Morada
6 Efeito Quinn Fabray?
Notas iniciais
– Quinn, outro dia, na sala de vídeo, você disse que Finn não era o único a me desejar... – Me viro para onde ela está quase deitada – Sobre quem você estava falando quando disse isso? Digo, quem a outra pessoa além de Finn que tem sentimentos por mim? – Vejo que ela arqueia apenas uma sobrancelha, mas logo essa expressão se desfaz e dá lugar a um de... pânico?
Quinn levanta da cama, mas logo em seguida se senta novamente, dessa vez, no canto da cama. Noto que ela prende um pouco o ar. Inclina levemente a cabeça e olha para o canto direito do quarto, como se quisesse lembrar-se de algo. Mas a cada segundo o rosto dela ganha uma tonalidade de vermelho mais intenso. Ela está passando mal?
– Você está bem? – Me aproximo de onde ela está sentada.
– É... sim, claro que sim. – Ela gagueja um pouco antes de falar.
– Tem certeza? – Ela já não está com as bochechas tão vermelhas quanto antes.
– Sim, Berry, eu tenho certeza. Estou bem. – Ela levanta e caminha até o banheiro. Após aproximadamente cinco minutos, Quinn, sai do banheiro com uma aparência bem mais leve. Fico olhando para ela. Ela senta novamente sobre a cama. – O que foi? – Ela pergunta quando nota que eu continuo olhando para ela.
– Estou esperando a resposta, Quinn. – Ela encara as mãos.
– Isso é realmente necessário? – Não entendo porque ela está tão hesitante em me dá a resposta.
– Claro que sim. Você me disse algo que eu não imaginei ser possível de acontecer... alguém gostar de mim. – Me sento do lado oposto ao que Quinn está. Lembrar que sempre fui rejeitada ainda doí. Mesmo que agora eu tenho amigos, como Quinn e Kurt, lembrar que vivi a minha vida inteira sozinha me trás sentimentos que beiram a depressão.
– Eu já falei que gosto de você, não falei? – Ela fala em um tom baixo.
– Mas naquele dia estávamos falando de desejo, não era? – Olho para ela sobre o ombro. – Pelo ao menos era a isso que eu me referia quando disse que Finn era o único a me desejava. – Quinn continua de costa para mim, olhando em direção a parede. – Você gosta de mim como amiga e isso é bem diferente do sentimento que Finn tem, ou teve, por mim.
– Se é o que você pensa... – Ela fala quase que em um sussurro. Me viro totalmente para ela.
– Como assim é o que eu penso? – Agora ela me olha também. – Eu estou ficando meio perdida aqui nessa conversa. – Me levanto e fico na frente dela. Quinn está com os olhos verdes vidrados em mim, isso me causa certo desconforto agora. – Se eu entendi bem, você acabou de insinuar que tem sentimentos por mim que vão bem além da amizade? – Cruzo os braços enquanto espero a resposta. Como de praxe, ela arqueia as sobrancelhas ao mesmo tempo em que morde o lábio inferior. O que para muitos seria uma expressão facial que simboliza a dúvida, para mim se torna algo extremamente sexy. Efeito Quinn Fabray?
– O que você acha, Berry? – Ela responde com outra pergunta.
– Não sei. Me diga você. Foi você quem falou. – Insisto para ter a resposta. Quinn me cansa com esse jeito de querer fugir de alguns assuntos.
– É... eu... eu poderia dizer facilmente que... talvez eu esteja tendo certos sentimentos por você. – Olho para Quinn e ela continua séria mesmo após ter dito isso. Não consigo controlar meus instintos e solto uma boa gargalhada. Como ela consegue fazer gracinhas com um assunto como esses? Sinto dores abdominais de tanto rir. – O que... o que é tão engraçado, Rachel? – Ela fala num tom áspero.
– Você! Você tem um senso de humor magnífico, Quinn. – Me sento ao lado dela, depois de ter recuperado todo o ar necessário para não voltar a ter uma crise de riso.
– Você não acredita que eu poderia estar apaixonada por você? – Ela me olha expectante pela resposta.
– Não, isso definitivamente é algo impossível de acontecer. – Falo enquanto empurro o ombro dela para que ela pare de brincar assim.
– Por quê? Por que você acha impossível? – Sinto toda a curiosidade que a consome sendo externada através do olhar dela sobre mim.
