Moonlight Equilibrium

2 I Believe In Fairies pt1


Transilvânia; a noite era obscura e cheia de perigos nos bosques daquelas regiões, e somente o uivo dos lobos e o som das corujas, ecoavam por ali. O caminho era lamacento, uma estrada antiga marcada pela passagem de veículos, desde a época das luxuosas carruagens. A neblina pairava por todo o lado, era densa o bastante para que eu não pudesse ver mais que alguns passos a frente. Após minhas experiencias, não tirei por várias semanas da mente, a imagem do ser celestial que havia encontrado, então, ouvi falar de um certo manuscrito que continha grande conhecimento sobre os seres da luz; tendo tal informação, parti para a Romania em busca do tal artefato. No caminho, antes que pude-se adentrar a estrada única que cruzava o bosque até a mansão, onde era provável que estivesse o pergaminho, conforme a informação que tinha; meu veículo teve um súbito problema com o motor, fazendo assim, com que tivesse que continuar meu caminho a pé.

Sai do carro, um pouco desconfortado pelo tempo de viagem, e sabia que se o manuscrito tinha o tal grande conhecimento sobre os seres da luz, este seria alvo de outros seres, não só da luz, mas também das Trevas. Mas o que me preocupava mais era acabar encontrando um Arcanjo Guardião ou um Demônio Ancião, pois sabia que esses eram os mais perigosos. Contudo, agora deveria continuar, estava longe de meu destino afinal de contas.

- Maldito carro imprestável...

Aos lados, o vento cortava os galhos secos das grandes arvores, as fazendo dançar em um movimento constante. Estava frio, mas isso não me incomoda, nada no plano terrestre era mais gélido que as trevas envolta de meu coração e alma. A frente, pude ouvir o galopar de cavalos, e o som de madeira e pedras, que se aproximava rapidamente, até que pude ouvir o estalar de algo, como um chicote. Logo percebi por entre a neblina que se dissipava, um pouco a minha frente, uma carruajem. Algo realmente muito raro de se ver nos dias de hoje. O transporte era de madeira escura, provavelmente carvalho revestido, um modelo clássico, que já foi simbolo de nobreza, e talvez ainda seja. A frente, nas rédeas, um senhor de cabelos grisalhos, com madeixas jogadas nos ombros, uma cartola adornando a cabeça, e trajes de gala, sapatos finos. Ele parecia com muita pressa, pôs pressionava os quatro garanhões que puxam a carruagem, a todo momento.

Meus olhos brilharam naquele instante, e usei de meus domínios sobre as sombras dos cavalos, para segurar suas pernas e as quebrar. Apenas com um olhar fixo, o qual sobre meu controle, era uma arma poderosa. Pensava que valeria a pena saber o por que dessa pressa; e ele poderia saber onde estava o pergaminho. Porem, meu domínio sombrio ao se aproximar dos cavalos, foi desfeito, como se alguma coisa o nega-se. Mas seja lá o que fosse, não vinha da pessoa que segurava as rédeas. Então, a carruagem continuou a se aproximar cada vez mais, e eu comecei a me pergunta, se devido a neblina o condutor poderia não estar me vendo ali. Estranhei aquilo a principio. Olhei para os lados rapidamente, e então levantei os braços enquanto andava para a esquerda

- Ajuda, meu amigo sofreu um acidente! — Disse, tentando chamar a atenção do velho que dirigia a carruagem, como se realmente aquilo fosse verdade. — Ele está muito ferido! Ajuda!

A carruagem continuava a vir com muita velocidade, o senhor parecia não me ouvir ou ver, talvez devido a neblina mesmo. Quando já estava bem perto, de súbito ele puxou as rédeas, parecia finalmente ter me visto. Ao parar, a carruagem assim como os cascos dos cavalos, deslizaram pela lama. O senhor que conduzia o transporte, ainda segurando as rédeas levou sua mão até a cartola, a segurando também para não cair, e se voltou para mim.

- Ei ei... isso é perigoso meu caro, não devias ficar andando por aqui a essa hora sozinho... Eu quase lhe atropelo... —

Pude então ouvir uma voz feminina, e da janela da carruagem surgiu a figura de uma mulher.

— O que houve, Alfredo? — Sua voz estava tremula e preocupada, e seu rosto demonstrava pura apreensão. Sua pele era branca e pálida, tinha longos cabelos negros, lisos; quase impossível não admirar sua beleza.

