More Than That

10 Logan - Lights On (Parte I)


Notas iniciais
Então, povinho... Estou de volta, após duas semanas elaborando esse capítulo e o que eu tenho a dizer é: - Desculpem pela demora. Vou tentar aumentar o ritmo e não demorar mais. - Serão duas partes seguindo o mesmo ritmo de narração (Logan e Nash), mas que eu separei pra poder explorar melhor certos momentos como os diálogos deste capítulo, caso contrário, eu teria que fazer um capítulo cheio de parágrafos enormes e uma mistura entre parágrafos grandes e diálogos deixa a história mais dinâmica. Então resolvi fazer assim. Ficou um capítulo bem leve e bem rapidinho, mas espero que gostem e boa leitura!

Então... Tio Nash foi baleado, Tia Lena foi presa, Julia tornou-se uma constante, meu amigo é traficante, Tio Josh estava começando a suspeitar da minha estadia na casa do irmão e meu emprego é uma droga. Esqueci algo? Hm... acho que não. Mas vamos com calma. Uma coisa de cada vez.

Quando tia Lena atirou em Nash, fiquei sem reação. As pernas bambearam e a única coisa em que eu conseguia pensar era no bem estar de meu tio, que por um fio, não morreu. Ele esteve entre a vida e a morte por quase uma semana. A ambulância demorou demais para chegar e tio Nash acabou inconsciente por uns bons dias.

Mas eu não tive tempo para lamentar. E nem queria. Agora que tio Nash estava estabilizado, foquei-me em botar tia Lena na cadeia. O que, felizmente, não necessitou de muito esforço. Porém, me surpreendeu, ver que meu pai Adrian havia testemunhado contra ela. Achei muito estranho. No entanto, não falei mais com nenhum deles depois do que aconteceu, então nem perguntei “por que”.

Julia, que havia ouvido o barulho do tiro enquanto ainda estava no carro, voltou para ver o que havia acontecido. Visitava tio Nash no hospital de vez em quando e assim que voltamos para casa, passou a nos visitar todo fim de semana. Foi muito bom para tio Nash, que além de ter companhia – que não seja a minha – estava conhecendo mais um pouco da filha. Coisas simples, como: Julia tinha uma “queda” por Marcus e o rapaz apenas suspeitava; Julia pretendia fazer medicina ou medicina veterinária assim que terminasse a escola, o que deixou meu tio muito feliz e um pouco aliviado; Julia não gostava do novo padrasto, e tio Nash também e isso me deixou bem desconfortável; Julia odiava rosa, amava azul; A música favorita de Julia era “Can’t Have You” dos Jonas Brothers; Sua comida favorita? Pão de Queijo; Preferia sapatilhas à saltos altos; Tinha uma certa facilidade em se apaixonar por rapazes baixinhos; Gostava mais de frio; E de roupas de frio! – Suspiro – É. Julia tornou-se um incômodo naquele momento. Eu entendo que os dois estavam um pouco eufóricos ao descobrirem sua relação como pai e filha, mas...

Como se tudo isso não bastasse, Hannah e Edward não largavam do meu pé. Os dois queriam muito que eu saísse com eles, mas com meu tio ainda se recuperando e após a mentira leve que contei sobre o Ed, achei melhor ficar um pouco quieto. Poderia focar-me nas coisas mais importantes, como meu tio, meus estudos e meu trabalho. E que trabalho!

“Franky” estava pegando leve comigo por que entendia a minha situação com meu tio, porém o resto da equipe não via isso com bons olhos e por raiva, jogavam todo o trabalho para mim. A minha sorte, era que havia uma jovem, que também estagiava lá na empresa e que, por pena ou por estar afim de mim, dividia boas partes das tarefas comigo.

Tio Josh também não estava dando mole. Era ele quem estava cuidando de toda a parte burocrática relacionada ao mandato de prisão de Lena, porém, ele estava começando a achar estranho todo esse meu apego com tio Nash. Ele não dizia nada porque era normal um sobrinho e um tio se aproximarem do jeito que eu estava próximo de tio Nash aos olhos das outras pessoas, ainda mais quando os dois estão morando juntos por alguns meses. E, de acordo com as perguntas que tio Josh fazia, parecia ser exatamente esse o ponto.

