Moon River
28 Capítulo Vinte e Três
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Três —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
A campainha tocava insistentemente, Renesmee remexeu-se ao meu lado, puxando um travesseiro para cima de sua cabeça a fim de poder abafar o barulho. Eu não fazia ideia de quem era tão insistente, principalmente às seis da manhã, mas precisava mandar a pessoa para um lugar bem longe por me acordar tão cedo, então sai da cama, bufando de raiva.
Abri a porta com fúria, encontrando Edward do lado de fora, segurando uma caixa com três copos de café. Ele parecia ter saído de uma revista de moda, com seu terno bem passado, seu cabelo cheio de gel e um sorriso cheio de dentes perfeitinhos.
— O que está fazendo aqui? — O deixei entrar. — São seis da manhã.
— É, isso é muito cedo? — ele perguntou, me seguindo até a cozinha.
— Fodidamente cedo, Edward — esbravejei. — Renesmee e eu deveríamos estar acordando daqui a uma hora, apenas.
Ele depositou os cafés sobre a mesa.
— Desculpe-me, é que eu pensei em levar Renesmee a escola. Eu tinha de acordar as seis no internato, pensei que a esse horário ela já estaria se arrumando para sair.
— Errou — resmunguei, encarando os cafés.
— O seu é esse. — Ele apontou para um dos copos. — Tem bastante açúcar como você gosta.
— Valeu — agradeci, pegando o café para beber de uma vez, já que não voltaria a dormir mesmo. — Sua irmã esteve aqui ontem — disparei assim que lembrei, vi os olhos de Edward se arregalarem.
— O quê? Alice?
— Bom, a não ser que tenha outra irmã, sim, Alice. Ela veio aqui falando merda como sempre, só para mantê-lo atualizado, eu duvido muito que Renesmee vá algum dia gostar dela.
— Merda, Alice não deveria chegar perto de Renesmee ainda! — Edward exclamou irado. — Ela fez algo de grave?
— Agiu como Alice, acho que isso é o suficiente. — Dei de ombros.
— Desculpe Bella, eu não podia deixar isso acontecer. — Edward suspirou. — Os jornalistas ainda estão ai fora, minha presença aqui vai ser maravilhosa para eles, então desculpe por esse tumulto também.
— Okay. — Olhei para baixo, vendo minhas pernas de fora no short do pijama, pernas tão brancas que pareciam pertencer a um urso polar. — Eu...Vou acordar Nessie — gaguejei, me dando conta do estado que me encontrava, de pijamas, descabelada e provavelmente com mau hálito matinal.
Edward concordou com um aceno de cabeça, me deixando ir.
— Renesmee, acorda, seu pai está ai! — Puxei o travesseiro de seu rosto, ela abriu os olhos, virando-se para o relógio sobre a mesinha de cabeceira.
— São seis da manhã, ele tem o que? Noventa anos para estar acordado a esse horário.
— É, Edward tem uma alma velha. Eu vou me arrumar, vá lá se entrosar com ele.
Ela bufou, mas saiu do quarto, reclamando consigo mesma.
***
Quando voltei a cozinha, Renesmee estava dormindo com o rosto sobre a mesa. Edward ao lado dela afagava seus cabelos, enquanto a olhava admirado. Aquilo daria uma boa foto, então saquei meu celular do bolso da calça jeans, os fotografando, minha presença então foi notada por ele, que olhou para mim, ainda sorrindo.
— Ela bebeu dois goles do café, falou algo sobre ser irracional acordar cedo, então dormiu ai mesmo — ele disse, parecendo deslumbrado, eu o entendia. Qualquer coisa que Renesmee fazia iria surpreendê-lo, ela era totalmente novidade no mundo dele.
Eu sorri, ajoelhando-me ao lado da cadeira de Renesmee, afagando seu cabelo também.
— Filha, você tem de acordar, vá logo arrumar-se para aula. Vou preparar algo para você comer.
