Moon River
25 Capítulo Vinte
Notas iniciais
— Capítulo Vinte —
— Bella —
Seattle – Fevereiro de 2000
Eu passei minha vida inteira vendo meu pai prender pessoas fora da lei, ainda que Forks fosse uma cidade pequena, isso não a isentava de ter criminosos. E, desde cedo, eu sabia que infringir qualquer regra da sociedade era completamente errado, que as consequências poderiam ser totalmente desastrosas, como ir parar em uma cadeia fedida, com pessoas que cometeram outros crimes.
— Eu não roubei essas joias, Edward — falei, sem acreditar que ele realmente acreditava naquela hipótese.
— Não é o que parece. — Carmen balançou a sacola, senti vontade de enfiar aqueles diamantes e rubi na garganta dela.
— Isso você vai ter de explicar para a polícia — disse sério, olhou para mim por um longo tempo e por um instante vi o Edward que amava ali, então pegou o celular de seu bolso e ligou para policiais.
— Isso é maluquice! — Tanya voltou a gritar, enquanto eu continuava perplexa com a atitude de Edward. — Bella nunca roubaria essas joias, Edward você tem de acreditar nela.
— Vou deixar a policia resolver isso — foi a única coisa que ele disse.
— Você é um canalha! — foi minha vez de gritar. — Acha mesmo que eu teria coragem disso, Edward? — Sentia as pesadas lágrimas escorrerem por meu rosto. — Nunca roubei nada, não é agora que ia fazer isso.
— Não sou da policia, Isabella, já disse que deixarei com que eles cuidem disso — dito isso, ele deixou o quarto. Carmen foi atrás dele, levando a sacola de joias consigo.
Desabei no chão, sentindo que meu mundo não voltaria mais a ser o mesmo. Não só por conta de Edward estar sendo um estúpido comigo, mas por todo o resto. Eu estava sendo acusada de um crime, a policia estava indo ao meu encontro. Meus pais surtariam quando descobrissem aquilo, a Universidade poderia pedir meu desligamento por eu ter meu nome sujo com aquela acusação descabida.
— Bella, fique calma, vamos provar que você não roubou absolutamente nada. — Tanya ajoelhou-se ao meu lado, abraçando-me.
— Eu juro que não roubei essas joias, eu juro — falei entre um soluço e outro por conta do choro. — Tanya, nunca me importei com dinheiro, sabe disso. Eu nem queria me envolver com Edward por medo de pensarem que estava fazendo isso por grana, mas eu nunca roubaria ninguém. E, essas joias são suas e da sua família, eu não te trairia.
— Sei disso, Bella. — Tanya limpou as lágrimas de meu rosto, mesmo que mais delas surgissem a cada instante. — Não se preocupe, iremos provar que nada disso é sua culpa. Tem câmeras do lado de fora do quarto e, por toda a casa, veremos quem entrou aqui depois de você para colocar as joias em sua bolsa.
— Os Cullen — sussurrei. — Foram eles, Tanya — afirmei.
— Vamos esperar as imagens da câmera para confirmarmos isso — ela murmurou.
— Não Tanya, eu sei que foram eles. Não sei se todos, mas pelo menos um deles, tenho certeza — insisti. — Carlisle tentou me subornar mais cedo, para que eu terminasse com Edward. E, Alice me odeia, claramente. Foram eles, sei disso. Provavelmente Esme, ela quer alguém melhor do que eu para o filho dela. — O pânico voltou a tomar conta de mim. — Tanya, eles são perversos.
— Vai ficar tudo bem, Bella! — Tanya prometeu, um segundo depois sua mãe aparecia no quarto, sendo seguida por dois policiais e Esme Cullen, minha vontade naquele momento era de cuspir na cara daquela mulher.
— Senhorita Swan, está presa por roubo em flagrante — um policial anunciou, deixando a vista algemas.
— Vocês não podem prendê-las, desçam e interroguem cada pessoa dessa festa, Isabella não é a culpada! — Tanya gritou, fazendo-me levantar do chão, mantendo-se protetoramente ao meu lado.
— Fique fora disso, Tanya — Carmen ordenou. — Pare agora mesmo de defender uma ladra.
— Eu não sou uma ladra — O policial já estava na minha frente, tomando minhas mãos para algemá-las. — Não fui eu, não roubei nada. Meu pai é policial, eu repudio qualquer atividade ilícita. — Comecei a chorar outra vez, enquanto gritava. E, ainda que eu tentasse evitar aquilo, o policial conseguiu me algemar.
