Moon River

34 Capítulo Vinte e Sete


Notas iniciais
Capítulo totalmente dedicado paras as lindas Teresinha e Kawanne que me deram recomendações maravilhosas aqui em Moon River, muito obrigada meninas! Beijos!

— Capítulo Vinte e Sete —

— Bella —

New York – Janeiro de 2016

Não sei exatamente quanto tempo fiquei parada no corredor, recuperando-me do beijo e de tudo aquilo que tinha ocorrido aquela noite. Minha respiração continuava ofegante, assim como minhas roupas com o cheiro de Edward e minha boca com o gosto da dele.

Por um segundo sorri ao pensar nele, mas rapidamente me puni mentalmente. Eu não podia, muito menos devia ficar fantasiando com o beijo. Obviamente eu tinha retribuído e adorado, mas nós não podíamos seguir em frente com aquilo, de forma alguma.

Ajeitei minha roupa, tranquei a porta e segui para a sala, chutando os sapatos para longe. Fui até a cozinha e bebi um copo cheio de água gelada, tentando me manter calma, o que não estava mesmo adiantando.

— Pensei que você já estava em seu quarto — Renesmee comentou ao entrar na cozinha, já de banho tomado e agasalhada em seu pijama.

— É, farei isso logo. — Peguei mais água. — Eu devia ter feito isso antes, na verdade.

Renesmee me olhou confusa, pegando um pote de sorvete na geladeira.

— Está tudo bem?

— Não — neguei, tirando o sorvete da mão dela. — Tarde demais para você se entupir de açúcar, Renesmee.

— Mas...

— Sem mais. — Deixei o copo na pia. — Vá escovar os dentes.

— Já escovei.

— Vá escovar de novo, então. — Mandei. — E, depois para a cama. Edward. — Bufei ao dizer o nome dele. — Estará aqui cedo, não vai gostar de te ver reclamando por acordar antes do meio dia. Então, vá dormir logo, ou eu conto pra ele amanhã mesmo que você está tendo um namoro, ou sei lá o que, com Alec Volturi. — Pisquei para ela.

— Mamãe, isso é jogo sujo.

— Uma pena. — Peguei uma colher enfiando no pote de sorvete.

— Também está tarde demais para você tomar sorvete — ela protestou, me seguindo para fora da cozinha até a porta do meu quarto.

— Oh, acredite, estou com tanto calor que preciso de sorvete. Muito sorvete!

***

Acordei na manhã seguinte com uma bela dor de cabeça e, ainda nem era nove da manhã, o que queria dizer que eu ainda tinha a grande probabilidade de topar com Edward. Arrastei-me para fora da cama, tirando o vestido que tinha acabado nem tirando, o pote de sorvete já tinha sido finalizado e, eu tinha assistido até a metade de Titanic antes de pegar no sono, depois de amaldiçoar todos os ricaços do navio.

— Bom dia! — Renesmee saudou empolgada quando entrei na cozinha depois de tomar um banho.

— Bom dia. — Depositei um beijo em sua bochecha, aceitando o café que ela me passou, mas colocando açúcar sabendo que ela não deveria ter feito aquilo por mim.

— O que vai fazer hoje? — Nessie perguntou, concentrada no Facebook na tela de seu celular, na verdade vi que ela checava o perfil de Alec, antes de voltar para a página inicial.

— Ficar em casa, é tudo que preciso. — Tomei um longo gole de café.

— Você poderia vir conosco. — Renesmee me lançou um olhar verde esperançoso. — Edward certamente não se importaria de ter você junto da gente no passeio, além do mais, será legal, você iria gostar.

— Não, eu dispenso. — Suspirei, as imagens do beijo trocado com Edward na noite passada dominando minha mente, não que as tivesse esquecido de fato. — Você e ele precisam desse momento, eu realmente ficarei bem aqui.

— Que tal ir visitar tia Rose e tio Emm? — Renesmee sugeriu. — O jantar de ontem deve ter sido horrível para a senhora, não seria nada mal estar com gente mais legal do que os Cullen. Tia Rose e tio Emm saberão te distrair.

— Sua tia me distrair? Rosalie é a pessoa mais chata que existe, ela só me deixará mais tensa pelo que aconteceu ontem.

— O jantar e a ameaça? — Renesmee perguntou, voltando a olhar o Facebook.

— É, jantar e ameaça — murmurei, fingindo que naquele momento era o que me atormentava de fato, não eu ter beijado Edward, ele me beijado e eu sonhado com nós dois nos meus lençóis brancos.

