Moon River

10 Capítulo Bônus


Notas iniciais
Nem eu esperava que fosse conseguir postar esse capítulo bônus hoje, mas deu certo tuts tuts. Capítulo dedicado a Vivi, que me deu uma recomendação maravilhosa aqui em Moon River. Obrigada linda! Espero que gostem, boa leitura!

— Capítulo Bônus —

— Edward —

New York – Janeiro de 2016

Jasper era meu melhor amigo, nos conhecemos no colégio interno que estudamos em Boston durante todo o ensino médio. Tínhamos a mesma idade, a mesma estrutura familiar rígida e ambos gostávamos muito de matar aula para beber nos fundos da escola. Nos tornar amigos foi fácil, ele na verdade era como o irmão que eu não tinha tido, então acabou se tornando um quando se casou com minha irmã.

Sempre confiei cegamente em Jasper, ele de fato nunca me deu motivos de desconfiança, mas naquela noite, quando o mesmo mencionou Bella, fiquei com vontade de matá-lo. Dentro da minha família, existia um pacto silencioso de nunca mencioná-la, meus pais, minha irmã, ninguém nunca tocava no nome dela desde que a mesma saiu da minha vida.

— Pouco me importa se ela está aqui — falei, segurando com força na cadeira diante de mim, não sei se por raiva ou para não desabar no chão. — Além do mais, eu nem acredito que ela esteja em New York, tem quinze anos Jasper, você não a reconheceria tão fácil.

— Era ela sim, Edward — Jasper afirmou. — Eu a conheço o suficiente para me lembrar do rosto dela, era sim sua Bella.

— Minha Bella? — perguntei em um tom de deboche. — Poupe-me Jasper, tem quinze anos que não tenho noticia alguma daquela mulher, ela não é nada minha.

— Ela é a mulher da sua vida, Edward! — Jasper exclamou, revirando os olhos. — Não tente negar isso, é obvio que nunca a esqueceu. Você pode ter casado com Tanya, fingido esquecer Isabella, mas olhe só como você está só de ouvir o nome dela. Por que não vai atrás dela?

— Por que eu iria atrás dela, Jasper? — O encarei. — A última vez que fui atrás de Bella ela me jogou um rádio, disse que eu era um canalha e que nunca mais iria querer olhar na minha cara. — Bufei.

— Você deu motivos para isso — Jasper falou. — Acreditou que a culpada era ela.

— Todos nós acreditamos, Jasper, não pague de bom samaritano quando você também acreditou.

— Pouco importa se eu ou sua família acreditamos, você não devia ter acreditado. — Jasper contornou a mesa do escritório, parando perto de mim. — Bella está na mesma cidade que você novamente, Edward Cullen e mesmo que tenham se passado quinze anos, continua a amando. Pare de atrasar sua vida, vá atrás dela, tente reconquistá-la.

— Sou casado, Jasper — o lembrei.

— Mas não ama Tanya e ela não te ama também, todos nós também sabemos disso. Só se casaram porque ela precisava de um apoio depois do que passou nas mãos do Louis, mas agora ele não pode chegar mais perto dela e Tanya já é bem crescidinha para se virar sozinha. E você não pode passar o resto dos seus dias preso a um casamento que só te trás infelicidade.

— Eu sou feliz com Tanya.

— Pode até ser. — Jasper assentiu. — Mas não do jeito que foi feliz com Bella, não do jeito que seria feliz com ela. A vi entrando no jornal News of New York, caso queira ir atrás dela.

— Eu não quero.

— Mas deveria.

Antes que eu pudesse pedir que Jasper calasse a boca de uma vez por todas, ou descontar minha raiva dando um soco nele, alguém bateu na porta. O encarei por uma última vez, então fui destrancar a porta, do lado de fora estava Lucy, o que foi bom, eu odiaria dar de cara com Alice naquele momento.

— Oi tio, mamãe mandou chamá-los, o jantar já vai ser servido e sabemos o quanto ela odeia que a façam esperar.

— É, sabemos sim — concordei saindo do escritório. — Nosso assunto acabou, não é mesmo Jasper?

— Se você deseja esquecê-lo, quem sou eu para contrariá-lo, Edward — Jasper disse, deixando o escritório também.

— Algum problema na empresa? — Lucy perguntou, nos olhando aflita.

— Não querida, não precisa se preocupar. — Jasper sorriu para a filha, que sorriu de volta para ele, indo segurar em seu braço para que pudessem seguir juntos até a sala de jantar.

