Moonlight Equilibrium
1 UnCelestial
Eduhim é meu nome, nascido de uma bela Succubus e um alto sacerdote de Orinthüm, chamado de Thordek, qual temendo por minha vida, me enviou a Terra em Ritual estranho e desconhecido por mim, para servir em um templo escondido na sombra da sociedade, a aprender sobre o domínio das trevas e me tornar o que deveria ser hoje, um alto sacerdote maligno. Pelo que os sacerdotes me contaram, eu cheguei lá nos braços da Succubus, qual escondeu sua face e se passou por humana, mesmo eles sabendo quem ela era por puro conhecimento das trevas. Me aceitando por medo, sabendo que eu era filho de Thordek, o imortal que quase derrotou o Deus da Luz... mas quase é apenas uma trivialidade para não falar sobre seu grande fracasso, na morte de seu exercito e depois exilado naquele plano, como um indigente, obrigado a caminhar por toda a eternidade, envolvido em trevas.
Durante toda minha vida procurei um significado para minha existência, desprezando o fato de meu pai nunca estar comigo e por minha mãe não me amar, mas logo já havia me tocado e esquecido os meus sentimentos, algo incomum para um sacerdote das trevas, já que Orinthüm prega a destruição e raiva contra os seres da Luz. Mas eu sempre fui diferente, estudando por vontade própria e vivendo minha vida como qualquer jovem, mas pelas trevas. Até o dia em que um Arcanjo veio até o convento e começou a matar todos os sacerdotes, e pelos deuses, a raiva dos mesmos era superior a qualquer raiva, talvez fruto do seu deus, ou talvez apenas noites sem dormir sobre uma proteção de retardados e gordos sem vida alguma, abandonados por suas esposas ou expurgados pela sociedade para aquelas partes.
Depois de partir as pressas por ordem de um dos sacerdotes, fui acompanhado por um cavaleiro das trevas, qual trajava trajes distintos para mim, mas eu não me interessei por aquilo, agora ''amaldiçoado'' com um livro qual deveria estudar, mas para isso eu precisaria aprender sobre a arte das Trevas para sequer desvendar uma palavra, pois o mesmo só poderia ser lido com o domínio qual eu nem conhecia.
E por anos o cavaleiro das trevas me ensinou sobre essa dádiva de Orinthüm, fugindo de constantes ataques de Arcanjos e vivendo nossas vidas como ladrões ou caloteiros, tudo para sobreviver, até o certo ponto em qual ele jogou uma real maldição em mim, selando minha face e o olhar mortal dos humanos, apenas havendo uma viseira neste elmo e nada mais, me obrigando a seguir em frente sozinho pelas ruas da Europa, andando pela noite e descansando pelo dia, enquanto a fome das Trevas aumentava e meus olhos se tornavam minhas armas... mas agora os tempos mudaram, e está na hora de agir ou morrer.
Alguns anos mais tarde...
No centro da grande metrópole de Londres, em minha jornada, havia percebido grande movimentação de energia celestial, algo realmente incomum, sendo manisfestado naqueles arredores. Curioso, não podendo ignorar a anormalidade de tal acontecimento, me dirigi para onde se encontrava a fonte do poder, que estava ociosa. Porem, ao chegar em meio a multidão do centro turbulento da cidade, me perdi do rastro da energia, e uma vez perdido, procurei um modo de encontra-lo novamente.
As pessoas apressadas com seus afazeres, passavam esbarrando sem sequer se importa, e pareciam ignorar a presença uma das outras, mesmo que isso parece absurdo, dado ao grande volume de pessoas ali. Pude observar que nenhum até o momento era de qualquer modo 'especial', apenas almas aprisionadas em suas cascas de carne, algumas, chegavam a exalar um certo nível de obscuridade, mas isso é algo que eu já está acostumado a lidar, e sabia que todos, do mais jovem ao mais velho, tinham naturalmente uma certa inclinação para o mau e o sombrio; e que a diferença deles para mim, não era nada mais que 'um dia ruim'. Enquanto procurava o rastro da energia que havia perdido, algo me chamou a atenção; um pequeno prédio abandonado logo a algumas esquinas dali, nada de sobrenatural ou oculto, apenas uma construção de tijolos e cimento. Eu não entendia por que, mas, algo me chamava para lá.
