Moon River
26 Capítulo Vinte e Um
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Um —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
O grito de Renesmee vindo da sala foi tão alto que Edward não teve tempo de falar mais nada, eu apenas corri em direção a minha filha, com o coração na mão. Aquele dia nunca iria acabar? Eu só conseguia pensar que outra coisa terrível tinha acontecido.
Renesmee estava sentada no sofá, as costas eretas demais, uma clara posição tensa, com o celular apertado em suas mãos. Ela respirava de forma descompassada, como se tivesse acabado de descobrir algo extremamente chocante, eu so esperava que não fosse algo bobo, como quando ela descobriu que Taylor Swift ia fazer um show em Seattle no seu aniversário.
— Filha, o que foi? — perguntei, então Renesmee virou para mim, os olhos verdes arregalados, a boca aberta em um o.
— Jane acabou de me mandar uma mensagem...
— Isso é algo ruim agora? — Edward perguntou confuso a interrompendo, arqueando uma sobrancelha.
— O que mais? — o ignorei.
— Como eu estava dizendo — Renesmee voltou a falar, se pondo de pé. — Jane me mandou uma mensagem, perguntando porque um site de fofocas...
— Ah, é sobre algum famoso? — Edward tornou a perguntar.
— Por Deus, Edward, cale a boca, homem! — ordenei, dando um tapa em seu ombro. — Termine, Nessie.
— Então, o link era de uma matéria de hoje, com fotos nossas. Fotos nossas saindo da delegacia hoje mais cedo.
— Merda! — Edward praguejou. — Posso ver? — Edward estendeu a mão para o celular, Renesmee o passou para ele.
Estiquei meu corpo, para poder ver as fotos. Lá estávamos nós três, juntos, com caras tensas — a minha parecia de uma assassina — saindo da delegacia. Claramente a foto tinha sido feita de forma amadora, paparazzis teriam conseguido uma resolução muito melhor e um ângulo extremamente mais favorável, ainda que ali fosse claro se tratar de Edward Cullen, como o próprio título da matéria sensacionalista falava.
“Edward Cullen visto deixando a prisão.”
Era como se ele tivesse sido preso, era ridículo, mas o que mais preocupava era a matéria em si, que logo Edward leu em voz alta.
— Edward Cullen, o filho de Carlisle Cullen, foi visto esta manhã deixando uma delegacia na companhia de uma mulher e, de uma garota que aparentemente é menor de idade. Fontes que estavam no local não souberam informar o que as duas eram para Edward, mas a garota é filha da mulher, se chamam Renesmee e Isabella Swan, respectivamente. — Edward rolou a tela para baixo, para ler o resto. — Especulações começam a surgir, quem seriam as duas para o filho mais velho do poderoso Carlisle Cullen? O que elas estavam fazendo em uma delegacia com ele e, o mais importante, por que a garota se parece absurdamente com Edward e sua mãe, Esme.
— Isso é péssimo — sussurrei, Edward devolveu o celular a Renesmee, então pegou o seu.
— Desculpe, eu não queria que fossemos vistos saindo da delegacia, foi tudo culpa minha — Renesmee falou de forma tensa, apertando uma mão na outra. — Sei lá, podemos dizer que não estávamos juntos, ou que você...Ai, isso é horrível.
— Se acalme, eu cuido disso e, você não tem culpa de nada. — Edward estava com a mão estendida para tocar nos cabelos de Renesmee, mas se deteve no meio do caminho. — Preciso falar com Jasper, quanto antes ele conseguir tirar essa matéria do ar, melhor.
— Jasper? Não, Edward! — Gritei, arrancando o celular de sua mão. — Você não pode colocar Jasper nessa história, será apenas um passo até Alice descobrir, tudo que não precisamos agora é da sua irmã envolvida nisso. Fale com outro advogado.
— Bella, Jasper é meu melhor amigo e, único advogado que confio. — Edward suspirou. — Ou prefere que eu fale com James?
— Quem é Jasper? E James? — Renesmee perguntou curiosa.
— Jasper é marido da Alice, irmã de Edward. James é o aman... — Edward me encarou sério. — James é o primo deles.
— Ah, que maravilha. — Renesmee forçou um sorriso. — Tantos parentes. Edward é melhor você se apressar, a matéria tem poucos minutos, mas já está sendo compartilhada a todo instante e, se até Jane que está na escola viu, o resto do mundo logo verá.
— Aqui, ligue para Jasper, eu ainda prefiro ele ao cretino do seu primo. — Devolvi o celular para Edward.
— Obrigado — ele agradeceu, se afastando ao discar o número de Jasper.
— O quão má essa tal de Alice é? — Nessie me perguntou quando Edward não podia nos ouvir.
