Morada

16 Reiniciaremos isso pela amizade, lembra?


Notas iniciais
Capítulo novo e dedicado à Analu, pois, eu estava bem perdida antes de posta-lo. Então, corri a ela pedindo uma luz e tive um retorno muito bom. Por isso, Analu, muitíssimo obrigada, mais uma vez. Enfim, boa leitura a todos.

Depois que voltamos de Nova York, Quinn e eu não voltamos a nos falar. Não sobre o que houve durante as Nacionais, apenas cumprimentos para manter a educação e nada mais. Isso não significa dizer que tenhamos nos conformado com o ocorrido ou com o fato de estarmos distantes, ao contrário, a cada dia, a cada encontro nos corredores da escola, a saudade que sinto por ela, pelo o que nós éramos, cresce cada vez mais.

Faz exatamente seis dias que eu tenho insistido em conter qualquer desejo de ter um contato mais profundo com ela. O problema maior tem sido durante as apresentações no Glee, afinal, é bem difícil se manter sã enquanto a pessoa por quem você nutre uma paixão está tão perto.

– Distraída, Berry? – Kurt aparece de tirando de meus devaneios.

– Eu estava apenas pensando sobre coisas aleatórias. – Tento ocultar o verdadeiro motivo de minha distração.

– Coisas aleatórias sobre certa pessoa de cabelos loiros e andar aristocrático que por um acaso acaba de entrar nesse corredor? – Viro-me abruptamente para o início do corredor. Ainda sem o uniforme das Cheerios, Quinn consegue instalar nas pessoas o sentimento de respeito, e por que não, também, o medo? Ela tem toda essa elegância que eu sempre admirei e continuo a apreciar, mesmo que não estejamos mais juntas. Meu coração saltita alegremente dentro de mim. Todo o poder que ela tem sobre mim continua no mesmo lugar, apenas ficando mais forte que antes.

– Vocês ainda não se acertaram? – Kurt me tira novamente de meus delírios.

– Não conversamos desde aquela madrugada no hotel. – Lamento nitidamente quanto a isso. Quinn se aproxima de onde estamos. Ela está vestida em um adorável vestido florido em tons escuros, um cardigan azul marinho, característico dela, e botas cano alto. Linda, perfeitamente linda. Não consigo conter o sorriso, ainda que saudoso, por saber que um dia pude conhecer todos os encantos que a fazem maravilhosa, inclusive, em sua essência.

Ao contrario do que acontecia há duas semanas, onde conversávamos por horas, apenas nos separando quando a aula começava, dessa vez, Quinn apenas nos cumprimenta com um leve aceno e segue seu caminho até a sala de aula, provavelmente. No mesmo instante meu sorriso se desfaz. Ainda não estamos bem. Isso machuca.

– Venha. Vamos para a aula. – Kurt me puxa após fechar meu armário. – Vocês precisam conversar, Rachel.

– Eu sei perfeitamente disso, Kurt. – Encaro o final do corredor por onde Quinn havia acabado de sumir. – Mas ela não quer.

– Você tem tentado falar com ela? – Caminhamos de braços entrelaçados.

– Algumas centenas de mensagens, ligações e e-mails contam? – Pergunto agora olhando para ele. – Sem falar nas músicas dessa semana no Glee... todas têm sido sobre estar arrependida e sentir saudade. Você não percebeu? – Ele assente.

– Por um misero segundo eu havia esquecido sobre o quanto você é insistente. – Entramos na sala de aula. O professor ainda está se preparando para iniciar sua prática.

– Ela tem me evitado de todas as formas. – Declaro assim que nos sentamos em nossos lugares. – Eu realmente a magoei.

– Tudo vai se acertar. Confie nisso. – Viro para frente, onde o professor começa a falar sobre o conteúdo programático a ser estudados hoje, mas sem, de fato, prestar atenção no que ele ensina.

Na noite em que conversamos, Quinn estava muito alterada. As coisas que ela falou, da forma que ela falou, me fizeram sentir a mesma dor que ela disse sentir. Vi nos olhos dela o quanto ela estava machucada. Isso me quebrou completamente. Ainda que não tenha sido intencional, acabei respondendo ao beijo de Finn, não por sentir algo por ele, mas por me importar com as Nacionais, apenas por isso. E isso destruiu com tudo o que eu e Quinn havíamos construído. Desde nossa amizade, até mesmo, a insaciável paixão.

Não que eu não esteja mais apaixonada por ela, longe disso. Esse sentimento que tenho por ela parece se tornar mais intenso a cada dia, a cada vez que eu a vejo e desejo a ter de volta.

