Moon River
24 Capítulo Dezenove
Notas iniciais
— Capítulo Dezenove —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Parecia tão irreal ter Edward e Renesmee sob o mesmo teto, no mesmo cômodo, dividindo panquecas, mel e canela. Durante todos aqueles anos, eu nunca pensei que aquela cena poderia realmente acontecer, tê-los ali, juntos, como se fossemos de fato a família que deveríamos ter sido desde sempre.
— Sério, como você consegue jogar tênis tão bem? — Edward perguntou para Renesmee, depois que ela contou que sabia jogar. A conversa tinha tomado um rumo mais tranquilo, depois do resto dos Cullen terem sido mencionados e, eu agradecia por não termos continuado a falar sobre eles. — Eu sou péssimo nesse maldito jogo.
— Bom, então podemos ver que não é hereditário — Renesmee disse de boca cheia, ganhando uma careta minha por isso. — Afinal, mamãe não consegue passar dois minutos em pé sem tropeçar, imagina jogando tênis.
— Só lembrando que posso te colocar de castigo a qualquer momento, querida. — Pisquei para ela.
— Qual é Bella, ela só está falando a verdade, você sempre tropeça — Edward comentou sorrindo, um sorriso que imediatamente me transportou para a época que estávamos juntos, se eu me concentrasse podia lembrar com exatidão como era estar em seus braços, rindo e o beijando. Captei o olhar dele, o sorriso de Edward chegava ali.
— É tão confuso — Nessie murmurou, o que nos fez olhá-la no mesmo instante. — Sabe que vocês dois tem um passado juntos — ela explicou, vendo que não tínhamos entendido. — Mamãe não me contou como se conheceram — falou para Edward, lhe lançando um olhar cheio de curiosidade, o mesmo dele, era disso que eu estava falando. Eu tinha parido uma imitação de Edward que usava saias, os dois iam me levar a loucura.
— Contei sim — a contradisse.
— Não da forma certa, você sempre foi muita boa em esconder os detalhes. Só falou de um casamento, de se apaixonar a primeira vista e... — Renesmee percebeu o que disse quando minhas bochechas coraram, Edward limpou a garganta do outro lado da mesa. — Acho que essa é minha deixa para ir lavar a louça — ela sussurrou constrangida, levantando-se e levando os pratos e xícaras, consigo.
— Precisa de ajuda? — Edward se levantou também.
— Você sequer sabe lavar louça? — Renesmee perguntou descrente. — Quer dizer, não me leve a mal, nem nada. Mas, tomei a liberdade de jogar seu nome no Google noite passada e, cara, você é mesmo rico. — Ela reprimiu uma risada. — Tipo, você podia literalmente comprar louças novas todo dia se quisesse e, nunca precisar lavar.
Edward riu, ele parecia tão encantado por ela que mesmo se Nessie simplesmente dissesse que o céu era azul, o homem acabaria rindo.
— Isso não seria muito prático, você realmente não é boa com números, não é mesmo? — ele perguntou, então foi a vez dela rir e, aquilo doeu, quando não deveria.
Eles se davam bem, mesmo depois do primeiro encontro terrível aquela manhã. Edward e Renesmee tinham uma sintonia, talvez estivessem na mesma página, como nem eu acreditava que estava com minha própria filha. E, aquilo me fez sentir-me péssima, eu tinha os negado de ter aquela convivência durante toda a vida de Nessie.
Edward deveria ter estado lá no nascimento dela, na primeira vez que ela andou. Quando Nessie foi para a escola e, não derramou lágrima alguma, pois ela era extremamente forte desde pequena. Da vez que ela caiu da escada e, eu fiquei desesperada, Edward devia ter estado lá, pois ele era mais centrado, saberia o que fazer.
— Mamãe, tudo bem? — a voz de Renesmee me trouxe a tona, foi só ai que percebi que eu chorava.
— Tudo — murmurei, levantando. — Só preciso...
Nem me dei ao trabalho de terminar minha frase, apenas disparei para fora da sala, indo até meu quarto, fechei a porta, encostando-me nela e deslizando até o chão. Onde me dei ao luxo de chorar para valer, deixando as lágrimas invadirem meu rosto.
Eu passei tanto tempo escondendo Renesmee de Edward, quando eles podiam ter sido pai e filha desde sempre. Eu privei minha filha de ter um pai, fui egoísta e mentirosa. Eu era uma vadia, eu podia entender se Renesmee nunca me perdoasse por aquilo, se Edward nunca me desculpasse também. Afinal, ele sempre quis filhos e tinha, mas nunca a conheceu.
Quinze anos, um perdeu quinze anos da vida do outro. Eles foram privados de terem momentos importantes juntos, sim, ainda havia muito pela frente, mas o passado nunca voltaria para nenhum de nós, principalmente para os dois.
Uma batida na porta conseguiu soar mais alto do que meu choro, com dificuldade levantei, limpando meu rosto nas mangas da blusa. Abri a porta lentamente, preparando-me para dizer a Renesmee que estava bem, só cansada de tudo que tinha ocorrido naquele dia.
