More Than That
9 Nash - Panic
Notas iniciais
Logan e eu estávamos sentados no sofá na antiga casa de minha irmã Lily assistindo a um filme. Porém eu não estava de fato assistindo o filme. Estava pensando nos últimos acontecimentos e revelações das últimas duas semanas. Logan e eu não estávamos juntos há muito tempo e já discutimos muito para um casal que acabou de começar a namorar. Imaginei se não estaríamos indo muito rápido com esse nosso namoro.
Após revelarmos que quase fomos pais, ficamos um pouco mais íntimos, é verdade. Foi uma discórdia momentânea, felizmente. Porém logo em seguida Logan mente para mim sobre Edward. Discutimos bastante naquela noite, apesar de agora já estarmos melhor um com o outro. Mas não consigo deixar de pensar nessa situação. Mal começamos a namorar de fato e Logan já havia mentido para mim!
– O que foi, tio? Você está fazendo aquela cara de quem não está prestando atenção no filme e pensando em alguma outra coisa.
– É porque estou. Desculpe.
Logan ajeitou-se no sofá, sentando-se sobre uma de suas pernas e apoiando o cotovelo no sofá, encarando-me.
– O que houve?
– Não sei Logan, é que...
– É sobre o Edward, não é?
Provavelmente Logan sentia-se culpado por mentir. Fico imaginando se ele não sentia-se confuso como eu estava.
– Eu sei que já discutimos sobre isso e você já escutou muito isso, mas... Sinto muito. As coisas estavam indo bem após aquela confusão com tio Josh e Chace e...
– Tudo bem, Logan. Eu entendo o porquê de você ter mentido. Eu te perdôo, mas é que... Nós estamos namorando “oficialmente” desde semana passada após esse episódio durante aquela reunião em família lá em casa, e em tão pouco tempo já passamos por tanta coisa! Isso não é normal.
– Tio, pelo amor de Deus – Logan sorriu. Parecia mais tranquilo agora – Você está namorando o seu sobrinho, nosso relacionamento já não é normal – Logan acariciou meu rosto – Só tivemos a infelicidade de começar desse jeito. E por minha culpa em ambos os casos.
– É, acho que você tem razão.
– É. Sinto muito por isso.
– Se você falar “sinto muito” mais uma vez, eu juro por Deus que eu vou te beijar.
– Sinto muito – Disse Logan sorrindo maliciosamente e em seguida mordendo o lábio inferior.
Eu avancei lentamente contra a boca de Logan, tocando seus lábios com carinho, mais de uma vez. Logan tinha esse olhar de “Sinto muito pelo que houve, mas quero continuar a ser feliz ao seu lado”. Talvez ele não estivesse de fato pensando nisso, mas me tranquilizava pensar que estava.
– Está tudo bem, tio. Tudo vai ficar bem.
– Espero que sim. – Falei espreguiçando-me – Eu estou pensando em ir ao supermercado. Tem nada na geladeira e não faço ideia de como faremos para sobreviver até amanhã.
– Podíamos comer fora ou pedir comida. Não seria melhor?
Jovens e essa mania de não querer fazer as coisas!
– Sim, mas Josh vai vir para a audiência com Adrian e Lena.
Logan bufou revirando os olhos.
– Nem me fale! O que a tia Lena vai fazer na audiência? Tem nada dela aqui.
– Duvido que ela vá deixar seu pai sozinho. Depois que Lily e Adrian se separaram, Lena passou a ser mais protetora do que o normal, principalmente com seu pai.
– É. Mulher enjoada!
– Então... Eu vou ao mercado. Você vem?
– Claro. Deixe-me trocar a bermuda.
– Você está maravilhoso.
– Sei... Pra você, até sem roupa eu sou maravilhoso.
– Pelado você é mais do que maravilhoso.
Eu e Logan então fomos ao supermercado. Nos separamos com a intenção de terminar aquilo o mais rápido possível para voltar logo para a antiga casa de Lily e aproveitarmos o resto do dia junto, enquanto Josh ainda não havia chegado.
Apesar de já ter conversado com Logan e acalmado um pouco, eu continuava um pouco tenso. Sem entender o porquê, visto que já havia aceitado que a minha relação com Logan era complicada. Acho que acabei entrando em pânico após a mentira sobre Edward.
