Morada

11 Amizade em primeiro lugar, certo?


Notas iniciais
Feliz Páscoa, migos e migas! Boa leitura!

A sensação de que meu corpo sendo parcialmente coberto por outro é maravilhosa. Olho para a janela e vejo que as luzes dos postes estão acesas. Ainda é madrugada. Me levanto da cama para ir até a cozinha beber água. Rachel se move e vira para o lado da cama oposto ao que eu dormia até pouco tempo. Eu estava sedenta, acho que por conta do efeito do álcool que eu havia consumido.

No caminho de volta ao quarto, para no corredor e vejo que Rachel ainda dorme. O quarto continua escuro, mas a luz do corredor me permite ver, não com facilidade, que ela ainda dorme profundamente e com um semblante sereno. Lembro da temperatura do corpo dela que estava sobre o meu e isso é o suficiente para que eu volte no mesmo instante para a cama, afinal, para que ficar enrolando para deitar se tudo o que quero é senti-la novamente em meus braços?

Alguns momentos da festa passam por minha cabeça, como quando Rachel bebeu tequila depois de ter tirado o sal de meu abdômen, como a dança que tivemos antes do jogo da garrafa. Só Deus sabe o quanto tive que me controlar para não beijá-la naquele momento em que eu sentia todo o cheiro que emanava da nuca dela. Mas o momento do beijo... aquilo sim foi simplesmente surreal.

Beijar Rachel foi algo que eu sempre desejei, mas que nunca teria coragem para fazer. Que bom que ela teve. É justamente toda essa audácia que faz parte do comportamento dela que me encanta cada vez mais. Por diversos momentos ela já havia deixado claro que poderia querer algo comigo além da amizade, como no momento em que ela falou para Santana que só não teríamos nada porque, segundo ela, eu não sou tão mente aberta quanto a Sant.

Rachel se enganou. Sou super mente aberta. O que me falta, em meio a tudo o que vivemos, é a coragem. Coragem para ter declarado que eu sou apaixonada por ela. Coragem para ter a beijado no dia dos namorados. Coragem para repetir o beijo quando subimos para dormir. Agora, coragem para acordar e beijá-la como eu estava desejando nesse preciso momento.

– Quinn, acorda. – A voz de Rachel está tão longe. – Você precisa sair de cima de mim. Acorda Quinn! – Levanto rapidamente, ficando sentada sobre a cama, me recuperando do susto. Eu havia dormido novamente em meio a todos aqueles pensamentos. Passo a mão em meus cabelos e olho para Rachel que continua deitada apenas me olhando. – Você estava há muito tempo sobre mim. Meu braço estava ficando dormente. – Ela passa a mão sobre minhas costas.

– Desculpa? — Peço assim que a vejo alongando o braço.

– Tudo bem. É só que você é maior que eu e um pouco mais pesada. – Deito novamente na cama. Rachel se aproxima de mim e passa a mão em minha barriga, fazendo carinho com os dedos. Ela me beija no rosto. – Bom dia! – Coloca o rosto na curva de meu pescoço e inala o cheiro que vem dali. – Você tem um cheiro tão bom.

– Bom dia, Berry. – É o único que consigo falar naquele momento.

Continuamos deitadas na mesma posição por algum tempo. Se não fosse pela mão de Rachel percorrendo preguiçosamente minha barriga eu poderia jurar que ela havia pegado no sono novamente. É tão gostoso ficar assim com ela. O clima da cidade também está ajudando, deve estar muito frio lá fora. Mas a temperatura dos nossos corpos é o suficiente para nos sentirmos aquecidas.

– Acho que precisamos nos alimentar, Rachel. – Brinco com os dedos dela enquanto falo. – Você não está com dor de cabeça?

– Não, estou bem. – Sinto a respiração dela sobre meu pescoço. Ela levanta o corpo para ficar completamente sobre mim. Coloca as mãos sobre a cama, em cada lado de meu corpo. Não consigo para de pensar que essa é uma posição exacerbadamente intima e comprometedora para estar com uma amiga, pelo ao menos, Santana nunca deitou assim sobre mim. – Você beija muito bem, Quinn. – Meu coração dispara como se eu estivesse acabado de sair de uma maratona de exercícios físicos.

– Você realmente quer falar sobre isso? – Aqui estou eu tentando fugir mais uma vez.

