Morando Com Um Desconhecido
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Pov Damon
Eu já a observava há alguns minutos, notava suas pupilas mexendo durante o sonho, os lábios um pouco abertos, a pele macia e toda aquela beleza pela qual eu tinha sido fisgado. Não estava orgulhoso de mim mesmo, nem um pouco, mas também não estava arrependido.
Elena estava nua, coberta pelo lençol da minha cama, seus ombros nus e finos traziam lembranças da noite anterior. Deitei de lado, para observa-la melhor, ergui o dedo, tirando uma mexa perto do seus olhos e a coloquei delicadamente atrás da sua orelha. Seus olhos foram abrindo lentamente, até fixarem nos meus.
– Bom dia. — Falou sonolenta, e eu sorri.
– Bom dia, Elena.
– Por que está me olhando? — Semicerrou os olhos desconfiada, com um sorriso travesso nos lábios.
– Dormiu bem?
– Muito bem. — Arrastou o corpo para perto do meu corpo, aconchegando-se no meu pescoço e inspirando.
Deslizei a ponta do meu dedo indicador pelo seu braço, e subi, fazendo isso repetitivamente. Sua pele se arrepia, e eu sorrio, dando um beijo no seu ombro, e sentindo o cheiro doce que saia dos seus cabelos.
– Está arrependido? — Ela sussurrou, e eu fechei os olhos.
Era óbvio que eu não estava arrependido, do que eu me arrependeria? Da noite de amor incrível que tivemos? Seria tolice, e egoísmo da minha parte. Eu arrependia ter a conhecido, e ter sido atraído até ela. Eu poderia ter dito não, poderia evitar, mas fui fraco. Ignorei as regras, e entreguei a essa paixão da qual eu já começava a descrever como: devastadora.
– Claro que não. Por quais motivos estaria arrependido?
– Não sei. — Deu os ombros. — Parece que as vezes você quer distância, que deseja que eu suma, porém, outras vezes parece gostar da minha companhia. Você tem algum tipo de botão? — Apoiou-se em seus cotovelos, deixando seu rosto na altura da minha e esperando a resposta.
– Estou feliz por estar aqui com você, Elena. Muito feliz. — Passei a mão no seu rosto, desci meu polegar até os seus lábios o contornando, e beijei seus lábios.
– Eu aguardo sim, Jenna. — Escuto a voz do John.
– Meu Deus! — Elena da um salto pra trás, ficando sentada na cama cobrindo seus seios com o lençol.
– Não era pra chegar amanhã? — Levantei apressado.
Se ela perguntasse agora, se eu estou arrependido, consequentemente diria que sim. Ouvir a voz do John, fez com que eu voltasse para a realidade e a encarasse.
Vesti rapidamente minha calça jeans, e abri o guarda-roupa pegando a primeira blusa que encontrei.
– Vista-se e desce. — Virei pra ela, vestindo a camisa.
– Você está desesperado, calma. — Enrolou-se no lençol, levantando da cama.
– Não se aproxima. — Pedi com educação e seus passos pararam.
– E lá vem você de novo, com sua bipolaridade. — Encarou-me séria, e sabia que estava decepcionada. — Do que tem medo? Estava tudo bem a um minuto atrás, o que mudou?
Senti culpa. Eu estava sendo um ogro, ela não tinha culpa, ela nem sabia dos planos do pai dela, então por que eu descontava nela?
Ela não fez sozinha o que fizemos a noite passada, ela não sentiu-se atraída sozinha e muito menos chegou a esse ponto sozinha. Eu estava com ela em todos os momentos, tanto com a presença ou com os pensamentos. Tão egoísta, que mal conseguia encarar o rosto dela, desviei o olhar para o lado e sabia que ela ainda observava. Era melhor sair como um crápula, do que ir até ela- coisa que desejava- e dizer que está tudo bem, que eu ainda a quero com todas as minhas forças.
Sai do quarto, sem encara-la.
Desci as escadas vendo meu amigo sentado no poltrona, próximo a lareira. Sorri abertamente ao encontra-lo, ele levantou-se esperando por mim com um sorriso no rosto.
– John, como foi de viagem? — Perguntei, apertando a sua mão e pedindo para que ele se sentasse. Sentei no sofá, colocando meu calcanhar acima do meu joelho. Ele fez o mesmo.
