Morada
17 Sobre ser persistente
Notas iniciais
– Você não me falou por que tem sumido depois das aulas. – Quinn estava sentada a minha frente, na sala do coral.
– Porque tenho vindo para cá? – Ela responde como se fosse óbvio, mas a conheço tão bem que sei bem quando ela esconde algo.
– Antes de vim para cá, Quinn. – Me encosto na cadeira dela. Quinn vira de lado para me olhar. Santana e Brittany entram na sala e nos encaram, mas com divertidos sorrisos.
– Lembra quando a treinadora me chamou para uma reunião antes de irmos à Nova York? – Assinto. – Ela pediu que voltássemos as Cheerios.
– Quinn, isso é maravilhoso! – Abraço-a rapidamente.
– É mesmo. – Ela sorri. – Mas ainda é segredo. Eu, Santana e Brittany voltamos a ensaiar. Seremos as armas dela na competição. – Ela sorri com orgulho. Sei o quanto Quinn gostava das práticas da Cheerios e ter sido expulsa, por conta da gravidez, deixou-a desestruturada mais ainda. Dessa forma, poder retornar a isso, deve estar sendo glorioso para ela.
– Estou realmente feliz por você. — Eu acaricio suas mãos. Sorrindo do mesmo modo que ela, com orgulho. Orgulho por ela ter se tornado o que é. Orgulho porque tudo em sua vida, estar seguindo o rumo planejado por ela.
– Sabe o que é melhor? – Pergunta em um tom baixo, impedindo que alguém nos ouça. Aguardo ela continuar. – A treinadora falou que sentiu minha falta. Você tem noção do que isso significa, Rachel? – Ela tem os olhos brilhantes. Continuo a sorrir largamente tamanha felicidade que sinto por ela. – Ela falou que eu a faço lembrar de quando ela era nova. Disse também que ela me vê indo longe, muito longe. Ela acredita em mim, Rach. – Não me contenho e a abraço fortemente.
– E você guardou isso para você esse tempo todo? – Eu a bato no ombro.
– Ei, não precisa isso. – Ela repreende meu ato, mas, ainda sorri.
– Precisa muito mais que isso. – Continua abraçada a ela. – Você me privou de compartilhar sua felicidade.
– Não tivemos muito tempo para conversar durante o tempo em que estivemos em Nova York, e depois... você sabe o que aconteceu. – Aproximo minha cabeça de seu pescoço e a beijo ali.
– Eu sei. Mas você me privou de compartilhar da sua felicidade. – Me separo dela lentamente. – Você é uma péssima amiga. – Falo enquanto vejo o restando do Glee entrar na sala. Quinn ainda tem um sorriso divertido nos lábios. É tão reconfortante vê-la feliz.
A aula se inicia, mas não é como se eu estivesse disposta a travar qualquer briga com Mercedes para apresentar alguma música. Hoje não estou com disposição para enfrentar qualquer discussão. A notícia dada por Quinn me deixou leve como eu jamais imaginei poder ficar. É normal você se sentir bem por ver alguém realmente importante em sua vida realizando seus sonhos, certo?
– Faberry! – Santana fala em um tom tão alto que me pergunto se isso não saiu como um grito. Quinn dá o melhor olhar mortífero para Santana, repreendendo-a por aquilo, enquanto eu apenas olho para os lados na tentativa de averiguar se mais alguém ouviu o que ela havia dito. – Ahh, qual é? Eu sei que vocês já estão se comendo novamente. – Agora sim eu temo que Quinn avance sobre ela como elas costumam fazer vez ou outra.
– Deixe de ser idiota, Santana. – Bronqueio. Aproximo-me de Quinn segurando em seu pulso. Ela me olha, ainda emburrada. – Não dê ouvidos a ela. – Toco em sua mão a acariciando com meu polegar. Ela parece sair do estado de raiva lentamente.
– Antes que vocês continuem com essa melação... quero que vocês venham comigo e Brit ao boliche. Vamos? – Eu e Quinn a olhamos surpresas. Isso é realmente muito estranho vindo de Santana.