– Não, agora não. – Ela levanta. – Agora vamos tomar café da manhã. – Ela caminha para frente do espelho e prende o cabelo em um rabo de cavalo despojado. – Sem falar que temos uma casa para arrumar. Você prometeu que me ajudaria, lembra? – Ela vira para mim.

– Claro. – Passo a mão sobre meu rosto e sinto meu coração voltar ao batimento normal quando ela entra para o banheiro.

Depois do café da manhã improvisado, Rachel e eu iniciamos a faxina no porão que ela chama de Sala do Oscar. Puck chega trazendo o almoço que ele havia comprado no restaurante vegan favorito de Rachel. Almoçamos os três juntos, não sem deixar de fazer alguns comentários sobre a festa.

– Santana nos chamou para ir ao Breadstick hoje. Vocês não querem se juntar a gente? – Puck pergunta antes de se despedir. Já havíamos terminado de arrumar tudo na casa de Rachel.

– Eu não sei se vai ser possível. Tenho que ir para casa. Minha mãe já deve estar preocupada. – Abro a porta para que ele possa sair da casa.

– Por mim tudo bem. Meus pais já devem estar para chegar e eu não desrespeitei nenhuma das regras que eles me impuseram, então acho que posso ir sim. – Rachel fala enquanto se aproximada de Puck para abraça-lo.

– Bem, então eu posso passar aqui para te buscar, já que a Quinn não vai. – Puck dá aquele sorriso cínico e sei que coisa boa não vai surgir daí. – Você sabe, podemos relembrar os velhos tempos, que tal? – Ele está mesmo insinuando que poderá ficar novamente com Rachel? Que absurdo!

– Você não muda mesmo não é? – Rachel ri por conta da proposta de Puck.

– Qual é? A imagem de vocês se beijando não sai da minha cabeça. – Meu estomago está se revirando. Puck não deveria ser tão pervertido assim. – Mas sei que a Quinn não me quer, então... você e eu... – Ele faz gestos com as mãos, dando a entender que poderiam ter algum tipo de rolo.

– Não Puck. Você e Rachel nada. – Eu o empurro para que ele saia de uma vez. – Obrigada pela ajuda e adeus.

– Calma aí, Quinn. – Ele levanta as mãos em sinal de paz. – Mas se quiser a carona, você tem meu número, Rachel. – Puck vira de costa e caminha em direção ao carro que está estacionado na frente da casa de Rachel. Ele conseguiu acabar com minha paz anterior. Me viro para Rachel e a vejo me encarando como se pedisse por explicações. Prefiro ignorar. Subo as escadas para pegar minhas coisas.

– Aquilo lá em baixo foi ciúmes? – Rachel entra no quarto enquanto eu já estou arrumando minha bolsa.

– Ciúmes não. – Sorrio fraco, pois, eu mesma acho que não tem como disfarçar o que houve. – Eu estava apenas te defendendo dele.

– Não sei... acho que estava mais para ciúmes. – Ela senta sobre a cama.

– E se fosse? – Arqueio a sobrancelha.

– Se fosse, eu diria que não tem cabimento, pois você sabe que eu não teria nada com ele. – Percebo um quase sorriso em seus lábios.

– Isso é o que você diz. – Dou de ombros na tentativa de demonstrar que não me interesso por aquele tema.

– Quinn, ontem... aquele beijo... – Deixo a bolsa sobre a cama e volto toda a minha atenção a Rachel. – Foi bom, muito bom. Mas...

– Mas não vai se repetir porque você não quer estragar a amizade e tudo mais. – A interrompo soltando tudo de uma vez sobre o que eu acho que ela pensa sobre o que houve entre nós duas.

– Isso é o que você diz. – Ela imita o que eu havia falado há algum tempo e sorri. – Eu ia te dizer que... na verdade, não sei, só preciso que você saiba que eu gostei do que aconteceu. – Me sento sobre a cama e continuo olhando para ela. – Podemos ser sinceras? Digo, falar tudo sendo adultas?

– Claro, por que não poderíamos? – Devolvo a pergunta.

