More Than That
15 Logan - If I Don't Have You
Então… Era o fim.
Finalmente havia acabado. Tio Nash e eu... – suspiro – Não consigo nem dizer.
Eu tentei fazê-lo mudar de ideia, disse que não me importaria se isso salvasse a sua relação com o irmão, mas de nada adiantou. Tio Josh ficou furioso conosco e foi para o hotel mais próximo, pois meu outro tio – que acontece de ser meu namorado – se recusou a desistir de nosso relacionamento em troca de paz com o irmão.
Para ser sincero, não gostei do rompimento dos dois. Eram laços, não só de sangue, mas de amor. São irmãos e têm se amado a vida inteira, agora o corte de tal laço havia acontecido por minha culpa... Bom, tio Nash têm me dito que a culpa não era minha ou dele, mas não deveríamos ter nos beijado.
Suspiro
Acho que não adianta ficar lamentando por algo que já aconteceu e esse não sou eu. Não ficaria me lamentando por algo que não posso controlar. Mas é maior que eu.
— Aqui – Julia apareceu com um copo de refrigerante, me dando um bruto susto. A música da Madonna tocando ao fundo adentrou meus ouvidos assim como o som das vozes dos presentes – Você quer que eu te traga algo mais forte? Parece distante.
— É porque estou – Sorri de lado enquanto pegava a bebida de sua mão – Obrigado.
— Ainda triste pelo o que aconteceu?
— É, bom... Normalmente eu não ficaria, mas estou com um sentimento de culpa monstruoso. Seu pai e eu... Não devíamos ter feito o que fizemos e... Em nome da paz, teria sido melhor continuar escondendo isso do nosso tio.
— Você acha mesmo que isso iria adiantar? – Olhei para o copo fitando a bebida esverdeada que ali continha. Não havia muito o que dizer. Não havia muito o que fazer, também – Além disso, meu pai demorou muito tempo para finalmente ser livre.
“Ser livre? Será que ela estava se referindo ao casamento com a tia?”, pensei. No entanto, a festa de aniversário da Julia estava relativamente boa e eu não queria ser um estraga prazeres – de novo – então resolvi mudar de assunto.
— Melhor coisa foi você ter trazido a festa para cá – Comentei
— A família da minha mãe gosta muito de uma farra, mas eles são bem exagerados. Então achei melhor fazer uma reunião com você e com meu pai, para que não ficassem constrangidos... Pra falar a verdade, acho que essa é uma das melhores festas de aniversário que já tive.
— Fico feliz que seja otimista, mas sua mãe também está aqui e, não é que eu não goste dela, mas...
— Oh... Ele não contou, não é?
— Não contou o que?
Julia fitou-me apreensiva e eu retribuí o olhar. Tentei não me importar, tentei não falar sobre mim e sobre o meu relacionamento com meu tio, mas era como tentar sair de um labirinto. Não importa para que direção eu fosse, ia acabar sempre voltando ao mesmo ponto. Era um loop infinito.
— Eu... Eu contei à minha mãe sobre vocês.
— Oi? – Fiquei incrédulo. Não estava acreditando.
— Ela disse que conversaria com meu pai, mas acho que vai falar com os dois – continuou Julia – Espero que não fique chateado. Provavelmente ele não queria te aborrecer por causa do que houve no natal.
— Não. Eu entendo. Acho que faria o mesmo – Não queria ficar chateado com tio Nash e de fato aquilo não estava me aborrecendo, eu só esperava que fosse notificado do que havia acontecido – Ele sabe que ela vai falar com ele?
— Acho que não. Se não teria dito à você.
— Verdade – Falei sorrindo e tomando um gole do refrigerante
Marcus, que havia levado Julia e sua mãe à casa do meu tio naquele dia, estava se aproximando. Abraçou Julia por trás e lhe beijou no rosto. Julia sorriu e virou-se beijando Marcus nos lábios enquanto envolvia seus braços no pescoço do rapaz.
— Hei. Tem quartos vazios lá em cima – Comentei rindo.
— Hei, Logan. Com tem passado?
— Vou levando do jeito que dá.
— Já voltou a trabalhar?
— Ah! Nem me fale! Franky pode ser amigo do meu tio, mas não está pegando leve comigo.... Deve ser a Avaliação de Desempenho se aproximando.
— Imagino. Quando tinha isso lá na fábrica, faltava pouco pro meu chefe se equipar com um chicote! – Nós dois rimos do comentário e apesar de Julia ter nos parado no instante seguinte, foi bom rir um pouco e de um assunto menos triste.
— Vocês vão mesmo ficar falando de trabalho? – Perguntou Julia
— Ué, amor. Só estou tentando descontrair o ambiente. A sua mãe e o seu pai parecem estar entretidos numa conversa importante. Por isso me afastei.
