Morada

7 Fogos de artifícios


Notas iniciais
Quem está triste pelo fim de Glee levanta a mão aí. o

– Quinn, vendo você tão empolgada, cantando e dançando, no Glee, me faz lembrar de quando sem querer eu ouvi você dizendo ao Finn, na época em que vocês namoravam, que caso ele saísse do Glee, você deixaria ele tocar nos seus seios. – Estávamos a caminho do estacionamento. Quinn fica corada no mesmo momento em que acabei de falar. – Ahh Quinn, você está com vergonha?

– Você é muito curiosa. Você realmente não deveria ficar ouvindo a conversa dos outros, principalmente coisas tão intimas. – Ela me repreende por conta do que eu havia feito, mas na verdade, acredito que ela está envergonhada é pela atitude que ela teve com Finn, mas... águas passadas.

– Qual é? Você estava tentando tirar Finn do Glee e sem ele nós não conseguiríamos nem ter uma primeira apresentação nas Distritais, que dirá na alcançar as Nacionais. – Falo enquanto me dirijo ao banco do passageiro do carro dela. Voltar para casa na companhia de Quinn havia se tornado algo rotineiro. – E você também sabe o quanto me empenho para que tudo dê certo para nós do Glee. Inclusive já estou pensando no que apresentarei para as Nacionais desse ano.

– Você é inacreditável, sabia? Quem te garante que vamos as Nacionais ou que se formos, você apresentará um solo? – Quinn adora testar minha paciência, sei disso porque ela está com esse sorriso bobo no rosto, como se realmente fosse legal me irritar. E falar sobre qualquer assunto que possa associar meu talento a algo negativo se torna um comentário super irritante e, principalemente, sem fundamento.

– Não vou me dá o trabalho de responder isso, Quinn. Sei que você só está tentando me irritar. – Passo o cinto de segurança enquanto ela dá partida no carro e sai do estacionamento. – Mas se for para irritar, que tal falarmos do seu clube do Celibato? – Olho de lado para ela, pois, sei bem o quanto Quinn tenta deixar escondido assuntos como esse.

– Melhor deixarmos esse assunto bem enterrado. – Ela aparenta estar concentrada na direção do carro. – Mesmo assim, para a sua informação, a ideia do clube era séria e continuaria sendo se eu não tivesse falhado.

– Ahh... corta essa, Quinn. Sabemos muito bem que o celibato não funciona para pessoas da nossa idade. – Ela desvia o olhar da pista para olhar para mim.

– Veja bem, Rachel, não é porque você pensa sobre coisas demasiadas intimas para fazer com Finn, que todos devem pensar em fazer o mesmo. – Ela rebate meu questionamento me acusando de viver pensando em coisas sexuais?

– Agora você vai querer me fazer acreditar que você não pensa e nem sente vontade de fazer nada assim... como... uns... amassos ou algo mais além disso? – Ela arqueia uma sobrancelha e assente através de um leve movimento com a cabeça. – Ei, não há nenhuma criança aqui, okay? Eu sei que você sempre foi fechada para falar sobre o que pensa e sente, mas sou eu aqui, sua amiga, você pode falar até sobre isso.

– Rachel, eu não sei se quero falar sobre esse tipo de coisa. – Ela avisa.

– Vamos, Quinn, por acaso você não ficou com vontade de levar as coisas a uma segunda base, quando estava namorando Finn? – Ela sorri e faz uma cara de total negação.

– Você só pode estar brincando. – Ela sorri. – Você já namorou Finn, sabe tão bem quanto eu que não há como sentir vontade de levar nada adiante. – Ela me olha como se esperasse que eu concordasse com o que ela diz.

– Bem... eu senti, não sei se é por ele ser alguém que eu realmente gosto, mas eu pensei sim em perder minha virgindade com ele. – Olho através da janela e penso em como as coisas estariam agora se eu ainda estivesse namorando ele.

– Se você diz... – Ela percebe o quanto fiquei pensativa depois de ter dito aquilo. – Mas, não, eu não senti nada. Talvez por isso eu me dedicava ao clube do celibato.

– E com Noah? Como você se sentiu quando ficou com ele? – Pergunto enquanto ela gira a direção do carro para dobrar em uma rua. Já estávamos próximas de minha casa.

– Eu não sei te dizer ao certo sobre isso, digamos que eu estava em um estado que passava longe da sobriedade. – Constato que assim como eu, Quinn não viveu quase nada dessas coisas que adolescentes comuns fazem, digo, em relação a atividades que envolvam prazeres sexuais, apesar dela já estar a um passo a frente por ter feito sexo com Noah. – Eu não sei, mas os garotos são muito apressados. Eu não gosto disso.