– Ora, Quinn. Você é o símbolo da heterossexualidade feminina da escola, de toda Lima, talvez. – Respondo na tentativa de mostrar toda a lógica desse meu raciocínio. – Mesmo assim, não é como se você pudesse se apaixonar por mim. Você sabe... não sou todo um exemplo de beleza.- Baixo a cabeça ao falar isso.
– Ei, não volte a repetir uma coisa dessas. – Ela levanta minha cabeça com uma das mãos. Com a outra ela tira a franja que cobre levemente meu rosto. – Você é linda, Rach. Acredite no que estou dizendo, pois, para mim você é maravilhosa. – Eu sorrio para a forma como ela fala. – Saiba que se um dia me perguntarem sobre quem é a garota mais bonita da cidade de Lima, eu direi com toda a certeza que há em mim: Rachel Berry. – Belisco levemente o braço dela e ela faz uma careta de dor.
– Retiro o que eu disse ainda a pouco sobre você ser o símbolo da heterossexualidade feminina, porque hoje você está muito gay, Quinn. – Me levanto da cama enquanto nós duas rimos do que eu havia acabado de falar.
– Por você, Rach. Só por você. – Ela fala enquanto me puxa para sentar novamente. Mas sem ao menos pensar no porque, me sento sobre as pernas dela. Uau! Quinn Fabray está me dando colo. Isso é hilário e ao mesmo tempo maravilhoso.
Ela beija a minha cabeça e ficamos em silêncio. Repasso mentalmente aquela conversa e não consigo não achar incrível o rumo que as coisas estão tomando entre eu e Quinn. Meus pensamentos são interrompidos pelo toque de meu celular.
– Meus pais já estão aqui em baixo. – Falo depois de ler a mensagem que meu pai enviou. Olho diretamente para o rosto dela que está muito próximo do meu. Tenho certeza que se alguém nos visse assim pensaria que estamos em algum tipo de relacionamento parecido com um namoro.
– Não vá. Está cedo ainda. Diga a eles que eu te deixo em casa. – Ela me aperta em um abraço aconchegante.
– Não... melhor eu ir, hoje é dia de postar vídeos no MySpace. – Me levanto do colo dela e arrumo minha roupa.
– Você está trocando a minha companhia por uma rede social? – Pela milésima vez, nessa tarde, ela arqueia as sobrancelhas.
– Não é pela rede social, mas sim pelos meus vídeos. Não posso privar o mundo de conhecer alguém tão talentosa como eu. – Falo em um tom divertido e me inclino par dar-lhe um beijo no rosto lindo de Quinn. – Vamos, girlfriend. Me leve até meus pais.
– Girlfriend? – Ela questiona enquanto se levanta para me acompanhar até a saída.
– Sim, é o que você é. Você disse que pode estar apaixonada por mim, então é como vou te chamar agora. – Falo enquanto descemos as escadas. – Como dizem por aí... as amizades só são diferentes do namoro porque nelas não há beijos na boca ou sexo. – Estamos paradas próximo a porta. – E com a gente é assim, veja como estamos nós agindo agora... Assistimos filmes enquanto estamos abraçadas, vamos juntas as compras, sentimos saudades uma da outra, pelo ao menos eu sinto. – Quinn sorri por conta do que eu falei. – Sem falar que sinto ciúmes de você quando você está com qualquer um dos seus outros amigos.
– Você é muito terna. – Ela acaricia meu rosto. – E para sua informação, eu sinto saudade sim de você. – Ela me abraça e uma de suas mãos faz carinho em minhas costas.
– Tá vendo, Quinn? Agora você já está até mais afetiva que antes. Você já me abraça com mais naturalidade. – Constato isso enquanto ainda estamos envolvidas no abraço que é difícil de separar.
– É a convivência, Berry, apenas isso. – Ela sorri e se separa de mim. – Agora vá. Seus pais já devem estar a ponto de entrar para lhe procurar.
– Até amanhã, Quinn. – Beijo o rosto dela, próximo à orelha. Não foi proposital, mas esse beijo me causou arrepios, tenho certeza que nela também, pois os pelos do braço dela estão eriçados.
– Até, Berry. – Ela fala em um tom totalmente rouco. Ops! Isso foi demais.
Já em casa, depois de ter feito todo o meu ritual de higiene para poder dormir. Desligo as luzes e deito em minha cama. Repasso novamente os acontecimentos de hoje a tarde e constato que Quinn me enrolou de todas as formas, mas não respondeu minha pergunta. Pego o celular e mando uma mensagem para ela.
– Acordada? –R.
– Até antes da sua mensagem, sim. – Q.
