu vestido do hospital finalmente útil para algo. —Mas eu também sou uma investigadora particular dos casos do suposto serial que vem marcando bigodes em suas-…

—Não há serial algum. —ela me interrompeu prontamente. —Meu noivo fez isso comigo. Se você não está convencida com as provas, as gravações dele me acompanhando antes do crime e meu depoimento podem ser o suficiente. Eu lembro dele empunhando aquela faca que fez esses horríveis bigodes em mim. Entendeu?

Haviam imagens dele? —Você já pensou em ouvir seu noivo?

Falar sem pensar não foi uma boa jogada. Vamos apenas dizer que eu dou o devido valor a uma ruiva furiosa. Eren, que estava sentada na maca, se curvou para frente, um olhar muito mais de espanto do que de raiva, afinal.

—Você sabia que esse tipo de abordagem não é permitida neste hospital? —ela estreitou os olhos. —Eu poderia muito bem solicitar aquele segurança novamente.

Senti as mãos de Linda no meu ombro antes de realmente notá-la ao meu lado.

—Desculpe por nossa intromissão, Senhorita Khor. Nós estávamos apenas há alguns quartos de distância e por isso decidimos tentar ajudá-la, mas, minha amiga pode esquecer o significado disso algumas vezes. —Linda sorriu.

—Que seja. —a garota pareceu muito mais mimada agora, se jogando no travesseiro enorme atrás dela. —Se querem ajudar, chamem aquelas enfermeiras.

Meu queixo caiu, mas Linda foi mais esperta, saindo comigo sem uma palavra.

—Você pode acreditar nisso? —consegui falar, já de volta ao meu próprio quarto. Sentei na poltrona ao lado da maca e joguei a muleta no chão. —Eu arrasto meu traseiro por todo o corredor com o plano de ajudar aquela riquinha, e tudo o que ela diz é: “Que seja”. Que seja? Urgh.

—Yeah, aliás, ótima escolha de palavras. Defendendo o psicopata. —Linda disse em ironia. —Se eu não te conhecesse, diria que você é uma profissional.

—Linda, você sabe que não foi aquele rapaz que fez isso.

—Mas Eren acredita que foi ele. E você tem a menor ideia do que eu te faria se, de volta no tempo, você defendesse o meu assassino? A garota foi uma lady, acredite.

—Existe um abismo entre seu assassino e o noivo dela. —meu tom mais calmo só concretizava o quanto eu acreditava naquilo. —Você não pensa no sofrimento dele? O que ele deve estar sentindo vendo a pessoa que ele ama daquele jeito e sem poder ajudá-la, conversar com ela ou mesmo tocar a mão dela.

—Deixa eu ver se eu entendi. —Linda se aproximou, sentando na beira da maca. —Você está se colocando no lugar do noivo da Eren?

Mesmo que eu estivesse, eu não havia pensado sobre esta perspectiva.

Se algo realmente ruim acontecesse com Thayer a ponto de ele ficar em uma maca, nas mesmas condições de Eren, e ele tivesse aquele mesmo ódio flamejando em seus olhos castanhos, eu não tenho a menor dúvida que me sentiria um caco. Um aperto invadia meu peito só de imaginar.

—Talvez eu esteja. —murmurei baixinho.

—Olha aqui, você é minha única amiga, e eu não gosto nada de te ver com esse complexo gigante de inferioridade. —ela começou, apertando meu queixo com uma só mão para manter nossos olhares juntos. —Não tente me vender essa merda de que Thayer está correndo perigo com você. Ele é um adulto, Cat! Pra o inferno com essa atitude de me manter calada, assistindo você se diminuir mais e mais.

—Eu sou sua única amiga. Então sou sua melhor amiga, também? —tentei sorrir, mas ela comprimia parte de minhas bochechas também.

—Mudar de assunto não vai me tirar do foco. —Linda estreitou os olhos, séria.

—Teve uma coisa que realmente me deixou intrigada. —mudei novamente de assunto, desta vez me mantendo séria. —Eren disse que haviam provas do envolvimento do noivo dela. Imagens dos dois juntos, antes do crime.

Linda revirou os olhos marrons, largando meu queixo. —Você não tem jeito.

—Isso é sério. Quer dizer, os bigodes de gato são uma marca do Phil, e, de certa forma, eu esperava que quando Eren acordasse ela descrevesse seu carrasco com cabelos platinados e olhos claros, mas ela apenas confirma a suspeita dos policiais. Você acha que ela poderia estar mentindo?

—E ter aquele olhar? Não acho que ela seja uma atriz tão boa. —Linda divergiu.

—Se não foi o noivo dela, e ela não está mentindo… Eu preciso destas imagens.

—Com o que esses enfermeiros te medicaram? —Linda caçoou. —Nós deveríamos nos manter invisíveis, lembra? Não podemos nem chegar perto de cadeias. Estas imagens com certeza já estão com os policiais. E eu aposto que eles não vão nos mostrar mesmo que nós usemos as palavrinhas mágicas.

Foi a minha vez de revirar os olhos. —Eles podem ter levado apenas cópias das imagens. Nem sempre eles as apagam do sistema inicial.