– É, eu também não gosto. – Quinn para o carro na frente da minha casa. – Mas... talvez... – Olho para as coxas dela. – Se você quiser experimentar as coisas que ainda não tivemos oportunidade de sentir... – Coloco minha mão sobre a perna dela. Quinn tem a pele tão macia. Percebo que ela está tensa. – Talvez, pudéssemos, dar uns amassos, assim, como Santana e Brittany. – Quinn está com os olhos arregalados. Os lábios dela estão levemente separados. Noto que as bochechas dela estão vermelhas como um pimentão. – Prometo não ir com pressa, Fabray. – Pisco para ela de lado enquanto tiro o cinto de segurança.

– O que você está me propondo, Rachel? – A voz dela sai arrastada.

– Relaxa, Quinn, estou apenas brincando. – Não consigo conter a gargalhada. Vejo que ela solta o ar e bate a cabeça contra o volante. Okay, talvez essa brincadeira tenha sido um pouco pesada? Ela levanta a cabeça e começa a rir.

– Agora sim você me pegou. – Ela ainda sorri. – Por um momento pensei que você estava falando sério. Você me assusta, Rach.

– A ideia de ficar comigo é assustadora? – Questiono antes de sair do carro.

– Não, claro que não. – Ela passa a mão no cabelo como se tentasse acomodá-los. – É só que... eu não sei o que faria se isso realmente fosse verdade.

– Bem, você tem todo o tempo do mundo para pensar sobre isso. – Falo enquanto saio do carro, deixando Quinn totalmente desconsertada. – Até amanhã, Fabray.

Já em casa, após ter almoçado, resolvo descansar antes de começar a estudar. A brincadeira que fiz com Quinn, no carro, foi daquelas brincadeiras com tons de verdade, mas que realmente ninguém assume como verdade. Apesar de ter dito ao Kurt que eu não levaria as coisas tão a serio e não ficaria me preocupando em saber qualquer coisa sobre o que sinto por Quinn ou o que ela sente por mim, não consigo evitar essas brincadeiras cheias de insinuações. Na verdade, nem mesmo Quinn consegue deixar essas coisas de lado. Eu nunca tive amigas, mas acho que isso deva ser normal numa amizade, não é?

Já à tarde, pego meu celular e vejo que há uma mensagem de Quinn. Ela deve ter me enviado há horas.

– Já estou em casa e estava pensando que você deveria parar de brincar como fez mais cedo. – Q.

– Que bom que já chegou. E sobre as brincadeiras... foi você quem começou quando não quis me contar a verdade sobre quem teria algum sentimento por mim. – R.

– Você nunca vai desistir disso? – Q.

– Você nunca vai me falar? – R.

– Adeus, Rachel. – Q.

As atividades do Glee nessa semana são todas voltadas ao Dia dos Namorados que está bem próximo. O que é péssimo quanto você está sozinha, pois todos aqueles casais transbordando amor e felicidade por aí, me fazem ficar tão para baixo. Não posso mentir sobre já ter pensado em voltar a namorar Finn, mas isso não seria certo, pois eu já nem sei o que sinto por ele. A verdade é que apenas não gosto de ficar sozinha.

Para piorar, Finn teve a “brilhante” ideia de arrecadar dinheiro para o Glee através de uma barraca de beijo. Claro que várias meninas da escola se animaram por, enfim, terem a chance de beijá-lo. Mas isso realmente não estava me animando muito, não por estar com ciúmes dele, mas porque isso inclui a possibilidade de qualquer uma o beijar, inclusive, Quinn Fabray.

– Você já viu a barraca do beijo que Finn fez? – Pergunto a Quinn quando estamos na aula de Ciências.

– Ainda não, mesmo assim, não é como se eu estivesse ansiosa para ver isso. – Ela fala em um tom quase sussurrado. A professora não pode nos ouvir, pois como sempre estamos conversando, mesmo durante as aulas, alguns professores já nos avisaram que nos levariam para conversar com o diretor, caso nos pegassem mais uma vez.

– Você não vai beijá-lo? – Algo dentro de mim pula de felicidade com essa possibilidade.

– Não sei, Rachel, tenho que ajudar o Glee, mas não estou com disposição para ter os lábios de Finn novamente. Já você... – Ela olha para mim rapidamente, como se esperasse a resposta.

– A verdade? Só não queria passar o dia dos namorados sozinha. – Ela continua a me olhar. – Além de que nós realmente temos que ajudar o Glee, não é?