– Porque talvez o que eu fale para você agora, interfira em nossa amizade, caso você não me entenda direito. – Eu movimento a cabeça para demonstrar que eu entendi aonde ela quer chegar. – Bem, o que você precisa saber é que eu não estava tão porre quando eu te beijei. Na verdade, eu não estava nem um pouco porre. Assim também como eu não estava quando dançamos. Eu sou muito impulsiva e você já sabe disso, mas eu realmente quis fazer o que aconteceu ontem. Assim como quis falar, então... – Ela desvia o olhar para o chão. – Quando eu falei que beijar você foi a melhor parte da noite, eu estava falando sério. – Acredito que ela espera que eu a interrompa, mas eu não consigo fazer nada além de ouvir tudo o que ela tem a dizer. Algo dentro de mim fica ligeiramente feliz. – Eu vou ser bem franca com você e eu realmente espero que nada mude entre nós, mas há algum tempo eu tenho pensado em você de uma forma diferente, e sendo sincera, acho que você também pode ter pensado o mesmo que eu, pois você corresponde a tudo o que acontece. – Ela está tão certa quanto a isso. – O que quero dizer, Quinn, é que eu tenho sentimentos por você que vão além da amizade. – Estou tão tensa, minha respiração está tão pesada.

– Eu não sei muito bem o que dizer, Rachel. – Não consigo olhar para ela. – Mas o que posso falar por agora, é que, talvez, você esteja certa. – Levanto a cabeça rapidamente e vejo que ela me encara. – Não sei explicar, Rachel, mas... – Me levanto da cama e ando pelo quarto. – toda essa forma como estamos agindo há um tempo pode ter feito eu me envolver demais com você e por isso, hoje, eu poderia dizer que estou meio que apaixonada por você. – Ela mantém o olhar firme em mim, mas solta um riso fraco, como se estivesse escutado uma piada sem graça.

– Meio que apaixonada por mim? – Ela se joga sobre a cama. – Ninguém fica meio que apaixonado, Quinn. Ou você está ou não está, é simples. – Eu estava sim, mas por algum motivo desconhecido até mesmo para mim, eu não conseguia admitir isso nesse momento. — Eu mesmo tenho estado confusa, já me perguntei diversas vezes o que sinto ou o que quero, mas não acho respostas. A única certeza é que não quero perder sua amizade e tão pouco me afastar.

– Eu também não quero isso, Rach. – Fecho os olhos quando me sento novamente sobre a cama. – Só de imaginar que isso poderia acontecer, doí bem aqui. – Aponto para meu peito. Ela sorri e se aproxima para me envolver em um abraço.

– Sabe, acho que não precisamos precipitar as coisas, assumindo sentimentos que nem são claros para nós mesmos. – Sinto a mão dela alisar minha costa. – Não vou arriscar o que já construímos por algo que nem sabemos nomear ainda. – Agora estou confusa. – Essa conversa pode se encerrar aqui, se você concordar. Podemos levar tudo no ritmo que estava, afinal, sabemos que sentimos algo uma pela outra, mas apenas não sabemos o que é, ao certo. Então, continuaremos sendo amigas, sem outro tipo de pressão. Se algum dia as coisas ficarem mais claras para você, poderemos retomar essa conversa de onde paramos, o mesmo servirá para mim.

– Entendo, mas isso significa que o que aconteceu ontem não irá se repetir até que saibamos o que sentimos uma pela outra? – Olho diretamente para os olhos dela.

– Sim, acho que é o mais sensato a ser feito. – Agora ela segura a minha mão. – Acho que se voltarmos a nos beijar, podemos acabar confundindo as coisas, mas do que já temos feito, se é que é possível. – Mas eu gostaria de beijá-la.

– E seu eu falar que tenho certeza que estou apaixonada por você? – Pergunto numa tentativa idiota de fazer com que ela mude de ideia. Rachel sorri.

– Se você me falar isso agora, vou pensar que você está dizendo isso apenas para ter mais alguns beijos. – Ela sorri abertamente. – Você quer me beijar, Quinn?

– Não. – Respondo rapidamente e ela me olha espantada. – Quer dizer... – Passo a mão por meus cabelos, bagunçando-os. – Eu quero, quero muito. Na verdade eu quero desde ontem, desde quando tivemos que parar. – Rachel dá um sorriso enorme por conta do que eu havia dito. – Mas como você disse, isso poderá nos confundir. Não quero sentimentos confusos vindo de você. Quero que você tenha certeza que me quer da mesma forma como eu estou querendo você. – Falo essa última frase em um tom mais baixo.

