Moon River

30 Capítulo Bônus


Notas iniciais
Esse capítulo tá lindo, tá grande e merece ser o capítulo que nos levará aos 1000 comentários. Sério gente, falta apenas 54 comentários para 1000, conto com vocês. Boa leitura e divirtam-se com Edward A. Cullen!

— Capítulo Bônus—

— Edward —

New York – Janeiro de 2016

Bella deixou o carro, mas seu perfume ficou para trás, era uma prova para mim que nada estava sendo fruto da minha imaginação, pelo contrário. Ela, Renesmee, tudo era muito mais do que real.

Eu tinha uma filha, eu tinha Bella de novo em minha vida.

— Senhor Cullen? — o motorista me chamou, o olhei, notando que continuávamos parados diante do prédio do jornal que Bella trabalhava. — Podemos seguir para a empresa? Ou há outro lugar que prefere passar primeiro.

— Sim, há outro lugar. — Apertei o celular em minhas mãos, com raiva. — Siga para a casa da minha irmã, tudo bem? O mais rápido que conseguir, tenho muito o que resolver com ela.

Não demorou muito para que chegássemos ao prédio onde Alice morava, eu nem me dei ao trabalho de pedir que o porteiro me anunciasse, apenas entrei no elevador e segui até o apartamento dela. A empregada que abriu a porta para mim parecia curiosa a me ver, provavelmente também já sabia sobre tudo que estava circulando na imprensa nas últimas horas.

Segui para a sala do apartamento, chamando por Alice sem me importar com nada.

— A senhora Whitlock está no banho, senhor Cullen — a empregada anunciou. — Na verdade ela não se sente muito bem hoje, pediu que não seja importunada por ninguém.

— É uma pena. — Retirei meu casaco, então sentei-me no sofá. — Mas eu não me importo, diga a sua chefe que eu quero vê-la, agora mesmo. Não estou nem ai para seu mal estar matinal.

A empregada hesitou, mas concordou com um aceno de cabeça e saiu para o segundo andar do apartamento para chamar Alice. Fiquei ali esperando minha irmã sem vontade alguma de sair sem antes falar com ela, eu precisava deixar muitas coisas claras com Alice, não daria mais liberdade alguma para que ela se envolvesse com Renesmee, nem com Bella sem que as duas quisessem aquilo.

Algum tempo depois Alice apareceu, uma expressão de ódio tomava conta de seu rosto e ela segurava um jornal em mãos. O jogou na mesinha diante de mim, antes de falar qualquer coisa, espiei a matéria de capa, sem me surpreender nada com o que tinha ali.

“Edward Cullen, uma filha bastarda e o nome da família na lama”

— Olá irmão. — A voz de Alice, carregada de sarcasmo chegou até mim. — O quão adorável é ser a noticia em todos os jornais da cidade? Aliás...

— Cale a boca, Alice! — gritei, ficando de pé.

Ela parecia assustada, deu dois passos para trás, os olhos arregalados e a respiração descompassada. Abriu a boca para dizer algo, mas não lhe dei tempo.

— Não, não diga nenhuma palavra — ordenei, peguei o jornal e o rasguei, odiando aquela manchete sensacionalista. — Estou aqui para falar, então você vai me ouvir.

— Eu... — Ela tentou falar, mas meu olhar a calou.

— Cale a boca! — gritei novamente. — Você não deveria ter ido até a casa de Bella, não deveria ter as confrontado. Eu não vou deixar você chegar perto da minha filha, eu não confio em você Alice, se eu souber que tentou algo com Renesmee, eu juro que esquecerei que é minha irmã e farei de tudo para arruiná-la.

— Como se você tivesse capacidade para isso, irmão. — Alice parecia menos assustada, sentou-se no sofá, sorrindo.

— Não? — Foi minha vez de sorrir. — Que tal se eu contasse para todos sobre seu passado, Alice?

— Que passado? — ela perguntou me desafiando.

— Aquele que você tinha um caso com seu próprio primo, James.

Alice ficou pálida, encarou-me como se eu tivesse acabado de confessar um assassinato ou algo pior.