– Você não precisa usar a desculpa de ter que ajudar o Glee para justificar a sua vontade de beijar o Finn. – O tom que Quinn fala isso é um tanto ácido. É como se ela estivesse com raiva de alguma coisa.

Prefiro não rebater essa afirmação de Quinn, pois há tantos sentimentos dentro de mim que nem sei ao certo o que eles significam ou a quem são direcionados. Se quero beijar, Finn? Não, realmente não quero. Mas como eu diria a Quinn que eu não quero que ela o beije também? Isso seria loucura.

As coisas ficaram um pouco estranhas entre eu e ela, após essa conversa. Ela não me esperou para ir à outra aula. Tampouco falou comigo na hora do intervalo. Na volta para casa, como todos os dias, ela estava me esperando para irmos juntas, mas ao contrario dos outros dias, nós quase não falamos. Ficamos em silencio a maior parte do tempo. Estou começando a odiar o dia dos namorados. Não havia toda essa tensão entre a gente, há uns dias.

No dia seguinte, após o intervalo, todas as meninas do Glee se juntaram para irem até a barraca do beijo. Eu detestei isso. Mas... me junto a elas e aqui estou... numa fila, esperando para ser beijada por Finn. Vejo que Quinn também está na fila. Ela conversa com Santana enquanto algumas meninas esperam a sua vez.

Assim como ontem, o clima entre mim e ela continua estranho. Eu poderia muito bem ir conversar com ela para saber o que está acontecendo, mas eu nem ao menos sei o que falar ou que perguntar, ou ainda, o que responder, caso ela pergunte qualquer coisa.

Quinn é a próxima da fila. Santana acabou de beijar Finn, se retirou da fila, não sem antes dizer em alto e bom som que havia só não havia desperdiçado o seu dinheiro porque eles serviriam para ajudar o Glee. Olhei rapidamente para Quinn e ela sorria por Santana ter dito isso.

Então, para meu desespero, Quinn se aproxima de Finn para beijá-lo. Ela entrega o dinheiro a ele. Ele está com aquele sorriso torto, com aquela cara de bobão, eu acharia isso muito fofo há algum tempo, mas hoje, não mais. Ela dá o dinheiro para ele e se move para sair da fila. Não consigo escutar o que ele diz a ela, mas ela move a cabeça como se estivesse negando algo. Ela passa por mim e fica ao lado de Santana, ainda próximo a barraca. Ufa! Quinn não o beijou. Isso é bom, não é?

– Rachel. – Ouço Finn me chamar. Eu deveria estar muito distraída comemorando, em pensamento, por eles não terem se beijado, pois nem vi que já havia chegado a minha vez. – Você veio aqui para me beijar, não foi? – Ele aguarda por minha resposta.

– É... sim, Finn. Mas, não sei. Espera! – Fico nervosa e algumas pessoas da fila gritam para que a gente agilize aquilo.

– Nós já fizemos isso muitas outras vezes, Rachel. Nada mudou. – Ele está novamente com aquela cara de bobão.

– Não, você está errado. Tudo mudou. – Entrego o dinheiro a ele e repito o que Quinn havia feito. Eu não o beijo.

Caminho para a Sala do Coral, quando passo por Quinn consigo ver o quanto ela está surpresa por aquele ato que tive. Ainda assim, sigo o meu caminho sem falar nada com ela.

Quando Quinn entra na sala, ao lado de Santana e Brittany, penso que ela irá fazer qualquer coisa, menos falar comigo ou sentar ao meu lado. Estava super enganada. Pois, ela senta numa ao lado da minha e não diz nada, apenas segura uma de minhas mãos enquanto passa o braço sobre o meu corpo. Olho para ela admirando pela milésima vez o quão bonita Quinn é. Ela devolve o olhar como se também admirasse algo em mim. O cheiro dela me invade no mesmo momento e isso é tão bom... me refiro a sensação de tudo estar voltando ao normal entre a gente.

– Por que vocês não se beijam de uma vez? – Santana consegue ser mais idiota que nunca. Mas, ao contrario de responder e gerar mais alguma confusão, Quinn e eu apenas a ignoramos. Nesse momento não precisamos de mais nenhuma confusão. Sinto como se nos bastasse apenas ficar assim... sem mais distâncias.

Enquanto Tina apresenta uma música ao Mike, como presente pelo dia dos namorados, eu e Quinn continuamos do mesmo jeito... o braço dela sobre mim e minha cabeça apoiada no ombro dela. É como se as coisas estivessem voltado ao normal sem ao menos termos conversado sobre o que tinha nos levado a agir daquela forma estranha por dois terríveis dias. Agora o único pensamento que me ronda a cabeça é: Não ter beijado Finn a melhor decisão.

