Moon River

11 Capítulo Oito


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem com vocês? Espero que gostem do capítulo, boa leitura!

— Capítulo Oito —

— Bella —

Seattle – Janeiro de 2000

Minha mão, que estava junto a de Edward, se soltou. Aquilo tudo estava acontecendo rápido demais, eu não conseguia acompanhar o ritmo daqueles acontecimentos. No sábado nos conhecemos, no domingo tivemos nosso primeiro encontro e percebi estar apaixonada por ele e na segunda-feira Edward me arranjava um emprego e dizia que queria que eu jantasse com seus pais.

— Acho que estamos sendo muito apressados, Edward — murmurei. — Não quero passar a impressão de ser uma aproveitadora.

— Você... Ah Bella, não pense isso — ele pediu, tocando em meu rosto gentilmente. — Pense em mim como um amigo ajudando uma amiga, tudo bem?

— E ir conhecer seus pais se encaixa onde nessa história? — indaguei. — Edward, desculpe, mas não posso fazer isso. — Me afastei dele.

— É só um jantar, Bella — ele insistiu. — Meus pais só querem lhe conhecer, estou falando tanto em você desde que nos conhecemos que eles ficaram curiosos sobre você.

— Curiosos? Isso me soa um pouco ofensivo, como se eu fosse um animalzinho de laboratório pronto para ser exposto em um teste. — Fiz uma careta, o que de algum modo fez com que Edward risse.

— Vamos Bella, é realmente só um jantar. Prometo que meus pais não são monstros, nem cientistas malucos que vão querer cortar sua cabeça no meio para observar o funcionamento do seu cérebro. Ontem você disse que gostava de comida italiana, não é mesmo? Nos conhecemos um excelente restaurante italiano aqui, venha conosco e coma um pouco de massa.

— Você não pode me comprar com comida, Edward — afirmei.

— Não? Bom, então fica a dica, eu sou facilmente comprado com comida. — Não resisti a rir com o que ele disse, Edward conseguia tirar toda minha fachada séria quando queria. — Tenho um plano! — ele exclamou, parecendo contente em me ver rir.

— Não sei se fico feliz com esse anúncio, mas vamos, me diga qual seu plano — falei.

— Que tal deixar esse assunto do jantar de lado por enquanto? Vamos até o local do trabalho que disse que tenho para você, vemos se fica com o emprego, então depois decide se quer ou não ir jantar com meus pais e comigo, mas precisa ser honesta e realmente pensar a respeito, Bella — Edward propôs.

— Tudo bem, aceito isso — concordei por fim.

Edward sorriu triunfante, como se eu já tivesse aceitado sair com ele para o jantar com seus pais. Saímos então do prédio do dormitório que eu ocupava, na frente d mesmo, no estacionamento, um carro luxuoso chamava a atenção de todos.

— Eu vinha de táxi, mas adoro dirigir e isso ia me irritar — Edward comentou, parecendo envergonhado com a aglomeração de pessoas ao redor da Ferrari que ele usava.

Uma Ferrari, vermelha e tudo mais. Chegava a brilhar e eu nem sabia estimar o valor que aquele carro valia. Conforme íamos nos aproximando dela, as pessoas iam dando espaço, encarando Edward chocados, então as perguntas começaram a surgir vinda de todos ali.

— Esse carro é seu, cara?

— Você é algum ator?

— Posso tirar uma foto?

— Posso entrar para ver se os bancos são realmente de couro?

— Onde comprou esse modelo? Pensei que ela era dada só aos pilotos!

Edward ignorou todo mundo, em um ato que me pegou de surpresa, me conduziu até o banco do carona, para abrir a porta para mim. Entrei no carro, me sentindo uma pessoa famosa por todas aquelas pessoas estarem olhando para mim, alguns rostos no meio da multidão eram conhecidos por mim, eu já conseguia imaginar as fofocas que seriam feitas com meu nome depois daquele episódio.

Então, Edward conseguiu contornar todos ali e entrou no carro também. Carro que tinha cheiro de novo, bancos de couro e parecia custar o suficiente para alimentar um país inteiro por pelo menos dois anos.

— Esse carro é seu? — não pude deixar de perguntar, sabendo que estava soando tão curiosa quanto qualquer um que estava observando o carro do lado de fora.

— Do meu pai, na verdade — Edward respondeu, tomando cuidado ao dirigir para fora do estacionamento. — A minha está em New York.