Logo ao meu lado uma senhora baixinha de cabelos grisalhos num mix de cores branco e preto, como um dálmata e um pouco curvada para a frente, cutucou-me delicadamente, me dando um susto.
– Moço... Eu acho que é a sua vez. Todos estão esperando.
Eu olhei para trás e vi uma pequena fila de três ou quatro pessoas para comprar carne. Pedi desculpas à senhora que me abordou e fiz meu pedido. Enquanto eu esperava a carne que pedi, chegar, a mesma senhora que me chamou, continuava me encarando.
– Algum problema, moça? – Eu estava tão distraído que era capaz de estar esquecendo de mais alguma coisa.
– Está pensando na sua namorada?
Eu ri sem jeito, e ao sentir minhas bochechas quentes, podia dizer que estava corando rapidamente. A senhora, no entanto, sorriu.
– É amor proibido, não é?
Eu continuei rindo. Não sabia ao certo o que dizer. E a senhora, que parecia rir cada vez mais da minha situação naquele momento? A minha vontade era de dar-lhe um murro, pegar minhas coisas e sair correndo. Aquilo estava começando a me dar raiva.
– Mas sabe de uma coisa? – A velha continuou como se eu tivesse respondido “sim” nas perguntas anteriores – O proibido é sempre melhor. – E pra “fechar com chave de ouro”, a senhora piscou o olho esquerdo sorrindo.
Apenas peguei minha carne, coloquei-a no carrinho e saí andando. E por incrível que pareça, comecei a rir do que tinha acabado de acontecer... Mas a velha estava certa. Proibido era melhor.
Toda aquela cena me fez lembrar de quando eu vi Logan nu pela primeira vez, que foi quando eu o quis para mim. Estávamos viajando e isso aconteceu no hotel onde estávamos hospedados. Lily levou Logan, eu levei Mary e Josh levou Chace e Chloe. Logan, Josh, Chace e eu estávamos na sauna, porém no fim, ficamos apenas Logan e eu. Ele perguntou se eu não me importava por ele ficar totalmente despido. Eu havia dito que “não” com medo do que meu sobrinho poderia pensar. Aquela resposta foi o que me condenou. Não que Logan fosse tão... do jeito que é agora, ele era um tanto mais novo e justamente isso foi o que me fez afastar-me de Lily e de meu sobrinho por um tempo. Alguns meses depois, Mary e eu começamos a brigar e o estado de Lily começou a piorar.
Fui despertado de meus pensamentos quando uma mulher que tinha quase a mesma altura que Logan, cabelos lisos, mas que, naquele instante estavam presos, e algumas poucas sardas no rosto, chamou-me sorrindo.
– À quanto tempo! – Ela disse descançando o carrinho de compras no canto e beijando-me no rosto – O que você tem aprontado?
– Oi, Kate – Minha ex-namorada, de alguns anos atrás, acabara de aparecer do meu lado. Que dia esquisito! – Quanto tempo mesmo! Você está ótima!
– Você também. Tem malhado? Ficou sarado.
De repente eu percebi que estava sorrindo de orelha à orelha e corando tão rápido quanto da vez em que estava falando com a velha na fila do açougue do mercado.
– Talvez. – Falei enquanto sorria sem jeito, lembrando-me de Logan sobre mim na cama. – E você? Pilates?
– Sério? Ai, estou me achando tão feia.
– Por favor, não! Você está maravilhosa.
– Ah! Obrigada. – Katy suspirou antes de continuar. Senti um frio na barriga, porque após o suspiro, eu sabia exatamente o que Katy perguntaria. – Como está Mary?
– Eu não sei... Nós... Você sabe.
– Oh. Sinto muito. E eu fiquei sabendo da Lily... Pobrezinha. – Katy fitava-me como se estivesse pensando em algo. Segundos depois, concluí que de fato estava – Olha, eu entendo que talvez esse não seja o melhor momento porque você deve estar passando por uma fase difícil e aqui não é lugar para isso... Nós precisamos conversar. – Eu engoli em seco, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Katy continuou. – Não é sobre nós... Bom, de um jeito ou de outro vai ser, mas é sobre ela.
