Morada

25 Morada


Notas iniciais
Aqui estamos... último capítulo da fic. Ps.: Não esqueçam de ler as notas finais.

– Suas coisas já estão arrumadas? – Seguro a colher pela ponta, fazendo movimentos pendulares com ela.

– Sim. Tudo encaixotado. – Minha voz demonstra meu total desanimo com esse assunto de ir embora. Suspiro pesadamente enquanto levo uma mão a mecha de cabelo que cai sobre meu rosto, colocando-a atrás da orelha.

– Você está bem? – Minha mãe vira de frente para mim, em seguida pega a tigela e colher que eu havia acabado de usar, levando esses objetos até a pia, onde ela começa a lavá-los.

– Sim. – Murmuro. – Estou bem.

– Não acho que você esteja bem. – Olho para ela que permanece de costa para mim enquanto lava a louça. Tanta coisa sendo deixada para trás... Amigos, Rachel, minha mãe e a rotina maravilhosa ao lado dela. Isso tem consumindo todas as minhas forças. Tem consumido toda a alegria que eu sentia por poder ingressar na universidade, ou seja, a alegria por ter alcançado um dos meus sonhos mais altos. – Rachel vai embora amanhã também?

– É... mas, pela tarde. – Me debruço sobre o balcão da cozinha. Escondendo minha cabeça entre meus braços.

– Você não vai mesmo conversar comigo sobre vocês? – Levanto a cabeça rapidamente. O que ela quer dizer com isso?

– Nós... Eu e Rachel? Como assim? – Ela se vira, ficando de frente para mim.

– Não tente me fazer de boba, Quinn. Você sabe, a cidade é pequena... os boatos correm rápido, embora, não é como se eu não percebesse o que há entre vocês. – Fico com a boca levemente aberta, surpresa por isso.

– Eu não quero lhe fazer de boba, mãe. – Passo a mão por meus olhos. – Nunca foi minha intenção lhe fazer de boba, é só que eu não sei como falar sobre isso com a você. – Falo após algum tempo em silêncio, depois de ter procurado pelas palavras que formariam uma sentença que não lhe deixasse magoada comigo, quero dizer, mais do que ela já está.

– Sou sua mãe, Q, mas, sou sua amiga também. Eu não vou julgar como errado o que quer que vocês tenham, apenas me senti desapontada por você não ter vindo conversar comigo. – Jogo a cabeça entre meus braços novamente. Que droga tudo isso!

– Desculpa, mãe. – Levanto a cabeça para poder olhá-la. Tomo uma lufada de ar. – Foi tudo muito rápido... eu não tive a intenção de esconder isso da senhora. Me desculpe. – Ela caminha ao redor do balcão da cozinha, parando a minha frente e abrindo os braços, como quem pede um abraço. Correspondo no mesmo instante, me jogando desengonçada nos braços dela. Sinto sua mão percorrer minha costa incontáveis vezes.

– Antes de criar coragem para iniciar essa conversa com você, eu pensei bastante sobre tudo e agora, não quero explicações sobre como vocês começaram com tudo isso. Claro que quero saber dessas coisas, mas, em outro momento. – Ela me beija na testa. – A verdade é que tem alguns dias que vejo você desanimada com a ida a faculdade, e sei que isso se dá por causa do relacionamento de vocês, estou certa? – Assinto. – Você pretende desistir da faculdade, Quinn?

– Não. – Respondo rapidamente. — Desistir da faculdade não mudaria nada. Ela vai para Nova York de qualquer jeito. – Minha mãe parece pensar sobre isso, provavelmente, ponderando as informações dadas por mim, para poder me dá seu parecer.

– Você não deve continuar assim... triste, desanimada. É seu sonho, Quinn. Ir para Yale é seu sonho. Quanto tempo você gastou pesquisando tudo sobre essa universidade e firmando cada vez mais, na sua cabecinha, que isso é o que você realmente quer? Você foi admitida em Yale, e logo na sua primeira tentativa. Você deveria estar feliz e ansiosa para isso. – Um nó começa a se formar em minha garganta, evidenciando o choro que tenta se fazer presente.

– Mas não consigo me sentir assim, mãe. – Tomo fôlego para não deixar as lágrimas chegarem.