Ela se remexeu, então abriu os olhos, me encarando.
— Oi mamãe.
— Oi, meu amor! — Beijei a ponta do seu nariz. — Banho, agora, entendido? Vista roupas quentes, está frio. Não se esqueça de colocar o colírio, você não deve ter colocado ontem. E, beba um pouco de xarope, não quero que acabe com a garganta inflamada no frio.
Renesmee assentiu, levantando-se e rastejando para fora da cozinha.
— Você é uma mãe incrível — Edward disse, enquanto eu me movimentava pela cozinha para preparar waffles para Nessie.
— Eu tive de ser — sussurrei, escondendo meu rosto atrás da porta do armário para ele não me ver quase chorando. — Ela só tinha a mim.
O ouvi pigarrear.
— Colírio? Xarope? Algo que eu deva me preocupar?
— Nada sério — respondi, fechando o armário. — Ela só tem muita facilidade em ficar gripada com tanto frio, como o de hoje. E o colírio é para isso também, ela fica com os olhos ressecados.
— Eu também — Edward murmurou.
Olhei para ele.
— Ela puxou tudo de você, não é? — Balancei a cabeça incrédula. — Por todos esses anos, era como ter uma versão sua junto de mim. Os olhos, os cabelos, a curiosidade dela, o jeito sonhador. Bom, pelo menos o jeito sonhador e curioso que você tinha, antes de tudo.
Fui fazer os waffles.
Renesmee não demorou a voltar, mas logo que repassei a lista do que ela devia ter feito, a garota voltou para o banheiro para poder colocar o colírio e tomar o xarope, voltando nada contente por a manhã não estar sendo muito propicia para ela e, ainda nem era sete da manhã.
— Edward quer levá-la a escola — anunciei, colocando os waffles dela em um prato e, os meus em outro, eu estava sendo infantil em não fazer para Edward, mas era minha forma de ficar irritada com ele sem chutá-lo ou coisa parecida.
— Você tem uma limusine, ou algo do tipo? — ela perguntou curiosa. — Ou vamos de helicóptero? — brincou.
— Não, o helicóptero é do seu avô — Edward brincou, mas no fundo eu sabia que era super possível Carlisle ter um. — O máximo de luxo é ter um motorista.
— Um motorista, ou um segurança? — perguntei, sabendo muito bem os códigos que ele usava.
— Segurança — Edward confessou.
— Sério, você precisa andar com um segurança de um lado para o outro da cidade? — Renesmee perguntou surpresa.
Edward e eu nos entreolhamos por um segundo.
— A nossa família recebe algumas ameaças — ele contou bem desconfortável.
— Ameaças? — Renesmee arregalou os olhos, olhando sugestivamente para mim, a minha fala para Alice na noite anterior fazendo sentido, apenas balancei a cabeça, a deixando saber que ainda não era momento para aquilo.
— Sim, a recebemos desde muito tempo, eu era uma criança quando aconteceu. — Edward encarava a mesa. — Não é algo que deva se preocupar, mas eu ficaria muito mais calmo se você começasse a ir para a escola com seu próprio segurança — ele completou, arrancando uma gargalhada de Nessie.
— Isso é uma péssima ideia — ela declarou.
— Edward pode te levar a escola toda manhã, então — sugeri, ganhando um olhar traído de Renesmee.
— Não mamãe, isso é ridículo.
Eu também acharia, em outros tempos, mas não quando era a segurança dela em pauta.
— Desculpe, Nessie, mas não é — afirmei. — É uma boa ideia, não é? — perguntei a Edward. — Você poderia buscá-la e deixá-la na escola todos os dias?
— Claro, isso é bom, talvez não o suficiente, mas podemos lidar assim por hora — ele disse.
— Vocês só podem estar brincando com a minha cara, eu posso muito bem ir e voltar sozinha da escola. Ou, com Riley. Não preciso de um guarda costas e de um carro que é provavelmente blindado.