Katy olhou para uma menina loira, com o cabelo solto sobre os ombros. Era ainda menor do que Katy e um pouquinho magricela. Parecia delicada e muito bem feita, como uma boneca de porcelana.
– Ela é sua filha?
– Sim. – Disse Katy, agora fitando-me novamente – Julia.
– Ela é linda... Espera... O que? É o que eu estou pensando?
Katy ficou sem jeito e, olhou para o relógio no celular que acabara de puxar do bolso da calça.
– Meu Deus! Olha a hora! Preciso ir, Nash. Eu te ligo mais tarde pra marcarmos uma hora pra conversar sobre a nossa filha. Júlia!
Nenhuma palavra saía da minha boca. Eu estava estupefeito. Tinha entrado em pânico, de um jeito diferente, desta vez. Eu tinha uma filha! Meu Deus, eu tinha uma filha!
Eu realmente vou matar aquela mulher!
À noite, eu mau conseguia “pregar” os olhos. Revirei-me no colchão a noite tode. Logan resmungava, mas parecia que estava gemendo, de tanto sono. E mesmo que estivesse conseguindo formar palavras ao invés de balbuciar, eu não teria prestado atenção, então agradeci muito à Deus por isso.
Logan e eu quase tínhamos nos tornados pais no passado. A ex-namorada de Logan havia abortado e Katy havia perdido o bebê. Mas ainda assim, aquela mulher aparece no mercado me dizendo que eu tenho uma filha! É a coisa mais linda e triste que alguém poderia me dizer!
Pelo tamanho e jeito de Julia, a menina devia ter uns quinze ou dezessei anos. Parecia um pouco comigo também. Lembrava muito a Katy, claro, mas tinha algo nela que parecia-se comigo. Mas eu só avistei a garota por alguns instantes, é possível que eu estivesse me enganando quanto à isso.
Caramba, eu tenho uma filha!
Na manhã seguinte, quando Logan levantou para tomar café e preparar-se para a audiência, eu já estava de pé, já havia preparado o café e já estava vestido para sair enquanto que Logan estava com os cabelos para o ar e com uma expressão de “morri mas estou vivo”.
– Que animação é essa? – Perguntou Logan com a voz um pouco rouca ao levantar-se do colchão que estava no chão. Eu e Logan achamos melhor não dormirmos na cama de Lily. Era estranho para nós e Logan não tinha uma cama de casal, então resolvemos dormir no chão da sala mesmo. – O que aquela mulher do mercado disse pra você?
– Que tínhamos que conversar sobre algo. Ela virá aqui hoje após a audiência, pode ser?
– Claro. Quem é ela?
– Katy.
– Katy? Sua ex-namorada?
– Sim. – Logan parecia ter “despertado” de uma hora para outra – Relaxe. Você vai entender quando tudo acabar. Após o inventário, nós viremos para cá, Josh e Chloe vão almoçar com a gente e um pouco mais à tarde, Katy e Julia virão aqui.
– Nossa! Você já fez planos para o dia todo.
– Eu sou uma pessoa prevenida. Você devia ser assim.
– Deus me livre. – Logan suspirou e, após balançar a cabeça na tentativa de despertar mais ou de arrumar o cabelo inutilmente, deu-me um selinho e foi ao banheiro se arrumar – Te amo.
– Te amo, Logan.
Logan arrumou-se e tomou café comigo, quase me dando um soco por eu estar contente e, portanto, animado. Quando Josh e Chloe chegaram fomos todos ao fórum da cidade, que era mais longe do que eu me lembrava. Josh não havia levado Chace porque voltaria para casa logo após o almoço, e Chace ainda estava de castigo após toda a história dele com Logan.
Adrian e Lena já haviam chegado. Adrian parecia outra pessoa, visto que estava sóbrio, limpo e muito bem vestido. Lena, também, não parecia a mesma que eu conheci, que tentava a todo custo imitar minha irmã. Lena tinha o cabelo curto, “repicado”, era bem morena, imagino eu que seja bronzeamento artificial, e mais alta do que eu, um pouco. Talvez fossem os saltos.
