Morada

8 O dia dos namorados


Notas iniciais
Oi, pessoal! Aqui mais um capítulo. Fiz uma revisão bem rápida, mas ainda podem haver grandes erros, pois, estou doente há uns 3 dias e isso me impede de concentrar a vista por muito tempo na tela do computador. Enfim, boa leitura!

Semana do dia dos namorados e sinto que até as paredes da escola estão emanando romance por meio de todas aquelas vigas de ferro e concreto. Agora, se as paredes estão assim, imagine só as pessoas...

Eu nunca fui de me importar muito com essa data comemorativa. Na verdade, nunca criei tanta expectativa sobre esse dia, talvez porque eu nunca estive com alguém com quem eu pudesse, realmente, comemorar o dia dos namorados. Mas, ao contrario de mim, sei bem que Rachel se importa com todo esse lance de viver de fato a semana dos namorados.

Desde o início da semana que a percebo andando bastante aérea. Já a vi olhando diversas vezes para Finn e em alguns momentos me passou pela cabeça que todo esse clima de romance que está instalado na escola, a tivesse atingindo a ponto dela pensar em voltar a namorar Finn. O fato é: eu detestaria se isso acontecesse.

Mas, pode ser apenas algum tipo de insegurança que está me rondando, afinal, se ela ao menos cogitasse a ideia de voltar com Finn, ela o teria beijado na barraca do beijo ou ainda, teria ido leva-lo em casa quando ele adoeceu. Porém, ela não fez nada disso, ao contrario, foi comigo para casa, onde tivemos mais uma sessão de filmes e carinhos.

– Bom dia, pessoal! Estão animados para as apresentações do dia dos namorados? – Mr. Schuester pergunta enquanto entra na sala do coral. Alguns, como Brittany e Tina, batem palmas demonstrando todo o entusiasmo por aquele momento. Eu só conseguia pensar no quanto isso poderia ser incrivelmente tedioso. – Bem, vamos lá... Eu tomei a liberdade de comprar dois tickets para jantar no Breadstick para quem apresentar algo e for o mais votado. Vocês mesmos serão os jurados, portanto... Vamos ver quem tem algo a mostrar para a gente.

Eu resolvi continuar onde eu estava, pois, agora sim eu estava realmente preocupada com o rumo que as coisas poderiam tomar, pois é claro que Rachel tem grande chance de ganhar. O problema é que caso ela ganhe, ela terá que escolher alguém para ir a esse estúpido jantar e, pelo sorriso convencido de Finn, é como se ele estivesse certo de que ele seria o escolhido.

Algumas apresentações começam. Blaine, por exemplo, canta Teenager Dream, óbvio que ele está cantando olhando diretamente para Kurt. Gosto da apresentação dele e não consigo achar nada menos que adorável a forma como os dois se olham, é como se eles estivessem envoltos de uma esfera cheia de amor.

Tina faz uma apresentação hilária para Mike... Deus, como alguém consegue chorar tanto desse jeito? Isso chega a ser embaraçoso. Vejo quando Finn levanta aquela grande massa corpórea da cadeira e começa a cantar uma música qualquer, provavelmente, dedicada a Rachel, pois ele está com aquela cara de cachorro sem dono, olhando a todo instante para ela. Isso me irrita tanto.

Rachel está sentada na primeira fileira de cadeiras. Daqui vejo que ela se move diversas vezes, como se aquela apresentação estivesse a incomodando. Por um instante Finn para bem próximo dela e entrega uma caixa de presente para ela enquanto ainda canta. No mesmo instante, Santana olha para mim. Ela está com aquele olhar de soberba, como se dissesse “Olha só Fabray, o grandalhão ali está tentando a todo custo reconquistar Rachel”. Devolvo o olhar para aquela latina metida a espertalhona, levanto uma sobrancelha para ela como se eu pudesse, com isso, avisar que não sei o que ela estaria insinuando apenas com aquele olhar maléfico que apenas ela tem.

Após a apresentação de Finn, Puck apresenta alguma canção que fala sobre uma grande mulher com o coração enorme, claro que ele está se referindo a Lauren, mas aquela música é um tanto... Inapropriada? Eu, definitivamente, não gostaria de algo que enaltecesse o tamanho de meu traseiro. Depois que Puck termina, vejo que Rachel se levanta e caminha até a banda. Meu coração está aos pulos. Esse é o momento que me orgulho por ela ser tão talentosa, mas também é o momento em que ela pode consumar o encontro do dia dos namorados com Finn.

