Moon River
35 Capítulo Vinte e Oito
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Oito —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Renesmee voltava da escola por volta das três da tarde e, como eu sabia que ela pegaria carona com Edward, eu consegui com que Sulpicia me dispensasse mais cedo do trabalho. Eu estava na frente do prédio, batendo um papo com os seguranças sobre o jogo de beisebol que tinha ido assistir no dia anterior, esperando pela chegada deles.
Não demorou muito para aparecerem, Renesmee saiu do carro e olhou confusa para mim. Eu não chegava aquele horário do trabalho e ficar plantada do lado de fora do prédio também não era algo normal. Sorri para ela, seguindo até a menina que ainda mantinha a porta do carro aberta.
— Oi, filha! — Afaguei seu braço, então me curvei para olhar Edward lá dentro no banco de trás. — O quão ocupado você está? — perguntei a ele.
— Muito — Edward respondeu olhando curioso para mim. — Eu tenho uma reunião com Carlisle em meia hora.
— Oh, excelente, seu pai já me odeia, ele pode acrescentar isso na lista. — Revirei os olhos. — Pode cancelar e subir com a gente? Temos muito o que conversar.
— Isabella...
— É sério, Edward, prometo que hoje todos iremos apenas conversar, civilizadamente.
— Tudo bem — ele cedeu, digitou algo em seu celular, então saiu do carro também.
— Não vamos mesmo brigar? — Nessie me perguntou hesitante.
— Não, vamos todos ser tão cheios de classe quanto a rainha da Inglaterra.
— Mamãe tem fascinação sobre o trono real britânico — Renesmee cochichou para Edward enquanto subíamos as escadas para nosso apartamento.
— Eu sei — Edward respondeu de volta. — Você realmente acha que foi feita como, Nessie? Sua mãe e eu namoramos, eu a conheço, ela não foi uma estranha em um bar.
— Posso ouvir vocês — anunciei enquanto subia na frente dos dois.
— Não era minha intenção ser discreto — Edward disse e notei um tom bem humorado em sua voz.
— Para dentro. — Abri o apartamento, deixando com que eles entrassem. — Sigam direto para a cozinha. — Coordenei.
— Está tentando nos mostrar como é o exercito?
— É, quase. Edward você contou a ela que você foi recusado na marinha por ser magro demais? — perguntei, Edward se virou para mim com uma expressão engraçada no rosto.
— Eu ainda estou tentando esquecer isso, Bella, foi um dia difícil.
— Coitadinho — Renesmee riu, pegou um copo de água, então sentou-se a mesa junto de Edward. — Então, mãe, o que temos para conversar?
Suspirei, sentando também.
— Bom, vocês claramente sabem, sobre ontem a noite. — Apertei uma mão na outra, claramente nervosa. — Eu fui exaltada com vocês, podia ter colocado a culpa na bebida, mas foi minha mesmo. Deveria ter deixado você terminar de falar, Nessie, não devia ter começado a gritar e brigar.
— Nós também queremos pedir desculpas, todos nos exaltamos ontem — Edward falou, desviei meu olhar para o dele. — Renesmee e eu estávamos pensando qual seria a melhor forma de pedir desculpas a você, mas ainda não encontramos.
— Apenas pedir é o suficiente — garanti. — O que quero falar hoje é o que me deixou acordada por boa parte da madrugada. Nós estamos no meio de uma bela confusão aqui e, cheguei a conclusão de que não podemos ficar discutindo entre nós mesmo, isso não é saudável para nenhum de nós.
— Não mesmo — Nessie murmurou e começou a chorar, então saiu de seu lugar e foi me abraçar. — Eu odeio brigar com você, mamãe, é a pior coisa do mundo!
— Também é para mim, filha. — Retribui o abraço, afagando suas costas. — Mas ainda temos que conversar. — Indiquei que ela se sentasse. — Edward, eu sei que você é o pai da Nessie, sei que está tentando participar mais e mais da vida dela e, acredite, eu gosto disso. Mas, tem sido difícil para mim não estar no controle de tudo mais sozinha. — Renesmee segurou minha mão. — Nós precisamos nos entender, pelo bem dela, como você disse ontem.