A audiência demorou tanto que a minha vontade era de arrancar meus olhos e ouvidos. Eu queria muito saber qual era a história da minha filha e porque Katy havia dito nada comigo, mas esse juíz não estava colaborando.
Por fim, ficou resolvido que a casa era do Logan. Ele e Josh quase pularam de alegria quando o juíz bateu aquele martelinho dele. Lena ficou furiosa, chegando a mudar de cor. Protestando de toda maneira.
“Esse moleque é a perdição! Eu vou te destruir, seu desgraçado. Você não vai fazer isso com meu irmão, com a minha família! Você é uma maldição que caiu sobre minha vida. Você merece a morte!”
Faltou bem pouco para que eu voasse no pescoço dela, felizmente alguns guardas e o juíz a puseram no lugar dela. Quase foi presa.
Bom, tirando esse infeliz incidente, tudo correu bem. Josh e eu cozinhamos juntos deixando Chloe e Logan conversando conosco na cozinha. Foi quando comentei com Josh que eu vi Katy. Ele pareceu um pouco animado, o que deixou Logan constrangido.
Assim que Josh saiu, seríamos apenas eu e Logan, antes de eu conhecer minha filha formalmente. Logan estava um pouco triste, um pouco... deprimido. Eu o procurei, após arrumar a bagunça que Josh e eu fizemos na cozinha, em seu quarto. Logan estava deitado em sua cama, encarando o teto.
– É a Katy? – Perguntei sabendo que a resposta era “sim”.
– É que... Não aguento ver você falando desse jeito dela.
– Não estou falando desse jeito da Katy, mas por causa dela. – Suspirei antes de continuar – Olha, eu entendo se for ciúmes o que você está sentindo. E se for mesmo, você pode ficar despreocupado. – Me aproximei da cama e sentei-me ao seu lado, enquanto Logan continuava a encarar o teto, chateado. – Eu amo você, Logan. E não é só porque você é meu sobrinho. Você é o amor da minha vida e a cada dia mais que passo ao seu lado, mais eu amo você.
– Sério?
– “Sério?” digo eu! Você está parecendo uma menina insegura. Cadê aquele homem determinado e que diz sentir nada!?
– Acho que mudou de receptáculo e possuiu seu corpo.
– Agora que você falou, faz sentido.
– Na verdade não faz, eu estava te zoando... – Logan disse com aquele sorriso lindo e maravilhoso que tinha — Mas eu entendo. Desculpe por agir assim. É que depois do que aconteceu com o Ed e por essa nossa relação ser complicada eu pensei que...
– Que eu fosse desistir por causa desses imprevistos? Jamais.
– Você promete?
– Claro, meu amor.
– Amo você.
– Eu amo mais.
Logan sentou-se na cama e me beijou demoradamente enquanto nos acariciávamos. Eu deitei ao seu lado, epurrando-o para o canto da cama. Estava bem apertado. Devíamos ter domido naquela cama. – Risos.
Algum tempo depois, a campainha tocou. Eu fui correndo atender à porta e, assim como eu esperava, Katy e Julia haviam chegado na hora marcada.
Eu apresentei Katy à Logan, que o conheceu quando este ainda era um bebê e Katy nos apresentou à Julia. No começo parecia ser tímida, mas logo já estava se ajeitando no sofá como se estivesse em casa.
“Eu era muito jovem para ter uma filha quando tive Júlia. Nash sabe disso. Os médicos avisaram que seria uma gravidez de risco e que eu poderia perdê-la, provavelmente durante o parto. A probabilidade de que eu não aguentasse também era alta. Mesmo assim, eu e Nash decidimos continuar, iríamos até o fim. Porém, durante o parto, assim que Julia veio ao mundo, todos acharam que ela tinha morrido porque ela não respirava. Nash saiu correndo da sala de cirurgia, me deixando lá com a nossa filha morta, até que... segundos depois, ela começa a chorar e... Eu não queria atrapalhar a vida de Nash porque éramos muito novos e ela tinha todo um futuro pela frente então paguei aos médicos com algumas economias que eu tinha para quando morássemos jutnos para sustentarem a minha mentira.”
Katy suspirou antes de continuar.