— Devem estar relembrando o passado – Comentei e bebi mais um pouco do refrigerante.
— E você está bem com isso? – Marcus perguntou antes de levar uma cotovelada doída por Julia.
— Tudo bem, Julia – Respondi rindo daquela cena – Eu não estou com ciúmes. Estou seguro quanto à outras pessoas tentando acabar com nosso relacionamento.
— Então devia estar mais seguro quanto à você mesmo – o comentário de Julia foi como um tapa na cara, mas... eu merecia. E talvez ela estivesse certa.
E bebi o resto do refrigerante do copo.
Não demorou muito e logo cortamos o bolo. É claro que fizemos aquela famosa brincadeira na hora da cantoria e, claro, Julia ficou mais do que vermelha de tão sem graça.
Ela estava muito feliz, não só por estar com seu namorado, sua mãe e por ser seu aniversário, mas por ser seu primeiro aniversário com seu verdadeiro pai. Imagino que deve ser bem estranho descobrir que tem um pai e meses depois, descobrir que ele namora o primo e os dois estarem presentes como um casal na festa de aniversário. Mas Julia estava se saindo bem. Melhor do que eu.
Vez ou outra eu podia perceber Katy fitando-me. Eu não saberia dizer se estava calculando algo ou talvez analisando nosso comportamento. Talvez os dois. Com isso, achei que seria legal mostrar à ela que não tinha problema eu interagir com meu tio enquanto estava na presença da filha, por isso chamei Julia para uma selfie com tio Nash. Espero que Katy não tenha ficado chateada ou visto isso como uma afronta.
Pouco antes de ir embora, tio Nash me chamou na cozinha, próximo ao balcão. Ele parecia um pouco nervoso. Talvez fosse me dizer o que Julia já havia dito.
— Logan eu... uh... A Katy sabe que somos um casal – Ele disse sem muito ânimo
Eu queria dizer à ele que já sabia. Queria perguntar-lhe porque ele não havia dito nada até então. E que tipo de “liberdade” Julia estava falando.
Mas ao invés disso eu o abracei, envolvendo os braços em seu tronco sob suas vestimentas. Ele descansou suas mãos em minha nuca, beijando minha cabeça sem entender muita coisa... ou nada.
— Tudo bem, tio. Desde que ela não proíba Julia de vir aqui.
— Não! Na verdade ela não ia se intrometer. Julia conversou com ela e disse que estava se acostumando. Ainda é estranho para ela, mas acho que não ter crescido comigo ou com você ajudou um pouco essa adaptação.
— É, acredito que sim.
Ouvi passos de alguém se aproximando e, ao virar, pude confirmar minhas suspeitas de que Katy estaria ali. Em seu rosto, depositava um sorriso singelo, provavelmente tentando disfarçar seu nervosismo. Vendo aquilo, eu sorri de volta para que ela se sentisse mais à vontade.
— Desculpa interromper, gente. É que... eu queria esclarecer algumas coisas antes de irmos.
— Você realmente têm que ir? Podem ficar aqui! – Tio Nash logo disse
— Desculpe, Nash. Minha filha pode ficar à vontade com isso, mas eu não
— Uh... – Tio Nash ficou sem graça e respondeu esfregando a nuca – Tudo bem, e-e-eu entendo.
— Que bom – Ela disse, continuando seus esclarecimentos – Eu não vou proibir Julia de alguma coisa porque ela já é bem crescida e capaz de tomar suas próprias decisões. Eu a criei muito bem. No entanto, não consigo... entender ou até mesmo acreditar que vocês conseguem levar esse relacionamento à diante. Eu acho doentio.
Eu olhava de Katy para tio Nash e pude perceber que ambos estavam tensos. Fiquei feliz por não ser o único e imaginava que Julia e Marcus deveriam estar também. E o último comentário de Katy não ajudou. Tio Nash ficou vermelho como um camarão e eu, vendo aquilo, senti que devia fazer algo.
— Tudo bem, Katy – Eu segurei na mão do meu tio enquanto falava – Não farei nada que possa prejudicar o relacionamento da Julia com tio Nash. Na verdade, eu só quero paz e tenho certeza de que você e meu tio também.
— Nisso eu concordo... Até mais ver, então – ela disse antes de ir embora.
Foi uma tarde bem agitada. Um mês bem agitado, na verdade, e com a chegada do crepúsculo, o meu cansaço veio junto.
Eu estava deitado na cama de casal que havia no quarto do meu tio, lendo meu Harry Potter E As Relíquias da Morte, quando aquele homem lindo e maravilhoso abriu a porta do banheiro e saiu de lá acompanhado do vapor e munido de uma toalha sobre seu corpo.