Jasper era um desgraçado sortudo, tinha não só um filho, como dois. E tanto Lucy quanto Luke eram crianças inteligentes, espertas e que nunca foram chatas. Eu não podia negar o quanto invejava por ter filhos e ser um bom pai para os dois, sempre foi claro o quanto Lucy e Luke o amavam.

Queria tanto aquilo, ser um pai. Ter ao menos um filho que eu pudesse criar e amar com toda a devoção. Sentia que o mundo era injusto ao não me dar um filho, quando pessoas por ai, como meu pai, tinham.

Já na sala de jantar, Alice ocupava uma das cabeceiras, enquanto brigava com Luke porque o garotinho estava usando sandálias, não tênis. Minha irmã podia ser mais nova do que eu, mas sempre foi um poço de chatice, como uma velha que reclama de tudo.

Durante nossa infância e adolescência, Alice e eu sempre acabávamos brigando por tudo. Principalmente pelo fato de ela exigir de mim uma postura que eu não queria, como sair com garotas que eu não gostava, ou o simples fato de estar ao lado dos meus pais quando foi decidido que eu seria o grande herdeiro e futuro presidente da empresa da família.

— O que tanto conversavam? — ela parou de brigar com Luke para nos questionar, Jasper sentou na outra cabeceira e eu fiquei ao lado de Lucy, na cabeceira mais próxima a minha nada adorável irmã.

— Assuntos da empresa, Alice — Jasper respondeu. — Já tinha dito isso, só alguns pontos que queria rever com Edward.

— Sobre o contrato com uma empresa, nada que você dê importância — completei, gerado uma expressão furiosa no rosto de Alice.

— Poupe-me de seu deboche Edward Cullen, não estou com cabeça para isso. Meu dia foi terrível.

— O que aconteceu? Você se esqueceu de sair para comprar seu milésimo par de sapatos? — perguntei, claramente a provocando. Alice não trabalhava, na verdade ela quase não fez faculdade porque logo que se formou no colegial engravidou de Lucy e virou a clássica filha de pais ricos e esposa de cara igualmente cheio de grana, que não precisa se preocupar com sua conta bancária.

— Edward, pare agora mesmo com isso — ela exigiu. — Você está na minha casa, sentado a minha mesa, pare de agir como uma criança mimada.

A ignorei, esticando minha taça para que a empregada, que estava nos servindo, colocasse um pouco de vinho para mim. Obviamente eu não deveria beber já que estava dirigindo, mas aguentar um jantar com Alice, principalmente depois de Jasper anunciar que tinha visto Bella na cidade, merecia um pouco de álcool para não me fazer pirar.

— Falando sobre a empresa — Alice voltou a falar, lançando um olhar feio para a empregada que quase derramou salmão nela. — Estive pensando que já está na hora de Lucy começar a estagiar lá.

— O quê? — a garota sentada ao meu lado, que estava bebendo um pouco de água se engasgou.

— Lucy só tem quinze anos, Alice, ela é nova demais para se envolver nos assuntos da empresa — Jasper contestou a esposa.

— Não acredito nessa de ser nova demais — Alice falou. — Ela é uma das herdeiras da empresa, quanto antes começar a se envolver nos assuntos da mesma melhor. E você será o próximo, então é melhor começar a se comportar menos como uma criança — disse para Luke.

— Ele é uma criança, Alice! — exclamei revoltado.

— Cuide dos seus próprios filhos, Edward — Alice falou, rindo em seguida. — Ah me desculpe, esqueci que você não tem nenhum.

Levantei-me da mesa de forma abrupta, Alice continuava rindo, balançando sua taça de vinho de um lado para o outro, como se já estivesse bêbada.

— Pra mim chega, você é insuportável. — Bebi meu próprio vinho e rumei para fora da sala de jantar.

— Isso volte para sua casa vazia, fique chorando a ausência da esposa e dos filhos que vocês dois inúteis não conseguiram ter — ela provocou, me fazendo parar ao escutar aquilo, mas eu não podia mais ficar um instante ali, então sai de vez da sala.

Eu estava chegando na porta que me tiraria de vez daquele apartamento, quando Jasper e Lucy apareceram.

— Edward, você não precisa ir embora, conhece sua irmã ela sempre foi assim, não é agora que vai mudar — Jasper explicou.

