Moonlight
1 When he’s holding me tight
Notas iniciais
The Sun is setting in your eye, here by my side;
And the movie is playing, but we won't be watching tonight;
Every look, every touch;
Makes me wanna give you my heart;
I be crushin' on you, baby;
Stay the way you are
☆
Thaís subiu no grande palco, suando frio. Os olhos amêndoas da menina olhavam todo o ambiente. Suas mão suavam e ela estava muito nervosa. Sabia que teria que cantar diante a muitas pessoas quando aceitou o emprego. O motivo de ter aceitado o emprego foi mais por desespero. Seu aluguel havia aumentado, e o salário de garçonete no centro da cidade não estava sendo o suficiente para pagar todas suas despesas. Chegou a comentar com uma de suas amigas, e uma delas lhe indicou esse emprego. E aqui estava. No meio do palco, com o microfone bem na sua frente e a pequena banda atrás de si, já começavam a se ajeitar.
Suspirou pesadamente. Não tinha mais volta. Precisaria cantar.
Olhou para cima, em direção à clarabóia da boate, por onde a luz da lua entrava. Uma luz belíssima que era ofuscada pelas luzes da boate.
Sorriu consigo mesmo. Algo lhe dizia que aquela noite seria especial.
Agarrou o microfone com ambas as mãos e correu seus olhos pela platéia. Mais ao fundo havia a pista de dança, que estava longe o suficiente para que a música não a atrapalhasse, e à sua frente havia o bar, onde várias pessoas estavam sentadas nos bancos, e um pouco mais para frente tinham as mesas, onde vários casais e grupos de amigos conversavam animadamente, alguns olhavam diretamente para ela. Aguardando o show começar.
A banda atrás de si começou a tocar a introdução da música e foi nesse momento que Thaís sentiu todo seu corpo tremer. Chegou a hora, ela teria de cantar. Seu olhar seguiu mais uma vez para todo o ambiente, mas ela parou num certo ponto. Os olhos castanhos da moça encontraram outro par de esferas brilhantes, mas essas esferas eram azuis, um azul tão claro que parecia vidro.
Seus olhos se prenderam uns nos outros e não importava o quanto ela tentasse, não conseguia desviar o olhar do rapaz. O homem também não fez o mínimo esforço para desviar do olhar da garota. Pelo contrário, ele o sustentou.
Thaís sentiu alguém cutucar suas costas, se virou disfarçadamente e viu o guitarrista lhe lançando um olhar sério. Ela finalmente percebeu que precisava cantar. Suspirou uma última vez. As notas saíram de sua boca assim como seus olhos se fecharam. A música leve embalou o ambiente, deixando seus ocupantes extasiados, inclusive um moreno de olhos azuis que sorria.
☆
A música chegou ao final sob uma chuva de aplausos. O sorriso dançava nos lábios de Thaís, ela se parabenizava mentalmente por não ter errado nenhuma nota. Sua performance parecia ter agradado a todos.
Ela virou o rosto em todas as direções, procurando alguém em especial.
— Você tem quinze minutos de descanso, Thaís! – uma voz chegou aos ouvidos da garota, mas ela não se virou para saber quem havia falado. Ela desceu do palco em um único pulo, procurando, desesperadamente, com o olhar, o misterioso homem de olhos azuis.
O desespero começou a tomá-la rapidamente. O que aconteceu com ela? Ela nunca se sentiu dessa maneira com ninguém. Mas aquele olhar de vidro a tinha hipnotizado.
Seu coração falhou uma batida quando sentiu seu braço ser agarrado, e voltou a bater com toda força quando uma voz rouca sussurrou em seu ouvido:
— Está procurando por mim? – Thaís girou o corpo rapidamente, apenas para encontrar o homem que a fascinara minutos antes.
— Eu... eu... – gaguejou. O homem não esperou nenhuma resposta, puxou-a pela mão. Caminharam em silêncio por alguns minutos até que as pessoas foram, lentamente, ficando para trás. O casal chegou até um corredor lateral, que davam acesso aos jardins da boate. Era uma área um tanto afastada, e Thaís se surpreendeu. Nas últimas semanas de ensaio, ela havia andado por toda a extensão da boate, conhecendo o lugar. Mas não conhecia essa área. O que a fez concluir que o homem deveria ser um cliente frequente do clube.