— Concordo — Edward falou. — E, eu não queria tirar sua autoridade.
— Então, vamos dividi-la. — Senti um peso sair de minhas costas. — Renesmee é nossa responsabilidade, não só minha, nem só sua. Até ela ser maior de idade e viver por conta própria, nós dois temos que estar ao lado dela.
— Vocês querem conversar sozinhos? — Renesmee perguntou baixinho.
— Não, você fica. — A encarei. — Filha, eu sei que você é madura, inteligente e esperta, mas ainda é uma menor de idade e não vai tomar suas decisões sozinha. Precisa consultar a mim e a Edward também e, pelo bem dessa família nós três precisamos decidir elas juntos. Eu não quero seu mal e tenho certeza de que seu pai também não, então nós seremos absurdamente sinceros um com o outro a partir de agora.
Edward assentiu, colocando sua mão sobre a de Renesmee que estava junto a minha. Observei nossas mãos unidas por um instante, até voltar a falar.
— Primeiro passo. — Engoli em seco. — Parar de brigar por tudo.
— Segundo passo — Edward começou a falar. — Falar e, saber a hora de ouvir.
— Terceiro passo. — Meus olhos estavam voltados para os dele. — Não viver em função do passado. — Edward parou de respirar ao me ouvir dizer aquilo. — Ele nos guiou até o nosso presente, ele sempre será um fantasma em nossas vidas, mas se queremos que essa convivência dê certo, precisamos focar no agora.
— Sim, isso é perfeito para mim. — Edward sorriu.
— Quarto passo. — Virei-me para Renesmee. — Respeitar nós dois, igualmente e sem fazer birras.
— Okay. — Ela corou.
— Quinto passo. — Foi a vez de Edward. — Não quebrarmos isso. — Os olhos dele pairaram sobre nossas mãos e, entendi perfeitamente o que ele queria dizer.
Manter a ligação que estávamos construindo ali, firme, ou tudo desmoronaria de novo.
— Agora, sobre o trabalho. — Nós separamos nossas mãos em uma quase sincronia. — Qual seriam as exatas funções de Renesmee na empresa, Edward?
— Ela trabalharia diretamente comigo na direção financeira, na minha sala, ao meu lado. Mas eu faria com que ela pudesse aprender mais sobre as outras áreas, com o tempo, com calma.
— Você quer mesmo isso? — perguntei a ela.
— Sim, sei que eu estava animada com a ideia de trabalhar na confeitaria quando chegamos aqui. Mas, eu sei que um trabalho na empresa seria um grande acréscimo em meu currículo, mas eu não farei isso se você e papai não concordarem.
Passei a mão pelo rosto, voltando para os olhos de Edward.
— Ela precisa de responsabilidades, você precisa ser firme e cobrar dela resultados. Se for para ela apenas observar pode fazer isso por apenas uma semana e sem receber salário algum. Mas, se for um emprego de verdade ela terá hora de entrada e saída, um crachá, não poderá ter benefícios por ser filha e neta dos donos. Será uma funcionária como qualquer outra e, apenas receberá o que a lei designa para estágios como esse. E, as notas dela devem aumentar, a diretora me ligou no meio da semana falando que ela não tinha se saído tão bem nos primeiros testes que fez, se o desempenho na escola continuar ruim ela terá de deixar o trabalho e focar nos estudos. — Respirei fundo após falar sem parar. — Você concorda com tudo isso, Edward?
— Sim — Ele assentiu. — É realmente algo que deve acontecer, ser tratada como uma funcionária normal, eu digo. Eu mesmo subi naquela empresa muito rápido, quando claramente tinha gente mais capacitada, não quero repetir com Nessie o que meu pai fez. E, ela será demitida no momento que eu ver que não está dando conta do serviço.
Renesmee fez uma careta ao ouvir aquilo.