— Não sei do que está falando. — Ela se levantou. — Saía da minha casa, Edward. — Ela tentou se afastar, mas segurei em seu braço.

— Sério? Vai me dizer que você não estava com James alguns anos atrás? Isso é feio, sabe Alice? Relacionar-se com seu primo, acredito que os jornais iriam achar essa história muito mais rentável do que a minha. Na verdade, eu acho que papai iria achar isso bem interessante também. — A larguei.

— Você não se atreveria a contar isso a ninguém — ela falou, confirmando aquela história.

Até aquele momento eu estava jogando verde, eu não sabia sobre James e Alice, só o que Bella tinha me dito no dia daquela maldita festa que nos arruinou.

— Ora, ora, você acabou de confirmar. — Apertei a bochecha de Alice. — Não é tão esperta quanto parece, não é mesmo Alice?

— Você não pode dizer isso a ninguém, Edward! — ela exclamou.

— Manterei isso em segredo, irmã — debochei. — Até o momento que achar necessário. Mas não se esqueça o quão próximo sou de seu marido, eu simplesmente posso ser descuidado e deixar com que Jasper descubra sobre seu envolvimento com James. Quem sabe mandar uma mensagem para os jornais contanto tudo e, farei questão de falar pessoalmente para papai.

— Você é um cretino, Edward! — Alice socou meu ombro. — Eu sou sua irmã, não pode me ameaçar.

— Ah eu posso sim. — Pisquei para ela, tirando sua mão de mim. — Vamos Alice, não se faça de santa, não quando acaba de declarar que teve relações com nosso primo. O que é muito nojento, sendo sincero.

— Pelo menos eu não me envolvi com uma pobre como Isabella Swan — rebateu.

— Sobre ela. — Voltei a me sentar. — E sobre Renesmee, peço que entenda bem o que tenho para falar. Você, Alice, não chegará perto das duas. E se simplesmente cruzar com uma das duas pelas ruas, irá simplesmente dar meia volta e se afastar. Eu não a quero junto da minha filha e, estou até mesmo sendo misericordioso com você a mandando ficar longe de Isabella. Acredite, na primeira oportunidade Bella irá meter a mão na sua cara e, eu não farei nada para impedir que ela acabe com você, irmã.

— Escolheu muito mal, não é? A mãe de sua filha. Até Tanya seria melhor.

— Você não me atinge mais, Alice. — Deixei claro. — Não se esqueça sobre o que sei sobre você, acredite, papai pode achá-la a filha perfeita, mas ele mudará de opinião bem rápido quando a ver protagonizando um escândalo. Como acha que seria a manchete? Alice e James, um caso de amor na família real?

— Você é baixo, Edward! — ela exclamou, os olhos tomados por lágrimas.

— Da mesma forma que você, afinal eu sou um Cullen. — Levantei-me. — Não temos escrúpulos, querida irmã. Nem mesmo com nós mesmos. Agora, me conte mais algo, você tem algo a ver com qualquer uma das acusações feitas a Bella em dois mil.

— Não. — Alice impediu as lágrimas de chegarem ao seu rosto, então sorriu. — Quem fez aquilo merece todo meu amor, mas infelizmente não fui eu. — Alice caminhou até mim. — Ela lhe perdoou? — indagou. — Isabella lhe perdoou por ter acreditado que ele era uma ladra?

— Não é da sua conta, apenas se preocupe em ficar longe dela e de Renesmee, a não ser que queira seu nome junto o de James na boca de todos. Não esqueça disso, entendido? — Peguei meu casaco. — Ah, me responda mais algo. — Virei-me para ela. — Lucy ou Luke, algum dos dois corre o risco de não ser filho de Jasper?

Alice gargalhou alto, chegando a ficar vermelha.

— Preocupe-se com sua filha, deixe com que eu me preocupo com os meus.

— Apenas lembre-se do nosso acordo — enfatizei. — Ou não lembre-se, na verdade estou bem tentado em desgraçar sua vida, é bom não é? — Encarei seu rosto temeroso. — Ter outra pessoa te controlando, bom, agora chegou minha vez de colocá-la em seu devido lugar, irmã.