A entrada era de um hotel clássico, tipico dos anos setenta, porem, estava totalmente arruinada. Haviam várias tabuas de madeira pregadas em frente a porta principal, feitas para impedir a passagem de moradores de rua que procuravam abrigo por ali. Mas essa barricada não era muito eficaz, pois a madeira estava podre devido ao tempo, e qualquer um, com o minimo de esforço, poderia arranca-las dali. As paredes, com a tinta desgastada, e muitas, nem sequer havia tinta mais. O chão era coberto por um pó branco que a cada passo, levantava-se, incomodando tanto os olhos quanto a respiração de alguém que não estivesse 'protegido'. Ainda na entrada, um balcão de recepção, aos pedaços, e trás dele, uma fileira de ganchos, feitos para pendurar as chaves dos quartos. Alguns estavam faltando e quase todos estavam vazios, exceto por um, que segurava uma chave dourada, porem, muito desgastada. Seguindo em frente, haviam escadas circulares, com degraus de madeira escura, também muita velha e poida. Alguns degraus estavam faltando, e outros ameaçavam cair ao primeiro toque de um passo. A chave me parecia completamente normal, assim como o lugar onde estava anteriormente. Sem ter muito o que fazer, a peguei, guardando-a no bolso, e segui para as escadas.
Os degraus rangiam a cada passo dado, e muitos, chegaram a rachar a madeira me fazendo pisar em falso, mas com tudo, mesmo com todas as adversidades, entre pulos e sustos, consegui seguir até o primeiro andar, onde se encontrava um longo corredor. No corredor haviam várias portas de madeira, algumas caídas, deixando os quartos ao qual deviam guardar, e outras, que se mantinham ainda em pé, percebia que cairiam ao sentir qualquer toque mais brusco. Olhei para cima e pude ver outro lance de escadas nas mesmas condições que a anterior, levando para o terceiro andar do prédio. Enquanto olhava para o corredor, senti um pequeno oscilar de energia celestial logo a cima de minha cabeça, provavelmente no andar de cima, que em seguida se desfez. Segui rapidamente para as escadas, muito curioso para saber do que se tratava aquilo.
Ao chegar no terceiro andar, o corredor exalava um cheiro forte de sangue, que era meio que camuflado pelo cheiro de mofo das paredes e das portas de madeira, que ali naquele local, pareciam ainda mais precárias. Assim que coloquei o primeiro pé no corredor, senti uma forte onda de vento, vindo da ultima porta, que passava por todos as outras, as fazendo baterem contras as dobradiças, provocando um som ensurdecedor. As rajadas de vento vinham em intervalos de uns quatro a cinco segundos. Quando a rajada era mais forte, ao ponto de levantar mais que meu cabelo e roupas, me fazendo recuar alguns passos, uma luz branca oscilava dentro do quarto. Algumas vezes essa luz trazia a sensação de energia angelical, enquanto outras era algo diferente, como uma força neutra sem uma propriedade especifica. Aproximando-me mais alguns passos pelo corredor, já era possível ouvir algumas palavras em Hebraico, um idioma antigo que conhecia bem. As palavras se repetiam de maneira confusa, e com muitos erros de concordância.
Persisti em minha empreitada, me mantendo firme em vontade e passos, que me moviam de maneira lenta, porem constante até o local. Então, enfim, olhando para dentro do quarto, haviam dois garotos, de aproximadamente uns dezesseis ou dezessete anos de idade. Eles estavam no centro do quarto, envolta de uma esfera branca, presa em um suporte de madeira, algo bem improvisado, feito com caixas e pedaços de madeira velha. A esfera, que emitia a luz, provocava as rajadas de vento. Percebi que quando eles acertavam as palavras em Hebraico, e luz brilhava mais forte, e quando acertavam uma frase inteira, o vento fazia as portas e janelas baterem enquanto a luz aumentava a sua intensidade. Os garotos pareciam muito concentrados, ao ponto de nem notar minha presença ali. Eles repetiam as palavras juntos, compulsivamente, com os olhos e mãos voltados para a esfera. Não reconhecia tal coisa, devia ser algum tipo de invocação celestial, e não queria aquilo no momento. Então puxei das mangas da blusa, amuletos, e manifestando sombras, agi no intuito de empurrar os garotos na direção contrária da esfera, os afastando da mesma
– Onde vocês aprenderam a fazer isso? Malditos jovens... — Disse com extrema indignação.
