Morada
12 Desentendimentos
Notas iniciais
– Oi. – Quinn beija a minha bochecha assim que ela se senta ao meu lado. Estamos na lanchonete da escola com nossos amigos do Glee.
– Como foi a reunião com a treinadora? – Sue anunciou em meio a gritos que gostaria de falar com Quinn.
– Ela falou algumas coisas, mas nada que eu possa falar agora. – Ela se aproxima de mim. – Explico depois, certo? – Fala em um tom baixo. Apenas concordo balançando a cabeça. Quinn aproveita e deixa a mão sobre minha perna fazendo carinho. Suspiro por conta desse toque.
Eu nunca fui o tipo de garota que se deixa levar por impulsos. Eu gosto de planejar as coisas. Gosto de ter domínio sobre tudo o que faço. Mas com Quinn... isso fica longe de acontecer. Eu jamais me imaginei nessa situação de apenas “ficar”. Sempre fui fã de namoros sólidos, estáveis. Mas descobri que há coisas realmente boas e prazerosas para se fazer, mesmo que não se esteja em um relacionamento sério.
Algumas semanas se passaram desde que eu e Quinn resolvemos baixar a guarda e assumir de vez que não conseguimos ficar mais que algumas horas sem beijos, abraços e alguns amassos. Nada foi oficializado. Não estamos namorando. Nem ao menos conversamos sobre o que está acontecendo entre a gente, mas ainda assim temos ficado juntas por esses últimos dias e isso tem me deixado muito mais leve, muito mais confiante. É interessante essa parte de ter uma melhor amiga que beija perfeitamente bem.
– Vocês tem percebido que Sam está bem próximo de Kurt? – Tina chama nossa atenção. Nego, balançando a cabeça. Quinn apenas desvia a atenção para a asiaática.
– Sim! Hoje, por exemplo, ele está usando a jaqueta de Kurt. – Mercedes é quem dá essa informação que surpreende a todos.
– Eu não acredito que Sam é mesmo gay. – O que? Essa conversa está mesmo acontecendo? — Só pessoas que namoram usam a roupa um do outro, não é? – Tina argumenta.
– Ahh ele não é gay, já namorou a Quinn, não é, Fabray? – Finn questiona enquanto Quinn assente.
– Ele deve ser bi-curioso, assim como Santana e Brittany. – Mercedes alfineta.
– Sabe, eu acho que vocês devem deixar a vida de Sam em paz, assim como a de Santana e Brit. E Kurt não trairia Blaine. – Quinn soa ríspida. Me assusto um pouco com o tom usado por ela. – Outra coisa, ele não é gay. — Por que ela está tão irritada?
– Disso só você pode ter certeza, Fabray. – Finn a provoca. – Nós podemos investigar o que eles tanto fazem juntos.
– Não contem comigo para isso. – Quinn se levanta da mesa. – Além do mais, vocês deveriam cuidar de suas próprias vidas. – Ela vira as costas e se retira.
Conheço Quinn, mas também conheço Kurt, sei que ele me esconde algo. Só não entendo porque isso chateou tanto Quinn a ponto dela nos deixar sozinhos. Acho que posso seguir Finn nesse lance de investigar algumas coisas.
– Kurt! – Chamo-o assim que o vejo fechando o armário de onde ele tira os livros. – Eu não acredito que é verdade que você está mesmo traindo Blaine.
– Eu estava com saudade da sua loucura, Barbra. – Kurt fala olhando-me nos olhos.
– Mas eu vi vocês juntos e hoje ele está usando sua jaqueta. – Afirmo com afinco. – Todos perceberam e estão comentando.
– Deixa eu te contar um segredo, Rachel. – Kurt abaixa o tom de voz. – Você sozinha já tem a mente mais criativa que eu conheço, mas quando você se junta a Finn, as coisas saem do controle. – Ele se aproxima mais de mim, pousando as mãos em meu ombro. – Não acredite em tudo o que Finn lhe fala, queridinha. – Ele dá uma leve tapa em meu ombro.