***

Eu já estava na empresa, tentando manter pelo menos tudo ali em ordem antes do retorno de meu pai para os Estados Unidos, quando fui interrompido pela entrada de Tanya e Victoria na sala, ambas pareciam irritadas. A secretária foi logo falando.

— Me desculpe, senhor Cullen, eu avisei a sua esposa que o senhor não queria ser interrompido por ninguém.

— Tanya não está me interrompendo, mas obrigada por seguir minhas ordens a risca, Victoria — agradeci. — Pode ir embora agora.

Ela assentiu, então saiu rapidamente de minha sala.

— Quem ela pensa que é para tentar me barrar? Pelo amor de Deus, eu não sou uma jornalista tentando conseguir uma matéria exclusiva com você. Eu detesto essa mulher! — Tanya afirmou, sentando-se diante de mim.

Sorri para ela, não a via desde que ela me deixou no hotel no domingo e me vi obrigado a admitir que estava com saudades dela.

— Olá Tanya!

— É, oi! — ela bufou, ainda irritada com Victoria.

— Você bebeu? — perguntei, sentindo o cheiro de champanhe vindo dela.

— Sim, mas não me julgue por isso — ela pediu com uma expressão culpada. — Aliás, eu estava com Bella, ela já deve ter me julgado o bastante.

— Você estava com Bella? — perguntei curioso.

— Sim, almoçamos juntas, mas não se preocupe que sei muito bem fugir dos abutres da imprensa, nenhum deles nos viu. Eu queria conversar com ela, mas devo ter bebido demais, mas os pães daquele restaurante são maravilhosos. Enfim, como está com Renesmee? Não nos falamos ontem depois de você contar que a menina fugiu de você.

— É, ela provavelmente me odiou a primeira vista. — Fiz uma careta. — Mas progredimos bastante nas últimas horas, eu até mesmo a deixei na escola, acredita? — Voltei a sorrir, Tanya também sorriu. — E irei buscá-la lá mais tarde. Acho que estamos nos entendo, ela é uma garota fantástica, você tinha razão.

— Eu contei para meus pais, sobre o divorcio — Tanya desabafou.

— Você quer voltar atrás quanto a isso?

Eu obviamente não queria, parecia tão errado continuar com Tanya agora que eu tinha Bella de volta na minha vida. Não que eu tivesse confiança de que a Swan algum dia iria me querer de volta.

— Não! — Tanya exclamou prontamente. — Edward, nós dois sabemos que esse casamento já chegou ao limite. Ele nem deveria ter acontecido, mas fomos estúpidos em achar que nos casando acabaríamos apaixonados e que poderíamos resolver todos nossos problemas. Os seus com sua família, os meus por ter sido tachada como uma vagabunda, mesmo que isso tenha sido vindo porque eu levei a surra de um cara que dizia me amar.

Vi os olhos dela se encherem de lágrimas, mas Tanya não derramou nenhuma delas.

— Como disse, isso é o limite. Eu sou sua amiga e quero continuar sendo, mas quanto antes assinarmos os documentos do divorcio, melhor. Não ligo para que meus pais digam, nem para o que a imprensa vai dizer. Eu quero seguir minha vida Edward, mas para isso preciso romper o que temos.

Assenti, concordando com ela.

— Quem sabe eu viaje por um tempo — ela disse animada. — Tenho pensado em ir para Tóquio, quem sabe alguns meses na Austrália, pode ser divertido, novo.

— Você deveria estar com Jasper — falei, a encarando. — Não Alice, ela nunca o mereceu.

— Edward, Alice é sua irmã, Jasper o marido dela. Não vamos entrar nesse assunto.

— Tanya, Alice traia Jasper com James. — Ela ficou imediatamente chocada ao ouvir aquilo. — Na verdade eu nem sei se posso usar o verbo no passado, eles podem muito bem ainda terem algum envolvimento.

— Mas eles são primos — Tanya murmurou abismada.

— Bom, aparentemente isso não importa para nenhum deles.

— Edward, você tem de contar isso a Jasper, ele não merece ser enganado por todo esse tempo.