Algum tempo depois, Finn entra na sala do coral e diz não estar se sentindo bem. Ele está se sentindo febril e com dor na garganta. Isso, provavelmente, por ter beijado tantas garotas em uma só manhã. Por ter convivido com ele tempo suficiente para conhecer não só ele como as alergias a alguns medicamentos que ele tem, digo que irei acompanha-lo até a enfermaria.

– Vai lá, Rach, eu te espero no estacionamento. – Olho para Quinn na tentativa de ver se há algo de errado.

– Não precisa. Posso ligar para o meu pai vim me buscar. – Falo enquanto pego minhas coisas para sair da sala.

– Eu te espero, a menos que você diga que não quer ir comigo. – Não respondo, chamo Finn para irmos de uma só vez a enfermaria. Não pretendo deixar Quinn esperando por muito tempo.

– Você e Quinn estão muito próximas. – Finn fala enquanto está deitado sobre uma maca.

– Isso, é bom não é? Nós não temos mais motivos para brigar, apenas isso, — Olho para o relógio para ver quanto tempo já se passou.

– Quinn é uma pessoa legal quando ela não está tramando algo. – Ele fala com a voz rouca, provavelmente a garganta deve ter inflamado mesmo.

– Ela já não é assim, Finn. – O repreendo. – Quinn, mudou de verdade.

– Se você diz... – Ele dá de ombros e virá para o lado oposto ao que estou. – Ela está mais linda que antes.

– Sim... – O rosto dela me vem na cabeça, assim como o cheiro maravilho que ela tem. – Quinn é muito bonita mesmo.

– Você não me beijou, Rachel. Por quê? – Ele se vira para olhar para mim.

– Quinn também não te beijou... – Ele olha para o teto, como se estivesse revivendo aqueles momentos na barraca do beijo. – e você não foi perguntar a ela porque ela também não te beijou.

– Porque sei que ela já não sente nada por mim, já você... – Ele volta a me olhar. – Você ainda sente alguma coisa por mim?

– Não precisamos entrar nesse assunto agora, Finn. – Viro de costa para ele.

– Acho que você não sente mais nada por mim como era antes. – Noto a voz dele embargada.

– Tem coisas que eu nem ao menos sei responder para mim mesma, quanto mais para você. – Ele fecha os olhos. Acredito que ele tenha aceitado aquela resposta, pois ele não fala mais nada por um longo tempo. – Finn... – Ele abre os olhos para me olhar. – como é beijar a Quinn? – Ele olha novamente para o teto.

– É como ver fogos de artifícios. – Ele fala em meio a um sorriso. – Fogos de artifícios? Isso deve ser bom, muito bom, na verdade. Eu acho fogos de artifícios magníficos.

– Sua mãe está aqui, Finn. – A enfermeira anuncia. – Você já pode ir para casa.

Eu o ajudo a levantar e nos encaminhamos para a saída da escola, onde a mãe dele está nos esperando. Olho para o celular e penso em ligar para meu pai ir me buscar, mas assim que chegamos ao estacionamento vejo que o carro de Quinn ainda está parado no mesmo lugar de sempre. Acompanho Finn até o carro quando vejo Quinn caminhando em nossa direção.

– Você está melhor, Finn? – Ela pergunta assim que se aproxima de onde estamos.

– Maios ou menos. – Ele responde fazendo uma careta de dor. – Talvez eu precise descansar um pouco. — Abro a porta do carro para que ele entre. Cumprimento rapidamente a mãe dele com um aceno, assim como Quinn faz o mesmo.

– Melhoras, Finn. – Falo enquanto fecho a porta do carro. Finn me dá apenas um sorriso meio fraco.

– Vocês demoraram. – Quinn fala assim que caminhamos para o carro dela.

– Eu pensei que você tinha ido embora. – Seguro na mão dela enquanto caminhamos. – Já ia ligar para o meu pai.

– Eu avise que iria esperar por você. – Quinn consegue ser mais perfeita a cada hora. Sim, pensando bem... acho que agora já sei que música apresentar no Glee para a semana do dia dos namorados.

Notas finais
E aí povo, como estão se sentindo em relação ao fim de Glee? Se com Glee era quase impossível interação Fabeery/Achele, imagina com a série finalizada. Mas... hoje também tivemos uma noticia bem legal: Dianna Fucking Agron estará numa peça em Londres, não é isso? Agron sempre matando os fãs de orgulho. Bem, espero que tenham gostado do capítulo. Aguardo ansiosamente os comentários de vocês.