— Eu vou embora, não preciso ficar aqui ouvindo minha própria irmã jogando na minha cara o fato de Tanya e eu não termos filhos. — Coloquei meu casaco.

— Por favor tio Edward, fique — Lucy pediu.

— Desculpe Lu, isso não vai mesmo ser possível. — Afaguei seu cabelo. — Podemos marcar um dia na semana para que eu leve você e seu irmão ao cinema, o que acha?

— Claro, tudo bem — ela concordou, ainda que não muito contente com aquilo. — Tchau tio Edward! — Me abraçou.

— Até mais. — Acenei para os dois e sai do apartamento.

Eu definitivamente precisaria bem mais do que uma taça de vinho para aliviar minha mente depois daquele dia longo.

***

O resto da semana se arrastou, principalmente por Tanya ainda estar em Los Angeles, que queria muito contar a ela que Jasper tinha visto Isabella Swan, mas queria fazer isso pessoalmente. A semana também foi terrível levando em conta que passei a maior parte do tempo preso na empresa, sendo carregado de trabalhos que sempre me deixavam com dor de cabeça no fim do dia.

Não consegui sair com Luke e Lucy para o cinema como tinha sugerido a ela, mas consegui pegar a garota na saída da escola e levá-la comigo até o aeroporto para que pudéssemos ir buscar Tanya. Eu não era muito de cavalheirismo com minha esposa, na verdade nós dois quase nunca dependia do outro para qualquer tipo de ajuda, mas naquele dia queria sair mais cedo da empresa, passar um tempo com minha sobrinha e estar lá quando minha esposa chegasse.

— Como foi a aula? — perguntei a Lucy quando a mesma entrou em meu carro, jogando a bolsa sobre o banco de trás do carro.

— Terrível — ela respondeu. — Eu odeio essa escola.

Lucy estudava em uma escola voltada apenas para garotas, a mesma que a mãe dela tinha estudado, assim como toda as meninas de classe social alta de New York. Por isso eu nem questionei porque ela não pedia para trocar de escola, sabia que seria uma batalha perdida antes mesmo de ser iniciada.

— Sinto muito — falei. — Você sabe, seu pai e eu também odiávamos o internato que estudávamos em Boston.

— Pelo menos lá vocês não estavam sob os olhares atentos dos capangas da sua família! — ela exclamou revoltada.

— Como assim? — perguntei, o trânsito como sempre estava uma loucura, então olhei para ela ao perguntar aquilo.

— Uma das inspetoras me viu trocando mensagens com um garoto, o que aconteceu? Ela ligou no mesmo instante para mamãe, o que me acometeu um castigo na escola e em casa.

— E quem é esse garoto? — perguntei curioso, fazendo Lucy corar.

— Nem pensar tio Edward, eu não vou ter essa conversa com você.

Gargalhei, a fazendo rir também.

— Então, você está apaixonada por ele? — insisti.

— Oh não — Lucy negou prontamente. — E não é como se eu fosse poder me apaixonar por qualquer um, não é? — ela ficou com uma expressão confusa. — Somos os Cullen, não escolhemos por quem nos apaixonar. Temos de fazer laços que beneficiem nosso sobrenome, não nosso coração.

Assenti, eu entendia perfeitamente o que aquela garota de apenas quinze anos queria dizer.

— Somos uma maldita realeza em pleno século XXI — sussurrei.

Lucy concordou com um aceno de cabeça.

— O senhor não ama tia Tanya? — ela perguntou baixinho, como se tivesse medo de fazer aquela pergunta. — Só se casou com ela por questões financeiras, digo, para privilegiar nossa família e a dela?

— Eu amo Tanya, Lucy — respondi. — Ela é minha melhor amiga, mas sim, nosso casamento só aconteceu para que eu tivesse meus benefícios e ela os dela.

— Entendi — Lucy murmurou. — Então acho que é isso, não é? Ninguém que carregue esse sobrenome vai ser feliz de verdade. Um Cullen sempre acaba tendo que negar a si mesmo para o beneficio do legado que carrega.

Desviei o olhar da rua, para poder encarar Lucy. A garota olhava fixamente para o painel do carro, os olhos claros pareciam tomados de lágrimas, mas ela não chorava.

— Não queria que essa fosse a verdade, mas é sim — murmurei de volta, então Lucy sorriu para mim. — Você não vai chorar por isso, vai?