— Eu vou contar — afirmei. — Mas ainda não.

— Edward...

— Por favor, entenda, Tanya — pedi. — Eu não sei até onde Alice tem interesse em prejudicar Renesmee e Bella, ela diz que não foi responsável por nada que aconteceu com Isabella anos atrás, mas sei que não posso confiar em minha irmã. Preciso ter uma carta na manga, preciso que Alice sinta-se acuada para não fazer mal a nenhuma das duas. Sei que estou errando com Jasper, que ele é meu melhor amigo e não merece isso, mas não posso colocá-lo diante de Isabella, muito menos de Renesmee, ela é minha filha, é mais importante.

Tanya concordou com um aceno de cabeça, entendendo.

— Você acha que Lucy possa ser filha de James? — perguntou bem baixo. — Ou Luke?

— Eu espero que não. — Suspirei. — Eles não merecem isso, além do mais Jasper ficaria arrasado, os dois são tudo para ele.

— Eu vou cuidar disso.

— O quê? Como pretende cuidar disso?

— Ah Edward, você sabe o quanto eu amo Lucy e Luke, mesmo eles sendo filhos de Alice, eu preciso saber que essas crianças não são filhas de James. Preciso ter certeza de que elas são filhas de Jasper. Irei resolver essa situação, não pergunte meus métodos.

— E se não forem filhos dele?

— Contaremos a ele, sei que quer proteger Bella e Renesmee de Alice, eu também quero, mas Jasper não pode ser enganado por mais tempo. E, as crianças precisam da verdade. Quanto antes isso for resolvido melhor, mas concentre-se em Isabella e na sua filha, elas são quem precisam de você agora.

— Quem fez aquilo com Bella, Tanya? — perguntei irritado. — É o que mais me irrita, saber que ela sofreu acusações falsas, que fui tolo em acreditar e que isso me separou dela, me impediu de conhecer minha própria filha.

— Não sei. — Tanya me encarou. — Eu inquiri várias pessoas sozinhas com o advogado naquela época, aparentemente todos estavam cegos o suficiente naquela noite e não viram nada de estranho. Ainda temos o fato de todas as câmeras terem sido desligadas antes mesmo do inicio da festa, é um mistério, não sei quando vamos resolvê-lo. Mas eu estou de acordo com Bella.

— Que foi algo planejado por minha família?

— Sim, eu tentei tirar isso da minha cabeça, acreditar que não era verdade. Mas, Edward, faz sentido. Quem mais teria feito aquilo? Seus pais detestavam Isabella, Alice igualmente. Eu voto que tenha sido um dos três, ou eles podem até mesmo terem trabalhado em conjunto.

Passei a mão pelo cabelo, me vendo concordando com ela.

— Mas, e a carta de ameaça? Meus pais não fariam isso, tenho certeza que não.

— Edward, pare de defendê-los — Tanya exigiu. — Chega, entendeu? Eu sei, eles são sua família, mas não são inocentes, podem até ser, mas não completamente. Bella foi a grande prejudicada, Renesmee também. Uma é o amor de sua vida a outra sua filha, Alice, Carlisle e Esme não merecem sua atenção como elas duas.

— Você tem razão.

A porta se abriu mais uma vez, então Victoria surgiu com Jasper.

— Senhor Cullen, o senhor Whitlock deseja falar com o senhor — Victoria anunciou, nada contente em estar tendo sua missão de não deixar ninguém me interromper fracassada.

— Tudo bem, Victoria.

Indiquei que Jasper entrasse, mesmo com Tanya de costas, ele a reconheceu. Jasper nunca conseguiu esconder o que sentia por ela, nem mesmo depois de eu casar com Tanya. Ela por outro lado se esforçava para manter tudo sob controle, mas naquele dia estava tão emocional que lagrimou ao ouvir Victoria falar o nome dele, com cuidado para que não fosse vista limpou o rosto, colocando um sorriso no mesmo.

— Olá Jasper.

— Oi Edward. — Ele sentou-se na cadeira ao lado de Tanya. — Oi — murmurou para ela.