– No dia anterior, havia morrido uma menina então, dissemos à você que aquela menina que morreu era Julia, mas não era. Anos depois, quando eu me encontrei com você, você estava casado, tinha um bom emprego e... eu não queria arruinar isso.
– Mas mãe... – Julia não tinha palavras.
O único, naquela sala, que não conseguia chorar era Logan. Eu já estava em prantos desde a primeira frase da história. Julia parecia decepcionada. Não conseguia olhar para mim. Ela e Logan provavelmente queriam sair dali o mais rápido possível.
– Agora, você está separado e sua irmã morreu... eu não aguentava mais sustentar essa mentira. Já faz alguns anos que eu gostaria de te contar, mas por causa da sua ex-esposa...
– E agora que eu estou... – engoli em seco. Logan não ia gostar de ouvir aquilo – sozinho, você quer se redimir.
– Parece o momento apropriado. – Katy fitou Julia, com os olhos cheios de lágrimas – Você me perdoa?
Mas Julia não conseguia dizer nada, o que era bem compreensível. Já havia mudado de cor, a pobrezinha. Tremia da cabeça aos pés. Logan, achou que aquela pausa seria um excelente momento para tomarmos algo para acalmar os nervos que já estavam à flor da pele.
– Eu vou preparar algo para nos acalmarmos. – Ele disse suavemente, fitando-me.
– Obrigado, querido. – Falei.
Logan sorriu, por eu tê-lo chamado de “querido” na presença da minha filha e da minha ex-namorada. Imaginei que isso fosse aquietar seus ciúmes por um tempo. O que, surpreendentemente, deu certo.
– Eu vou com você – Disse Julia, levantando-se do sofá e indo em direção à cozinha, junto de Logan – Preciso de algo.
Logo os dois voltaram para a sala. Todos já estavam mais calmos. Julia e eu consideramos o pedido de desculpas de Katy, afinal, nada do que aconteceu poderia ser mudado e, ao meu ver, não foi uma atitude egoísta. Porém, achei errado, Katy pensar que filho seria um pesar na minha vida. Mas, nada disso importava agora. Julia era a minha filha e dali para frente seria tratada como tal.
Nós quatro ficamos conversando por um bom tempo, que nem percebemos a hora passar. Todo o cenário dramático, havia mudado para humorístico. Ficamos relembrando momentos do passado, um pouco de cada um.
– Minha nossa! Está na hora de irmos, mãe. – Disse Julia enquanto digitava algo no celular – Marcus disse que está à caminho.
– Marcus? – Perguntei desejando profundamente que não fosse um namorado. – É um amigo?
– É só um amigo, paizão! – Disse Katy brincando.
– Eu preciso fazer o meu papel de pai, ué!
– Está tudo bem... Pai. Ele é só um amigo. – Disse Julia quase me fazendo chorar.
Quando o tal de Marcus chegou, Logan e eu acompanhamos as duas até o carro, contra a minha vontade, claro. Afinal, não é todo dia que se descobre que tem uma filha.
– Quem são aqueles dois estranhos encarando vocês no fim da rua? – Perguntou Katy, antes de entrar no carro, atrás da porta.
– Vamos logo, mãe! – Disse Julia ao fundo.
– Meu pai e minha tia. – Respondeu Logan revirando os olhos – Eles não sabem perder, não é?
Logan caminhou lentamente e sem entusiasmo em direção ao pai e à tia, que pareciam estar discutindo um com o outro. Eu terminei de dar “tchau” para minha filha e para a mãe dela. Quando Marcus saiu com o carro, eu me aproximei de Logan para saber o que Adrian e Lena fariam desta vez.
Lena, puxou algo detrás do jeans que usava, algo que deixou Adrian furioso. Ele puxou a irmã pelo braço, mas vendo que não adiantaria, abraçou-a na tentativa ineficaz de impedí-la e foi apenas nesse momento é que eu percebi que Lana portava uma pequena pistola.
A bala deveria acertar Logan, no entanto, era a minha roupa que estava agora ensanguentada. Era eu quem caía na calçada gélida.
A única coisa que me lembro, antes da “escuridão”, é o doce, porém desesperado, toque molhado dos lábios de Logan.
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