Morrer de Amor
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Francamente, eu estava surpresa com a complexidade da mente humana.
Por que continuávamos tentando misturar coisas que não devem ser misturadas? A razão por trás da vontade do diretor daquele filme estrangeiro decidir misturar cada categoria de filme ainda era profundamente desconhecida para mim.
Na tentativa de inserir drama e ação num filme cercado por tanta comédia e efeitos especiais lixo, tudo o que aquilo havia arrancado de mim e de Thayer até agora era mais e mais risadas cercadas por humor negro.
—Esse diretor é um gênio. —Thayer riu mais uma vez.
Através de nossa ligação, senti mais uma onda de bom humor sua me atingir, cobrindo meu corpo como uma suave manta. Estava longe de ser como a de alguns minutos atrás, que nos levou a uma crise de risos, mas era bom saber que estávamos ambos tendo um bom momento.
Os dois personagens principais estavam agora em uma das cenas finais do filme. Juntos no centro de um salão de festas abandonado, ele começaram a dançar.
—Ei! Eu conheço essa música! —eu falei, sentando-me mais ereta no sofá.
—Acho que eu a reconheço de algum lugar. É uma clássica, não é?
Sim, talvez para ele. Para mim, aquela música era um hit. Era a música que tocava nos bailes, quando eu era mais jovem. Não pensei que a memória pudesse estar tão vívida para mim depois de todos os anos que passei distante de tudo.
Pude lembrar com perfeição de como os salões de dança podiam ser requintados, suas paredes cobertas por detalhes dourados, assim como as moças que o frequentavam. E, perdida nesta memória, vi o que pareceu um eco dela em Thayer, quando ele se ergueu do sofá e estendeu a mão para mim.
—Me concede esta dança? —ele pediu, olhando no fundo dos meus olhos.
—Você está falando sério? —perguntei, hesitante ao estender-lhe minha mão.
—Está com medo que eu pise no seu pé? —ele sorriu ao puxar meu corpo contra o seu, pousando minha mão em seu ombro e envolvendo minha cintura.
—Não. —sorri enquanto ele começava a me conduzir.
Cada ponto onde nossa pele se encontrava estava quente, mesmo que não houvesse muito da minha pele a mostra. Eu não sabia dizer se aquilo era graças à nossa ligação. Eu não dava a mínima.
Aproveitando a sensação, corri minha mão pela pele entre sua mandíbula e ombro. O sentimento quente que corria sempre através de nossa ligação ardeu mais forte, me aquecendo e mostrando que Thayer estava ficando… animado.
Ele me curvou para trás em um elaborado passo de dança, despertando uma risada em mim. Deixei que minha cabeça tombasse um pouco para trás e seus lábios alcançaram meu pescoço, me fazendo rir ainda mais.
—Você tem cócegas? —senti seu sorriso contra minha pele.
—Não. —neguei, sustentando a cabeça para olhá-lo.
Uma tarde com Thayer havia me feito sentir mais humana do que anos após minha reintrodução pós-morte. Talvez para outra garota isso fosse melancólico, e este fosse o momento que esta explodiria em lágrimas e contaria como sua vida havia sido triste, com um ar pessimista e deprimente. Mas, para mim, tudo que este conhecimento me trouxe foi um leve sorriso.
—Não vou conseguir sustentar meu pescoço para sempre.
Seu sorriso cresceu. —Mudando de assunto. Agora você está me provocando.
Quando o fôlego de Thayer voltou a alcançar minha pele, eu soube que ele via através do meu olhar mortalmente sério, que logo sumiu enquanto eu estava sem fôlego, soltando altas risadas e esquecendo que eu deveria estar brava com aquilo.
O som do telefone ressonou pouco após Thayer dar uma pausa para recobrar seu fôlego. O meu já havia ido embora há muito.
Ele beijou meu queixo e me deixou sentar no sofá, buscando o telefone.
Vi seu rosto perder um pouco da expressão relaxada que havia construído durante nosso tempo juntos. Ele não havia sequer dito nada ao telefone, apenas ouvindo até que disse um “logo estarei aí”, e desligou.