— Ah claro — sussurrei, balançando a cabeça descrente. — Sua família tem duas dessa como patrimônio. — Não conseguia acreditar no quanto Edward e a família dele tinham dinheiro, aquilo tudo parecia coisa de filme.

— É, duas — ele sussurrou também, fazendo uma careta quando uma garota tirou uma foto da Ferrari, quase se jogando na frente do carro para isso.

— Tem mais uma? — perguntei perplexa.

— É, mais ou menos — respondeu constrangido. — Alice vai vender a dela, ela não gostou da cor prateada, quer uma preta.

Olhei Edward abismada, eu nem mesmo tinha um carro, não conseguia entender a loucura que era o mundo dele. Rejeitar uma Ferrari por conta da cor? Aquilo parecia maluquice.

— Podemos mudar de assunto? Por favor, Bella — ele pediu, sem tirar os olhos da rua quando finalmente deixamos o estacionamento, suas mão seguravam com força o volante.

— Claro, vamos mudar de assunto — concordei, percebi que estava sem o cinto de segurança e com cuidado coloquei o mesmo. Não queria imaginar quanto seria o conserto de uma Ferrari se eu quebrasse algo, a questão era que não teria dinheiro para consertar. — Onde é afinal esse lugar que diz que tem um emprego para mim? — questionei.

— Ah claro, eu ainda não contei. — Edward sorriu, deixando o desconforto de lado. — Uns amigos da família são donos de uma rede de joalheria, eles estão trazendo uma para Seattle, a loja inaugura mês que vem e eles estão contratando funcionários. É cem por cento certo de que se você quiser, terá um trabalho lá.

Não me senti bem com aquilo, com Edward arranjando trabalhos para mim por ser amigo de alguém, como seu eu não pudesse sair por ai sozinha e arranjar um emprego por ser uma boa profissional. Além do mais, uma joalheria, parecia algo grandioso demais. Principalmente por ser de uma família que era amiga da família dele, logo algo que me deixava desconfortável.

— Acho que não estou vestida adequadamente para uma entrevista de emprego em um lugar desse porte — falei, olhando para minha camiseta da faculdade, meus jeans surrados e meu all star claramente antigo, fora o meu cabelo que estava preso em um rabo de cavalo baixo.

— Não se importe com isso, será apenas uma conversa informal com a gerente da loja — Edward disse, parecendo convicto daquilo. — E como eu falei, lhe dei boas referencias, vocês vão apenas conversar e se for da sua vontade ficar com o emprego que lhe vai ser oferecido.

Respirei fundo, achando melhor não falar mais daquele assunto também.

— Minha cunhada meio que pirou quando contei sobre você — decidi falar.

— Sério? — Edward perguntou sorrindo. — E eu vou conhecê-la quando?

— Bom, ela e meu irmão moram em New York, com meu sobrinho. Acho que você pode ir atrás deles lá, se quiser parecer um maluco — brinquei, o fazendo rir.

— Ou então deveríamos ir para New York — ele sugeriu. — Tudo bem que em Janeiro o clima é horrível, mas nada que um casaco não resolva.

— Quais CDs tem aqui? — perguntei, ignorando sua sugestão, abrindo o porta luvas e me deparando com uma arma ali. Voltei meu olhar para Edward, sabendo que eu deveria estar mais pálida do que nunca ao ver aquilo. — O quê? — gaguejei.

— Merda! — ele xingou, fechando o porta luvas e olhando para mim aflito. — É do meu pai — explicou. — Eu disse, a Ferrari é dele.

— E por que seu pai teria uma arma no carro? — indaguei, olhando enojada para o porta luvas. Meu pai era policial, eu cresci o vendo com armas, mas nunca gostei de nada daquilo, detestava qualquer coisa que pudesse matar outra pessoa muito facilmente.

— Papai é muito preocupado com sua segurança pessoal — Edward murmurou. — Ele não anda sem pelo menos dois seguranças e uma arma a seu alcance. Já recebemos ameaças de morte e...

— Vocês já receberam ameaças de morte? — gritei, sem conseguir acreditar naquilo.

— É. — Edward franziu o cenho. — Escute, meu pai vem de uma família tradicional de New York, Bella. Nossos antepassados sempre tiveram negócios em alta, que faziam muito dinheiro, logo todos sofriam com outras pessoas querendo tirar a vida deles, ou arranjar uma forma de arrancar nossos bens financeiros. Papai não está fora desse ciclo vicioso, ele sofreu um sequestro quando eu tinha dez anos de idade, junto com o irmão mais novo dele, tivemos que pagar uma fortuna para os bandidos o soltarem.