— Solte-a, Bella não cometeu crime algum! — Tanya tentou tirar as mãos do policial de mim, porém sua mãe a afastou, enquanto Tanya se debatia, querendo ser solta também.
— Vamos para a delegacia, senhorita Swan, terá de se entender com o delegado lá. — O policial começou a me puxar para fora do quarto.
— Foi ela! — exclamei olhando para Esme, que fingia estar chocada com a situação, era uma puta falsa. — Foi você, não foi sua vaca? — gritei com ela, conseguindo que o policial parasse de me fazer andar.
— Isabella, eu não fiz isso — Esme afirmou, ela mentia tão bem que até seus lábios tremeram.
— Parabéns Esme, você e sua família ganharam, sairei da vida de Edward.
— Vocês não podem levá-la assim, quais as provas que tem? — Esme perguntou para o segundo policial.
— Desculpe senhora Cullen, ela tem de ser levada para a delegacia agora mesmo.
***
Toda aquela confusão no andar de cima não foi notada pelos convidados da festa. Enquanto eu era levada para fora do quarto, com Tanya novamente ao meu lado, dizendo que quando tudo fosse comprovado ser uma grande mentira, os policiais iriam pedir desculpas publicas para mim. Carmen nos tirou pelos fundos, onde a viatura esperava, Esme continuava atrás de mim, mas sem dizer absolutamente nada.
Mesmo com a insistência da mãe, Tanya foi comigo na viatura. Dizendo que podiam algemá-la também, o que fez Carmen ficar bem irritada.
Na delegacia, tudo foi pior para mim. Eu não sabia o que fazer, além é claro de chorar tudo que podia e, implorar que me soltassem. Acabei ficando em uma sala sozinha, tentando decidir qual seria o meio mais fácil de tentar uma viagem no tempo e consertar toda aquela bagunça.
— Senhorita Swan? — O delegado entrou na sala. — Delegado Burks, pode dar seu depoimento agora. Acabei de falar com a senhorita Denali e a mãe dela.
— Tudo bem — concordei, deixando com que ele tirasse as algemas da minha mão.
Foi uma longa conversa com o delegado, ele quis saber absolutamente tudo sobre aquele dia, por quanto tempo trabalhava para os Denali e todos os outros detalhes que podiam ser relevantes para aquele caso. Contei tudo, inclusive que achava que os Cullen eram culpados por aquilo.
— Você tem direito a uma ligação, pode ligar para sua família, ou direto para um advogado — o delegado falou, quando acabamos com o depoimento que deve ter durado pelo menos duas horas. Já estava prestes a amanhecer.
— Não vou ligar para ninguém, você pode preparar a papelada para um advogado do governo?
Eu não podia envolver minha família naquilo, não até ter tudo sobre o mínimo de controle possível, ou totalmente perdido. Meu irmão tinha um filho pequeno, estava em uma cidade nova sozinho com a esposa, eu não o faria cruzar o país para tirar-me de problemas. E, meus pais, eles não podiam saber, papai ficaria tão decepcionado comigo e podia prever a expressão julgadora de mamãe.
O delegado concordou, dizendo que cuidaria daquilo. Então, pude ser removida ara uma cela, que por incrível que pareça, estava vazia.
Obviamente não dormi, não tinha como sequer cogitar a ideia de dormir sobre aquele fino colchão sobre um pedaço de concreto dentro daquela sala. Além do mais, eu não conseguia parar de olhar para as grades, sentindo-me um passarinho preso em uma gaiola.
Tinham me feito trocar de roupas, o vestido da festa substituído por um macacão laranja que eu pensei que só usavam em penitenciarias, mas que percebi serem usados em delegacias também. A cada momento que ficava mais ali, eu surtava um pouquinho mais, sem crer naquela loucura toda.
— Você tem visita, Swan! — Um policial apareceu, abrindo a cela para mim.
— O advogado já chegou? Eu pensei que os governamentais demorassem séculos para pegar um caso.
— Quieta! — exclamou impaciente, algemando a mim outra vez.
A sala que fui levada era parcialmente escura, o que demorou um pouco para que eu pudesse distinguir quem estava lá dentro. Edward Anthony Cullen.
— O que está fazendo aqui? — perguntei, sentando na cadeira diante dele. Estava tão cansada que brigar não valeria a pena.
— Vim me despedir. — Ele olhava para o próprio colo ao dizer aquilo.
— Ah, pensei que sua ligação para a policia noite passada era sua despedida, tudo bem. Pode ir embora! — Coloquei minhas mãos sobre a mesinha, deixando que ele as visse algemadas.
— Por que roubou aquelas joias, Bella? — Ele não conseguia me olhar.
