Morada dos Espelhos
1 Capítulo 1 - O oculto
Notas iniciais
New York, Estados Unidos, 1987
–Querida... — Disse Walter Davis tenso ao lado de sua esposa Marie na cama de seu quarto — Preciso conversar algo sério com você...
–Aconteceu algo meu bem? — Ela reparando no olhar do marido que algo sério havia acontecido, algo que mudaria suas vidas.
Meio tenso ele suspira e diz.
–A empresa caiu, desabou, houve maus investimentos esse ano, uma catástrofe e não conseguimos manter nem mais um mês e fui... Despedido. Por sorte o Sr. Scott conseguiu pagar tudo certo pros seus funcionários, não deixando ninguém na mão.
–Oh, Walter... O que faremos pra nos manter nessa cidade?
–Não podemos pagar a hipoteca da casa e nos manter dessa forma... Tive uma ideia no caminho pra casa e liguei para minha tia Sara, de Youngstown, Ohio, e ela me disse há tempos que lá os preços das casas são em conta, é uma cidade pequena, mas é algo que podemos manter até eu conseguir algum contrato com alguma empresa em Nova York novamente ou em outra boa cidade.
–Fico feliz que já tenha pensado em uma solução querido, mas e as crianças, os amigos que tem aqui, o namoro de Leslie com John, não poderá vela,...
–Amor, tem certas coisas que teremos que abrir mão por um longo tempo e ela já tem 17 anos, está madura, terá que entender que a situação da família é critica, mas iremos conversar com ela quando planejarmos melhor tudo. E John poderá vê-la quando quiser.
–Tudo bem Walter, confio em você. E sempre estarei ao seu lado.
–Compreensiva como sempre.
De amanhã, num sábado a família toda reunida na mesa, menos Leslie, a filha mais velha, algo que normalmente não era mais tão comum, inclusive nas famílias de hoje. Marie serviu o café a todos. Fez o café da manhã preferido de cada, waffles com caramelo e café com leite para Christini; a filha do meio, ruiva como sua mãe, cabelos longos e cacheados. Salada de frutas com creme de leite da pequena Lorena; a caçula, com pequenos cachinhos castanhos claro e um belo e irresistível sorriso. E pra mais velha, pão de forma integral com peito frango e maionese e suco de laranja. Quando Leslie desceu as escadas lentamente e quando olhou para todos na cozinha e o que estavam comendo fez uma cara seria, mas se sentou, agradeceu pelo maravilhoso café a sua mãe e comeu sem dizer absolutamente mais nada. Walter e Marie se olharam naquele momento. Depois que todos acabaram Walter levou as menores para sala fechou as portas da cozinha e sem nem passar mais um segundo Leslie disse aos seus pais.
–O que está acontecendo aqui? Porque estão com esses mimos que não costumam nos dar? Aconteceu algo mamãe e papai? — Ela disse com um olhar de desconfiança e cara de fúria.
–Filha... Temos algo triste pra conversar com você...
Marie explicou tudo o que aconteceu para Leslie e depois de ouvir tudo o que houve e sobre a repentina mudança ela apenas abaixou a cabeça e com os olhos cheios de lágrimas que Leslie forçou ao máximo para não derramar, abraçou seus pais e sussurrou no ouvido deles com a voz mais embargada impossível.
–Não se preocupem... Vamos superar essa fase. Sei que vocês esperavam eu gritar e falar palavrões, mas do que iria adiantar? Tenho que deixar Christini e Lorena calmas. Teremos que ir... E papai não sabia que isso iria acontecer. Vou tomar café no meu quarto e irei contar a John o que aconteceu,... Ele vai entender...
Ela pegou seu café que mal tinha terminado e foi para seu quarto. Todos ouviram ela soluçar horrores e gemendo baixinho “John... John...” ao subir as escadas.
Christini só tinha apenas 3 anos e disse a seus pais quando foi para sala.
–Papa... Minha imã tá tisti papa?
Ele olhou aquilo e abaixou a cabeça a pegando no colo e a dando um abraço bem apertado e disse com uma voz triste e arrastada.
–Ela está querida, mas ficará bem, não se preocupe com sua irmã.
...
Na mesma semana declararam mudança, arrumaram tudo, se despediram de todos da vizinhança. O banco ia pegar a casa na semana seguinte mesmo e como Walter conhecia o inspetor que iria checar a casa, Sr. Louis, ele os poupou de terem que ainda passar na inspeção estando lá e os liberou, mesmo tendo que fazer a tal inspeção sanitária. Leslie estava na casa de John passando os últimos minutos com seu namorado, porém de Nova York para Ohio era longe e não poderiam se ver sempre, pois John fazia faculdade de engenharia na Hunter College em Manhattan. Mas ele prometeu que irá vê-la o quanto antes para visitá-la, mas ela não sentiu muita segurança em suas palavras.
Na viagem para Orio de avião a família ia se despedindo simbolicamente da cidade dando tchau com as mãos pelas janelas e Walter ia de olhos fechados e falando com sigo.
–Tudo irá dar certo, irei conseguir me reerguer e terei sucesso de novo para dar uma vida melhor para minha família...
...
O inspetor sanitário analisando a casa que a família Davis deixou viu que estavam em perfeito estado, fora o quarto das crianças menores, as paredes estando um pouco rabiscadas de giz de cera e todas as corres possíveis. E o inspetor Louis antes de sair viu que se esquecera de olhar debaixo da escada que ia para os quartos, aonde pareciam guardar casacos velhos e ao olhar algo volumoso chama sua atenção. Dentro de um sobre muito bem escondido, tinha um saco preto e quando o Sr. Louis o abriu sentiu um cheiro de carne podre e ao abrir o saco por completo, viu que era uma raposa estranhamente se mexendo levemente e depois de levar um enorme susto de deixar o saco cair no chão, viu a sem os olhos, com a boca muito costurada com uma linha muito preta e seu peito também costurado. Decidiu imediatamente ligar para polícia explicando o que acontecera.
_Continua
Fale com o autor