—Precisam de mim no hospital novamente. —ele disse em tom de desculpa.
—Tudo bem. —sorri. —Vá costurar algumas pessoas, ou… sei lá.
—Você vai ficar bem aqui? —seus sentimentos me atingiam como ondas mornas de preocupação. Eu sabia que ele estava buscando algo em minha expressão para ficar comigo… ou me levar junto com ele. Mas nem mesmo eu podia ser egoísta o suficiente para segurar um médico só pra mim.
Além disso, estar no hospital significava estar em público e longe de sua pior assassina em potencial desta noite. Eu.
Estiquei-me até que nossos lábios se encontrassem rapidamente.
—Prometo que vou conseguir fazer o jantar.
—Não se esforce tanto. —ele brincou, voltando a me beijar e depois indo ao seu quarto, onde ele trocou de roupas e saiu após uma despedida apressada.
Fui até a cozinha. A real intenção de cozinhar algo comestível martelava em minha cabeça enquanto eu vasculhava os armários. Mas quando eu notei um par de cadernos que não havia visto antes, a curiosidade falou mais alto.
Pegando-os, sentei na mesa de jantar e comecei a folheá-los.
Não demorou até que eu notasse que eram receitas. Porém só notei que a letra elegante não era de Thayer quando vi a assinatura no final do caderno.
—Diana Hasting. —li em voz alta, tocando a página do livro. —Sem dúvidas você foi uma boa pessoa. Eu sinto muito que seu filho… que ele tenha…
—Continue.
Saltei da cadeira ao ouvir a voz de Daimon. Só agora sua energia se desenrolava por todo o cômodo, como névoa fria. O pior era que eu não conseguia mais ficar irritada com sua falta de tato, nem mesmo enquanto ele, vestido em preto, me encarava como se zombasse de mim por estar falando com um caderno.
—Qual o seu problema com portas e campainhas? —resmunguei.
—Sou um demônio. Eu não gosto de ser anunciado.
Dei uma rápida olhada para a janela. —O sol nem se pôs. Por que está aqui?
—Calma, gatinha. Você não precisa ficar toda arisca só por que eu lhe faço uma visita. —ele disse, puxando uma cadeira da mesa onde eu estava e girando-a para sentar-se com o peito encostado das costas da cadeira.
—É como eu já disse. Demônios como você poderiam ter mais o que fazer.
Ele sorri, girando a argola de seu lábio com a língua.
—Quer dizer, como o seu namoradinho que saiu agora há pouco?
Cruzei meus braços sobre meus seios, desconfortavelmente lembrando que eu estava sem roupas íntimas – e a razão de eu estar sem roupas íntimas.
—Há quanto tempo estava me vigiando? E, por favor, me diga que você não é um voyeur. Além de um stalker.
Pela primeira vez, Daimon fez uma cara de nojo. —Oh, não, eu passei da fase de observar pessoas fazendo sexo às escondidas. Além do mais, eu não acho que o seu garoto possa fazer algo realmente interessante. Seria como ver você ler jornal. Se estavam mesmo fodendo, você perdeu uma ótima chance de matá-lo.
—Você disse até às dez da noite.
Parecendo ter uma ideia boa, Daimon voltou a sorrir torto.
—Você perguntou aonde ele ia?
—Não precisei. Ele disse aonde ia. —ergui meu queixo com superioridade.
—Mas não disse o quê iria fazer, disse?
Desviei meus olhos. Com Thayer ouvindo toda a conversa sem dizer uma só palavra, eu não tinha muita informação. Eu nem sequer sabia com quem ele havia falado. Tudo o que ele havia dito era que precisavam dele no hospital.
Pela minha visão periférica, vi Daimon se aproximar de mim.
—Venha comigo, e eu lhe mostrarei. —ele chamou, estendendo a mão para mim. Sua voz era como mel derretendo, e agora eu sabia que um demônio poderia ser apelativo. Mas eu também sabia que ele sua intenção era me fazer matar Thayer.
