Morada

14 Nacionais - Parte 2


Notas iniciais
Não me matem, por favor!

– Rachel... – Não, eu não quero acordar. – Barbra, levante. – Definitivamente, não é a Quinn que está me chamando. Ela não me chamaria assim. Isso me faz abrir os olhos lentamente. Vejo os olhos azuis de Kurt a me encarar enquanto me desperto por completo.

– Oi Kurt. – Passo a mão sobre os meus olhos. – Está muito cedo, não está? – Olho ao redor e constato que todos ainda estão dormindo. Movo-me para ficar sentada sobre a cama, mas os braços de Quinn estão me prendendo pela cintura. Instantaneamente os olhos de Kurt seguem a mesma direção que os meus. Ele volta a olhar para mim e arqueia uma sobrancelha como se pedisse uma explicação para aquilo. Na mesma hora é como se todo o sangue de meu corpo se acumulasse em meu rosto. Sei que estou mais vermelha que o necessário.

– Eu pensei em aproveitarmos a manhã para irmos conhecer a Broadway. Depois ensaiamos uma ultima vez, vamos? – Eu realmente não sei se quero conhecer a Broadway sem a Quinn.

– Posso chamar a Quinn? – Ele direciona os olhos para onde ela está deitada.

– Claro. – Ele sussurra. – Apenas seja rápida, pois precisamos sair antes que todos acordem. – Assinto apenas movimentando a cabeça.

Fecho os olhos e sinto o corpo quente e gostoso de Quinn pressionado em minha costa. Essa sensação é muito boa. E o que foi a noite de ontem? Deus! Nunca imaginei ser possível alcançar o nível de prazer que sentimos, apenas em um amasso. Quinn é tão perfeita. Movo minha mão para tocar a dela. Olho uma ultima vez para os lados e constato que todos ainda dormem, com exceção de Kurt que está no banheiro. Viro de frente para Quinn e enlaço minhas pernas nas dela. Envolvo-a em um abraço e passo a alisar sua costa. Ela suspira. Quinn tem uma aparência tão serena. É como se ela fosse a materialização das princesas daqueles contos de fadas. Linda, nada menos que linda.

Cubro-nos completamente com o cobertor. Não quero que ninguém seja testemunha do que farei. Eu a beijo nos lábios. Um beijo suave, apenas para que ela desperte. Me prendo mais ainda contra o corpo dela.

– Acorde, princesa. – Sussurro contra a pele quente e cheirosa dela. – Quero que você me acompanhe até o meu sonho.

– Hummm. – Ela geme demoradamente, ainda se espertando do sono que a domina. – Está cedo. – A voz rouca de Quinn me causa arrepios normalmente, mas, tendo acabado de acordar, o efeito se multiplica. Adoraria poder repetir muito do que fizemos ontem a noite.

– Vamos, Quinn. – Beijo-a novamente nos lábios. – Quero que você vá comigo e Kurt até a Broadway.

– Eu vou. – Ela movimenta a cabeça tomando a direção de meu pescoço. Deixando um beijo demorado naquele lugar. Sobe os lábios e toma os meus em um beijo super gostoso de bom dia. Quinn tem a língua quente, assim como o resto de seu corpo. Aprofundamos o beijo, enquanto Quinn se posiciona sobre o meu corpo. Isso está ficando quente. Ela movimenta os quadris levemente pressionando nossos centros. Eu nunca imaginei que um amasso logo pela manhã poderia ser tão prazeroso. Posiciono minhas mãos em sua bunda, sob seu short. Eu a impulsiono a se mover mais sobre mim. – Hummm... Rach. – Ela sussurra. Ao mesmo tempo volto a realidade lembrando que não estamos sozinhas no quarto.

– Quinn, precisamos parar. Kurt deve estar para sair do banheiro e alguém pode acordar. – Falo em um tom baixo apenas para ela me escutar.

– Eu não quero parar. – Ela leva a mão até meus seios. Porra! Já estou completamente molhada. Quero a boca dela em mim da mesma forma que ontem.

– Eu também não quero, mas precisamos. – Interrompo o beijo, ainda que com dificuldade. – Vamos, quero passear uma ultima vez com você por Nova York, antes que eu fique completamente nervosa por conta da apresentação. – Eu a envolvo em um abraço mais uma vez, e sinto o delicioso cheiro que ela tem. Quinn leva os lábios até meu rosto e deixa um beijo suave ali.

Puxo a coberta para que eu possa me levantar para ir ao banheiro. Puta que pariu! Não, isso não pode estar acontecendo. Cubro minha boca com a mão. Deus! Tudo, menos isso, poderia acontecer. Quando Quinn sai debaixo da coberta ela se move e provavelmente leva o mesmo susto que eu, pois ela fica estática.