— Relaxe tio Edward, a realeza nunca chora, somos maiores que qualquer outro.

***

Logo Lucy e eu tratamos de mudar de assunto, como também não demorou tanto quanto previ para chegarmos ao aeroporto. Como ainda tínhamos tempo até o voo de Tanya chegar, fomos a uma pizzaria do restaurante, eu sabia que ela adorava pizza, mas que a mãe quase nunca a deixava comer por ser cheia de gordura.

— Sua mãe continua lhe enchendo a paciência com aquela história de lhe colocar para estagiar na empresa? — perguntei.

— Continua — Lucy respondeu. — Na verdade eu devo começar em breve, a peguei conversando por telefone ontem com vovô Carlisle sobre isso — acrescentou. — Claro que papai está tentando impedir isso, mas sabemos como Alice é...

— Sempre conseguindo o que quer — completei sua frase.

— Isso.

— Você então não pretende continuar trabalhando na empresa?

— O que conversamos no carro, tio Edward? — Lucy sorriu docemente para mim. — Nenhum de nós tem escolha, se eu tivesse, ficaria bem longe daquela empresa. Queria ir para a faculdade que quiser, poder escolher me formar no que mais me agradecesse, mas sabemos que não será assim.

— Eu posso tentar conversar com seu avô — sugeri, mesmo sabendo que quando se tratou de mim Carlisle não quis saber de ouvir minhas vontades.

— Não tio, não faça isso, por favor — ela pediu quase desesperada. — Eu pouco me importo se vou ter que assumir a empresa algum dia, é algo que cresci sabendo que teria de fazer, assim como acabar me casando com o filho de algum político ou empresário rico. Mas tanto faz, eu me encaixo nesse mundo, sei lidar com essas pessoas. Luke não, ele é tão novo e mamãe já o trata como se fosse um homem, e isso o faz mal, sei disso. Não quero que meu irmão seja obrigado a assumir essa empresa porque eu como filha mais velha neguei o que me cabia. Lamento voltar a falar desse assunto, mas o senhor não tem filhos, eu sou a herdeira mais velha que depois do senhor terá que comandar a empresa. Então vai ser assim, não precisa mudar nada.

Lucy poderia parecer uma garota mimada vista de longe, mas eu sabia que ela não era mesmo. Era forte, talvez soubesse lidar melhor com as obrigações de ser uma Cullen do que eu, que com quase quarenta anos ainda me sentia péssimo com tudo aquilo.

— Tudo bem — foi a única coisa que disse. — Vamos, o voo de Tanya acabou de aterrissar — falei ao ver o painel indicando o pouso do voo vindo de Los Angeles.

Paguei a conta na pizzaria e segui com Lucy para o portão de desembarque. Tanya foi uma das últimas passageiras a aparecer, empurrando um carrinho lotado com suas bagagens. Ela deu um enorme sorriso ao ver Lucy e a mim parados ali esperando por ela, então apressou o passo até onde estávamos.

— Eu não os esperava por aqui — ela disse, abraçando primeiro a Lucy, depois a mim.

— Quis fazer uma surpresa. — Beijei sua bochecha. — Como foi a viagem?

— Cansativa, mas finalmente acabou. — Tanya voltou a abraçar Lucy. — Estava com saudades de você, querida. Tudo bem?

— Tudo sim, tia — Lucy confirmou.

Como dito antes, um Cullen nunca chorava, muito menos contava seus problemas.

— Ah eu adoraria te levar para jantar hoje, Lu — Tanya começou a falar. — Mas Edward e eu vamos a uma festa importante.

— Podemos sair outro dia, na verdade mamãe os convidou para um jantar lá em casa amanhã. — Ela me olhou aflita.

— Ah não, nem pensar — neguei na hora.

— Por que não, querido? — Tanya perguntou.

— Porque o último jantar lá em casa nem passou da entrada — Lucy contou. — Mamãe não se comportou muito bem.

— Edward! — Tanya me lançou um olhar acusador.

— Juro que a culpa foi dela, Tanya — falei pegando o carrinho com as malas. — Talvez eu tenha começado, mas Alice tem a culpa toda para si.

— Não quero saber — Tanya foi pontual ao dizer aquilo. — Temos de parar de ser uma família tão...

— Desestruturada? — Lucy sugeriu. — Tia, a senhora é uma Cullen há tanto tempo, aprenda que esse é uma das características que nos define.

— Lucy está certa.