— Eu adoraria deixá-la tirar suas próprias conclusões, meu amor, mas não sou tão boa assim. — Sorri para ela. — Alice é uma vadia de quinta, mas não repita essa expressão na frente de ninguém, honre a boa educação que te dei.
Nessie assentiu sorrindo.
— E como você está? — ela me perguntou, tocando em meu rosto. — Por que estava chorando?
— Só estava tendo uma crise com tudo isso, acredite em mim, tentarei conter meu choro.
— Você pode chorar, mamãe — Nessie falou. — Não tem nada de errado nisso.
Apenas a abracei, mas nos separei quando seu celular tocou, indicando que ela havia recebido uma mensagem.
— Que cretina! — Renesmee exclamou.
— O que foi? — Edward perguntou, juntando-se a nós.
— Jane disse que minha roupa fazia parecer com que eu tivesse oitenta anos de idade, não quinze. Ela vai me ouv ir! — Renesmee saiu marchando para o corredor que levava ao quartos.
— Você disse que ela e eu estávamos na mesma página, mas não a entendo tão bem — Edward comentou, vendo Renesmee desaparecer no corredor, dei um sorriso mínimo para ele.
— Bom, ela continua sendo uma garota de quinze anos, você não vai pertencer completamente ao mundo dela — expliquei. — Conseguiu falar com Jasper?
— Sim, ele vai cuidar para que tirem a publicação do ar, mas não parece algo que irá resolver o maior de nossos problemas, a essa altura muita gente já viu e outros sites já devem estar anunciando a mesma coisa, não vamos escapar dessa, Isabella.
— Não era para descobrirem de Renesmee assim, não o mundo, muito menos sua família. — Sentei no sofá, Edward permaneceu em pé.
— Desculpe por isso.
— Não é sua culpa. — O olhei. — Não foi você quem divulgou as fotos.
— Me desculpe mesmo assim, Bella — ele pediu, ajoelhando-se diante de mim. — Eu prometo que farei o que estiver ao meu alcance para que Renesmee não saia machucada disso.
— Isso é pouco — afirmei. — Você é um pai agora, Edward. — Não impedi minha mão de tocar em seu rosto, Edward ficou tenso com meu toque. — Pais não fazem apenas o que está em seu alcance, pais tem que ser muito mais do que isso. Eu suportei toda essa responsabilidade sozinha, por muito tempo, preciso que divida comigo agora. Cuide de Nessie junto de mim, por favor.
Lágrimas brotaram em seu rosto, ao mesmo tempo que um sorriso surgia em seus lábios. Edward puxou minha mão para a sua, depositando um beijo nela, deixando que as lágrimas escorressem até minha mão.
Era bom e péssimo senti-lo. Eu simplesmente queria bater nele, até Edward sentir tanta dor quanto senti quando ele não acreditou em mim. Porém, também queria deslizar no chão junto dele, enroscar-me em seus braços e sentir seus lábios nos meus.
O celular dele tocou, fazendo com que eu voltasse a sanidade e puxasse minha mão da sua. A expressão de Edward tornou-se rígida quando atendeu a ligação, a colocando no viva-voz.
— Edward, é Esme, onde você está?
Prendi a respiração a ouvir a voz dela, ainda sentia tanta raiva de Esme, que somente a voz da mesma me atormentava de forma profunda. Edward fez um sinal para que eu me mantivesse quieta, assenti, sentindo-me minimante grata por ele estar compartilhando aquela ligação comigo, sem esconder nada.
— Ei mãe, como você está? — ele perguntou em um tom animado. — Espanha? Ou França? Vocês devem estar tendo um tempo tão bom na Europa, podia me trazer um pouco do clima daí, não é? New York está uma merda de tão frio e, toda essa paisagem cinza, ai pelo menos ainda há Sol.
— Edward, onde você está? — ela tornou a perguntar.
— Ah, você leu sobre o falso ataque terrorista? Não se preocupe, estava bem longe do lugar na hora da confusão.
— Edward, eu sei sobre a garota! — Esme gritou, Edward tombou a cabeça para frente, segurei minha mão na outra, impedindo a mim mesma de voltar a tocá-lo.
— Mãe...
— Bella teve uma filha sua. — Não era uma pergunta, mesmo assim ele respondeu.
— Sim.
Esme ficou quieta por um tempo, enquanto Edward e eu encarávamos o celular, até que ela voltou a falar.
— Como a garota é?
— Você viu as fotos — Edward disse, irritadiço.
— Não, não é disso que estou perguntando, quero saber como a menina é. Ela é boa? Ela é inteligente? Ela é como Bella?