O sinal bate e devemos trocar de sala para a aula de história. A aula anterior foi completamente perdida. Entro na sala e lembro que compartilho a mesma aula com Quinn, quando a vejo sentada, anotando algo em sua agenda. Congelo ficando parada próxima a porta da sala. Deveríamos continuar sentando juntas, pois, somos uma dupla para qualquer trabalho dessa aula. Alguém esbarra em mim fazendo com que eu cambaleie levemente contra a porta. O barulho de meu corpo se chocando contra a porta chama das pessoas que estavam na sala, inclusive, de Quinn, que agora me encara com uma sobrancelha arqueada. Respiro fundo e caminho em direção a ela.

– Eu posso sentar aqui? – Falo hesitante. Temo ouvir algo que me desagrade. Quinn se move na cadeira como se estivesse incomodada com minha presença. Ela olha para os lados, como se procurasse uma alternativa para não me ter ali. – Deixa. Eu vou... vou sentar em outro lugar. – Viro para procurar uma cadeira disponível.

– Não. Fique. – Ela ajeita a postura na cadeira, deixando mais espaço para que eu sente ao lado dela. Assinto e tomo o meu lugar fazendo o mínimo de movimento possível. Não sei por que, mas sinto que qualquer movimento brusco fará com que ela saia correndo de meu lado.

– Obrigada. – Murmuro sem olha-la. Pego meus cadernos e coloco sobre a mesa.

– Pelo o que? – Ela fala em um tom baixo, virando a cabeça para me olhar.

– Por ter me deixado ficar aqui? – Olho para ela lentamente. Que conversa estranha essa nossa. Ela se encolhe em sua cadeira e olha para frente, onde a professora começa a falar qualquer coisa que não consigo dizer ao certo sobre o que se trata. Mais uma aula perdida.

O tempo passa extremamente devagar e cada segundo parece ser uma tortura me manter ao lado de Quinn sem poder toca-la ou conversar. Movo-me em minha cadeira cruzando as pernas. Uma de minhas pernas que está flexionada sobre a outra toca levemente as coxas de Quinn. Só então lembro o quão macia ela é. Ela se desprende da cadeira para pôr os dois braços sobre a mesa, ficando em uma postura tão ereta que qualquer pessoa perceberia facilmente o quanto ela está desconfortável. Que droga! Só queria que tudo voltasse ao normal.

– Você pode sentar de uma forma mais confortável. – Sussurro ainda sem olha-la. Ela vira para me olhar piscando diversas vezes. – Você parece estar tensa.

– Não estou. – Ela suspira e encosta-se na cadeira. De soslaio olho para ela. Quinn agora sim parece estar mais confortável. Ela tem as pernas esticadas sob a mesa e os braços cruzados sobre os seios. Quero abraça-la.

Não penso antes de adotar posição semelhante, mas, me aproximando mais dela. Ouço a respiração acelerada que ela tem. Encosto minha cabeça sobre o seu ombro. Quinn não se move, na verdade, parece estar congelada. Sinto o cheiro que vem de sua roupa... o cheiro tão dela. A saudade se faz tão presente agora, que um nó se forma em minha garganta.

Os dias em Nova York são repassados lentamente em minha memória... Os passeios que ela fez questão de me acompanhar, a Broadway, Central Park, o jantar, os risos, os abraços, nossas mãos entrelaçadas, nossos tórridos beijos, o orgasmo não contido, eu assumindo-a como o meu amor. Uma lágrima teimosa escorre sobre meu rosto. Tento conter o choro, mas uma segunda lágrima escorre indo parar direto sobre o cardigan que ela usa. Quinn desvia o olhar para mim. Assustada, talvez.

– Rachel. – Ela murmura. Não respondo de imediato, apenas me encolho mais ainda contra o corpo dela.

– Só me abrace, por favor. – Falo mesmo com a voz tremida. Mais algumas lágrimas escorrem por minha face. Lentamente Quinn passa os braços ao redor de meu ombro. Sorte não estarmos sentadas nas cadeiras finais da sala. Ela me envolve completamente no abraço. – Obrigada. – Sinto-a mover a cabeça e depositar um terno beijo sobre minha testa. Como eu a quero de volta.

Consigo conter o choro, mesmo ainda sentindo uma grande aflição dentro de mim. Com a mão direita busco a dela e consigo toca-la. Quinn não corresponde a meus toques, mas não me impede de continuar. Fico brincando com seus dedos e unhas por um tempo, alternando entre carinhos ou entre apenas sentir a temperatura que emana da deliciosa pele dela. O sinal toca e todos se movem para sair da sala, mas continuamos paradas. Não quero ter que me afastar dela novamente.

