Morrer de Amor
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Eu havia pensado que Daimon havia ido ao fundo do poço me levando até a delegacia. Olhando para a garota inocente e sedada do outro lado do vidro, eu percebi que o demônio ao meu lado podia cavar ainda mais.
—Quantas ruivas a mais terão que sofrer até que o mate?
Travei minha mandíbula antes de conseguir falar. —Não, Daimon.
—Você morreu de hipotermia, também. O que acha de esperarmos ela acordar da soneca para que vocês duas possam trocar figurinhas sobre essa experiência?
—Eu não matarei Thayer. —o sussurro saiu mais ameaçador do que eu calculei.
—Mas terá que matar outro puro. Quem será este? Por que eu estou começando a acreditar que você não é capaz de matar ninguém. Que não será capaz de conseguir aquilo que nós precisamos. Não cumprirá a porra do nosso acordo.
—É tudo sobre esse maldito acordo, não é? Por que você se importa, afinal?
Percebi que minha voz havia se elevado mais do que devia ao longo da frase.
Quando ele me deu as costas e permaneceu em silêncio, decidi continuar.
—Aposto que você tem acordos maiores com os quais se preocupar. E sempre soou tão seguro que conseguirá o que quer… pra quê se dar a todo esse trabalho?
Ele se virou rapidamente, agarrando meus ombros.
—Eu apenas me importo! —ele exclamou num tom forte, um milésimo de segundo após nos materializar em outro lugar. Senti o vento forte em minhas costas, e uma forte tontura. Por um momento eu sequer sabia se estávamos de pé, deitados ou de cabeça para baixo. Ao menos, vi que parecíamos estar no meio de uma estrada, cercada por galpões vazios. Eu sequer conhecia aquela área da cidade. Eu esperava que ainda estivéssemos em Miami.
Mantive minha expressão fechada. —Por quê quer tanto esse ceifador?
—Eu pensei que já havia lhe dito. Eu sou um colecionador.
—E quer mais uma peça para seu hall de esquisitices. —cruzei meus braços com força. —Eu não compro essa. Se você quisesse a alma de um puro, teria buscado uma maneira de fazer um acordo diretamente com ele. Se quisesse tanto um ceifador imaculado, poderia ter buscado manipulado alguma morte sangrenta. Seria fácil.
Ele baixou sua cabeça e soltou uma risada por baixo de sua respiração.
—Meio tarde para fazer questionamentos, não acha? Nós já selamos este acordo. Você sempre suspira quando beija alguém, ou aquilo foi mérito meu?
Tão rápido quanto havia aparecido, o Daimon explosivo havia dado lugar ao Daimon idiota de sempre. Porém, até eu podia dizer que aquilo era uma fachada. Daimon estava borbulhando por dentro. Tanto que mal conseguia esconder como sua energia parecia se esticar para canto escuro ao nosso redor.
—É sobre Thayer, não é? Por que você o quer especificamente?
—Leia o contrato de novo, gatinha. Eu não lhe devo explicações. Na verdade, eu não devo nenhum segundo. Acho que eu estou te acostumando mal.
E simples assim, sumiu mais uma vez. Me deixando para trás.
***
Chegar em casa foi um desafio. Eu havia sido deixada em um lugar que ainda não sei o nome. Uma boa pessoa estaria pensando que poderia ser pior. Que descer do Everest seria um desafio ainda maior.
Mas eu não estava me sentindo uma boa pessoa.
A pobre porta do apartamento sofreu com mais um dos meus ataques de fúria. Eu havia alimentado o sentimento por todo o caminho até lá. Todo o longo caminho.
—O que a porta fez pra você? —Linda perguntou quando fechei a porta.
—É tudo sobre a total incapacidade de ter uma discussão. Sim, se teletransportar deve ser uma fuga viável. Mas deixar alguém para trás não passa de uma tremenda criancice. É isso. Eu estava tentando discutir com um filho da puta de cinco anos de idade, que ao invés de tampar os ouvidos para não ouvir, se teletransporta pro inferno de onde nunca devia ter saído.
—Não estamos mais falando sobre a porta?