— Analisei tudo melhor, estou mais tranquila, certeza de que ninguém vai enfiar uma arma na minha cabeça. E, os dois seguranças já estão ai embaixo desde que acordei, provavelmente Edward os mandou em plena madrugada — Renesmee disse me trazendo de volta a realidade.

— Você não vai mesmo ter uma arma em sua cabeça, antes de alguém pensar nisso eu mesmo colocarei uma arma na cabeça de alguém.

— Mamãe, esse papo todo de armas me lembra o vovô Charlie, você ainda não conversou com ele sobre tudo isso. Sei que quanto Renee descobriu ela deve ter sido ridícula com você de três mil modos diferentes, mas vovô é diferente dela, talvez esteja na hora de parar de evitar as pessoas que deixamos na costa oeste.

— Desculpa — pedi. — Mas eu ainda não estou pronta de fato para isso, Renesmee. Eu consigo evitar minha mãe, porque todo dia ela me liga, ou manda mensagens. Mas enfrentar o silêncio do seu avô é ainda pior, eu não conseguirei pegar um telefone, ligar para ele e debater sobre meu passado e como ele está nos afetando agora, não é algo que siga o estilo do Xerife Swan.

— Então você irá para Forks? — Nessie perguntou.

— Assim que possível, mas se tranquilize, Charlie não está com raiva de você, ele deve estar furioso comigo, você sempre será a garotinha dele. Mas, assim que der, eu prometo que nos coloco em um avião e iremos para Forks conversar com seu avô pessoalmente.

— Tudo bem, você tem razão. — Nessie levantou do banco, guardando o celular no bolso da calça jeans, ela usava all star e uma camiseta cinza dos Beatles também e uma jaqueta preta. — Eu preciso ir, Edward mandou uma mensagem dizendo já estar chegando. Tenha um bom dia, mãe.

— Você também, querida. — Sorri para ela. — Não saía de perto de Edward, okay? E qualquer coisa me ligue.

— Pode deixar. — Ela beijou meu rosto, então saiu do apartamento.

Eu já estava voltando para meu quarto e para a história de amor que acabou em um naufrágio, quando o meu celular tocou.

— Hey Emm! — cumprimentei meu irmão.

— O que está fazendo hoje, irmã? Renesmee me disse que você estava sozinha em casa, então Rosalie e eu estaremos indo até você com cerveja, o que acha?

— São nove da manhã.

— Vamos Bella Bobona — Emm gargalhou do outro lado da linha. — Sou seu irmão mais velho, não vou te deixar cair em uma enrascada. Cerveja e comida, você logo colocará um sorriso no rosto.

— Ai que se dane, tudo bem — concordei. — Quer dizer, acho que podemos ir para um lugar mais divertido do que esse apartamento, Emm.

— O que tem em mente?

— Tem algum jogo de beisebol acontecendo hoje?

— Vários! — Emm estava visivelmente animado com minha proposta.

— Então, irmão, vamos fazer isso!

— Cerveja, comida e beisebol! — Emmett gritou antes de desligar.

— Espero que isso tire Edward da minha mente — falei para mim mesma.

***

Rosalie e Emmett não demoraram muito a aparecer, eu disse aos seguranças que podiam ir, mas eles afirmaram que era dever deles ficarem na frente do prédio por todo tempo, a não ser que Renesmee precisasse sair com algum deles, mas naquele momento ela estava com os seguranças de Edward e eles deveriam ficar ali. Já no carro do meu irmão, ele e a esposa ouviam música alta e Rosalie se maquiava ali mesmo.

— Como foi o jantar, Bella Bobona? — Rose me perguntou, parando de passar pó compacto em seu rosto para me passar uma lata de cerveja que estava em um coler ali.

— Uma droga, mas não quero conversar sobre isso agora. — Abri a latinha, era cedo, mas eu estava com sede. — Onde está Riley? — perguntei.

— Com Alec e Jane Volturi no clube — Rose respondeu, voltando a sua maquiagem.

— Bella, meu amigo herdou ingressos vitalícios para jogos de beisebol do tio, ou algo assim dele, teremos um lugar maravilhoso para assistir o jogo de hoje! — Emmett comemorou, batucando no volante. — Pode deixar que hoje seu dia irá ser divertido.

— Divertido e cheio de músculos. — Rosalie piscou para mim pelo retrovisor.