Rachel inicia a canção, reconheço na mesma hora... Firework. A música usa uma série de metáforas para falar algo como mesmo que você se sinta para baixo e derrotado, você deve ser você mesmo e por para fora aquilo que você gosta, pois isso certamente te levará a ser dono de sua própria história. O ritmo é muito contagiante e não demora nada para que todos estejam cantando e dançando com Rachel. Eu sabia que ela seria fantástica... como sempre foi.

Em um determinado momento da música vejo Finn se aproximar dela e dançar bem próximo, como se a qualquer momento ele fosse toma-la em seus braços. Rachel se afasta e continua a cantar, porém anda pela sala de forma livre. No ponto alto da música, ela fecha os olhos e vejo que ela dá o melhor de si para não fugir das notas certas. Ela está com os braços abertos e não consigo deixar de admirá-la.

Institivamente me aproximo e quando ela abre os olhos, ela solta aquele sorriso que eu poderia dizer que, assim como na música, tem o mesmo poder dos fogos de artifícios. Rachel e eu começamos a dançar juntas, claro que não demora muito para que outros se juntem a nós duas. Mas me sinto aliviada e orgulhosa. Aliviada por ela não ter cedido as investidas de Finn. Orgulhosa porque é certo que Rachel foi maravilhosa naquela apresentação.

Em algum momento em que ela canta algo como “[...] Even brighter than the moon, moon, moon. It's always been inside of you, you, you. And now it's time to let it through. 'Cause baby, you're a firework, come on show 'em what you're Worth. Make 'em go, ‘Aah, aah, aah’, as you shoot across the sky”, ela está parada a minha frente, cantando, enquanto me olha diretamente nos olhos. Isso me deixa levemente... acanhada? Não sei, mas sinto que isso foi para mim.

Rachel percebe, pois ela caminha em minha direção e com a mão esquerda ela levanta meu queixo para que eu mantenha o olhar em sua direção. Quando a música termina ela passa os braços ao redor de minha cintura e assim ficamos recuperando o fôlego que havíamos gastado pulando e dançando enquanto ela cantava.

– Muito bem, Rachel. – Mr. Schuester fala enquanto retomamos aos nossos lugares. – Sua apresentação foi muito boa. Mas, como quem tem direito ao voto são vocês mesmos... Que comece a votação! – Essas palavras foram suficientes para que começasse uma acalorada discussão. Cada uma defendia aquilo que fosse de seu interesse, é claro. Mas como havia algumas pessoas neutras, como Mercedes, Sam e, tecnicamente, eu, Rachel, acabou ganhando.

Enquanto eu arrumava minhas coisas para sair, vi que o Mr. Schuester entregava a Rachel os cupons para o jantar no Breadstick. Pelo canto de olho vi que Finn ainda permanecia na sala, talvez esperando o momento em que ele seria convidado.

– Você já vai, Quinn? – Rachel pergunta assim que eu passo por ela.

– Já. Digo, vou te esperar em frente ao meu armário. – Foi o que fiz. Guardava minhas coisas enquanto meu pensamento ia formando imagens da cara de bobão de Finn quando Rachel o convidasse para jantar. Não demorou muito para que ela saísse da sala do coral.

– Vamos. – Ela anuncia quando se aproxima de mim.

– Obrigada, Rachel, mais uma vez. – Kurt fala enquanto passava por nós duas.

– Por que ele te agradeceu? – Estamos caminhando em direção a saída da escola.

– Por eu ter dado os tickets a ele. – Ela dá de ombros enquanto fala, como se aquilo não fosse importante.

– Você deu para ele os tickets? – Com essa eu realmente não contava. – Por que você fez isso, Rach?

– Sim, eu dei. Tenho certeza que ele aproveitará melhor o jantar do dia dos namorados. – Noto um certo desapontamento na voz dela.

– Eu pensei que você iria chamar Finn para ir com você. – Já estávamos entrando no carro. Rachel vira para mim e vejo pela forma como ela me olha que ela não gostou nem um pouco do que eu havia dito.

– Ahhh. Por favor. Você sabe perfeitamente que eu não chamaria Finn para jantar. – Por que ela está parecendo tão irritada? – As pessoas teimam em acreditar que eu continuo sendo estupidamente apaixonada por ele. Isso me irrita. – Ela joga as mãos para cima e depois as leva até o rosto.

– Ei, desculpa, okay?! – Não entendo mesmo o que a deixou tão estressada se ela sempre fez questão de mostrar aos outros o quanto ela era louca por Finn. – Assim como eu, várias pessoas sabem o quanto você correu atrás dele, talvez, por isso, nós sempre pensamos que você queira alguma coisa com ele.