Ele sorriu para mim, mas só percebi quando jogou a toalha sobre a minha pessoa, cobrindo parte do meu corpo e do livro. Totalmente nu, ele pulou na cama ao meu lado e me beijou nos lábios lentamente enquanto descansava as costas dos dedos em meu queixo. Eu adorava quando ele fazia isso e talvez o tenha feito justamente por isso.
Quando terminou de beijar-me, percebeu que minha mente não estava acompanhando meu corpo. Eu estava ali, mas meu pensamento corria atrás de tio Josh e acho que, tio Nash suspeitava disso.
— Você está pensando no Josh, não é? – E as minhas suspeitas estavam corretas. Respondi que sim com um aceno de cabeça – Eu também tenho pensado nele.
Sem que eu pudesse segurar, acabei soltando um suspiro profundo. Tio Nash, como de costume, envolveu seus braços em mim... Aquilo doeu. Não fisicamente, é claro, mas é como eu havia dito ao meu tio eu...
— Estive pensando em me separar de você – Soltei, com a voz abafada por seus músculos.
Ele me soltou, com o susto que minhas palavras causaram e me olhou nos olhos tentando não acreditar no que eu havia dito.
— Como é?
— Eu estive pensando em me separar de você.
— Você está brincando, certo? – Ele sorriu, mas não foi de alegria. Era o nervosismo tomando conta de suas reações – Logan...
— Eu não vou. Fique tranquilo! – Falei antes que pudesse ser mal interpretado, o que já devia ter acontecido – Foi um pensamento errado e que eu já isolei.
— Pelo amor de Deus! Não faça isso comigo outra vez.
— Desculpe. Eu... Eu precisava falar isso com você.
— Eu não sei o que faria se não tivesse você ao meu lado.
— Provavelmente se acertaria com tio Josh.
— Logan...
— Eu sei. Desculpa.
— Tudo bem, amor... Eu queria que tudo tivesse sido diferente. Ainda tenho esperanças de que um dia ele, ao menos, volte a falar comigo e... – Os olhos de tio Nash se encheram de lágrimas – Desde pequeno eu sonho em ter a minha própria vida e fazer minhas próprias regras. Sempre foi necessário que eu seguisse alguma coisa que eu não queria. Não vou dizer que isso foi uma coisa ruim de tudo, porque não foi. Talvez... Se eu tivesse seguido meu coração, eu não estivesse onde estou agora, mas...
— Tio...
— A partir do momento em que começamos a seguir com esse relacionamento, eu venho me sentindo cada vez mais vivo. Então eu percebi que a chave para a minha liberdade era você. — Então era dessa tal “liberdade” que Julia havia dito hoje cedo! – Minha vida toda eu tive que ser disciplinado e obediente. Você mudou isso. Não só você, mas simbolicamente...
As palavras de tio Josh vieram à mente, finalmente fazendo sentido. “ [...] você sempre teve tendências e Logan vir para cá foi um erro [...] Talvez... Talvez Amara estivesse certa [...] Você me envergonha!”
As mãos grandes do meu tio deslizando em meu rosto me despertaram, trazendo-me de volta para o presente enquanto o passado ia ficando para trás.
— Eu te amo, tio – Foi o que disse por fim.
— Eu sei – Ele respondeu sorrindo – E fico muito feliz por isso
Seus lábios carnudos e úmidos tocaram os meus com uma gentileza que só meu tio conseguia dispor, tornando seu beijo, único dentre todas as bocas que eu havia beijado até então. Ele continuou beijando e beijando. Logo sua língua invadiu minha boca com a minha permissão enquanto ele segurava meu rosto.
Os beijos tornavam-se cada vez mais vorazes e a necessidade de respirar mais constante, porém mesmo assim, não cedemos fácil. Na verdade, não queríamos nos separar. O que nos parou, no entanto, foi o toque do telefone.
Nossa respiração era ofegante e o sorriso em nossos rostos eram enormes e radiantes como o brilho no olhar de tio Nash.
O telefone tocou novamente.
— Deixe cair na secretária eletrônica – Ele falou sem se distanciar muito da minha boca e enquanto deslizava as mãos do meu rosto para minha camisa – Isso aqui... Totalmente desnecessário.
— Então porque você não tira?
Ele voltou a me beijar enquanto o telefone tocava ao fundo como se fosse a trilha sonora daquela cena.
Enquanto eu estava deitado sobre seu corpo, sentindo sensações que palavras não poderiam expressar da maneira que eu gostaria, uma mensagem chegou e foi recebida pela secretária eletrônica soando como uma voz feminina.
“Olá Nash! Aqui é Amara. Eu e os rapazes estamos chegando. Espero que tenha preparado algo especial para este fim de semana. Quero relembrar os velhos tempos... Quando terminar o que está fazendo é claro”
Fale com o autor