– Vocês já conversaram sobre isso? – Assinto novamente, movimentando a cabeça. – E o que decidiram?

– Não temos respostas para nenhuma de nossas aflições. – Encaro as minhas mãos.

– O que você está fazendo aqui então? Vá a casa dela, filha. Conversem. Estabeleçam coisas que será melhor para as duas. Ajude-a a arrumar as coisas dela enquanto vocês conversam, mas, não ignorem o que estão sentindo por terem que se distanciar. Vocês são inteligente suficiente para decidir o que será melhor. Vá, Quinn! – Ela me empurra animadamente no banco. Coloco-me de pés enquanto minha mãe me da leves empurrões em meu ombro para que eu vá até a porta da sala.

– Não, mãe. – Me desvencilho de suas mãos, parando bruscamente próximo à poltrona branca da sala-de-estar. Ela me encara surpresa por eu me negar a seguir com isso. — Preciso tomar banho antes de ir até lá. — Instantaneamente ela sorri.

– Tudo bem, faça como você achar melhor. Só tenha em mente que eu quero seu bem, quero a sua felicidade. – Eu a abraço mais uma vez. – Agora vá logo! – Subo as escadas correndo, inclusive, me arrisco a dizer que na mesma velocidade que as ideias e a angustia correm por minha mente.

Tomo um banho apressado. É como se a cada segundo perdido, uma chance de resolver a nossa situação fosse desperdiçada. Minha mãe tem razão... é melhor chegar de uma vez a um consenso, não há como seguir viagem para uma nova vida, com coisas inacabadas, com palavras não ditas, com a tristeza imperando no lugar que deveria ser de pura alegria. Não seria justo comigo, não seria justo com Rachel, deixar que o “subentendido” reinasse em nosso namoro.

– Você não me avisou que viria. – Rachel fecha a porta da sala.

– Precisava avisar? – Olho ao redor da sala... tudo está silencioso demais. – Seus pais não estão?

– Não, eles saíram. E não, não precisava avisar. É só que ainda estava arrumando as coisas... você sabe, para levar a Nyada. – Eu a abraço. Em seguida, beijo em seu rosto e boca.

– Vamos lá para cima. – Subimos a escada que leva até o quarto dela. Várias caixas estão em um canto do quarto. É completamente estranho ver a parede vazia, sem os pôsteres da Broadway ou de Barbra. Mais estranho ainda é ver que os porta-retratos não estão mais por aqui, ou a estrela dourada não está pendurada no teto do quarto. Esse quarto parece vazio demais agora.

– Seus quarto não parece ser seu. – Deito-me sobre a cama enquanto ela vai até o Ipod dar play nas músicas.

– Está meio vazio, né? – Rachel se coloca de joelhos sobre a cama, se inclina e me beija nos lábios. O beijo é lento, mas nossas línguas se encontram em meio a movimentos deliciosos, como sempre.

– Está mesmo preparada para isso... para deixar tudo? – Ela me olha nos olhos e beija em minha bochecha.

– Nunca estamos, mas, se não tentarmos... – Rachel se levanta e vai até uma das caixas, começando a guardar os últimos pertences de sua prateleira.

A seleção de músicas com nossas versões cantadas no Clube Glee se inicia. Rachel e eu cantarolamos baixinho algumas, rindo e comentando alguns fatos que aconteceram enquanto algumas das apresentações se sucederam. É incrivelmente saudoso relembrar de alguns desses momentos. “I feel pretty/UnPretty” começa a tocar. Rachel segura a escova de cabelo nas mãos, como se fosse um microfone. Rimos sonoramente. Levanto da cama para acompanha-la, cada uma cantando em suas respectivas partes. Na segunda parte da música eu a tomo pelas mãos, puxando-a para dançar comigo.

– Você é linda, e você sabe disso, certo? – Murmuro em seu ouvido enquanto nos deixamos levar pelo embalo lento da canção. Rachel se detém a fixar a cabeça em meu ombro. Separo-me dela para girá-la, em seguida, puxando-a de volta para mim. Ela sorri. – Eu amo você, Rachel. Amo muito mais do que você possa imaginar. – Beijo seus lábios, uma beijo carinhoso, demorado.