— Isso é horrível! — exclamei, mas ainda sem confiar naquela arma jogada sem cuidado algum dentro de uma Ferrari, parecia arriscado demais. — Alguém já fez algo a você? — perguntei preocupada.

— Não — Edward respondeu prontamente. — Alice e eu recebemos umas ameaças anônimas quando mais novos, mas isso parou. Até porque papai sempre nos manteve bem protegidos, mas bom, tinha um caro no internato que eu estudava que adorava me xingar de cabeça de fósforo por conta do meu cabelo. — Sabia que Edward estava tentando aliviar a tensão, então sorri para ele.

Mudei de assunto de vez ali, passando a falar sobre as aulas que eu tinha tido aquela manhã, ainda que não fosse o papo mais legal de se ter. Logo, já que estávamos em uma Ferrari rápida, chegamos ao centro de lojas no ponto mais caro de Seattle.

Edward nos guiou para um estacionamento particular, onde eu sabia que seria seguro deixar o carro. A arma no porta luvas foi trancada ali com uma chave que Edward tinha no bolso, ele nem conseguiu olhar para mim enquanto fazia aquilo.

Mais uma vez abriu a porta do banco do carona, me ajudando a deixar o carro. Não soltei minha mão da sua em nenhum momento enquanto caminhávamos pela rua até chegarmos a joalheria que ele queria me levar, estava fechada, mas a fachada já indicava a quem pertencia.

Denali era o nome tido ali, anunciado mais uma família de grandes posses, lançando mais um de seus patrimônios.

— Acho que já ouvi esse nome em algum lugar — comentei, enquanto Edward batia na porta de vidro.

— Com certeza ouviu relacionado a Irina Denali — ele sussurrou. — Era a filha mais velha dos Denali, atriz, ela morreu em um acidente de carro uns dois anos atrás.

— Ah sim, ela mesma — concordei rapidamente. — Lembro-me de ter visto alguns filmes dela.

— Irina era uma pessoa bacana. — Edward deu um sorriso triste, então a porta abriu, revelando uma garota alta e loira.

— Edward! — A garota abraçou Edward, pegando Bella de surpresa, que teve de solta a mão dele. — Pensei que não iria chegar hoje, estava para mandar o FBI atrás de você — ela falou, rindo suavemente.

— Não seja exagerada, Tanya. — Edward riu também. — Essa é a Bella — falou quando o abraço entre ele e a tal de Tanya acabou.

— Oi Bella, parece que já lhe conheço há séculos! — Tanya exclamou, me abraçando também, o perfume dela pareceu entrar todo em meu nariz.

— É...Oi.

— Bella, essa é Tanya Denali, gerente dessa humilde loja — Edward falou, arrancando uma gargalhada de Tanya.

— Vamos entrar. — Tanya segurou na mão de Edward, o puxando para dentro, me fazendo ser obrigada a segui-los.

Como era de se esperar, o local parecia saído direto de um conto de fadas. Todo trabalhado em tons de dourado, parecia reluzir. As joias ainda não estavam ali, mas já era possível imaginar como ficariam lindamente expostas naquelas vitrines.

— Gerente? Você não é muito nova para um cargo desse? — me atrevi a perguntar para Tanya, que trocou um rápido olhar divertido com Edward.

— Bom, minha família quer que eu largue as passarelas e tenha um trabalho decente, escolheram me prender aqui nessa loja — Tanya contou.

— Tanya era modelo — Edward esclareceu.

— Claro — murmurei para mim.

Alta, magra, loira, olhos claros. Era de se esperar que Tanya Denali era modelo, eu me senti mais do que nunca desarrumada por estar na presença daquela mulher, que devia ser pouco mais velha do que eu.

— Aceitam champanhe? — ela perguntou, já seguindo até um frigobar e tirando uma garrafa lá de dentro. — Desculpem se esse não é o do melhor, ainda não acertei com esse lance de bebida para cá — comentou, servindo três taças de champanhe, Edward foi ajudá-la.

Aquilo parecia brincadeira, sério que eles iam beber champanhe em plena segunda-feira à tarde?

— Aqui Bella. — Tanya entregou a mim uma taça, ela era tão sorridente que me deixava irritada. — Ela é linda, Edward! — exclamou me pegando de surpresa, eu tinha certeza de que corei com aquilo.

— Você...

— Tanya e eu somos amigos desde crianças — Edward respondeu minha pergunta muda. — Contei a ela sobre você logo depois que nos conhecemos no casamento de Alice.