Eu queria muito perguntar o que era como Bella para Esme, mas sabia que ela não podia me ouvir.
— Mamãe, Renesmee é maravilhosa — foi tudo que Edward disse, então ouvimos Esme soluçar, seja em qual país ela estava, seu choro era alto.
— Estou voltando para casa, eu preciso conhecê-la — Esme anunciou.
— Não, ainda não, por favor — Edward pediu. — Você e papai vão estragar tudo.
— Ela é minha neta, eu preciso vê-la.
— Mãe...
— Eu sinto muito, Edward. Por tudo que perdeu ao lado de Bella, ao lado de sua filha.
Ele e eu nos entreolhamos por um segundo.
— Foi você, mãe? Foi você quem armou tudo aquilo? — Edward perguntou.
— Não — Esme respondeu. — Mas eu me sinto culpada por não ter previsto, por não ter impedido. Sua vida foi arruinada e, eu não pude fazer nada.
— É, você nunca fez nada que não fosse o que achasse certo. — Edward estava pronto para desligar. — Temos muito que conversar, quando você voltar, mas continuem ai até o fim de semana, como era planejado, eu não os quero perto da minha filha. Renesmee não precisa de vocês e, não a chame de neta, você não tem esse direito.
Edward desligou antes de sua mãe voltar a falar.
— Aparentemente acontecerá uma reunião de família em breve — murmurei.
— Eu vou dar um jeito de protelar isso — Edward se levantou. — Pode chamar a Renesmee? Preciso ir para a empresa ainda hoje, como tentar abafar todo esse caos antes disso tudo desmoronar de vez.
— Renesmee! — gritei por ela. — O que foi? — perguntei para Edward, que me olhava assustado. — Uma das melhores partes de ser mãe é poder gritar. — Ele apenas riu, logo Nessie surgiu na sala.
— Mamãe, você podia maneirar em seus gritos — ela falou.
— Renesmee, eu preciso ir para o trabalho, mas irei ficar atento a toda essa confusão. Sua mãe tem meu número, então qualquer coisa é só me ligar que falo com você a qualquer momento. Pode anotar meu e-mail?
— E-mail? — Renesmee arqueou a sobrancelha. — Edward eu sou teoricamente sua filha, não uma sócia em seus negócios.
— Então e-mail é uma má pedida? — ele se certificou.
— Uma péssima. — Renesmee assentiu. — Mas você pode me achar no Facebook, você tem Facebook?
— Não — Edward murmurou. — Eu deveria?
— É. — Ela concordou com um sorriso amarelo. — Todos tem Facebook, até meu avô, mas tudo bem, você parece ser alguém mais reservado.
— Ou mais antiquado — falei, ganhando um olhar irritado de Edward, foi impossível não rir dele.
— Tudo bem, eu vou fazer um Facebook, não deve ser algo de outro mundo — Edward proclamou.
— Não poste fotos dos seus pés! — Renesmee e eu exclamamos juntas.
— O quê? Tem gente que faz isso?
— Sim, meu pai, ou ele tem fetiche pelos próprios pés, ou quer uma vaga de modelo de pés — falei.
— Nenhuma das duas opções parece boa — Renesmee completou.
— Okay, Facebook sim. Fotos de pés, não! — Edward disse como se fosse um mantra. — Posso lidar com isso.
— Isso, então você poderá ser aceito no século XXI — Nessie gargalhou, ele sorriu para ela, eu podia ver um pouco de mim no sorriso dele. Era a mesma forma que eu sorria quando via algo em Nessie que gostava, sua risada, o jeitinho especial dela, tudo na verdade.
— Eu realmente preciso ir — Edward falou quando seu celular tocou. — Jasper está esperando por mim na empresa. Se algo acontecer, certifiquem-se de me avisar com urgência, tudo bem? Eu farei tudo para que essa loucura seja minimante sentida por vocês.
— Obrigada — Renesmee agradeceu. — Pode deixar, qualquer coisa nós te mandamos uma carta.
— Seu senso de humor é idêntico ao da sua mãe — Edward bufou.
— Isso era para ser uma ofensa? — O desafiei.
— Não, claro que não. — Edward piscou para mim e, inutilmente meu coração falhou. Eu nunca iria superá-lo? Chegava a ser ridículo. — Tchau Bella!
— Tchau! — Acenei, deixando que Nessie o levasse para a porta.
— O dia está uma verdadeira loucura, não é? — Renesmee perguntou, quando voltou para a sala, sentando ao meu lado.
— E ainda nem acabou. — Suspirei.
— Mãe? — Renesmee me chamou.
— Sim?
