Moon River
32 Capítulo Vinte e Cinco
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Cinco —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Esme surgiu primeiro na sala, como um trem bala andando rapidamente em cima de saltos altos. Ela parou assim que me viu, engoliu em seco, parou de respirar e voltou a andar, mas com cautela daquela vez.
Ficar ali, frente a frente com Esme depois de tanto tempo era ruim, muito ruim. Principalmente depois do que Edward tinha acabado de me falar, ainda mais por eu saber que logo mais ela conheceria Renesmee e, que todas as minhas mentiras para tentar proteger minha filha não tinham tido serventia no fim.
— Olá Isabella! — Esme foi a primeira a falar, quando Edward voltou para a sala na companhia do pai. Eu senti sangue em minha boca, então percebi que estava mordendo compulsivamente minha bochecha.
Não falei nada, não só pelo sangue na boca, mas por não querer. O que eu tinha para falar com qualquer um deles? Esme e Carlisle me odiaram, ele até mesmo tentou me subornar e certamente estavam envolvidos na história das joias, provavelmente nas ameaças que receberam naquele dia.
Eu só queria pegar na mão de Renesmee e sair daquele lugar, para o mais longe de todos eles. Mas, eu não podia fazer isso com ela e, mesmo que meu orgulho fosse muito grande, sabia que não podia com Edward também.
— Ora, eu pensei que nunca mais nos reveríamos Isabella, parece que o mundo é realmente pequeno, não é? — Carlisle falou, o que despertou ainda mais ódio dentro de mim, contive a vontade de jogar a taça com champanhe em minhas mãos diretamente na cara dele.
O Cullen não parecia ter envelhecido muito naqueles anos, mesmo que mais de dez tivessem se passado. Ele ainda mantinha os cabelos loiros, poucas rugas no rosto e, principalmente um olhar superior.
— E você, Carlisle? Como anda? Ainda está subornando pessoas a todo instante? Quer começar a me subornar agora, ou espera eu te servir uma taça de champanhe primeiro? — provoquei, Edward atrás do pai suspirou, então veio para perto de mim, tirando a taça de minhas mãos como se soubesse que eu estava prestes a quebrá-la e enfiar os cacos nos olhos de seu pai.
— Por favor, podemos manter a calma, por favor! — Esme pediu, parecia desesperada. Notei que mesmo de saltos e, com um vestido branco social, ela não parecia tão arrumada quanto eu me lembrava. Estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo quase idêntico ao de Nessie, mas não tinha maquiagem em seu rosto e parecia verdadeiramente cansada.
— Um pouco difícil manter a calma, não acha Senhora Cullen? — falei com ela por fim.
— Eu não estou aqui para brigar com você, Isabella, não estou mesmo. Estou aqui para conhecer minha neta e, se depender de mim esse jantar será o mais tranquilo possível. — Seus olhos verdes, aqueles tão parecidos com o de Edward e o com os da minha própria filha me fitaram por um instante, então desviaram-se para o marido. — Carlisle, não provoque Isabella, ou você terá de ir embora. Nós prometemos a Edward que não criaríamos caos, nós não iremos!
Carlisle lançou um olhar irritado para a esposa, então sentou-se em uma poltrona da sala, abrindo o terno ao sentar.
— Então, onde está? Sua suposta filha — falou para Edward. Abri a boca para voltar a discutir com ele pelo suposta, mas Edward foi mais rápido.
— Ela não é supostamente minha filha, Renesmee é minha filha e você sabe disso. Mas, se for agir assim o resto da noite pode ir embora agora mesmo, lhe garanto que ninguém aqui sentiria sua falta. Eu não iria convidá-lo, até porque não mostrou interesse algum em Renesmee, mas ela insistiu que todos estivessem aqui, mas o apartamento é meu e eu posso expulsá-lo daqui a qualquer momento. Você não a tratará mal e respeitará Isabella também, você me ouviu?
— Poupe-me, Edward. Acha mesmo que tem moral para isso, filho? — notei o tom debochado de Carlisle ao dizer filho, logo pensando na duvida do mesmo sobre a paternidade de Edward. Por um momento me vi desejando que fosse verdade, que Edward não fosse um Cullen e que minha filha nunca mais fosse precisar estar com aquelas pessoas.
— Eu tenho. — Edward não parecia nem um pouco abalado como ficava no passado, o que surpreendeu a mim. — Essa casa é minha, não sua. Posso ser seu filho. — Havia deboche na voz de Edward ao dizer aquilo também. — Mas é você quem tem de me respeitar essa noite, assim como a Renesmee e a Isabella.