– Caralho! – Ouço-a xingar enquanto temos uma Santana e Brittany sentadas na cama ao lado nos encarando. Kurt está parado na porta do banheiro, com a boca aberta em formato de “oh”. Brittany com uma adorável expressão de quem realmente está feliz com o que acabara de ver, mas Santana... Essa sim me dá medo. Agora entendo perfeitamente de terem a chamado por muito tempo de Satanás. Que porra!

– Bom dia Faberry. – Santana tem aquele sorriso cheio de malicia no rosto que me causa arrepios nada bons. – Vejo que alguém aproveitou de forma adequada nossa estadia em Nova York. Parabéns casal! – Me cubro novamente com o cobertor. Não, eu não quero ter que olha-los por enquanto.

– Saia daí, Berry. Não adianta se esconder porque já vimos mais do que precisávamos ver. – A voz de Kurt soa arrastada.

– E ouvir também, eu ouvi coisas. – Santana completa o constrangimento. Quinn se senta sobre a cama.

– Rach, vá para o banheiro, depois nós conversaremos com eles. – Quinn fala em um tom preocupado para mim.

– É... eu... eu estou indo. – Levanto da cama ainda sem olhar para nenhum deles. Entro no banheiro e rapidamente saio para pegar meus produtos de higiene pessoal. Enfim eu os encaro. Quinn está quieta, ainda sentada na cama, mas, olhando para cada movimento que faço. – Minha toalha... minhas coisas. – Levanto minha pequena maleta para eles verem que voltei ao quarto apenas por isso.

Não sei ao certo o que Quinn conversou com eles, mas sei que algo aconteceu. Santana não faz nenhuma brincadeira quando termino o banho. Kurt também não toca no assunto. Após Quinn ter terminado o banho, caminhamos até uma lanchonete próxima ao hotel para nos alimentarmos com um café da manhã muito bem vindo. Talvez as atividades noturnas que tive com Quinn me fizeram gastar energias demais.

– Você quer conversar? – Kurt pergunta enquanto segura minhas mãos sobre a mesa. Quinn está na fila para pagar por nossos alimentos. Eu o olho sem saber o que realmente falar, mas sei bem sobre o que ele quer ouvir. – Você sabe, sem julgamentos. Sou seu amigo. – Tomo uma boa quantidade de ar. Penso um pouco antes de falar, mas de qualquer forma, ele já sabe que algo está acontecendo entre Quinn e eu, então, por que não falar a verdade?

– Bem... – Me encolho em minha cadeira. – Quinn e eu nos aproximamos de um jeito diferente após a festa. – Ele continua a me olhar com grande expectativa de que eu continue a falar. – Desde então nós... estamos... ficando. – Finalmente termino de falar.

– Isso é surreal, Berry. – Concordo com ele. Eu mesma já pensei dessa forma por várias vezes quando me permito parar para analisar tudo o que vem acontecendo.

– Não foi nada planejado, Kurt. As coisas simplesmente aconteceram e continuam acontecendo, como você viu essa manhã. – Olho para minhas mãos e levo-as até a manga do casaco que eu estou vestida. Kurt desvia o olhar para onde Quinn está.

– O importante é: Você está bem com isso? Está feliz? – Sorrio com o meu melhor sorriso quando me lembro de tudo o que Quinn me faz sentir. Sim, estou sendo muito feliz durante esses dias em que temos estado juntas. – Nem responda, Barbra. Sei que sim. – Quinn se aproxima com nosso desjejum. Ela senta ao meu lado. Beijo-a na bochecha. Pensar no quanto tenho sido feliz com ela me faz querer tê-la sempre mais perto.

– Atrapalho? – Ela pergunta olhando para mim e para Kurt.

– Não, nada que não possa ser conversado em outra hora. Coisas de melhores amigos, você deve saber como funciona. – Kurt pisca para mim arrancando gostosos sorrisos de nós duas.

Caminhamos um pouco até chegarmos a Broadway. O local está fechado ao público por ser cedo demais para qualquer espetáculo. Quinn magicamente consegue a ajuda de um dos seguranças e conseguimos entrar para ver um pouco do ensaio de uma das peças que está em cartaz.

Ver aquelas pessoas contracenando naquele palco me faz confirmar que é isso que eu quero para a minha vida. Não há outro futuro. Broadway será a minha casa, assim como é para esses atores que estão sobre o palco. Quero tanto isso para mim. Sinto o toque de Quinn em meu rosto. Ela arrasta o polegar pelo caminho feito por uma lagrima que eu nem sabia que havia caído. Direciono meu olhar a ela. Percebo que ela está tão emocionada quanto eu, mas por motivos diferentes, pois, ela sabe o quanto isso é importante para mim.