– Eu também amo você, Q. – Continuamos nessa dança cheia de carinhos até que a voz de Santana ecoe pelo quarto cantando “Valerie”. Rachel gargalha quando eu tento imitar a coreografia feita por Brit, especialmente para quando Santana apresentou a música. Ela imita os passos que seriam de Santana. Isso é divertido e ao mesmo tempo cansativo, há muitos movimentos. Me jogo ofegante sobre a cama, assim que a música termina. Rachel senta sobre uma poltrona que fica próxima a janela.

– Santana nos mataria se soubesse que estávamos imitando-as. – Ela fala enquanto tenta recuperar o fôlego.

– Santana não é perigo para ninguém. – Rachel caminha até mim, deixando um breve beijo sobre meus lábios.

– Espere alguns minutos. Vou tomar um banho rapidinho. – Ela caminha para o banheiro enquanto permaneço deitada sobre a cama. Depois de um tempo, vou até o único mural deixado no quarto, algumas fotos ainda permanecem ali. Involuntariamente, uma lágrima percorre meu rosto. Limpo-a rapidamente, mas, na mesma velocidade, outras percorrem o mesmo caminho feito pela primeira. Desço até a cozinha, bebo um pouco de água, volto ao quarto mais calma. Não ter a mínima ideia do futuro que teremos está sendo angustiante.

– Pensei que você tinha ido embora. – Rachel está de frente para o espelho, escovando os cabelos.

– Fui beber um pouco de água. – Ela me encara pelo espelho. Desvio o olhar para que ela não perceba que estive chorando. – Minha mãe sabe sobre nós. – Rachel se vira para me olhar, tentado saber o que mais virá adiante. Seus olhos estão levemente mais abertos, denotando toda a surpresa que ela sente pela informação recebida. – Ela nos apoia.

– Uouu! Isso é bom, não é? – Vejo-a suspirar mais aliviada.

– É, é bom. Muito bom, na verdade. – Ela sorri e volta a encarar seu reflexo no espelho. – Me conte sobre isso.

– Não agora. – Me sento sobre a cama. Cruzo as pernas, apoiando meus cotovelos sobre elas. – Agora precisamos conversar sobre nosso futuro, Rachel. Não podemos continuar fugindo disso.

– Mas já conversamos, na noite após o baile. – Ela continua a pentear os cabelos.

– Não. Naquele dia não chegamos a nenhuma conclusão, você sabe. – Ela deixa a escova de cabelo sobre a cômoda.

– Pensei que teríamos um relacionamento a distância. É o que ficou subentendido, não foi? – Concordo com ela.

– E desde quando você gosta de coisas que ficam subentendidas? – Ela sorri timidamente.

– Não gosto mesmo. – Rachel se senta ao meu lado, na cama.

– Não podemos fugir mais ainda dessa conversa, Rach. – Ela me encara, com seus expressivos olhos castanhos. – Eu não estou feliz com minha ida a Yale. Não estou feliz por ter que ficar longe de você, e sinceramente, tenho certeza que você também não está nada satisfeita com o rumo que as coisas estão tomando. – Rachel encara o chão, mas não diz uma só palavra. – Eu não quero ter que ficar sem você.

– Mas você sabe que não podemos fazer nada sobre isso.

– Eu posso sim. – Ela volta a me olhar. — Posso adiar minha ida ou então tentar ir a Columbia. Isso! Ano que vem tento uma vaga em Columbia, assim ficaremos perto.

– Não, Quinn. Seu sonho é Yale, sempre foi. Não vou privar você de realiza-lo. Ainda que seja para ficarmos juntas.

– Mas, e se eu escolher privilegiar nosso relacionamento ao invés de meu sonho? Eu posso conviver com isso, Rach. – Ela se levanta da cama.

– Não, Quinn, não cogite essa ideia absurda.

– É um absurdo eu querer ficar mais perto de você?

– Não, meu amor. – Ela se aproxima de mim, tomando meu rosto em suas mãos e acariciando as bochechas. — Você sabe que não estou falando disso.

– Explique, então. – Olho desafiadoramente para ela.

– Só estou dizendo que não é justo você abrir mão de algo que você sempre quis, para poder viver em função do nosso relacionamento. Isso não é racional, Quinn.