—E você sabe onde esse sistema inicial está? —Linda cruzou os braços.

—Bom, isso eu posso pedir com as palavrinhas mágicas.

Linda sorriu. —Essa é a minha garota. Ei… onde você pensa que está indo?

Pisquei meus olhos inocentemente, me erguendo. —Você não acha que eu vou coordenar as pessoas à distância com meus extraordinários poderes psíquicos, acha?

—Não é disso que eu estou falando. —ela abanou uma de suas mãos no ar em negação antes de buscar uma prancheta no pé da maca e me mostrá-la com um sorriso cheio de humor secreto. —Precisamos fazer o check-out, Senhora Hasting.

De primeiro, eu estreitei os olhos, lendo o papel, mas não demorou para minha expressão mudar e arquear minha sobrancelha. De acordo com os laudos na prancheta, a paciente esfaqueada se chamava Cathleen Hasting.

Suspirei. —Nem preciso perguntar de quem foi a brilhante ideia.

—Ei, precisávamos de um nome! —Linda sorriu, devolvendo a prancheta ao seu devido lugar. —Não podíamos apenas dar entrada com seu verdadeiro nome. Você está morta. E, você sabe, no calor do momento, foi o único que arranjamos.

—Ah, eu havia esquecido. Eu sou a garota das melhores ideias por aqui.

Com um enorme sorriso, Linda respondeu. —Eu não faço a menor ideia do que você quis dizer. Mas eu odeio hospitais, então, vamos sair daqui.

Soprei o ar dramaticamente. —Achei que você nunca fosse falar isso. Todo esse ar-condicionado está me enervando. Parece que estamos no maldito Ártico.

***

Batuquei minhas unhas sobre a mesa. Em nenhuma das décadas que vivi eu fui conhecida por minha paciência. Talvez eu estivesse no emprego errado.

O dia hoje estava quente. Eu sabia que até a brisa lá fora estava. Mas dentro da sala de monitoração de um dos prédios da área mais inóspita que eu havia posto os pés, o clima era mais do que sufocante.

Linda havia feito bem ao desistir nos primeiros minutos. Não nos primeiros minutos dentro da sala abafada, mas nos primeiros minutos fora de nosso apartamento, após um longo e refrescante banho. Mas não fazia mal. O trabalho que eu tinha olhando os monitores podia muito bem ser feito por uma só pessoa.

O vídeo que eu assistia agora datava o dia do ataque a Eren Khor.

Porém o prédio tinha várias câmeras, e tudo o que eu sabia era que as imagens que incriminavam o noivo de Eren vieram daqui. Ninguém especificou a câmera.

Além de tudo, aquela era uma das ruas mais maçantes do mundo.

O único sinal de vida naquela câmera até agora havia sido de um gato de rua sacudindo umas sacolas e, pela aparência dele, ele nem estava tão vivo assim.

Mas a minha esperança floresceu quando alguém chegou a pé. O homem estava vestido em um elegante terno, mas ainda estava longe demais para a câmera captar uma boa imagem de seu rosto. Até que um carro chegou e iluminou seu rosto, afastando qualquer sombra de dúvida. Aquele era o noivo de Eren.

De acordo com a fonte que Linda conseguiu, a noiva feliz avia recebido uma mensagem de texto para que eles se encontrassem naquele local.

O noivo, em sua defesa, jurava que havia perdido o celular naquele dia.

Foi quando Eren saiu do carro para abraçá-lo que eu subitamente entendi.

Que criminoso levaria sua vítima até uma das áreas mais esquisitas da cidade, porém repleta de câmeras por toda parte? O movimento do abraço havia feito o noivo se virar de frente para a câmera e olhá-la diretamente. Ou ele era o assassino mais míope da história, ou ele queria ser pego. E eu sabia melhor.

Phil era o responsável pelos ataques. E então, ele podia mudar de forma.

Claro, ele não era um ceifador comum. Mas se ele podia mudar de forma, por que a esta altura ele ainda não havia me emboscado? Seria fácil.

A não ser que houvesse alguma restrição por trás de suas transformações.

A um passo da única saída da sala onde eu estava, minha mente era cercada pelos pensamentos sobre tal restrição. Eu precisava descobri-la antes que fosse tarde demais. Porém, apenas um passo após empurrar a porta, eu senti um calafrio subir pela minha espinha. A energia pesada de uma alma corrompida.

No lugar onde eu esperava ver o operador da sala de vigilância estava o dono daquela energia, vestido em roupas negras, sua cabeça baixa fazia seus cabelos cobrirem seu rosto enquanto ele acendia um cigarro, mas eu sabia bem quem era.

—Onde está o operador de câmeras? —minha pergunta ecoou pelo corredor.

O assombroso olhar acinzentado de Daimon se ergueu para encontrar o meu, enquanto ele tranquilamente fumava a maconha. —Cat! Quer um trago?

Sabendo que eu seria ignorada, procurei pelo pobre senhor que trabalhava aqui, encontrando seus pés na esquina esquerda. Um dos pés se moveu sutilmente.

—Por que um demônio viria fumar baseado num prédio abandonado?