“Vocês estão juntos a tanto tempo. Isso acabou sendo conveniente agora que meu irmão foi baleado, mas não acha que é hora de você seguir o seu caminho e meu irmão seguir o dele!?”

Acredito que tio Josh não quis se intrometer, mas cuidar do irmão. Essa era uma característica marcante dele e que, no momento, não era a melhor. Ele sentia, de alguma forma, que havia algo escondido, algo por “debaixo dos panos”, mas ele também etendia que podia ser apenas coisas da cabeça dele. Além disso, estávamos passando por um momento de estresse, então ele nem levou o assunto adiante.

Eu estava fazendo tudo o que eu queria, porém não do jeito que eu queria. E aquilo estava me estressando. Não conseguia dormir direito, por ter muitas coisas para estudar e muitas coisas do emprego para adiantar, isso quando eu não acordava de madrugada porque tio Nash sentia algumas dores próximo ao local em que fora baleado. Era uma situação muito complicada.

– Você está bem? – Perguntou Marcus, se aproximando enquanto eu tomava café e lia um livro.

– Oi?

– Você está bem? – Marcus repetiu a pergunta, puxando uma cadeira e sentando-se.

– Sim. – Respondi sorrindo levemente e arqueando as sobrancelhas – Por quê?

Marcus deu de ombros e pegou um pouco de café para me acompanhar.

– É que... Me desculpe... Você parece cansado.

– E estou. Trabalho e faculdade.

– Não é pra qualquer um – Concordou Marcus – Será que a Julia ainda vai demorar? – Ele comentou consultando o relógio em seu punho – Gostaria de chegar em casa ainda hoje.

– Ela e tio Nash se aproximaram bastante.

– Sim. Muito rápido, na minha opinião. – Eu estava começando a gostar desse tal de Marcus – Ele devia descansar. Julia sufoca às vezes. – Ok. Algo estava errado ali.

– Você se sente sufocado por ela de alguma forma?

– Por quê?

– Não me olhe desse jeito. Foi você quem começou com esse papo estranho.

Marcus revirou os olhos enquanto corava e eu ria, mais comigo mesmo do que com ele.

– Ele tem alguma namorada?

– Quem? – Perguntei engasgando. Não esperava por essa – tio Nash?

– É. – Marcus respondeu prolongando a monossílaba achando estranho meu comportamento.

– Ouvi dizer que ele está saindo com alguém. – Falei e bebi um pouco mais do meu café. E, mesmo não querendo falar sobre o assunto, fiquei curioso sobre a curiosidade de Marcus – Por quê?

– N-não... É que... Eu estava pensando em... Talvez passear em algum lugar mais calmo com alguém que ele goste, talvez – Marcus pigarreou – Talvez o ajude a melhorar. Ele vem sentindo dores?

– Sim, doutor. – Brinquei – Mas tem certeza de que isso é sobre meu tio?

– Claro.

– Certeza mesmo? Isso não é sobre Julia e você? Não sei... Talvez o fato de Julia estar com meu tio, te incomoda. Você gosta dela, não gosta?

Marcus suspirou fitando-me enquanto eu comemorava internamente. Eu sabia que o sentimento era recíproco! Tinha que ser. Os dois formavam um casal tão bonitinho.

Mas então, enquanto eu ria internamente e Marcus quase me enviava o garfo em mãos em um dos meus olhos, eu acabei tendo uma ideia, que eu ia compartilhar com Marcus – ele me parecia confiável agora – porém Julia e tio Nash se aproximavam.

– E você está andando! – Comentei o óbvio irônicamente.

Marcus levantou-se e puxou mais duas cadeiras. Ao meu lado para tio Nash e ao lado onde estava sentado, para Julia.

– Eu não estou morto, Logan. Por favor. – Disse tio Nash pegando algumas torradas. – Achei que podíamos ter um momento agora. Nós quatro.