– Desculpe, não queria atrapalhar seu sono. Volte a dormir. – R.
– Eu estava brincando. Estou com minha mãe assistindo televisão. – Q.
– Diga, o que você deseja me mandando mensagem essa hora? – Q.
– Você. –R.
– Rachel, você quis realmente dizer isso? – Q.
– E se eu quisesse? – R.
– Não sei o que dizer. – Q.
– Não precisa, pois você jamais vai saber se eu realmente quis dizer isso. – R.
– Você é idiota, sabia? – Q.
– Você não é a única que sabe fazer gracinhas, Quinn. – R.
– Não estou rindo. – Q.
– Porque você é chata. – R.
– Boa noite, Rachel. – Q.
– Espera! Não vá. – R.
– A mensagem era para dizer que você me enrolou de todos os modos e acabou não respondendo minha pergunta. Diga de uma vez, quem é interessado por mim, além do Finn? – R.
– Já respondi. – Q.
– Não, você não respondeu. Você me enrolou falando que poderia ser você. – R.
– E se de verdade fosse eu? – Q.
– É você? – R.
– O que você acha? – Q.
– Acho que você está me enrolando para não falar a verdade. – R.
– Pense o que você quiser, Rachel. – Q.
– Pensar o que eu quiser? E se eu pensar o que eu quiser me fizer acreditar no que você falou? – R.
– Você é livre para acreditar no que você quiser... inclusive, em nós duas desse jeito que você está pensando agora. – Q.
– Você não sabe no que estou pensando, além do mais, eu não acho que você quis dizer isso que acabei de ler. – R.
– Repito o que você falou ainda agora: Você jamais vai saber se eu realmente quis dizer isso. – Q.
– Te odeio, Quinn. – R.
– Idem. – Q.
Agora estou mais confusa que antes. Eu não consigo acreditar no que ela diz. Não acho que seja possível ela ter esse tipo de sentimento por mim. Só não entendo porque ela não responde logo. Talvez ela esteja querendo proteger alguém ou então quem quer que seja, deve ter pedido segredo e Quinn não é fofoqueira, por isso ela jamais irá falar. Isso só me deixa mais curiosa.
Mas por outro lado, pensar em Quinn desse jeito é algo novo e... interessante. Nunca me senti atraída por alguma garota, mas não vou negar que Quinn sempre provocou em mim as emoções mais extremas que vão do ódio ao amor. Ainda assim, não é como se duma hora pra outra, ela resolvesse sair do armário, se é que ela já esteve lá, e assumisse os sentimentos dela por mim. Ok, sonhar com a Broadway e em um dueto com Barbra é algo grandioso, mas acima disso, sonhar em ter um namoro com Quinn é mais grandioso ainda.
Toda aquela gostosa proximidade de hoje a tarde deve estar afetando meus neurônios. Aquele lance de abraçar e deitar muito próximo foi demais. Me fez sentir coisas que jamais senti antes, nem das vezes que tentei dá uns amassos mais pesados com Finn. Enfim, melhor ir dormir. Depois eu penso num jeito de não ter os mesmo impulsos de hoje a tarde, como o beijo próximo da orelha de Quinn, isso pode assustá-la. E se tem uma coisa que não vou por em jogo é a minha amizade com ela por conta desses hormônios que estão aflorados em mim.
– Barbra! – Me assusto com o grito de Kurt. Ele balança as mãos para chamar minha atenção. – Você está distraída demais hoje. – Estamos no refeitório da escola.
– Desculpe, eu tenho algumas coisas na cabeça que estão me deixando aflita. – Direciono o olhar para onde está Quinn com Santana e Brittany.
– Você quer conversar sobre isso, Berry? – Ele segura minhas mãos. Olho atentamente para os olhos azuis de Kurt. Acho que posso conversar com ele sobre tudo.
– Você seria capaz de guardar segredos? – Pergunto aflita.
– Você me ofende com essa pergunta. Quantas coisas você já me contou e eu espalhei por aí? Diga! – Eu nego com a cabeça. – Isso mesmo, nenhuma. Sou seu amigo, Rachel. Você pode conversar comigo sobre qualquer coisa. – Ele leva o copo com chá até a boca e dá um profundo gole.
– Kurt, eu tenho pensado algumas coisas absurdas desde ontem. – Não consigo olhá-lo enquanto falo.
– Ohh Berry, você fala e pensa algumas coisas absurdas há muito tempo. – Ele solta um riso como se tivesse contado a piada do ano.
– Sério, Kurt. – Cruzo os braços e ele percebe que estou falando sério.