– Mas ainda pouco você falou sobre estar ‘meio que apaixonada’, isso não é certeza nenhuma, Quinn. – Ela me corrige.

– Você sabe que tenho dificuldade de falar sobre o que sinto, não sabe? – Ela assente movimentando a cabeça. – Você é esperta, sei disso, e espero que você perceba toda a verdade no que eu disse, até mesmo naquilo que eu não deixei tão claro.

– Acho que posso tentar fazer isso. – Me levanto e pego minha bolsa para poder ir para casa.

– Então... acho que já vou. – Ela se levanta e me acompanha até a saída. – Sabe, Rachel, acho que selinhos são inofensivos, eles não vão nos confundir, que tal? – Ela dá alguns tapinhas em minha costa.

– Não, Quinn, nenhum selinho. – Ela me empurra até a porta. — Nossa amizade em primeiro lugar, certo?

– Certo, Rachel. Obrigada por ser a mais sensata nessa história. Mas só para você saber, o que eu falei, sobre o beijo ter sido o melhor que me aconteceu em toda minha vida, também foi verdadeiro – Beijo o rosto dela. Ela fica calada. Talvez porque ela nunca esperou por essa declaração. – Me ligue se precisar de algo. – Ela assente e é o suficiente para que eu caminhe em direção ao meu carro.

Okay... Sem beijos. Pois beijos nos faram confundir os sentimentos. Mas que sentimento confuso? Eu sei bem o que sinto por ela. Apenas não consigo admitir. Covarde, sou uma porra de uma covarde. Que merda! Eu deveria ter dito tudo o que sinto, afinal já se passou tanto tempo desde que eu admiti para mim mesma o que sinto por ela, por que não fazer o mesmo com ela? Tudo bem que ela ainda não esteja certa sobre o que ela sente por mim, mas existe algo, isso nem ela nega.

Estou na sala de casa com minha mãe, assistindo qualquer coisa na televisão, mas só consigo me concentrar nas lembranças de tudo o que houve desde a festa. Rachel como sempre está no centro de tudo, inclusive de meus pensamentos. Meu celular vibra, eu havia até me esquecido de que ele estava no meu bolso.

– Ocupada? – R.

– Não. – Q.

– Não pode mesmo ir ao Breadstick? – R.

– Não sei... você quer ir, não é? – Q.

– Quero. Mas quero sua companhia também. – R.

– Passo na sua casa daqui a 30 minutos, tudo bem? – Q.

– Já estou te esperando. – R.

Antes mesmo de 30 minutos eu já estava na casa de Rachel. Quando chegamos ao Breadstick todos os garotos já estavam por lá. Cumprimentamos a todos e sentamos lado a lado. O assunto da conversa, como era de se esperar, girava em torno dos acontecimentos da festa. Claro que ouvimos algumas piadas sobre o beijo que eu e Rachel demos, mas nada que nos fizesse ficar envergonhadas, afinal, já havíamos esclarecido o que sentíamos e que o beijo significou algo importante para nós duas. O lado bom de tudo o que aconteceu nesse final de dia é que apesar de tudo o que foi dito, nada havia mudado entre nós duas. Ao contrario, sinto como se estivéssemos mais próximas.

– Você viu a cara da Santana quando relembrou o beijo dela com Finn? – Pergunto a Rachel quando caminhamos em direção ao meu carro.

– Ela realmente detestou aquilo. – Rachel solta uma leve gargalhada ao lembrar como Santana ficou quando tocamos nesse assunto.

– Eu acho que agora estamos tendo um bom relacionamento com os meninos. – Abro a porta do carro para que ela entre. – É como se agora fossemos amigos mesmo, sabe o que quero dizer? – Fecho a porta do carro assim que eu me sento.

– Eu sei, eu sinto a mesma coisa em relação a eles. – Ela me olha atentamente. Está um pouco escuro no estacionamento, mas ainda assim consigo ver a direção em que estão os olhos dela. Sinto que ela está analisando algo em mim. Fico calada e isso é o suficiente para um clima cheio de tensão se estabelecer entre a gente.

– O que foi? – Pergunto assim que noto que ela não desvia o olhar de mim.

