Morada

26 Epílogo


Notas iniciais
Gente, no último capítulo escrevi que postaria um prólogo, mas me enganei ou confundi na escrita, pois, na verdade, era esse epílogo. Portante, desfrutem!

– Quinn Fabray... – Ela me olha de cima a baixo, lançando olhares maliciosos ao extremo. Há algum tempo, eu ficaria super constrangida com isso.

– Santana Lopes. – Diminuo a distância que há entre nós duas e a puxo para um abraço, de início calmo, mas, logo tomando força, como forma de externar a saudade que sentimos uma da outra. – Senti sua falta.

– Disso eu já sabia, Q. – Velhos hábitos dificilmente mudam... Santana continua a mesma pessoa soberba que sempre foi. – Senti sua falta também.

– Me largue agora, deixe eu olhar para essa sua cara de vadia. – Nos separamos. Rio timidamente. – Como pode alguém em sã consciência entrega um caso mega importante em suas mãos? Será que eles não veem a vaca que há por trás dessa cara de boa-moça-vim-do-interior-e-venci-na-vida?

– Sabe que eu te amo, ainda que você continue sendo a mesma estúpida de sempre, não é? – Ela ri, assim como eu. – Vamos, sente aqui... não tenho o dia todo. – Puxo a cadeira para que ela sente-se ao meu lado. Uma garçonete vem e anota nossos pedidos. – Então, me diga, como vai a vida?

– Ei, você não está em um interrogatório. Deixe de pressa e as coisas fluirão...

A conversa se estende por mais tempo que eu planejava. No meio de tudo, consigo assimilar que era disso que eu vinha sentindo falta... minha amiga, meus velhos e amados amigos. Estar em Nova York é entre tantas coisas, a oportunidade de voltar a encontra-los, já que as responsabilidades da vida adulta tem nos distanciado.

Entre muita conversa e gargalhadas, descubro que cada um seguiu seu caminho e conseguiu realizar aquilo que desejava. Isso é bom. Muito bom, na verdade. Assim percebemos que tivemos determinação suficiente para seguir persistindo por aquilo que desejávamos.

Hoje, eu, advogada renomada em New Haven, tentando deixar meu nome tão conhecido em Nova York, quanto é por lá. Santana, também advogada, caminhando para construir uma carreira promissora entre os milhares de advogados dessas ruas movimentas daqui. Quem sabe uma parceria possa surgir daí, não é mesmo?

– Então, Fabray, me conte qual o verdadeiro motivo da sua vinda aqui, ou melhor, me conte o porquê dessa tarde perdida em meio a tanta conversa? – Eu a olho com a melhor cara de ofendida que alguém poderia fazer.

– Eu não posso querer matar um pouco da saudade de você?

– Ahhh... qual é? Você viveu tempo demais em New Haven sem se preocupar com a vida que eu ou alguma das meninas levava aqui, aí do nada, você aparece querendo apenas saber se está tudo bem? Se era apenas isso poderia ter me mandado um e-mail. – Uou!!! Isso foi ofensivo.

– Espere um pouco... eu apenas não tinha como estar sempre por aqui, você sabe perfeitamente o quando é desgastante a carreira que optamos seguir.

– Eu sei, só estava testando meu poder de perturbação... ele continua perfeito. – Santan ri convencida.

– Pensei que depois desses seis anos você seria menos idiota. – Uma música com batidas suaves invade os alto falantes da lanchonete em que estamos. E eu a conheço. Conheço-a perfeitamente. Assim como conheço a pessoa que a canta... Rachel. Santana também ouve. Vejo daqui sua mandíbula tencionando enquanto ela desvia o olhar para a rua.

– Ela conseguiu o que sempre quis, não foi? – Meus olhos instantaneamente lacrimejam. – Ela alcançou todos os sonhos. – Passo minhas mãos diretamente em meus olhos, sem esconder de Santana a emoção que me domina nesse momento.

– Não todos...

_______________________

Sinceramente? Acho que já estourei o limite de bebida consumida por hoje e pelos próximos anos. Meu celular vibra. Puxo-o do bolso da minha calça. É Sarah. Penso várias vezes antes de atender, mas ela insiste.

– Oi... – Falo alto para que ela me escute. Caminho para a sacada do apartamento de Santana para deixar o som menos alto.- Aguarde só um instante. – Fecho as portas de vidros, deixando com que os únicos sons sejam os de nossas vozes e dos carros que passam a muitos metros a baixo.

– Oi, meu amor. – Ouvindo essa vez melodiosa e levemente rouca, percebo o quanto sinto falta dela. Sorrio. – Como você está?