Edward franziu os lábios, eu logo percebi que o carro era realmente blindado.
— Riley é seu sobrinho, não é? — Me perguntou, assenti. — Eu posso ir buscá-lo também, não é problema.
— Não, não! — Renesmee exclamou. — Eu não vou ser ameaçada de nada, parem com isso — pediu.
— É para seu bem, filha. — Apontei para os waffles para que ela comesse. — Além do mais, você quando criança sempre reclamava que não ia para a escola com seu pai.
— É, talvez, por você ter mentido sobre o óbito dele! — Renesmee levantou seu tom de voz.
— Renesmee! — Edward chamou a atenção dela, o que me surpreendeu, mas pareceu surpreende-la ainda mais. — Não fale com sua mãe assim, é rude.
Ela abriu a boca para protestar, mas ainda parecia chocada demais para dizer qualquer coisa.
— Okay, então você vai conosco também — Nessie disse para mim um tempo depois, a encarei incrédula, a garota sabia como virar o jogo.
— Eu não preciso de carona — afirmei.
— Vamos mamãe, é para sua segurança! — Nessie fingiu falsa empolgação.
— Eu também acho, Bella — Edward se pronunciou, evitei até mesmo o olhar. — Só por essa semana, enquanto tudo ainda está uma loucura.
— Que seja! — Bufei.
***
O número de jornalistas do lado de fora do apartamento tinha crescido em boa quantidade, assim que aparecemos na frente do prédio, os flashes das câmeras começaram, assim como os gritos. Os seguranças contratados por Edward continuavam ali, assim como a polícia que fazia um cordão de isolamento.
O carro preto pertencente ao Cullen estava estacionado bem na entrada do prédio, mas até chegarmos lá tivemos de ouvir os jornalistas e suas perguntas irritantes. Segurei na mão de Renesmee, vendo Edward segurar nos ombros dela, a guiando até o carro. Ela entrou primeiro, então eu e por último ele. Fiquei com a missão de dar o endereço para os dois seguranças nos bancos da frente.
— Sabe, eu quis ser famosa — Renesmee comentou quando o carro começou a andar. — Mas, quando tinha uns seis anos de idade e pensei que era bacana, depois disso, não mesmo.
Eu sorri para ela, afagando sua mão.
— Sinto muito, Renesmee — Edward ao meu lado disse, mexendo em seu celular. — Vou dar uma prensa na polícia, esses jornalistas abutres tem de sair daí logo, já ultrapassaram os limites.
— Sabe, você pode me chamar apenas de Nessie, Edward — Renesmee falou. — E, ei, já que estamos aqui, deixe-me criar seu Facebook! — Ela estendeu a mão em direção ao celular dele. Edward o entregou para ela, que cerca de dois minutos depois já tinha criado a rede social dele. — Bem vindo ao século XXI. — Devolveu o celular a ele.
— Obrigado! — Edward agradeceu rindo, mexendo no Facebook que era novidade para ele. — Sem fotos de pés, não é? — perguntou para mim, seu hálito gelado batendo em minha orelha.
— É — murmurei, me remexendo no banco para ficar mais próxima de Nessie.
— Tudo bem, mãe? — ela perguntou, distraída com seu próprio celular.
— Sim — continuei murmurando. O celular dentro da minha bolsa tocou, o peguei, vendo uma solicitação de amizade de Edward no Facebook. — Sério? — perguntei o encarando.
— Sem fotos de pés, eu juro. — O sorriso dele era tão bonito que eu me vi obrigada a sorrir de volta, então, aceitei sua solicitação de amizade.
A escola de Renesmee era mais perto do que o prédio do jornal que eu trabalhava, então a primeira parada foi para deixá-la lá. A garota me deu um beijo no rosto, bateu na mão de Edward em um cumprimento que ele levou algum tempo para entender, depois saiu do carro, prendendo o casaco em volta de seu corpo.