— O que quer dizer? — perguntei sem entender, principalmente ao ver o rosto de Emmett se contrair em uma careta.

— O amigo do Emmett em questão, ele personal trainer, ou seja é mais musculoso e gostoso do que...

— Chega Rose — meu irmão pediu enciumado. — E, pare de jogar o Black no colo da Bella, nós nem sabemos se ela quer um namorado.

— No momento estou bem arrependida de não ter colocado uma roupa melhor — falei para Emmett, eu estava solteira por quase um ano e mulheres tinham necessidades também. Meu último namorado tinha sido uma advogado em Seattle, Harrison, era um cara legal, mas queria fazer planos para um futuro que eu não me via fazendo parte. — Como esse tal de Black é? — indaguei Rose.

— Bom, não muito alto, mas como falei ele é realmente forte. Tem trinta anos, mas como eu sei que você já saiu com caras mais novos isso não é um problema. É descendente de nativos americanos e, porra Bella, ele é muito gostoso.

— Rosalie! — Emmett chamou a atenção dela.

— Qual é ursão? — Rose afagou o braço do marido. — Eu sou casada, não cega, posso perceber quando outros caras são bonitos. Não se faça de santo, sei muito bem que você assiste pornografia.

Emmett ficou vermelho, então focou-se apenas em dirigir. Rosalie gargalhou alto, então começou a falar sobre sua vida, uma vez que eu estava tentando esquecer a minha por um dia que fosse.

O que foi impossível, principalmente quando Renesmee me enviou uma foto. Na imagem Edward e ela estavam deitados na grama do Central Park, ele usava óculos escuros e lia um livro, ela tinha um enorme sorriso no rosto ali e, meu peito doeu por não estar com ela, bom, com eles.

O estádio já estava cheio quando chegamos ali e, como Emmett tinha dito, o amigo dele realmente tinha lugares muito bons para ver o jogo e fomos diretamente para lá. Logo reconheci o tal Black, descendente de nativos americanos e como dito por Rosalie mais de uma vez, definitivamente gostoso.

— Hey Jacob, obrigado mesmo pelos ingressos! — Emmett anunciou ao cumprimentar o amigo com um soquinho no braço. — Bom, a Rose você já conhece. — Minha cunhada sorriu para Jacob, sem perder a oportunidade de abraçá-lo por um instante. — E, essa é Isabella, minha irmã mais nova que se mudou tem algum tempo para New York.

— Oi Isabella, seja bem vinda a New York. — Jacob, com seu sorriso doce e seus olhos escuros me abraçou por um instante.

— Por que vocês não ficam aqui enquanto Emm e eu vamos comprar comida? — Rose perguntou, mas não deu tempo para que Jasper e eu respondêssemos, ela já estava puxando meu irmão para o outro lado, prometendo trazer hot dog para Jacob e eu.

— Então, de onde conhece meu irmão? — perguntei a Jacob, sentando ao seu lado.

O estádio ia enchendo cada vez mais e músicas animadas tocavam altíssimas nos sistemas de som.

— Ah, ele malha na academia que eu trabalho — Jacob comentou, ainda sorrindo. Ele realmente tinha um sorriso tão bonito e radiante. — Está gostando de New York?

— É, não tem sido exatamente como imaginei — respondi pensando em Edward e tudo que vinha junto dele. — Mas ainda prefiro estar aqui do que em Seattle.

— Trabalha no que?

— Jornalista! — anunciei animada, meu trabalho ainda era a única coisa a me deixar sã naquela fase da minha vida.

— Uou, que legal, eu tenho uma irmã que é jornalista. Ela virou correspondente na Austrália — Jacob disse, se virando no seu lugar para poder me olhar melhor.

Os olhos dele eram tão escuros!

— Quando mais nova eu queria se correspondente também — comentei.

— Ah, isso foi tipo ontem, então? — perguntou de uma forma charmosa, querendo me chamava de jovem.

— Boa tentativa. — Eu ri. — Mas foi mesmo há mais de quinze anos atrás. Eu já tenho mais de trinta. — Choraminguei no meio do riso.

— Trinta? Sério? Eu diria que você tem vinte e cinco, no máximo.

Gargalhei, Jacob era extremamente galanteador, mas sabia brincar com aquilo para não parecer idiota como muitos caras.

— Não, mais de trinta com certeza. Eu já tenho uma filha de quinze anos, de qualquer forma. — Dei de ombros.