— E então? Você não me respondeu. – o homem brincou, parando perto de um baixo muro feito de colunas de mármore, que iam até um pouco mais alto que sua cintura.
— Se sabe a resposta, por que pergunta? – Thaís resolveu entrar no jogo, e copiou o mesmo tom de voz do homem. Ela remexeu no cabelo castanho ondulado, jogando -o para trás.
— Curiosidade... – ele falou baixo e rouco. Encostou o corpo na mureta e ficou analisando Thaís. – Acho que devemos começar de um jeito melhor. Seu nome...?
— Thaís Honorato. – a morena falou, observando o homem alto que a analisava com aquelas esferas azuis claras que pareciam vidro. – Tenho 18 anos.
— 18? Agora me sinto até mal. – o homem a olhou finalmente nos olhos. Um sorriso divertido surgiu no rosto da garota. Ela colocou as mãos na cintura do vestido vermelho, que ia até metade de suas coxas escuras.
— Não vai me dizer que você é trintão. – ela riu mais abertamente. – Porque você não parece ter mais de vinte anos. – o sorriso da morena se tornou feral. O homem entendeu como um convite. Ele se afastou da mureta e se aproximou do corpo esguio da moça. As mãos grossas tocaram a cintura da garota, fazendo com que ela retirasse as mãos.
— Trintão? – ele riu. E foi nesse momento que Thaís percebeu que o sorriso dele era tão belo quanto os olhos. – Não chega a tanto, mas já passei dos vinte faz alguns anos.
— Você sabia que eu sou apaixonada por homens mais velhos. – os braços finos da garota enlaçaram o pescoço do homem mais alto, aproximando os corpos.
— Bom saber disso... – o hálito quente do rapaz chegou em seu rosto. – Mas existe outra coisa que está me matando de curiosidade... – os lábios dele se aproximavam dos vermelhos de Thaís, mas ainda tinha uma distância segura entre eles.
— E eu posso saber o que seria? – Thaís estava desnorteada com a sensualidade do homem.
— Irei ganhar um beijo seu? – ela riu. Puxando o corpo mais alto, fazendo com que a distância entre as bocas fosse mínima.
— Por que não tenta? – sussurrou.
Os lábios tocaram-se de forma calma ao mesmo tempo que as mãos percorriam o corpo a frente. O beijo começou lento, mas logo as bocas se abriram, permitindo que ambos se explorassem. As línguas travaram uma batalha pela liderança do beijo, que nunca teria um vencedor.
– Thaís! – uma voz gritou, fazendo com que a morena empurrasse o homem. Os olhos amêndoas encontrar um par de esferas negras. Era o guitarrista. Ele tinha os braços cruzados diante do peito e lançava um olhar reprovador para a jovem. – Vamos! Já estamos te esperando há um bom tempo. – o rapaz não esperou nenhuma resposta e deu as costas ao casal. As bochechas de Thaís estavam coradas. Ela voltou o olhar, encarando os olhos azuis do homem.
— Eu tenho que ir trabalhar. – ela riu, arrumando os cabelos castanhos, alinhando-os. – Você vai assistir? – o rapaz apenas assentiu com a cabeça. Thaís sorriu mais abertamente. Ela acenou e andou a passos apressados em direção onde ela havia passado há alguns minutos atrás.
O rapaz estava prestes a seguí-la, mas um tom musical o impediu. Ele retirou o aparelho celular do bolso da calça jeans. Olhou o visor e soltou um suspiro irritado.
— Alô, Denise...
☆
Cause I never knew, I never knew;
You could have moonlight in your hands;
Til the night I held you;
You're my moonlight;
Moonlight;
☆
Já era tarde da noite e início de madrugada. A voz alegre de Thaís ainda preenchia todo o salão. Já fazia algumas horas que ela estava cantando, mas ela não demonstrava nem um pouco de cansaço. Muito pelo contrário, ela parecia estar mais animada do que no início da noite.
