Morada
1 Sendo quem eu realmente sou
Notas iniciais
Esse é último ano do ensino médio e tanta coisa tem acontecido na minha vida. Pra começar, eu, Quinn Fabray tive minha primeira experiência sexual com um dos caras mais cafajestes da escola. Aquilo aconteceu num momento de insegurança, eu estava vulnerável e acabou acontecendo. Como se não pudesse ficar pior, dias depois descobri que estava grávida. Poderia piorar alguma coisa? Sim, claro que sim, inclusive, estou começando a desconfiar que a sorte não tem me acompanhado.
Fui expulsa de casa e do clã da Sue Silvester, passei a levar raspadinhas no rosto na maioria dos dias, pra piorar, agora só tenho o Glee para gastar as longas horas do meu dia. Não que eu não goste de participar do Club, mas é que às vezes, sinto que não pertenço a esse lugar onde tudo se expressa e se resolve com música. Talvez se me dessem a chance de participar mais das apresentações, cantando de verdade ao invés de ser back vocal de Rachel Berry, eu me sentiria mais integrada a esse grupo. Mas não, isso é impossível, afinal, tudo nesse club gira ao redor dessa ManHands e do estupido namorado dela que mais parece o Frankenstein.
Eu estava começando a gostar da ideia de ser mãe, até que após todas essas coisas terem acontecido, acabei desenvolvendo um nível de estresse muito alto, tornando a minha gravidez de risco. Em uma das ultimas vezes que encontrei com meu pai, acabei ouvindo coisas que me deixaram mais que fragilizada, o resultado? Toda a montanha russa emocional que tive foi somatizada em forma de um abordo involuntário. Precisa citar o quanto fiquei em um estado vegetativo por ter perdido o filho ou a filha que só após o acontecido eu descobri que já amava?
Enfim, isso é um pouco do que se passou nos últimos meses. Agora estou aqui, sentada na ultima fileira da sala de coral, repassando mentalmente minha adorável vida, enquanto Rachel canta alguma música irritante lá na frente. Eu sei que não aparento estar sofrendo por conta das coisas que aconteceram, mas a verdade não é essa. Acontece que prefiro esconder toda a dor que tenho sentido por ter ido embora a parte da minha vida em que eu apenas me preocupava em arrumar meu uniforme das lideres de torcida e manter minha notas excelentes. Mas a dor maior de todas, é ter perdido o ser que estava se desenvolvendo dentro de mim.
O que me resta agora? Essa é a pergunta que tenho me feito durante todos os dias, quando acordo e antes de dormir de novo. Preciso dá um sentido a minha vida. Preciso tornar os erros que cometi em uma oportunidade de aprendizagem e fazer disso chance de mudar essa história típica de adolescente problema que é a minha.
Acho que posso começar essa mudança sendo menos hostil com as pessoas, principalmente com o pessoal do Glee, afinal, pode não ter sido da forma que eu desejava, mas todos demonstravam se preocupar comigo, mesmo quando eu não era nada amigável com eles. Não vai ser fácil, mas me dedicarei ao máximo para não agredir verbalmente qualquer um deles, ou mesmo para não fazer mais caricaturas horríveis da ManHands. Ops... quis dizer, Rachel Berry. E também não concordarei mais com Santana em chamar Finn de Finnbecil ou qualquer outro apelido. Não concordarei com mais nenhum plano da treinadora, Sue, para acabar com o Glee. Não destratarei o Puck, porque no final de tudo ele sempre esteve ao meu lado. Acredito que essa foi uma forma de consertar a burrada que entramos juntos. Enfim, serei uma boa pessoa, nada forçado, mas serei o que eu realmente sou, pois vou deixar de lado qualquer interesse em ser a garota mais popular da escola e todas essas coisas estúpidas de rainha do baile e capitã das Cheerios.
Acredito que essa história de ser popular, de ser a melhor em tudo, sempre segui por influência de meu pai. Minha família sempre foi dessas de mostrar aos outros que são o exemplo a ser seguido, mas cansei disso e ter sido expulsa de casa só me fez amadurecer e ver que tem um mundo de coisas boas a serem vividas.
Quando meu pai foi embora de casa, pois minha mãe o expulsou quando descobriu sobre os relacionamentos extraconjugais que ele estava mantendo, ela imediatamente me pediu para voltar para casa. Claro que voltei, afinal, nada melhor que o aconchego e segurança do nosso lar. Agora, eu e minha mãe, estamos mantendo um relacionamento super saudável, acho que agora que nos tornamos de fato, mãe e filha. Descobri que ela pode sim ser minha amiga, além de mãe. Preciso dizer o quanto isso me deixar feliz?
Voltando à escola, não estou namorando ninguém, atribuo isso à relacionamentos escolares porque todos os meus namorados foram da escola: Finn, Puck, Finn de novo, Sam e já falei do Finn? Enfim, agora resolvi deixar pra lá todo e qualquer relacionamento que tive com essas pessoas, vou tê-los apenas como amigos e nada mais que isso. Se um dia acontecer um namoro, espero que seja com alguém do meu bairro, de outra escola, de outra cidade, da lua... acho que prefiro ficar sozinha por enquanto, essa é a verdade.
Dizer que vou deixar de lado esses namoros, inclui dá uma trégua às brigas com Rachel, já que sempre disputamos a atenção e o amor de Finn. Que besteira! Talvez até pudéssemos ser amigas se não fosse essa disputa que hoje acho mega idiota. Não, na verdade, talvez pudéssemos ser amigas se não houvesse a disputa por Finn, se ela falasse menos, cantasse menos, se ela fosse menos dramática, se ela não fosse quem ela é. Putz! Acho que ser amiga de Rachel vai ser complicado.
– Ei Rachel, você cantou muito bem, como sempre. – Anunciei quando passei por ela quando acabou o encontro do coral. Essa sou eu tentando ser legal, ok? Rachel me olhou com sob uma expressão de surpresa, talvez ela jamais imaginou que um dia que direcionaria qualquer palavra à ela que fosse um elogio.
– Obrigada, Quiin. – Essa duas palavrinhas saíram quase inaudíveis de Rachel. Esbocei um sorriso e saí em direção ao meu armário.
– Quinn, posso saber o que você está tramando? – Santana perguntou assim que nos aproximamos no corredor.
– Nada Sant, estou apenas pondo em prática o que eu realmente sou e isso incluiu tratar bem as pessoas. – Respondi de forma clara e olhando diretamente em seus olhos, para que assim ela pudesse ver o quanto era verdade aquilo.
– Ok, se você diz. – Ela pronunciou e se afastou para guardar os livros no armário dela. Santana e eu sempre mantivemos uma amizade verdadeira ao nosso modo, às vezes queríamos nos matar pelo titulo de capitã das Cheerios ou pela Coroa de rainha do baile, mas no final, sempre estávamos juntas. Ela me conhecia perfeitamente, sabia quando eu tramava alguma coisa apenas pelo olhar, mas essa mesma forma de me desvendar, ela usava pra saber quando eu falava a verdade. É reconfortante saber que tenho amizades verdadeiras, como Santana e Britany.
Saio da escola e vou para casa ainda com a sensação de que ser quem eu realmente sou é o melhor a ser feito a partir de hoje. Espero que o destino não coloque nada no meu caminho que me faça desistir de compartilhar com os outros o que eu realmente sou. Espero que assim, a sorte volte a caminhar comigo, fazendo o estigma de adolescente problema se perder e ficar bem enterrado em algum lugar do meu passado.
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