— Oi Jasper, Edward está lhe dando muito trabalho? — ela perguntou tentando soar animada.

— Sim — ele confirmou, sorrindo para Tanya. — Aliás, sinto muito Edward, mas a policia não pode impedir os jornalistas de ficarem na porta do prédio de Bella como lhe disse ontem, o máximo que podem continuar fazendo é patrulhando o local.

— Maravilhoso! — exclamei bravo, pensando no quanto Bella gostaria de mais tempo acuada dentro de sua própria casa.

— Sobre o outro assunto — Jasper sussurrou, lançando um olhar de canto para Tanya. — Os papeis provavelmente estarão prontos no fim da semana que vem, então haverá uma audiência.

— Não precisa soar misterioso — Tanya se pronunciou. — Sei que está falando do divorcio, fui eu quem pediu para Edward começar a cuidar disso o quanto antes. Na verdade. — Ela remexeu em sua bolsa, buscando um cartão lá de dentro. — O contato do meu advogado, pode cuidar disso com ele? — perguntou entregando o cartão para Jasper.

— Claro — concordou. — Vocês querem mesmo fazer isso?

— Sim — Tanya e eu respondemos juntos. — Estamos tão decididos quanto no dia que casamos, mas agora sabemos que essa é uma decisão certa — ela completou.

***

O silêncio de Carlisle me deixava receoso, durante toda aquela semana ele não disse uma palavra sequer para mim. Nem mesmo me ligou para falar algo sobre a empresa, o que era ainda mais estranho.

Por outro lado mamãe me ligava todo dia, cobrando-me para conhecer a neta. Eles ainda não tinham voltado de viagem, mas não faltava muito para isso.

Na sexta-feira, depois de uma semana até mais calma do que imaginei, Renesmee e eu fomos jantar juntos. Minha maior vontade era convidar Bella para ir conosco, principalmente por eu estar a levando todo dia para o trabalho, o que era uma das partes altas do meu dia, mesmo que ela só ficasse centrada em seu notebook trabalhando.

Ainda assim, eu sabia que ela provavelmente não aceitaria e, que Renesmee e eu precisaríamos de um tempo sozinhos para nos conhecermos melhor. Aquela semana tinha sido boa para nós dois, estávamos sempre conversando quando eu ia buscá-la e deixá-la na escola, ou por redes sociais que a garota me obrigou a criar, mas eu precisava de um tempo de qualidade com minha filha.

— Você também era ruim em biologia? — Renesmee me perguntou assim que entrou no carro aquela noite, demorando alguns segundos para perceber que eu estava no banco do motorista e ela no de trás. — Opa, tem algo errado aqui, onde estão os seguranças? — perguntou confusa.

— Lhes dei folga hoje, você é igualzinha sua mãe, odeia pessoas te vigiando, não é?

— Basicamente — Renesmee confessou. — Eu posso ir para o banco da frente, não é?

— Pode sim. — Concordei rindo.

Ela rapidamente saiu do carro e entrou no bando do carona.

— Como eu estava dizendo...

— Cinto, mocinha — a interrompi.

— Sério? Ai que saco! — Renesmee revirou os olhos, colocando o cinto. — Você é muito ligado nesses lances de segurança, Edward.

— Não me diga que anda sem cinto por ai, não é? — perguntei começando a dirigir, era bom guiar um carro sozinho, sem seguranças e motoristas por perto, me dava liberdade.

— Não. — Renesmee limpou a garganta. Eu não a conhecia tão bem, mas estava claramente mentindo ali. — O restaurante é bom mesmo? — Ela se voltou sorrindo para mim.

— Sim, se você realmente gosta de sushi irá adorar.

— Ah mamãe e eu adoramos sushi, eu certamente vou gostar — Renesmee falou, distraída com a paisagem que passava por nós. Ali senti-me mal por nem ter tentado convidar Bella. — Eu amo essa cidade — ela disse, chamando minha atenção.

— Da pra perceber, você sempre fica olhando encantada para tudo a sua volta.