Afastei-me até o outro lado do carro, ficando bem longe de Edward, pelo menos o que era possível ali dentro. Fiquei encarando a parte de trás da cabeça do motorista/segurança — sentindo Edward me encarar por todo esse tempo — até o carro parar diante do meu local de trabalho, peguei minha bolsa, estrategicamente colocada entre o Cullen e eu no banco, então abri a porta pronta para ir embora, até ele segurar em meu braço.
— Bella — ele sussurrou, fazendo com que eu o olhasse. — Tenha um bom dia — desejou.
— Obrigada, você também — sussurrei de volta, com meus olhos presos em sua mão envolta do meu braço protegido pelo casaco. — Edward você precisa me deixar ir.
— Eu sei. — Ele me soltou. — Só é difícil — murmurou enquanto eu saía do carro.
Foi inevitável que uma boa parcela de pessoas na redação que eu trabalhava não olhassem para mim quando cheguei ali, logo me escondi atrás do meu computador, querendo-me tornar invisível para todas elas. Já bastava os jornalistas diante minha casa, não queria ter de lidar com mais aqueles no meu ambiente de trabalho.
— Bella? — Bree a secretária de Sulpicia veio até mim em minha mesa. — A chefe quer falar com você, lá na sala dela. Agora. — Anunciou, parecendo nervosa.
— Merda! — praguejei, me levantando imediatamente. Eu tinha faltado o dia anterior, depois meu rosto estava estampado em metade de jornais e revistas, tanto online quanto físicas pela cidade, Sulpicia devia estar possessa com a falta de informações. — Hey, olá, Sulpicia! — exclamei forçando um sorriso quando abri a porta de sua sala depois de bater.
Ela falava ao telefone, parecendo tão brava que pensei que eu seria demitida ali mesmo. Então, ela desligou e abriu um imenso sorriso para mim.
— Bella, você é uma estrela!
— Sou? — perguntei confusa, indo me sentar.
— Acredite, é, tem pelo menos meia hora que não paro de receber telefonemas de outros jornalistas querendo uma entrevista exclusiva com a mãe da filha de Edward Cullen — Sulpicia disse.
— Ai que merda — resmunguei.
— Não se preocupe, estou recusando todas — ela falou, sentando-se também.
— Sério?
— Claro, sou sua chefe, não sua dona para obrigá-la a dar uma entrevista. Além do mais, sei que a situação não deve estar muito das melhores para você, então não se preocupe que da minha boca não sai nada. Mas, é claro, você precisa ser forte, os jornais, os sites, todos vão deixá-la louca, afinal...
— Sou a mãe de uma Cullen — completei sua frase.
— Isso! — Sulpicia concordou. — Como Renesmee está com isso? — ela perguntou. — É uma garota tão boa.
— Ela reagiu tão mal quanto o esperado no começo, você deve ter visto as fotos da gente saindo da delegacia, ela fugiu e eu quase enfartei. Mas bom, ela está sendo paciente agora, talvez possa até dizer que ela e Edward estão se entendendo.
— Queria dizer que se precisar de qualquer coisa, eu estou aqui, okay Bella? — Sulpicia olhou com cumplicidade para mim. — Sério, eu posso desde te liberar para ir tirar Renesmee de alguma encrenca, a te deixar fazer um pronunciamento público mandando todos esses jornalistas de quinta te deixarem em paz.
— Obrigada Sulpicia, obrigada mesmo — agradeci. — Por enquanto estou bem, vou voltar ao trabalho, tirar minha cabeça dessa confusão por um tempo.
— Ótimo! — ela exclamou. — Quero duas matérias no meu e-mail em uma hora, algo que possa colocar no site ainda hoje.
— Mas, duas matérias é muito para uma hora — contestei.
— Bella, você é minha protegida, sabe eu simpatizei com você e Ness. Meus filhos também, mas isso não vai me fazer mudar de pedido, duas matérias em uma hora, sei que consegue. — Piscou para mim.
