Moonlight
2 And he calls me Moonlight too
Notas iniciais
He's so bossy;
He makes me dance
☆
Thaís sorriu falsamente enquanto colocava a xícara de café na frente da moça que estava sentada próxima a janela de vidro. Ela estava com uma aparência horrível, mas graças ao grande poder da maquiagem, ela conseguiu esconder as roxas olheiras que estavam sobre os olhos amêndoas. Depois que Anne chegou em sua casa, na noite anterior, ela ficou conversando com a amiga e não conseguiu descansar nem dez minutos. A ruiva só foi embora quando Thaís precisou ir para o clube. E o pior. Seu outro chefe ligou para ela às 6h da manhã, pedindo para que ela cobrisse uma funcionária que havia ficado doente. O pior é que, nesse horário ela estava saindo do clube. Ela teve apenas tempo de ir para casa, tomar um banho rápido e ir correndo para seu outro trabalho.
O pior é que, agora, seu corpo exigia descanso.
Além de cansada, ela estava triste. Muito triste. Mais uma vez, aquele homem misterioso não apareceu no clube na noite passada.
Ela se apoiou no grande balcão. Aproveitando o pouco movimento do café, fechou os olhos por alguns segundos. Todos os acontecimentos dos últimos dias passavam em sua cabeça como num filme.
— Thaís? – a voz grossa do cozinheiro fez a menina se sobressaltar. Ela acabou derrubando um açucareiro, quebrando o objeto de porcelana. Aquilo com certeza iria ser descontado do seu salário. – Esquece isso, eu peço para Cléo limpar. Entrega esse pedido na mesa cinco. – o homem gordo que usava um avental, entregou duas bandejas para a morena. Ela equilibrou as bandejas com ambas as mãos e se dirigiu até a mesa informada.
Ela andou devagar até a mesa que ficava na vitrine do grande café. Ela colocou os pratos diante as pessoas que estavam sentadas, lançando mais um sorriso falso para o casal que a ocupava.
Ela estava pronta para voltar ao balcão e pegar os outros pedidos.
Se não fosse por um único detalhe do outro lado da vitrine.
A respiração da morena começou a ficar ofegante. Seus olhos marejaram, e seu rosto ficou vermelho. Não de vergonha, ou falta de ar. Mas de raiva. Pura raiva.
Ela agiu sem pensar. Jogou o avental que usava em qualquer canto do café e saiu em disparada para fora do estabelecimento. Correu pela rua movimentada, ouvindo o barulho de freios e buzinas.
— Olha por onde anda! – alguém gritou. Thaís ignorou, e continuou correndo até o outro lado da calçada.
Um casal andava distraído pela rua. A mão da garota alcançou o ombro do homem alto, fazendo-o se virar.
A morena ofegava. As lágrimas já corriam livremente pelas bochechas vermelhas.
— Você...? – o rapaz de olhos azuis claros balbuciou. A loura, que estava do lado dele o encarou, e depois lançou um olhar interrogativo para a morena que arfava.
— Você me deixou sozinha naquela noite! – Thaís falou bem devagar, enfatizando sua raiva. Ela cutucava o peito másculo do rapaz com força, fazendo com que ele desse alguns passos para trás, para não cair. O moreno de olhos claros estava espantado. – Você por acaso sabe o quanto eu procurei por você? – a voz dela começou a alterar. – Você me fez de trouxa! O que houve? – desta vez ela gritou. Chamando a atenção de curiosos que andavam pela rua. – Me trocou por ela? – ela apontou raivosa para a mulher que acompanhava o homem. A loura piscou o olhar turquesa perdida, não entendendo o que estava acontecendo.
— Eu...
— Não abra a boca! – ela gritou, interrompendo o homem, apontando um dedo acusador no rosto amorenado. – Eu estou com ódio de você! – e sem esperar nenhuma resposta, Thaís andou de volta para o café.