Mas minhas palavras pareciam não chegar até eles, que se mantinham concentrados no que estavam fazendo, como se estivesse em algum tipo de transe. A energia sombria se arrastava até eles, porem, ao se aproximar da área em volta dos dois, se formava um tipo de barreira, que só era revelada quando a energia encostava na mesma. Era branca e luminosa, e parecia algo angelical, que impedia a passagem de meu domínio até o dos garotos.
Por algum tempo minhas investidas foram constantemente rejeitada, até que por fim, os dois garotos pareceram finalmente terminar o que estavam fazendo, e a esfera ao qual eles se concentravam começou a rachar. Um tipo de fumaça branca saiu de dentro da mesma, cobrindo todo o comodo. Não pude ver mais nada a minha frente, e mesmo meus domínios pareciam nulos perante aquela estranha anomalia. Recuei, tentando chegar até a porta e então sair daquele quarto, meio que cauteloso pelo que acontecia, pois se fosse uma invocação celestial, aquilo traria problemas. Por minha experiência, sabia truques para por ventura evitar até Arcanjos, mas naquele momento não fiz uso deles, por pura toli-se. Tentei por fim formular em minha mente, as palavras que os garotos tanto repetiam, enquanto me movia.
Atônito, fiquei, ao me afastar e não encontra a porta, mesmo me guiando pelo caminho que havia vindo. Continuava a dar passos intermináveis para trás, sem nunca encontrar a saída, muito menos o corredor. Na tentativa de reformular as palavras, começa a entender algo como um tipo de invocação de energia de um ser ancestral, mas não era uma invocação de um ser ancestral em si, mas como se estivessem no intuito de usar o nome e o poder dessa entidade em prol de uma outra coisa. Minha mente, mesmo naquela situação, trabalhava bem, e já estava para descobrir do que se tratava, quando, de súbito, comecei a sentir um cheiro estranho de enxofre, muito forte, misturado a um fedor intenso de carniça. Meus pés agora, não tocavam mais o piso do quarto do hotel, estavam sobre uma terra seca e de cor escura. Não havia vento soprando de lugar algum. Aos poucos a fumaça foi se dissipando, me deixando ver um pouco mais do que estava a minha frente. No caso, os dois garotos, que estava ajoelhados, inconscientes; fora isso, a fumaça se dissipava muito lentamente, e ainda não dava para avistar muita coisa fora dela.
Tentei acordar os garotos, com fortes tapas, utilizando das costas da mão para isso, mas estes não acordavam, pareciam em sono profundo de mais, provavelmente suas energias haviam sido gastas para terminar o que estavam fazendo, sem contar que o ar naquele lugar, não era algo que um ser humano comum pudesse suportar. A fumaça começa e se dissipar, mas o vento não soprava, e isso tornava difícil que ela se desfizesse. Com tudo, ela se foi, me revelando uma visão que até aquele momento, só havia contemplado ou ouvido falar em antigos tomos de sabedoria ancestral. Rios de lava que cruzam desertos de fina areia negra, se perdendo de vista ao longo das pradarias em chamas. Ali, nas entranhas ardentes vi um grande vale morto, onde pude notar um castelo, com uma agrande torre. O ar, era pútrido, e pesado; tudo cheira a morte.
Sem escolha, deixei os corpos desacordados dos garotos ali, e comecei minha caminhada pela única estrada demarcada, rumo ao castelo. No caminho, haviam vários corpos de guerreiros serventes; eu pode perceber isso, pois reconhecia os amuletos e símbolos que permaneciam em seus restos mortais, jogados entre a terra seca. O caminho era longo, e a medida que me aproximava do castelo, percebia sua grandiosidade. Haviam também corpos pendurados por cordas, enforcados, ainda com suas expressões de horror estampadas, como se o tempo não tivesse passado para aquelas almas. No topo da torre mais alta, pude ver uma poderosa luz verde, que ao perceber minha aproximação, se voltou contra mim, e parecia me observar, como um grande olho esmeralda.