Porém, não era ela, era ele.
— Você está bem? — Edward perguntou baixinho, hesitante.
— Não — respondi sinceramente. — Me desculpe, Edward — pedi.
— Você não tem motivos para pedir desculpas a mim, Bella — ele murmurou, entrando no quarto, fechando a porta atrás de si. — Sou eu quem merece seu perdão.
— Tenho, tenho sim — o contrariei. — Eu te fiz perder quinze anos ao lado da sua filha, agora ela é uma adolescente e, você nunca saberá qual a sensação de ter a tido em seus braços quando foi uma bebê cabeluda. Não consigo imaginar como seria descobrir que tenho um filho que já tem quinze anos, seria um total estranho para mim. Mas, você e Renesmee estão na mesma maldita página, vocês teriam sido incríveis juntos. — Meus lábios tremiam, o rosto de Edward continha dor também.
— Ainda podemos ser, eu tentarei de tudo para ser o melhor pai que ela possa ter, até que meu coração pare de bater — ele prometeu.
— É disso que estou falando, vocês serão jogados nesse local juntos, coagidos a se darem bem, quando isso nunca teria sido necessário se não fossem meus erros.
— Seus erros, Bella? — Edward revirou os olhos. — Eu fui o único grande errado em dois mil, se concentre nisso.
— Mas você pediu desculpas, em dois mil, eu deveria ter aceitado. Contado sobre o bebê, eu precisava de você ao meu lado. Eu estava sozinha e grávida. — Um soluço alto tomou conta de mim, então senti Edward me abraçar, não fiz nada para separar-me dele, apenas pressionei meu rosto em seu peito, deixando minhas lágrimas mancharem sua camisa. — Eu fui tão mesquinha com ela, deixei Nessie crescer ouvindo os insultos vedados da minha mãe, a colocando em um apartamento novo a cada mês, privando ela de tanta coisa para que eu pudesse estudar.
— Você estava cuidando do futuro de ambas ao estudar.
Edward mantinha seus braços firmes ao redor de mim, seu queixo sobre minha cabeça, podia sentir seu coração batendo na mesma velocidade que o meu. Sentia tanta falta dele. Pensei como seria não só para Nessie, mas para mim se ele nunca tivesse saído de nossas vidas e, percebi que teria sido perfeito, não por conta do dinheiro, mas por saber que Edward nunca me deixaria desabar como aconteceu inúmeras vezes durante aqueles anos, mas, foi ele quem me deixou desabar a primeira vez e, tudo aquilo era uma confusão em minha mente.
— Me desculpa, me desculpa. — O abracei com mais força, sentindo meu coração doer por inúmeros motivos.
— Eu estou perto dela agora, Bella — Edward sussurrou. — Até eu ouvir Renesmee pedindo que eu suma da vida dela, pode deixar que não sairei. Sei que não vamos recuperar o tempo perdido, mas farei a vida a partir de agora valer muito a pena.
— Edward...
— Obrigado. — Ele tocou em meu queixo, erguendo meu rosto. — Obrigado por ter me devolvido a vontade de viver de verdade. Você foi tudo para mim quando estávamos juntos, agora eu tenho a Renesmee e, eu nunca serei agradecer o suficiente tudo de bom que você trouxe para minha vida, mesmo que eu seja um completo idiota que nunca vá merecer seu perdão.
— Por que você acreditou? — Me afastei dele. — Edward, eu nunca teria tido a coragem de roubar aquelas joias.
— Eu sei. — Ele sentou na beira da minha cama, passando a mão pelos meus cabelos. — Mas aquele dia foi uma merda para mim e, depois dele tudo parecia estar desabando em minha mente.
— Nada disso justifica, senão fosse por Tanya eu continuaria trancada naquela maldita prisão, eu teria tido Renesmee em um presídio. Você entende isso? Nossa filha passaria seis meses vivendo dentro de um presídio, Edward. Renesmee é tão...Ela nunca mereceria ser vitima de um erro desses. E, eu também não. Acredite, nunca colocaria minhas mãos naquela joia com intenções erradas.
— Eu sei. — Ele assentiu.
— O que aconteceu, Edward? Que merda aconteceu naquele dia para que você ficasse tão estranho comigo? O que eu te fiz naquela noite?
— Não foi você. — Edward me encarou. — Você nunca fez nada de errado. Minha mãe fez.
— Foi ela, não foi? — praticamente gritei. — Esme colocou as malditas joias na minha bolsa, eu sabia. Ela foi atrás de mim até eu estar algemada e na viatura, queria ter certeza de que seu plano tinha dado certo.
— Bella, minha mãe não faria isso — Edward afirmou, um traço de raiva passando em suas mãos. — Não foi algo sobre você que minha mãe fez errado.
— O que então?
Ele suspirou.
— Você lembra, não é? Quando fui te ver um mês depois da sua prisão, que mencionei Carlisle.
