Morrer de Amor
26 Capítulo 26
Notas iniciais
—Agora, explique isso de novo.
Respirei fundo mais uma vez, expressando meu cansaço. —Essa já é a quinta vez, Linda. Não sei o que aconteceu ao certo. Eu estava na parte de trás do bar com Murtie e Daimon, que, como eu já disse antes, é um demônio. Eles estavam discutindo sobre mim e então, num piscar de olhos, eu estava sozinha.
—Eles desapareceram no ar. —seu tom de suspeita quase fez daquilo uma pergunta.
—Onde está Thayer, afinal? —seria magnífico ter alguém ao meu lado que não me olhasse como se eu estivesse perdendo minha mente.
—Assim que você começou a dizer que o céu estava caindo eu liguei para ele. Você sabe, ele é um médico, deve saber o que fazer. Claro, seria melhor que ele fosse um psicólogo. Ou seria psiquiatra? Eu nunca soube a diferença…
—O que eu estou dizendo é realmente tão inacreditável? —minha voz soou fraca. —Quer dizer, estamos mortas. Isso não supera um sumiço?
—Não é que eu não acredite em você, Cat. —os olhos chocolate de Linda refletiram seu carinho, lhe deixando ainda mais adorável. —Você disse que eles estavam discutindo. Por que razão eles dariam as mãos e sumiriam em direção ao pôr do sol? Num mundo hipotético em que eles fizessem as pazes em um milésimo de segundo, o que faria Murtie não se despedir de você?
Eu sabia que ela tinha um ponto. Eu havia me questionado sobre as mesmas coisas desde o momento que abri meus olhos e não os enxerguei mais.
—Talvez eu tenha tido um lapso de memória. —murmurei para mim mesma.
—Não é incomum depois de certa idade.
Empurrei seu ombro. —Cale a boca! Você é quase tão antiga quanto eu.
—Opa! —Linda esticou a palavra, soando muito mais divertida. —Não vamos exagerar! O mundo evolui eras num piscar de olhos. Eu morri em torno de uma década depois de você, no auge da moda Hippie. Até tínhamos televisões coloridas…
—Auch! —eu ri. —Não imaginei o quanto doeria ter uma amiga que me acha tão pré-história. Para sua informação, eu já havia visto uma TV em cores.
—TV em cores. Jesus, Cat! Atualize seu vocabulário. Você parece uma vovó.
Revirei os olhos. Aquela era mesmo uma ótima tentativa de me distrair, e Linda era uma mestre nisso, principalmente quando conseguia me envolver em discussões que envolviam falta de maturidade. Mas o que realmente me acalmou foi ver o brilho do grande carro de Thayer dobrando a esquina.
Ainda encostada na parede onde havíamos esperado, eu sorri, aliviada.
—Ei, vocês garotas aceitam uma carona? —Thayer perguntou, inclinando-se um pouco através da janela aberta do carro. Seus cabelos loiros estavam deliciosamente bagunçados e eu não tinha ideia do quanto eu queria deslizar meus dedos por eles até que ele estava há apenas alguns metros de mim.
—Garoto, você tem noção de que eu estraçalharia qualquer outro que me perguntasse isso com esta expressão? —Linda resmungou enquanto entrava no carro.
—Essa é a maneira doce dela dizer “oi”. —caçoei, seguindo-a no banco de trás.
—Existem várias outras de onde essa saiu. —ela cutucou minhas costelas.
—Tudo bem com vocês? —Thayer nos analisou pelo espelho retrovisor.
—Claro, claro. —Linda murmurou, esticando-se até o rádio. Apesar de toda a sua velha atitude “odeio rapazes”, eu sabia que ela estava amolecida em relação ao Thayer pela forma como ela não se contraiu quando, no movimento de se sentar novamente, seu cotovelo encostou-se a ele. Ela não era a única.
Observei algo mais quando Thayer começou a dirigir. —Você parece cansado.
—Devo desculpas a vocês pelo atraso. Aconteceram alguns problemas no hospital. —eu nem precisava de nosso vínculo para perceber que algo sobre este assunto estava o incomodando. Seu foco na estrada foi intenso por um instante.