E logo a terra começou a tremer, e os mortos a se levantarem. Então do alto da torre, surgiu de trás da luz verde, o esqueleto de um grande dragão, e montado nele, a figura de um homem, com seu manto verde escuro, e seu cajado, coberto de adornos necromantes. Ainda no alto, com o dragão que voava, apenas com o que sobrou de suas asas, ele estrondou o céu com sua voz ríspida. Mas o idioma não me era familiar para que pudesse entender.
– Desculpe-me... Mas eu não entendo sua linguá... Talvez se puder falar na linguá dos humanos, eu entenda... Ou quem sabe na linguá de Orinthüm. — Cruzei os braços, e como sinal de educação, fiz uma reverencia rápida ao estranho ser.
E sem me dar uma resposta, ou que pudesse argumentar mais qualquer coisa com ele, bateu seu cajado no crânio do esqueleto de dragão, e rapidamente emanou um urro ensurdecedor, que ecoou por todo o vale, e fez com que todos os esqueletos ali presentes se volta-sem para mim. Pude ver uma esfera de energia de cor verde se formando no interior de sua garganta; a energia que foi sendo mesclada e se formando cada vez mais densa, brilhava por cima de minha cabeça, chegando a incomodar meus olhos. Em seguida, apontou o cajado em minha direção. E foi nesse momento, que o disparo foi feito, e a grande massa de energia esmeralda foi lançada em minha direção.
– Seu velho insano! Atacando o filho de Thordek, o exilado! — Vociferei em alta voz, e já não precisava fazer o ''teatro'' com as mãos e amuletos, pois agora enfrentava uma ameaça real, um senhor dos mortos, aquele qual mesmo matando seus inimigos, poderia interroga-los sem dificuldade. Assim focando meus olhos em moldar sombras, me movi para o lado contrário do ataque. Tinha que sobreviver!
A poderosa esfera de energia esmeralda fora lançada, e me engoliu por inteiro, pois não havia sido rápido o suficiente para me esquivar. A esfera tocou o chão, abrindo uma grande cratera no mesmo, e a onda de choque, fez com que terra e os esqueletos fossem arremessados, engolidos pela energia verde escura, que logo se desfez, mostrando apenas a destruição no local. Em seguida, os esqueletos que foram destruídos, voltavam a se reconstruir, osso por osso; e logo estavam todos de pé novamente. Enquanto seu senhor pronunciava palavras que pude entender muito bem.
– O que está morto... Não pode mais morrer! — Ele dizia com sua voz estridente, enquanto me encontrava jogado no chão, com parte das minhas vestes rasgadas, devido ao impacto da energia.
Me levantei lentamente, havia sido derrubado afinal. Fitei o velho pelo elmo, e com os olhos, fiz as sombras de debaixo do mesmo se levantarem e o atacarem em forma de cordas e correntes.
– Se o que esta morto, não pode mais morrer... Não vai se importa que eu esmague sua forma existente, certo?! — Disse, ironicamente.
O feiticeiro ao ver a movimentação de meu controle sobre o domínio de trevas, tratou de erguer seu cajado para disparar um intenso raio esmeralda que subiu ao céu, em seguida descendo em forma de múltiplos fragmentos que ao tocarem o chão, e por toda a parte fizeram destruição. O mesmo acontecia com minha energia moldada em cordas e correntes, que foram se quebrando e despedaçando conforme a colisão.
A energia que moldei resistiu ao ataque contante da chuva de poder esmeralda, e ao chegar até o feiticeiro, meu domínio o prendeu com violência, impedindo os seus movimentos, e lhe dando danos pela pele pútrida. Mas, mesmo preso, ainda era poderoso, e com extrema fúria, seus olhos se tornaram brilhantes e uma forte aura se formou em sua volta, que refletiu no esqueleto do dragão. Assim vi, que os mortos que estavam por ali, ainda obedecendo ao seu comando, começaram a se mover em minha direção, me cercando por todos os lados. A voz do feiticeiro ecoou pelo vale novamente, como uma ordem de ataque; e nesse momento os mortos mais próximos atacaram.