– Não sei. – Ela olha para a minha boca. Vejo que ela umedece os lábios. Isso me faz querer beijá-la no mesmo instante. Desvio meu olhar para frente do carro. Não posso me descontrolar. Combinamos que não haveria beijos. – Eu acho que eu quero esquecer o que eu disse hoje a tarde, sobre os beijos. – Rachel me olha de uma forma tão intensa que cada pelo de meu corpo fica eriçado.

– Eu... é... você... quer... Ahhh, deixa pra lá. – Me aproximo dela tão rápido que quando dou por mim, minha mão já está a segurando pela nuca enquanto a outra a puxa pela cintura para que ela se aproxime mais de mim. Nossas bocas se encontram e, ao contrario da primeira vez, não há calma, não há selinhos. Há apenas duas línguas em um ritmo frenético em busca das melhores sensações que um beijo pode proporcionar.

Rachel me puxa pelo pescoço para que eu fique com o corpo mais próximo ao dela. Nossas bocas continuam a manter o beijo quente e vigoroso. É incrível a sensação de nossos lábios se combinando perfeitamente. Os lábios e a língua de Rachel são macios o suficiente para que eu queira beijá-la sem parar por um segundo sequer. Ela me puxa mais um pouco e eu fico quase que debruçada sobre ela. Isso está quente demais. Já sinto a excitação latejante em meu centro. Minha boca desce até o pescoço dela e tudo o que eu faço é percorrer cada centímetro daquela pele, quente e cheirosa, com a minha língua.

Levo a mão que pressiona a nuca dela, até os cabelos. Tiro-os do pescoço para ter melhor acesso a lateral daquele pedaço maravilhoso de Rachel com minha língua. Ela coloca a mão sobre meu rosto numa espécie de pedido silencioso para que eu volte a beijá-la na boca. A língua dela volta a se movimentar de forma frenética com a minha. Tenho certeza que ela está tão excitada quanto eu. Me separo do beijo para levar minha língua até o lóbulo da orelha dela. Isso é o suficiente para ela encaminhar a mão direita a minha bunda. Ela aperta levemente esse local de meu corpo e assim me dou conta que devemos ir mais devagar. Isso está ousado demais.

Pego a mão dela e seguro entrelaçando nossos dedos. Deixo o movimento do beijo mais lento e assim vamos separando nossas bocas ao pouco. Quando o beijo cessa, levo meu rosto até o pescoço dela. Inalo todo o cheiro maravilhoso que ela tem. Pressiono meus lábios sobre aquele local, deixando um beijo casto e demorado.

– Sem beijos? – Pergunto irônica enquanto solto um riso fraco de quem não conseguiu se segurar. Continuo com o rosto no pescoço dela. Rachel sorri também.

– Eu deveria dizer que sinto muito por não ter cumprido com o que combinamos, mas a verdade é que eu não sinto. – Olho para ela e vejo que os lábios dela estão levemente inchados e vermelhos. Eu a beijo novamente, mas dessa vez, é um beijo calmo e não demorado.

– Vou levar você para casa. – Retomo meu lugar no banco do motorista e dou partida no carro. No caminho ela se aproxima mais de mim e assim seguimos para a casa dela, num abraço meio torto, mas aconchegante suficiente para não querermos nos separar. O silencio predomina no interior do carro, porém o clima não é pesado, ao contrário, sinto como se tudo estivesse em seu devido lugar.

– Eu não sei ao certo o que dizer, Quinn. Na primeira oportunidade nós falhamos. O que vai acontecer agora? – Rachel fala assim que paro o carro na frente da casa dela.

– Vai acontecer o que nós quisermos que aconteça, Rachel. – Beijo a cabeça dela. – Ninguém foi forçado a nada aqui. Fizemos o que sentimos vontade. Não precisamos nos segurar apenas porque não sabemos ao certo o que está acontecendo.

– Eu sei, mas não gosto de não ter o controle sobre as coisas. – Ela parece estar aborrecida e isso é tudo o que eu não queria que acontecesse.

– Você se arrependeu de ter deixado isso acontecer? – É nítido meu desapontamento.

– Não, claro que não. – Ela segura em meu rosto. – Mas você sabe que eu gostaria de saber o que está acontecendo com nós duas.