Ela leva uma de minhas mãos a boca, depositando um beijo casto. Quinn é maravilhosa em tudo. Eu sorrio para ela e aproveito para me aconchegar ainda mais a ela. Sinto quando os lábios dela pressionam minha cabeça, deixando uma série de beijos carinhosos por ela. Broadway com Quinn e Kurt, que mais eu poderia querer?

O segurança que havia nos permitido assistir o ensaio por alguns minutos é o mesmo que nos chama avisando que já é hora de nos retirarmos. Sei que não voltarei por aqui tão cedo, mas ainda assim, nós o agradecemos. Sem a bondade dele não teríamos ao menos respirado o ar de dentro do teatro.

– Gostou do passeio? – Estamos de volta ao hotel. É hora de nos concentramos para a competição.

– Perfeito, Quinn. – Sorrio largamente. Abraço-a, segurando-me em seu pescoço. – Obrigada por ter insistido com o segurança. – Sento-me em seu colo.

– Não me agradeça por isso. — Ela encosta a cabeça em meu ombro. – Teria feito o impossível para você entrar lá.

– O quer você falou para ele nos deixar entrar? – Questiono porque sei bem o quanto é difícil que isso aconteça normalmente.

– Ahhh... você sabe, quase ninguém resiste ao charme Fabray. – Ela arqueia as malditas sobrancelhas, lhe deixando com um ar de total convencimento. Eu a belisco no braço com um pouco de força, confesso. – Ei, isso doeu. – Ela passa a mão ligeiramente sobre o local que eu havia acabado de machucar.

– Era para doer mais. Bem mais! – Tiro a mão dela que continuava a percorrer o local em que belisquei. Quinn franze o cenho e fica com os lábios levemente inclinados para baixo, como se fosse chorar. Tão fofa! Olho rapidamente ao redor, ninguém nos olha. Beijo-a na boca em um selinho tão rápido que mal desfrutamos do toque de nossos lábios. – Não brinque assim. Seu charme e tudo em você são apenas meus.

– Eu sou sua então? – Ela me encara. Ops! Caminho complicado.

– Nada oficializado, mas sabemos que sim. – Ela não havia me pedido em namoro. Na verdade nem eu tenho pensado nas coisas caminhando para esse lado. Gosto do clima leve que temos. Temos respeito, desejo, amizade, carinho, paixão... o que mais poderia faltar? Das vezes que namorei, nenhuma se comparou com o que temos hoje, então, para que mudar isso? — A não ser que você prefira não ser.

– Eu prefiro ser. – Ela responde rapidamente e de forma animada. Sorrio para esse lado bobão que ela tem. Quinn tem diversos comportamentos. Alguns que me deixam a beira do orgasmo, outros que me seguram plenamente por ela ser alguém tão confiável, e tem esse lado cheio de fofura, que me faz vê-la como uma bobona.

– Agora... ainda que você não quisesse, você seria minha. – Acaricio o rosto dela mesmo que minha vontade seja de beijá-la. – Você entrou por um caminho sem volta, Fabray. – Alerto-a.

– E quem foi que falou em voltar? – Ela desvia o olhar da janela para olhar para mim. – Com você, sempre adiante, Rachel, sem retrocessos, certo?

– Certíssimo, amor. – Quinn vira completamente o rosto para mim. É como se ela estivesse acabando de ouvir algo impossível. Ela abre a boca para falar algo por diversas vezes, mas nada sai. Beijo-a novamente no rosto e saio de seu colo, deixando uma Quinn completamente abismada, de uma forma positiva, assim espero, para trás.

Depois de alguns minutos de ensaio, fico apreensiva demais. Eu não deveria me sentir assim. Tenho um solo e um dueto com Finn para dar conta. Gosto dessa responsabilidade. Sei que darei conta. Mas, ainda assim sempre acontece o frio no estomago.

Não há como evitar o nervosismo em todos. Após algumas ultimas recomendações do professor e outras palavras de incentivo de alguns do Glee, fazemos nosso famoso grito de guerra e me encaminho para as fileiras de cadeiras próximas ao palco. Olho uma ultima vez para Quinn e ela levanta os polegares fazendo um sinal de positivo com as duas mãos. Ela deseja boa sorte uma ultima vez.

Por que não cantar o que eu mais domino, na cidade dos meus sonhos? Então, “Don’t rain on my parade” sai de meus lábios enquanto caminho pelo palco, enfim, dando como começada a competição para nós do Novas Direções. Apesar do nervosismo, tudo ocorre perfeitamente bem. Eu não falharia no meu ultimo ano, não mesmo. Esse titulo será nosso. Assim que termino de cantar, sinto Finn se aproximar de mim, me abraçando, como o ensaio previa.