– ...Então é assim? Se escondendo por trás de seus fantoches? -
Meus olhos brilhavam por debaixo do elmo, exalando energia, enquanto me concentrava e fazia ondas de pura treva sair de debaixo de seus pés, aumentando a potencia pelas sombras dos esqueletos. Planejei pressurizar todos aqueles corpos com dificuldade, e fazer uma especie de bola, esmagando com as sombras, e claro, me concentrei ao máximo, esvaziando a mente. Os esqueletos me atacaram, mas foram detidos antes que pode-sem me acertar. Minha energia os dominou, encobrindo a todos com trevas, e por fim, os esmagando, juntando aquele monte de ossos velhos, que se acumularam conforme minha vontade.
– Tu, ancião destes domínios e senhor dos mortos... Deixe-me retornar ao meu mundo, ou a ''morte'' te arrastará junto a sua idiotice... — Disse em um tom autoritário, enquanto minha sombra ganhava vida, mostrando alguns tentáculos feitos das trevas, os quais se esticavam e se movimentavam, no total sendo treze.
Usando aquilo como distração e fazendo a sombra do dragão dele se levantar, ataquei o feiticeiro com voracidade, enquanto recitava algumas palavras, na linguá que somente os ''filhos de Orinthüm'' conhecem.
– Pelo ódio em meu coração, e as trevas em minhas mãos, eu reclamo sua alma ao meu senhor, Orinthüm... Para ser queimado eternamente no fogo negro que arde em angustia e vingança... -
As ramificações eram emanadas por todo o campo, e os esqueletos que ali estavam trataram de se camuflar como puderam. Porem, o feiticeiro, ao perceber meu poder, levantou a cabeça, inclinando o rosto para cima, e começou a mesclar energia sombria no alto de sua boca, criando um grande turbilhão que levantou a poeira no chão. No centro do turbilhão, havia um grande buraco negro, que começou a sugar os restos do dragão, e mais alguns restos dos mortos que estavam por ali. O vento provocado pela crianção do turbilhão, sugava até minha energia, que entrava no buraco negro e desaparecia na grande nebulosa que havia lá dentro, talvez, se perdendo no infinito de uma constelação distante, de um plano desconhecido.
Pude ver que o feiticeiro se esforçava tentado conter a poderosa energia sombria emanada, porem, apesar de seu poder ser imenso, ele parecia haver dedicado sua vida e sua humanidade para obter isso. Então enquanto tentava manter a sua técnica sobre controle, foi atingido por uma de minhas formas dominadas, que o fez sentir em seu corpo frágil, uma grande dor, que como resultado, fez com que perde-se o controle de seu poder, sendo engolido pela própria energia, que se desfez em seguida, com uma grande explosão esmeralda, derrubando todos os esqueletos que ainda estavam em pé, e em seguida seu corpo, que agora refletia grande parte de seus anos dedicados as artes das trevas. Estava jogado ao chão, como um velho inútil qualquer, e em seu idioma, o qual eu desconhecia, parecia clamar por sua vida, enquanto rastejava no chão.
Caminhei até o feiticeiro, com passos fortes e largos, enquanto meus domínios se manifestavam. Alguem que chegasse a ver aquilo, se assustaria com a raiva e força que aquelas ramificações balançavam.
– Meu nome é Eduhim, filho de Thordek, O Exilado por Deus... E eu te desculpo por sua estupidez. Mas meu Deus quer sua alma, então que assim seja... Velho inútil! -
Meus olhos ficaram negros e a energia que emanava, se via apenas a silhueta pela viseira, mostrando o olhar calmo do abismo, enquanto as ramificações o envolveram e o apertaram com força, o esmagando, repetindo um processo vicioso por alguns minutos, até não sobrar nada.
– Que Orinthüm aprecie o meu presente... -
Nesse momento, pude notar uma poderosa luz desceu rasgando as nuvens do céu turvo, atingindo o imponente castelo. A luz, cobriu por completo o castelo, fazendo o mesmo se ocultar em sua presença, ofuscando os olhos de qualquer um que estivesse presenciando aquela cena. Em dado momento se dividiu, em grandes ramos de energia, formando acima do castelo como uma grande coroa de luz, e de dentro deste circulo que dava forma a coroa, um poderoso foco de luz se movimentou, vindo em minha direção. Pude sentir a forte energia celestial que emana por todos os lados, era sufocante. Por fim, o foco de luz se colocou a minha frente, e de súbito uma pequena explosão, que fez a luz envolta deste se dissipar, revelar sua real forma. Contemplei então um ser humanoide, que emanava poderosa energia, uma aura de luz que me incomodava. Havia uma coroa dourada em sua cabeça, e trajava uma vestimenta branca, um pano fino, como seda, que lhe cobria. Ele era imponente, tanto em presença quanto em poder; o que me deixou muito desconfortável.