– O que você planeja, Santana? – Quinn continua arredia. Mas, quem em toda Lima poderia dizer que Santana faz algo bem intencionada?
– Nada, Q. Santana está sendo legal com vocês. – Brittany a defende. Ingenuidade reina em todo o psicológico dela, afinal, Santana sempre tem um plano para tudo.
– Estou mesmo. – Santana se faz de ofendida. – Estou apenas querendo ter minha amiga... – Aponta para Quinn. – e sua garota em um encontro duplo comigo e minha Brit-Brit. – Brittany bate palmas várias vezes enquanto o estado de euforia toma conta dela.
– Nós não somos um casal, Santana. – Quinn tenciona a mandíbula enquanto fala em meio a um tom rasteiro, que poderia ser ligeiramente visto como o sentimento de mágoa. Encolho-me contra a parede cruzando os braços sobre meu peito, permanecendo calada.
– Tanto faz. – Santana dá de ombros. – Mas nós vamos estar lá as sete, portanto, não se atrasem. – Ela dá a mão para Brittany, entrelaçando os dedos mindinhos, para então saírem da sala.
– Vamos? – Quinn me chama após alguns minutos de silêncio. Caminhamos em direção à saída da escola. Depois que voltamos a nos falar, Quinn voltou à rotina de me deixar em casa após as aulas.
– Quinn, que você está fazendo? – R.
– Voltando do supermercado com minha mãe. Por quê? – Q.
– Pensei em aceitarmos o convite de Santana. – R.
– Não acho que seja uma boa ideia. Ela pode se tornar insuportável com aquela história de sermos um casal – Q.
– E você tem problema com isso? – R.
– Não, mas também é chato esse tipo de brincadeira quando sabemos que não somos nada do que ela diz. – Q.
– Porque você não quer. – R.
– Já conversamos sobre isso. – Q.
– Eu sei. – R.
– Se chateou? – Q.
– Não. – R.
– Sim. Te conheço, mesmo através de mensagens. – Q.
– E o que isso importa? – R.
– Pare. Não precisamos brigar. – Q.
– Eu não estou brigando. – R.
– Mas está chateada comigo. – Q.
– Isso não é relevante. – R.
– Ei, pare, por favor. Passo para te buscar as seis e trinta. – Q.
– Não. Deixa, já passou minha vontade de ir. – R.
– Estarei aí no horário que disse. Esteja pronta. – Q.
– Se você vier vai apenas gastar seu tempo. Eu não vou a lugar algum com você. – R.
– Veremos. – Q.
– Você é insuportável. – R.
– E você adorável. – Q.
– Idiota! – R.
– As seis e trinta, Rach. – Q.
Eu não vou a lugar algum, mesmo que ela venha aqui. Quinn me cansa com toda essa rejeição... me frustra. Olho para o relógio da parede da cozinha. Cinco horas. Se eu for rápida talvez dê tempo de fazer algo legal no cabelo ou quem sabe até mesmo pintar essas unhas que estão um caco. Que droga! Não consigo nem ao menos seguir o mesmo discurso.
Ainda que eu tenha tido mais de uma hora para me arrumar, o tempo passa rápido. Uma saia cintura alta rodada na cor cáqui, camisa na cor preta, meias estendidas até o joelho e uma sapatilha na mesma cor da meia formam o meu look para essa noite. Escovo minha franja para que ela fique bem evidente. Marco meus olhos com uma maquiagem levemente mais escura das que eu costumo usar. É... acho que agora estou pronta.
Quinn não se atrasa, por isso, desço para espera-la na varanda de minha casa. Meus pais estão sentados aqui, tomando chá enquanto me fazem companhia na espera por ela. Conversamos sobre coisas aleatórias, eles me explicam sobre como anda suas rotinas em seus trabalhos quando vemos o farol do carro de Quinn parar em frente a nossa casa. Ela desce e caminha para onde estamos.
– Boa noite! – Exclama educadamente. Lançando o sorriso perfeito para meus pais. Eles a cumprimentam e nos recomendam não voltar muito tarde, assim, como também, para termos juízos e coisas do tipo.