— O quê? Você já está se achando um homem de verdade por ter ganhado uma filha da sua namoradinha do passado? — Carlisle voltou a ficar de pé. — Deixe-me te contar algo, você não é tão homem assim, não passa de um fraco.
— Mais homem do que você ele certamente é, vovô!
Todos viramos nossas cabeças em direção a voz de Renesmee vinda da escada, ela descia do segundo andar acompanhada de Tanya e, os olhos verdes dela estavam fixos em Carlisle. Eu nunca tinha visto ela com uma expressão de raiva tão forte como naquele momento.
Esme prendeu a respiração ao vê-la e sabia que ela não estava vendo apenas de Edward na menina, como a sim mesma. Não tinha como negar a semelhança entre as duas e, as fotos que ela devia ter visto era bem menos evidente do que ver Renesmee ali, ao vivo.
— Então é você? A filha de Isabella? — Carlisle analisou Renesmee e, eu também sabia que nem ele tinha como negar o fato dela ser filha de Edward.
— E de Edward, não esqueça desse detalhe. — Renesmee lançou um sorriso travesso para Carlisle, enquanto descia os últimos degraus, com Tanya logo atrás de si. — É um prazer conhecê-la! — Renesmee exclamou ao parar na frente de Esme, que parecia pálida.
— Oh meu Deus! Edward! — Ela buscou pelo filho, correndo os olhos pela sala até localizar Edward ainda parado ao meu lado. — Ela...Você...Meu Deus, vocês são tão parecidos, eu tinha visto fotos, mas...Nada se compara.
Edward assentiu, andando até estar ao lado de Renesmee.
— Mãe, essa é Renesmee, minha filha — ele as apresentou, com um sorriso orgulho em rosto.
— Olá! — Renesmee a cumprimentou mais uma vez, dando um sorriso ansioso para Esme.
Por fim, a Cullen abraçou minha filha, meu instinto queria puxar Renesmee dela com medo que a mulher a machucasse, mas então Esme começou a chorar nos braços de Renesmee. Edward também pareceu ter sido pego de surpresa com o ato da mãe, mas Nessie não e se permitiu abraçar a avó de volta.
— É um prazer conhecê-la também, minha querida — Esme disse quando se desfizeram do abraço, afagando o rosto de Nessie, que não sorria mais, mas parecia focada em prestar atenção em cada detalhe do rosto da avó.
— Eu pensei ser muito parecida com Edward, mas acho que sou ainda mais com você — Renesmee murmurou, afastando-se de Esme. Edward afagou as costas da filha, lhe dando um apoio. Tanya sorria, mas Carlisle parecia enojado e eu tinha de admitir que também, não queria minha filha próxima de Esme, muito menos parecida com ela.
— Isso parece roteiro de filme ridículo, vocês querem lencinhos? — Carlisle se pronunciou, então a expressão irritada no rosto de Renesmee voltou automaticamente. Ela se soltou de Edward e foi até o avô, tentei impedi-la de se aproximar mais dele, mas não fui rápida o suficiente.
— Carlisle Cullen, ouvi muito de você! — Renesmee tinha a cabeça erguida a falar com ele, estendeu a mão para o homem, que a encarou por um segundo mais apertou. Ela continuava o encarando de frente, sem parecer nada abalada. — Agora, vamos fazer um acordo?
— Ah, você tem acordos? Vejo que Edward já te ensinou algo inútil no pouco tempo que se conhecem. Escute, se quer brincar de ser uma Cullen tem de entender que não fazemos acordos, nós tomamos o que queremos e não ligamos para o outro lado.
Eu o odiava, odiava Carlisle, olhei para Edward, mas ele encarava os dois, nada contente também.
— Oh, obrigada vovô, isso é um ótimo conselho para falar a verdade! — Renesmee também estava com deboche em sua voz ao falar vovô. Ela sentou-se na poltrona que Carlisle estava antes, ainda com os olhos focados nele. — Então aqui vai o que eu quero, o que você vai me dar e eu não vou me importar.
— Diga! — Carlisle a desafiou.
— Seu respeito, por mim e por minha mãe.
— Acha mesmo que eu curvarei minha cabeça para uma garotinha?