Coloquei minha mão sobre a dele e fechei os olhos com força… E nada.
Abri meus olhos, esperando que Daimon começasse a rir por meu medo de teletransporte. Porém ele não estava mais na minha frente.
Respirei fundo. —Malditos teletransportes.
—Achei que se sentiria melhor se vestisse isso. —ele disse, diretamente atrás de mim. Quando dei meia volta, vi que ele carregava nos braços o que pareciam ser roupas dobradas. Elas eram tão brancas que sequer pareciam reais.
—O quê é isso? —perguntei, sem tocar nelas, como medo de sujá-las.
—É só um fetiche meu. Pensei que ficaria bem de branco.
Semicerrei meus olhos. —Você está louco se pensa que eu irei vestir isso.
—Bem, você pode continuar com essa roupa, mesmo que não pareça muito confortável nela comigo aqui. —seus olhos baixaram até meu peito e o modo como ele mordiscou seu piercing me avisou o que estava por vir. —Posso ver seus mamilos através desse casaco. Antes que eu me esqueça, você tem belos seios.
Puxei a roupa que ele segurava. —Vire-se.
Ele sorriu, vitorioso, virando para encarar a parede enquanto eu checava o que ele havia trazido. Havia roupas íntimas e um vestido simples e branco.
Chequei uma vez mais para ter certeza que ele não viraria, antes de começar. Com sua habilidade de se teletransportar, o melhor mesmo era manter os olhos nele.
—Você tem se alimentado ultimamente? —Daimon perguntou com voz calma.
Mantendo os olhos em suas costas, continuei me vestindo o mais rápido pude.
—Preocupado com minha dieta? Estou comovida.
—Se você continuar a se esquivar de minhas perguntas, vou precisar me virar e olhar nos seus… olhos.
—Sim, eu me alimentei. Honestamente, Daimon, você está arruinando seu personagem. Altruísta não é mesmo a sua cor. —brinquei, puxando o vestido branco de uma vez por sobre meu corpo. Ele me servia tão bem quanto uma luva e eu não sabia o que pensar sobre isso. Eu não queria pensar sobre isso.
Analisando o vestido com mais atenção, eu via que ele era muito bonito.
Daimon se virou para me olhar. —É primeira vez que me chamam de altruísta. Na verdade, eu me sinto um pouco insultado.
—Como você sabia que já podia se virar?
—Eu não sabia. —ele veio até mim e sem mais delongas, segurou minha mão.
Bastou um piscar de olhos para eu ficar completamente desnorteada. A sensação foi bem menos desagradável desta vez, porém ainda me deixou tonta.
Levei minha mão livre até minha testa, sentindo o mundo chacoalhar.
—Uma hora você vai ter que se acostumar com isso. —Daimon disse com um profundo tom de zombaria, finalmente soltando minha mão.
—Seria muito mais saudável você se acostumar com o meio de transporte tradicional. Até mesmo andar de monociclo seria mais aprazível do que ter você me desmaterializando a cada maldito segundo. —reclamei.
—Também seria infinitamente mais lento. Eu prefiro me locomover em um período mais curto do que o tempo de congelar o inferno.
Analisei melhor onde eu pisava, buscando um lugar firme onde me encostar.
Olhando ao meu redor, eu conseguia identificar o que poderia ser um mero escritório, se não fosse pela estante repleta de troféus na primeira prateleira e pastas pretas etiquetadas nas demais, a bandeira do país e do estado flanqueando o birô, e a jaqueta verde com uma insígnia de xerife bem no braço.
—Eu não deveria estar em uma delegacia. É uma regra.
Daimon revirou os olhos, despreocupado. —Você tem a menor ideia de que quem estabeleceu estas regras trabalha para mim?
Quis dizer que eu também trabalhava para ele, e que isso não significava muito, mas um tanto de juízo de repente me atingiu. Por mais que eu debochasse de Daimon a maior parte do tempo que ficávamos juntos, o restante deste tempo era preenchido pela consciência de que sua energia era a mais arrepiante que eu já havia sentido.