Okay... isso realmente não me convenceu. Assim que chego em casa, recebo uma mensagem de Finn. Ele me diz que Kurt acabou de sair de casa e que poderíamos segui-lo para investigar o que está havendo entre ele e Sam. Aceito, afinal, Kurt é meu amigo, tenho que ter argumentos consistentes para alertá-lo sobre o quão grave é a traição. Se isso for realmente verdade, ele corre um grande perigo de perder o amor de Blaine e eu não os vejo separados, não mesmo.
Vou com Finn até onde ele disse que viu Kurt entrando. É um hotel barato de beira de estrada. Ficamos no carro esperando que Kurt saia do quarto. Finn passa o braço por meu ombro. Nesse momento chego a questionar mentalmente quais as reais intenções de Finn me trazendo até aqui. Ela me faz carinhos com o polegar. É bom, gosto desse jeito dele, mas tem Quinn. Pensando nisso e comparando o toque de Finn a qualquer um vindo dela, só chego a uma conclusão: Ele não me deixa nervosa ou... arrepiada com um simples carinho, não mais. Prefiro o carinho de Quinn.
– Você não achou estranho a forma como Quinn falou sobre Sam ser ou não gay? – Finn me tira de meus pensamentos.
– Não. – Respondo após pensar em como ela agiu hoje pela manhã.
– Por que ela afirmaria que Sam não é gay? – Ele desvia o olhar para o teto do carro. – Eu pude ver a certeza nos olhos dela e acredite, sei muito bem quando Quinn mente.
– Talvez seja porque eles já namoraram. – Isso é tão lógico. Encaro o mesmo ponto em que Finn olhava.
– Mas você não entende, Rachel. – Ele levanta as mãos até o cabelo. – O jeito de Quinn... o jeito que ela falou tinha algo a mais. – Vejo-o cerrar os olhos como se estivesse pensando em algo muito difícil. – Você não sabe, mas namorar a Quinn não é nada fácil. – Okay, essa conversa está começando a me chatear. – Ela é temperamental, mas o pior de tudo é que ela não demonstra nada sobre os sentimentos dela. – No mesmo instante relembro os vários momentos em que Quinn citou algo sobre isso. – Eu nunca soube o que ela pensava e isso me deixava sem saber como agir com ela.
– Isso porque você não se empenhou em conhecê-la, não na essência dela. – Defendo-a. Não gosto do rumo que essa conversa está tomando. – Quinn gosta de ter o poder. Ela camufla algumas coisas, mas nada impossível de desvendar.
– Mas você é diferente, Rachel. – Ele me olha. – Eu sempre soube exatamente o que você sentia ou pensava. – Sorrio suavemente para ele. É bom saber que Finn se dedicou em nosso namoro, mas isso é passado. Além do mais, por que ele está comparando eu e Quinn?
Vejo um movimento na porta do hotel em que Sam está hospedado, olho atentamente e vejo Kurt saindo de lá. Logo em seguida Sam sai acompanhado de... Quinn? Eles caminham abraçados até onde Kurt está. Meu coração dispara. Afinal, quem está ficando com Sam aqui? Até ainda agora seria Kurt, mas o que Quinn está fazendo aqui? Será que... Não, não acredito que ela faria isso comigo, ela não pode estar ficando com Sam. Kurt estaria a encobrindo? Mas qual o sentido disso?
Mesmo não tendo oficializado nada, nós temos ficado juntas e eu levo isso a sério. Eu sei bem que ela traiu Finn e Sam, mas não consigo acreditar que ela faria isso comigo. Espera... seria traição? Algo dentro de mim se apavora. Não quero que isso seja real, não mesmo.
– Eu disse que Quinn sabia de alguma coisa. – Finn chama minha atenção. Olho novamente para onde ela estava e a vejo indo embora. – Não te falei? – Engulo a seco.