Iniciamos nosso dueto. A música em um ritmo mais lento, mais romântico. Enquanto cantamos o restante do grupo se movimenta pelo palco fazendo alguns passos de dança. Como na canção anterior, tudo está transcorrendo bem. Finn tem os olhos fixos em mim, sei que isso faz parte da encenação, pelo ao menos é o que acredito. Caminho uma ultima vez me afastando dele, mas logo em seguida sendo puxada em um abraço que nos deixa frente a frente para contarmos a ultima parte da canção. Os garotos estão parados atrás de mim e Finn, apenas esperando que os sons dos instrumentos finalizem para iniciarmos a ultima música. Assim que terminamos de cantar, olho para Finn ainda seguindo conforme o ensaio. Sinto-o se aproximando. Ele passa um de seus braços por minha cintura, me deixando presa a ele. Ele se inclina e em questão de segundos sinto os lábios dele sobre os meus. Isso não era para acontecer, não fazia parte do ensaio. Que droga!

Apesar de saber que isso não era o combinado, não consigo me desprender dele. Caso os jurados notem que isso não foi algo planejado, podemos pôr em risco nossa vitória. E isso é tudo o que eu menos quero que aconteça. Retribuo o beijo, afinal, há cinco jurados que precisam acreditar que isso se trata de uma encenação.

Abro os meus olhos e encaro-o enquanto ele tem aquele sorriso torto nos lábios. Que bobo! Mal sabe que ele está seriamente encrencado comigo. Quando a música, enfim, se finaliza, vejo, pela visão periférica, Quinn se mover do lugar onde estava. Santana imediatamente coloca a mãos obre os ombros dela, só então ela parece se aquietar.

A ultima música começa. Um som bem mais animado. Dançamos de um lado a outro no palco. Passo ao lado de Quinn e ela desvia o olhar para onde está Brittany. Isso me faz ter a leve sensação de estar sendo ignorada. No momento em que Mercedes dá o melhor de si, cantando as notas mais altas da música, formamos duas filas enquanto Mercedes se posiciona no corredor formado por nós. Quinn para a minha frente. Direciono um leve sorriso para ela. Ela me devolve um olhar gélido. O mesmo que ela me direcionava enquanto nos odiávamos. Isso me dá medo. Mas é o suficiente para eu saber que ela não gostou nem um pouco do que acabou de ver acontecer entre eu e Finn. Porra, acho que estou realmente encrencada.

Com o fim de nossa apresentação, corremos para o camarim. Abraçamo-nos e comemoramos o sucesso que tivemos. Fomos aplaudidos em pé por todos no auditório. Isso significa algo bom, certo? Alguns dos meninos me parabenizam pelo solo.

– Agora digam, capitãs do Glee, aquele beijo fazia mesmo parte da apresentação? – Mercedes pergunta e eu estremeço no mesmo momento. Até agora não tive coragem de me aproximar de Quinn que está em um canto do camarim olhando para todos com uma expressão bem raivosa.

– Vocês sabem... eu e Rachel temos esse clima maravilhoso. Tem coisas que realmente nunca se acabam. – Finn fala enquanto estufa o peito. – Quero aproveitar a oportunidade... – Ele se aproxima de mim e segura em minhas mãos. – Pedir que você me perdoe pelos erros que cometi. Pedir que me perdoe pelas vezes que te magoei. E pedir que você volte a ser minha namorada. – Não, isso não, por favor.

Antes que qualquer resposta saísse de meus lábios, somos chamados para o palco. O resultado começa a ser divulgado. Finn se posiciona atrás de mim, segurando em minhas mãos. Me solto dele e tento me aproximar de onde está Quinn. Quero que ela esteja a meu lado nesse momento. Quando chego perto, Santana se posiciona a minha frente, impedindo que eu chegue até onde está Quinn.

– Dê o fora, Berry. – Ela rosna.

– Mas que quero falar com ela. – Santana me ignora e continua me impedindo de chegar até Quinn.

– Os vencedores das Nacionais são... Novas Direções! – Ouço o apresentador anunciar. No mesmo momento uma alegria imensurável toma conta de mim. É uma parte do meu sonho se realizando. Muitos gritos são dados em comemoração. Isso é algo realmente importante para todos nós. Abraçamo-nos em coletivo, para logo depois nos felicitarmos individualmente.

– Parabéns, Berry. – Quinn para a minha frente. Congelo nesse exato momento. Ela continua com aquele olhar assustador e aquela postura de demolidora. – Parabéns pelas duas conquistas... Parabéns pelas Nacionais e por ter conseguido o seu namorado de volta.

Notas finais
E aí? Já posso encomendar meu caixão? rsrs