— Vai sim. — Renesmee sorriu, recostando-se na poltrona. — Eu conheço jornalistas, cresci com uma e cercada por outros. Sei o quanto uma noticia, ainda que falsa, pode destruir alguém. Então, seja simpático, ou eu darei todas as declarações que ainda não dei a imprensa e, acredite, você se tornará o vilão da minha história. O pavoroso vovô Cullen que trata a todos com agressividade, arrogância e covardia, porque é o que você é, um covarde escondendo-se atrás do seu dinheiro. Mas eu não me importo com o quanto de dinheiro você tem, nem me importaria em dar quantas entrevistas fossem necessárias para te ver perdendo todo o prestigio que seu nome possuí.
Voltei a encarar Edward, que por fim me olhou e parecia tão chocado com as palavras de Nessie quanto eu. Certamente ela já tinha aquilo em sua cabeça quando decidiu marcar aquele jantar. Respirei fundo, eu não podia mais negar, mas ela tinha mesmo o espírito de um Cullen e, pela primeira vez achei aquilo algo bom. Ela sabia mesmo se virar só.
— Bom, ao menos você não criou uma garota burra, é algo que devo parabeniza-la, Isabella — Carlisle falou para mim, apenas assenti. — E você. — Voltou-se para Renesmee. — Parece realmente esperta, mas não pense que pode ser mais poderosa do que eu.
— Não é minha pretensão, mas sei que posso ser muito parecida com você — Renesmee afirmou. — Só peço que tenhamos uma convivência pacifica, ainda que eu não tenha a intenção de estar perto de você por mais tempo. Para mim esse jantar é o suficiente para conhecer você e o resto da família, Edward é o único Cullen que eu pretendo ficar próxima.
— Se Edward assumi-la, eu lamento muito, mas você não terá como se livrar da gente. — Carlisle sentou na outra poltrona ao lado da que Renesmee estava. Ela fraquejou por um instante, virando-se para o pai.
— Claro que irei assumi-la! — Edward exclamou. — Renesmee, você é minha filha, precisa do meu nome.
— Não, não precisa! — contestei Edward rapidamente.
— Até que pode ser uma noite divertida. — Carlisle riu sozinho, achando graça na cena diante de si.
— Eu sou filha dele, preciso sim — Renesmee falou para mim, me encarando com cautela. — Não é hora para isso, mãe.
— Então — Carlisle voltou a falar. — Quando virar uma Cullen, não terá como fugir de nós, de si mesma. Você só vai acabar virando uma fraca como seu pai.
— Eu não sou um fraco! — Edward proferiu ao mesmo tempo que Renesmee gritou:
— Meu pai não é fraco!
Não tinha deboche em sua voz ao chamar Edward de pai.
— Comovente, realmente comovente — Carlisle bufou, Edward olhava para Renesmee admirado, ela se levantou, parecia nervosa, mas controlava sua respiração.
— Você não vai falar do meu pai assim, Carlisle, principalmente depois do que fez a ele e a minha mãe. — Renesmee se virou para Esme. — E você esteve envolvida, não é? Vocês armaram para separá-los? Vocês fizeram minha mãe ser presa.
Quase ao mesmo tempo Edward e eu chegamos perto dela.
— Não vale a pena, filha — murmurei para ela.
— Claro que vale! — Edward afirmou me encarando. — Alguém armou para você Bella e eu fui burro, estúpido e realmente um fraco acreditando. Se foram meus pais, essa é a hora que eles devem confessar.
— Não fui eu Edward, eu disse que não fui eu! — Esme exclamou, os olhos marejados. — Sim, eu não gostava de Bella, sabia que tinha alguém melhor para você se apaixonar, mas eu não fiz isso. Edward é meu filho, eu não poderia machucá-lo, sabia o quanto estava apaixonado por sua mãe, eu não o faria tão mal.
— Por Deus, alguém me sirva uísque.
— Então foi você? — Renesmee perguntou para Carlisle, que tinha se levantado para ir até o bar no canto da sala. Carlisle riu.
— Eu sugeri dar dinheiro para sua mãe, garota, acha mesmo que eu faria ela ser presa depois de um ato tão bom quanto esse? Principalmente numa festa que ela estava de acompanhante do meu filho? Tomei todo o cuidado para não deixar essa história vazar, para o nome do seu papai não ir para lama. Por mim ainda acredito que Isabella tenha algo a ver com aquelas joias, com aquela ameaça, infelizmente não posso provar. Mas posso jurar que não fui eu.
Eu não acreditava, não acreditava que não tinha sido ele, ou Esme, muito menos Alice. Quem mais além dos Cullen teriam armado aquilo? Claro que eles estavam apenas tirando a culpa de suas costas, fingindo estarem desentendidos com o que ocorreu aquela noite.