Cobri meu rosto com as mãos, sentindo que eu podia sentar no chão e desmontar minhas pernas do corpo. Porém, Linda entendeu meu cansaço de outra forma. Ela se aproximou e passou o braço pelo meu ombro, preocupada.
—Cat, o que aconteceu?
—Um demônio apareceu na minha vida. E isso é tão ruim quanto soa. —respirei o mais fundo que pude antes de continuar. —Fiz um pacto com Daimon, o tal demônio, para conseguir matar Phil. O lance é que um ceifador novo é necessário, e ele quer que eu mate Thayer para que ele se torne esse ceifador.
—O que você claramente não é capaz de fazer. —Linda pontuou.
—O que eu faço, Linda?
—Para um demônio normal, eu lhe recomendaria um simples desabafo repleto de coisas como “foda-se, seu filho da puta”. Mas, Cat, estamos falando de alguém que, pela última vez que eu ouvi, esteve em uma discussão com a Morte. Ele não é um simples demônio. Talvez você devesse apenas abaixar a cabeça enquanto procuramos uma forma de contornar isso.
—Ele me deu um prazo. Tenho até esta noite.
Os olhos de Linda se ampliaram. —Bem, então ele deve querer algo além de um ceifador novo. Ninguém daria um prazo absurdo desses.
Lancei meus cabelos para trás dos ombros.
—Espera um pouco. Ele continua dizendo que irá conseguir um ceifador novo, de qualquer maneira. Ele não parece preocupado com o prazo apertado. Ele só… insiste que eu mate Thayer. Tanto que até me deixa desconfiada.
—Ele está escondendo o que ele realmente quer de você! —Linda exclamou, se afastando um pouco de mim para andar, cheia de pensamentos. —Temos de encontrar a Morte, logo depois de você vestir algo menos chamativo. Mesmo que não possa despachar ele por nós, ela saberá qual próximo passo devemos dar.
—Nós? —eu sorri, me sentando para massagear meus próprios pés. —Eu não vou meter você nessa, Linds. Não com o Phil a solta.
Ela revirou os olhos. —Quando você vai aprender? Você não pode me impedir.
Eu sabia que não podia. Ninguém para uma força da natureza. Mas, como melhor amiga, eu ainda me sentia na obrigação de tentar.
—Linda, andar comigo pode ser perigoso.
—Mais uma razão para você ter companhia. Além disso, nós duas sabemos que eu sou milhões de vezes melhor em encontrar pessoas do que você. —ela fez uma expressão de esnobe, brincando com as próprias unhas.
Aquilo era verdade, e ela já havia me provado diversas vezes, fosse quando caçávamos juntas ou quando ela me ligava informando sobre suas caçadas solitárias pelo mundo. Mas não estávamos procurando uma pessoa qualquer. Ela não tinha endereço fixo, nem seu nome na lista telefônica. E não havia muito tempo.
Tão perdida em meus próprios planos, não questionei onde estávamos indo. Mas isso mudou depois de meia hora que me pareceu uma eternidade.
—Talvez eu não tenha deixado isso claro. —segurei o ombro de Linda, impedindo-a de continuar a seguir pela rua. —Só temos até às dez da noite.
Linda pôs a mão sobre a minha. —Calma. Vamos usar uma carta na manga.
—Nós tínhamos uma carta na manga? Onde ela esteve meia hora atrás?
Voltando a caminhar, Linda abanou uma mão no ar. —Cat, cartas na manga não são nossas companheiras de quarto. Elas se escondem em lugares esquisitos e escuros.
—Não. Esses são os gangsters. Cartas na manga se escondem em mangas.
Ela conseguiu se virar o suficiente para me olhar com os olhos semicerrados.
—Mangas podem ser lugares esquisitos e escuros. Mas não precisamos mais discutir isso. —Linda parou de caminhar, estendendo o braço para um beco. —É aqui que a minha carta na manga fica.
O beco nem parecia tão esquisito assim. Nada de lixo ou escuridão. Ele era apenas uma ligação entre duas ruas muito bem iluminadas.
À primeira vista, não havia ninguém naquele beco. Eu só notei a presença de alguém quando este soprou fumaça da escada de emergência onde estava sentado.