— Não me importa — Tanya falou. — Vamos a esse jantar, Lucy avise a sua mãe que estaremos lá.

Como qualquer outra mulher, ou garota que carregasse o nome Cullen, era impossível debater com Tanya.

Depois de deixarmos Lucy em sua casa, segui direto para nosso apartamento, eu precisava de uma vez ficar a sós com Tanya para contar a ela que Jasper tinha visto Bella na cidade. Não sei como ela reagiria a isso, sendo que as duas foram amigas quando namorei a Swan.

Eu estava prestes a começar a contar, quando entramos em nosso apartamento, quando Nelly apareceu. Feliz por ver Tanya.

— Oh essa casa é tão silenciosa sem você, garota! — Nelly exclamou, indo abraçá-la. O fato de eu conhecer, como ser amigo também, Tanya desde meus dez anos, sempre a fez frequentar muito nossa casa. Dessa forma, Nelly sempre gostou da mesma.

Mas Nelly sempre gostou muito de Bella também, na verdade foi uma das poucas pessoas que acreditou nela de primeira quando toda aquela confusão ocorreu em 2000.

— Também senti sua falta, Nelly! — Tanya sorriu para ela. — Lhe trouxe presentes de Los Angeles, está lá embaixo no carro de Edward nas malas, depois peça que um dos porteiros as traga para cá, por favor.

Além de Nelly, tínhamos mais duas empregadas no apartamento, elas se chamavam Norah e Francis, mas eu nunca acertava o nome delas de primeira. Não era mesmo a pessoa mais ligada aos assuntos da casa.

— Claro, como foi a viagem?

— Péssima — Tanya respondeu, percebi que os adjetivos relacionados aquela viagem estavam ficando cada vez piores.

— Por que, o que houve? — Nelly perguntou, ajudando Tanya a livrar-se do casaco.

— As modelos, os agentes, todos não conseguem seguir ordens — minha esposa esbravejou, sentando-se no sofá. — Eu juro, foi uma das piores semanas da minha vida, tudo parecia que iria dar errado. Por vezes pensei que o desfile seria um fracasso total, foi quase, até faltar luz no meio faltou. Se algo a mais der errado para mim essa semana, eu juro que vou tirar férias de dez anos na Tailândia.

Sorri para ela, Tanya sempre dizia aquilo quando algo dava errado.

— E vocês ainda vão sair hoje? — Nelly perguntou. — Edward mal parou em casa, vocês dois deveriam descansar.

— Bem que eu queria, Nelly — Tanya disse. — Mas essa festa de hoje é tão importante para mim. Além do mais Edward precisa estar lá comigo, eu não posso comparecer a um evento desse porte sem meu marido.

— Vou estar lá — a tranquilizei, decidindo contar a ela sobre Bella só no dia seguinte, Tanya já estava atarefada demais para lidar com meus problemas.

Eu podia passar mais um dia sem falar em Bella, ou no fato dela estar na mesma cidade que eu.

***

O evento daquela noite era de fato importante para Tanya, mas não me acrescentava em nada. Eu mesmo nem era o representante da agencia publicitária que estava cuidando daquela marca, nem a empresa da minha família tinha qualquer ligação. Mas Tanya, com sua agência de moda era de certa forma necessária ali.

Não demorou muito, logo depois de chegarmos, que ela precisou correr para os bastidores. Tudo para checar se suas modelos estavam prontas para o desfile que aconteceria depois, sendo assim eu fiquei sozinho, no meio de toda aquela gente que não conhecia, ou se conhecia, não queria ver.

Estava me afastando da multidão, caminhando em direção a uma das mesas, quando a vi. Sentada sozinha em uma mesa, seus olhos se encontraram com os meus.

— Bella — sussurrei incrédulo, apertando o copo de uísque em minha mão.

— Edward. — A boca dela se mexeu, formando meu nome.

Então, depois de alguns segundos com nós dois nos encarando, onde minha cabeça não conseguia se concentrar em nada, Bella se levantou. Antes dela começar a caminhar para longe da mesa onde estava, exclamei:

— Não, pare agora!

Ela voltou sua atenção para mim, enquanto eu caminhava até ela. Era inacreditável vê-la ali, Bella parecia mais linda do que quando tinha dezoito anos. Uma mulher, mas com o mesmo rosto angelical e olhos cor de chocolate que eu tanto amava. Usava um vestido preto longo, o cabelo preso em um coque deixava seu pescoço exposto e só consegui lembrar de quantas vezes me perdi na sua pele, beijando seu pescoço como se não existisse mais mundo além de nós dois.