Mas ela estava ansiosa. Queria logo acabar com o show para que pudesse voltar a encontrar o homem alto de olhos azuis claros. Ela jamais imaginaria que aquele intervalo teria sido o último.
Deu uma leve olhada ao redor. As mesas que ficavam na frente do palco estavam todas vazias, e no bar, havia apenas três pessoas, que já estavam pagando a conta. Thaís discretamente virou para trás e fez um gesto com as mãos, indicando para os rapazes para encerrarem a apresentação. A música deu seus últimos acordes e a morena foi a primeira a descer do palco. Os olhos amêndoas observaram toda a extensão do clube, procurando uma pessoa em especial. Ele não estava mais ali. Resolveu checar os jardins, onde haviam se despedido. Chegou até a área afastada, mas ele também não estava lá. Correu todo o caminho de volta, andou a passos apressados até a pista de dança, que ficava localizada atrás do bar. Mas a decepção tomou conta de seu corpo. Aqui também não.
As luzes ofuscantes do clube começavam a se apagar lentamente, avisando para todos os clientes que era hora de fechar.
O desespero começou a tomar conta do corpo de Thaís. Sem perceber, ela tremia levemente.
Ele não podia ter ido embora
Podia?
Ela respirou fundo. Uma. Duas. Três vezes. Tentando se acalmar. Buscou com o olhar algum funcionário que estivesse próximo a saída, que por sinal, também era a entrada do clube. A recepcionista loura de cabelos curtos arrumava alguns papéis e remexia na pequena bolsa branca, guardando seus pertences.
— Com licença! – Thaís falou alto. Fazendo com que a moça se assustasse. – Você viu um cara alto, moreno, de olhos azuis muito claros ir embora? – a voz da morena era de puro desespero. A recepcionista lançou um olhar verde para a cantora. Ela ficou alguns segundos quieta, pensando, como se tentasse se lembrar de alguém com aquela fisionomia.
— Eu acho que sim. – ela murmurou baixo, tocando no queixo. – Era um homem muito bonito? – Thaís apenas assentiu com a cabeça desesperada. – Então sim, ele já foi embora há algumas horas!
As orbes castanhas claras de Thaís se arregalaram. Ela tampou a boca com a mão e sentiu a vista ficar embaçada. As lágrimas escorriam levemente pela bochecha da garota. Ele disse que a esperaria. Por quê ele foi embora?
— Thaís? – a morena limpou as lágrimas e olhou para o rapaz atrás de si. Era o guitarrista da banda. – O que você ainda está fazendo aqui?
— Eu? – ela balbuciou. – Eu... eu estava procurando uma pessoa...
— É algum funcionário? – ele perguntou arrumando a jaqueta que vestia.
— Não... Quer dizer... Eu acho que não. – Thaís abraçou o corpo, se sentindo desolada.
— Se ele não é um funcionário, então não está mais aqui. A boate já fechou. – as simples palavras do guitarrista fizeram Thaís se sentir pior. As lágrimas, desta vez, desciam sem nenhum aviso e controle. Ela se abraçou mais força. Uma lágrima desceu pelo queixo, e lentamente, chegou até o chão.
☆
I kiss his fingertips;
As I'm wishing he's all mine;
He's giving me Elvis;
With some James Dean in his eyes;
Puts his lips on my neck;
Makes me want to give him my body;
I be fallin' for you, baby;
And I just can't stop
☆
Três dias haviam se passado, três dias de desespero para Thaís. Ela se sentiu destruída há três dias. O homem de olhos azuis frios foi embora naquele dia, e a deixou lá, completamente sozinha.
A morena estava em seu apartamento, parada bem em frente a grande janela que lhe dava a visão da movimentada rua de São Paulo. Ela subiu o olhar e viu a grande lua cheia no céu escuro. Ela fuzilou a bela lua com o olhar, como se por algum motivo, ela fosse a total culpada de seu sofrimento. O céu estava completamente escuro, e as nuvens, também negras, cobriam tudo. Uma fina garoa começava a cair.