– As coisas estão perfeitas. Foram um pouco persistentes nas reuniões, porém acabou tudo bem. E a minha filha, aonde está?
– Não sei se acordou ainda. Ontem fomos comemorar a volta do meu irmão, e eles foram dormir tarde, sabe não é? Adolescentes.
– Ah, eu sei. — Afirmou com a cabeça, como se já tivesse passado por poucas e boas. — Falando no seu irmão, como estão as coisas?
– Sobre o que conversamos? — Claro que era sobre isso, sobre o que mais seria? Se o seu convênio estava em dia?
Fechei as mãos, sentindo-as molhadas e tensas. Troquei o calcanhar, colocando o outro acima do joelho e respirei fundo, moldando o sorriso mais falso que eu conseguia no momento.
– Sim. Eles já se conheceram? Imagino que tenham se dado bem, são tão parecidos.
– Não tiveram muitas oportunidades, tinha algumas amigas da Elena lá, mas aposto que iram gostar um do outro. Quem não gosta de um Salvatore? — Falei garboso e sorrimos.
– Seria muito bom vê-los juntos, não? Seu irmão e a minha filha, uma ótima dupla.
Sorri sem mostrar os dentes, para não manda-lo ao inferno junto com sua suposições. Ele também não tinha culpa, mas que diabos, se ele e nem a Elena tinham culpa, quem teria? Eu?
– Pai. — Escutei a sua voz atrás de mim, e seus passos descendo as escadas rapidamente.
Ela saltou nos braços do pai, e era nítido a saudade que ela estava dele. Ela é tão bonita.
– Estava falando com o Damon, sobre a noite anterior. — Comentou, e ela sorriu pra mim, voltando a olhar para o pai.
– Foi maravilhosa. — Aquilo tinha duplo sentido?
Os dois sentaram-se. Elena ao meu lado, e John na poltrona.
– E o Stefan, o conheceu? — Perguntou, e eu abaixei a cabeça. Elena notou minha indisposição para esse assunto.
– Sim. Ele a namorada.
Espremi os olhos ainda de cabeça baixa. O que ela estava fazendo?
Levantei o olhar lentamente até o John, que tinha um ponto de interrogação no rosto.
– Namorada? — Olhou pra mim. — Não me disse isso, Damon.
– E por quê diria? — Elena falou antes de mim, tendo a atenção do pai.
– Ele não está. — Respondi, levantando a cabeça. — É só uma velha amiga. Na verdade, quem sai com ela sou eu. Saímos algumas vezes. — Virei os olhos, e sorri para o John. — Sabe como é, nova, belo corpo e um papo bom sempre termina como termina.
– Claro! — John sorriu, e Elena virou o pescoço pra mim. Eu a ignorei.
– Bom. — Bateu as mãos nas coxas, levantando-se. — Suas coisas estão prontas, filha?
– Prontas? — Olhou para o pai, confusa.
– Sim. Ou vai morar com o Damon? — Riu brincalhão. Ah como eu queria que ela dissesse sim.
– Ah, claro. As coisas. — Balançou a cabeça e levantou-se. — Vou pega-las, pai. Já volto.
{...}
Pov Elena
Abri a porta do meu-ex-quarto-temporário com força. O que Damon estava fazendo? Qual era o problema em dizer que seu irmão estava namorando? E pra que dizer na minha cara, que havia dormido com aquela garota que eu já odiava, sem conhecê-la.
Essa forma que ele agia, quando outra pessoa estava por perto, fazia-me questionar se o que ele dizia quando estávamos a sós era verdade.
Jogava as roupas na minha mala aberta acima da cama, sem dobra-las, apenas apressada para sair dali o mais rápido possível.
– Toc, toc. — Escutei sua voz, e parei de empurrar as roupas pra dentro da mala, apoiando-me nelas sem virar.
– O que você quer? — Trinquei os dentes.
– Desculpe pelo o que eu disse, mas...
– Mas o que Damon? — Virei enfurecida, e seus olhos arregalaram-se, suas sobrancelhas ficaram arqueadas e ele parecia surpreso. — Eu fui uma pedra tão grande no seu sapato? Pra você ter que agir tão friamente?