— Edward Cullen não é exatamente o pai que idealizei durante minha vida toda, mas eu estou grata por tê-lo. — Virei meu rosto para Renesmee. — Quer dizer, ainda tem toda essa revolta no meu interior, por você ter escondido isso de mim, por ele ter te acusado, mas...Eu não o odeio, não de verdade, entende? Quer dizer, eu cresci vendo como você e vovô eram, como tio Emm era com Riley. E mesmo que vovô e tio Emmett tenham sido figuras importantes na minha formação, eles nunca foram pais para mim. Agora eu tenho Edward, mesmo com toda essa confusão que envolve o passado de vocês, eu tenho um pai. Não o amo, nem nada disso, mas eu quero ficar próxima dele.
— Eu entendo. — Passei a mão pelos seus cabelos. — Você sempre quis um pai.
— Eu não quero que ele me decepcione — Renesmee murmurou. — Não quero sofrer por alguém que eu só deveria amar.
Abracei Renesmee, sentindo mais do que nunca um amor intenso por aquela garota que por nove meses gerei em meu ventre.
— Ele não vai — afirmei e, no meio de tudo aquilo era a única certeza que tinha. — Edward nunca vai te decepcionar.
***
Eles vieram de uma vez só, como uma infestação de ratos. Foi tão assustador, que senti-me acuada em minha própria casa, sem ter ideia do que fazer. Renesmee estava tão perdida quanto eu, ela tinha finalmente dormido, quando os nossos celulares começaram a tocar sem parar, nossas redes sociais explodirem com mensagens e o interfone ser pressionado tantas vezes que eu tive de desligá-lo.
— Isso não é normal! — ela exclamou, enquanto espiávamos pelas cortinas da sala, lá embaixo na rua, uma horda de jornalistas tomava conta do nosso prédio, a parte ruim do jornalismo, aquela podre que eu detestava. — Como eles conseguiram nosso endereço? Como eles conseguiram o número do meu celular?
— Acredite, até que demorou bastante para eles descobrirem tudo isso — bufei, retornando a tentar entrar em contato com Edward, que não atendia. Já estava quase anoitecendo, os vizinhos ficando putos com aquilo, eu não sabia o que fazer.
— Vamos chamar a policia! — Renesmee falou pela centésima vez.
— Já tivemos demais da policia por hoje — falei, por fim Edward atendeu. — Onde você estava? — gritei com ele.
— Calma Bella, eu sei o que está havendo, já mandei reforços.
— Reforços? O que quer dizer com isso?
— Seguranças, eles vão ficar com você e Renesmee até a novidade deixar de ser a mais interessante.
Pelo resto daquele dia, mais sites e até mesmo em uns dois canais de televisão, foram noticiadas informações sobre Renesmee, Edward e eu. E, ainda que ele não tivesse se pronunciado publicamente afirmando que era pai dela, a semelhança dos dois era tão grande que todos já sabiam que aquilo era de fato a verdade por trás de tudo.
— Ah não, isso é sério? Edward eu não quero meu apartamento parecendo a Casa Branca — reclamei.
— Bella, é para seu próprio bem. — Sua voz era séria. — E pelo da Renesmee. Além do mais, os seguranças não vão ficar dentro do apartamento, só do lado de fora do prédio, contendo esse povo todo. A policia já foi avisada, mas eu sinceramente prefiro que estejam protegidas por seguranças particulares. Amanhã estarei ai.
— Edward...
— Eu sei, você quer me matar, é isso? — ele perguntou.
— Na verdade não. — Me afastei de Nessie, que continuava espionando os jornalistas de plantão do lado de fora, tinha pelo menos vinte deles, com suas grandes câmeras, microfones e luzes intensas. — Queria te agradecer.
— Agradecer? — Edward não pode esconder sua surpresa.
— Sim, por estar cuidando de Renesmee, junto de mim — murmurei.
— É o que um pai deve fazer.
— E você não está fazendo isso de forma perfeita — confessei. — Mas está indo muito bem.
— Isso foi um elogio?
— Sonhe, Cullen. — Ri por um instante, então desliguei.
— A polícia chegou e, uns caras que parece que saíram do MIB – Homens de Preto também — Renesmee falou, ajoelhada perto da janela para não ser vista.
— Seu pai mandou seguranças — falei, largando-me no sofá, mas tive de levantar quando a campainha tocou.
— Mamãe, não atenda, pode ser um deles! — Renesmee guinchou.
— Não, deve ser só mais um vizinho vindo reclamar com a gente. — Com aquele seria o quinto, acabaríamos expulsas do prédio antes de completarmos um mês ali. Fui até a porta, pronta para pedir desculpas, mas fui surpreendida pela pessoa do lado de fora, que me deixou totalmente sem fala.
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