—Eu vim buscar você. —ele disse, soprando mais da fumaça.

—Eu não sei como as coisas funcionam no inferno, mas aqui nós temos táxis.

Daimon abriu um sorriso encantador. —Não seja uma gatinha tão arisca! Vocês Ceifadoras sempre ficam agitadas em seus últimos dias de alimentação.

Cruzei meus braços, mantendo minha expressão o mais branda possível. —Você pode muito bem desaparecer dentro do carro, pelo o que eu sei, e, diferente de minha chefe, eu não posso vou ser capaz de acompanhá-lo nesta situação.

—Magoada por nossa última despedida? —ele pausou para um novo trago. —Se isso serve de desculpa, eu estou um tanto enferrujado sobre como lidar com estrangeiros. De qualquer forma, não acho que minhas experiências serviriam muito com você. Todas Ceifadoras que já conheci se mostraram muito mais… amáveis.

Eu mal podia enumerar nos dedos das mãos todas as razões para elas realmente serem “amáveis” com alguém tão poderoso quanto Daimon.

Joguei com meu cabelo, nervosa. —Ainda não entendo o que o traria até aqui.

Por um instante, ele apenas me encarou. Todo seu rosto esculpido expressava intensidade, mas seus olhos eram como um céu antes da tempestade. Claro, eu havia sido avisada sobre quão tentadores os demônios eram constituídos para ser, eles eram aqueles que atraiam humanos para pactos ilícitos. E se havia algo além da energia arrepiante para comprovar a atratividade de Daimon, era sua aparência.

—Eu sou muitas coisas ruins, Cat. Estuprador não é uma delas.

Ao abrir minha boca para responder, notei que estava prendendo a respiração. —Desde que Murtie esteve receosa em sua presença, sei que quer algo de mim.

—Eu vejo em você uma grande oportunidade de negócio. —ele disse, apontando para mim com o baseado entre os dedos. —Você pode alcançar algo que nós dois precisamos. Uma arma muito poderosa, e perfeita para minha coleção de raridades, capaz de matar crias da Morte e de sua irmã.

—Você quer fazer um pacto comigo? —ergui minha sobrancelha.

—Um pacto limpo. Não posso lhe dar minha palavra, uma vez que nunca tive uma. —ele tragou novamente, começando a se mover predatoriamente ao meu redor. —Você não tem uma alma para me oferecer, já que está morta. Não há o que temer.

Ótima jogada, se eu fosse uma iniciante. Não oferecer minha alma fazia o negócio mais perigoso, pois eu não sabia o que ele ganharia. —Quais são os termos?

—É muito simples. Eu lhe direi exatamente como conseguir a arma. Você a usa para matar quem quer que queira, e logo após me dá ela para que eu tenha minha vez.

—E que garantias eu tenho que você não usará a arma contra mim?

Seu sorriso torto surgiu enquanto ele se aproximou de mim até invadir meu espaço pessoal. —A garantia, querida gatinha, é de que não preciso de armas para machucar esse lindo rostinho. E meu plano não é fazer nada com esta arma. Ela não pode ser empunhada. Você terá acesso às entrelinhas assim que fecharmos negócio.

Olhei no fundo de seus olhos. —Sua palavra no acordo é de não mover um dedo contra mim nem contra ninguém que seja próximo a mim?

Sua expressão não mostrava total desinteresse neste último detalhe. —Claro.

Tomei uma longa respiração. —Estupendo. Onde eu assino?

—Para selar o acordo, você precisa me beijar.

Tentei me afastar, mas a parede estava muito próxima. —O quê?

—Você certamente sabe como isso funciona. —Daimon pareceu divertido, sua língua brincando com a argola prata em seu lábio inferior por um instante. —O acordo com um demônio não é fechado por uma assinatura em um papel. Precisamos compartilhar um beijo onde a iniciativa é toda da parte receptora, ou seja, você.

Ora, vamos lá. Você já fez coisas piores do que isso.

Deixei que meus ombros relaxassem e mantive nossos olhares trancados. Eu nunca havia visto olhos acinzentados com maior brilho de diversão que aqueles.

—Não há outra maneira? Sangue, rituais em outras línguas, marcas na pele…

Minhas opções fizeram seu sorriso se ampliar. —Se você está sendo tão puritana quanto ao beijo, com certeza não irá querer saber a outra maneira.

Pensar não estava funcionando, então eu apenas deixei minhas mãos inativas possíveis e me inclinei para frente. O sorriso de Daimon não sumiu nem mesmo quando meus lábios estavam sobre os seus, mas quando eu senti um formigamento quente percorrer minha pele até a ponta de meus dedos, os lábios dele relaxaram.

Foi a minha deixa quebrar o beijo. —Agora, como eu consigo a tal arma?

Daimon, recusando afasta-se o suficiente, respondeu. —Não pense na arma como algo inerte a ser manipulado. O único capaz de matar as crias das Irmãs é um Ceifador Imaculado. Melhor dizendo, um Ceifador novo em folha.

Notas finais
E o Daimon dá as cartas do jogo! O que vocês acham que ele está planejando? Me digam suas opiniões!