— Isso é abuso — reclamei brincando, me colocando de pé.
— Vá trabalhar! — Sulpicia ordenou rindo.
***
Estava quase saindo para almoçar quando meu celular tocou indicando que eu tinha uma nova mensagem.
Tanya: Podemos almoçar juntas? Estou em um restaurante grego na esquina do seu trabalho, consegui uma mesa bem reservada para nós duas.
Bella: Estou indo para ai.
Eu queria muito falar com Tanya, então a mensagem dela veio em boa hora. Logo sai do jornal, conseguindo chegar ao restaurante sem nenhum jornalista de outro local querendo falar comigo, eu continuava recebendo ligações e mensagens deles querendo pelo menos uma entrevista por ligação comigo.
— Oi Bella! — Tanya exclamou quando entrei na cabine do restaurante. — A comida daqui é péssima, mas teremos privacidade — falou indicando que eu me sentasse e, foi o que fiz, pegando um pedaço do pão que ela comia.
— Minha filha fugiu, Alice apareceu na minha casa, minha mãe já sabe toda a verdade e, ainda é terça-feira — falei, bufando.
— Sinto muito — Tanya disse. — Quer champanhe? — indicou sua taça.
— Não é muito cedo para beber? — a questionei.
— É, claro que é — Tanya afirmou. — Não me orgulho disso, mas tem sido difícil não beber — falou.
— Você não está bem, não é?
— Algum de nós está, Bella? — Tanya inquiriu. — Sei que não sou a peça principal dessa história, mas estou no meio dela também. Jantei com meus pais ontem, foi uma merda, eu tive de ouvir tantas barbaridades deles.
— Sinto muito — foi minha vez de dizer.
— Eles não entendem, que eu possa ter minha própria vida. — Ela serviu-se de mais champanhe. — Que eu queria ter sido mesmo uma modelo, não apenas a dona de uma agência que eu nem sei cuidar direito, eu odeio aquela agência.
— Você e Edward nunca foram bons empresários. — Continuei a comer os pãezinhos.
— Bella, Bella — Tanya entoou meu apelido, saindo de seu lugar para me abraçar, foi quando percebi que ela já estava bebendo por um bom tempo. — Desculpe não ter descoberto durante todo esse tempo quem fez aquilo com você, eu fui uma péssima amiga. Casei com Edward, estive no meio dos Cullen, ainda assim nunca soube quem tinha feito aquilo.
— Tanya, não é sua culpa — falei.
— Eu entrei com o pedido de divórcio hoje — ela falou, afastando-se para poder me olhar. — Eu nunca deveria ter me casado com Edward. Fui uma babaca casando com ele, vocês dois que deveriam estar juntos.
Aquilo me deixou em pane.
— Você e Edward estão se divorciando?
— Você não percebe? — ela pegou o pãozinho da minha mão. — Edward e eu só estivemos juntos por conta de status, para tirar nossas famílias de nossas costas, nunca houve amor romântico entre a gente. Bella, Edward te ama e, eu só vou me sentir bem de novo quando ver vocês dois juntos novamente.
— Tanya, eu nunca mais ficarei com Edward — falei.
— Bom, então eu nunca mais vou beber, mas sabemos o quão grande é essa mentira. — Ela engoliu um grande pedaço do pãozinho, junto com um gole de champanhe.
***
O restante da semana foi focado no trabalho para mim, eu literalmente passava o dia inteiro trabalhando, até mesmo ao caminho do jornal enquanto estava na carona com Edward, que eu continuava tendo que participar graças à insistência de Renesmee. Foi produtivo de qualquer forma e, me fazia não ficar prestando tanta atenção no Cullen, ou pensando no fato dele e Tanya estarem se divorciando.
Quando a sexta-feira chegou, os jornalistas foram embora. Não tinham conseguido nenhuma entrevista de ninguém e, Edward foi útil conseguindo com a polícia uma proibição para que eles se instalassem diante nosso prédio. Demorou, mas eu não podia culpá-lo sabendo da liberdade que a imprensa possuía.