– Você está tão linda, Berry. – Ela fala enquanto abre a porta do carro para que eu entre. Reviro os olhos para ela.
– Não faça eu me arrepender de ter vindo com você. – Respondo áspera. Ainda assim ela não se intimida.
– Você não se arrependerá. – Ela já está sentada ocupando o lugar na direção do carro. – Vamos nos divertir, Rachel. – Dou de ombros e analiso o movimento da rua. Está uma noite realmente agradável. O vento gélido dá um ar saudoso, porém, sereno, à noite. – Você ainda está chateada comigo?
– Nunca estive. – Afirmo sem ao menos olha-la.
– Não parece. – Fito-a rapidamente, mas, logo desvio o olhar para frente.
Seguimos em silêncio até o local onde jogaremos boliche com as garotas, o único que se ouve além do barulho do motor, são as músicas que tocam no rádio. Um silêncio agradável, mas, que ainda assim, representa minha falta de estímulo para tentar qualquer aproximação a mais com ela. Ser rejeitada sempre é fadigoso.
– Espere. – Quinn fala enquanto passa apressadamente para o lado em que estou, já fora do carro. – Não gosto quando você fica assim. – Ela para em minha frente.
– Estou bem, Quinn. Falo sério. – Continuo a negar que tenha algo me incomodando.
– Não está, sabemos disso. – Ela se aproxima mais, deixando pouquíssima distância entre nós duas. Quinn solta meus braços que estavam cruzados ao redor de me tronco. Ela fica segurando em minhas mãos. Olha para nossas mãos entrelaçadas e logo volta a me olhar. – Eu gosto da Rachel que quase não se cala. – Ela me olha nos olhos.
– Normalmente, isso incomoda algumas pessoas. – Respondo enquanto desvio meu olhar para meus pés.
– Mas, não a mim. Você sabe disso. – Me limito a olha-la novamente. Quinn me abraçada fortemente. Um abraço quente e aconchegante. Permito-me descansar nos braços dela. Fecho os olhos e aspiro o cheiro que vem dela.
Não adianta dizer que ficaremos bem apenas levando as coisas do jeito que estamos fazendo. Isso não funcionará com a gente. Não consigo tê-la tão perto e não sentir vontade de cobri-la de beijos ardentes e ao mesmo tempo suaves. Na verdade, com Quinn, tudo caminha entre os dois estremos da calma e da excitação.
Ela beija meu rosto preguiçosamente. Ao mesmo tempo em que sinto a respiração dela bater contra meu rosto. Viro o rosto e colo meus lábios ao dela. Não importa onde estamos, importa que eu sacie essa vontade irrefreável de ter os deliciosos beijos dela para mim.
Ao contrario do que eu imaginei que aconteceria, Quinn não me repele. Ela me surpreende ao pressionar mais ainda nossas bocas. Ela me prende contra o carro. Agora tenho o corpo dela totalmente colado ao meu enquanto a língua dela penetra por minha boca em um ritmo fogoso. O beijo continua tão gostoso quanto o da primeira vez, arrisco, inclusive, a dizer: fica cada vez mais delicioso. Molhado na medida certa, com o gosto saboroso que só a boca dela tem.
Prendo suavemente a língua dela entre meus dentes. Soltando-o logo em seguida para pode arrastar minha língua sobre os lábios dela. Eu a beijaria por horas e horas, se eu pudesse. Mas, lentamente diminuímos o ritmo do beijo que só me fez sentir mais saudade ainda do que éramos até o dia em que brigamos. Quinn solta meus lábios e me dá demorados selinhos. Ela beija minha testa e eu aproveito para ficar nessa posição. Respiro fundo.
– Desculpe por ter iniciado isso. – Sussurro enquanto ainda estamos abraçadas.
– Desculpe por ter dado continuidade. – Ela rebate. Sorrimos diante a face irônica desse conflito. Ainda nos queremos tanto ou mais antes. Provavelmente, mais, bem mais que antes. Mas, simplesmente não conseguimos restituir o que tínhamos. Isso por culpa exclusivamente dela, pois, por mim, já teríamos passado dessa fase de reprimir nossos desejos.