— Sabe, Seattle não era uma cidade pequena, nem nada disso, mas eu não vejo como não amar New York mais do que amava lá. É como se aqui tudo fosse possível. — Ela se calou, então me olhou. — Bom, tecnicamente é, não é mesmo? Já que logo depois que cheguei aqui encontrei...você. — Percebi que ela mudou o fim de sua frase, como também notei que ela não me chamaria de pai, pelo menos não diretamente, tão cedo.

— Como sua mãe está? — perguntei.

— Trabalhando tanto que acho que ela está tentando virar a funcionária do mês — Nessie disse. — Ela vive com aquele notebook, está virando uma obsessão ou algo assim.

— Na verdade eu acho que ela está tentando fugir de mim — confessei, notei Renesmee me lançando um olhar curioso.

— Ah isso fica cada vez mais divertido. — Nessie voltou a olhar pela janela. — Onde está Tanya? Sabe, ela é sua esposa, não devia estar com você?

— Tanya e eu estamos nos divorciando — contei, Renesmee não me olhou, mas engasgou-se ao ouvir aquilo, não podia ser coincidência. — Em algumas semanas tudo deverá estar oficializado.

Renesmee ficou quieta e, permaneceu assim até algumas ruas depois, quando paramos em um engarrafamento e se virou para mim.

— Por que está se divorciando da sua esposa? Ela tem algum problema comigo? Ou sei lá, com a minha mãe?

Eu segurei uma risada, Tanya tinha falado de Renesmee a semana inteira, ainda que eu permanecesse no hotel e ela no nosso apartamento, a mulher não parava de me fazer perguntas sobre a garota. Até mesmo foi quem propôs que eu levasse Nessie para aquele restaurante.

— Tanya não tem problema nenhum com você, Nessie — garanti. — Muito menos com sua mãe, sabe que ela e Isabella foram grandes amigas no passado. Na verdade eu acredito que elas estejam se reaproximando.

— Então por que está se separando dela?

Aproveitei o trânsito parado diante de mim para encarar Renesmee.

— Porque eu não sou apaixonado por ela.

— Por quem você é apaixonado? — Renesmee me indagou, séria, por um momento eu vi toda a personalidade um Cullen nela.

— Por sua mãe, Renesmee.

***

O restaurante era realmente maravilhoso, eu não levaria Renesmee a qualquer lugar, principalmente depois de saber o quanto ela gostava de sushi. Nossa conversa no carro tinha morrido por inteira após minha confissão, mas a garota não parecia brava nem nada e, foi ela quem retomou a conversa quando chegamos ali.

— O que acha se eu pintar meu cabelo de azul? — ela me perguntou enquanto eu via o cardápio, comecei a tossir, engasgando-me sozinho.

Renesmee me encarava como se fosse uma professora avaliando um aluno.

— O quê? — perguntei bebendo um pouco da coca-cola que a garçonete já tinha trazido para mim.

— Meu cabelo, pintado de azul — ela repetiu. — O que acha?

— Acho que não deve fazer isso — fui enfático, balançando a cabeça para aquela ideia dela, vendo a garota abrir um enorme sorriso. Ela gargalhou, bebendo um pouco de sua coca também.

— É, você falou o mesmo que mamãe, acho que isso quer dizer que está indo no caminho certo.

— Bom saber. — Foi minha vez de gargalhar. — Como tem ido na escola?

— Ah sim, sobre isso que eu queria conversar. — Renesmee se colocou totalmente ereta na mesa. — Eu recebi uma nota terrível hoje, em biologia, sério foi tão ruim que superou todas de matemática. Isso é algo que eu deva resolver com você? É péssimo nisso também?

— Nem um pouco — neguei, deixando o cardápio de lado. — Na verdade eu sou muito bom em biologia.

— Sério? — ela parecia surpresa.

— Sim — concordei. — Bom, eu queria ser médico, quando tinha sua idade mais ou menos. — Renesmee franziu o cenho, notando que tinha algo de errado ali, não me esperou continuar para se pronunciar.

— Se queria ser médico por qual motivo está na direção da empresa?

