Moon River
29 Capítulo Bônus
Notas iniciais
— Capítulo Bônus—
— Renesmee —
New York – Janeiro de 2016
Bom, as novidades da minha vida.
Eu tinha um pai, vivo. Que era milionário, herdeiro de um nome tido como um dos mais importantes do país, a família dele era cheia de gente louca, como a irmã — minha tia — que era uma vaca . E, ele tinha acreditado que minha mãe foi uma ladra.
Fora isso, ainda tinha o fato da família dele ser ameaçada de morte, algo que eu por ser sua filha aparentemente também seria. Então, era isso, eu estava caindo em um mundo muito mais louco do que o da Dorothy quando ela foi arrastada pelo tornado.
Naquela terça-feira, o dia seguinte a minha fuga e ao dia que conheci Edward Cullen, eu estava de volta à escola. Edward, ou papai como eu deveria chamá-lo, tinha ido me deixar ali e sair daquele carro preto, certamente blindado fez com que minhas bochechas corassem.
Eu sentia alguns olhares sobre mim, mas não sabia se era porque meu rosto estava estampando jornais, sites, ou simplesmente se era por conta de eu estar mal vestida. Apertei o casaco em volta do meu corpo, seguindo de cabeça baixa entre os alunos na entrada do colégio, nenhum falou meu nome, ou gritou algo como: olha lá a herdeira Cullen. Então, isso me deixou mais calma.
Estava em meu armário, ainda tentando passar despercebida enquanto pegava meus matérias, quando Riley apareceu. Todo sorridente, o que não parecia algo muito bom.
— Por que está sorrindo tanto? — o questionei.
— Descobriram o número do meu celular. — Eu sabia que ele se referia a imprensa. — Já fui chamado para cinco entrevistas para contar tudo que sei sobre você e tia Bella, mas a melhor parte foi que uma das jornalistas viu alguma foto minha, provavelmente no Instagram sabe que tenho muitos seguidores, e falou que eu deveria tentar a carreira de modelo.
Fechei a porta do armário, revirando os olhos.
— Você não é bonito suficiente para ser modelo. — O sorriso de Riley desapareceu dando lugar para uma careta. — Além do mais, Riley, você não pode aceitar dar entrevista nenhuma, entendeu?
— Por favor, prima. — Foi a vez dele de revirar os olhos. — Não faça um julgamento tão ruim de mim, acha mesmo que eu daria qualquer entrevista? Eu nunca prejudicaria você, muito menos tia Bella, mas se rolar um contrato de carreira de modelo, eu o esfregarei na sua cara.
Bufei, seguindo para a sala que era minha primeira aula.
— Então, seu pai é legal? — ele perguntou.
— É...Digamos que sim. — Dei de ombros. — Ele não parece ser tão mau quanto a irmã dele, por exemplo. Mas depois dele ter acreditado que mamãe era uma ladra, bom, isso não é algo nada legal. E, ao mesmo tempo ela mentiu sobre tudo relacionado a minha paternidade.
Parei de andar, encarando Riley.
— Estou bem confusa.
— É compreensível — Riley afirmou. — Então, mamãe disse que sua madrasta é dona de uma agencia de modelos, será que ela consegue algo para mim?
Gargalhei dele.
— Vou tentar... — Parei de falar, percebendo algo.
— O que foi?
— Não ganhei apenas um pai, uma família de gente louca, ganhei uma madrasta também. Onde isso tudo vai parar?
— Calminha prima, o final dessa história vai ser com você na primeira fila do meu grande desfile de moda. As marcas iram disputar por mim e, eu terei uma linda modelo como namorado.
— Você é péssimo! — Bati no ombro dele, no mesmo momento que o sinal para a primeira aula tocou. — Bom, vou estudar, eu quero cursar uma faculdade de marketing, não virar modelo.
— Renesmee? — Riley me chamou, parecendo ter percebido algo.
— Sim?
— Você disse uma vez que sua mãe não queria que você fosse para essa profissão, não é?
