Morada

5 Eu gosto de você assim como você é


Notas iniciais
O capítulo anterior rendeu alguns comentários bem legais. Obrigada aos que comentaram! E sobre esse capítulo... as coisas começam a esquentar um pouco.

Quando você resolve tirar a máscara e deixar que as pessoas vejam quem você é de verdade, duas coisas podem acontecer: A primeira opção, mais fácil de acontecer, é o fato de que as pessoas tendem a se afastar de você, pois você não é mais aquilo que elas estavam acostumadas. Aí você poderá se tornar sozinha e ter a solidão como única companheira; Na segunda opção, menos provável de acontecer, é sobre as pessoas passarem a valorizar mais ainda você, pois mudanças comportamentais podem ser ruins, mas vêm para mostrar a verdade, logo, podem ser a melhor decisão tomada por aquele que decidiu mudar. No meu caso, tive sorte em ser contemplada com a segunda opção.

Eu nunca imaginei que teria paciência para umas horas a mais no Glee vendo toda aquela cantoria, que dirá para acompanhar Rachel e Kurt numa tarde de compras no shopping. Então, estou aqui, sentada sobre essa confortável poltrona, enquanto Kurt e Rachel estão procurando por roupas que, segundo ele, são necessárias para o novo guarda roupa de Berry. Já disse alguma vez que são em momentos como esse que vejo que mudar foi a melhor coisa que fiz? Pois é, mudar me fez me aproximar mais de pessoas como essas duas figuras do Glee. Sinceramente? Estou bem melhor agora. Mesmo sendo considerada uma perdedora, como toda a escola considera quem faz parte do Glee, mesmo não sendo mais a pupila de Sue Sylvester.

– Estamos te deixando entediada, Quinn? – Rachel está parada na minha frente, me encarando como se realmente estivesse preocupada comigo.

– Não, Rach. Estou legal, não se preocupe comigo. Continue lá com Kurt. – Ela se aproxima e beija meu rosto. Não tenho como não achar cada gesto, como esse, encantador. – Urgh! Pare de ser tão melosa. – Rachel me olha e sorri.

– Deixe de ser rabugenta – Ela passa a mão por meus cabelos, na tentativa de bagunça-los, mas me esquivo. – Você fica bem melhor quando seus cabelos estão rebeldes. – Ela pisca e se direciona ao corredor de provadores. Kurt está em pé nos olhando, enquanto segura uma pilha de roupas nos braços.

– Quinn, você pode vim até aqui nos dá sua opinião? – Kurt pergunta depois de ter passado aproximadamente vinte minutos que Rachel entrou no provador. Me levanto e caminho até onde eles estão.

Vejo Rachel vestida em uma saia cintura alta num tom puxando para o marrom, blusa azul escuro ajustada perfeitamente ao corpo, meias de cor preta extensas até os joelhos e sapatos pretos. Ela está simplesmente... maravilhosa. Olho para ela de cima a baixo, impossível não olhar. Mas um olhar de admiração, não de cobiça. O tempo tem tornado Rachel incrível, mais do que ela já vem sendo.

– Você está perfeita, Berry. – Sorrio para ela que parece estar ansiosa para ter minha opinião.

– Você acha mesmo, Quinn? Não estou como aquelas adolescentes que se vestem como se quisessem ser adultas antes da hora... tipo vadias? – Ela está se olhando no espelho, enquanto eu e Kurt estamos observando a forma como ela estava vestida.

– Claro que não. Ainda que você tentasse, você não seria uma adolescente vadia. – Falo enquanto nossos olhos se encontram através de nossas imagens no espelho, mas não consigo não deixar de rir da forma como ela havia falado. Rachel chamando palavrão não é algo comum de se presenciar. – Essa roupa ficou realmente boa em você.

– É... acho que vou leva-la. – Ela passa a mão sobre a saia.

– Você acha? É claro que vai leva-la. – Kut aponta o dedo para ela enquanto fala. – Eu não vim aqui para perder tempo, Barbra. E você vai levar cada par de roupas que tenho nas mãos.

– Se você está me intimando, que opção me resta? – Ela começa a desabotoar a saia.

Saio do provador antes que Rachel faça a troca de roupas. Só a visão dela desabotoando a saia me faz ter pensamentos que me fazem parecer com um adolescente na puberdade. Quer dizer, mesmo tendo engravidado, há chances de voltar para essa fase da puberdade ou eu nunca saí? Enfim, sento novamente sobre a poltrona enquanto Rachel vai até o balcão pagar pelas roupas.

– Diga a verdade, Fabray. Tenho um excelente senso de moda, não é? – Kurt está com o nariz mais empinado que de costume.

– Sim, Kurt, eu devo confessar que você é muito bom nisso. – Levanto as mãos em forma de rendição – Mas não é como se Rachel não ajudasse sendo uma modelo perfeita.