Quando entrou no estabelecimento, viu que todos olhavam para ela. Até o cozinheiro a encarava, surpreso. Cléo, a moça da limpeza, também estava com os olhos arregalados. A morena sentiu o rosto esquentar por vergonha. Correu pelo lugar, indo até o banheiro, se trancando no primeiro box livre que achou.
Ela sentou no vaso sanitário fechado e deixou as lágrimas, e os soluços, saírem de sua boca. Ela fora completamente estupida. Por algum motivo ela deu graças a Deus que o dono não estava no café hoje. Se ele presenciasse essa cena, ela estaria demitida no exato momento em que colocou os pés dentro do estabelecimento novamente.
☆
Tryna sit in the back of his whip;
And just cancel my plans
☆
Depois da cena deplorável no restaurante, o cozinheiro pediu que ela fosse embora. Não seria bom que ela continuasse trabalhando naquele dia depois de tudo o que foi visto.
Thaís, acabou concordando. Ela também não conseguiria se concentrar no trabalho.
Chegou em casa aos prantos. Deixou a bolsa em qualquer lugar da sala e correu até o quarto. Se jogou na cama, o cansaço de antes, deu lugar a uma outra sensação. Vergonha.
Ela fora uma completa idiota.
O que levaria à acreditar que aquele cara ficaria com ela? Desde quando ficadas de uma noite resultavam em relacionamentos?
Ela se levantou da cama, se sentando, tentou limpar as lágrimas do rosto, mas não obteve sucesso. Elas começaram a cair novamente, e desta vez, em maior quantidade.
E aquela moça? Ela poderia muito bem ser a namorada dele, ou pior, a esposa. Se fosse, ela havia acabado com o relacionamento deles.
Já não bastava ela ter estragado sua vida, ela acabou arruinando a vida do homem também.
Olhou para o relógio digital que ficava no criado-mudo, ao lado da cama. Ainda era cedo. Ela teria algumas horas para ir ao clube. Algo lhe dizia que o rapaz apareceria por lá. Obviamente para acertar as contas, ela não duvidaria nem um pouco que a mulher dele apareceria para lhe dar uns bons tapas.
Ela se jogou no colchão novamente. Abraçou o travesseiro com força. Sentindo as lágrimas salgadas o manchando. Seu corpo estava cansado. Ela nem percebeu quando acabou dormindo.
☆
Já era tarde quando Thaís finalmente chegou na boate. As olheiras da garota continuavam fortes. Ela acabou indo ao banheiro, passando um corretivo sobre a pele para que ninguém percebesse o enorme roxo em volta de seus olhos. Quando se aproximou do palco principal, a banda já estava pronta. Ela subiu os pequenos degraus.
Hoje seria seu último dia na boate. E ela se sentia aliviada. Pelo menos, não precisaria se torturar toda santa noite com as lembranças daquele dia. A menina balançou a cabeça, afastando todos os pensamentos ruins. Ela precisaria cantar em alguns minutos, e era preciso se mostrar alegre para todos.
Ela jogou os cabelos cacheados para trás e colocou um sorriso (falso) no rosto. Segurou o microfone com ambas as mãos e se prontificou para cantar
Os olhos amêndoas analisaram a multidão, apenas para chegar à mesma conclusão de todas as noites.
Ele não estava ali.
O instrumental começou. Desta vez, a música era calma, uma melodia doce embalou todo o ambiente.
Ela fechou os olhos e apreciou a suave composição. Quando abriu os olhos, prestes a cantar, sua voz desapareceu. Tudo a sua volta desapareceu. Ela apenas focou na figura alta e de olhos azuis claros como vidro que a encarava.
☆
Sweet like candy;
But he's such a man
☆
Ele estava ali.
Bem ali.
Na mesma mesa de quatro dias atrás.
Os garotos da banda continuavam tocando, esperando que Thaís começasse a cantar. Mas nada, além da introdução, e dos murmúrios pelo clube, eram ouvidos.
Por algum motivo, Thaís olhou para a clarabóia. Tendo total visão da lua cheia. Era como se a luz da lua a iluminasse.
