Morada
10 Jogo da garrafa - Parte 2
Notas iniciais
Que eu nunca concordei com a ideia de Rachel dar uma festa, nunca foi segredo para ninguém. Mas o que as pessoas não entendem é que eu me importo tanto com ela que sei bem o caminho que ela não deve seguir, até mesmo quando for para explorar coisas que podem influenciar na forma como ela irá compor uma música ou como ela atuará.
Rachel é talentosa desde que nasceu. Isso é algo que também não é segredo para ninguém. O problema é que às vezes, ou na maioria das vezes, por conta dos ataques de diva que ela tem, nos aborrecemos e deixamos de olhar para o talento dela.
Mas, voltando à história da festa... Essa ideia de festa teve influência de um dos caras mais bobões da escola, Finn. Para piorar, a mesma festa também conta a ajuda de um dos maiores pilantras que já conheci em toda a minha vida, Noah Puckman. Rachel teima em ouvir o que eles têm a dizer. Mesmo sabendo que acatar o que Finn diz é loucura. Loucura que fica pior quando Puck se envolve no mesmo assunto.
Agora estamos aqui, no meio de uma festa, diga-se de passagem, apesar da minha relutância em concordar com tudo isso, a festa está muito boa. Puck realmente leva jeito para organizar esses eventos. Preciso dizer que todos estão embriagados? Talvez o álcool já esteja fazendo efeito até mesmo em mim.
– Jogo da garrafa! – Ouço alguém gritar e instantaneamente todos aplaudem e começam a pular como se isso fosse a coisa mais legal do mundo. Talvez eu esteja bem rabugenta, mas não consigo aceitar beijar qualquer pessoa, ainda mais uma que é determinada por uma garrafa. Por que estou falando isso mesmo? Acho que eu sou do tipo que quando está porre começa a filosofar, só pode.
Eu sinceramente prefiro continuar a dançar com Rachel a ter que me sentar ao redor da garrafa para sair beijando qualquer um. Aquela dança de ainda pouco estava... ousada demais? Foi impossível não levar as coisas para um nível assim depois que senti a língua de Rachel percorrendo minha barriga. Só de relembrar esse momento sinto contrações em meu ventre novamente.
Nos sentamos ao redor da garrafa. A música continua, assim como as bebidas. Mas agora a diversão começa de fato para alguns e desespero de outros, como eu por exemplo. Regra do jogo: uma verdade e uma consequência para cada participante. O jogo começa.
– Britt, verdade que você e Santana já ficaram mais de uma vez? Não falo apenas de beijos e amassos, isso é verdade? — Brittany é a primeira a ser questionada. Mercedes tem a coragem de perguntar o que todos querem ter certeza, mas ninguém perguntava por terem medo do que Santana faria.
– Santana não gosta que eu fale sobre isso porque ela tem medo do que os outros podem falar, mas é verdade. Só que agora estou com Artie e ela com Sam e por isso damos apenas alguns beijinhos porque beijar não é traição, não é Sant? – Brittany olha expectante para Santana que está olhando furiosa para Mercedes.
Ok... se as perguntas continuarem desse jeito alguém não sairá vivo daqui. Santana nem se dá ao trabalho de responder, apenas passa a garrafa para Tina, na tentativa de que o assunto mude o quanto antes. A garrafa para apontada para Kurt.
– Você já superou a paixão que você nutria pelo seu irmão? – Porra! Isso não se faz nem com o inimigo. Kurt está tão branco quanto uma vela. É como se todo o sangue dele tivesse sumido de seu próprio corpo.
Algumas rodadas depois e a garrafa gira apontando para mim. O problema: Santana é quem deverá fazer a pergunta. Merda! Coisa boa não vai sair daí.
– Vejamos, Quinn Fabray... – sinto meu rosto incendiar e meu coração está acelerado, sei bem que Santana não pegará leve. – Você que nunca foi amiga da Hobbit, mas que agora vive de sorrisinhos e segredinhos. Dizem na escola que vocês têm até passado algum tempo juntas na sua casa ou na dela, porque se ver na escola não está sendo suficiente. Eu e o todo o Glee queremos saber se já poderemos considerar Faberry o mais novo casal da escola, diga Quinn, podemos? – Eu definitivamente estava sem ar, como Santana pode fazer isso? Droga!
– Cla... claro que não se trata de sermos um casal. Somos amigas, apenas isso e nada mais que isso. – Tento parecer o mais convincente possível. Mas Santana está me olhando dessa forma tão cínica que minha mão coça para se chocar contra essas bochechas rosadas que ela tem.