— Ou se continuar indo mal na escola — Edward completou. — Terá de me chamar de Senhor Cullen lá, eu não poderei ser seu pai, serei seu chefe dentro da empresa.
— Ótimo, ela pode começar quando vocês tratarem do contrato. Renesmee, seja esperta o suficiente lendo cada linha, lembre-se que será um trabalho de verdade. — Ela concordou. — Agora, temos outro assunto importante para tratar.
— Qual? — ela perguntou.
— Precisamos tratar da troca de nome, ou no caso no acréscimo do sobrenome Cullen a identidade dela — falei olhando de Nessie para Edward.
— Claro, eu cuidarei disso o mais breve possível, provavelmente até o fim da próxima semana já tenho isso tudo em mãos.
— Ela já falou sobre o jantar de sábado?
— Qual jantar?
Renesmee ficou imediatamente pálida com a introdução do novo assunto.
— Segundo passo, Renesmee, falar e ouvir! — Gesticulei que ela contasse sobre o jantar para o pai.
— Mamãe e eu faremos um jantar aqui em casa, para que vocês possam conhecer melhor o menino com quem estou saindo — ela disse baixinho, encarando a mesa. Edward abriu a boca e ficou tão pálido quanto a filha estava, precisei de muito autocontrole para não gargalhar.
— Quê? — Edward perguntou em um fio de voz, correndo seus olhos pela cozinha, visivelmente perdido. — Eu realmente não entendi. Isabella, você pode me ajudar aqui, por favor. — Pediu desesperado. Nessie continuava encarando a mesa.
Levantei e coloquei água para Edward em um copo.
— Ness, falar e ouvir. — A lembrei, Edward se forçou a beber água, ainda assimilando o que tinha acabado de escutar.
— Eu estou, conhecendo melhor. — ela mediu suas palavras ao falar. — Um garoto lá da escola.
— Nome, eu preciso de nomes! — Edward exclamou. — Só assim poderei checar os antecedentes criminais dele.
Segurei a risada, abafando a mesma com a mão. Não seria legal rir de Edward enquanto estávamos trabalhando em manter uma união ao cuidar de Nessie.
— Alec, Alexander Volturi — Renesmee respondeu.
— Volturi? — Ele se virou para mim. — Você não trabalha para o jornal dos Volturi? — Confirmei com um aceno de cabeça.
— Alec é filho da minha chefe, ele e Ness se conheceram na escola.
— Okay, eu estou calmo! — Edward disse, claramente não estava.
— Alec é alguém muito legal e bom, papai. — Revirei meus olhos para a forma doce demais que a voz de Renesmee saiu ao falar papai, aquela menina era mesmo uma garotinha ardilosa.
— Claro, com certeza ele é — Edward debochou. — Idade?
— Dezessete — Renesmee murmurou.
— Ah, era o que faltava, o garoto também é mais velho. Quase maior de idade. — Edward levantou. — Isabella, o que acha disso?
— Pra sala, Nessie — mandei.
— É, pra sala, Renesmee. — Edward não estava muito feliz com ela naquele momento, Renesmee suspirou, então deixou a cozinha. — E nada de ouvir atrás da porta.
— Não era o que eu estava planejando — Renesmee disse do corredor, mas ouvimos ela voltar a andar.
— Dezessete anos, Isabella, dezessete! — Edward disse exasperado para mim. — O menino nem deve mais ser...Você sabe! — Ele desabou novamente na cadeira. — Renesmee ainda é uma menina.
— Não tanto. — Suspirei, sentando ao lado dele, afagando seus ombros tensos. — Ela já tem quinze anos e no fim do ano fará dezesseis. É normal se apaixonar nessa idade.
— Ela já se apaixonou antes? — Ele mexeu na cadeira, ficando de frente para mim.