– Não temas, Eduhim... filho de Thordek, e servente das trevas. Fizestes um trabalho digno de campeão da luz, ao derrotar o pútrido Valadur. — Sua voz que ecoava como um trovão rasgando os céus, era séria e constante.
– Primeiro os Celestiais tentam me matar, e agora me chamam de ''Campeão da Luz''? — Disse, com desprezo em minha voz. — Não procuro desavenças com um Celestial agora... Apenas ir para a Terra e esquecer que um velho com centenas de anos tentou me matar... — Completei, enquanto meus domínios voltavam ao normal, assim como meus olhos, que fitavam o ser. — O que você faz em um lugar tão longe de casa? — O questionei por fim, cruzando os braços e dando dois passos para traz, disfarçando o receio que tinha por estar perto de um ser celestial.
Após minhas palavras, o ser iluminado colocou seus dois braços para o alto, e a poderosa luz que descia do céu e envolvia completamente o castelo de Valadur, brilhou agora mais forte. Pude ver os pedaços do topo da torre do castelo se deslocarem em direção a fonte da luz no céu. Primeiro o grande olho esmeralda, que ficava no topo da torre mais alta. Este, era conduzido levemente e sumia por entre as nuvens turvas; em seguida, o rosto do castelo que foi subindo. Alguns pedaços, se desintegraram no meio do caminho, virando pó. Ao que parecia, os fragmentos obscuros que formavam aquela construção, não aguentavam a exposição direta a quela poderosa energia celestial e se desfaziam. Passado-se alguns minutos de toda aquela cena, e o barulho ensurdecedor do castelo sendo dizimado; finalmente não havia sobrado nenhum vestígio de sua existência. O ser envolto em luz então voltou a olhar para mim.
– Suas perguntas são irrelevantes... Mas, saiba que a chave para o seu regresso, está no inicio desta jornada. Pois bem, como recompensa por tal ato feito aqui; cem anos... Cem anos de seus pecados dados de servidão ao domínio das trevas, serão perdoados! — Com o termino de suas palavras, o ser celestial desapareceu subitamente, diante de meus olhos, com uma curta explosão de energia, sem deixar rastros no ar.
–...Malditos Celestiais! Como se eu levasse em conta ir para inferno... — Praguejei, e me virei indo na direção a qual havia deixado os jovens. Achava que precisaria deles para voltar, caso o celestial estivesse falando sério. Levava em consideração que eles não podem mentir.
Ao retornar, lá estavam os garotos, porem, claramente mortos devido ao longo tempo respirando aquele ar inapropriado para um humano comum. Me encontrava ali, sem saber como voltar a o plano da Terra, quando algo caiu de minhas vestes. Estranhei primeiramente, mas logo que aproximei o olhar, vi que era um item conhecido, o qual havia o pego no inicio de daquela jornada, e nisso me lembrei das palavras do ser celestial. A chave dourada que havia encontrado ainda no hotel, enquanto perseguia a fonte da energia celestial. Ora, aquela chave não havia me servido de nada, visto que todas as portas nos quartos do hotel estavam abertas ou caídas no chão. Pude vê-la começa a brilhar intensamente, uma luz de fonte e natureza desconhecidas, afinal, só por que é luz não quer dizer que seja celeste. Era essa a sensação que tinha quando ainda no hotel, sentia uma energia sem propriedade especifica. Por fim, o brilho intenso da chave me cobriu por completo. Fui sugado por aquele brilho, e logo me encontrava no quarto do hotel novamente, com os corpos dos garotos jogados ao chão. Estava de volta ao plano terrestre...
Notas finais
Queiram perdoar os possíveis vícios de linguagem. Isso é tudo...
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