– Você falou certo, Quinn. Correu. O verbo está no passado, não é? – Ela continua a me encarar e agora ela parece assustadoramente furiosa. – Eu já não quero nada com ele. Mas você insiste tanto nisso, que as vezes chego a pensar que você deseja me ver novamente com ele.

– Você só pode estar louca. – Falo enquanto solto um riso seco. – Por que você está tão irritada, Rachel? Você já veio da sala do coral assim. – Ela está olhando para o lado de fora do carro. Observando aquela paisagem tão cotidiana.

– Não sei, Quinn. – Ela continua a olhar para fora do carro. – Talvez eu só esteja um pouco frustrada. – Ela desvia o olhar em direção as mãos dela. – Mais um ano que vou passar o dia dos namorados sozinha, você sabe o que é ver vários casais programando coisas românticas para fazer e eu mais uma vez em casa assistindo algum musical?

– Eu não pensei que isso ia afetar tanto o seu humor. – Penso por um instante antes de abrir a boca para falar o que eu desejava naquele momento. – Bem... somos amigas, se você quiser, podemos ir jantar. – Ela me olha. – Digo, não é como se fosse um encontro de namorados, mas essa é a forma de você não ficar sozinha. Podemos ir fazer algo divertido, o que acha?

– Passar o dia dos namorados com minha melhor amiga? – Tenho quase certeza que ela vai negar. – É... que mal teria isso? – Ela vira novamente para a janela do carro.

– Ei! – Mostro toda a indignação em minha voz. – Você faz parecer como se fosse chato ficar em minha companhia.

– Acredite, Quinn, não é chato. – Estamos paradas em frente a casa dela. Tiro o cinto de segurança e me preparo para descer do carro. – Você vai para a sua casa hoje. – O que diabos é isso? Ela não me quer por perto agora? Só o que faltava! – Temos um encontro hoje a noite. Preciso me arrumar e você também precisa. Vá para a sua casa e programe algo muito divertido para hoje. – Coloco o cinto de segurança novamente.

– Tudo bem, você que manda. – Ligo o carro. – Sete horas está bom? – Ela concorda. – Até mais tarde, Rach.

– Até mais, Q. – Ela beija levemente meu rosto e logo sai do carro.

Okay. Tenho um encontro de dia dos namorados com a Rachel. Não, não somos namoradas nem nada do tipo. Somos amigas que estão solteiras e vão a um jantar romântico apenas para não ficarem sozinhas em suas casas enquanto o mundo celebra o amor. Sim, vou manter o foco nisso.

Ainda assim, não custa nada escolher uma roupa legal para encontra-la, não é? É então o que resolvo fazer, não sem antes ligar para o Breadstick e fazer a reserva para o jantar. O tempo passa rapidamente e quando vejo, já estou quase atrasada para ir encontrar Rachel e isso, definitivamente, seria péssimo.

– Olá, Sr. Hiran, Rachel está? – Pergunto assim que ele abre a porta para mim. A porta se abre mais um pouco e Rachel sai de trás dele.

– Aqui está Rachel e sua ansiedade, Quinn. – Ela passa por ele e o beija no rosto.

– Me respeite, papai. – Ela o repreende. – Você sabe que não gosto de atrasos, apenas isso. – Ela vira para mim e me olha dos pés a cabeça.

– Fabray, você está linda! – Ela me beija no rosto. – Mas também está quase atrasada.

– Quase não é o mesmo que estar atrasada, Rach. – Reviro os olhos enquanto falo.

– Que seja. – Ela dá de ombros. – Tchau, papai. – Hiran a beija no rosto e depois faz o mesmo comigo.

– Divirtam-se, meninas. – Caminhamos até o carro e no caminho seguro a mão de Rachel. Ela me olha como se estivesse esperando uma explicação para aquilo.

– O que? – Pergunto a ela. Olho para nossas mãos entrelaçadas. – Isso é quase como um encontro no dia dos namorados, não é?

– Como você disse, o ‘quase’ faz com que não seja um encontro. – Ela ri por ter me respondido da mesma forma que eu havia feito anteriormente.

O caminho para o Breadstick é feito em meio a algumas músicas cantadas e várias risadas. O clima entre a gente está realmente agradável. Chegamos ao restaurante e sentamos a mesa indicada por um garçom. Algum tempo depois notamos Mercedes, Tina, Mike e Sam na entrada do estabelecimento, acredito que eles estavam esperando um lugar desocupar.

– Rach, você quer dividir a mesa com os meninos? – Pergunto quando vejo que ela demonstra agonia por vê-los ali.