Linda clareou a voz, acariciando o couro dos bancos ao falar. —Então, Thayer, você conhece algum lugar agitado para caçarmos esta noite?
—Eu não conheço muitos lugares, mas tenho amigos que conhecem. Posso pedir ajuda para eles, basta você me dizer o que seria o lugar ideal. —sim, um músculo em sua mandíbula contraiu, mas este foi o maior de seus sinais de desgosto. Prefiro pensar que ele está começando a me aceitar com todas minhas esquisitices.
—Ótimo. Ligue para eles. Não podemos perder tempo.
***
Ora, se não estávamos estabelecendo uma rotina…
As luzes fortes do clube noturno fazia tudo ao meu redor piscar, mas isso não me impedia de procurar os olhos dele enquanto eu dançava com Linda.
Consegui convencê-lo a se encontrar com seus amigos assim que ouvi que eles estavam em um local que se encaixava em nossas preferências, convicta de que um tempo com os garotos lhe deixaria mais animado. Mas já fazia um par de horas que havíamos chegado e ele nunca tirava os olhos de mim por muito tempo.
E eu gostava daquilo mais do que devia ser normal.
Seus olhos castanhos procuraram pelos meus novamente quando ele levou o drinque que tinha em mãos até seus lábios, dando um gole lento.
De acordo com Linda, nós devíamos disfarçar apenas se uma presa aparecesse. Já que não havia nenhum sinal de caras maus por perto, então eu me permiti deslizar minha mão pelo meu pescoço, mordendo meu lábio inferior. O clube podia estar congelando e a forma como Thayer me encarou ainda me deixaria quente.
Fui eu que desviei os olhos primeiro. Quando voltei a olhá-lo, vi seu amigo falando algo para ele enquanto apontava o polegar para onde eu estava.
Li os lábios de Thayer quando ele o chamou de idiota e empurrou seu ombro. Ele continuou dizendo algo que eu não consegui acompanhar e que fez seu amigo erguer as mãos apologeticamente, com um sorriso no rosto. Seus outros amigos logo aplaudiram, todos rindo e fazendo barulho.
—Ele gosta de você. —Linda murmurou. —Mas você sabe disso.
—Nem tanto, Li. Ele é um garoto interessado pela novidade, que viveu pouco demais para saber o que é amor de verdade. Eu conheço mais e posso dizer que ele estará perfeitamente bem uma vez que tudo isso acabar.
—Sou sua melhor amiga, Cat. Tudo o que me importo é como você vai estar. —ela entrelaçou as mãos com as minhas e movimentou meus braços no ritmo da dança. —Pense bem no que vai fazer quando isso acabar, seja lá o que for. Thayer é um bom rapaz, e o coração dele merece permanecer em uma só peça. O seu também.
—Nem vem. —resmunguei, um tanto ofegante pela dança. —Só dance.
Ela revirou os olhos, mas continuou dançando como pedi. Não procurei os olhos de Thayer novamente. A pista de dança estava lotada e a temperatura começou a subir. Uma gota de suor escorreu pela minha nuca e eu senti alguém atrás de mim.
—O que foi? —ouvi a voz de Thayer perguntar, suas mãos em meus ombros.
Segurei suas mãos nas minhas, mantendo-as contra minha pele.
—Eu preciso de um minuto com ele. —foi quase um pedido de permissão.
Linda arqueou uma sobrancelha, seu sorriso de canto de boca indicava que ela sabia tudo o que eu estava pedindo. Claro, eu podia ter dito apenas que iria para um lugar mais silencioso, mas no fim, ela não foi irônica ou me deu mais conselhos sobre o que fazer com o coração puro dele, só deu um tapinha em meu quadril.
—Vá logo. Suas trocas de olhares estavam me dando náuseas.
Ouvi o riso de Thayer enquanto eu acenava para Linda antes de dar-lhe as costas, encabeçando o caminho até o primeiro lugar quieto que encontrei.
—Cat, esta é a saída de emergência.
—Obrigado pela informação. —eu sorri, puxando-o para dentro da escuridão antes de fechar a porta novamente. —Também é o único lugar vazio onde poderemos falar confortavelmente, sem todo o barulho e corpos nos empurrando. Não gosta?