– Bom, já que você está tão disposto assim a andar – Eu não ia ficar discutindo. Até porque eu quase sempre chamava atenção do meu tio para provocá-lo. Eu sabia que ele era forte e que estava melhorando – Eu acabei de ter uma ideia.

Marcus semicerrou os olhos como se estivesse me ameçando mentalmente – talvez estivesse – enquanto Julia e tio Nash apenas arqueavam as sobrancelhas de curiosidade.

– Enfim, eu tive a ideia de a gente sair. Sei lá. Viajar para algum lugar legal.

– Viajar? – Julia estava espantada – Dois segundos atrás você estava brigando com meu pai porque ele estava vindo para ficar com você.

– Eu estava provocando.

– E-ele estava provocando – Concordou meu tio, que estava um tanto perplexo. Talvez um pouco assustado – Você está provocando agora? Porque eu estou tão surpreso quanto Julia e às vezes eu não consigo distinguir quando você está brincando ou não.

– Apesar de que parece, não. Eu não estou.

– Isso é uma boa ideia... na verdade... – Marcus falou sem jeito – Eu tenho essa teoria de que viajar cura. Para algum lugar que não envolva ação, pra ser mais exato.

Julia fitava Marcus encantada enquanto eu comemorava internamente. Sabia que era do interesse de Marcus que essa viagem acontecesse, mas não imaginava que ele fosse me ajudar. Ele só não esperava que...

– Julia podia ir também – Falei para a surpresa de todos. Marcus engasgou. – Que foi? Vai ser bom.

– É, mas seria muito melhor com alguém mais íntimo. Uma namorada, talvez. – Marcus explicou enquanto corava.

– Ou poderíamos todos ir. Nós quatro! Eu não estou namorando uma mulher no momento, porém Logan tem sido uma ótima companhia e ter Julia conosco seria bom demais, no entanto, ainda me preocupo se ela ou Logan não vão em algum momento, sentirem que estão sendo deixados de lado, afinal de contas eu sou um só, e é por isso, Marcus, que seria ótimo se você viesse também.

A minha vontade ao ouvir aquilo era de pular no pescoço dele e ficar agarradinho até o dia seguinte de tão lindo e fofo que ele foi com todos. Sabia que, mesmo com Julia tornando-se uma constante, meu tio não havia esquecido de mim. Era apenas o meu ciúme ridículo outra vez.

Eu queria fazer o certo. Queria, mesmo sendo dominado pelo ciúme, fazer meu tio feliz acima de tudo e Julia estava incluida nessa felicidade. Eu era a metade e Julia a outra metade da felicidade de tio Nash. E, com essa história de viagem, eu ainda poderia juntar Julia e Marcus. Assim, Julia, aos poucos, deixaria um pouco mais de espaço para mim. Era uma atitude muito altruísta, porém, eu sabia que o raciocínio era bem egoísta. Mas eu não iria fazer mal a ninguém, então não vi problemas em prosseguir com o plano.

Instantes depois, Julia e Marcus foram embora. Tio Nash e eu acompanhamos os dois – que, aliás, ficavam tão lindinhos juntos – até a porta. Tio Nash, que estava um pouco “apertado” foi ao banheiro assim que fechamos a porta, no entanto, eu continuei ali na porta suspirando, feliz comigo mesmo. Dessa vez eu queria fazer o certo. Estava consado de fazer bobeira.

Fui despertado de meus pensamentos com a voz de Julia do lado de fora. Ela e Marcus pareciam estar cochichando. “Que será que estão comentando!?”

– Você acha que ele está escondendo algo? – Disse Marcus com a voz um pouco mais alta.

– Shh! Fale baixo, seu maluco! – Era a voz de Julia repreendendo-o – Mas o Logan está estranho. Está agindo como uma namorada com ciúmes. Eu entendo dessas coisas.

– É, tipo aquela vez com o Carl.

– E eu estava certa, não é? Perdi uma amiga daquela vez. Mas sei quando alguém está escondendo algo.

– Você vai fazer algo em relação à isso? Talvez seu pai tenha uma namorada e não quer que os outros saibam.