A campainha tocou, despertando todos nós. Antes que Edward pudesse sair da sala, Tanya fez isso indo abrir a porta, voltou acompanhada de Jasper, Alice e uma garota loira que provavelmente era a filha deles.
— Era só o que faltava — praguejei.
— Ah Edward, seu apartamento já foi mais bem frequentado — Alice falou, olhando de mim para Renesmee com raiva.
— Sim, irmã, mas você também entende disso, não é? Lugares mal frequentados. — Edward parecia provocar a irmã com algo que eu não compreendia. — Pessoas horrendas, com passados que não podem...
— Por favor, podemos jantar de uma vez? — Esme o interrompeu, já tinha parado de chorar, mas ainda parecia exausta.
— Claro, claro. Eu vou pedir para Nelly nos servir — Tanya disse, seguindo para a cozinha.
A garota loira encarava Renesmee com olhares curiosos, Alice tinha ido servir-se de bebida junto com o pai, mas eles permaneciam quietos. Jasper cumprimentou a mim rapidamente com um aceno de cabeça, mas não disse nada até voltar-se para Nessie.
— Olá, Renesmee não é? Você é a cara do seu pai! — Jasper sorriu para Renesmee, que sorriu aliviada por alguém estar sendo simpático. Ela apertou a mão dele, só que também tinha seus olhos voltados para a garota loira. — Lucy? — Jasper chamou pela menina, que lentamente parou diante de mim, que ainda estava ao lado de Renesmee.
— Essa é Isabella e essa Renesmee — Jasper nos apresentou. — Essa é Lucy, minha filha.
— Oi — murmurei para a garota, era uma cópia de Alice, com exceção dos cabelos pintados de loiro, não conseguia a olhar por muito tempo sem pensar em quanto queria tacar a cabeça da mãe dela na parede.
— Meu pai. — Renesmee encheu a boca para falar aquilo, o que claramente foi ouvido por Carlisle que emitiu um grunhido, mas o que fez Edward segurar no ombro dela enquanto sorria e a mim admitir que não tinha mais volta, eles já estavam ligados o suficiente. — Falou bastante de você, Lucy e de Luke também, onde ele está?
— Em casa — Jasper respondeu. — Achamos melhor o deixar fora...
— De confusão — completei a frase por ele, fazendo Jasper conter uma risada.
— Basicamente isso.
— Eu estou tão feliz de você existir! — Lucy por fim sorriu, parecendo considerar Renesmee uma lenda que tinha ouvido falar por toda a infância, mas que diziam ser mentira. Então, ela abraçou Renesmee, um abraço apertado.
— Está? Por quê? — perguntei desconfiada dela estar tramando algo com a mãe, a menina era uma Cullen também, eu duvidava de tudo.
— Porque agora Renesmee é a herdeira da empresa — Lucy disse, dando um sorriso maior ainda. — Eu posso ser a neta mais velha, mas ela é a filha do tio Edward e depois de vovô ele assumirá a empresa, então Renesmee substituirá o pai, eu não preciso trabalhar lá! — Lucy abraçou Renesmee mais uma vez, minha filha riu baixinho para a empolgação da...Prima. Aquilo estava cada vez mais real.
— Chega Lucy! — Alice ordenou. — Não seja ridícula, você é a herdeira legal, não essa bastarda.
— Claro, vamos coversar melhor sobre bastardos, Alice? — Edward ainda sorria ao falar com a irmã, parecendo muito confiante.
Vi Alice estremecer, mas antes de qualquer coisa acontecer Tanya voltou anunciando o jantar, finalmente.
***
Tanya tinha marcado os lugares para todo mundo na extensa mesa de vidro que dominava a sala de jantar. Edward sentado na cabeceira principal, com Tanya de seu lado esquerdo e Renesmee do direito, eu sentei junto de Nessie, com Lucy na cadeira sobressalente ao meu lado e Esme no fim da mesa.
Carlisle estava na outra cabeceira, enquanto Alice na ponta do outro lado próxima ao pai e Jasper entre ela e Tanya. Percebi que Tanya só tinha ligado-se aquilo naquele momento, o que fez ela correr os olhos em desespero pela mesa, mas não podia mudar as posições com todos sentados.
Nelly estava ali e nos serviu, me senti imediatamente incomodada por aquilo e soube que Nessie ao meu lado também. Todos nós podíamos muito bem nos servir sozinhos, me remexi inquieta na cadeira, mas Renesmee sussurrou em meu ouvido.