Peço para Finn me levar para casa. Não consigo tirar da cabeça a cena de ainda pouco. Na verdade, eu sinto uma vontade enorme de ir até Quinn e saber de uma vez por todas o que está havendo, mas isso seria um pouco inapropriado, já está tarde. Tenho que esperar até amanhã.
Para piorar minha aflição, hoje não tive nenhuma aula com Quinn. O ensaio do Glee foi tão puxado que não conseguimos conversar. Mas ainda assim pude perceber ela e Kurt indo até Sam para conversarem sobre alguma coisa que não consegui ouvir, mesmo tendo me esforçado muito.
– As pessoas na escola estavam conversando sobre você e Finn estarem juntos ontem a noite, conversando, rindo e muito próximos. – Levanto a cabeça e olho-a diretamente nos olhos. – Você está ficando com Finn? – Ela pisca diversas vezes em fração de segundos. Eu estava esperando chegar em casa para poder conversar com Quinn, até ela ter quebrado o silencio formado no carro para me fazer essa pergunta absurdamente idiota.
– E você? Você está ficando com Sam? — Devolvo a pergunta, já irritada.
– O que? De onde você tirou essa ideia? – Ela realmente parece surpresa com a pergunta.
– Eu e Finn vimos vocês saindo do hotel ontem a noite. – Falo enquanto caminhamos para entrar em casa.
– Espera... você e Finn estavam nos espionando? – Opa! Eu conheço esse olhar... Quinn está muito estressada agora. Eu tinha medo quando ela olhava assim, muito medo.
– Não, Quinn. Você não era o foco. Nós apenas queríamos saber se Kurt está traindo Blaine. – Entramos em casa e eu caminho para subir as escadas, mas ela continua parada, próximo a porta.
– E aí vocês tiveram a brilhante ideia de segui-lo? – Ela questiona andando de um lado para o outro. – Me deixa adivinhar, Rachel. Isso foi ideia do Finn, não foi? – Ela para e olha para mim esperando a resposta.
– Foi. – Confesso. – Mas ele só estava preocupado, assim como eu, ele não consegue ver Kurt sem Blaine.
– Ahhh Rachel você é tão boba às vezes. – Ela passa a mão pelo rosto. Quinn está com as bochechas vermelhas. Ela definitivamente está irritada. – Deixa eu te dizer uma coisa, vocês não tinham o direito de fazer isso. Além do mais, isso não se trata de Kurt e Sam, se trata de Finn querendo se reaproximar de você. – Ela eleva o tom de voz.
– Não, claro que não. – Lembro rapidamente de alguns dos momentos em que notei uma segunda intenção nas atitudes de Finn ontem. Será que Quinn está certa? – Ele estava realmente querendo saber sobre Kurt.
– Não seja ingênua. Ele apenas quer você de volta e sabe que convidando você para essas missões sem sentido, vocês poderiam ter um tempo juntos. – Ela segura firmemente as chaves do carro. Consigo ver a ponta dos dedos dela amareladas, tamanha a força que ela faz.
– Ei, o foco não sou eu e Finn, mas sim você e Sam. – Me aproximo dela. – Me diz, Quinn, antes de qualquer coisa somos amigas, você sabe.
– Não tem nada entre mim e ele. – Ela fala em um tom mais baixo. – Você deveria saber disso. – Arqueia uma sobrancelha. – Me deixa adivinhar uma coisa... Depois que vocês me viram saindo de lá, Finn comentou alguma coisas sobre eu ter voltado a namorar Sam, não foi? – Ela também se aproxima de mim. – E você acreditou. – Inevitavelmente concordo.
– Não me culpe. – Falo para me defender. – Eu vejo como Sam ainda trata você, assim como você retribui cada gesto. Na verdade, não sei o que vocês ainda não voltaram a namorar.