— Sobre isso eu devo dizer algo — Tanya começou a falar. — Você deveria ter ficado conosco lá Bella, o champanhe era de muito bom gosto — disse bebericando sua taça.

Dei um sorriso amarelo para ela, como eu poderia acreditar que ela e Edward eram apenas amigos? Como alguém podia ser só amigo de uma pessoa tão linda quanto Tanya, eu podia imaginar todos os homens caindo aos pés dela.

— Tudo bem, vamos falar sobre o trabalho! — Tanya disse empolgada, deixando sua taça de lado. — Venham comigo, lindos. — Seguiu para um escritório nos fundos da loja, Edward foi comigo até lá, segurando minha mão, ainda bebendo seu champanhe.

Tanya sentou atrás de uma mesa de mogno, indicando que Edward e eu sentássemos diante dela. Ainda sorrindo como se tudo fosse muito divertido, Tanya voltou a falar:

— Então Bella, o trabalho é para minha assistente. Eu estou caindo de cabeça nessa história de ser gerente de algo, então preciso de uma pessoa que seja meu braço direito.

— Que a impeça de comprar champanhe ruim — Edward brincou, ganhando um olhar feio da suposta amiga.

— É sério Bella, eu prometo pagar bem e ser uma ótima chefe — Tanya disse. — Só preciso que aceite o cargo e me ajude em tudo. Tenho que organizar o lançamento da nova linha, a que vai ser vendida exclusivamente aqui, assim como a inauguração da loja. Vai acontecer no mesmo salão de festas que ocorreu o casamento de Alice, até agora só decidi isso. E já é no mês que vem, então preciso de toda ajuda possível para não surtar.

— Entendo.

— Que bom que entende. — Ela se curvou sobre a mesa, os peitos que eram absurdamente maiores que os meus, parecendo mais com o movimento graças ao decote do vestido que ela usava. — Pode começar a trabalhar amanhã mesmo?

Coloquei a taça de champanhe que eu tinha, intocável, sobre a mesa. Eu realmente precisava de um emprego, mas ainda não estava confiante de que aquele era o melhor trabalho para mim.

— Posso pensar um pouco mais? — perguntei.

— Claro — Tanya concordou. — Pronto, já pensou o suficiente? — perguntou em desespero poucos segundos depois. — Eu realmente preciso de ajuda Bella, tenho vendedoras, meus pais, o pessoal que vai me ajudar a organizar o evento, mas quero alguém que possa confiar ao meu lado para tudo isso.

— Confiar? Você acabou de me conhecer — falei incrédula.

— Se Edward confia em você, eu também confio — ela afirmou, séria.

Olhei para Edward, que olhava para mim, sorrindo docemente.

— Tudo bem, eu aceito o emprego.

Claro que parte de mim estava terrorizada com aquilo, mas era bom saber que eu tinha outro emprego logo.

Tanya voltou a sorrir, deu um pulo de sua cadeira, contornou a mesa e me puxou para que eu ficasse de pé, então me abraçou. Precisei de algum tempo para retribuir o abraço, mas uma vez sendo atingida pelo caro perfume da loira.

— Obrigada Bella, você não sabe o quanto me deixa feliz por estar me ajudando.

— Eu que agradeço pelo emprego — falei, finalizando o abraço. Tanya sorriu para mim, então se virou para Edward.

— Se você não pedir Bella em namoro, Cullen, eu peço.

Corei com aquilo, querendo enfiar minha cabeça em um buraco no chão.

— Tanya, não seja indiscreta — Edward pediu, levantando-se também. — Bella, preciso saber sua resposta.

— O quê? Sobre o que? — perguntei aflita, ele estava mesmo me pedindo em namoro.

— Sobre o jantar com meus pais — ele respondeu, contendo uma risada do pavor em meu rosto.

— Ah isso, claro — falei, desviando o olhar dele.

— Você recebeu um convite para jantar com os Cullen? — Tanya questionou. — E está considerando se vai ou não? Olha Bella, você é mesmo uma garota durona!

— Obrigada, eu acho.

— Mas por que você não vai? Esme e Carlisle são pessoas bacanas, você tem sorte de Alice não estar na cidade, com ela você deve desmarcar todos os jantes possíveis.

Me surpreendi por Tanya estar falando daquela forma da irmã de Edward, principalmente na frente do mesmo, que não parece nada contente com o que a amiga disse.

— Tanya...

— Admita, sua irmã é uma vaca — Tanya disse, parecendo furiosa.