— Eu sei mamãe, eu sei, mas não faça nada.
Suspirei assentindo, atraindo o olhar raivoso de Alice para mim.
— Como foi a viagem para a Europa, vovó? — Lucy perguntou sua voz tremula, não parecia mais tão alegre depois de o que tinha ouvido da mãe na sala.
— Boa — Esme respondeu, bebendo um pouco de vinho após recusar champanhe. — Eu lhe trouxe presentes, querida, vou lhes mandar amanhã.
— Ah, obrigada! — Lucy agradeceu, com felicidade pintando sua voz novamente.
— Para você também, Renesmee — Esme disse para minha filha, que estava concentrada em Carlisle na outra ponta da mesa.
— Obrigada, eu acho — Renesmee agradeceu. — Mas não precisa, você pode repassá-los a Lucy se ela desejar, ou dar a outra pessoa. Realmente não preciso de presentes.
— Precisa sim, eu perdi quinze aniversários seus, natais também, você precisa de pelo menos trinta presentes meus para quitarmos isso.
— Não é uma divida que precisa ser quitada — Renesmee afirmou, afaguei o braço dela.
— Eu...Como tem ido o trabalho, Bella? — Esme me perguntou, minha mão caiu do braço de Renesmee, eu não esperava ela falando comigo.
— Bem — respondi.
— News of New York, não é? — Jasper me perguntou, concordei com um aceno de cabeça. — Isso, eu disse a Edward quando a vi entrando lá algum tempo atrás.
— O quê? — Alice encarou o marido, claramente não sabia disso. — Por que não me contou isso, Jasper?
— Não vejo motivos para ter te contado isso, Alice. — Jasper deu de ombros, começando a comer. Alice parecia um tomate de tão vermelha, mas não falou mais nada.
Todos começaram a comer em silêncio, era uma tensão palpável e eu me sentia enjoada até mesmo para comer a deliciosa comida de Nelly.
— Então, Renesmee. — Carlisle voltou a falar e contive a vontade de mandá-lo ficar quieto. — Quais seus planos para depois da escola? — Busquei o olhar de Renesmee, em um pedido mudo que ela não falasse a verdade, isso se ela já não tivesse dito para o pai. Ela queria trabalhar com marketing, o que só acabaria a ligando ainda mais a empresa dos Cullen.
— Quero me formar em marketing na faculdade — ela respondeu me ignorando, vi Carlisle parecer contente com algo pela primeira vez aquela noite.
— Qual universidade?
— Talvez a de New York, tenho ouvido falar bem dela.
— Não — Carlisle negou. — Harvard é uma opção, mas eu aconselho Yale, o renome é muito melhor. Edward cursou a New York e não obteve resultados bons. Escolha entre Yale e Harvad, eu pagarei seus estudos.
— Você não vai pagar os estudos da minha filha — Edward afirmou.
— Bom, se ela é minha filha, é minha neta, eu não vejo mal algum em pagar pelos estudos dela. Pagarei os de Lucy e de Luke também, quem sabe os três consigam comandar minha empresa muito melhor do que sei que você vai fazer. Quem sabe eu passe a direção diretamente para Renesmee, ela parece ter mais capacidade e mais gosto pelo negocio do que você.
— Papai, Lucy é a herdeira legal — Alice voltou a falar naquele assunto. — Você não pode passar a empresa para as mãos da bastarda de Edward.
— Cala a boca, Alice! — Edward ordenou.
— Eu só estou dizendo que você devia no mínimo fazer um exame de DNA antes de reconhecer essa menina como sua filha — Alice esclareceu, agarrei a faca que usava, mas Renesmee segurou em minha mão contendo qualquer ato impensado.
— Por que você não faz um exame de DNA também, Alice? Só para checar se não é filha de uma vaca — Renesmee falou, balancei a cabeça para a fala dela, ao tempo que Tanya gargalhava, ela já tinha bebido bastante.
— Renesmee, não, eu cuido disso — Edward chamou a atenção dela, Renesmee abriu a boca para protestar, mas ficou quieta por fim. — Não continue insinuando que Renesmee não é minha filha, está obvio que ela é, Alice. E, mesmo se não fosse tão claro, eu não teria motivo nenhum para não acreditar na palavra de Bella. — Edward me olhou por um instante. — Sei que Renesmee é minha filha, irei cuidar de passar meu nome a ela o mais breve possível, então não me irrite com isso, ou eu ficarei irritado também e sabe o que posso fazer. Quanto a você, Carlisle, você não tirará um dólar do bolso para dar a Renesmee, ela é minha filha e de Bella, nós somos os responsáveis por pagar qualquer coisa que ela queira. Se isso for Harvard ou Yale, é uma escolha dela, mas se ela quiser ir estudar em uma faculdade comunitária no interior do Texas...