– Precisamos ir. – Ela tem a voz rouca.

– Não precisamos. Vamos ficar aqui. – Protesto em um tom choroso. Em uma tentativa de convencê-la a não se afastar.

– Você sabe que precisamos ir, Rachel. – Ela tenta se mover, mas me prendo a ela.

– Vamos conversar, Quinn. – Peço enquanto continuo a acariciar sua mão. – Não aguento ficar assim com você. Não depois de tudo o que aconteceu.

– Já conversamos, Rach. – Ela suspira pesadamente. – Em Nova York.

– Não. Nós discutimos. Gritamos. – Constato que estamos sozinhas na sala. – Mas não conversamos. – Inclino minha cabeça para o lado e a beijo no braço. Deixo minha boca pressionada contra ela.

– Não sei se estou preparada para isso. – Ela vira o corpo para ficar frente a mim, me fazendo sair de seus braços.

– Quando você vai estar? – Volto a me aconchegar contra ela. Embora, ela pareça tentar resistir a essas aproximações, ela não me repele. Ao contrario, ela me prende a ela.

– Não sei. – Suspira passando as mãos sobre minha costa em um carinho despretensioso.

– Vai demorar? – Sussurro, apoiando minha cabeça em seu colo. Quinn sorri. Levanto mais um pouco a cabeça e olho para os lábios dela. Como eu adoraria poder beijá-la. Ela percebe que estou olhando para a boca dela. Vejo-a umedecer os lábios. Aproximo-me e deposito um beijo em seu pescoço. Um beijo suave.

– Rach, não faça isso. – Ela me repreende. Mas continuo com a cabeça em seu pescoço. Aspiro o cheiro daquela pele misturado ao que vem dos cabelos loiros e sedosos dela. Um cheiro que está eternamente preso em minha memória.

– Só me diga que teremos a chance de conversar. Quero explicar para você algumas coisas. – Insisto.

– Teremos. – Me solta do abraço. – Mas agora precisamos ir nos alimentar, certo?

– Prefiro ficar com você. – Embora eu tenha dito isso, faço o contrario. Levanto-me e pego minhas coisas para ir ao refeitório, deixando Quinn sozinha na sala.

Talvez ela passe mais um tempo por lá, pois, é necessário que ela pense um pouco no que acabou de acontecer... Se ela não quisesse mais contato comigo, ela teria me rejeitado. Mas não foi o que ela fez. Toda a preocupação que ela teve quando me viu fragilizada, enquanto eu chorava em plena aula de História, apenas demonstra o quanto ela ainda me quer bem, mas o orgulho desenfreado que ela sente, está a impedindo de me ajudar a nos pôr de volta ao eixo.

Não se trata de estar me humilhando para tê-la de volta. Trata-se apenas de reconhecer que errei, ainda que eu tenha feito coisas com a melhor das intenções... ganhar a competição. Portanto, reconhecendo o meu erro e correndo atrás para me redimir com ela, talvez eu consiga o que tanto almejo. E se tem algo que meus pais me ensinaram e que levo a sério, é persistir por aquilo que quero. É justamente isso que faço agora com Quinn. Eu a quero de volta e não pretendo desistir tão facilmente.

– Olá! – Sorrio largamente para a mulher a minha frente. – Desculpe não ter avisodo que eu viria, mas preciso falar com a Quinn.

– Entre. – Judy me dá espaço para que eu passe. – Ela está no quarto. E você sabe que não precisa avisar qualquer coisa. — Ela me abraça. — Você já é de casa, Rachel.

– Obrigada. – Retribuo o abraço com todo o afeto que tenho em mim.

Caminho para o quarto de Quinn lentamente. Ela provavelmente estranhará me ver em sua casa, mas não me contive, pois desde que eu cheguei da escola, o único que quero é poder reestabelecer de volta o que nós tínhamos. Bato levemente na porta do quarto dela. Não obtendo resposta, giro a maçaneta da porta lentamente e vejo os cabelos loiros de Quinn sobre a cama. Ela está assistindo filme tão concentrada que não vê que eu estou praticamente dentro do quarto.

– Quinn. – Ela olha para onde estou e em um só movimento se coloca sentada sobre a cama.

– O que você está fazendo aqui? – Quinn se move rápido, pega o controle da televisão e a desliga em meio a movimentos atrapalhados.