– Mas isso não faz o menor sentido. Se ele está mesmo namorando – as vozes dos dois começaram a diminuir gradativamente. Acho que estavam finalmente indo embora – por que ele esconderia isso? Mulheres não gostam disso. A maioria, pelo menos.

– Não!? Sempre achei que vocês preferissem o anonimato!

E isso foi tudo o que eu consegui ouvir da conversa dos dois, mas foi o suficiente para me deixar apavorado. Os dois estavam mesmo desconfiando de algo. Eu não sabia se guardava isso para mim ou se contaria para meu tio. Ele ainda estava se recuperando e... Ai meu Deus. O que eu faço?

Aparentemente, acabei pensando alto a última frase. Tio Nash aproximou-se perguntando o que havia acontecido para eu estar com a cara de espanto que, segundo ele, eu apresentava.

– Ah... É que... – Eu não sabia se dizia a verdade ou não. Queria protegê-lo desse problema – Marcus e Julia. Eles estão... uh... – O cara tinha acabado de ganhar uma filha e estava mais do que contente com isso. Mas então eu lembrei de Edward e como nós discutimos por causa daquela mentira. Se eu queria mesmo fazer o que era certo, deveria contar a verdade à ele – eles estão desconfiando de algo.

– Você ouviu o que eles disseram?

– Não muita coisa. Acham que você está namorando alguém em segredo. Eu não pude ouvir tudo porque eles estavam indo para o carro.

– Hm... Em circunstâncias normais em ficaria chateado por você ter ouvido a conversa da minha filha – ele disse com um sorriso, tentando me tranquilizar – mas foi bom você ter ouvido isso. Podemos pensar numa desculpa enquanto ninguém toca no assunto.

– É, mas...

– O que foi?

– Tio Josh também está desconfiando de algo.

– Sério? – Tio Nash bufou enquanto massageava as têmporas – Precisamos pensar em algo.

– Eu também acho. Você quer deitar um pouco?

– Só se for com você. – Ele disse abrindo um sorriso.

Tio Nash, envolveu-me com um de seus braços para subirmos juntos. O tiro acertou-o, no peito, próximo de seus pulmões, o que tornava difícil a respiração, mas era difícil mover qualquer músculo quando seu coração oscilava. Estava fraco demais.

Eu o ajudei a deitar-se e já ia fechar as cortinas do quarto, quando ele me pediu que as deixasse abertas.

– É uma noite estrelada. – Ele comentou sorrindo para mim – Como aquela noite.

– Que noite?

– Após o funeral de Lily. Quando eu dormi lá.

– E ficamos conversando na sacada. Eu lembro.

– Conversando sob a luz das estrelas. Já comentei que adoro o céu estrelado? Amo o jeito como ele fica iluminado. É como uma cidade grande de cabeça para baixo, onde todas as luzes estão acesas.

– Uma cidade bonita, né?

Comentei fazendo-o rir, o que o deixou um pouco desconfortável por causa do ferimento.

– Você tinha que cortar o meu barato?

– Você acha que essa linda cidade de cabeça para baixo poderia nos emprestar uma de suas luzes? – Falei deitando-me ao seu lado – Estamos precisando de uma agora.

– Péssimo trocadilho.

– Sim. – Falei sorrindo.

– Mas não se preocupe. Vamos pensar em algo.

– Espero que esteja certo

Notas finais
Como eu disse, foi um capítulo bem leve, mas que serviu para mostrar consequências e tempo. Como assim? - Consequências: Estou usando esse capítulo - assim como vou usar o seguinte - para mostrar que essa relação deles vai trazer consequências e o que aconteceu após o tiro que o Nash levou por Logan. - Tempo: Como autor, digo que não parece que os dois passaram meses juntos e durante a narrativa do Logan explicando as consequências, eu acho que consegui demonstrar um pouco dessa transição. Espero que tenham gostado e até a próxima! Correções, sugestões e críticas? Comente ou deixe uma mensagem! Seu feedback é essencial para o desenvolvimento da história!