—Bem, deveria soar bem errado estar obstruindo uma passagem que seria usada em emergências, mas… Você faz tudo soar muito melhor.
Impedir o impulso de segurar a gola de sua camisa nem veio à minha mente.
Um dedo seu traçou minha mandíbula. —Num minuto você me olhava nos olhos, e no outro, seus olhos pareciam mais tristes. Vai me dizer o que aconteceu?
—Ótimo você tocar no assunto, por que eu estava me perguntando o mesmo. Quando estávamos no carro, eu notei que você estava incomodado, ou algo assim.
Thayer estreitou os olhos. —Você está mudando de assunto?
—Não, não estou. Eu fiquei cabisbaixa lá dentro por que é isso que acontece com pessoas que querem viver em um tempo que não é o presente. Não adianta me estressar com um futuro que eu nem sei se vai chegar. Eu quero viver o agora. —ergui meu queixo. —E, o agora, é você falar o que estava te chateando.
—Basicamente o mesmo. Viver em um tempo que não é o meu. —ele colocou um ombro contra a porta para poder se inclinar mais próximo de mim. —Não quero um passado onde eu vivia às cegas. E, soa um grande plano viver o presente com você.
—Acho que são as constantes ameaças de morte. Isso esquenta uma relação.
—Essa não seria minha aposta número um.
Seu sorriso era tão belo que devia ser proibido. Foi ele que atraiu os meus lábios para um beijo suave. Apenas nossos lábios unidos e minha mão tão próxima de seu coração que eu podia sentir as batidas aceleradas.
Justo no instante em que aprofundaríamos o beijo, a porta de emergência onde eu apoiava minhas costas foi aberta com força, me empurrando para frente.
Thayer conseguiu me segurar pela cintura e receber todo o impacto.
Mesmo que ele não o tivesse feito, meu olhar não teria sido menos mortal. Um casal aparentemente teve nossa mesma ideia de privacidade e nos olhavam, ofegantes e surpresos por terem encontrado alguém ali.
—Oh, merda! Desculpem. Nós já estamos de saída. —a garota disse, com o rosto vermelho pelo pouco que a fraca luz me deixava ver.
—Estamos? —o cara soou decepcionado ao ser rebocado de volta para o clube.
Eu ainda encarava a porta, como se minha expressão fria pudesse fazer qualquer outro casal de bêbados retornar para dentro com o rabinho entre as pernas, mas minha postura rígida caiu logo que Thayer começou a rir.
—Não sabia que aqui era tão movimentado. Você se machucou?
Respirei fundo, voltando meus olhos para ele. —Tirando a vontade de chutar a bunda daquele cara por querer continuar aqui? Estou perfeitamente bem. E você?
—Ótimo. —ele se afastou da grade onde havia sido jogado, sem tirar o braço que envolvia minha cintura. Sua camisa estava presa em uma parte pontuda do metal da grade, então, eu puxei o tecido e encostei minha mão em suas costas.
Quando Thayer arfou eu estreitei os olhos. —Devia saber que você não diria.
—É só um arranhão. —ele deu os ombros.
—Sabe lá o que aconteceu nessa grade. Vamos pelo menos limpar isso. —estávamos um pouco mais distantes da modesta e única fonte de luz do local, que ficava bem em cima da porta, e mesmo assim eu vi o canto da boca de Thayer subir. —Não sorria enquanto eu analiso seus ferimentos, masoquista.
O arranhão devia ser pequeno já que não manchava a blusa com muito sangue, mas estava próximo demais de suas omoplatas para que eu conseguisse ver.
—Preciso tirar a camisa? —Thayer antecipou, soando nem um pouco tímido.
—Guarde isso. Vem alguém aí.
Sentir alguém se aproximando pela parte externa do clube não foi uma surpresa, mas sentir a ponta de maldade na alma foi. Quem diria que eu encontraria uma presa justo quando não estava procurando uma?
—Nada de pânico! —o homem encapuzado disse com uma voz rouca enquanto sacava uma faca. —Gritos histéricos sempre me deixam inquieto. Ergam suas mãos e encostem na parede. Vamos, caralho! Estão pensando que eu tô de brincadeira?!
Fazendo um belo show, fingi apreensão ao pôr minhas mãos contra a parede.