— Você tem uma filha? — Jacob perguntou curioso.

— Sim — confirmei. — Agora acredita que eu tenho mais de trinta? — Arqueei uma sobrancelha para ele.

— Claro que não, você realmente não tem cara de mais de trinta. Está mentindo para mim sobre sua filha, Swan? — Colocou as mãos na minha cabeça, como se fosse poder ler minha mente.

Eu sorri, puxando o celular do meu bolso e mostrando a foto enviada por Renesmee naquela manhã.

— Aqui, a prova que eu tenho uma filha de quinze anos, que me faz comprovar o fato de que eu tenho mais de trinta anos também.

Jacob analisou a foto por alguns segundos.

— E o cara com ela é o pai, certo?

— Sim — confirmei.

— Seu marido? — Jacob perguntou curioso.

Levantei minha esquerda para ele, sem aliança alguma no dedo.

— Ex marido? — Jacob voltou a sorrir.

— Swan nunca deixou de ser meu sobrenome — garanti.

— Apenas um ex namorado?

— Isso — garanti. — Mas faz muito tempo que deixamos de ser.

— É uma boa noticia — Jacob afirmou, no mesmo momento que meu irmão e Rosalie voltavam.

Ela sentou ao meu lado, depois de entregar comida e refrigerantes para mim e Jacob. Eu estava bebendo um pouco quando Rose sussurrou em meu ouvido:

— Eu tenho camisinha na minha bolsa, você poderá se divertir com o gostoso no banheiro se quiser uma aventura.

Engasguei com o refrigerante, encarando Rosalie.

— Rose!

— Ou você tira o Cullen de sua mente de uma vez por todas, ou não conhecerá um cara decente, como Jacob, melhor — sussurrou para mim.

Suspirei, sabendo que ela estava certa. Nenhum namoro meu tinha dado certo depois de Edward por conta daquele exato motivo, ele continuava em minha mente.

***

O jogo e o resto da tarde com meu irmão, Rose e Jacob foram maravilhosos. Depois do jogo fomos para um bar ali perto e jogamos sinuca e bebemos pelo resto da tarde.

No fim do dia Jacob e eu já estávamos nos tratando como melhores amigos de infância. Rindo um do outro, trocando piadas sobre Rose e Emm, como discutindo sobre a vida de famosos.

Era fácil estar perto dele, ou isso era culpa da cerveja, a questão era que eu tinha tido um excelente domingo. Em algum momento meu irmão e Rose anunciaram que precisariam voltar para casa, algo sobre terem de se curar da bebedeira antes de Riley poder jogar aquilo contra eles. Jacob sugeriu me deixar em casa depois, mas eu não queria abusar e também precisava voltar logo para o apartamento e checar se estava tudo bem com Nessie.

Então, nós nos despedimos e ele me deu seu número e me fez prometer ligar para ele em breve.

Assim que entrei em casa, ouvi risadas, então o barulho do Xbox de Renesmee tocando uma música que eu tinha quase certeza ser da Selena Gomez, ou talvez da Demi Lovato. Cheguei a sala me deparando com Nessie e Edward dançando Just Dance, ele estava totalmente travado, com o rosto corado e uma careta no rosto, enquanto ela ria bastante dele.

Recostei-me na parede, apreciando um pouco o espetáculo antes de ser descoberta.

Quando a música acabou, ainda sem que eu fosse notada ali, Edward se jogou no chão, reclamando sobre suas costas estarem quebradas e, sobre ele estar se sentindo um velho de noventa anos de idade. Os sofás e a mesinha de centro tinham sido reposicionados na sala para que eles pudessem ter espaço ali, então Renesmee se deixou cair no chão também.

— Estão pensando em virar dançarinos da Beyoncé, ou da Lady Gaga? — perguntei.

Os dois olharam para mim em sincronia, Renesmee sorrindo e Edward apenas me olhando como se eu fosse um pote de água no deserto, como se fosse sua salvação.

— Mãe, vem dançar com a gente! — Renesmee pediu, levantando do chão e vindo até mim.

— Oh, nem pensar — neguei. — Eu fui a um jogo de beisebol, então sai para beber com seus tios, não estou melhor do que o ancião ai — falei apontando para Edward jogado no chão.

— Eu não sabia que tinha tantos músculos assim. — Ele se contorceu de dor, eu ri. — Renesmee, você nunca mais irá me colocar em perigo assim, garota.