– Falando isso você está desvalorizando algumas coisas que eu disse que sinto por você. Esqueceu? – Indaga parecendo realmente ofendida.
– Não esqueci, só não sei bem no que acreditar agora. – Viro de costa para onde ela está.
– Acredite no Finn, ele é quem sempre está certo, ele é quem nunca erra, ele nunca te magoou, não é Rachel? – Deus! Essa conversa perdeu totalmente o sentido.
– Sabe qual o problema, Quinn? Você está tentando virar as coisas a seu favor quando você fala essas coisas sobre eu e Finn. Mas, eu sinceramente acredito que você está saindo com Sam. – Aponto o dedo para ela.
– Rachel, não há nada entre Sam e eu além de amizade. Até ainda agora você pensava que era Kurt que estava com ele. Agora sou eu? – Ela abaixa meu dedo.
– Você me deu motivos para pensar isso, Quinn. – Falo em um tom mais alto do que eu planejei.
– Não dei. — Afirma. – Finn mais uma vez colocou coisas na sua cabeça. E você como sempre se deixou levar por ele. – Isso me irritou profundamente.
– Está querendo dizer que eu sou fácil de ser manipulada. – Estreito os olhos para olha-la.
– Estou dizendo que você está louca. Porque definitivamente eu não voltei a ficar com Sam, muito menos Kur está traindo Blaine. – Ela senta sobre o sofá.
– E o que você faz trancada com eles naquele quarto? – Me coloco a frente dela.
– Rachel, as coisas são complicadas, não tenho o direito de sair por aí contando coisas sobre a vida dos outros. – Ela fala em um tom calmo. Não parece que ela estava tão alterada até pouco tempo.
– Você não confia em mim? – Coloco as mãos em minha cintura.
– Claro que sim. – Responde sem pestanejar.
– Então me diga. – Atiço para que ela fale.
– Não sei se devo. É a vida dele. Não tenho esse direito. – Ela fala cabisbaixa, como se falar o que acontece com Sam fosse algo realmente grave.
– Tudo bem, Quinn. Vejo o quanto você confia em mim. – Ironizo. — Acho que você já pode ir.
– Você está me mandando embora? – Ela levanta o olhar para mim.
– Não quero conversar agora. Melhor você ir para a sua casa. – Caminho até a porta e a abro.
– Eu não acho que você quer fazer isso realmente, Rachel. – Ela continua sentada me olhando.
– Por favor, Quinn. – Ela levanta e para bem em minha frente. Sinto que ela tenta falar algo, mas não consegue. Vejo-a descer as escadas da frente de casa e caminhar para o carro.
Puta que pariu! Como essa conversa foi tomar essa proporção? Que diabo acontece ente ela e Sam ou entre ela, Sam e Kurt? Custava ela falar de uma vez por todas? Não gosto de brigar com ninguém. Mas brigar com Quinn é pior do que eu pensava. Meu peito dói. Sinto uma aflição insuportável. Eu a magoei quando pedi para ela se retirar de minha casa. Que merda eu fiz?
Tomo um banho demorado. Normalmente a água caindo sobre corpo tem o poder de me deixar leve. É como se a água que cai ralo a fora levasse junto todas as energias negativas acumuladas em meu corpo. Normalmente me sinto aliviada e relaxada quando saio de um banho assim, mas não hoje.
A cada minuto que passa me sinto mais aflita. Tem algo em minha garganta que deseja sair a qualquer momento em forma de choro. Quinn não me avisou se já chegou em casa. Mas não é como se ela fosse falar comigo depois do que fiz. Que droga! Eu não poderia ter me deixado levar por Finn e todo aquele papo furado de conhecer Quinn. Uma lágrima rola em meu rosto e é o suficiente para eu ir consertar a burrada que cometi.