– Não é isso...
– Então é o que? Me fala, Damon. Eu estou confusa, não vê? Estou completamente perdida nisso tudo. Explica pra mim, o que está acontecendo, explica o do por que você parece se afastar, toda vez que estamos nos dando bem? Você faz um momento bom, e de repente o destrói.
Eu gesticulava, com raiva. Estava realmente desesperada e confusa. Eu iria embora, e ele não iria fazer nada para impedir isso. Parecia não se importar com a despedida.
– Você quis um beijo meu, eu a dei. Você quis que eu conversasse com você, eu conversei. Quis transar comigo, eu transei com você. E agora, o que você quer Elena?
– Nada. — Respondi com raiva.
Explicava-se como se eu fosse a única a ter feito isso. Como se eu tivesse o ameaçado a fazer o que eu desejasse. Estava sendo estúpido e egoísta.
– Mentira. Você quer ficar comigo. Você gosta das coisas imprevisíveis, gosta da forma que eu a faço sentir, gosta dessa intensidade que sente ao meu lado e gosta do jeito que seu corpo fica em chamas com a minha presença. Você quer o mistério que eu canalizo, e essa insegurança dentro de você, que mesmo que pareça ruim é boa. Sente vontade de descer até lá, e dizer para o seu pai que transou loucamente comigo e que está apaixonada por mim. Mas não faz isso, por que sou imprevisível, e mesmo que isso a irrita, ao mesmo tempo a trás de volta pra mim.
– Se você sabe disso, por quê não deixa fazer o que eu quero? — Perguntei baixo, quase uma pergunta pra mim mesma.
– Por que sou mais difícil do que pareço. — Levantou um lado da boca, em um sorriso convencido.
O ignorei, voltando a jogar as coisas na minha bolsa. Não iria ouvir mais uma palavra dele.
– Ei, ei. — Aproximou-se rápido, colocando a mão em meu ombro fazendo com que eu parasse de colocar as coisas na mala.
– Fala pro meu pai que já vou. Ele odeia esperar. — Pedi, sem olha-lo, finalizando nosso assunto.
– Sim, odeia. — Concordou. Eu o encarei.
Os olhos azuis lindos, pareciam querer entrar nos meus. Ele espremeu os olhos, e logo sorriu. Eu não sabia o que falar, não tinha mais o que dizer.
– Se cuida, Elena. — Segurou em meu braço, para beijar a minha testa.
– Damon, não por favor. Não faça isso, está sendo egoísta. — Pedi antes que ele beijasse minha testa.
– Desculpa. — Pediu culposo. Seus lábios beijaram a minha testa.

– Está terminando comigo? Digo. — Consertei-me. — Está querendo dizer que nunca mais vamos nos encontrar?
– Estou dizendo que eu quero que siga sua vida. Que termine sua faculdade, que conheça pessoas novas e que volte pra casa bêbada da mesma forma que voltou aquela noite.
{...}
Pov Damon
– E foi isso? Só isso que disse a ela? — Alaric indagou sentado no meu sofá. — Você disse isso, e deixou que ela fosse embora, enquanto você se trancava no seu quarto e terminasse com uma garrafa de uísque?
– Queria que eu fizesse o que? — Abri os braços, andando de um lado para o outro.
– O óbvio! — Levantou-se, arrumando sua jaqueta marrom. — Bom, Elena. — Teve a falha tentativa em imitar a minha voz. — Dane-se o meu irmão, dane-se o seu pai, eu quero você. — Imitou meu sorriso, mais uma vez falhando.
– Isso foi ridículo. — Fiz uma careta, e ele sorriu. — Não é fácil assim. Se John quisesse eu com ela, teria escolhido a mim, não ao meu irmão.
– Quem escolhe é ela Damon! — Disse como se tivesse descoberto algo. — Entende?
– Ele sabe o que é melhor pra ela, Ric. Entende? — O imitei.
– Olá, Ric. — Stefan desceu as escadas e foi cumprimentar meu amigo. — Já soube da novidade?
– Contou a ele? — Ric dividiu a atenção entre nós dois, e eu olhei confuso para o Stefan.