— Qual é? É apenas Just Dance! — Renesmee continuava esbanjando um contente sorriso no rosto. Passei por ela indo até o sofá, Edward não se mexeu nenhum centímetro no chão.

— Como foi o dia de vocês?

— O Central Park é maravilhoso, mas ficou entediante depois de um tempo. — Nessie foi ajudar o pai a se levantar. — Então fomos para o apartamento de Edward e ele me ensinou a jogar xadrez.

— E isso não é entediante? — Edward me olhou feio por conta da pergunta.

— Bom, é um pouco — Renesmee comentou. — Admita isso, Edward! — exclamou para ele que se sentou ao meu lado no sofá. — Ai eu o desafiei a jogar Just Dance.

— O que com certeza vai ser o caso do meu óbito. — Edward respirou fundo. — Você jogou isso? — perguntou para mim.

— Algumas vezes, mas nunca fiquei estraçalhada como você, Cullen — respondi.

— Mãe, eu tenho uma ótima noticia! — Renesmee voltou a falar.

— Qual? Você finalmente vai aprender a lavar a louça na primeira vez que eu mando? Ou vai lavar só na décima vez. Bom, qualquer uma é melhor do que nunca lavar. — Ela rolou os olhos.

— Não, é algo realmente legal. — Edward do meu lado sorriu com a fala dela.

— Diga — mandei com receio do que iria ouvir.

— Edward, sabendo da minha intenção de arranjar um emprego, sugeriu que eu fosse trabalhar com ele na empresa.

Foi como um balde de água gelada sendo jogada em meu rosto, varrendo toda a diversão do dia para bem longe.

— O quê? — perguntei alternando o olhar entre Edward e Renesmee. — O que aconteceu com a confeitaria aqui perto?

— Mamãe, eu quero me formar em marketing na faculdade, percebe como um estagio em uma empresa de publicidade me dará bons...

— Problemas? — Levantei do sofá.

— Mãe, é apenas um trabalho.

— Então vá trabalhar na confeitaria.

— Mamãe, a confeitaria seria um ótimo local para trabalhar, mas a empresa me dará muito mais experiência, pratica no que eu realmente quero para meu futuro.

— Isabella, não há problema algum em Renesmee trabalhar na empresa, eu ficarei de olho nela e...

— Não, não se meta nisso! — ordenei gritando com ele. — Você é pai dela há uma semana, eu sou mãe dela durante quinze anos. Eu não quero Renesmee trabalhando naquela droga de empresa, a minha vontade tem que ser levada em consideração aqui.

— A sua? Eu quem quero trabalhar lá, é da minha vida que estamos falando! — Renesmee parecia ultrajada.

— Você é nova demais, não sabe o que realmente quer, eu sou a responsável aqui — afirmei.

— Ela sabe o que quer, Isabella! — Edward se levantou também.

— Não se meta, você pensa que sabe tudo sobre ser um pai? Que só porque levou ela para a escola por alguns dias, porque a ensinou a jogar xadrez e brincou com o vídeo game com ela por meia hora sabe o que é melhor para Renesmee? Ela só tem quinze anos, trabalhar em uma empresa grande não é o recomendado, ela ficará iludida com seu mundo, como já deve estar e, quando fosse para o mundo real levaria um tapa na cara.

— Você está sendo irracional, mãe! — Renesmee tinha lágrimas em seu rosto.

— Eu estou sendo realista. Você iria ganhar uma fortuna nesse trabalho apenas para seguir de um lado para o outro na empresa fingindo trabalhar. E, já chegaria na faculdade pensando ser a sabe tudo, que não é. Ou você arranja um trabalho pequeno, apenas para te dar responsabilidade, ou fica focada nos seus estudos, o que eu bem sei que não está indo tão bem assim.

Renesmee abriu a boca para falar, mas foi Edward quem se pronunciou primeiro.

— Renesmee, você pode ir para seu quarto.

— Mas...

— Por favor, vá — ele pediu.

Ela me olhou zangada uma última vez, então deixou a sala.

— Vá embora, Edward!

— Não, eu não vou. — Ele ergueu a cabeça. — Você vai me escutar agora, porque foi ridícula com sua própria filha e não notou.

— Eu já disse para ir embora.

— E eu já disse que você vai me escutar. Sabe o quão animada para te contar isso, Renesmee estava? Ela pensava que você iria querer passar o resto da noite comemorando por ela conseguir o primeiro emprego, mas você acaba de sabotar a noite da menina por estar sendo uma cabeça dura.