Ela voltou seu olhar castanho para o azul do homem. Ele pegou o pequeno copo e sorveu um leve gole. Thaís estava estática. Mas ela tinha uma única sensação.
Algo de bom.
Muito bom.
Iria lhe acontecer.
O homem olhava fixamente para a morena no palco. Ele sorria. E ela permanecia ali. Parada. Sem fazer nada. Mas ela também sorria.
Talvez ela tivesse compreendido que ele havia vindo se desculpar.
O moreno colocou uma de suas mãos no bolso do grande casaco e tirou de lá um pequeno objeto. Ele ergueu levemente o objeto. E os olhos de Thaís se arregalaram mais.
Ele falou algo, mas o som nunca foi ouvido. Mas Thaís sabia exatamente o que ele havia falado. Ela colocou ambas as mãos sobre a boca, abafando os leves soluços que começavam a sair.
"Case-se comigo"
☆
He knows just what it does
☆
Thaís estava indignada. Ele não podia estar falando sério. Eles nem se conheciam direito. Ela nem sabia nem mesmo o nome dele.
Mas a morena tinha total certeza de uma coisa: ela estava perdidamente apaixonada. Como nunca esteve em toda a sua vida.
O homem alto se levantou da cadeira, desviando das mesas que estavam pelo caminho, se aproximando cada vez mais do grande palco. Onde Thaís estava atônita.
A garota sentiu um tremor por seu corpo, e seus joelhos acabaram cedendo e ela foi ao chão. Observando o homem se aproximar cada vez mais dela.
Na mão direita ele levava a pequena caixinha de veludo. Assim que ele chegou na frente da moça, ele abriu-a, mostrando o pequeno anel de diamante.
Todos no clube, incluindo os integrantes da banda estavam atônitos ao ver que a cantora não havia falado nada desde o início da apresentação. Ninguém compreendia o que estava acontecendo.
— Você... Você não pode... Não pode estar falando sério. – Thaís balbuciou quando o rapaz pegou sua mão direita e colocou o anel no seu anelar.
— Mas estou. – o homem falou, pulando para o palco, e erguendo Thaís.
— Mas eu... Eu nem sequer sei seu nome... – a mão do homem tocou levemente a bochecha da morena, afastando o cabelo do rosto, colocando-o atrás da orelha dela. Ele se aproximou do rosto e sussurrou em seu ouvido.
— Meu nome é Juan Marcondes. Sou engenheiro e vivo em uma cobertura no centro da cidade. Tenho dois cachorros e eu estou completamente apaixonado por você. – o hálito quente dele fazia cócegas no corpo de Thaís. Ela sentiu o coração falhar uma batida e voltar com toda a força. – Agora você não tem motivos para não dizer que sim.
— Mas... Você me deixou naquele dia... E tem aquela garota e...
— O nome dela é Denise Santiago. – Juan interrompeu a garota, colocando um dedo em seus lábios. Ela trabalha comigo, e nós estávamos resolvendo negócios. Naquele dia que te deixei, ela havia se machucado e me ligou pedindo ajuda. – ele explicou de uma maneira tão calma, que fez com que Thaís começasse a chorar novamente. – Me perdoe.
— Eu...
— Só me diga que sim. – ele a interrompeu novamente.
— Sim... Sim. Sim! – Thaís pulou, o abraçando com toda a força.
Ele afastou um pouco o corpo da menina do seu, apenas para capturar os lábios vermelhos e beijá-la como na noite em que se conheceram.
Todos no clube começaram a aplaudir. Eles não compreendiam muito bem o que estava acontecendo. Mas sabiam que se tratava de um pedido de casamento.
Thaís desviou o olhar para todos. Depois voltou seus olhos castanhos para Juan.
Ela o amava.
E era amada em retorno.
Seus olhos encontraram novamente a grande lua cheia. Ela sorriu. E agradeceu.
Agradeceu aquela luz da lua.
Que iluminou seu verdadeiro amor.
☆
When he’s holding me tight;
And he calls me Moonlight too
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