— Só beijou uns dois garotos, nada sério. Mas, com Alec parece realmente ser. Por isso estou sugerindo um jantar para o conhecermos melhor, acredite, eu também não estou contente com o fato dele ser mais velho e provavelmente mais experiente...Naquilo. Mas, bom, nós não podemos simplesmente proibir, ela tem direito de se apaixonar e, ficarei muito mais tranquila se ela for honesta sobre o que está fazendo do que ficar por ai se encontrando as escondidas com garotos, sem supervisão e com grandes probabilidades de cometer erros.
— Sua chefe ficaria muito puta se eu sumisse com o filho dela?
— Ficaria. — Ri. — Mas, você poderá ameaçá-lo no sábado e, podemos colocar minhas facas mais afiadas na mesa para mostrarmos a ele quem manda por aqui, o menino vai manter suas calças fechadas depois disso, garanto.
Edward fez uma cara enojada, deixando seus ombros caírem.
— Eu mal a conheço e já tem outro homem no coração dela, é injusto.
— Edward. — Toquei no seu rosto, fazendo com que ele me olhasse. — Alec é a paixão dela no momento, mas não saberemos o quanto irá durar. Você é o pai dela, agora está totalmente inserido na vida de Nessie, ele pode sair da vida dela a qualquer momento, você não, é parte fundamental.
— Sou?
— Sim. — Sorri para ele, tirando minha mão de seu rosto. — E, quem está reconhecendo isso sou eu, que relutei muito para deixá-lo participar. Está sendo difícil não ser a única pessoa mais importante na vida de Nessie agora, mas eu sei que você precisa ser também. E, mesmo que isso me cause ciúmes, eu pretendo aceitar melhor a cada momento, porque sei que ela sempre será minha filha. Você precisa saber disso também, ela pode ser namorada de Alec, mas nunca deixará de ser sua filha.
— Obrigado, Bella.
— Não, eu que agradeço. — Senti-me bem mais aliviada. — Eu tentei lidar com tudo sozinha e fracassei, agora sei que Renesmee precisa de um pai e que eu preciso de você, como um amigo que seja para me ajudar com ela.
Edward segurou minha mão, depositando um beijo na mesma.
— Amigos?
— Amigos — concordei. — Alguém terá que te ajudar a esconder o corpo do garoto Volturi caso ele passe dos limites com Nessie. — Edward riu.
— Oh sim, eu mesmo cuidarei dele se algo acontecer a ela. Então teremos um jantar no sábado?
— Sim, você traz vinho. — Levantei, Edward logo em seguida.
— Você afia suas facas.
— Sempre estiveram, posso testá-las se quiser.
Edward sorriu, então segurou em minhas mãos puxando-me para ele, eu pensei que ele me beijaria outra vez. Porém, apenas me abraçou, coloquei meu ouvido sobre seu peito, ouvindo seu coração bater.
Era bom estar em paz.
***
Renesmee entrou mais uma vez na cozinha, falando daquela vez sobre seu cabelo dela não estava cooperando aquela noite e, como ela estava revoltada por estar com crise de rinite. Então, choramingou e voltou para seu quarto para terminar de se arrumar.
Continuei cozinhando, sabendo que ela estava apenas nervosa e ansiosa com o jantar. Ela tinha estado incontrolável durante a semana inteira, dizendo coisas do tipo:
— Talvez não seja ideal um jantar agora.
— Eu realmente gosto de Alec.
— Eu não sei se ele é o cara que devo apresentar para a família.
— É ele, é sim!
Por se tratar do primeiro romance dela, entendi tudo aquilo. Então não peguei no pé dela durante a semana aliviando seu lado, mas Edward reforçou sua presença, sem deixar de buscá-la e deixá-la na escola, querendo um vislumbre que fosse de Alec, mas Renesmee com certeza sabia disso e não estava andando de mãos dadas com o garoto em um lugar que o pai pudesse ver.
A campainha tocou e, como eu sabia que ela estava atarefada demais para ir atender, fui eu mesma, deixando os tomates de lado por um momento. Abri a porta, deixando Edward entrar, ele não parecia contente, mas ao menos tinha levado o vinho que prometeu.
