Notas iniciais
Como desculpa pelos meus atrasos anteriores, me apressei um pouco mais desta vez. Esse ainda não é um dos muitos capítulos de revelações. Aproveito o espaço para explicar que o ceifador imaculado que a Cat precisa encontrar é um ceifador que mantenha a integridade e pureza de quando era humano (para se tornar um ceifador da Murtie, é necessário ser um humano puro). Espero que gostem do capítulo ♥

Eu estava tentando ser uma boa garota. Estava me comportando bem, por Murtie e por tudo que eu lhe devia. Mas, agora mesmo, minha língua estava coçando para praguejar um pouco sobre o demônio que me encurralava na parede. Ao invés de cuspir todos os xingamentos que eu conhecia, eu lhe olhei com descrença.

—Você realmente está me dando esta notícia como algo possível de se fazer?

Daimon sorriu, tão próximo de mim que eu podia sentir sua respiração. —Tenha fé. Você é uma Ceifadora regular, tenho certeza que será capaz de criar um – digo, mais um Ceifador. Você já pegou o jeito, ou precisará de alguns toques?

—Procure informantes melhores, querido chefe. Eu não criei Ceifador algum. Phil, o cara que eu matei durante o eclipse, foi acolhido pela irmã da Morte.

—Odeio corrigi-la, mas sou chefe da sua chefa. Não apenas seu chefe.

Revirei meus olhos. —Minhas mais profundas desculpas, senhor.

—Estou certo de que sua ironia soa muito melhor do que sua submissão.

A maneira séria como ele disse aquilo me fez perceber que, mesmo que nossos corpos estivessem próximos, sua energia explosiva não queimava minha pele como eu imaginei que faria. As ondas de seu poder banhavam minha pele, mas de uma agradável forma cálida, como um banho quente no meio de um rigoroso inverno.

Eu preferia o Daimon brincalhão e imponente a sua versão intensa.

Pigarreei, me esquivando de seu corpo e saindo de perto da parede finalmente. —Para formar um verdadeiro Ceifador eu precisaria de um humano puro até o fim do dia. Ainda precisaria de um assassinato cruel, e do aval de Murtie.

—Não se preocupe com a última parte. Quanto a suas outras requisições, eu tenho uma ótima ideia. —ele deslizou os dedos pelos cabelos castanhos brilhantes, olhando para longe de mim pela primeira vez. —Eu posso sentir uma conexão ronronar em você, como se fosse um segundo batimento cardíaco. Meu melhor palpite? Mate o puro do outro lado deste vínculo. Nada seria mais violento, e você não encontrará melhor opção dentro do eclipse solar.

Quando eu abri minha boca e não encontrei palavras comportadas para dizer, pensei ter visto um fulgor de astúcia nos olhos acinzentados do demônio.

—Matar um puro seria repetir o erro de meu assassino. Eu não sou capaz.

—Se quiser matar aquele que lhe incomoda, você terá que ser capaz. —Daimon puxou o cigarro esquecido para entre seus lábios. —Não há escolha.

O pacto consistia apenas em uma informação, o uso da informação, e depois a entrega da arma. Mas agora que eu sabia que conseguir a arma não era como comprar algo numa loja de conveniência, eu estava receosa sobre minha parte.

—Caso eu não consiga lhe entregar um Ceifador novo, o que acontece?

Não se incomodando em soprar a fumaça antes de começar a falar, Daimon curvou os cantos dos lábios para cima. —A minha parte de trato era lhe dizer exatamente como conseguir um Ceifador Imaculado, e, querida, pode apostar que não há possibilidade alguma de eu voltar ao Inferno de mãos abanando.

—Você parece presunçoso. —falei as palavras sem pensar.

—Chame como quiser. Eu conheço como segurança em mim mesmo. —seus olhos desceram de meu rosto para o cigarro que estava muito próximo de acabar.

A decepção em seus olhos me fez sorri antes de falar. —Podemos ir agora?

—Com pressa para se ver livre de mim?

Sim. —Eu apenas não queria dar bom-dia para o cara nocauteado logo ali.