Mesmo já estando um pouco tarde, peço para a Sra. Fraby me deixar entrar para falar com Quinn. Antes de entrar no quarto, ouço uma música em um volume baixo. Bato na porta, mas ela não responde. Lentamente eu abro a porta e vejo que ela não está. Vejo a porta do banheiro fechada. Me aproximo mais e consigo ouvir o barulho da chuveiro ligado. Fecho a porta do quarto de Quinn e me sento sobre a cama para espera-la sair do banho. Espero que ela não me repila.
– Quinn. – Tento falar assim que ela sai do banheiro, mas minha voz falha, tamanha a vontade de chorar. Ela já está vestida. Percebo que ela está realmente surpresa em me ver ali. – Me desculpa, por favor. – Quando uma lágrima cai de meus olhos eu abaixo a cabeça, numa tentativa frustrada de que ela não me veja naquela situação. Sinto que sou observada atentamente e me sinto tão vulnerável. – Eu não deveria ter falado para você ir embora. Eu não deveria ter insinuado que sobre você e Sam. – Não consigo mais falar tudo que quero. Os soluços de meu choro impedem. Ela se aproxima de mim e me abraça. Deus! Isso é muito mais do que eu esperava.
– Se acalme. – Ela passa a mão por minhas costas. – Vamos conversar, mas você precisa se acalmar. – Não há carinho em sua voz. Ela está magoada, mas quem não estaria?
Ficamos abraçadas por um tempo. Quando paro de chorar ela se fasta e sai do quarto. Não demora muito para que ela volte com um copo de água.
– Obrigada. – Agradeço assim que sinto o alívio em minha garganta.
– Se sente melhor? – Ela pega o copo de minha mão para deixa-lo sobre a cômoda.
– Sim. Não. – Ela franze o cenho. – Preciso que você me desculpe. – Quinn deita sobre a cama com os braços por baixo da cabeça. Ela encara o teto. Me sento de joelhos sobre a cama. – Talvez Finn tenha dito alguma coisa que me fez pensar em você e Sam juntos novamente. Talvez que tenha ficado com um pouco de ciúmes. – Baixo o tom de minha voz. – Pensar em você e ele juntos novamente mexeu comigo mais do que eu esperava, Quinn. – Ela olha para mim. – Eu não queria ter te tratado como eu fiz, eu não quero você longe de mim, porque eu não consigo ficar longe de você. – Olho para as minhas mãos, pois sei que ela continua a me olhar. – Me desculpa, Quinn? – Ela deve estar me achando louca. Me sinto invadida por esse olhar tão intenso que ela lança para mim. Ela tira os braços de trás da cabeça. Senta-se contra a cabeceira da cama e me puxa para perto.
Quinn me envolve em um abraço e é o suficiente para que eu comece a chorar novamente. Fui tão idiota com ela. Mas agora, depois de estar em seu colo, sinto que as coisas podem voltar ao normal. Quinn acaricia meu cabelo e dá um beijo demorado em minha cabeça.
– Está tudo bem, Rach. – A voz dela está mais rouca que o normal. – Você precisa parar de chorar. – Pressiono minha cabeça contra o pescoço dela. – A única coisa que você precisa saber por enquanto é que eu jamais ficaria com Sam novamente. Mesmo que não tenhamos conversado sobre isso, você precisa saber que estou ficando apenas com você. – Ela continua a me fazer carinho. – Não quero estar com ele ou com qualquer outro.
Inclino minha cabeça para o lado e a beijo no pescoço. Sinto o cheiro do perfume suave que tem a pele dela. Quinn tem um cheiro maravilhoso. Beijo preguiçosamente o pescoço dela mais uma vez e inclino minha boca para alcançar o seu maxilar. Continuo a distribuir beijos pelo caminho que me leva até a boca dela.
Nossos lábios se encontram e lentamente se movem, sinto o gosto já tão familiar de nosso beijo. Aos poucos consigo acesso ao interior da boca de Quinn. Minha língua encontra a dela e se movem lentamente em um beijo lento e suave. Um beijo que trata de expressar nossas emoções. Um beijo demorado e carinhoso para ser entendido como “desculpa, mas eu briguei porque eu quero você só para mim”.