– Você não se incomodaria? – Ela pergunta enquanto passa a mão sobre a minha.

– Não, claro que não. Chame-os. – Ela levanta e caminha até eles. Depois de um tempo nossa mesa que antes parecia tão espaçosa agora está apertada demais para seis pessoas.

Se a intenção desse jantar é não deixar Rachel triste, posso considerar a tarefa cumprida, pois as piadas de Mercedes, mais as imitações ridículas de Sam acabaram tornando muito divertido o jantar. Sem a história de competição no Glee, vejo que conseguimos ter amigos divertidos. Pelo ao menos eu nunca havia tido chance de conviver com eles em um momento como esse.

– Você está se divertindo? – Pergunto em um tom baixo apenas para que Rachel escute. Ela está ao meu lado.

– Claro que sim. – Ela se aproxima mais de meu corpo. – O melhor encontro do dia dos namorados. – Ela beija a minha bochecha.

– Mas a noite ainda nem acabou. Como você pode dizer isso? – Ela me olha e aproxima os lábios em minha orelha.

– Você está comigo hoje, Quinn. Só isso é o suficiente para deixar tudo na mais perfeita ordem. – Ela fala quase de forma sussurrada. Arrepios. Muito arrepios. Vários arrepios caminham por cada parte do meu corpo.

Depois do jantar, alguns dos meninos decidem ir embora. Chamo Rachel para caminhar um pouco, antes de irmos para nossas casas. Estamos sentadas em uma praça de Lima. Acabamos de sair de um sorveteria e Rachel está tentando a todo custo não se sujar de sorvete.

– Eu falei que você deveria pedir no copinho. – Falo quando vejo uma gota de sorvete escorrer pelos dedos dela. Ela limpa rapidamente levando o dedo a boca. Isso não era para ser sexy, mas foi... muito sexy.

– Qual a graça de tomar sorvete sem se lambuzar, Quinn? – Ela pergunta enquanto encara a bola de sorvete que está a frente dela. – Sabe, eu nunca imaginei que o dia terminaria assim... perfeito.

– Não? – Arqueio uma sobrancelha para ela. Ela leva a mão até minha sobrancelha e tenta abaixá-la. Eu não consigo não sorrir por isso. – E por que está sendo perfeito?

– Como por quê? – Ela me olha como se estivesse indignada por ouvir aquela pergunta. – Bem... descobri que o dia dos namorados não precisa ser passado com quem você tem algum tipo de relacionamento afetivo, basta que você esteja com pessoas que você gosta, como os amigos. E foi isso que aconteceu hoje. Você tem noção de quantas risadas nós demos hoje? – Eu solto um riso abafado ao lembrar que isso é verdade. – Eu tenho certeza que se eu estivesse com o Finn, nós não teríamos nos divertido tanto. Sem falar que a essa hora ele já estaria tentando levar as coisas para uma segunda base. – Eu franzo a testa ao imaginar a cena. – Eu não estaria com a mão suja de sorvete. Você não estaria aqui comigo. – Ela olha diretamente em meus olhos, mas logo desvia a atenção para o sorvete.

– Você tem razão. – Tomo mais um pouco do meu sorvete. – A noite está sendo perfeita. – Levo o sorvete até a frente da boca dela. – Prove. Você vai gostar. — Ela me olha de forma receosa, mas dirige a boca até o sorvete. Quando ela está bem perto do sorvete eu o passo sobre o nariz dela, formando um delicioso pontinho de sorvete que a deixa com um aspecto extremamente fofo.

– Você é idiota, Quinn. – Ela fala enquanto levanta a mão para limpar.

– Para. Eu sujei, eu limpo. – Involuntariamente passo o dedo sobre o nariz dela e retiro a bolinha de sorvete lá deixada, levando em seguida o meu dedo a minha boca. – Hummm... você deveria provar como esse sorvete é gostoso, Berry. – Noto que ela fica com o olhar vidrado naquilo que eu havia feito. As bochechas dela ficam levemente coradas.

– Claro, se você não tivesse me sujado. – Ela revira os olhos. Acho que ela está tentando dissimular a tensão criada.

Voltamos para casa, não sem antes implicar uma com a outra e fazer algumas brincadeiras que nos tiram verdadeiras gargalhadas. Paro o carro na frente da casa dela. Me levanto e caminho para o lado do passageiro, abrindo a porta para que ela desça.

– Você não precisava ter feito isso, Quinn. – Ela repreende enquanto caminhamos pelo jardim frontal da casa dela.

– Faz parte da noite perfeita. – Não sei em que momento a temperatura caiu tanto. Está frio, bastante frio. Caminhamos abraçadas até a entrada da casa.