– Você estava assistindo Funny Girl? – Encaro-a surpresa. Vejo as suas bochechas ganharem uma coloração em tons avermelhados. Quinn está tão envergonhada por ter sido pega assistindo a meu filme favorito. Não consigo me manter séria diante disso. Solto sonoros risos e isso a irrita.

– Você deveria ter batido na porta antes de entrar. – Ela repreende meu comportamento.

– Mas eu fiz isso, você que estava tão ligada em Barbra que não ouviu. – Caminho para sentar sobre a cama dela.

– Eu só estava sem opção de filme para assistir. – Ela tenta me enganar. Olho rapidamente ao redor do quarto e constato que a coleção de filmes que ela tem continua no mesmo lugar... sobre a prateleira ao lado direito do quarto. Meu riso se amplia mais uma vez.

– Você é tão marrenta, Quinn. – Me levanto e caminho para onde ela está. Sento próxima a ela.

– O que você veio fazer aqui? – Ela parece estar chateada com minha presença ali. Mas sei que se trata de mascarar seus sentimentos. Se ela realmente não me quisesse por perto, ela me daria um único olhar congelante que eu saberia perfeitamente que não era bem vinda por ela.

– Vim conversar. – Não é obvio? – Esclarecer as coisas.

– Mas eu te falei que não estava pronta. – Ela contesta minha ideia.

– Se eu for esperar por você... nos formaremos e não iremos nos acertar. – Ela parece me analisar. – Esse tempo todo me fez saber que você tem tanto orgulho que consegue sobrepô-lo a qualquer sentimento virtuoso. – Ela assente, ainda que quase imperceptivelmente.

– Comece. – Pronuncia enquanto se encosta sobre a cabeceira da cama, com uma aparência soberba... Quinn e suas mascarás.

– Antes de qualquer coisa você precisa saber que eu não beijei Finn por sentir algo por ele. – Tomo um fôlego e começo a explicar aquilo que aconteceu em Nova York. Explico detalhando todos os fatos, ressaltando o pedido de namoro negado por mim. Tudo o que digo a Quinn é que não tenho interesse por ninguém além dela. Se estou correndo atrás, tentando consertar as coisas entre nós, é porque eu gosto do que somos quando estamos juntas, e, sinceramente, não me vejo mais sem a companhia dela. Ela ouve tudo atentamente. Não me interrompe em momento algum. – [...] Enfim, essa é a história e eu realmente espero que tudo tenha ficado claro para você porque, honestamente, Quinn, eu não acho que funcionamos separadas, não mais. – Quinn pisca algumas vezes. Passa a mão por seus cabelos e parece pensar muito antes de se pronunciar. – Você entende agora tudo o que aconteceu? – Ela assente.

– Entendo. – Desvia o olhar para as próprias mãos. – Mas você sabe a dor que tudo isso me causou não sabe?

– Eu sei. – Brinco com uma linha solta em minha saia. Mas logo desvio o olhar para ela. – Eu sei porque eu senti o mesmo que você. Ainda que na situação inversa, pois, eu que causei tudo isso, mas eu senti todo o sofrimento que é não te ter comigo, nem mesmo como amiga.

– Eu não vou ficar repetindo o quanto me doeu ver aquele beijo ou o pedido de namoro. – Ela me encara e vejo uns feixes de raiva nos olhos dela, talvez por relembrar aqueles momentos. – Mas você precisa saber que coisas assim não são fáceis de serem digeridas. Não são fáceis de serem perdoadas. – Concordo com ela. – Você fez isso para ganhar a competição. Fez porque ganhar isso faz parte dos seus sonhos. Fez porque é a líder do grupo e isso estava em suas mãos. Entendo isso. Mas não significa que devo aceitar. – Droga! – Eu ainda estou magoada. Dizer que não sinto sua falta seria mentira, mas ainda estou magoada e isso está me travando.

– Mas podemos dá um jeito nisso, Quinn. – Seguro nas mãos dela. – Podemos tentar nos reaproximar aos poucos, até que nossas dores e toda a sua magoa seja sarada.

– Não é tão fácil, Rachel. – Ela solta as mãos da minha.

– Que droga! – Me exalto. – Pare de dizer que não é fácil. Pare de se fazer de durona. – Levanto-me e paro na frente dela. – Confie em mim por uma ultima vez, Quinn. – Seguro com as duas mãos em seu rosto. Ela morde levemente os lábios inferiores. – Como eu fiz com você quando nos aproximamos mesmo você tendo feito coisas horríveis para mim.