Thaís passou a mão pelos olhos, limpando algumas lágrimas que desciam. Seus olhos estavam vermelhos a dias, ela não dormia direito. Seu corpo estava cansado.
As perguntas brotavam em sua mente. Por quê ele havia ido embora? Aliás, por que ela se importava tanto com isso? Tinham apenas ficado, não é mesmo?
Talvez a resposta para essas perguntas fosse simples, mas um peso para Thaís admitir: ela havia se apaixonado pelo rapaz de olhos de vidro.
Um som alto a fez olhar para dentro do apartamento. Seu telefone celular tocava alto. Ela sabia quem era, mas ignorou completamente. Ela havia lhe ligado todos os dias.
O som de ligação parou. E logo, o toque de mensagem chegou a seus ouvidos. O toque era insistente. A morena finalmente desistiu de ignorar e resolveu ir até seu aparelho celular, que estava sobre a mesa de centro da sala.
Ela pegou o aparelho em mãos e o desbloqueou, indo direto para as mensagens que havia recebido de sua melhor amiga, Anne.
"Thatá, pfvr me antede! Já faz três dias que eu não tenho uma notícia sua!"
"Pq você não me atende, o que aconteceu?"
"Ta bom, se você vai agir assim, eu vou pra sua casa agora mesmo! Me espere!"
Thaís suspirou pesadamente ao ler as mensagens. Sua amiga Anne viria até seu apartamento, as coisas não poderiam ser piores. Ela estava completamente decepcionada e triste. Queria apenas ficar sozinha, mas conhecendo muito bem a senhora Bernardes, saberia que a ruiva não a deixaria em paz.
Voltou até a janela e fechou as cortinas com força. Deixando todo o cômodo no escuro da noite. Andou lentamente até seu quarto e se jogou na grande cama de casal. Pegou um travesseiro e o abraçou. Ela fechou os olhos e tentou dormir, mas infelizmente, não foi possível.
Daqui há algumas horas, Thaís precisaria ir para o clube. Ela teria que trabalhar por lá pelo resto da semana para poder receber o pagamento. E a morena ia, todas as noites, para o mesmo lugar, na esperança de encontrá-lo novamente. Mas nem precisava dizer que era em vão. Seus olhos castanhos vasculhavam todos os cantos do clube, mas ela nunca o encontrou novamente. Era como se ele nunca tivesse existido. Mas ele existiu.
Ignorando tudo o que sua mente insistia em lembrar, Thaís colocou o macio travesseiro sobre a cabeça. A imagem do rosto dele se fez presente assim que ela fechou os olhos. O sorriso perfeito, a pele morena, e aqueles olhos...
— Mas que merda! – a morena se sentou na cama, jogando o travesseiro com toda a violência na parede. – Porque você tem que me assombrar? Parece uma maldição...
O barulho da campainha impediu que suas lamúrias continuassem. O barulho era alto e ficava se repetindo a cada segundo. Anne estava mesmo disposta a conversar com a amiga.
Thaís bufou e se levantou da cama, indo até o travesseiro que estava no chão, pegou o mesmo e andou a passos pesados até a porta. Os vizinhos do andar debaixo a matariam pelo barulho, mas ela não estava se importando com isso.
A morena chegou até a porta e a abriu, olhando para o rosto pálido da amiga que mostrava um olhar mel totalmente preocupado.
— Me fala logo o que você veio fazer aqui, e trate de ir embora o mais rápido possível! – Thaís falou nervosa. Segurando o travesseiro com mais força.
— Thatá! – a voz da ruiva era de pura preocupação. – O que aconteceu com você? Olhe para seu rosto, você está péssima! – Anne colocou a mão no ombro da amiga. Thaís não encarou o rosto da ruiva, continuava mirando algum ponto qualquer em seu apartamento. – Me fala, o que aconteceu? Eu estou muito preocupada.
— Não enche! – a morena jogou o travesseiro no rosto de Anne e foi até o pequeno sofá, se sentando no mesmo. – Eu não estou muito bem!
— Agora me fala algo que não seja o óbvio! – a ruiva retirou o travesseiro do rosto. O tom de voz dela era irônico, e demonstrava toda a sua raiva. – Me conta, o que aconteceu para você estar assim?