– Apenas porque Quinn não é tão mente aberta quanto você, Santana. – Que diabo está dando na Rachel hoje? Que porcaria de bebida! Isso só pode ser o álcool.
– Conte mais sobre isso, Rachel. – Santana a instiga a continuar.
– Numa outra rodada, Santana. – Dou a garrafa para Mike girar de forma apressada. Não quero que esse assunto continue, não enquanto Rachel estiver nesse estado que poderá falar coisas que só irão aguçar a curiosidade de Santana e seja lá quem mais se interessar por esse assunto.
Enquanto o jogo continua não consigo deixar de pensar que Rachel utilizou de todos os artifícios para me tirar do eixo hoje. Esse jeito de me chamar de “Girlfriend” só intensifica tudo o que tenho sentido por ela. Sem falar que nossos corpos juntos, quando assistimos a filmes, me faz ter alucinações e querer tê-la cada centímetro mais perto e às vezes dentro de mim. Porra! Eu era do clube do Celibato. O que há comigo agora?
Como se não bastasse... sentir a língua dela passeando pela minha barriga me fez contorcer cada parte do meu corpo e sei bem que ela notou, afinal, ela estava com a boca passeando por uma parte do meu corpo bem sensível. Sem falar em certa parte mais abaixo da barriga que se contraiu instantaneamente. Isso sim é ficar excitada!
Saindo dos meus devaneios, agora percebo que a brincadeira já está no nível que as coisas realmente esquentam, mas só me dou conta disso quando vejo Sam beijando Brittany, enquanto Santana pronuncia alguma coisa que tenho certeza que são xingamentos. Todos riem enquanto o beijo deles acontece.
– Já vou avisando, essa boca de truta é minha. – Santana avisa para Brit. É estranho saber que elas têm sentimentos fortes uma pela outra, mas conseguem ficar com outras pessoas. O beijo dos dois continua de um jeito forte e ousado. Todos continuam gritando coisas de incentivo para que eles continuem e é impossível não rir disso.
Na vez de Finn, a garrafa cai apontada para Santana e eu mal posso esperar para ver o desenrolar disso. Santana está com aquela expressão furiosa no rosto. Ela consegue ser mais atrevida que o normal, quando está porre. Que Finn cuide das bolas dele, pois sei que se ele fizer alguma gracinha com ela, ela não hesitará em chutá-lo bem naquelas partes.
– Finnútil, você não consegue nem ao menos girar uma garrafa sem gerar ódio em mim? – Ela o encara. Finn está com aquela cara bobona. – Vamos com isso, Finn. Já te beijei uma vez e sei bem o quanto foi ruim. Até hoje não sei o que a Berry viu em você. – Rachel encolhe os ombros.
Vejo Finn fechar os olhos e fazer um biquinho. Santana está com cara de nojo. Deus, eu adoro Santana, às vezes, apenas às vezes. Eles encostam a boca, mas o beijo não dura nem dois minutos. Logo eles se separam. Santana vira um bom gole da bebida que estava ao lado dela, talvez na tentativa de esquecer o gosto do beijo de Finn.
– A festa é minha, portanto, é a minha vez! – Berry anuncia assim que Santana e Finn saem do meio da roda. De imediato fecho meus olhos. Não quero nem pensar em quem Rachel vai beijar, muito menos quero ver o beijo acontecer.
– FABRAY!!! – É o que ouço todos gritando repetidas vezes. Só então me dou conta que a garrafa está apontando para mim. Droga! Isso não está certo. Não mesmo. Santana deve ter manipulado essa garrafa.
Sinto o sangue quente correr por todas as veias de meu corpo. Estou em brasa por dentro, meu rosto é que denuncia esse meu estado de euforia. Vou mesmo beijar Rachel Berry! Olho para ela e a vejo se aproximando de mim. Ela dá gritinhos de surpresa assim como os outros, mas então ela sorri para mim. Como quem diz “Relaxa, Quinn, vai ficar tudo bem”.
Depois de todas aquelas insinuações entre a gente ou mesmo daquele quase beijo no dia dos namorados, vou mesmo beijar Rachel por conta de uma brincadeira de gente porre? Isso não era para ser assim, não mesmo. Eu sempre desejei beijá-la, mas não dessa forma, não quando nós duas estamos sob o efeito de álcool.
– Isso é incrível e está ficando maravilhoso! – Desvio minha atenção para Kurt. Não entendo porque ele acharia um beijo meu e de Rachel incrível. Santana já está com os olhos vidrados, como se não quisesse perder nenhum movimento.