– E desde quando há racionalidade no amor? – Ela me olha tentando pronunciar palavras que provavelmente não serão encontradas. – Rach, entenda... Eu não planejei amar você...

– Ninguém planeja algo assim, Quinn. – Ela me interrompe.

– O que quero dizer é que eu nunca imaginei amar você, jamais pensei que isso aconteceria um dia. E hoje, eu simplesmente não vejo razão que me prenda a Yale se eu não poderei ter você por perto. Um relacionamento a distância funciona? Sim, claro que funciona. Mas, não para nós duas. E você sabe disso tão bem quanto eu. – Ela se vira para a direção da janela, provavelmente, olhando o movimento da rua, enquanto pensa sobre tudo que digo. – Nós somos dependentes de afeto, Rach. – Caminho até ela, abraçando-a pelas costas. – Desde que começamos a namorar nunca ficamos muito tempo longe uma da outra. Até mesmo quando brigamos, em Nova York, não demorou para que baixássemos a guarda e voltássemos a ficar juntas.

– E o que você sugere, então?

– Que você aceite minha ideia... vou a Nova York com você.

– Não, Quinn. Já disse, esquece isso.

– E você prefere um relacionamento a distância onde nos veremos apenas nos finais de semana ou feriados, onde nos falaremos apenas por telefone o e-mail, onde vai chegar um tempo em que nos sentiremos tão atarefadas que vamos esquecer de ligar uma para a outra no final do dia e quando percebermos já não sentiremos tanta falta assim de estarmos juntas? Ou então quando a distância for tão grande a ponto de permitir outras pessoas ocupando espaços que sejam só nossos? – Sinto o choro se formar. Luto para não externa-lo, ainda que minha garganta implore para liberá-lo. – Eu não suporto a ideia de outra pessoa sendo para você o que hoje eu sou. Por isso, por tudo isso, eu sou capaz sim de abrir mão de Yale para ficar com você.

– Eu entendo o seu ponto, Q. Mas, você seria capaz de me deixar fazer o mesmo para podermos ficar juntas? Você me deixaria abrir mão de Nyada? – Não consigo responder, me detenho ao silêncio, pois eu realmente não permitiria que ela fizesse isso. – Eu sei que você não me deixaria fazer nada disso, por isso, você abrir mão do seu sonho... jamais. Eu não quero isso. – Me sento sobre a cama. Rachel se ajoelha na minha frente. – Já falamos sobre sermos jovens demais para abrirmos mãos do que sempre planejamos para viver em função de um relacionamento, não foi?

– Sim, mas isso foi antes... quando as coisas não eram tão fortes entre a gente.

– Eu sei, Quinn. Mas... não dificulte as coisas.

– Querer ficar perto de você é dificultar as coisas?

– Claro que não. Não deturpe o que eu estou lhe falando. – Rachel se afasta.

– Não estou deturpando nada. Foi você quem veio com a história de que somos jovens demais para vivermos em função do que somos juntas. Você não me ama o suficiente para fazer algo assim? – Encaro-a com tristeza.

– Não seja idiota, Quinn! Que absurdo você falar algo assim. Chega a ser ofensivo. – Rachel passa a mão pelos cabelos. Caminha até mim. – Amor, eu estou tão perdida quanto você. Eu não tenho ideia do por que o destino tenha escolhido nos unir e agora está tentando nos separar. – Olho para ela com espanto. Essa palavra, “Separação”, me causa náuseas. – Sim, Quinn, não deixa de ser separação um relacionamento à distância, afinal, não nos teremos por perto, ainda que Nova York e New Haven sejam relativamente próximas. O que eu sei é que eu amo você e que ter que ficar longe de você me deixa tão mal quanto tem te deixado. – Ela me beija nos lábios. Mas, logo em seguida se levanta, caminha até a janela, encara a rua novamente enquanto um vento gélido entra pelo quarto, bagunçando, ainda que levemente meus cabelos. O silêncio paira no quarto, que junto às caixas empilhadas no canto, tornam o ambiente frio e impessoal.

– O que faremos então? – Uma lágrima percorre meu rosto. Não consigo olhá-la. Rachel permanece em silêncio por alguns minutos.