—Por favor, não me machuque. —choraminguei, olhando sobre o ombro.
—Basta você ficar bem quietinha e eu não irei cortar seu belo rosto. —o modo pejorativo como ele falava comigo mostrava que eu já não lhe parecia uma ameaça. Porém, Thayer não estava parecendo muito flexível. Sua postura rígida ao meu lado se assemelhava à de um predador, não de um submisso.
E, droga, ele ainda não havia erguido as mãos.
—Está tentando impressionar a gatinha, seu imbecil? —vi a faca reluzir enquanto o assaltante a sacudia no ar. —Não dê uma de herói. Odeio essas merdas.
O olhar que eu lancei para Thayer deve tê-lo advertido o suficiente, pois, mesmo que com um suspiro nada satisfeito, ele colocou suas mãos na parede. Sua mandíbula estava fortemente cerrada e seus olhos seguiam nosso agressor como se tivessem a capacidade de dilacerá-lo vivo.
—Jogue numa boa ou vou começar dando muitas facadas na garota.
Senti o encapuzado se aproximar de minhas costas, mantendo uma distância segura de Thayer. O metal gelado da faca deslizou por minha coluna enquanto o assaltante se deleitava com mais da sensação de poder quando fingi um tremor.
—Você quer dinheiro? —Thayer grunhiu. —Então procure primeiro em mim.
—Já disse que odeio a porra do heroísmo. Fica na sua! —veias cresceram mais grossas em seu pescoço enquanto ele falava em um tom mais agressivo. Ele respirou fundo, como se buscasse ficar mais calmo, e olhou nervosamente para a porta de emergência. —Vamos acabar logo com isso.
Sua mão livre começou a tatear minhas costas enquanto a faca pressionava contra o meu pescoço, ainda sem cortar a pele. Não havia muito onde procurar algo naquele vestido apertado, então eu sabia que ele estava apenas provocando.
Empurrei-me mais contra a parede, fugindo de seu toque repulsivo.
Com a distanciação, ele afastou um pouco a faca e aproximou-se mais, sua mão descendo para minha bunda, mas antes que ele tivesse a chance de sentir minhas curvas, Thayer deu um soco nele, fazendo-o retroceder alguns bons passos.
—Vai se arrepender de ter tocado nela. —o olhar predador dele era absoluto.
A resposta do encapuzado foi cuspir sangue e, quando ele ergueu seus olhos, parecia disposto a cortar Thayer em pedaços. E Thayer parecia tão irritado que nem ligava que o assaltante ainda estivesse com a faca em punho.
Fiz a única coisa que consegui planejar no momento. Eu me joguei no ladrão.
Imobilizá-lo na parede, ainda por cima vestida num vestido de couro apertado não era lá a tarefa mais fácil, mas ao menos pude largar a imagem de garota fraca.
—Thayer, —respirei fundo, batendo meu cotovelo contra a traqueia do assaltante para poder imobilizá-lo melhor e olhar sobre meu ombro ao mesmo tempo. —que porcaria foi essa? Você precisava dar uma de louco super-protetor justo agora? Você acha que eu preciso de proteção? Ou que eu estava assustada?
Thayer deslizou os dedos pelo cabelo. —Ele parecia a ponto de te machucar.
—Não me venha com essa de-… —fui interrompida pelo meu próprio ofego. De alguma forma, o assaltante havia libertado a sua mão com a faca e me apunhalado nas costas, estrategicamente longe da vista de Thayer.
Sim, isso o fez muito, muito satisfeito.
—Você vai pagar por isso, colega. —falei extraindo eu mesma a faca e sentindo o gosto de meu sangue na boca. —Você acabou de estragar o vestido da minha amiga.
Minha boca abriu e eu aproximei nossos rostos, tratando de atrair sua alma para mim. O fluxo prateado parecia ter luz própria em meio a escuridão de onde estávamos, e eu esperava que nenhum outro casal aparecesse naquele momento.
Quando acabei, deixei que o corpo dele caísse no chão, sem vida.
Thayer estava tão pálido quanto um morto, mas seus olhos não estavam em meus lábios, e sim nas minhas costas. —Ele te golpeou. Meu Deus, Cat, você está-…
—Sangrando. Eu sei. —tossi um pouco de sangue. —Não é nada demais.