— Ele já chegou?
— Ainda é cedo, não foi esse horário que ela combinou para ele chegar — falei, pegando o vinho e indo para a cozinha com Edward em meus calcanhares.
— Ou ele desistiu, isso seria bom — Edward disse. — Cadê ela?
— Trancada no quarto se arrumando, a alergia até atacou de tão nervosa que estava. — Olhei para os tomates. — Que tal você cortá-los? — Entreguei a faca para Edward, preciso preparar o macarrão.
— O que vai fazer?
— Espaguete.
— Eu realmente não sei como cortar esses tomates — Edward murmurou.
— Imagine que é Alec — sugeri, colocando em seguida o macarrão na água, ouvindo Edward triturar os pobres tomates.
Trabalhamos em silencio por um tempo, enquanto ele extravasava sua raiva nos tomates eu cuidava de todo o resto.
— Ah, você está livre na terça?
— Para que? — perguntei virando-me para ele.
— Para resolvermos o assunto do nome de Renesmee — ele entregou o tomates já cortados para mim na vasilha.
— Ah sim, posso ir com vocês no dia, falarei com a mãe do menino que iremos torturar hoje que precisarei me ausentar do trabalho por algum tempo.
— Ótimo, mal vejo a hora de resolver todos os assuntos legais que me cercam.
— O que mais está resolvendo?
— Estava, o divorcio, mas Tanya e eu assinamos a papelada ontem. — Edward contava enquanto abria o vinho. A vasilha de tomates caiu sobre o balcão, por sorte era de plástico.
— Você se divorciou mesmo? — perguntei.
— Sim. — Ele serviu vinho para nós dois. — Tanya e eu precisávamos disso.
— Onde ela está? Morando, quero dizer.
— Por enquanto em um hotel, ela está procurando por um apartamento novo. Eu talvez me mude também, mesmo o que a gente morava sendo meu, prefiro algo menor.
Meu olhar foi até sua mão esquerda, só ali percebi que ele estava sem aliança.
— Vinho? — Ele continuava com a taça estendida na minha direção.
— Não, melhor não, por enquanto — recusei, voltando a cozinhar.
— Okay, precisa que eu corte mais alguma coisa? Preciso enviar uns emails.
— Pode ir para a sala — falei, Edward sorriu, então saiu.
A imagem da sua mão sem aliança ficou na minha cabeça durante todo o restante do preparo do espaguete.
***
A campainha tocou mais uma vez, então eu ultrapassei Edward e fui até a porta primeiro. Abri a mesma para um garoto ansioso, vestindo calça jeans, tênis adidas e uma camisa do Oasis que eu realmente detestei.
— Oi senhora Swan! — Alec sorriu para mim.
— Senhorita — o corrigi. — Mas me chame de Bella mesmo — falei, o deixando entrar, ele me entregou seu casaco e eu o guardei no armário. Edward tinha ficado na sala e, Renesmee também estava lá, com o nariz vermelho e entupida.
— Você está muito bonita, senhora...Senhorita...Bella! — ele gaguejou umas vezes até terminar seu discurso, Alec provavelmente nunca tinha conhecido pais de namorada alguma, isso se ele teve um relacionamento sério antes de Nessie.
— Okay, onde estão minhas flores? — O encarei, cruzando os braços, ele arregalou os olhos.
— Flores? Eu tinha de trazer flores? Droga, eu posso ir agora mesmo sair para comprar. — Fez menção de deixar o apartamento, gargalhei o impedindo de sair.
— Será uma noite divertida — comentei.
— Será? — ele perguntou esperançoso.
— Para você? Não. — Ri. — Mas para mim? Será divertidíssima.
Mandei Alec ir para a sala, onde Renesmee assoava em um lencinho, claramente acabada com a alergia e Edward tinha uma expressão mortal no rosto.
— Olá senhor Cullen, é uma honra conhecê-lo! — Alec falou quando Edward foi até ele. O Cullen analisou o garoto dos pés a cabeça, também torcendo a cara para a camiseta do Oasis, então estendeu sua mão. Alec prontamente a apertou, mas Edward claramente não pegou leve.