– Obrigada por tudo. – Ela fala enquanto estamos paradas em frente a porta. – Eu estaria super entediada assistindo a um musical com meus pais. Claro que não pelo musical, mas pelo dia... Ahhh! Você sabe o que quero dizer. – Ela parece nervosa.

– Eu sei, eu sei, Berry. – Olho para a rua. – Então, posso considerar que eu salvei o seu dia dos namorados? – Desvio o olhar para ela.

– Humm... Vejamos. Você me levou a um jantar maravilhoso. Depois caminhamos e tomamos sorvete. Rimos muito durante a noite. Conversamos mais ainda. Me trouxe em casa. Abriu a porta do carro para mim. – Vejo os olhos dela brilharem enquanto ela relembra cada um desses momentos. – Foi muito divertido hoje. Mas não, você não salvou a noite. Falta uma coisa.

– O que? – Pergunto tentando lembrar o que há de errado.

– Um beijo. – Meu coração acelera mortalmente as batidas. Rachel quer que eu a beije? Olho para ela na esperança de ver algum tom de brincadeira, mas não vejo nada.

– Você fala de beijo na... na... boca? – Consigo falar depois de muito gaguejar. Meus olhos devem estar enormes tamanha a surpresa.

– Sim, claro, Quinn. – Ela me olha expectante. – Você me beijaria? – Estamos tão próximas.

– Você deixaria eu te beijar? – Devolvo a pergunta. Que acontece comigo? É como se eu estivesse tentando fugir disso, mas por que fugir de algo que eu realmente quero?

– Você não vai saber se não tentar, Fabray. – Ela está com um sorriso divertido nos lábios. Falando neles... olho atentamente para os lábios de Rachel e eles me parecem tão macios e gostosos. Porra! Eu realmente quero beijá-la.

Me aproximo dela a segurando pelas mãos. Com a mão direita seguro de um lado do rosto dela e aproveito para acaricia-la com o polegar. Ela inclina levemente a cabeça para o encontro de minha mão. Aproveito e beijo lentamente o rosto dela. Mesmo nossas bocas estando tão próximas, eu desvio o caminho e beijo o nariz dela, no mesmo local onde havia sorvete, em um momento anterior.

Solto a mão dela e agora a seguro pela cintura. Nossos corpos estão muito perto e um calor gostoso se instala entre a gente. Depois de beijar o nariz, subo para os olhos. Beijo cada um deles. Consigo ouvir a respiração alterada de Rachel. Ela está tão nervosa quanto eu. Retiro a minha mão do rosto dela e agora sim estamos frente a frente. Beijo o lado da bochecha que antes estava a minha mão. Isso está sendo torturante. Cada beijo sendo dado de forma demorada de modo a sentir não só o cheiro, mas também o quão macia é a pele dela. Eu a puxo mais para perto. E beijo a cabeça dela. Rachel afunda o rosto em meu pescoço e isso me faz sentir arrepios.

– Boa noite, Rachel. – Seguro uma das mãos dela e beijo delicadamente. – Tenha um bom descanso. – Falo assim que a solto do abraço.

Ela não diz mais nada. Apenas fica parada enquanto eu entro no carro e vou em direção a minha casa. Eu estive muito, muito, muito perto de beijar Rachel Berry. Mas não fiz. Por medo, talvez? Não quero que se um dia, se isso de fato vier a acontecer, seja por conta de um momento de carência dela. Quero que seja especial. Quero que ela realmente deseje me beijar. Mesmo assim, não sinto tanta coragem a ponto de beijá-la e num outro momento caminhar ao lado dela apenas como amiga. Isso não seria certo para mim, não agora, pois já tenho sentimentos por ela e sei que isso não é reciproco.

Meu celular vibra sobre a mesinha de cabeceira. É uma mensagem de Rachel.

– Já está em casa? – R.

– Sim. Cheguei há algum tempo. – Q.

– Você não me avisou. – R.

– Desculpa? Estava distraída demais. – Q.

– Pensando em que? – R.

– Na nossa noite. – Q.

– Seja mais especifica. – R.

– No que teria acontecido se eu tivesse realmente te beijado. – Q.

– Aconteceria mais beijos? – R.

– Como você sabe? – Q.

– É o mais certo a acontecer, caso você não fugisse de mim logo em seguida. – R.

– Eu não fugiria de você. – Q.

– Perdeu sua chance, Fabray. – R.

– Ou apenas a primeira chance. – Q.

– Se você diz...- R

Notas finais
Essa passou bem perto não foi? Me digam o que acharam da Quinn arregona.