– Você está jogando na minha cara as coisas que eu fiz a você? – Ela tira as minhas mãos de seu rosto, enquanto estreita os olhos demonstrando seu total descontento por ter ouvido aquilo. – Pensei que já havíamos enterrado essa parte, Rachel. – Ela se levanta e caminha pelo quarto.

– Não estou jogando nada na sua cara. – Eu sento no lugar que ela ocupava. – Estou apenas usando essa história para lhe mostrar que o perdão é necessário para seguirmos em frente. – Ela se vira para me encarar. – Mas, esse seguir em frente a que me refiro, é seguir com você, tendo o seu perdão, tentando ter a sua confiança de volta. – Estendo a mão para ela. Ela me olha e parece hesitante em aceitar o contato. – Vem, Quinn. – Eu a chamo carinhosamente. – Você pode me desculpar, por favor? – Ela se move lentamente até tocar minha mão. Eu a puxo para mais perto e abraço sua cintura, mesmo ainda estando sentada. Quinn não fala nada. Levanto-me e a abraço fortemente colocando minha cabeça em seu pescoço. – Sabe, eu preciso do meu amor comigo novamente, mas se ainda não posso te ter dessa forma, quero ao menos a minha amiga de volta. – Me separo dela para olha-la nos olhos. Ela tem os olhos lacrimosos como os meus. Beijo-a ternamente na bochecha. – Vamos tentar, Quinn? – Ela abaixa a cabeça e assente, sorrindo timidamente.

– Reestabelecendo a amizade, primeiro? – Maneio a cabeça e um lado a outro.

– Se assim é melhor para você... – Volto a abraça-la. – Só não quero ficar longe de você, certo?

– Certo. – Enfim ela me aperta em seu abraço, cheirando meus cabelos demoradamente. Deus! Como eu senti falta disso. – Você ainda vai pensar assim mesmo que eu diga que fiquei com a Anne, a garota de Nova York? – Me separo dela instantaneamente.

– Você ficou? – Encaro-a seriamente. Quinn movimenta os ombros como se a resposta a minha pergunta fosse positiva. – Eu não acredito, Quinn! – Demonstro toda a minha indignação por esse lastimável fato. Viro de costa para ela. Sinto-a me abraçar por trás, mas tento me desvencilhar.

– Ei, pare. – Ela me segura com mais força. – Eu não fiquei. Juro que não fiquei. – Me aquieto sentindo que ela ainda me abraça. – Não que ela não tenha tentado, mas eu não conseguiria. – Belisco-a levemente em seu braço.

– Você é uma idiota, Fabray. – Encosto minha cabeça sobre seu colo sentindo os beijos que ela distribui por minha cabeça, assim também como os confortáveis braços delas me prenderem cada vez mais forte. – Senti tanto a sua falta, Quinn. – Confesso enquanto a sensação de alívio toma conta de mim. Agora sim sinto que estou no lugar certo para eu estar.

– E eu a sua, Berry. – Ela sussurra com a voz sedutoramente rouca, aspirando o cheiro que vem de meu pescoço.

– Quinn... – Chamo-a enquanto tento conter o desejo crescente para ter um contato mais profundo com ela.

– Hummm. – Ela se limita a murmurar próximo a meu ouvido.

– Você pode me dá apenas um beijo? – Ela ri sobre minha nuca. Arrepio-me no mesmo momento. Isso é maldade.

– Não, Berry. Reiniciaremos isso pela amizade, lembra? – Me viro de frente para ela. Prendendo-a em meus braços, dessa vez.

– Lembro. – Confesso. – No rosto pelo ao menos? – Ela inclina a sobrancelha duvidando daquilo. – Qual é? Não vou te atacar. – Ela sorri e se inclina para depositar o beijo em minha bochecha. Movo meu rosto no mesmo instante, arrastando meus lábios sobre os dela. Antes que ela tentasse recuar, eu prendo o lábio inferior dela entre meus dentes, o soltando lentamente enquanto arrasto minha língua por ele. – Sua boca continua deliciosa, Fabray.

Notas finais
E aí, povo? Estão mais relaxados com esse capítulo ou terei mais alguém ameaçando abandonar a leitura da fic? rsrsrs Brincadeiras a parte, quero informar que o destino dos personagens já está traçado, por isso, não pretendo mudá-los, a não ser que eu mesma, veja que é realmente necessário. Contudo, não farei isso por conta de ameaças, certo? Adoro receber os comentários de vocês, de verdade. Eles são importantes para percebermos a visão de vocês sobre as histórias, por isso, não deixem de comentar, mesmo que as opiniões de vocês seja diferente da minha. Enfim, apenas para alegrá-los, pretendo postar o próximo capítulo no sábado. =D