— Olá Alexander! — Edward exclamou, sem sorrir um pouquinho que fosse.
— Pode me chamar de Alec, senhor — Alec disse dando um sorriso tenso.
— Seu nome é Alexander, lhe chamarei assim — Edward bufou.
— Claro, tudo bem. — Alec olhou nervoso para mim, mas eu apenas sorria com tudo aquilo. — Oi Nesse. — Ele beijou a bochecha dela por um segundo quando a menina finalmente se levantou do sofá, ela sorriu para ele e afagou a mão dele por um milésimo de segundo. Edward praticamente rosnou com os gestos de carinhos de ambos.
— Vamos jantar? — perguntei. — Meu espaguete está maravilhoso e, os tomates que Edward cortou com minhas facas afiadas, também. — Pisquei para Alec, Nessie fez uma careta.
Fomos até a cozinha, onde a pequena mesa, mas o suficiente para nós quatro, já estava arrumada. Edward e eu sentamos de frente para Renesmee e Alec, que mal se olhavam.
— Então, Alexander — Edward falou, sem nem ligar em se servir como eu fazia, Renesmee voltou a coçar o nariz imediatamente. — Veio até aqui de carro? Táxi? Ou seus pais te trouxeram?
— Metrô — Alec respondeu. — Minha mãe não gosta muito que eu dirija de noite.
— Claro, é muito perigoso, não é Edward? — falei.
— Extremamente — Edward disse, bebendo um pouco de vinho. — Ainda mais para um garoto como você, sabe-se lá o que podiam fazer.
— Vendas de órgãos. — Renesmee espirrou em sequencia ao ouvir minha frase. — Isso é, se seus pulmões prestarem, você não fuma, não é?
— Não, não mesmo — Alec respondeu apressadamente.
— E seu fígado? Como anda? Muito em contato com álcool? — Edward perguntou. — Falando sobre isso, você quer um pouco de vinho?
— Não, eu não bebo. — Alec aproveitou o momento para se servir. Claro que ele bebia, todos os adolescentes nos Estados Unidos bebiam, mesmo sendo proibido.
— Então, você pretende fazer o que depois do colégio? Vai se formar esse ano, não é?
— Sim — Alec confirmou para Edward. — Pretendo ir estudar na New York University.
— Papai estudou lá! — Renesmee exclamou empolgada, sua voz arranhada por conta da alergia.
— E no que pretende se formar? — Edward definitivamente não estava nem ai para o espaguete.
— Não sei — Alec confessou em voz baixa.
— Olhe só, Bella, ele não sabe! — Edward virou para mim.
— Bem animador. — Deixei o espaguete de um lado por um momento. — Você é daqueles que pretende se descobrir na faculdade? — indaguei. — Deixa eu te dizer, isso sempre acaba em desemprego depois de formado.
— E com a divida estudantil altíssima — Edward emendou.
— Eu, meio que gosto de direito — Alec disse para si mesmo.
— Advogado, parece bom para você, Edward?
— Se ele se tornar um juiz, talvez. — Edward voltou a sua taça de vinho. — Sabe que tem muitos e muitos advogados por ai, não é Alexander? Você precisaria ser muito bom para se destacar.
— E na escola? Você participa de algum curso extracurricular? — perguntei, colocando comida no prato de Edward antes que ele passasse mal por estar só bebendo.
— Alec joga no time de futebol americano — Nessie anunciou orgulhosa, sorrindo verdadeiramente para Alec, que sorriu de volta.
— É mesmo? — Edward engoliu rapidamente o pouco de macarrão em sua boca. — É quarterback?
— Não, sou o Receiver substituto — Alec informou.
Edward respirou fundo, voltando a comer.
— Só? Sua única atividade extracurricular é ficar no banco? — perguntei. — E debates? Eu fui do time de debates, é bem produtivo.
— Não sou muito bom em falar em público.