Finalmente recordando do homem desacordado na esquina, Daimon o olhou sem baixar o queixo. —Tudo o que lembrará quando acordar será de um cochilo ocasional num local inusitado. Agora que vamos embora, segure minha mão.

Resolvendo não questioná-lo, eu engoli em seco antes de aceitar segurar a mão que ele me estendia, e foi como colocar o dedo em uma tomada. Mesmo que a esta altura eu estivesse acostumada com sua aura, a descarga de energia foi grande o suficiente para me fazer recuar um pouco, mas ele já me segurava firme.

Não houve aviso para a sensação que veio a seguir.

Meu corpo se sentiu como se estivesse sendo comprimido por todos os lados e minha cabeça ficou tonta como se eu houvesse saído de um elevador rápido demais.

Num piscar de olhos, eu já não estava no interior do prédio esquisito e cinza.

Até onde eu reconhecia, eu estava pisando no teto do prédio onde eu vivia. O vento ricocheteava forte ao meu redor agora, mas não foi isso que fez meus joelhos fraquejarem. Eu me senti idiota quando bambeei e quase caí.

—Primeiro teletransporte? —Daimon riu, provavelmente compartilhando da ideia de me ver como idiota. —Ceifadoras, sempre com tanto a aprender.

—Já chega dessa de falar de mim como um plural. —eu ofeguei ainda sem ar por causa da surpresa, puxando minha mão da dele com força. —Eu não sou um maldito conjunto de Ceifadoras. Sou uma única pessoa. Lembre-se disso da próxima vez que fosse observar algo sobre mim. Obrigado.

O sorriso depravado de Daimon não diminuiu para nada. —Você, Ceifadora única, está sempre tão irritada. Esclareça-me algo. Ceifadoras tem TPM?

Ignorando-o, eu me endireitei, apesar da vontade de me agarrar ao chão.

Senti uma umidade sobre minhas costas e me torci para descobrir o que era. Eu mal havia registrado a dor dos pontos estourando, mas agora o sangue já fluía através da ferida, manchando minha blusa com vermelho.

—Maravilha. —foi o que murmurei no lugar da maldição que atravessou minha mente. Refazer os pontos em casa não seria problema. Eu já havia feito pontos em mim mesma antes. O problema viria de um possível sangramento interno. Eu me curaria a tempo de não morrer, mas a dor não fica agradável com o tempo.

—Como você conseguiu abrir esse buraco nas suas costas? —Daimon fez a mesma pergunta de Linda havia me feito, porém sem nenhum alarde em sua voz. Sua calma fez com que a dor despertasse sarcasmo em minha resposta.

—Posso lhe dar os detalhes depois de refazer os pontos, se não se importa.

A proximidade entre nós tornou curto o caminho que sua mão precisou traçar no ar até alcançar minha blusa. A facada era numa parte alta das costas, então o modo como ele me tocou me pareceu muito íntimo, como um abraço, mas não houve tempo de reclamar até que ele, suavemente, colocasse a mão dentro da blusa.

—O que você pensa que está fazendo? —eu dei um passo para trás.

Sua mão, que já estava em contato com minha pele, continuou avançando.

—Isso vai doer menos para ir embora do que para aparecer. —ele respondeu.

Tive tempo de encarar seu rosto próximo com dúvida nos olhos antes que seus dedos tocassem diretamente a facada. Eu me arqueei de dor, mas logo ficou pior. Uma pontada forte fez meu corpo se afastar defensivamente de Daimon e, quando levei minha mão instintivamente para o corte, ele já não estava lá.

—O que você fez? —questionei, apalpando minha pele em busca da facada.

Ele brandiu os dedos ensanguentados. —Curei seu ferimento. Não há de quê.

E mentiu sobre a dor como se eu fosse uma criança. —Não pedi que o fizesse.

O sorriso torto que insistia em esticar seus lábios cheios apareceu enquanto ele começava a me circular. —Demônios podem fazer coisas sem segundas intenções.

Sacudi minha mão no ar. —Sim, e os porcos voam. Qualquer outra ideia de como achar o tal Ceifador especial é bem vinda. Você já sabe onde me encontrar.

Bastou um piscar de olhos para que Daimon esvanecesse no ar.

—Isso é mesmo muito rude! Espero que tenha ouvido esta parte. —gritei.