– Sabe, Q... eu jamais imaginei que poderia sentir algo tão grandioso por alguém, aí nos envolvemos e eu simplesmente descobri um novo sentido para a minha vida. Hoje, ter você por perto é tudo o que me basta. Eu realmente não sei que sentido terá a minha vida depois de hoje, eu não sei como seguir adiante, mas, preciso que você me entenda, às vezes, sacrifícios são necessários. Eu poderia ter mil desculpas para o que estou dizendo, porém, prefiro a verdade... o mesmo amor que nos une é o que nos separa. Por favor, não me odeie por isso... acabou, Quinn. – Minha cabeça dá voltas e mais voltas em espaços aleatórios. É como se essas ultimas palavras estivessem ecoando nos espaços mais obscuros da minha mente. Não reajo de imediato. Digo, não verbalmente, mas, as lágrimas que banham meu rosto denunciam toda a dor que me consome. Rachel se aproxima com o rosto também tomado por lágrimas. Ela busca meu rosto para tocá-lo, mas me afasto.

– Acabou? Você está terminando comigo?

– Não vejo outra alternativa, Quinn. – Rachel se pronuncia entre choro.

– Como assim? Você vê a contradição no que você falou? O amor que nos une é o mesmo que nos separa? Como pode isso, Rachel? – Minha voz está levemente mais alterada. – Você não vê sentido na sua vida sem que eu esteja, mas você terminou comigo?

– Quinn, você precisa me entender.

– Pois então explique porque eu acho que sou burra demais para entender isso da maneira que está. – Novamente ela tenta se aproximar de mim, mas eu a evito. – Não, fique aí. Não chegue mais perto.

– Eu amo você, Quinn. Amo tanto que não sou capaz de deixar você cometer a loucura de abrir mãe de Yale por mim, assim também como concordo com você sobre um relacionamento a distância não funcionar para nós duas. Mas, você precisa entender... antes que as coisas piorem... digo, antes que a gente perca o que construímos, antes que deixemos o amor que sentimos uma pela outra de lado quando o cotidiano da nossa nova vida tomar todo nosso tempo, antes que alguém saía realmente magoado ou se sentindo traída por qualquer motivo, precisamos parar e repensar em tudo, refazer nossos planos, ainda que nos custe uma dor tremenda agora. Prefiro não ter o seu amor por hoje a ter de viver com a certeza de um relacionamento fracasso, por não termos a capacidade de o edificarmos a distância. – Ainda que minha cabeça esteja uma confusão, o pingo de sensatez que me resta, me faz ver a razão no que ela diz. Mas, é algo difícil de aceitar, ainda haja lógica. O nó em minha garganta continua no mesmo lugar, assim como a dor em meu peito, talvez, agora mais forte que antes. As lágrimas continuam a inundar meu rosto. O mesmo ocorre com ela, mas, Rachel está ali, encolhida na poltrona esperando por alguma reação minha, enquanto eu me detenho a permanecer em silêncio.

Percorro cada canto do quarto, mesmo com a visão embaçada. A maciez da cama, o cheiro do travesseiro... Tudo me traz certa lembrança de momentos realmente bons que vivemos diversas vezes aqui. Deito-me sobre a cama, encarando o teto, mas sem realmente me importar com o que vejo. Sinto o colchão afundar. Rachel se deita na mesma posição que eu. Olhamos juntas para o mesmo ponto.

– Você terminou comigo. – Sussurro sofridamente.

– Você pode não me entender agora, mas, um dia você irá, sei disso.

– Acho que entendo. – Murmuro após um tempo. – Mas é complicado aceitar. – Rachel se vira de lado para me olhar.

– Já que você entende, só espero que um dia você possa me perdoar por isso. – O choro corre livremente agora, me deixo levar pela dor que sinto, deixando os soluços tomarem conta de mim. Rachel me abraça forte. Ela se põe sobre mim e eu a agarro firmemente como se minha vida dependesse desse abraço. Nossa dor é igual, sei disso. Nossas lágrimas se confundem. Sinto seus lábios pressionando os meus. Um beijo cheio de paixão é dado. Nossas línguas se entrelaçam como se essa fosse a ultima vez e talvez até seja. – Eu amo você, Quinn. Isso é impossível de se mudar. – Sinto seu corpo vindo para cima do meu. – Faça amor comigo por uma última vez... – Ela continua a me beijar — Me ame como se fosse a nossa primeira vez.