– Ok, sério. Diga, o que está acontecendo? – Ele se ajeita sobre a cadeira e se aproxima de mim para melhor escutar o que começo a falar para ele.
Explico a Kurt sobre minha amizade com Quinn em todos os detalhes desde quando começamos com isso de brincar sobre termos algum sentimento a mais uma pela outra. Kurt ouve tudo atentamente e não fala nada até que eu termine tudo o que tenho para falar.
– Uou Barbra! Deixa eu ver se entendi... Você quer saber minha opinião sobre a possibilidade de Quinn sentir alguma coisa por você? – Eu juro que esperei uma boa gargalhada, pois há algum tempo atrás era isso que aconteceria. Mas me surpreendi. – Bem, Rachel, eu tenho notado algumas coisas, desde o dia que fomos ao shopping, na verdade. – Olho para ele demonstrando o quanto estou surpresa com essa informação. – Naquele dia eu fiz algum comentário com Quinn sobre os seus suéteres que considero horríveis... – Olhei para o suéter que eu estava usando e não consigo ver nada de horrível nele. – Ela me respondeu algo como suas roupas são perfeitas para você e que combinam perfeitamente com sua personalidade. Eu fiquei me perguntando... Como Quinn consegue, de uma hora para outra, saber associar coisas assim sobre você? Há alguns meses vocês nem se falavam direito. E do nada ela vem com todas essas informações a seu respeito. – Continuo olhando para ele vidrada no que ele diz. – Então, eu vejo como vocês se olham, como ela te olha, como vivem se abraçando e principalmente o quão próxima vocês estão. Às vezes chego a pensar que vocês se conhecem melhor que eu e Blaine. – Olho para Quinn nesse momento rapidamente enquanto Kurt continua a falar. – Eu já cogitei a possibilidade de ter algo entre vocês, mas ela é Quinn Febray, não consigo ver nada de gay nela. E você... você é a Rachel obcecada pelo amor de Finn. Olhando por essa lógica não consigo ver a possibilidade de um namoro ou qualquer coisa do tipo entre vocês duas. Mas... não sei. Tem tudo isso que você me contou e tudo o que eu já constatei sozinho e... estou tão perdido quanto você.
– Droga! Eu preferia voltar ao momento em que eu não pensava em nós duas desse jeito. – Coloco as mãos sobre meu rosto. Essa confusão toda está me deixando maluca. – Agora eu até a chamo de Girlfriend! – Kurt solta uma gargalhada por conta do apelido que dei a Quinn.
– Ai Barbra, por Deus! Você é demais... sério! Com toda essa confusão rolando, você ainda inventa de dá um apelido desses à Fabray? – Me sinto uma idiota, eu já havia dito isso?
– Me ajuda, Kurt, você é meu amigo e tem que me ajudar a entender isso. Quero saber se ela estava falando a verdade sobre ser ela quem sente alguma coisa por mim... Quero saber se o que eu senti ontem quando estávamos deitadas foi desejo, desse tipo de desejo que te levam a excitação. – Essa ultima parte eu falo em um tom tão baixo que me pergunto se eu realmente falei ou ficou apenas em meu pensamento.
– Sabe, Rach, não adianta você ficar se martirizando por conta dessas coisas. Como eu te disse ainda agora... eu estou tão perdido quando você. Então... acho que não há muito o que fazer, apenas... deixe fluir. Continue tratando ela como você está, continue sendo você mesmo. Não force nada, nem mesmo respostas que podem tanto esclarecer as coisas ou te deixar com mais dúvidas. E, principalmente, não se apague em algo que você nem tem certeza se é real ou não. Portanto, deixe apenas fluir.
As palavras de Kurt continuam em minha cabeça durante todo o caminho a Sala do Coral. Sim, deixar fluir! O que tiver de ser... será, sem apelar, sem forçar nada. Se Quinn tem algum sentimento por mim, ela irá falar, uma hora ou outra, até lá... prefiro aproveitar cada detalhe dessa nossa amizade. Cada beijo, cada abraço, cada toque, cada olhar.
– Oi, Quinn! – Falo enquanto me sento ao lado dela, esperando que os outros membros do Glee cheguem.
– Oi! – Ela passa o braço ao redor do meu ombro e me abraça. – Você não falou comigo na hora do intervalo. Ficou o tempo todo com Kurt. – Ela fala bem próximo de meu ouvido. – Senti sua falta. – Ai, Quinn, por favor, não complique as coisas.
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