De alguma forma, eu sabia que ele o tinha feito.

***

Olhei pela janela, testemunhando o sol ir embora, assim como minhas unhas. Honestamente, eu esperava que um demônio-chefe fosse no mínimo profissional e que, antes do anoitecer, minhas garras estariam cravadas num Ceifador sei-lá-o-quê.

Eu estava terrivelmente enganada.

Preocupada em estar perfurando círculos no chão do meu apartamento, decidi conferir se meu árduo trabalho ao tentar livrar minha blusa de meu próprio sangue havia surtido efeito.

Quanto mais tempo o sangue passa na roupa, mais difícil é removê-lo depois. Perdi tanto tempo tentando salvar minha blusa que me esqueci de limpar minha pele. No reflexo de um espelho, minha visão periférica facilmente encontrou sangue por todo meu ombro, mas talvez longe o suficiente de meu sutiã.

Sem muita paciência para mais limpeza, entrei na ducha e liguei o chuveiro.

A água fria encharcava meu sutiã e minha calça, e minha resposta foi relaxar e esfregar minha pele, assistindo o sangue ir embora na água. Meus dedos não sentiam nenhuma cicatriz no local da facada, como se ela nunca houvesse existido.

O silêncio no apartamento foi obstruído pelo som da janela do quarto abrindo.

Através da porta aberta do banheiro, eu enxerguei a sombra de alguém saindo do quarto em direção à sala. Reconheci a energia podre antes mesmo de sua silhueta.

—Pensei que você havia morrido. —falei pra minha visita, fechando o chuveiro.

—Eu sabia que você estaria deprimida com a ideia. —Ivy disse ao atravessar a porta do quarto, sentindo-se uma convidada ao encostar-se casualmente na parede do curto corredor. —Sabia que essa sua vizinhança de merda só facilita que pessoas subam aqui pela janela? Você podia muito bem pendurar um tapete de boas-vindas ali.

Indiferentemente, puxei uma toalha para me secar. —Eu meio que estou esperando alguém, então, se você pudesse dizer o que quer e dar o fora…

—Oh, esperando visitas e seminua? Seria Thayer ou ele está livre?

Pensei em ser realmente grosseira, porém, minha memória inoportuna apontou que ela havia me ajudado recentemente, então eu apenas respirei fundo.

Sentindo que eu não responderia, Ivy começou a organizar seu cabelo preto liso, que insistia em cair no mesmo lugar de novo e de novo. —Já não consigo contatar Murtie há um tempo e o único motivo plausível para que ela não responda a chamados é que ela está atolada em problemas. Algo me diz que são seus problemas.

Cobri meu colo com a toalha, cruzando meus braços não em modéstia, mas para adotar uma posição mais ofensiva. —E por que seriam meus problemas?

—Vejamos, quem foi a ceifadora que se conectou com um puro? Você. E quem conseguiu deixar a Vida puta a ponto de quebrar as regras mais básicas em busca de seu traseiro espiritual num espeto? Hum… Acho que foi você. Agora, me diga, quem mais neste planeta tem poder autodestrutivo o suficiente para atarefar a Morte?

Suspirei. —Você passou muito tempo pensando nesses argumentos, não?

—Eu não precisei. Não me surpreenderia se mais problemas seus começassem a brotar bem em frente aos meus olhos, sabe, só para aumentar minha lista.

—Bem, lamento ir contra tudo isso, mas não sou eu aquela que está retendo Murtie. Ao menos eu tenho uma ótima ideia de quem pode ser. —levei minha toalha até meus cabelos, passando por Ivy para chegar até meu quarto. —Um demônio subiu as escadas do inferno há pouco tempo. Ele tem atitude de chefe.

—Um demônio? O que ele iria querer aqui? —Ivy perguntou às paredes.

—Conseguir um bronzeado, talvez. —a seriedade em meu som transbordava com ironia, mas Ivy não riu. Na verdade, ela ficou em silêncio do lado de fora do quarto, ainda olhando para um ponto qualquer das paredes de minha sala, e se isso já a fazia parecer mal, piorou quando suas mãos foram até sua cabeça.