– Nós nos desejamos, Rachel. Temos sentimentos que vão além da amizade, já admitimos isso. O problema é que não sabemos apenas a intensidade desses sentimentos. – Eu solto a alavanca do banco do motorista para que ele vá para trás. Deixando mais espaço para que eu possa abraça-la melhor. – Não vejo por que nos maltratarmos em busca de respostas que ainda não temos. Podemos fazer isso juntas, se você quiser, é claro. Enquanto não descobrimos a intensidade do que sentimos, podemos ir beijando... – Beijo a testa dela, logo em seguida a beijo sobre os olhos e bochecha, para finalmente depositar um selinho sobre os lábios dela. – Acho que você não tem como se opor a isso. – Rachel sorri e encosta a testa na minha.

– Você é esperta, Fabray. – Ela me beija puxando levemente meu lábio superior. – Mas agora eu preciso entrar em casa, antes que eu te beije novamente como ainda agora. – Nossas bocas se encontram novamente. Rachel fala uma coisa e faz o oposto, desde que ela continue a me beijar, não tenho a que me opor a isso.

Ela leva os braços para meu pescoço e faz eu me encostar sobre o banco do carro. Passa uma perna sobre as minhas e senta em meu colo. Mesmo eu tendo afastado o banco há alguns minutos, o espaço é pequeno e agora nossos corpos estão perigosamente colados. O beijo de agora está mais lascivo que o beijo dado no estacionamento do Breadstick. Mas como não ficar se dessa vez eu tenho Rachel sobre mim?

Inevitavelmente minhas mãos percorrem as pernas dela. Ela continua a me beijar enquanto segura meu rosto e pescoço. Esse beijo está incrivelmente mais quente. Rachel tem a pele macia e isso me faz querer percorrer cada parte do corpo dela com meus dedos e língua. Levo a mão até a dobra da saia que ela usa. Eu poderia facilmente por a mão sob a saia dela. Aperto levemente as coxas dela e ouço-a soltar um leve gemido, mesmo estando com nossas bocas conectadas.

Sem ao menos me dar conta de como começou, nossos quadris se movem em busca de um atrito que alivie a excitação de nossos centros. Rachel se movimenta eroticamente sobre mim e isso me impulsiona a levar minha mão até a bunda dela, pressionando para que ela tenha o impulso necessário para aliviar a dor que sinto em meu centro devido à tamanha excitação. Droga! Eu a quero dentro de mim agora.

Puxo levemente os cabelos dela para trás, para ter um melhor acesso ao pescoço dela que começo a beijar. Rachel ainda se move sobre mim. Por um minuto penso em como será a sensação de ter os seios dela em minha boca. Tiro minha mão de seu traseiro e a levo para baixo da saia dela.

– Quinn... – Rachel fala enquanto eu ainda a beijo. – Mais devagar. Precisamos desacelerar. – Isso me faz pensar no que nós estávamos fazendo. Realmente estava rápido demais.

– Desculpa. Eu não queria ultrapassar nenhum limite. – Abaixo a cabeça. Estou incrivelmente envergonhada. Como posso perder o controle tão rápido assim?

– Ei, fizemos o que estávamos com vontade, certo? – Ela levanta meu rosto e me beija nos lábios. Eu a abraço forte. Preciso sentir que ela está em meus braços. Rachel distribui vários beijos em meu rosto. Interessante como oscilamos de um momento super erótico para um cheio de carinho. – Agora você precisa me soltar, Fabray. Eu só vim por cima de você porque eu precisava descer do carro.

– Que eu me lembre, a porta do lado do passageiro não está com nenhum problema. – Não consigo deixar de rir daquela desculpa esfarrapada de Rachel para estar sobre mim.

– Está funcionando mesmo, mas descer por esse lado... – Ela segura meu rosto com as duas mãos. — É muito mais interessante. – Rachel me beija mais uma vez. Sinto como se nossas bocas se conhecessem há muito tempo. Nosso beijo combina tão perfeitamente. São beijos molhados na medida certa, quentes e super gostosos. Rachel beija maravilhosamente bem e a cada beijo eu só desejo poder continuar a repetir. – Boa noite, Fabray. – Ela se despede ao mesmo tempo em que me beija uma ultima vez, antes de sair do carro.

Vejo-a entrar em casa e só consigo pensar o quanto essa noite me deixou feliz. Se esse estado emocional que me encontro não for paixão, o que mais poderia ser? Sinceramente falando, não que seja novidade para mim, mas estou fo-di-da-men-te apaixonada por Rachel Berry.

Notas finais
Quem é que vai me presentear com ovos de chocolate? hahaha