— Eu não roubei aquelas joias.
— Foi uma armação? Se aproximou de mim por conta de dinheiro, todo aquele papo de desprezar grana era na verdade isso? Seja sincera.
Ele era só um garoto, porque homem ainda não era, de vinte anos que nunca tinha conhecido o mundo além do seu. Naquele momento senti pena de Edward, por ser tão babaca, tão submisso a sua família, por acreditar cegamente em tudo que lhe foi apresentado. Ele nunca mudaria, eu desisti dele ali.
— Você já pode ir embora, Edward.
— Nunca mais precisará me ver, Bella — Edward se levantou, por fim me olhando.
— É o que espero, suma da minha vida — pedi, sentindo algumas lágrimas em meu rosto, Edward hesitou ali, até que deixou a sala.
Algum tempo depois, ainda chorando, levantei para sair também, mas o policial anunciou que eu tinha outra visita.
— Pare de chorar, Bella. — Era Tanya, ainda com o vestido da festa e uma expressão puta no rosto, junto dela um homem de terno que tinha um estereotipo de advogado. — Vou te tirar daqui, nem que seja a última coisa que faça antes de matar alguém por ter jogado uma amiga na cadeia.
— Tanya, eu não preciso de ajuda, ou de um advogado particular — murmurei.
— Não perguntei se precisava, eu vou te arrancar dessa prisão. Então, iremos parar no primeiro bar e encher a cara, até esquecermos aquela maldita festa.
***
Foi uma longa semana ali, além de torturante. Enquanto eu apodrecia naquele lugar, Tanya e o advogado cuidavam de tudo do lado de fora. E, naquela prisão apenas constatei o quanto a justiça era lenta.
Tudo era sempre adiado, ou cancelado. Só para prorrogar ainda mais meu sofrimento naquele lugar nojento.
Para piorar, o que sempre podia ficar pior, as câmeras da casa onde aconteciam a festa tinham misteriosamente parado de funcionar aquela noite. Sendo assim, sem provas em vídeo de que eu não era a ladra, enquanto isso o advogado tentava encontrar outro meio de me tirar dali, mas não foi ele quem conseguiu.
Na quinta-feira, Tanya apareceu, com um sorriso no rosto, ainda que triste.
— Vão me mandar para o presídio? — perguntei a ela.
— Não, você vai ser solta, ainda hoje, espero. — Tanya suspirou, parecendo aliviada. — Implorei aos meus pais que esquecessem tudo isso, o advogado que contratei estava quase alegando causa perdida, entrei em contato com outros que também não viam uma solução. Uma vez que as joias estavam em sua bolsa, assim como suas digitais nela.
— Você se humilhou diante seus pais para soltar uma ladra?
— Você não é uma ladra, Bella — Tanya disse, tentando afagar minhas mãos algemadas, porém não permiti.
— Seu melhor amigo acredita que sim, você também deveria.
— Bella, Edward...
— Faça como ele, Tanya. Suma da minha vida — pedi.
***
Me restabelecer na vida fora da prisão foi difícil, mesmo com todas as queixas retiradas, meu nome limpo e com ninguém fora daquele pequeno ciclo de terror sabendo sobre minha prisão, eu ainda estava morrendo de medo de toda aquela situação. Foi por isso que assim que sai de lá, peguei o primeiro ônibus para Forks.
Para minha sorte, meu sumiço inexplicável durante aquela semana não foi notado por ninguém além de Rosalie, que mais tarde viria a saber toda a história. Meu pai estava em uma viagem de pesca com amigos, meu irmão ocupado demais com o trabalho para me ligar e mamãe mantinha uma política de que os filhos deveriam ligar para ela, não o contrário, ela só fazia ligações quando precisava de algo, o que por sorte não aconteceu enquanto estava presa.
Fiquei em Forks durante o resto do mês de fevereiro, querendo tirar da minha cabeça Edward, os Cullen, Tanya e qualquer outra pessoa que conheci naquele meio tempo. Eu queria minha vida normal de volta, sem aquelas pessoas por perto.
Seattle – Março de 2000
O primeiro enjoo aconteceu durante uma aula de economia, eu pensava que era graças ao fato de eu não ter tomado café da manhã, então deixei passar. Porém, durante o resto da semana, mesmo comigo cuidando da minha alimentação, os enjoos persistiram, assim como uma visível sensibilidade em meus seios e um sono descomunal.