—Linda! Quanto tempo! —ouvi uma voz chamar, saltando de onde estava.
—J, essa é uma amiga minha, Cat. Cat, J. —Linda apresentou.
J não parecia em nada com alguém que pudesse nos ajudar. Além do fato de parecer estar driblando a visita inevitável que Murtie faz aos humanos, ela não se destacava muito. J parecia não ter mais de dezessete anos de idade, cabelos escuros escorridos que tocavam seus ombros, olhos claros muito sagazes e uma mochila apoiada nos ombros. Ela não pode fazer muito mais do que acenar para mim antes de Linda voltasse a falar.
—Como você pode adivinhar, vim aqui lhe pedir um favor. —Linda continuou.
J sorriu, respondendo apenas após mais um trago. —Eu lhe devo uma. Ou duas.
—Preciso encontrar alguém. E rápido.
—Na verdade, está mais para três pessoas. Qualquer uma delas. —corrigi, me dirigindo pela primeira vez para J. Eu queria ter soado tão tranquila quanto Linda, mas não consegui. A pressa em dizer o que eu queria mostrou que eu era a maior interessada em encontrar aquelas pessoas e, para ser sincera, não sabia como aquela adolescente nos ajudaria.
J olhou para mim como se soubesse o que eu pensava sobre sua utilidade.
—Contanto que você faça uma boa descrição, eu posso bater com os meus registros. —a garota disse, puxando um notebook da mochila em suas costas. —Tenho olhos por toda cidade. Se quem procuram ainda estiver em Miami, lhes direi exatamente onde, com quem e com que expressão.
Enquanto J iniciava o seu notebook, eu puxei o braço de Linda.
—Que tipo de adolescente tem um registro de pessoas? —sussurrei para ela.
—Tenha um pouco de fé. Ela é a melhor da cidade.
A melhor stalker da cidade. Que maravilhoso.
Toda minha descrença estremeceu quando J começou a trabalhar. Sua voz parecia amadurecer quando ela começava a fazer perguntas, conseguindo de você uma boa descrição e logo lançando-a no sistema online de câmeras de rua e de estabelecimentos. Porém, depois das três descrições, ela estalou a língua.
—Este zelador do cemitério não é visto lá há dois dias. A senhora funcionária do cemitério não vai ao trabalho desde ontem e esta mocinha que você descreveu foi vista pela última vez há três dias. Pra falar a verdade, essa garota deve ser extremamente isolada. Nos últimos três anos, ela só foi vista cinco vezes. —J ergueu os olhos da tela do notebook. —Me desculpe, Linda, mas não posso ajudar se vocês estão procurando por pessoas mortas.
Levei um segundo para perceber que ela não sabia que eram mortos.
Enquanto J parecia surpresa, revisando os dados que havia encontrado, Linda parecia desolada, com os lábios comprimidos. Era a expressão que eu deveria ter, não ela. Talvez tenha sido essa expressão que me fez dar o próximo passo.
—J, você pode procurar mais uma pessoa?
***
—Seria tarde demais para perguntar o que estamos fazendo aqui? —Linda quebrou o silêncio dentro do elevador, onde estávamos sozinhas.
—As imagens das câmeras não mostravam a expressão tão perfeitamente quando J havia feito soar. —murmurei, quase comigo mesma. —Eu preciso vê-la com meus próprios olhos. É por isso que viemos até este hotel.
Por um instante, Linda apenas me olhou. Parecendo mais séria, ela continuou.
—Não entendo por que você decidiu procurar justo ela.
As portas do elevador se abriram no andar onde deveríamos descer. Não perdendo um segundo sequer, descemos do elevador, e enquanto eu segui para o quarto indicado por J e bati na porta, Linda se postou no fim do corredor, vigiando.
Pude ouvir os passos despreocupados da hóspede até a porta, e soube quando ela hesitou do outro lado da porta. Ergui minha mão, pronta para bater mais uma vez e deixar claro que eu não seria ignorada, mas ela recebeu a mensagem antes disso e abriu a porta.
—O que você quer? —Ivy perguntou, com seus olhos felinos bem estreitos. —Eu não planejo dividir minha caça, então, adeus.