— Tanya só diz isso porque ela e Jasper namoraram antes dele e Alice — Edward me contou, ganhando um soco no ombro de Tanya. — Ai! — resmungou.

— Não namorei Jasper — Tanya disse diretamente para mim. — Nós dois só nos envolvemos algumas vezes, mas não é por isso que odeio Alice, ela é mesmo uma vaca, só Edward não enxerga isso.

— Tudo bem Tanya, guarde seu ódio para outro momento — Edward pediu. — Então Bella, vai jantar comigo e com meus pais?

— Tá, eu vou! — aceitei, tomando uma lufada de confiança ao dizer aquilo. Os pais dele não poderiam mesmo ser monstros, eu poderia até mesmo me divertir durante o jantar e aquilo parecia importante para Edward.

— Isso, maravilhoso! — ele exclamou contente. — Vamos, assim chegamos antes deles no restaurante.

— Ah não Edward, eu preciso que me leve de volta para a Universidade, preciso trocar de roupa, não estou nada apresentável.

— Mas você está linda assim — ele disse.

— Edward...

— Eu tenho algumas roupas aqui — Tanya disse, apontando para um armário ali no escritório. — Sou mais alta do que você, mas tenho certeza de que te arranjo algo, você pode vestir algo e ir direto daqui. — Ela sugeriu.

— Sério? Faria isso por mim.

— Sou uma chefe descolada. — Tanya piscou para mim. — Saía Edward, vamos ter um momento de meninas. — Tanya o tirou de dentro do escritório.

Tanya caminhou até o armário, tirando algumas roupas de lá, as avaliou por alguns instantes, até que decidiu ficar com um vestido vermelho vibrante, devolvendo o restante para o armário.

— Esse aqui vai dar em você — Tanya disse, o colocando na frente do meu corpo e confirmando sua suposição. — Mas eu precisarei fazer uma pinça no busto, eu tenho mais peito que você.

— Percebe-se — comentei, a fazendo rir.

— Não ache isso bacana, às vezes é um tormento — Tanya disse, indo buscar uma caixinha de corte e costura atrás de sua mesa. — Pode vestir, quero ver o quanto devo diminuir.

— Claro, onde é o banheiro?

— Ah Bella, me poupe, eu não vou lhe atacar — Tanya revirou os olhos. — Já fui modelo, cansei de ver outras garotas sem roupa. Vou ficar de costas se isso lhe ajudar.

— Obrigada, ajuda sim.

Eu não estava com medo dela me atacar, mas estava super desconfortável em ficar só de roupa intima na frente que tinha acabado de conhecer e que era milhões de vezes mais bonita do que eu. Comecei a tirar minha roupa quando ela se virou, então aproveitei o momento para perguntar:

— Há quanto tempo conhece Edward?

— Como ele disse, desde crianças. Edward é meu melhor amigo, sempre esteve ao meu lado. Até mesmo fomos para o mesmo internato em Boston, lá conhecemos o Jasper, o pobre marido de Alice Cullen.

— Por que a odeia tanto? — perguntei. — Pode virar, já coloquei o vestido.

Tanya se virou, já indo em direção ao local que iria reduzir o vestido, que era até mesmo simples e sem grande decote. Por sorte tinha duas alças e chegava até meus joelhos, era um vestido lindo e eu suspeitava que caro, o que me aterrorizou por um instante.

— Alice Cullen, ou agora Cullen-Whitlock é uma garota perversa — Tanya murmurou, começando a fazer marcações no vestido. — Sério, desde criança. Parece que ela é descendente direta do próprio capeta. — Foi impossível não rir ao ouvir daquilo. — Pode tirar, já posso costurar. — Tanya se virou mais uma vez, tirei o vestido, vesti minhas roupas novamente e o entreguei para ela.

— Obrigada por tudo isso Tanya, você parece ser alguém legal.

— Eu tento ser — ela disse, começando a costurar a roupa. — Sabe, estou fazendo tudo isso para agradar meus pais, não tem sido anos fáceis para nós.

— Edward me contou sobre sua irmã, eu tinha visto alguns trabalhos dela. — Sentei junto a ela.

— Irina era alguém muito especial para mim — Tanya falou, vi seus olhos encherem de lágrimas. — Mas nossos pais não apoiavam a carreira de atriz dela, ela saiu muito cedo de casa para viver o sonho que tinha, então aconteceu o acidente e tudo morreu com ela. Tenho outra irmã, Katrina, é alguém maravilhosa também, mas ela já é casada e mora com o marido na França. Então meus pais jogaram tudo em cima de mim, sou de certa forma a única herdeira deles, sendo assim eu devo me interessar sobre os negócios da família.