– Isso também é verdade. Barbra tem um corpo lindo, mas ela esconde por trás daqueles suéteres estranhos e cheios de bichinhos. – Ele franze o cenho como se não gostasse de lembrar das vestimentas de Rachel.

– Não acho que são estranhos. Na verdade eu acho adorável o jeito que ela tem de se vestir. – Olho diretamente para Rachel. No mesmo instante ela olha para mim e mostra a língua. Garota implicante! – O jeito dela de se vestir combina perfeitamente com a personalidade... autêntica, fofa, são coloridas e representam perfeitamente toda a alegria que ela carrega.

– Eu nunca imaginei que você notava tanto em Rachel a ponto de saber associar as roupas à personalidade dela. – Ele me olha demonstrando toda a surpresa por saber tudo o que eu havia acabado de falar. Interrompemos o assunto assim que Rachel se aproxima de onde estamos e começa a falar sobre o que possivelmente as pessoas da escola vão falar quando a verem com essas novas roupas ao mesmo tempo em que nos dirigimos à praça de alimentação.

– Me diga a verdade, Quinn. Você não acha aquelas roupas um tanto exageradas para mim? – Rachel pergunta assim que Kurt vai até uma lanchonete pegar algo para comermos.

– Não, Rachel. Acho que as roupas estão legais, pelo ao menos as que eu vi. – Ela está sentada a minha frente e me encara com aqueles maravilhosos olhos castanhos.

– Não sei... não estou segura em usar essas roupas. – Rachel está com a cabeça apoiada sobre as mãos, enquanto me olha de forma aflita.

– Sabe Rachel, acho que você não deve mudar seu estilo a menos que você queira. Você é linda do jeitinho que você é – movo minha mão de cima a baixo, demonstrando que estou falando sobre como ela está vestida. – Eu acho que você só deve vestir aquelas roupas quando você se sentir segura, mesmo que Kurt fique chateado. Vai por mim, mudar o que você é, somente para agradar outras pessoas, não vale a pena. – Ela sorri para mim – Eu gosto de você assim como você é.

– Você é fofa, Quinn. – Ela afaga minhas mãos. Levanta de onde estava e se senta ao meu lado. Coloca o braço sobre meu ombro, numa espécie de abraço meio torto.

– Barbra, estou começando a detestar essa amizade com a Fabray. Você tem me deixado muito de lado. Não quer mais nem sentar ao meu lado. – Kurt fala assim que volta com nosso lanche.

– Não seja bobo, Kurt. Você é meu melhor amigo. – Rachel segura as mãos dele. – Já Quinn... – Ela volta a olhar para mim – acho que ela está em estágio probatório. – Arqueio minha sobrancelha na forma de tentar intimidá-la. Sem sucesso.

Depois que resolvi assumir, para mim mesma, que tenho fortes sentimentos por Rachel, as coisas ficaram mais complicadas do que pensei. Não que eu tenha me tornado uma maníaca que vive na cola dela, longe disso. Na verdade, as vezes procuro usar toda minha sensatez para me afastar um pouco, na tentativa de deixar esse sentimento que vai crescendo dia após dia, menos intenso.

Eu poderia dizer para Berry o quanto estou apaixonada por ela. Ou então dizer quantos sonhos já tive onde nós nos beijávamos apaixonadamente. Mas prefiro manter essa amizade saudável que construímos, a ter de jogar tudo para o alto me declarando para ela e perdendo de vez a grande amiga que ela é. Mesmo assim, não sinto como se eu me declarando, ela fosse me aceitar dessa forma na vida dela, digo, como namorada. Namorada?

Namorada sim! Ter Rachel Berry como namorada deve ser incrível. Sorte e azar e Finn que já teve essa oportunidade por duas vezes. Sorte porque ela é uma garota maravilhosa. Azar por perdê-la e por duas vezes... Que bobo ele é!

– Não Rachel, eu não estou com nem um pouco de vontade de assistir um musical hoje – Falo enquanto estou deitada em minha cama. Rachel está em pé me olhando com os braços cruzados um pouco abaixo dos seios e com um bico insuportavelmente apaixonante, demonstrando o quanto não gostava de ser contrariada. Morro de vontade de beijá-la nessas horas. Me viro de bruços sobre a cama para não ter que olha-la.

– Por favor, Quinn. Você vai gostar desse, eu prometo! – Mesmo eu tendo dito que não queria assistir ela coloca o filme. Então se aproxima de mim e passa a mão por minhas costas. Continuo calada. – Quinn, não seja infantil, vire para mim enquanto eu falo com você. – Ela puxa por meu ombro, mas continuo no mesmo lugar. – Quinn Fabray, o filme vai começar e se você não se virar agora eu não pisarei novamente na sua casa tão cedo. – Quem ela pensa que é para me ameaçar? Ainda assim viro lentamente meu corpo para me encostar sobre a cabeceira da cama. – Isso mesmo, Quinn, agora me dê seu braço aqui. – Ela se aconchega em mim quando passo meu braço em volta do corpo dela.