– Estou em pé, com uma garrafa de cerveja nas mãos, olhando para as ruas movimentadas de Nova York e falando com a minha namorada por telefone. – Ouço sua gargalhada no telefone.

– Não seja boba... Quero saber se você está bem.

– Eu sei. Mas, sim, estou bem e levemente embriagada.

– Disso eu já sabia.

– Que eu estou bem ou que estou porre?

– Que você está porre. Conheço você, Quinn.

– Dois anos, não é? Como não conhecer?

– Dois anos. – Ela sussurra no telefone. – Como está tudo por aí?

– Tudo tranquilo. Estou na casa da Santana, comemorando alguma coisa que nem sei te dizer o que é com meus velhos amigos.

– Todos os velhos amigos? – Sua voz muda de tom, ganhando um ar de seriedade. Sei a que ela se refere. Direciono meu olhar para onde Rachel está, no colo de uma outra morena, se deixando ser acariciada por ela.

– Sim, todos. – Ouço um suspiro pesado do outro lado da linha. – Não precisa se preocupar, certo?

– Certo.

– Você está bem?

– Estou. Mas, estou com saudade. – Ela diz manhosa. Deixo de olhar para Rachel assim que seus olhos encontram os meus.

– Sinto sua falta também. – Digo isso, mas, sem ao menos saber se me referia a ela, Sarah, ou ao turbilhão de sentimentos que me invadiu quando me permiti trocar olhares por alguns segundos com Rachel. Eu não deveria sentir isso, não depois de tanto tempo.

Desligo o telefone e permaneço tomando vento por mais alguns minutos. Aproveito para refletir sobre os últimos acontecimentos... mudança para Nova York, revendo velhos amigos, deixando outros para trás, reencontrando meu antigo amor e deixando uma vida para trás.

– Fabray! Que você faz aí fora? Traga sua bunda branca aqui porque vamos jogar. – Santana me arrasta pelo braço para que eu me junte a outros na sala. Me acomodo ao lado de Brittany. – Jogo da garrafa! – Ela grita e no mesmo instante um redemoinho de lembranças me atinge em cheio.... não isso não pode acontecer de novo. Viro de uma vez o liquido da garrafa em minha boca. Chacoalho a cabeça quando sinto a bebida descer gelada por minha garganta. Provavelmente meu nível de embriaguez aumentará consideravelmente.

Rápido todos se acomodam formando em um circulo. Santana roda a garrada. Apesar da maioria de nós estar em um relacionamento sério com alguém, todos brincam sem se importar com os desafios propostos, afinal, somos todos amigos e nada mais que isso, não é mesmo?

Entre várias rodadas de vodka pura e vários desafios e verdades propostos, eu e Rachel trocamos alguns olhares. A pessoa que a acompanha, provavelmente muito alheia a tudo o que acontece por aqui, não se importa ou parece não se importar com os olhares intimidadores e sexys que Rachel direciona a mim. Sexy? Eu disse sexy? Oh, porra!

– Quinn, é sua vez. – Brittany gira a garrafa para mim e pela cara que Santana faz, posso jurar que ela armou alguma coisa quando a garrafa para apontada para Rachel. “Eu mato você”, é o que sibilo para ela. Em resposta, ela me dá um sorriso puramente angelical que enganaria qualquer pessoa facilmente, mas, não a mim.

Tomo de uma só golada a vodka de meu copo. Isso vai ser quente. Coloco-me de joelhos em meio a roda de gente. Rachel se aproxima. Nossos olhos não se desconectam. Meu coração acelera consideravelmente as batidas cada vez que a vejo chegar mais perto. Piora quando seu cheiro invade meus sentidos assim como as lembranças dos vários momentos em que a tive assim, tão perto.

Seguro em sua mão a trazendo para mim. Sua pele continua tão suave e macia quanto antes. Nossos corpos estão perto, muito perto. Levo uma de minhas mãos a seu rosto. Ela suspira pesadamente. Fecho meus olhos quando aproximo minha boca da sua. Arrasto levemente meus lábios pelos dela. Mas, antes de tocá-las por completo, como em um momento passado, abro os olhos e sussurro...

– Rachel Berry, vou abalar seu mundo.

Notas finais
Uma das minhas leitoras (E futura companheira de escrita para uma nova fic) escreveu uma resenha sobre essa fic. Para quem tem interesse, segue o link: http://nabordadocaderno.blogspot.com.br/2015/07/resenha-morada.html Aí agora sim a história chega ao fim. Comentários?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!