– Quinn Fabray, vou abalar seu mundo. – É o que Rachel diz antes de aproximar o rosto do meu, para então encostar nossos lábios em forma de selinho. Em forma de vários selinhos seguidos. Não vejo a expressão facial dos outros, pois estou de olhos fechados, mas sei que eles se calaram ou então o meu mundo que parou ao sentir os lábios de Rachel em contato com os meus.
Então sinto ela afastar o rosto do meu, mas ainda assim estamos perto. Ainda consigo sentir o toque dos lábios dela nos meus, mesmo que isso tenha sido por um breve momento. Abro os olhos e a vejo sorrindo. Sorrio também. Aquilo foi... divertido? Mas, muito rápido.
Ouço gritos dizendo “Mais fundo” ou então “Mais, mais, mais”. Nesse preciso momento Rachel se aproxima novamente e encosta os lábios no canto de minha boca. Isso faz meu coração acelerar as batidas novamente.
Rachel continua com os lábios parados no canto de minha boca. Sinto ela aspirar o cheiro de meu rosto. Ela desliza levemente os lábios para perto de meu lábio inferior, mas ainda assim, não encosta completamente nele. Ela leva a boca até meu queixo e o beija de forma demorada e delicada. Minha respiração está tão alterada! Quando ela separa os lábios de meu queixo, sinto a testa dela encostar em minha bochecha. É como se ela estivesse pensando bem antes de enfim me beijar da forma como é determinada pelo jogo. Isso está sendo torturante.
Rachel levanta a cabeça e a inclina para o lado direito. Nossos olhares se encontram por um breve instante, mas é o tempo suficiente para que eu saiba que ela está consciente do que está fazendo. Não há nenhum efeito de álcool nesse momento, instantaneamente fico mais tranquila. Ela pressiona os lábios contra meu rosto novamente. Tudo está silencioso, na verdade, o único som audível para mim e para Rachel, com toda certeza, são as nossas pulsações aceleradas.
Rachel movimenta a cabeça como se fosse beijar o outro lado de minha bochecha, mas no curto caminho, os lábios dela se arrastam sobre os meus. Isso gera uma corrente elétrica que eu jamais imaginei sentir por um simples toque. Quando os lábios dela pressionam minha bochecha, eu comprimo meus lábios, pois agora tudo o que eu quero é beijá-la da forma mais alucinada possível.
Ela inclina a cabeça novamente e sinto a respiração dela sobre a minha boca, para logo depois, enfim, sentir a leve pressão dos lábios dela contra os meus. Dessa vez consigo sentir o quão macia é a boca dela. Ela beija meu lábio inferior demoradamente e depois o superior. Faz um pouco mais de pressão sobre minha boca e sinto que é como se ela pedisse para intensificar o beijo. Abro um pouco meus lábios, só então ela encaixa a boca na minha.
Nossos lábios combinam perfeitamente. Sinto a língua dela pedindo passagem e procurando pela minha, até que se encontram e se acariciam tornando o beijo mais molhado, mais saboroso, mais intenso. Coloco minha mão na nuca de Rachel, sinto o corpo dela mais próximo ao meu.
Sinto que as vozes de nossos amigos estão mais baixas. Sinto também o gosto da vodka na boca de Rachel, mas ainda assim, consigo identificar o sabor do beijo dela, não há como negar que ela tem um gosto maravilhoso. Agora meu corpo está grudado ao dela. Uma das mãos dela está apertando minha cintura enquanto a outra está puxando meu ombro, como se me quisesse mais perto. Nossas línguas continuam nesse jogo maravilhoso de explorar a boca uma da outra como se quisessem desvendar todos os sabores presentes no beijo e não consigo deixar de pensar no quanto é maravilhoso aquele beijo.
– Ok... Acho que já chega. – Ouço Kurt falar, ao mesmo tempo, me dou conta de que aquele beijo está se tornando ousado para aquele momento.
Resolvo cortar os movimentos de nossas bocas. Mas não nos separamos. Rachel ainda está com os lábios pressionando os meus. Como se não quiséssemos que aquele beijo chegasse ao fim. Eu realmente não quero. Nos separamos de forma lenta, mas ela ainda me segura pela cintura.
Abro os olhos lentamente e vejo que Rachel também me olha. Olho para a boca dela mais uma vez e, instantaneamente, nos aproximamos e uma ultima seção de selinhos acontece. Ela prende meu lábio inferior levemente entre os dela, sinto que é como se fosse uma ultima tentativa de guarda todo o gosto daquele ultimo toque de nossas bocas. Meu coração está super acelerado, minha pulsação está além do normal.