O senhor se virou, voltando seu olhar para a moça, e com um sorriso pareceu tentar, de algum modo, tranquiliza-la.

- Não é nada, milady. Apenas este cavalheiro que parece perdido no meio da estrada... —

- Ora... Você por acaso não tem medo de morrer ?! ... Não conhecestes a velocidade dos garanhões da Transilvânia?! — Se voltou para mim, com expressão de desaprovação. Ela parecia impaciente, e isso estranhamente a deixava ainda mais atraente.

— Sim, conheço. Mas meu amigo se feriu gravemente, vim procurar ajuda, e acho que ele pode morrer dentro de alguns minutos. Se vocês me ajudarem, ficarei muito grato! — Pensava que se a magia que repeliu minhas trevas estava na carruagem, eles não teriam como se defender de mim. Tentei colocar um tom desesperado em minha voz, realmente à enganar aquela bela moça e o condutor daquela carruagem.

Os dois se entre olharam, muito desconfiados. A mulher fez um sinal com a cabeça, e desceu da carruagem, caminhando até mim a passos lentos. Sua beleza era realmente 'diferente', como se cada parte do seu corpo fosse perfeita. Ao chegar até mim, olhou fundo em meus olhos. Pude perceber um estranho brilho nos dela, enquanto se aproximava cada vez mais, até poder segurar meu rosto, com as mãos em minha mascara.

-- Por que mentes ? Eu vejo trevas em seu coração... Sei o que você procura, e não está aqui. Você não é o primeiro a vir, e provavelmente não será o ultimo.

Me senti estranho ao ouvir aquelas palavras, ela parecia realmente me decifrar.

-...Então tenho que ir andando... — Passei reto por ela, me dirigindo até onde o pergaminho possivelmente estaria — Se você viu Trevas em meu coração e mentira nas minhas palavras, deve ter percebido minha inabilidade de sentir. — Andei em passos largos e pesados, nem sequer esperei que ela fala-se mais qualquer coisa.

Ela me observou partir, e por um tempo ficou ali parada vendo me afastar por entre a neblina. Logo pude ouviu a voz do senhor a chamando de volta para a carruagem, e assim ela o fez, entrou e o som do estalo das rédeas foi ouvido, e os cavalos começaram a sua corrida. Permaneci no caminho da estrada de lama, vendo pouca coisa a minha frente, já havia caminhado alguns minutos e começava a ficar impaciente, por nunca chegar ao meu destino. Um vez ou outra pensava ver estranhos olhos brilhando por entre as arvores, pareciam me observar, mas sempre que me virava para eles, sumiam. Mas, o mais estranho aquela hora, era o silencio, não se ouvia mais nada, sem um ruido de coruja ou uivo de lobo, apenas a estranha calmaria tomou conta do lugar.

Ignorei aquilo, sem medo, raiva, ou motivação aparente, apenas o vazio que sempre tinha, qual as Trevas tentavam preencher, mas não eram capazes. — Aquela mulher... Quem ela era? — Me perguntei em sussurros, enquanto enfiava as mãos em meus bolsos pobres, e continuei andando.

Então um pequeno foco de luz amarelada surgiu, ele flutuou de maneira desajeitada, subindo e descendo, as vezes, parecia que iria ao chão a qualquer momento. O foco de luz foi se afastando, entrando por entre as arvores, desviando do caminho da estrada. Ao me aproximar mais do mesmo, pude perceber a sua verdadeira forma. Era uma pequena garota, com asas e corpo lumioso, ela sorria o tempo todo, enquanto parecia me chamar, como se quisesse me mostrar algo. Tentou se comunicar, mas, a única coisa que eu ouvia, eram pequenos ruídos. A cada momento ela adentrava mais o bosque; seus movimentos eram muito incertos, e mesmo que tenta-se apanha-la, não teria exito. A pequenina deixava um rastro de luz amarelada por onde passava, que era também, a única coisa que iluminava o meu caminho.

- Pelo nome de Orinthüm...- Sem pensar duas vezes, corri atrás da pequenina mulher que deixava o rastro de luz, seguindo o mesmo para me achar no meio de tudo aquilo, ainda que desconfiado, mas ao mesmo tempo deixando minha curiosidade agir. — Talvez essa criatura das Trevas possa me dizer onde está o pergaminho. — Tudo havia se tornado uma correria.

Notas finais
Se leu até o final e teve algum interesse na história, sinta-se a vontade para comentar.
Queiram perdoar os possíveis vícios de linguagem. Isso é tudo...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.