— Sim. — Assenti. — E agora sei que é porque Edward está inserido nesse mundo. O mundo que estou inserida agora também.
***
Depois que meu professor de história americana reconheceu-me das capas dos jornais, assim como disse:
— Seu avô é um grande corrupto, aquele Cullen vive metendo a mão no dinheiro público.
Eu achei melhor nem me dar ao trabalho de aparecer no refeitório para o almoço, estava achando mais seguro ficar na biblioteca, naquele horário pouquíssimas pessoas estavam por ali. Peguei um livro qualquer para ler, só depois de duas páginas fui perceber que era sobre Pitagoras e notei porque não estava entendendo nada.
— Ei! — Levantei a cabeça, deparando-me com Alec.
Minhas mãos deixaram o livro cair no chão e rapidamente me joguei embaixo da mesa para recuperá-lo. Quando estava me levantando, bati minha cabeça na quina da mesa.
Uma grande merda, eu não via Alec desde que tínhamos ficado juntos no clube e nosso reencontro era daquela forma super constrangedora.
— Uou, isso foi feio! — Alec levou sua mão até a parte de trás da minha cabeça, massageando o local que foi atingido. Senti minhas bochechas corarem com o toque e amaldiçoei mamãe por aquela péssima herança. — Quer ir até a enfermaria colocar um gelo nisso? Provavelmente ficará com um galo.
— Não, obrigada — agradeci, um galo seria melhor do que ir parar na enfermaria. Se a enfermeira quisesse chamar por mamãe não ia ser nada legal para minha reputação já abalada e, seria pior ainda se alguém achasse mais divertido chamar por Edward. — Não pretendo deixar essa biblioteca até a hora de ir embora.
— O quê? — Alec sentou do meu lado, sua mão ainda massageando minha cabeça.
Aquilo era muito bom.
— Você se tornou uma garota rebelde que agora mata aula? Bom, para sua informação o melhor lugar para matar aula não é dentro da biblioteca, com a bibliotecária alguns metros de distancia.
É, ele tinha razão.
— O que sugere? Que eu me esconda no banheiro? Não é o lugar mais agradável da escola. — Torci meu nariz.
— Aqui — Alec tirou as chaves de seu carro do bolso. — Pode se esconder no meu carro, se quiser. Só não fuja com ele, não quero fotos nossas saindo da delegacia.
Eu ri, fazendo com que o grupinho de amigos na outra mesa me olhassem com cara feia.
— Pensei que você não sabia sobre minha aventura — comentei baixinho, quase fechando os olhos de tão bom que a massagem dele estava.
— Minha irmã não é a pessoa mais reservada, Renesmee — Alec disse. — Na verdade ela estava procurando por você, sua sorte é que lhe encontrei primeiro, Jane vai querer te perturbar por conta de tudo isso.
— De um jeito negativo? — perguntei preocupada, eu estava adorando minha amizade com Jane, não queria que ela fosse arruinada.
— Não, mas ela vai te perturbar ainda assim e, pelo que da para perceber você ainda precisa de um pouco de sossego.
— É, preciso mesmo — concordei, pegando minha mochila e as chaves da sua mão. — Mas não quero ficar sozinha.
— Está me chamando para matar aula com você, senhorita Swan?
— Sim. — Sorri para ele, que infelizmente tinha parado de fazer a massagem em minha cabeça. — Mas não se gabe tanto, senhor Volturi, apenas ficaremos dentro do carro no estacionamento da escola e, você vai querer me mandar calar a boca de tanto coisa que eu tenho para falar.
— Vamos lá! — Alec recuperou as chaves da minha mão, pegou sua mochila que estava no chão e saímos da biblioteca.
Não tivemos problema algum para deixar o interior da escola e ir para o estacionamento onde o carro dele estava, o vigia encontrava-se dormindo em seu posto e foi incrivelmente fácil abrir a porta e devolver as chaves para ele. O carro de Alec era maravilhoso, um carro normal, nada blindado ou super caro que me deixava agoniada como o de Edward e, o melhor de tudo, era silencioso lá dentro.