Em um sábado, enquanto estava sozinha em meu dormitório — Jessica tinha arranjado um namorado e passava bastante tempo com ele no apartamento que o cara tinha, o que era excelente para mim —, me dei conta de que algo muito errado estava acontecendo comigo. Enjoos, fadiga, menstruação atrasada. Não podia ser uma reação tardia ao tempo que estive presa, eu mal pensava naquilo, disposta a esquecer daquela semana terrível.
— Rose? — sussurrei quando ela me atendeu. Era a única pessoa que podia contar naquele momento.
— Ah Bella, espero que seja importante, acabei de fazer Riley dormir e iria tomar um banho, o que foi?
— Falando em filhos, como foi que descobriu estar grávida?
— Peitos inchados, na verdade foi Emmett, ele pensou que eu tinha colocado silicone escondido dele. É algum trabalho da faculdade?
— Você tem um bom vinho ai em New York? — perguntei, abraçando meu travesseiro. — Tenho algumas coisas para te contar, seria legal se estivesse bêbada.
— Bom, vinho não, mas tenho cerveja de Emmett. O bastardo do seu irmão foi ver um jogo com amigos, então posso mexer no álcool dele.
— Pegue a caixa inteira de cerveja, é uma história longa.
Até ali Rosalie não fazia ideia do que tinha acontecido comigo, então passamos uma hora conversando, para chegarmos por fim a minha suspeita de gravidez. Ela continuava na linha enquanto eu fui até a farmácia, para comprar três testes diferentes, enquanto eu bebia um litro de leite e fazia xixi o suficiente para fazer os exames. E, mais importante, ela estava ali quando todos deram positivo.
— Ah Bella — Rosalie murmurou. — Você não pode ficar triste agora, tudo bem? Eu te ajudarei em tudo, prometo. Só mantenha-se firme.
— Não estou triste. — Sorri para os testes. — Na verdade eu pensei que nunca ficaria feliz desde que fui presa, mas...Rosalie, eu quero esse bebê, desesperadamente. Já o amo tanto, mais do que amei Edward.
***
Aqueles foram longos dias para mim, divididos entre enjoos e tentar decidir o que faria. Rosalie insistia para que eu fosse atrás de Edward e contasse tudo, tinha uma parte de mim que queria aquilo, mas a outra parte estava vencendo, pois lembrava-se de tudo que tinha passado quando estava junto dele.
— Eu realmente não sei como você consegue, é uma bruxa? Quais seus feitiços? — Jessica questionou a mim, quando voltei da aula certo dia e ela deixava nosso quarto.
— O que está falando? — perguntei confusa.
— Seu poder de atrair um tipo como ele, é ridículo — ela bufou, então saiu da frente da porta. Ainda sem entender o que ela tinha dito, entrei no quarto, deparando-me com Edward ali.
A mochila caiu da minha mão, ele tentou ir até mim, mas gritei que ele parasse onde estava.
— O que está fazendo aqui? Quer saber? Vá embora! — gritei, apontando para a porta.
Edward parecia mal, como se estivesse doente. Olheiras pesadas embaixo de seus olhos, o rosto e o corpo claramente emagrecidos, pálido e ombros curvados como se fosse despencar a qualquer momento.
— Me perdoa, Bella — ele pediu, literalmente caindo de joelhos na minha frente. — Eu fui um covarde, um canalha com você. — Seus olhos encheram-se de lágrimas. — Minha vida era uma merda sem você, agora que te perdi está pior ainda.
— Você achou que eu fosse uma ladra! — continuei gritando.
— Eu sinto muito, mas naquele dia estava sob tanta pressão com minha família inteira na cidade. E, meu pai tinha dito algumas coisas para mim. Outras aconteceram. Eu estava tão confuso, minha cabeça estava uma verdadeira bosta, Bella acredita em mim. Só estava perdido. — Rastejou até mim.
— Me solta. — O tirei de perto de mim, indo para o lado oposto do quarto.
— Bella, eu devia ter ficado do seu lado. Carlisle, ele disse...
— Não quero saber o que Carlisle disse, vá embora! — Joguei o rádio relógio na direção de Edward.
— Bella, eu te amo! — Edward exclamou, ainda chorando.
Eu também o amava, não era algo que conseguia tirar de dentro de mim, principalmente pelo fato de estar gerando um filho dele. Porém, eu não queria voltar aquele mundo, muito menos deixar meu bebê ser parte dele.
— E, eu te odeio, Edward! — foi minha vez de exclamar. — Vá embora da minha vida. — Acertei um livro nele.
— Bella, por favor.
— Eu tenho nojo de você, Edward. — Fui até a porta, a abrindo para que ele saísse. — Suma da minha frente.
Ele se levantou, tentou tocar em mim, mas não permiti.
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