—Onde ela está? E não se faça de desentendida, eu sei que você sabe. —exigi.
—Cat, eu estou no meio de uma refeição. —Ivy respondeu.
Ela começou a fechar a porta, mas a impedi, espalmando a mão sobre a porta.
Sim, ela estava vestida para a caça, com um robe de seda preta e nada mais. Eu podia ouvir o barulho da ducha. Mesmo não conhecendo Ivy por muito tempo, era notável como ela estava mais calma do que na última vez. Ela havia encontrado Murtie, e por algum motivo, ela não queria me contar onde.
—Eu preciso encontrá-la. Pelo Thayer. —eu estava disposta a implorar.
Ivy analisou o corredor, analisando Linda por alguns segundos e finalmente dando um suspiro cansado. —Inferno. Entre logo.
Ela segurou meu braço e me puxou para dentro, fechando a porta.
Ainda me guiando com seu agarre firme, ela me puxou para o banheiro.
Como eu suspeitava, ela realmente tinha companhia. No começo, o homem musculoso que estava na ducha ficou surpreso com a entrada busca de Ivy, e ainda mais surpreso quando me viu. Mas logo, sua expressão foi mudando para algo próximo da satisfação. Olhei para o lado, evitando encarar sua parte inferior que também estava se animando com nossa presença.
—Você pode nos esperar lá fora? Minha amiga precisa de um momento de garotas para ficar no clima. —se o tom de Ivy não tivesse deixado aquilo claro o suficiente, o modo como ela mexeu as sobrancelhas deixaria.
—Eu sou um pouco tímida. —expliquei, olhando-o rapidamente nos olhos.
—Claro. Não demorem. —a voz grossa do homem respondeu, enquanto ele passava por nós. Me afastei, dando-lhe espaço para passar pela porta.
Logo que ele saiu e a porta foi fechada novamente, Ivy me largou e passou a mão para sua cintura, por dentro do robe escuro e voltando com uma pequena faca. Ela não se voltou pra mim enquanto fazia um furo em seu dedo indicador e usava seu sangue para desenhar um pequeno símbolo na porta.
—Tudo bem. Precisamos ser rápidas. —ela disse, finalmente olhando para mim. —Murtie não pode encontrar com você. E é importante que se mantenha longe dela. Antes que pergunte, eu não conheço os detalhes. Tudo que sei é que o demônio poderoso chamado Daimon está por trás de tudo isso.
—Eu precisava da ajuda dela para lidar com ele. —joguei meus cabelos por sobre o ombro, andando nervosa pelo banheiro. —Preciso de um ceifador imaculado.
—Você disse que isso tinha a ver com o Thayer.
—Ivy, eu realmente não tenho tempo para explicar tudo. —a cortei.
—No momento que passar por essa porta, ele estará lhe vigiando novamente. —Ivy disse, parecendo aborrecida por alguma razão. —Seja lá o que ele quer de você, é algo grande. Eu ouvi sobre um rebuliço feito por ele hoje mais cedo enquanto procurava a alma de um cara que teria te esfaqueado recentemente, ou algo assim. Quando ele não o encontrou, ele selecionou alguns no inferno que já haviam esfaqueado garotas e chutou suas bundas. Ninguém nunca havia o visto tão fora de si.
Então era isso que Daimon estava fazendo enquanto me deixava plantada?
—Ele parecia muito bem quando me deixou. —falei, ácida.
Alcancei a maçaneta da porta e saí, ignorando o homem estendido sobre a cama e seguindo diretamente para fora do quarto.
Linda estava me esperando próxima à porta e soube ler minha expressão.
—Parece que esta visita foi muito produtiva. —Linda disse, ainda encostada na parede. —Quem mais poderia saber onde Murtie está?
Respirei fundo. —Ela disse que eu não devo encontrar Murtie.
—E quem mais poderíamos procurar?
—Ninguém. —eu disse, me encostando à parede assim como Linda. —Seja lá qual for o joguinho de Daimon, eu não vou mais participar. A verdade é que ele não quer um ceifador imaculado. Ele quer me deixar louca. E ele já teve o bastante disso. Ele devia saber o tempo todo que eu não mataria Thayer.