— Meu pai, minha mãe, a família inteira. — Dei de ombros, desejando não ter iniciado aquele assunto. Era ridículo estar confessando a uma menina de quinze anos que nem podia pintar o próprio cabelo de azul que eu tive minha vida inteira comandada por outras pessoas e, que com quase quarenta anos nada tinha mudado.

— Interessante — Renesmee abaixou os olhos para o próprio cardápio, minha história constrangedora foi temporariamente abafada pela volta da garçonete que anotou nossos pedidos e logo saiu. — Sabe. — Renesmee voltou a me olhar. — Eu realmente estou prestes a me encrencar em biologia, já tive notas baixas, mas nunca tive problemas sérios com isso. Mamãe vai odiar se eu os tiver, principalmente agora...

— Eu posso lhe pagar um professor particular — sugeri a interrompendo. — Ainda que eu ache que você estaria melhor em uma escola privada.

Renesmee revirou os olhos, parecendo brava.

— Você acabou de dizer que é bom em biologia, Edward — ela disse. — Por que não pode me ensinar o que sabe? Não me parece um cara burro, certamente vai saber ensinar algo a uma garota de quinze anos, ou tem de pedir permissão a sua família para isso?

Foi como um soco no estomago, Renesmee definitivamente era filha de Bella. Mas, eu via realmente uma Cullen nela, talvez Isabella tenha visto isso ao longo dos anos, talvez fosse um dos motivos dela não me contar sobre Nessie, ter medo de que a aproximação só a concretizasse como uma de nós.

— Tudo bem, eu posso ajudá-la — murmurei desconcertado.

— Ótimo, veja na sua agenda quando pode ir lá em casa me ensinar. — Ela sorriu para mim. — Mas que seja aos sábados, fica melhor para mim. — O sorriso se tornou travesso.

— Você é uma cópia da sua mãe — deixei bem claro.

— Acredite, é um tremendo elogio. — Renesmee se curvou sobre a mesa. — Agora me diga qual motivo te levou a acreditar que mamãe foi uma ladra? — indagou, afastando a coca cola de mim. — Seja sincero, sei a versão dela, preciso da sua agora.

— Renesmee, eu acho que esse jantar não é com o intuito de trazer o passado à tona, devíamos estar nos conhecendo melhor...

— Eu vou conhecê-lo melhor, quando eu souber o que passou na sua cabeça quando você deixou minha mãe ser presa. — Renesmee tocou em minha mão. — Acredite, eu posso ser a maior aliada que você pode ter para se aproximar dela, não estrague tudo.

— Você por acaso já conheceu meu pai? — Renesmee pareceu confusa. — É, você é parecida com ele também, Deus me livre de estar perto quando vocês decidirem discutir.

— O restante da família Cullen é algo que conversaremos também, mas primeiro minha mãe.

***

Eu contei tudo a ela, sobre as joias, a ameaça, só deixei de fora o fato de que Carlisle poderia não ser meu pai. Odiava aquele assunto e não estava pronto de dividi-lo com mais ninguém, na verdade eu não o tinha compartilhado nem mesmo com Tanya, Isabella era a única a saber.

— Eu realmente terei motivos para discutir com seu pai — Renesmee comentou depois do fim da história, colocando mais um sushi na boca. Ela gostava tanto quanto eu, estávamos comendo tanto quanto se tivéssemos acabado de passar dias sem nos alimentar. — Tentar subornar mamãe para lhes manter afastados, eu... — Ela nem terminou de falar, parecia realmente irritada.

— Eu sei — sussurrei.

— É, mas não acreditou quando ela lhe disse isso anos atrás, não foi? — Renesmee encarava seu prato, revirando um pedaço de salmão de um lado para o outro. — E acreditar que ela está nesse joguinho de ameaças?

— Me desculpe, Renesmee — pedi.

— Sabe que não é para mim que deve desculpas. — Ela voltou a me encarar, tinham lágrimas em seus olhos e senti vontade de me bater por ter sido tão estúpido por tanto tempo. — Mas provavelmente mamãe não aceitou suas desculpas, provavelmente ela demorará um século ou dois para isso, então não estaremos mais vivos.