— Coisas... – Thaís murmurou. Torcendo para que a amiga não tivesse escutado.
— Que tipo de coisas? – Anne ficou na frente da mais nova. Os braços estavam cruzados diante o peito, e o olhar cor-de-mel era determinado a descobrir o motivo do isolamento de Thaís.
— Nada que lhe interesse. – Thaís colocou as pernas sobre o sofá. Ela ainda não encarava a mais velha.
— Se não me interessasse, eu não estaria aqui!
— Então você veio de idiota! Porque eu não pretendo te contar! – Thaís se levantou do sofá bruscamente e foi até seu quarto, afundando a cabeça no macio colchão.
— Então me deixa tentar adivinhar. – Anne seguiu a amiga e ficou encostada no batente da porta. – Você não dorme e mesmo assim vai toda noite trabalhar. – ela começou a enumerar com os dedos as hipóteses que criava. – Você não atende o telefone e as cortinas de sua casa estão fechadas de noite, o que não era nada comum... – a ruiva encarou a amiga, para ver se ela mostrava o rosto. – Já sei! Você conheceu alguém.
Thaís finalmente se sentou na cama, os olhos castanhos estavam surpresos.
— Como você pode saber disso só tendo esses sinais? – quase gritou. Pela primeira vez naquela noite, o olhar das duas se encontraram.
— Eu sou sua melhor amiga. – Anne foi até a cama, se sentando ao lado da amiga. Thaís desviou o olhar novamente, voltando a encarar qualquer outra coisa no quarto. – Quem é ele?
— Um cara que eu conheci no clube... – a voz da morena estava tão baixa, que Anne precisou de muito esforço para conseguir ouvir.
— Certo... – a ruiva passava as mãos delicadamente pela cascata ondulada que eram os cabelos da morena. – E por que você está tão para baixo?
— Porque nós ficamos e o cara deu no pé. – A morena falou bufando. Como se sentisse raiva ao se lembrar. – Agora que você já sabe o motivo, me deixe em paz! – gritou brava, jogando o travesseiro novamente no rosto de Anne. Thaís afundou sua cabeça no colchão de novo e se cobriu com o lençol.
— E por que você está tão incomodada se o cara deu no pé? – a voz de Anne era de total desdém. O que acabou incomodando a morena. – Vocês só tinham ficado, não é mesmo? – Silêncio. Apenas a chuva do lado de fora era ouvida. – Thatá? – a ruiva a chamou. Deitando ao lado da amiga e a abraçando. – Tem mais alguma coisa, não é?
Thaís se afastou da amiga e se sentou novamente na cama. Os olhos castanhos estavam marejados. Sua boca estava aberta, como se o ar faltasse aos pulmões.
— Eu fiquei revoltada... – a morena falou baixo. – Ele era... maravilhoso. Bonito. Engraçado. E eu...
— E você...? – Anne se aproximou da amiga.
— Eu me apaixonei por ele! – gritou, voltando a se deitar na cama. – Pronto! Está feliz? – a voz saiu abafada. A ruiva apenas soltou um leve riso.
— Estou.
— Anne! – a morena repreendeu a amiga que havia levantado da cama, para não receber outra travesseirada na cara.
— Desculpa... Mas o problema é que você quer vê-lo de novo, não é mesmo? – a morena apenas assentiu. Anne pareceu pensar por um momento. – Qual o nome dele?
— Eu... Eu não... Eu não sei. – sussurrou mais para si mesma.
— Você nem sabe o nome dele?
— Anne! – a morena a repreendeu novamente
— Desculpa... Você realmente está apaixonada por ele, não é mesmo... – Thaís assentiu outra vez com a cabeça. A ruiva pulou sobre a cama e abraçou a amiga com força. A morena repudiou um pouco. Mas acabou correspondendo ao abraço. Sentiu toda a afeição de Anne nesse gesto. A amiga só queria ajudá-la. Tinha que agradecer por ter alguém assim na sua vida. – Thatá? – a morena resmungou alguma coisa. Anne soltou um suspiro próximo à seu ouvido. – Não sofra por causa disso.
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