—Você já pode parar com as alfinetadas, Cat. —ela suspirou.

Ainda analisando-a, baixei meu tom de voz para continuar. —Não tive a chance de agradecer pelo seu presente. Ele veio em boa hora. Obrigado.

Com aquilo, sua postura relaxou um pouco, suas mãos baixando.

Talvez aquele fosse um dos sinais do apocalipse, mas eu senti vontade de consolá-la de alguma forma. —Espero que não tenha o satisfeito no meu quarto.

Finalmente seus olhos castanho-esverdeados se voltaram para mim e ela ergueu sua sobrancelha. —Já ouviu a expressão: “Cavalo dado não se olha os dentes?”. Aliás, eu tenho meus próprios princípios. Eu jamais me deitaria nos seus lençóis. Quem sabe que tipo de castidade você deve ter empregado sobre eles.

O jeito como ela estremeceu em chiste quase me fez rir. Quase.

—O que a faz pensar que eu sou tão puritana?

Revirando os olhos, ela soprou uma risada. —Ah, pelo amor de Deus.

—Eu realmente quero saber. —insisti. —Quer dizer, eu sou uma Ceifadora como você, e caço há anos. Já vi homens realmente maus, e fui capaz de perceber em seus olhos o medo de mim que sentiam no último instante de vida. Já tive até que dormir com alguns desses monstros… Como isso pode ser casto?

Ivy sabia como ser irritante, e uma de suas especialidades no assunto era, sem dúvida, o sorriso de agora, que parecia tirar sarro de você antes que ela abrisse a boca.

—Por que não diz que fodeu com eles? Foi o que realmente fez, não foi?

Estreitei meus olhos. —Isso é questão de vocabulário. Só não sou habituada-…

—A-ãnh. —ela me interrompeu. —Isso é questão sua. E obviamente, esta é a ponta do iceberg. Sua crença cega de que há um Deus que realmente liga para suas palavras resguardadas é outro sinal de castidade. E ainda maior que esse, o detalhe de como você absteve de sexo esse tempo todo, não estando em relacionamento algum por prazer. Até agora, pelo menos. Se isso não é castidade, eu não sei bem o que seria.

—Alguém casta seria virgem. E nós duas sabemos que eu não sou.

—Você alguma vez duvidou da castidade de Thayer?

Jogada baixa. Mas não esperei diferente dela. Com embaraço demais para me trocar na sua frente e orgulhosa demais para dar-lhe um ponto, me envolvi na toalha.

Outra questão começou a se formar em palavras antes que eu pensasse se realmente devia perguntá-la. —Na beira da morte, poucas coisas poderiam me seduzir mais do que a promessa de vingança. Mas, o que faz uma garota viva desistir da vida em busca de se tornar uma Ceifadora? O que Murtie prometeu para você?

—Ela não me prometeu nada. —Ivy parecia muito mais confortável em falar naquele assunto. —Eu não queria vingança de ninguém, logo, a promessa padrão não valeria para mim. Mas no momento em que a conheci, eu não tinha nada que viesse a me fazer querer ficar viva. Desistir de tudo parecia que me traria paz. Depois que Murtie me disse o que eu podia me tornar, eu sequer pensei duas vezes.

Soprei um riso. —Claro, se tornar uma assassina é mesmo uma ótima terapia.

—Você pode imaginar o que faria se não encontrasse uma amiga? Eu estive sozinha antes. A diferença é que a amiga que eu ganhei tinha uma profissão um tanto incomum. Alguns têm peixes-palhaço de estimação, outros têm tubarões.

Aquela havia sido uma péssima analogia, mas não seria dizendo isso que eu a enxotaria do apartamento. Eu queria manter nosso clima leve.

—Então… a parte sobre eu estar esperando alguém não era mentira. —falei.

—Você sabe me dispensar bem rápido quando já não quer nada de mim. —Ivy sorriu. —Mas, esta é mesmo minha hora de ir. Preciso continuar procurando Murtie.

—Boa sorte com isso.

Ela continuou me encarando, esperando alguma coisa até que notou que eu não entendia. —Você vai abrir a porta pra mim ou eu vou ter que saltar pela janela?