Não é preciso que nada mais seja dito, palavras são inúteis agora. Rachel se afasta apenas para tirar sua roupa, fazendo o mesmo, em seguida, comigo. Ficamos em igualdade... nuas. Despidas não somente de vestimentas, mas de sentimentos que escancaram desejos e prazeres ainda presentes, mas, também, dores tão vivas quanto antes.

Os toques são intensos. É como se eles tratassem de marcar território em cada parte de nossos corpos. É prazeroso tê-la nua, se contorcendo de desejo sobre mim, assim como é dolorido ter a certeza de que essa é a ultima vez que nos teremos assim... tão íntimas. O gozo não demora a chegar. E ele vem insano como em todas as outras vezes, nos tirando de órbita enquanto nossos corpos se deixam levar pelo momento mais carnal e ao mesmo tempo sentimental que temos. Guardarei em minha memória a imagem maravilhosa de Rachel se contorcendo de prazer... uma das melhores coisas já vistas por mim.

– O que vem agora? – Pergunto após vários minutos de silêncio. Dessa vez, não dormimos após o sexo. Rachel está tão acordada quanto eu. Provavelmente repensando tudo o que foi dito até aqui.

– Eu não sei, Quinn. Apenas fique um pouco mais, por favor. – Me deixo levar por seu carinho em minha nuca e seus beijos suaves em minha boca, em meu rosto, em meus olhos. Ficamos nessa troca de carinhos sem fins até a alta madrugada, ninguém se rende ao sono, talvez por medo de perder qualquer segundo desses últimos que nos restam juntas. — Eu amo você. – Ela murmura enquanto sua boca percorre preguiçosamente meu ombro. – Eu não sei como será quando estivermos distantes, mas, você precisa saber que todo o amor que tenho por você, continuará aqui... em mim. E não ouse pensar que falo besteiras, que não sei sobre o futuro para poder afirmar algo assim, porque eu sei, Quinn. – Deixo-a continuar, Rachel tem os olhos levemente lacrimejados. – Vai ter o momento de uma saudade angustiante, mas, logo superaremos. Você vai se relacionar com outras pessoas, vai estar assim, como está agora, mas nos braços de outro alguém, provavelmente eu farei o mesmo com o tempo, mas, o amor, ele estará presente sempre que lembrarmos uma da outra. É dolorido falar sobre isso agora? Sim, claro que é. Mas, é um fato que não há de ser negado. O ponto é: Poderemos percorrer caminhos diversos, mas no fim, sei que estaremos sempre juntas, porque tem um amor que nos une... o destino não no uniu por mero acaso.

– Eu realmente espero que seja assim como você diz, Rach. Pois, ainda que você tenha terminado tudo... eu não me imagino em um futuro sem você para compartilhar cada momento de minha vida.

– É disso que falo, Q, digo, é desse mesmo amor que falo. O amor que permanecerá em nós, ainda que inúmeras coisas aconteçam para nos distanciar mais ainda, ele continuará ali... em um cantinho, escondido. Por vezes, poderemos acreditar até mesmo que ele já não existe, mas, ele estará lá... guardado, pronto para ser puxado de volta para uma realidade em que estejamos em sincronia e prontas para desfrutarmos de um futuro juntas, onde estaremos presentes em cada segundo de nossos dias, e ele estará assim... esperando por uma chance para ressurgir, porque ele, o amor, já fez morada.

Notas finais
Vamos aos pontos... Sei que muitos, provavelmente, vão me xingar e tecer centenas de ameaças, mas, percebam em momento algum eu prometi Faberry EndGame. Quando escrevi a fic, eu já tinha em mente mantê-las separadas. Mas aí é que vem o ponto alto da história... se vocês perceberam, sempre brinquei com coisas que envolva o destino e se entenderam esse final, é fácil perceber que muita coisa pode acontecer, então, por que não uma possível continuação para a fic? Planejo postar um epílogo para a fic e não pretendo demorar a fazer isso, portanto, aguardem, tem mais coisas por aqui. Sem mais, aguardo os comentários.