— Não, eu não quero — Renesmee murmurou.
— Iremos apoia-la...
— Não vá mesmo estudar numa faculdade comunitária no Texas — murmurei de volta para Nessie.
— Vocês podem ser a família dela, mas não tem direito algum de tentar mandar em Renesmee, obrigá-la a fazer o que não quer por qualquer renome que isso traga para os Cullen. Nem irão humilhá-la. — Edward olhou para a irmã. — Ou ousar fazer qualquer mal a Renesmee, eu não medirei esforços para machucar de volta quem ousar fazer o que seja com minha filha.
Carlisle abriu a boca, mas Edward não o deixou falar.
— E Isabella é mãe de Renesmee, ela será igualmente respeitada e protegida por mim. Levantem a voz para elas e eu saberei, como irei cuidar de resolver o problema pessoalmente. Você pode ser o patriarca dessa família de forma geral, Carlisle, mas eu sou o da minha. Renesmee é minha responsabilidade, minha vida agora. — Nessie afrouxou o aperto em minha mão ao ouvir aquilo. — E, errei demais com Isabella no passado, não errarei agora.
— Tudo bem, a menina vira uma Cullen — Carlisle levantou, deixando a comida de lado. — Mas ela pode lidar com isso? — Colocou uma carta na mão de Edward, então voltou para seu lugar, enquanto o filho lia o que tinha ali.
Eu tinha uma grande suspeita do que estava ali, o que me fez abaixar a cabeça e respirar fundo. Era como voltar para dois mil, a vontade de fugir com Renesmee retornou com força.
— O que é isso, pai? — Renesmee perguntou para Edward, ele não conseguiu sorrir, nem mesmo com a menina o chamando daquele jeito.
Edward dobrou a carta, Renesmee pensou que ele a entregaria, mas foi para mim que estendeu. Levantei para ler, ou Renesmee facilmente iria ler, eu ainda não queria aquilo, queria preservá-la mais um pouco.
A carta tinha sido escrita com recortes de jornais e revistas, era no mesmo formato que anos atrás segundo o que Edward me dizia. E, mesmo com aquela confusão as palavras eram facilmente entendidas.
“Agora há mais uma Cullen entre vocês e nós não sossegaremos até matar cada um. Um por um vocês irão ter a morte esperada, Renesmee Cullen também terá!”
Amassei a carta em minhas mãos, com o corpo inteiro tremendo caminhei para a saída da sala de jantar, antes disso joguei o papel de volta para Carlisle, que estava sério.
Fui parar na sala de estar, sem condições de dar continuidade aquele jantar. Estava sentada no sofá, com a cabeça entre as mãos, quando ouvi passos se aproximarem. Alguém se ajoelhou diante de mim, segurando em meus braços.
Tireis as mãos do rosto, vendo Edward diante de mim, os olhos dele estavam marejados, como eu sabia muito bem que os meus estavam. Então deixei as lágrimas caírem, Edward limpou com cuidado elas do meu rosto, mas eu não conseguia parar de chorar, não quando minha filha tinha sido ameaçada de morte.
— Eu irei protegê-la, Bella, eu prometo — Edward afirmou, segurando em meu rosto.
— Eu não posso perdê-la — sussurrei, sem afastá-lo de mim. — Eu não vou suportar perdê-la como te perdi.
— Bella — Edward sussurrou meu apelido quase como se estivesse entrando no paraíso.
— Eu também sempre me lembro de você quando escuto Moon River, eu também ainda amo você, Edward. — Inclinei-me para o beijar, apenas um rápido toque em seus lábios com os meus, o suficiente para meu coração disparar e o choro ganhar mais força.
Levantei bruscamente, o deixando ali no chão, ainda de joelhos.
— Mas eu não quero mais você, Edward — afirmei. — A única coisa que quero agora é minha...Nossa filha segura.
— Ela vai ficar. — Edward levantou-se também, parecendo arrasado e eu não saberia dizer exatamente o porquê. — Bella...
— Não Edward, não. Eu não posso ficar com você, eu ainda não sou capaz de te perdoar.
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