— Como Edward.

Tanya me olhou, parando de costurar.

— Como Edward — entoou o que eu disse. — Acho que esse é um dos motivos que faz de nós dois grandes amigos, somos parecidos.

Assenti, deixando com que ela voltasse a costurar. Ficamos em silencio até que ela terminasse, então ela se virou novamente para que eu pudesse me vestir.

— Infelizmente não tenho nenhum sapato que dê em você, seu pé é bem pequeno — ela comentou. — Mas posso fazer uma maquiagem.

— Ah não, isso não. — Recusei. — Acho que só o vestido está bom, mas pode prender meu cabelo em um rabo de cavalo mais alto, o meu sempre desamarra.

— Claro — Tanya concordou, me fazendo sentar e fez aquilo rapidamente. — Bella, eu tenho que ser sincera com você — ela disse quando acabou.

— Pode ser, eu agradeceria muito isso — falei nervosa.

— Edward é uma pessoa incrível, talvez a pessoa mais incrível que você e eu já conhecemos e vamos conhecer em toda nossas vidas. E pelo que conheço do meu amigo, sei que ele gosta mesmo de você, ainda que tudo isso esteja parecendo rápido e intenso demais. Mas, pode ser complicado para vocês dois, por inúmeros motivos. Então se gosta mesmo de Edward, não se deixe abalar pelo que os outros digam, okay?

Foi ali que me rendi, Tanya não era uma má pessoa. Não era o esteriótipo de garota rica que só queria pisar nos outros, eu podia confiar nela.

— Okay. — Assenti, ganhando mais um abraço de Tanya aquele dia. — Aqui. — Me entregou uma sacola com minhas roupas. — Sei que você estuda, então pode vir trabalhar na parte da tarde sem problemas. Meus números. — Passou seu cartão para mim. — Caso precise me ligar antes de vir trabalhar, prometo ser flexível com seus horários e amanhã assinamos o contrato.

— Perfeito. Obrigada Tanya, sinceramente. Pelo emprego, a ajuda com o vestido e ter sido sincera sobre Edward.

— Eu disse, ele é meu melhor amigo, então se ele gosta de você, vai ser minha amiga também. Agora é melhor ir, os Cullen detestam atrasos.

Concordei, saindo com ela do escritório e encontrando Edward bem entediado do lado de fora.

— Vamos Edward, tire essa expressão de morte do seu rosto — Tanya mandou. — Bella não está linda? — A loira segurou em minha mão, fazendo com que eu desse uma voltinha.

— Ela sempre está linda. — Edward sorriu para mim. — Pronta?

— Não, mas vamos lá.

Nos despedimos de Tanya, então seguimos de volta para a Ferrari. Até a metade do caminho, consegui manter uma conversa estável com ele, falávamos sobre Tanya, o quanto os dois mais Jasper odiavam ter estudado em um colégio interno. Mas, depois de um tempo fiquei muda, ansiosa demais para falar qualquer coisa.

O restaurante era chique, como eu devia ter previsto. E senti muita vergonha quando a hostes olhou com cara de reprovação para mim, não sei se pelo meu cabelo, rosto sem maquiagem, ou pelos tênis sujos. Quem sabe ela só não entendesse como alguém como Edward estava fazendo com alguém como eu. Talvez na situação dela eu tivesse olhado com a mesma expressão.

— Sigam-me, o senhor e a senhora Cullen já chegaram.

Edward não pareceu nada contente com aquilo, mas não deu para trás como pensei que faria. Fomos atrás da mulher para dentro do salão que abrigava o restaurante, mas não paramos em nenhuma mesa ali, seguimos para o segundo andar, onde ela abriu uma porta revelando uma sala.

E lá estavam Carlisle e Esme Cullen, os pais de Edward. Que não pareceram nada felizes em me ver, na verdade eu podia sentir o ódio exalando dos dois. Foi ali que percebi algo, algo que Tanya estava muito enganada, Alice não era a única descendente do diabo naquela família.

Soube então, que eu estava cavando minha própria cova. Ainda assim, quando Edward olhou para mim, algo em seus olhos verdes não me deixaram desistir. Não desistir do jantar, mas desistir dele. Eu seguiria o conselho de Tanya.

Notas finais
O que acharam gente? Achando Tanya falsa, verdadeira? Contem-me nos comentários, por favor. Até mais, beijos! Lola Royal. 12.03.16