— Não — confessei, aquele dia era um borrão em minha mente, só me lembrava de gritar e de chorar.
— Bella, Carlisle me disse aquele dia, depois que você saiu para ajudar Tanya com os preparativos da festa, que ele tinha absoluta certeza de que não era meu verdadeiro pai.
Senti minhas pernas fraquejarem, rapidamente andei até a cama, antes de cair no chão com o peso daquela noticia. Edward encarava o piso, parecendo muito concentrado.
— Como assim? Isso...
— Ele afirmou que mamãe tinha o traído no começo do casamento, tinha suas suspeitas do possível amante, mas nunca uma certeza. Acho que ele quis terminar de me desestabilizar aquele dia quando falou isso, foi horrível, eu quis ir na mesma hora atrás de você, mas não queria te encher com meus problemas, não naquele dia tão importante com a festa acontecendo.
— Você deveria ter ido — murmurei. — O que mais ele disse?
— Só que sabia que mamãe o traía, que tinha noventa e nove por cento de certeza de que eu não era seu filho de verdade. Falou que aquilo explicava muita coisa, como eu estar sujando o nome da família me envolvendo com você. — Edward me olhou, com temor em seus olhos. — Ele não pode falar muito mais sobre o assunto, chegou uma daquelas cartas de ameaça, para todos nós ainda aquele dia, o que era estranho, pois meus pais tinham acabado de chegar a Seattle aquela manhã e naquele tempo poucos sabiam sobre a vida de todo mundo a cada instante, com a internet sendo horrível como era.
— Vocês receberam um ameaça? Edward você devia ter me contado tudo isso! — exclamei revoltada.
— Nós recebemos uma ameaça. — ele me corrigiu, suspirando.
— Sim, você e sua família.
— Não Bella, minha família, eu e você.
— O quê? — Arregalei os olhos.
— A carta dizia que alguém próximo a você estava nos monitorando, que você seria uma espécie de espiã dentro da nossa família, mas que já tinha repassado todas as informações necessárias, que morreria comigo.
— Ah meu Deus. — Respirei fundo. — Você acreditou nisso também? — Senti um bolo se formar em minha garganta.
— Não até você falar aquelas coisas para mim na festa, até então acusei o mandante da carta de farsante.
— Sobre Carlisle querer me dar dinheiro e Alice estar aos beijos com James?
— Sim, então o caso das joias aconteceu. Eu não queria acreditar, mas e se você fosse realmente alguém infiltrada na minha família para querer lhes fazer mal?
Coloquei meu rosto entre as mãos e gritei, controlando a vontade de socar a cara de Edward.
— Eu sabia tão pouco de você, sua família, enquanto minha vida era um livro aberto. Quando vi Carmen te acusando, eu acreditei, porque o mundo estava desabando em minhas costas. Você acusada de um crime, seu nome envolvido em uma das ameaças, o que disse sobre meu pai e minha irmã. Meu pai falando que eu era um fruto de uma traição. Foi demais para mim, eu pensei que tinha descoberto sobre a carta, sobre a traição de seu parceiro e estava querendo colocar minha família contra mim, depois como não acreditei, roubando as joias para fugir antes que morresse conosco. Era a vida de toda minha família em risco, da minha mãe, da minha irmã grávida.
Eu podia acompanhar o raciocínio dele, ainda que tudo aquilo fosse uma faca sendo enfiada em meu coração.
— Por que sua família não pediu uma investigação contra mim? Já que eu estava possivelmente envolvida com um esquema que tentava acabar com todos vocês?
— Eu não consegui ser tão baixo quanto parece, depois que te vi naquela delegacia já estava arrependido, sem conseguir acreditar que estava envolvida com tudo aquilo. Mas, é claro que papai queria mover céus e terras para te colocar de fato em um presídio pelo resto de sua vida e, nem mesmo minha relutância era o suficiente para impedi-lo.
— O que o impediu?
— Minha mãe, Esme — Edward por fim me olhou, com os mesmo olhos esverdeados de Esme. — Eu sei que ela era idiota com você, Bella, consigo perceber isso tudo muito bem agora, mas ela não era cruel ao ponto de querer te incriminar com o roubo das joias, muito menos te querer para sempre na prisão por conta daquela ameaça. Mamãe não acreditou por um minuto que você tinha roubado aquelas joias, muito menos em seu envolvimento com as ameaças.
Fechei os olhos, sem conseguir levar aquilo a sério. Esme não se tornaria uma mocinha naquela história, eu sabia que ela era a vilã.
— Desculpe, mas não será agora que irei colocar Esme em um pedestal.
— Não estou pedindo por isso. — Seus olhos se estreitaram. — Sei que tem motivos suficientes para odiar a cada um que tenha o sobrenome Cullen.
— Tenho, tenho sim — afirmei. — Mas, eu estou com Nessie, Edward. — Ele me olhou confuso. — Seja pelo menos o único dessa família que eu possa confiar, recupere a confiança que eu tinha em você. Quem sabe depois disso possamos perdoar um ao outro.
Fale com o autor