– Eu te quero, Quinn. – Murmuro chorosa contra o pescoço dela. Deixo um beijo casto nesse local. Sinto-a estremecer por esse toque.
– E eu quero você, Rachel. – Uou! Isso é mais do que eu esperava. Talvez haja uma luz no fim dessa história. Decido não mostrar tanto entusiasmo com o que ela disse.
Embora eu queira ficar aqui onde estamos e esquecer qualquer jogo de boliche, me desprendo dela e caminhamos para o local onde Santana e Brittany nos esperam.
– Eu sabia que vocês viriam! – Santana demonstra total satisfação em nos ver ali. Ela se aproxima de Quinn e a abraça. Inesperadamente, ela faz o mesmo comigo. Retribuo. Afinal, não é todo dia em que a temos tão emotiva assim.
– É... estamos aqui. – Quinn está abraçada a Brittany. Que logo vem me cumprimentar da mesma forma como havia feito com Quinn. Enquanto sou abraçada por Brittany, vejo Quinn e Santana conversando. A loira maravilhosa que eu acabei de beijar ainda tem os lábios levemente inchados e avermelhados, provando que o que tivemos lá fora foi tão real quanto o desejo que ainda me consome.
Começamos o jogo onde a disputa de fato se dá entre Quinn e Santana, sinto que eu e Brittany estamos mais para simples espectadoras, pois, não é como se tivéssemos chance contra aquelas duas. Santana pede alguns aperitivos e bebidas. Isso está realmente divertido. Sempre que alguma delas faz strike, elas comemoram com dancinhas improvisadas e hilárias, até mesmo, Quinn, sendo mais contida que as outras duas, cai nessa brincadeira. Quinn está atenciosa e carinhosa demais comigo, lembrando a Quinn que me beijava e mimava todos os dias.
– Como estão as coisas entre vocês? – Santana fala enquanto direciona o olhar para Brittany. Eu a encaro, mas ela não retribui o olhar. Não sei até onde posso ir com Santana, mas o que há para perder a essa altura? Pois é. Nada!
– Da mesma forma. – Olho na mesma direção que ela. – Sem grandes evoluções.
– Eu vou ser clara. Não gosto de meio termo e todos sabem disso. – Assinto. – Quinn gosta de você. Gosta muito. Talvez, bem mais do que ela mesma saiba. – Observo Quinn pegar uma das bolas vermelhas e se preparar para joga-la. – Sei que você também gosta dela, só não sei se é da mesma forma.
– Claro que sim. – Interrompo-a.
– Tanto faz. – Ela esnoba o que eu havia dito. – Só que isso aqui... Viemos aqui hoje... – Se corrige. – Claro que porque a Brittany queria se divertir com o boliche, mas também fiz questão de convidar vocês para terem chance de passar mais tempo juntas. – Por isso eu não esperava. – Quinn é muito cabeça dura. Ela sabe esgotar a paciência de qualquer um rapidamente. Por isso, não deixe que ela faça isso com vocês. Tenha paciência, Rachel. Ela pode parecer muito relutante em aceitar voltar a ficar com você, mas eu a conheço, e sei que por dentro, ela morre para estar com você novamente. – Santana se levanta quando Brittany vem com uma bola para entregar-lhe.
– Ei! – Quinn se joga no banco, ao meu lado. – Está se divertindo?
– Claro. Olhe só para isso. – Aponto para Santana e Brittany brigando por uma bola. Sorrimos abertamente.
– Que Santana queria? – Por sua expressão facial, presumo que ela pergunta desconfiando de que poderia ter sido algo ruim.
– Falar algo sobre ser persistente. – Falo tirando a real importância da conversa.
– Com o que? – Eu a encaro, divertida. Quinn curiosa é uma das coisas mais fofas que já vi.
– Sobre isso. – Inclino-me rapidamente sobre ela, dando um selinho rápido e certeiro em sua boca. Dou as costas e caminho para onde Santana e Brittany comemoram algum strike, deixando uma Quinn perplexa por minha audácia para trás.
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