Ninguém libera aquela energia por ser alguém gentil e compreensivo.
—Como funciona a escolha do chefe? —não pude conter minha curiosidade.
Esse era exatamente o tipo de informação que nunca era passada para ceifadoras durante nossa iniciação. A verdade era que nós sequer deveríamos ter contato direto com demônios poderosos como Daimon.
Nem um pouco preocupado com mais esta regra, Daimon andou até a cadeira do xerife, por trás do balcão, e sentou-se como se ela lhe pertencesse.
—Eu escravizei o chefe anterior. Tendo poder sobre ele, automaticamente eu ganho o poder sobre tudo o que ele possuiu. —o som do computador sendo ligado por Daimon soou como um sinal de como o que ele havia feito não o afetava em nada. Na verdade, ele poderia muito bem estar falando sobre o clima.
—Você faz isso soar muito simples.
De repente, os olhos acinzentados de Daimon olhavam diretamente nos meus.
—Por que o interesse repentino?
—Apenas fiquei curiosa. —respondi, sentindo como se eu estivesse de pé sobre um campo minado. Desviei o olhar, olhando nada em especial até que o barulho do teclado do computador anunciou que Daimon já não estava com seus olhos em mim.
Com a ideia inicial de me afastar de Daimon, acabei perdida nas fotografias que estavam na mesa mais distante dele. Todas elas fotografias pessoais daquele que eu imaginava ser o xerife, dono da sala. Em uma delas, ele estava rodeando um casal de crianças com os braços.
—Esta sala deveria mesmo estar vazia? —perguntei em voz alta.
—É claro que sim. Afinal, eu ordenei que orquestrassem diversas falhas nesta delegacia. Ela está interditada e os policiais daqui estão em outro prédio.
—Por que você faria isso?
—Porque eu queria mostrar algo para você. Venha aqui.
Mantendo uma distância segura, ainda estremecendo pela forma como a energia dele tremulava ao seu redor, me aproximei o mínimo necessário para ter a tela do computador em meu campo de visão.
—Você já conhece este caso, eu presumo. —ele disse, clicando nas diversas imagens da pasta nomeada como “Bigodes de Gato”.
Garotas com cabelos em diferentes tons de ruivo estavam ali. Até hoje, eu pensava que Eren Khor era a única marcada por bigodes de gato, que Eren, a garota esfaqueada que encontramos atrás da casa de Thayer e outra garota eram todas as vítimas de meu problema com Phil. Porém, havia mais uma garota retrada na tela do computador, em um documento nomeado como Jena Ellmer.
—Não se nomeia um serial por um único ataque. —Daimon falou, olhando para mim como se eu fosse sua própria ficha de informações.
Olhei pelo canto de olho para ele. Às vezes, Daimon me olhava como se estivesse esperando algo de mim. Não saber o que ele esperava me enervava.
—Não sabia que essa garota havia sido atacada. —sussurrei.
Aparentemente, a polícia havia sido especialmente discreta com esse caso. Isso só me deixava ainda mais confusa. Nenhum motivo em especial para tanto cuidado despertava minha atenção enquanto eu corria os olhos pela extensa ficha da garota. Segundo a ficha de informações, ela havia sido ferida menos de um dia depois de Eren, e nesta altura os jornais estariam ávidos por informações do serial de Miami.
—Por que você me mostraria isso? —perguntei.
O sorriso de Daimon mostrava que era isso que ele queria que eu perguntasse.
—Ele foi interrogado recentemente. —Daimon guiou o mouse até outras pastas, digitando senhas que com certeza não deveria saber e abrindo um vídeo. —Foi estúpido da parte dele não exigir um advogado. Era de se esperar que a polícia estranhasse a forma que ele acolhe todas as feridas por este serial em seu hospital.
Thayer estava naquele vídeo, calmamente dando seu depoimento.
—Seu garoto sabia sobre a segunda vítima. E, pela sua cara, certamente não contou dos problemas com a polícia. Quanto mais ele poderia estar escondendo?