— O quê? Você quer que eu deixe minha filha cair na empresa da sua família e achar que ficará tudo bem? Ela terminaria uma completa babaca deslumbrada pelo dinheiro alienada. Renesmee é inteligente, Edward, mas ela ainda é apenas uma menina que facilmente pode ser deslumbrada, ela não está pronta para encarar um emprego em uma grande empresa, principalmente com Carlisle por perto. Eu tive empregos de meio período na idade dela, babá, vendedora de lojas, todos me deram responsabilidade. Ela precisa de algo assim, ou apenas sentar a bunda na cadeira e estudar.

— Você não confia nela? Realmente acha que Renesmee terminaria deslumbrada por dinheiro? Você foi a pessoa que criou e, pelo que te conheço, sei o quanto dinheiro não é o que te move. Não seria o que moveria nossa filha. — Edward estava completamente sério e, eu sabia não ser pela dor em suas costas.

— Ela não vai trabalhar com você e, isso é minha decisão final!

— Eu sou pai dela, você não pode decidir tudo sozinha.

— Bom, você não foi pai dela nos últimos quinze anos, deixa com que eu guio tudo até ela ter dezoito anos — debochei.

— Eu não fui pai dela por sua culpa! — Edward gritou, fazendo com que eu estremecesse. — Porque você achou melhor esconder minha filha de mim, então não tente ser a santa da situação, Isabella. Se eu não fui pai de Renesmee, sabe muito bem quem tem culpa por isso. Eu perdi quinze anos da vida dela, não vou perder mais. Espero que enfie na sua cabeça que eu não sou um amiguinho, eu sou o pai dela, mesmo que você tenha tentado nos manter separados por todo esse tempo.

— Você sabe muito bem porque não te contei, porque você acreditou que eu era uma ladra!

— E, eu já pedi perdão por isso, mais de uma vez. Não só essa semana, mas anos atrás, logo depois de você descobrir estar grávida da minha filha!

— Você não tem ideia do que eu passei sozinha.

— Você não me deixou participar. — Edward suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Eu te amo, Isabella, mas eu amo Renesmee mais. — Parei de respirar ao ouvir aquilo. — Ela é a única pessoa com quem me importo de verdade no momento, você já nos separou, não fará isso de novo. Eu sei que fui um completo babaca influenciado pela minha família, mas estou mudando por Renesmee e, é com a opinião dela que me importo agora, não com a sua.

Voltei a respirar com a cabeça rodando.

— E, bom, em algo estava certa. Eu também preciso te perdoar por tê-la escondido de mim, mas não será mantendo sua pose de vitima que isso ocorrerá. Nós dois erramos, Isabella, eu espero que um dia consigamos superar isso por Renesmee.

— Edward, eu... — gaguejei.

Renesmee entrou na sala, carregando sua mochila e uma bolsa.

— Pai, eu posso ficar na sua casa hoje? — Renesmee perguntou a ele, o rosto dela parecia levemente inchado e com toda certeza vermelho.

— Pode, claro que pode, é sua casa também — Edward respondeu, mas ainda me encarando, então voltou-se para ela. — Vou te esperar lá embaixo no carro. — Pegou a mochila da mão dela.

A garota esperou o barulho da porta sendo fechada para falar:

— É apenas um emprego de meio período, eu iria servir café e trabalhar com a máquina de Xerox, mas eu ia saber mais sobre marketing, administração, publicidade... Eu te amo, mas você não pode mais tentar decidir o que é melhor para mim como fez escondendo a verdade sobre minha paternidade. Eu sou uma Cullen, mãe. Sei que você teve péssimas experiências com todos eles, mas é o que sou também. Edward é meu pai e, apesar de tudo eu não quero afastá-lo. Mas, não se esqueça que eu também sou uma Swan, eu nunca vou me esquecer disso.

— Desculpe-me, filha, eu fui uma idiota. — Tentei chegar até ela, mas Nessie se afastou.

— Não, eu estou com raiva agora, mas volto para casa amanhã, prometo.

Notas finais
Porr* Bella! Esse final foi basicamente para dizer que no meio dessa situação ambos erraram no passado, ele por ter acreditado no que não devia, ela por ter mentido e omitido, mesmo achando ter sido a escolha correta, claramente não foi por isso ter levado pai e filha a passarem anos sem saber um do outro. Vejo vocês nos comentários, beijos! Lola Royal. 18.06.16