Nossas bocas se separam lentamente. Eu me aperto mais ainda nos braços de Quinn. Sinto o alívio tomar conta de mim aos poucos. Ficamos trocando carinhos por um tempo. Quinn levanta e pega meu celular. Não questiono o que ela faz com ele, mas a vejo digitando algo. Ela caminha até o interruptor de energia e desliga as luzes do quarto.
– Avisei aos seus pais que você irá dormir aqui. – Ela anuncia assim que volta para a cama.
– Eu vou? – Brinco com ela.
– Você vai. – Ela me prende em seus braços. Isso é muito bom... Isso de estar deitada com ela e me sentir segura, protegida, em paz.
– Preciso de uma roupa para dormir. – Passo a mão pelo pijama que ela usa.
– Depois eu vejo isso para você. – Ela pressiona os lábios contra meu rosto. – Agora, apenas, fique quieta. – Retribuo da mesma forma o beijo que ela havia me dado. Ficamos caladas, apenas nos fazendo mimos. – Sam teve que sair de casa. – Ela fala quando eu menos esperava.
– Como assim? – Estou realmente surpresa com essa informação.
– O pai dele perdeu o emprego e eles tiveram que vender a casa. Agora eles moram naquele quarto de hotel em que você nos viu... – Assim ela começa a falar sobre o problema familiar de Sam e, consequentemente, fala que ela e Kurt estão ajudando-o com algumas coisas, como no cuidado com os irmãos ou mesmo doando roupas para ele. Me sinto tão estupida agora.
– Mais uma vez eu preciso te pedir desculpas, Quinn. – Olho para o rosto dela que é iluminado pela fraca luz, que atravessa o quarto, vinda da rua.
– Tudo bem, Rachel. – Ela suspira. – Nós temos mania de pensar logo no pior. É natural do ser humano. Veja só... eu ouvi boatos sobre você e Finn e logo pensei em vocês juntos, mesmo você tendo dito inúmeras vezes que não teria volta para vocês. – Sorrio fraco.
– Verdade. – Passo a mão sobre a pele quente do abdômen dela. – Você pensando que eu estava com Finn e eu pensando em você com Sam. – Nós duas rimos da situação.
– Primeira briga por ciúmes? – Ela pergunta em meio a risos.
– Algo assim. – É meu jeito de concordar com ela.
– O que somos Rachel? – Essa pergunta me pega desprevenida.
– Eu não sei, Quinn. – Confesso. – Sei que pensar em você com outra pessoa me maltratou. Sei que não quero ficar longe e quero te ver muito em minha casa, não vou mais te expulsar. Prometo. – Ela me dá uma leve mordida no ombro. – Sei que brigar com você foi horrível. E sei que ficar bem com você me deixa no estado que chamam de ‘nirvana’. – Sinto-a estremecer levemente. Eu a beijo com paixão. – Não quero você longe, Quinn.
– Não temos porque ficar longe. – Ela inala o cheiro que vem de meu rosto. Logo em seguida beija em meu queixo. – Passamos tempo demais brigando por coisas bobas, agora precisamos concentrar nossas energias em fazer isso dar certo. – Ela gesticula no espaço entre mim e ela. – Eu quero você, Rachel. – Ela me puxa para ficar sobre ela.
– Você já me tem. – Sussurro nos lábios de Quinn, enquanto minhas unhas percorrem demoradamente o rosto perfeito dela, pressionando mais forte meu corpo contra ela. – Estamos nisso juntas e é um pouco tarde para voltarmos atrás.
– É tarde demais para voltar a trás. – Ela me corrige enquanto beija o meu pescoço. – Eu sou apaixonada por você, Berry.
– E eu por você, Quinn.
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