– Ah, não. — Respondeu por mim. — Eu ouvi uma garrafa sendo quebrada, imaginei o motivo. Damon fez o clube da luluzinha sem mim.
– Luluzinha? — Alaric riu, olhando pra mim que dei um sorriso falso.
– Dois idiotas. — Virei os olhos.
– Olha, irmão. — Stefan começou. — O único idiota aqui, é você. Eu não deixaria uma gata daquela escapar.
– Esse é inteligente. — Meu amigo o abraçou pelo pescoço e os dois riram.
– Sério? — Olhei para os dois. — Estamos no colegial?
– Não sei. — Ric deu os ombros. — Diz você! Quer que eu peça para uma amiga minha, agitar a Elena pra você?
{...}
Pov Elena
– Pai. — Fui até a cozinha, vendo-o terminar de guardar a louça. Ele virou sorridente, e um pouco intrigado.
– O que faz acordada essa hora? — Fechou a porta do armário virando-se pra mim.
– Não sei pai, estou tão vazia, entende? Eu...Eu queria tanto conversar com ela. Estou tão transbordada...
– Posso conversar com você. — Ofereceu-se. — Não sou como ela, mas convivi bastante com ela, acho que posso imita-la por algumas horas. Quer tentar?
(Never Let Me go.)
– No primeiro dia na casa dele, eu o odiei. Foi horrível sentir-se rejeitada em algum lugar, ou indesejada. Queria sair dali o mais rápido possível, e por um segundo eu pensei em fugir e ir ficar com a Caroline.
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Pov Damon
Subi ao seu antigo quarto, e encostei-me no batente da porta, segurando a minha garrafa e vendo a cama sem os lençóis, o guarda-roupa aberto vazio e o criado mudo sem suas coisas.
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Pov Elena
– Ele é seco, frio e tem um jeito natural em irritar as pessoas. Nunca queria conversar e sempre evitava quando eu estava por perto. Era horrível. Mas, uma manhã, ele colocou uma aspirina e um copo d'água depois de uma noite minha no Grill. Naquele momento, eu imaginei que talvez ele não fosse tão ruim assim, e que minha presença não fosse tão chata. Nesse mesmo dia, fomos a casa do Richard, e Tyler foi um babaca comigo e Damon me protegeu. Então, eu tive a certeza de que ele não era uma pessoa ruim...
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Pov Damon
Sentei em sua antiga cama, estiquei meus pés e os cruzei. Minhas costas estava encostada no batente da cama, e a garrafa entre as minhas pernas. Olhava na direção do banheiro, e tentava imagina-la saindo dali.
Nem eu sabia o que estava fazendo, deixando-a ir assim tão fácil. Stefan já disse que não ficaria com ela, alegando que tinha outras coisas para resolver, que eu sabia que tinha nome e sobrenome: Alexia Branson.
John, não ordenou que eles ficassem juntos, então por que não eu?
Por que eu não lutei por ela? Sendo que até o último segundo nessa casa, ela tentou de todas as formas ficar perto de mim.
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Pov Elena
– Ele carrega uma armadura com ele. É como que se quando eu estivesse quase lá, essa armadura me empurrasse para longe e ele se distanciava. Lutava contra o que ele queria, e eu nunca entendi o porque. — Respirei fundo, encarando o meu pai que prestava toda a atenção. — Eu o beijei pai. Céus, eu o beijei. Mas, ele novamente voltou a ser frio, e era como se nada tivesse acontecido. No Grill, essa tal namorada do Stefan eu eu falei, eu menti, mas por que ela fez com que eu me sentisse ameaçada.
– Eu acho que sei, por que ele carrega essa armadura filha. Confesso que estou surpreso por tudo isso, e um pouco intrigado. Mas, talvez eu saiba o que está passando pela cabeça dele.
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Pov Damon
Abaixo da comoda, vi uma peça de roupa. Levantei e caminhei até ela, pegando em minhas mãos e levantando-me.
A segurei perto do meu rosto, e já pude sentir seu cheiro. Senti saudade.
Queria Elena falando, reclamando do tédio e seu corpo contra o meu se mexendo. Coloquei a garrafa acima da cômoda, e abri sua blusa vendo-a melhor. Sorri bêbado.
Estava sendo um idiota.
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