—Eu não acredito nisso. —soprei minha respiração num riso. —Eu não acredito que você seja tão baixo, Daimon! Se dando ao trabalho de pesquisar todas essas coisas, “reservando” um horário nessa delegacia, somente para tentar me colocar contra Thayer. O que você espera? Que eu fique com raiva dele e o mate, entregando sua preciosa arma de bandeja? É isso?
—Não necessariamente nesta ordem.
—Bem, Daimon, você pode mandar esta e todas outras ordens que você pensou para o inferno. Eu não vou matar o Thayer, não importa o que você faça, ou que segredo estúpido você pense que pode desenterrar.
Sua energia estalou, como correntes frias descansando sobre minha pele.
—Gatinha, você sabe como testar meus limites. —ele sorriu, contradizendo a maneira como sua energia ocupava a sala. Todos meus instintos me mandavam correr, mas o seu rosto demonstrava sincera descontração.
—Se isso era tudo que queria me mostrar, eu gostaria de voltar para casa.
—Não. Ainda falta mais uma pequena visita.
Sua mão serpenteou até a minha mais rápido do que eu podia acompanhar.
Esta vez me fez notar que ele havia se preocupado em me dar tempo de tomar fôlego no teletransporte até a delegacia. A viagem de agora me deixou sem ar, e tão desnorteada como eu havia estado na primeira vez de todas as vezes que o fiz.
Quis chamá-lo de babaca, mas seria redundante após o olhar que lhe lancei.
Passando minhas mãos na saia do vestido branco e me endireitando, eu me surpreendi por estar em um ambiente ainda mais confinado e escuro. O lado ruim era o forte cheiro na sala, que fazia meu nariz picar. Ao menos eu podia enxergar a saída.
—Venha comigo. —ele disse, liderando o caminho.
Quando meu pé encontrou com algo que parecia ser uma caixa de plástico e um palavrão escapou da minha boca, Daimon riu suavemente.
Fiquei parada, tentada a desobedecê-lo, mas, uma vez que ele abriu a porta, a luz que entrou por ela me mostrou que estávamos numa sala onde se guardavam produtos de limpeza de um hospital. Eu sequer precisei que ele me dissesse que hospital era. Só havia um hospital que me vinha à mente.
—O que viemos fazer aqui?
—Eu já lhe contei. Viemos fazer uma visita. Mantenha sua voz baixa.
Saímos por portas até que eu reconheci os corredores sempre iguais dos quartos de pacientes graves, onde antes eu havia visto Eren Khor, desacordada.
Busquei manter meus olhos na nuca de Daimon e não olhar ao meu redor. Eu não queria enxergar através daquelas janelas de vidro. Eu sabia o que havia por trás delas. Mais do que isso, eu podia sentir. A aura abafada de cada paciente, mesmo os medicados, ainda exalava sofrimento.
Daimon parou em frente a um dos vidros e olhou para dentro.
Esperei que ele dissesse algo, ou expressasse algo. Quando ele não o fez, eu apenas tomei uma respiração rápida e olhei para dentro do quarto também.
Na maca do quarto estava Jena Ellmer, seus cabelos ruivos presos num rabo de cavalo baixo, cada bochecha coberta por um grande curativo, e uma mancha roxa que cobria sua bochecha esquerda, estendendo-se até sua mandíbula.
—Eu soube que o seu garoto vem cuidando pessoalmente dela. —Daimon começou, falando suavemente. —Ela quase morreu duas vezes. A primeira por hipotermia. Ela perdeu bastante sangue pelos cortes no rosto, e foi deixada seminua, com os pulsos e tornozelos amarrados. Foi encontrada a tempo, e recebeu o devido tratamento. Mas havia uma concussão. Ela esteve bastante confusa durante todo este tempo. Não tem familiares próximos. E, claro, não deu qualquer depoimento. A polícia parece contente em ter alguém para culpar pelo ataque a ela.
—Claro. O noivo de Eren. —eu sussurrei, mais para mim mesma.
—Quantas vidas de garotas como esta equivalem à vida de seu precioso puro?
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