Não posso negar que não foi apenas um beijo para mim, teve sentimento. Sentimentos grandes. Falo sobre paixão e todo o desejo reprimido durante esses últimos meses. Sinto os olhos marrons dela me observando como se quisessem me decifrar. Nossos amigos ainda estão calados, apreensivos e curiosos para saber o que viria a seguir, assim como eu também estava.
– Seu beijo tem um gosto muito bom. – Ela fala baixo. Sinto o hálito dela bater em meu rosto. Acho que ninguém mais ouviu isso. – Finn... – Ela vira para onde ele está sentado. — Agora entendi o que você disse sobre fogos de artifícios. – Ela grita para Finn que só depois percebo está com uma cara de bobão, afinal, deve ser estranho ver suas duas ex-namoradas se pegando numa festa.
– Isso foi loucura! Cadê o beijo técnico, Srta. Broadway? – Mercedes fala enquanto os outros riem por conta do que havia acontecido.
Antes que Rachel responda a garrafa é girada novamente, dessa vez, por Tina. Então a vejo se beijando com Artie. Não é estranha essa cena, afinal eles já namoraram antes. Direciono meu olhar para o canto da sala. Lá está Rachel enchendo mais uma vez o copo de bebida. Nos olhamos por alguns segundos. Noto um tímido sorriso quase se formando em sua linda e gostosa boca. Ela se aproxima, abre um lugar na roda em que estávamos e senta ao meu lado. Noto que ela dobra os joelhos contra o corpo e os envolve com os braços. Meu braço esquerdo contorna as costas dela e faço um carinho de leve. Ela se aproxima mais de mim, até encostar a cabeça em meu ombro, como se estivéssemos assistindo filme.
– Está tudo bem? – pergunto ao notar o olhar meio perdido que ela direciona os nossos colegas.
– Sim, tudo perfeitamente bem. – Ela fala enquanto me olha diretamente nos olhos. Sei bem que os olhos de Rachel são super expressivos e por isso me contento com essa resposta. Eu saberia se algo não estivesse bem apenas a olhando.
Continuamos nessa posição até que o jogo termina. Alguns resolvem cantar no palco do Oscar da família Berry. Blaine chama Rachel para um dueto. Ela parece não querer levantar de onde está, mas acaba aceitando.
Eles iniciam a apresentação que por sinal está mega divertida. Alguns dançam outros apenas continuam a pegação intensificada pelo jogo da garrafa, enquanto eu continuo no mesmo lugar, observando o quanto Rachel é talentosa. Mesmo estando sob efeito de álcool ela canta maravilhosamente bem.
– Limpa bem aqui, Fabray. – Santana aponta para meu peito. Olho para onde acabou de apontar e não vejo nada. – Sua baba continua escorrendo e vai manchar sua roupa. – Eu definitivamente odeio Santana.
– Você precisa aprender a respeitar as pessoas, Santana. As coisas não são como você pensa que são. – Repreendo a atitude dela.
– Não são? Posso considerar então que você detestou beijar a Berry, então? – Ela sabe perfeitamente aonde quer chegar e isso me mata, pois sei que no final, ela sempre descobrirá a verdade.
– Não se trata de ter detestado. Ela é minha amiga, por isso não se trata de não gostar. – Respondo como se fosse lógica a minha resposta.
– Você está me dizendo que por Rachel ser sua amiga você não tem como não gostar do beijo dela? – Ela continua a me encarar. — Por Deus, você sabe que gostou, assim como sabe também que está caidinha por ela. Qual é Fabray? Não venha me dizer que você não gosta da Hobbit de um jeito que vai além da amizade. – Ela solta tudo isso em um tom mais alterado.
– Santana, fale baixo. – A agonia já toma conta de mim. Sei que Santana já sabe de meus verdadeiros sentimentos por Rachel, mas se foi difícil admitir isso para mim mesma que dirá para Sant.
– Eu não vou te pressionar, mas saiba que sou sua amiga. Eu jamais falaria para alguém sobre seus segredos, inclusive seu amor pela Berry. – Desvio meu olhar para onde Rachel está. — Você vai precisar de alguém para conversar e estarei esperando por esse dia. Até lá... só não faça besteiras. – Meu coração está apertando. Uma dor em meu peito causa um desconforto enorme. Um nó se forma em minha garganta.