— Mamãe? — Renesmee entrou gritando no apartamento de tarde, depois de voltar da escola.
— Cozinha — gritei de volta, apagando um parágrafo inteiro de um artigo.
— Por Deus, mãe, eu só a vejo com a cara enfiada nesse notebook — ela falou, jogando sua mochila sobre a bancada.
— É, então seja rápida. — A olhei. — Está com cara que vai me pedir algo, nada de festas.
— Na verdade é um jantar — ela falou, pegando uma maça na fruteira.
— Com Alec? — perguntei, deixando um sorrisinho surgir em meus lábios. — Você está indo em um encontro?
— Não, nada disso — ela negou rapidamente, as bochechas corando. — Nada de encontro. E, por favor, eu não estou com Alec, nem nada disso. — Ela corou ainda mais, com certeza mentindo sobre aquilo, mas revelei por hora.
— Com quem então?
— Com Edward.
— Ah é claro. — Revirei os olhos.
Edward e Renesmee estavam sempre juntos, pelo menos pelos seus aparelhos celulares. Ele ia todo dia deixá-la e buscá-la na escola, mas estavam sempre trocando mensagens e até mesmo conversando pelo Skype, na verdade Renesmee estava empenhada em ensiná-lo a ser um homem moderno e, eu tinha de admitir que estava ficando com ciúmes dela conversando mais com ele do que comigo.
— Eu pensei que podíamos pedir uma pizza hoje, sabe, ver um filme — sugeri.
— Eu ia adorar, mãe — ela disse. — Mas é que contei para Edward que gosto de sushi, ele disse que também ama, então quer me levar a um restaurante excelente que conhece em Manhatann.
— Tudo bem. — Dei de ombros. — Eu tenho mesmo muito a trabalho a fazer, pode ir.
— Valeu! — Ela depositou um beijo na minha bochecha, então saiu da cozinha já ligando para Edward.
Bella: Edward está roubando Renesmee de mim.
Enviei a mensagem para Rosalie.
Rose: Deixa de ser chorona, Bella Bobona. Edward é pai dela, os dois passaram quinze anos sem saberem um do outro, deixe os dois terem um tempo juntos. Levante a bunda gorda da cadeira e vá fazer algo útil além de choramingar.
Bufei, jogando o celular longe de mim. Odiava quando ela tinha razão.
***
Quando Renesmee voltou do jantar já era meia noite, ela sorria e trazia uma caixinha com sushi em mãos. Sentou ao meu lado no sofá, a entregando para mim.
— Melhor. Sushi. Da. Face. Da. Terra. — Deixou bem claro.
— Obrigada — agradeci, começando a comer, eu também odiava quando ela ou Edward tinham razão, era o melhor sushi do mundo. — Como foi lá?
— Eu estou tão feliz, mãe — foi o que ela falou, afastei o sushi de mim, me virando totalmente para ela. Os olhos verdes tomados por lágrimas, mas o sorriso permanecia ali.
— Nessie...
— Eu sempre quis ter um pai, agora eu tenho. — Ela limpou as lágrimas com a manga da blusa. — Sei que Edward errou com você, mas...
— Você tem todo direito de gostar dele, Nessie — a interrompi. — É seu pai, você não precisa odiá-lo.
— Obrigada, mãe. — Ela me deu um abraço forte. — Eu estou tão feliz.
Renesmee se afastou de mim, ainda sorrindo.
— Vou tomar um banho, já é meia noite, mas podemos ver um filme depois, o que acha?
— Perfeito — concordei, a deixando ir.
A felicidade de Nessie me obrigou a fazer algo.
Bella: Obrigada por fazer bem a Nessie, Edward.
— Ah mamãe. — Renesmee voltou a sala, com uma cara culpada. — Nós meio que vamos jantar com os Cullen amanhã, sem problemas, não é?
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