—Oh. —saí de meu torpor, passando por ela em direção à porta da sala. Eu meio que esperava que ela se desmaterializasse na minha frente como Murtie e Daimon fizeram o tempo todo comigo nos últimos tempos.

Logo que estava fora do apartamento, Ivy se tornou para mim novamente. —Aliás, Thayer está livre para esta madrugada?

Fechei a porta na sua cara, como se não houvesse escutado sua pergunta.

Não sei se ouvi sua risada ou aquilo o suave som do outro lado da porta foi apenas minha imaginação. Soltei o ar e encostei minha testa na porta. Eu sabia que tinha que tirar a roupa molhada antes que Daimon resolvesse aparecer. A proximidade que ele insistia em ter com minha pele não era bem-vinda.

Eu sabia que precisava de um banho de verdade, mas Daimon não me parecia do tipo que tamparia os olhos caso, por “acidente”, se materializasse em meu banheiro.

Uma vez que vesti uma roupa seca, liguei a televisão e me deitei no sofá.

Daimon não era nada pontual. Talvez não existissem relógios no inferno. Ou talvez, ele só estivesse querendo me tirar do sério. Talvez ele pensasse que eu precisava de algum empurrãozinho para fazer o que ele havia proposto.

Cada segundo me aproximava do fim da semana de lua nova, e assim que esta semana acabasse, o prazo para um Ceifador ilegítimo estaria espirado.

Achar sozinha um puro em menos de treze horas era obviamente impossível, principalmente quando se tratava de mim, uma Ceifadora que quase não encontrou uma alma antes que a semana de alimentação chegasse ao fim.

Incontáveis suspiros e canais aleatórios depois, saltei até o local onde o meu telefone celular estava abandonado. Com certeza a espera seria menos agonizante se eu pudesse insultar a impontualidade – e alguns entes familiares próximos – de Daimon com alguém além de mim mesma.

No início, pensei em ligar para Linda, mas me vi digitando o número de Thayer.

O primeiro toque me lembrou de que ele poderia estar ocupado. Ele tinha uma vida além de toda essa sujeira, e já havia estado ausente de tudo por minha causa.

Ao terceiro toque eu já me sentia estúpida e pronta para desligar, mas a voz de Thayer soou no alto-falante, me impedindo. —Cat?

Cerrei meus olhos. —Oh, oi, Thayer. Onde você está?

—No hospital. —ele soltou uma profunda respiração, como se estivesse finalmente relaxando. —As coisas por aqui estão bem mais complicadas do que eu pensei que estariam. Me desculpe por não ter te visitado depois que você acordou.

Sorri do seu tom preocupado. —Eu entendo. Linda me disse que você ficou comigo por bastante tempo enquanto eu estive desacordada.

—O que está acontecendo? —ele perguntou, sua voz gentil, e ao mesmo tempo tão cheia de certeza, que poderia fazer meu silêncio de um segundo soar como um de uma hora. Ele havia simplesmente sentido que havia algo de errado ou isto era óbvio?

—Eu estava nervosa e pensei em conversar com alguém.

—Bem, eu terei uma pausa para o almoço. Eu posso ir até onde você está.

—É melhor não. —minha voz soou deprimente. Senti saudades da proximidade de Thayer, mas não o queria por perto de Daimon enquanto não encontrássemos outra solução para a ausência de um ceifador novo. —Pelo menos não agora.

—Então esta conversa que você precisa está mais na linha da conversa normal, ou sexo por telefone? Eu posso me adaptar ao que quer que precise.

Imediatamente os cantos de minha boca se ergueram. —Conversa normal.

Ouvi um estalo decepcionado de sua língua. —Pena. Esperava que você confirmasse a segunda opção.

O bom humor de Thayer afastou qualquer depressão que estivesse me assolando. E mais do que isso, o modo atencioso como ele continuou a conversa fez do telefone esquentando em meu ouvido a maior de minhas preocupações. Esqueça as adaptações. Ele certamente já era tudo o que eu precisava.

Notas finais
Fica ainda mais claro que a Cat não faria nada de ruim ao Thayer. Mas e então, como ela vai encontrar um ceifador imaculado em tão pouco tempo? Até o próximo capítulo!