A mão de Linda segurou meu ombro. —Tem certeza?
Sorri para ela. —Sim. O que acha de aproveitarmos o bar desse lugar? Você precisa de alguns petiscos antes que essa semana acabe.
As pálpebras de Linda caíram, num olhar cansado intencional.
—Você sabe que eu jamais me alimentaria na sua frente.
—Vai dar uma de tímida agora? Eu não ligo para suas maneiras à mesa. —provoquei. Assistir Linda quebrar os ossos de alguém estava um pouco depois do fim da minha lista de desejos. Além disso, a aura de uma alma sob tortura era tão agradável quanto escutar algum barulho enervante.
—Eu preferiria caçar sozinha, Cat. Não deixe isso magoar seus sentimentos.
A falta de alimento vinha começando a afetar Linda, ainda que muito discretamente. Eu podia notar ossos em seu corpo que não eram tão visíveis antes. Fazia sentido que Linda tentasse esconder seus sintomas de mim.
—Você vai ficar bem sozinha? —perguntei.
—Cat, você continua esquecendo que é a única aqui que deveria ter cuidado.
—Não se preocupe. Vou aproveitar o bar daqui bastante cuidadosamente.
E foi o que eu fiz. Meu plano era ficar longe de Thayer até que o prazo acabasse, e só então fazer uma cena perguntando o que Daimon realmente queria. Quando cheguei ao meu segundo copo de vinho, eu já havia cogitado e descartado mais desculpas do que eu podia contar.
Relembrando o pacto como um contrato, me ocorreu que Daimon havia dado sua palavra que ninguém que fosse importante para mim se machucaria.
Mas eu já não recordava as palavras exatas. E talvez ele usasse-as contra mim.
Pedi uma caneta ao bartender e comecei a desenhar no meu antebraço. Ele sequer olhou duas vezes, ou por educação, ou por estar acostumado com esquisitices.
O bar estava bastante tranquilo, então não pude deixar de notar quando um homem sentou-se num banco próximo a mim e pediu um Martini, e logo mais, quando ele pediu a garrafa inteira. Alguém estava tendo uma bela noite.
Perdida em meus próprios pensamentos, ainda notei o homem ao meu lado puxar um celular do bolso e fazer uma ligação. Não tive escolha a não ser ouvi-lo falar.
—Eu sei que você não quer ouvir minha voz… eu entendo, Eren.
Finalmente o homem atraiu minha total atenção. Larguei a caneta e olhei pelo canto do olho, da forma mais discreta que podia e reconheci o agora famoso perfil do noivo de Eren Khor. Ainda que eu nunca houvesse o analisado particularmente, eu sabia que ele era bonito, com um rosto de traços fortes e cabelo escuro.
Agora, ele parecia destruído, com o cabelo bagunçado, assim como sua camisa social. Sua imagem explicava por que ele precisava de uma garrafa de Martini.
O noivo desolado continuava falando com o que parecia ser a secretária eletrônica. Ele não parecia ter qualquer resposta até que sua expressão mudou.
—Eren? É você? —mesmo que eu só pudesse ouvir um chiado de alguma calorosa resposta, a expressão do noivo de Eren dizia muito. Ele parecia decepcionado, então ele não falava com Eren, e parecia estar sendo bastante insultado ao telefone. Ele chegou a pedir para falar com Eren e quando abriu a boca para dizer algo mais, a luz do celular indicou que a ligação havia sido encerrada.
Ele baixou o celular com uma mão e trouxe a garrafa aos lábios com a outra.
Notando o meu olhar, que já não era mais tão discreto, ele me olhou de volta.
—Você também está me julgando por ter machucado minha noiva? —ele murmurou com a voz embargada, sem largar a garrafa. —Vá em frente. Até eu, que sei que nunca a feri, me julgo. Eu sou só um louco a mais.
Sentindo toneladas de culpa sobre meus ombros, respondi por impulso.
—Sei que isso não muda nada, mas eu acredito que não foi você. Isso é só um engano que com certeza será resolvido. E eu torço para que sua noiva note isso.
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