— Então, para onde você pretendia ir ontem?
— Forks — respondi, brincando com o chaveiro de bola de futebol americano que ele tinha. — Queria ir ficar com meu avô, estava com tanta raiva da mamãe e, com medo de chegar perto de Edward. Ele errou muito com ela, sabe? — Encontrei os olhos azuis de Alec por um momento. — E ela errou comigo, dizendo que meu pai estava morto, cresci pensando ser órfã, então no domingo ela jogou em meu colo toda essa bomba.
— Você ainda está com raiva dela? — Alec perguntou.
Suspirei, sabendo muito bem qual era minha reposta.
— Sim, muita para falar a verdade. — Balancei a cabeça. — Eu tenho quinze anos, quinze anos que ela mentiu para mim, dizendo que meu pai estava morto, negando que eu sequer fosse visitar o tumulo dele. Eu mal sabia algo sobre esse suposto pai, ela me falava tão pouco, tudo mentira claro. Mas, o pouco que sabia, era importante para mim. Agora tem Edward e ele definitivamente não é o pai que eu imaginava. Estou com raiva dela, por ter me colocado no meio de suas mentiras, é minha vida, minhas origens, ela não podia ter feito algo tão egoísta.
— Ela não teve um bom motivo para isso?
Só ali percebi que Alec, assim com Jane, só sabia o que o resto das pessoas sabiam.
— Sim e, bom, é por isso que tenho raiva dele também — murmurei. — Edward...
— Você não precisa contar, Renesmee — Alec me interrompeu. — Não precisa contar essa história para mim, nem para ninguém senão quiser, é algo pessoal, algo que só diz respeito a você e sua família.
— Não. — Me remexi no banco. — Eu preciso contar isso para outra pessoa, alguém fora da minha família. Eu tenho meus tios, Riley, todos sabem do que se trata, mas eles são família, estão no meio disso tudo de alguma forma, preciso de alguém fora disso.
— Então pode contar comigo. — Alec afagou meu rosto, enquanto sorria.
Sorri de volta, então coloquei tudo para fora.
***
Foi maravilhoso poder desabafar. Alec era um excelente ouvinte e em momento nenhum me interrompeu, ou ficou me acusando de ser insensível por estar com raiva de mamãe, e de Edward. Ele entendeu, ou pelo menos não me julgou por nada, nem saiu em defesa de nenhum dos dois.
— Bom, é isso. — Finalizei.
— Uma história digna de um livro.
— Livro? Ela daria uma bela saga. — Ri. — Obrigada por me ouvir, Alec — agradeci sinceramente. — Eu precisava mesmo compartilhar isso com alguém.
Alec segurou em minha mão, olhando para ela.
— Fico feliz em ter ajudado de alguma forma. Se me permite te dar um conselho, apenas tente entender tudo que sua mãe passou e, tente não distanciar Edward. Eu sou muito próximo do meu pai, você pode ser próxima de Edward também.
Apertei sua mão, em forma de agradecimento, balançando a cabeça em um gesto positivo.
— Alec, sobre o que aconteceu domingo — sussurrei, o fazendo me olhar, o que me deixou novamente corada.
— Vou entender se quiser esquecer aquilo — ele sussurrou também, seus olhos cravados nos meus. — Sua vida virou uma loucura desde domingo e, pelo que me contou da família do seu pai, não é algo que vá se resolver tão rápido.
— É, não vai mesmo — murmurei lembrando-me de Alice. — Mas eu não quero esquecer. — Foi a minha vez de tocar em seu rosto.
— Não? — Alec perguntou, parecendo maravilhado.
— Não. — Inclinei-me em direção a ele. — Ah não ser que você esteja com medo de embarcar nesse trem de loucura comigo — sussurrei no ouvido dele.
— Não, isso vai ser divertido. — Alec segurou em meu rosto, então nos beijamos.
Foi o primeiro momento desde que descobri tudo sobre Edward que senti um pouco de paz.