— E como quer ser advogado? — Edward indagou.
— É, eu não tinha pensado nisso. — Alec encarou seu prato.
— E nenhum trabalho de meio período? Renesmee vai começar a trabalhar em alguns dias e só tem quinze anos — falei orgulhosa, recebendo um olhar de Renesmee, claramente ela estava lembrando o quanto eu tinha sido contra o emprego no começo.
— É, mamãe e papai acham que eu devia trabalhar...
— E eles tem razão — Edward o interrompeu. — Agora, vamos ao que interessa.
— A comida? — Nessie sorriu para o pai. — Mamãe não caprichou no espaguete, Alec?
— Claro, está muito bom, Bella.
— Sim, sim Bella cozinhou uma maravilhosa refeição, que provavelmente será a sua última caso não dê a resposta certa para minha próxima pergunta — Edward disse, fazendo Nessie engasgar e Alec ficar meio amarelo. — O que você está fazendo com a minha filha?
— Papai!
— Quietinha, Ness — mandei. — Alec, responda a pergunta de Edward.
— Eu gosto da Renesmee, ela é uma garota maravilhosa, inteligente, bonita, divertida. Adoro estar com ela, sei que devem estar preocupados e irritados por eu ser mais velho, mas eu nunca forçaria Renesmee a nada, eu a tratarei muito bem, prometo isso a vocês — Alec reuniu coragem para falar. — Aliás, eu preciso fazer algo. — Ele se levantou, ficando ajoelhado diante Renesmee, ela arregalou os olhos, eu parei de respirar e Edward deve ter infartado naquele exato momento. — Nessie, você aceita ser minha namorada? — ele estendeu uma pulseira com um pingente da estátua da liberdade para ela.
Respirei aliviada, claro que ele não iria pedi-la em casamento.
— Aceito, claro! — Renesmee exclamou, deixando Alec colocar a pulseira no pulso dela. Então, ambos ficaram de pé e se beijaram.
— Podemos usar suas facas agora? — Edward perguntou para mim, claramente vencido, mas ainda irritado.
— Eu vou começar a beber agora. — Peguei a taça de vinho dele.
— Mãe, eu estou namorando! — Renesmee deu um gritinho depois do beijo, então abraçou Alec.
— Oh droga, eles são bonitinhos juntos — sussurrei para Edward.
— Então, não vamos usar as facas?
— Vamos deixá-las a vista.
New York – Fevereiro de 2016
Naquela fria terça-feira de fevereiro, às dez da manhã, eu estava sentada em um cartório, com Renesmee sentada entre Edward e eu. Estávamos ali para oficializar o enredo pai e filha que vivenciávamos.
Eu sentia um belo embrulho em meu estomago, Renesmee também não parecia muito calma, mas Edward esbanjava um sorriso tão gigante quanto o de uma criança que tinha acabado de ganhar férias na Disney.
— Vocês podem vir.
Jasper apareceu, nos levando até a sala do juiz que autenticaria tudo. Estava tão nervosa que nem consegui sentar, Edward foi o primeiro a assinar os papeis, um monte deles e, o seu sorriso só se aumentou a cada via, então foi a vez de Renesmee. Ela assinou tudo séria, mas, quando chegou na última página, ela sorriu para Edward.
— Mamãe. — Ela me entregou a caneta, a peguei com a mão tremula, então sentei para assinar a papelada, tomando cuidado para não rasurar nada. — Aqui. — Entreguei os papeis e a caneta ao juiz quando terminei.
— Prontinho. — O juiz se voltou para minha filha. — Você é uma Cullen agora.
Edward e Renesmee se abraçaram, eu senti lágrimas em meus olhos, mas não precisei de muito para perceber que não eram de tristeza. Eu tinha negado aquilo a ambos por mais de uma década, eles mereciam aquilo e ver minha filha feliz, ver o próprio Edward menos amargurado como quando nos reencontramos, foi satisfatório. Era a coisa certa, era o que faltava para seguirmos com o presente.
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