Mordidas de Morcego

5 Capítulo 5 - Escuridão.


Notas iniciais
Puts, que vergonha. Quanto tempo não posto aqui?? Porem fico feliz de não ter postado antes, pois reescrevi esse capitulo mudando quase que completamente o rumo da história. Espero que gostem, se tiverem paciencia de voltar a ler. E descuuuuulpa pela demora.

Quando o sinal que indicava o começo da última aula tocou, Emily e Chen saíram da sala assim como vários outros estudantes.

Diferente de seu sonho, o céu estava límpido e a temperatura agradável. Sentia-se um pouco quente e ao mesmo tempo suava frio, mas desconfiava que esses sintomas não fossem de febre e sim de uma ansiedade causada pelo seu sonho e a menina que caminhava ao seu lado.

Chegando ao cemitério Emily logo escolheu sua tumba preferida e sentou-se nela. Chen ficou de pé de frente para ela, estudando-a com os olhos, ainda apreensivo.

- O que foi?? – perguntou Emily estranhando o comportamento. – Não paga pra sentar.

- Ham...- Chen riu fracamente, ainda tenso. – Não entendo por que você gosta de vir aqui...

- Porque? Tem algum lugar melhor pra sugerir? – perguntou ela com a sobrancelha erguida, quase ofendida.

- Não... Quero dizer, eu não me importo. Mas... não há nada pra se fazer aqui. – Chen disse tentando ser cuidadoso, não queria irritá-la. – Aqui só tem....gente morta!

- Por isso mesmo! – Emily disse sorrindo travessamente. – Prefiro gente morta à gente viva.

- Mas você é uma pessoa viva também. Não tem sentido você odiar algo que também é. – Chen contrapôs.

- Tem razão. – Emily concordou para sua surpresa. – Mas freqüentemente me sinto mais compreendida aqui do que no mundo lá fora. Eu, ao contrario de você, não entendo porque as pessoas gostam de ir a lugares lotados, luzes piscando confundindo a mente, de se espremer entre pessoas suadas, lutar por uma bebida, dançar músicas sem ritmo e beijar desconhecidos. Gosto de ficar aqui porque posso ouvir meu próprio pensamento, me encontrar. Gosto de ouvir os sons dos carros passando, ver o vento mexendo as folhas das árvores, sentir o cheiro de morte que as flores tem naturalmente....de observar os pássaros e procurar morcegos...

- Você parece solitária. – Chen disse a examinando.

- Estar consigo mesmo pode ou não ser solitário. Da mesma forma que você pode estar sozinho mesmo estando entre um monte de gente. – Emily então acrescentou. – Você parece solitário.

Chen suspirou por um momento, olhando para o céu, com as mãos nos bolsos.

- É....eu acho que sim. – concordou ele.

- O que houve com seus amigos? – perguntou ela se levantando, se pondo a frente dele.

- Nada. – disse dando de ombros. – Só não tive tempo, ou vontade, de falar com eles ultimamente. E os seus?

- Sou minha única amiga. – Emily respondeu friamente.

- Por que?

- Por que sei que quando eu atingir o chão ninguém estará lá. E desse jeito, eu não tenho nada a perder. – ela deu de ombros.

- Acho que nós dois estamos sozinhos... – disse Chen rindo nervoso.

- É estranho, mas quando estou com você, ou mesmo quando só observava você, eu não me sinto sozinha. A sua escuridão completa a minha. – Emily disse olhando nos olhos dele, sem piscar.

Chen sempre tinha essa estranha sensação quando estava com Emily. Quando ela olhava em seus olhos, parecia que ela via sua alma, embora ela não acreditasse que alma existisse. Ela entrava dentro de sua mente e de seu coração e o desvendava como Chen nunca havia feito. Ela parecia conhecê-lo melhor que ele mesmo, e ela nem ao menos o conhecia.

Quando ela o encarava daquele jeito, ele sentia que estava sendo sugado por seus olhos castanhos, na escuridão, tão negros. E a escuridão dela, de certa forma, lhe era reconfortante.

- Não estamos mais sozinhos agora. – concluiu Chen pegando a mão dela.

E pela primeira vez ele viu alguma insegurança nos olhos de Emily. Ela ficou tão surpresa quando ele lhe pegou a mão. Ou será que teria ficado surpresa com o que ele lhe disse? Ela parecia não ser acostumada a ser tão próxima de alguém, seja física ou mentalmente.

Chen pousou a mão livre no rosto dela. Sua pele que era tão pálida e parecia ser tão fria, era quente ao toque, e se tornou vermelha quando ele a tocou. Chen então aproximou o rosto do dela, fechando os olhos, e a beijou...

Quando ele se quer considerou fazer isso?? Teria sido por causa do sonho? Ou os olhos dela que pareciam sugá-lo, na verdade o hipnotizaram, o levando a fazer aquilo?

No fundo Chen sabia que o mundo estranho daquela garota o fascinava. Era algo que ele nunca conheceu e nunca quis conhecer, algo com o que ele nunca achou que poderia se identificar, mas se identificava.

Ele não tinha certeza do que sentia, estaria apaixonado por Emily? Não sabia sequer se Emily estava apaixonada por ele! O interesse dela por sua pessoa parecia até então como o de um cientista com um ratinho de laboratório.

O beijo foi breve e hesitante. Quando Chen afastou-se de Emily para olhá-la percebeu que havia algo errado em sua expressão. A garota olhava para o chão e levava a mão aos lábios. Teria ele a machucado? Ela levantou o rosto, o encarando parecendo assustada, ele a teria a insultado?

Antes de conseguir decidir-se pelo o que dizer, Emily lhe deu as costas e saiu as pressas, quase que correndo, pelo o caminho do cemitério.

Chen sabia que deveria correr atrás dela, perguntar o que aconteceu e dizer-lhe que estava tudo bem – mesmo que não estivesse. Mas por algum motivo ele não conseguia discernir que caminho teria que seguir pelo cemitério, como se todas as coisas tivesse mudado de lugar ou estivesse num labirinto. Teria Emily o hipnotizado, enfeitiçado ou envenenado com aquele beijo? Sentiu-se confuso por sequer pensar nessa possibilidade.

Olhou para o céu, era noite de lua cheia, e a luz que esta proporcionava incomodava seus olhos profundamente.

Pensou então que talvez ainda estivesse sonhando, há quanto tempo mesmo ele estava com aquela febre irritante? Desde quando ele se sentia tão cansado e a luminosidade o incomodava tanto? Desde quanto sentia seu coração bater tão apressado? Desde quando conhecia Emily?

Desde quando estava paralisado, com seus pés grudados ao chão? Pensou quando tentou dar um passo a frente e não conseguiu mexer um músculo sequer. Sentiu tontura e falta de ar de repente.

Foi com uma grande surpresa que Chen percebeu que uma escuridão, nada metafórica, tomava conta de sua mente e seus olhos agora, e ele caia ao chão do cemitério, paralisado – inconsciente.

Notas finais
-

O capitulo é curto, eu sei. Mas o proximo já está escrito e o postarei em breve... E acredito que a fic acaba no capitulo 7!

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