***
Alec e eu permanecemos no carro dele até o fim das aulas, beijando, conversando ou simplesmente dividindo a barra de cereal que eu tinha perdida dentro da minha bolsa.
— Você quer uma carona? — ele perguntou quando os alunos começavam a deixar o prédio do colégio.
— Você não tem treino?
— Bom, tenho, mas eu posso te deixar em casa — ele falou. — Até porque você não pode chegar lá andando com todos aqueles jornalistas.
— É, você tem razão. Mas não precisa, Edward vem me buscar, por conta de toda aquela história das ameaças que a família dele...Que a minha família recebe — me corrigi. — Ele e mamãe concordaram em ser mais seguro para mim andar por ai com ele e seus seguranças.
Alec fez uma careta.
— Isso não parece bacana.
— Acredite, não é. Tentei impedir contra isso, mas aparentemente dois pais juntos são mais fortes que uma filha determinada. — Peguei minha mochila no banco de trás. — Alec, sobre nós dois — murmurei.
— Sim? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Sei que eu disse que não quero esquecer o que houve entre a gente, não quero mesmo. Mas com tudo isso, não sei se estou pronta para assumir um relacionamento, nem mesmo você como meu ficante.
— Quer que eu seja seu amante? Vou ter que me esconder em seu armário? — ele brincou me fazendo rir.
— Seria uma boa ideia, mas quero dizer que se eu for uma péssima companhia entenderei isso. Não sei se vou poder sair com você por ai, nem mesmo por cinema no meio desse tornado. — É, eu gostava de O Mágico de Oz. — Você pode me deixar de lado a hora que quiser, tem garotas mais interessantes por ai que certamente vão poder te dar atenção.
— Não. — Alec balançou a cabeça. — Eu ainda prefiro ser seu amante, faça um estoque de comida dentro do seu armário, já que lá se transformará em minha segunda casa.
— Você está falando sério? — questionei sem rir.
— Sobre o armário?
— Não, Alexander! — exclamei. — Sobre querer ficar comigo, mesmo eu sendo mais nova, ser a garota que anda por ai com seguranças em carro blindado e que tem uma família paterna que certamente me odeia. Isso não é algo que um adolescente deve querer e, você certamente não quer.
— Eu quero estar com você — Alec disse sério. — O resto do pacote que vem com você pouco me importa. Estou falando sério, Nessie. Sempre serei sincero com você. Sei como as mentiras da sua mãe te afetam, sei como a desconfiança de Edward sobre ela te deixa magoada, então não serei mais nada do que sincero com você, eu prometo.
— Babaca! — Bufei, o beijando mais uma vez.
— Isso era para ser um elogio? — perguntou confuso.
— Não, é que você é realmente um, você é bom de lábia, Volturi. — Voltei a beijá-lo.
— É de língua também, caso queira saber melhor. — Piscou para mim quando nos afastamos.
— Preciso ir. — Roubei seu chaveiro de bola de futebol. — E isso vai comigo, okay? Para que eu possa sempre me lembrar desse dia.
— Sem problemas. — Ele beijou minha bochecha. — Você tem meu número, se precisar de alguém para desabafar sabe para quem ligar.
— Tchau. — Sorrindo deixei seu carro, ali sim tinha gente me olhando, mas apenas sorri para todas elas e segui para o carro de Edward, que acabava de chegar diante a escola. — Oi — o cumprimentei visivelmente animada.
— Oi. — Edward estendeu-me um milkshake de morango. — Algo me dizia que você estaria com fome depois de um dia longo de aulas.
— É, claro. — Peguei o milkshake, eu mal tinha assistido as aulas naquele dia, minhas energias foram gastas com um garoto no carro dele, mas sabia que Edward não ficaria muito contente de saber aquilo.
— Você gosta de futebol americano? — perguntou vendo o chaveiro de Alec em minhas mãos.
— Agora eu gosto — respondi, apertando o chaveiro. — Você gosta? — perguntei, então começamos a conversar.
Iria seguir o conselho de Alec, Edward merecia fazer parte da minha vida e eu merecia um pai.
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