— Eu devia ter acreditado quando Jasper disse que você estava na cidade — falei.

— O quê? — ela perguntou, a voz dela parecia desesperada, mas ainda era a voz doce que eu me lembrava que ela tinha. — Onde Jasper me viu?

A encarei confuso, o que importava onde Jasper tinha a visto? Eu só me importava que ela estava ali na minha frente, depois de quinze anos. Tão linda, delicada e...Merda, eu sentia tanta falta de Bella.

— Entrando em um jornal, mas isso não vem ao caso — respondi. — O que está fazendo em New York, Isabella?

— A cidade não é sua, Cullen, não lhe devo explicação alguma sobre o que estou, ou não fazendo aqui. — Bella nunca foi alguém que levava desaforo para casa, na verdade o fato de ela ser tão orgulhosa foi o que fez com que nosso namoro chegasse ao fim, de certa forma.

— Você...

Comecei a falar, mas fomos interrompidos pela chegada de Tanya. Eu não a queria ali naquele momento, não naquele, ela poderia ter aparecido qualquer instante depois.

— Não consegui acreditar quando te vi, pensei que era outra pessoa — minha esposa murmurou, olhando angustiada para Isabella. — Como você está, Bella?

— Como se você se importasse — Bella rebateu, encarando a mão de Tanya ir parar em minhas costas.

— Bella, por favor — Tanya pediu. — Você sabe que nunca acreditei naquilo, eu...

— Você o que, Tanya? Você não foi uma completamente estúpida, arrogante como Edward? — Bella a cortou, lançando um olhar a mim.

— Eu pedi desculpas, Isabella! — exclamei irado.

— Mas você acreditou! — Bella disse. — Acreditou que eu tinha feito aquilo, éramos namorados e você não confiou em mim. Quer saber, eu pouco me importo com isso, já tem quinze anos e esqueci-me de vocês, como da sua família suja.

— Não fale assim da minha família. — Segurei em seu braço, impedindo que ela saísse. Senti-la trouxe um misto de sensações para meu corpo, precisei ser muito forte para ignorar cada uma. Assim como me convencer de que eu não poderia beijá-la na frente da minha esposa, muito menos no meio daquela festa.

— Lamento informar, mas sua família é horrível e chamá-la de suja pode até ser um elogio.

Ela estava certa, mas éramos os Cullen. A realeza como gostavam de nos chamar e nenhum de nós era de fato bom.

— Bella, nós todos sempre gostamos muito de você, aquilo tudo foi um grande mal entendido. Nós gostaríamos de ter nos desculpado com você, mas quando Edward te procurou, você o afastou — Tanya disse.

— Um mês depois. — Bella se soltou de mim, o que odiei. — Ele me procurou um mês depois, você acha isso pouco tempo para um pedido de desculpas? Principalmente depois de toda aquela acusação, de tudo que me fizeram passar?

— Nunca acreditei naquilo, Bella — Tanya afirmou. — Nunca menti quando disse que éramos amigas.

— Não fale isso nunca mais, você não é e nunca foi minha amiga. É tão falsa quanto Edward.

— Eu nunca fui falso com você, Isabella. — As sensações foram embora, eu estava novamente irado.

— Foi sim, você acreditou Edward, tudo que precisava ter feito naquela noite era não ter acreditado. Mas é da sua personalidade, não é? Ser um fraco, submisso as vontades de todos e sem pensamento critico.

— Isabella... — Comecei a gritar.

— Querido, não, por favor — Tanya pediu, segurando minha mão dele, então percebi que algumas pessoas olhavam para nós — Você não pode criar uma confusão aqui, essa festa é importante para meu trabalho. — Tanya olhou ao redor, lançando um sorriso para quem olhava em nossa direção.

— Adeus! — Bella exclamou, se afastando.

Eu não consegui segui-la, não por conta de Tanya, ou de qualquer outra pessoa que estava naquela festa. Não consegui segui-la porque estava em choque por tê-la visto. Por tê-la tocado e por perceber que quinze anos não foram o suficiente para me fazer parar de amá-la. Sempre amaria Isabella Swan, ainda que ela me odiasse.

Notas finais
O que acharam??? Por favor, comentem! Beijos! Lola Royal. 06.03.16