—Nada demais! —o brilho nos olhos de Thayer me fazia pensar que ele me pegaria nos braços e me levaria para o hospital agora mesmo. —Cat, a faca provavelmente atravessou sua omoplata. Vem aqui, me deixa ver isso.
—Eu tô bem, sério. —tentei conter mais uma onda de tosse, mas senti um fiapo de sangue deslizando pelo canto de minha boca. Sexy. —Isso vai curar.
Assisti enquanto ele tirava a camisa, ficando apenas com uma regata.
—Use isso para estancar o sangramento. Você não devia ter extraído a faca. —seu rosto estampava a síntese de toda preocupação.
Revirei os olhos, apenas vestindo sua camisa por cima de meu vestido.
—Você precisa sair daqui. Eu vou lidar com esse corpo e logo te encontro-…
—Cat… —ele suspirou. —Não me faça te levar até o hospital à força.
Tive um pouco de dificuldade para puxar o ar, e minhas palavras soaram embargadas quando eu novamente tentei tranquilizá-lo. —Uma facada como essa não é capaz de me matar. Ainda mais depois de uma alimentação. Agora, por favor, vá.
Dei as costas, cuspindo um pouco de sangue no chão da maneira mais discreta que pude antes de me agachar ao lado do corpo do assaltante.
Senti que Thayer hesitou um pouco, mas logo entrou no clube. Fácil assim.
A maneira de uma ceifadora despejar um corpo envolvia feitiços com sangue na maior parte das vezes. Prático e rápido. Pouco depois, o único que faltava era descartar a faca quando ouvi a porta atrás de mim abrir mais uma vez.
—Não se preocupe, sou apenas eu. —Thayer me acalmou, aproximando-se rapidamente pressionando um pano com gelo sobre meu ferimento. —Você não pode continuar se movendo. Fique parada e aperte isso.
Desistindo, eu fiz o melhor que pude para alcançar o local em minhas costas.
—Você não enganou com essa de me deixar aqui tão facilmente. —brinquei.
—Se não vai deixar que eu te proteja, me deixe ao menos cuidar de você. —ele disse, agindo mais carinhosamente do que clinicamente quando passou um braço pela minha cintura e o outro por baixo de meus joelhos, me segurando contra seu peito. —Vamos lá. Linda já está nos esperando no carro. Tente não se mover muito.
Fiz o melhor que pude, mas não consegui segurar outra tosse que me atingiu. Era como se sangue tentasse voltar por minha garganta, me impedindo de respirar.
—Isso não é bom sinal. Tem sangue no seu pulmão. —Thayer soou muito aflito, apressando-se. —Droga. Nós deveríamos chamar uma ambulância.
—Olhe, eu posso me desculpar por pintar seu carro de vermelho, mas não há maneira no inferno de me ter dentro de uma porcaria de uma ambulância. —todo meu ímpeto trouxe uma nova onda de tosse. —Apenas me leve para casa.
Thayer não falou nada mais do que algumas maldições até me colocar no banco de trás de seu carro, estacionado próximo da saída de emergência.
—Mas que porra? —Linda guinchou assim que me viu.
—Eu sei, sou encantadora quando estou cuspindo sangue. —sorri.
Linda saltou do banco do motorista onde estava para o meu lado, seguindo algumas instruções dadas por Thayer ao manter meu corpo mais alto que minha cabeça. Ele tomou seu lugar atrás do volante e acelerou.
—Como você conseguiu abrir esse buraco nas suas costas? —Linda questionou, esticando seu pequeno corpo para limpar o sangue que escorria de minha boca.
—Um momento de desatenção. Nada demais.
O silêncio que Linda me ofereceu em resposta mostrava o quanto ela estava insatisfeita com isso. Se o ferimento fosse mais superficial, ela teria feito alguma piada.
Cada vez que eu pretendia dizer que estava bem ou acrescentar algo mais, sangue me impedia de respirar e tudo começava a ficar muito mais doloroso. Enquanto eu permanecia imóvel, a dor era menos pungente, e o couro do carro era tão confortável que eu apenas fechei os olhos, e caí no sono.
Fale com o autor