No decorrer do filme me levanto para pegar água. Quando volto Rachel está completamente deitada na cama, com vários travesseiros sob a cabeça. Eu definitivamente não gostaria de deitar ao lado dela, não agora que ela insiste em ficar colada em mim enquanto eu tenho alguns pensamentos inapropriados sobre coisas que eu gostaria de fazer com ela. Eu sei que isso não é certo e tenho rezado muito para deixar de pensar coisas assim sobre Rachel. Ela é minha amiga, somente isso. Acho injusto eu pensar em como deve ser o beijo dela ou mesmo dar uns amassos com ela, enquanto ela só pensa em ter minha companhia como boa amiga e nada mais que isso.

Rachel está deitada quase que deitada na diagonal sobre a minha cama. Ela me puxa para ficar mais perto dela. Sinto ela se mover e ficar de lado. Passo meu braço sobre a cintura fina e delicada dela, na tentativa de encontrar uma melhor posição. Isso é muito aconchegante... isso de sentir o corpo dela tão perto do meu. Agora estamos deitadas do jeito que costumam chamar de conchinha, eu acho.

Nós estamos deitadas de lado, meu braço continua sobre a cintura dela e para meu desespero, sinto a bunda dela pressionar levemente na direção dessa parte tão sensível do meu corpo... essa que fica logo um palmo abaixo do umbigo. Droga! Isso sim é tortura. Sinto que essa noite virá mais umas belas sessões de sonhos audaciosos que envolvem certa morena que está a minha frente.

Não é possível que ela não se dê conta que essa posição em que estamos seja exacerbadamente intima. Rachel não é boba, sei disso. Sinto como se ela estivesse me provocando ou é só a minha mente fantasiando coisas? Ela aperta um pouco mais forte meu braço que está ao redor da cintura dela. Não há mais distancias entre nós duas. Minha respiração está pesada e bate contra o pescoço dela. Resolvo fazer como Finn e pensar no atropelamento do carteiro, mas nem assim a excitação diminui. Sinto que minha calcinha precisará ir para o lixo. Isso é tão errado, mas tão... bom.

Rachel solta um suspiro pesado e se move, consequentemente, move a bunda contra a minha pelve. Isso está ficando insuportável. Agora eu só espero que esse filme termine logo. Ela vira o tronco e me olha. Tento demonstrar que estou interessada no filme.

– O que foi, Rachel? – Minha voz está mais rouca que o normal. Tão fácil notar o quanto estou excitada. Ela desvia o olhar na direção de minha boca. Não, não é possível que ela esteja tendo pensamentos sobre beijos e essas coisas. Rachel não pensaria sobre isso, não mesmo.

– Nada Quinn, eu apenas... apenas queria saber se você não estava dormindo – Ela leva a mão até meus cabelos e os bagunça. Aproveito esse momento para me afastar um pouco dela. Mas ela me puxa novamente para a posição em que estávamos anteriormente. – Não ouse se afastar, Fabray. Continue onde você estava. – Porra! Ela só pode estar brincando comigo.

– Eu só preciso beber mais água. Será que posso? – Ela já está virada para a televisão. Não é possível que Rachel não tenha percebido algo diferente entre a gente. Toda essa aproximação me assusta. Toda essa ex-ci-ta-ção me assusta. Eu nunca havia sentido nada tão intenso quanto senti agora, nem mesmo da única vez em que transei com Puck, muito menos nos amassos que dei com Finn ou Sam.

Vou até a cozinha e bebo água enquanto aproveito para esfriar algumas partes do meu corpo. Talvez Rachel esteja realmente me provocando, só não sei o porquê, ou, talvez ela também sinta coisas por mim. Nahmmm... hipótese descartada! Enfim, sentindo ou não, preciso respeitá-la.

– Você demorou. Pensei que tinha me abandonado. – Me encosto na cabeceira da cama e a abro os braços para que ela venha para perto. Rachel entende e se aconchega contra meu corpo. Ela me olha e eu a beijo na bochecha. Noto surpresa no olhar dela. – E esse beijo foi significa o que?

– Significa que sou eu tentando ser carinhosa com você. – Falo enquanto dou o play no dvd. Vejo que ela continua a me olhar, como se quisesse saber o que há por trás daquilo. Mas realmente não há nada. Esse beijo foi apenas a vontade de demonstrar a ela o quanto a quero bem.

– Quinn... – Ela fala enquanto tira o filme do aparelho de dvd para guarda-lo. Eu ainda estava deitada. – Outro dia, na sala de vídeo, você disse que Finn não era o único a me desejar... – Não, por favor, não me pergunte o que eu acho que você vai perguntar – Sobre quem você estava falando quando disse isso? Digo, quem a outra pessoa além de Finn que tem sentimentos por mim? – Tarde demais... Estou ferrada!

Notas finais
E aí pessoal, Rachel está ou não provocando a Quinn?