— Não, eu tenho que me desculpar com você também — enfatizei. — Não só por ter errado com Bella no passado, o que diretamente influenciou na sua vida, mas pedir desculpas por não ser o pai que você merece. — Renesmee abriu a boca para falar, mas preferiu se manter quieta. — A verdade é que sou um covarde, Renesmee — confessei. — Sempre fui, mesmo com Bella que amei perdidamente, que ainda amo. Eu nunca soube enfrentar minha família, sempre fui um perfeito covarde para todos eles. É por isso que tenho de lhe pedir desculpas, por você estar diante deste homem fraco, diferente do pai que você merece.

Renesmee tinha deixado a comida de lado e estava concentrada em mim, lágrimas ainda estavam diante seus olhos, mas nenhuma chegava ao seus olhos.

— Você é uma garota incrível e, eu apenas lhe conheço há alguns dias e sei que você ainda me surpreenderá em muitos aspectos. Eu adoro quando fala coisas que é ruim ou boa, tentando ver semelhanças comigo e fico extremamente feliz quando as encontra. Sempre quis um filho, filhos, era algo que nem mesmo minha família conseguiria tirar de mim, mas foi algo que eu mesmo conseguir tirar sendo um burro com Isabella. Eu perdi quinze anos de sua vida, mas não quero perder mais, só que sei que para isso esse homem covarde sentado aqui terá de morrer e, eu não me importo, irei enterrá-lo agora mesmo, só para não lhe perder outra vez, Nessie.

Meus olhos continuavam fixos no dela e, a cor neles era tão familiar que me senti bem no mesmo momento. Como se por toda minha vida estivesse procurando uma pessoa igual a mim.

— Vamos fazer isso. — A voz dela tinha um tom animado.

— O quê? — perguntei sem entender.

— Vamos enterrar o antigo Edward...Espera, qual seu nome do meio?

— Anthony.

— Okay, vamos enterrar o antigo Edward Anthony Cullen. — Ela sorriu, parecendo empolgada.

— Metaforicamente? — questionei ainda perdido na sugestão dela.

— Bom, a não ser que você queira ficar a sete palmos...

— Não.

— E, o novo Edward fará algo.

— O quê?

— Irá marcar um jantar amanhã, com todos os Cullen disponíveis — Renesmee voltou a ficar séria ao falar aquilo.

— Renesmee, não — neguei. — Você ainda não está pronta para conhecê-los.

— Eu realmente não dou a mínima para o que vão dizer de mim — Renesmee afirmou. — Você mesmo já disse que sou parecida com mamãe e se conheço aquela mulher muito bem, ela não deve ter abaixado a cabeça para nenhum deles, nunca.

— É, ela nunca fez isso.

— Então, eu também não farei — Renesmee proclamou. — E, o novo Edward irá reconquistar Isabella Swan.

Minha mão soltou o hashi.

— Como?

— Você realmente a ama, eu vejo o quanto fica mal falando dela, está realmente sofrendo por isso. Como também vi como você sempre sorri de modo diferente para ela, na verdade você é bem fácil de se ler.

— E como você pretende me fazer reconquistar sua mãe?

— Não — Renesmee negou. — Eu não vou interferir diretamente, a missão é sua, soldado. Só estarei no quartel general torcendo para que se acertem. Não sou idiota, sei que ela também ainda sente algo por você.

Eu sorri. Renesmee estendeu a mão para mim e fizemos o aperto de mão que estávamos praticando a semana inteira.

— Então, agora você pode liberar que eu pinte meu cabelo de azul? — perguntou esperançosa.

— Pode apostar que não, garota. — Os ombros dela caíram, revirou os olhos e antes que ela bebesse um pouco de refrigerante a ouvi sussurrar tão baixinho que não sabia se foi realmente real.

— Obrigada por isso, pai.

Notas finais
O que acharam??? Eu tenho um amor gigante por esse bônus, principalmente pela cena do Edward com a Alice, ele tá mudando, gente, que orgulho. Comentem, digam o que acharam do capítulo. Semana que vem tem o capítulo da Bella. Beijos! Lola Royal. 04.06.16