– Eu estou perdidamente apaixonada por ela, Sant. – Pronuncio um tom quase mudo, para que apenas Santana ouça. Ela me olha ao mesmo tempo em que me puxa para um abraço. Uma lágrima escorre por meu rosto. Escondo minha cabeça no pescoço dela, não quero que ninguém me veja assim.
– Vai ficar tudo bem, Quinn. Acredite. Você não precisa falar nada agora. Quando estiver preparada ainda estarei aqui para te ouvir. – Ela passa a mão por minhas costas. Olho para ela enquanto ela limpa o caminho deixado por lágrimas no meu rosto. Recebo um beijo na cabeça em forma de carinho.
Vou até o banheiro limpar meu rosto e volto para a sala quando já me recompus. Aos poucos os garotos vão indo embora, acredito que por conta do cansaço. Nunca ninguém do Glee havia se divertido tanto assim, alguns deles, como Rachel e Kurt sequer haviam bebido. Eles devem estar esgotados.
– Que você está fazendo, Fabray? – Ela pergunta quando me vê limpando a mesa em que havia uns restos de comida e bebida.
– Estou te ajudando com a limpeza da casa. – Respondo enquanto junto vários copos para jogá-los no lixo.
– Não seja boba, vamos dormir, deixa isso para amanhã. Noah disse que vem nos ajudar, então não se preocupe com isso. – Ela me puxa pelas mãos, como um convite para ir até o quarto dela.
– Eu preciso ir para casa, Rachel. Eu não avisei a minha mãe que eu iria ficar aqui. – Passo as mãos por meu vestido, como se eles precisassem ser desamassados.
– Não seja por isso, vamos, ligue para ela ou mande uma mensagem. Você não vai a lugar algum agora, Quinn. – Ela fala e o máximo que faço é arquear uma sobrancelha para aquilo que eu havia acabado de escutar. Quanto atrevimento para uma pessoa daquele tamanho.
– Não vou? Você pensa que manda em mim, Berry? – Estou próximo ao primeiro degrau da escada enquanto ela continua indo em direção ao quarto.
– Se eu fosse você, não demoraria a subir. Você sabe, estou cansada, Quinn. — Fico parada absorvendo o quanto Rachel é atrevida. Decido ir até a porta da frente e fecho a casa. E só depois de constatar que está tudo devidamente fechado é que subo as escadas me encaminhando para o quarto de Rachel.
– Vamos Quinn, vá logo para o banheiro fazer sua higiene. Não demore a vim deitar. Estou ficando com muito sono. – Ela boceja assim que termina a frase.
O mais incrível sobre esse jeito completamente dominante de Rachel é que eu acabo acatando as coisas que ela determina. Os papeis estão completamente invertidos se forem comparados com o estilo de vida que levávamos há um tempo.
Depois de algum tempo no banheiro. Visto uma roupa de Rachel que ficam bem justas ao meu corpo, pois ela é bem menor que eu. Rachel é menor que qualquer pessoa, na verdade. Apago as luzes do quarto e vou deito na cama aos poucos.
– Quinn, estou com tanto sono, acho que é culpa do álcool. Deite de uma vez. – Ela pronuncia de forma lenta.
– Durma. Eu já estou aqui. – Sinto ela se aconchegar em meu corpo. O cheiro dos cabelos dela invadindo cada espaço de minha cabeça e a pele macia tocando a minha, me deixa louca. Mas antes de qualquer estado de euforia, noto os traços de Rachel ganhando um ar sereno, de alguém que está se rendendo ao sono. Linda... Rachel é completamente linda.
– Quinn, beijar você foi a melhor parte da noite. – Congelo imediatamente quando ouço essas palavras. Rachel gostou de me beijar, o quão surreal é isso? É fantástico. A sensação de poder ter um sentimento como o que tenho por ela ser correspondido é o que eu mais desejo.
Solto o folego que eu nem imaginava estar prendendo e a puxo para ficar mais perto de mim, se é que ainda é possível. Dou um beijo na testa de Rachel e deixo os lábios pressionando esse lugar. Sinto o cheiro dos cabelos dela mais uma vez. Sinto que é desse jeito que quero ficar por um longo tempo. Talvez agora eu tenha me encontrado de verdade, pois eu até então, mesmo com todas as mudanças comportamentais que me ocorreram, eu ainda não havia sentido um estado de paz tão grande quanto estou sentindo nesse momento.
– Beijar você foi a melhor parte de tudo o que me aconteceu até hoje, Rachel.
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