Moon River
33 Capítulo Vinte e Seis
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Seis —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Edward olhou para mim quase torturado. Mas eu não podia fazer nada, como eu podia me esquecer em alguns dias tudo que sofri? Como esquecer que o homem que eu estava apaixonada, que amava, tinha permitido com que policias me algemassem e me tirassem de uma festa como se eu fosse uma ladra de marca maior, não era algo passível de esquecimento imediato.
Ele tinha se declarado, eu tinha me declarado. Mas o amor que sentia por Edward estava soterrado debaixo de ressentimentos e erros. E, eu tinha de admitir que não só os dele, mas os meus também. Amor para nós parecia algo que nunca daria certo, como se sempre fossemos acabar errando e errando, em um ciclo vicioso.
— O que você sente por mim não é forte o suficiente para superar o que passamos? — Edward indagou.
— Não. — Fui sincera. — Pelo menos é o que acho, não sei se um dia conseguirei olhar para você e esquecer de verdade o que sofri sozinha, porque meu namorado não acreditou em mim. Seu amor também não foi forte o suficiente para acreditar em mim, não é Edward?
— É, não foi. — Edward balançou a cabeça, como se o gesto pudesse varrer de sua mente qualquer pensamento. — Eu sinto muito, Bella.
— Eu também, afinal errei com você também, Edward.
— Você só estava tentando proteger Renesmee, já falei que não precisa pedir perdão por nada disso.
— Edward...
— Não Bella, eu sei que você errou, mas sei que fez isso por medo do que pudesse acontecer com nossa filha, que pudesse perdê-la, que errou por conta dos meus erros. Eu errei por ter sido covarde, manipulado e fraco.
Respirei fundo, desviando o olhar de Edward para a porta da sala onde Renesmee surgiu seguida de Carlisle. Ela tinha a carta que eu amassei em mãos, mas não parecia tão confiante quanto antes.
— Você está bem, meu amor? — perguntei a ela, ignorando a presença de Carlisle.
— Estou — Renesmee murmurou.
— Essas ameaças estúpidas não irão se concretizar, não acredito em mais nenhuma delas — Edward falou, olhei para ele por um instante, entendendo a qual ameaça se referia. Aquela que tinha nos afastado, que ele tinha acreditado.
— Estúpidas? Você se lembra que eu fui sequestrado uma vez, não é Edward? — Carlisle perguntou a ele, mais uma vez indo até o bar da sala, servindo-se de mais uísque.
— Sim, você e tio Caius pagaram uma fortuna para serem soltos, mas dias depois os sequestradores foram presos. Não é o fim do mundo, ninguém vai ser morto. Recebemos essas ameaças há anos, acha que ainda não teriam sido concretizadas? — Edward sentou-se.
— Espere, as ameaças não são da mesma pessoa?
— Não — Edward negou. — Eu lhe disse uma vez, lembra? Que nossa família é ameaçada há anos, mas não é sempre pela mesma pessoa, ou pelo mesmo grupo. Alguns, menos cuidadosos com suas ameaças foram presos, fácil de ser identificados pelas cartas que nos mandam.
— Então há uma pessoa, ou um grupo que ainda não foi identificada? — Renesmee perguntou ao pai, que concordou com um aceno de cabeça. — E você acha que pode ser o mesmo que colocou mamãe naquela jogada quando vocês estavam juntos?
— Sim — foi Carlisle quem respondeu. — Certamente é a mesma pessoa, ela sempre nos manda ameaças quando algo importante acontece com a família, quando tivemos Edward e Alice, uma antes do casamento de Alice, então outra depois naquela mesma época. Logo depois uma envolvendo Isabella, que estava diretamente ligada a Edward...
— Eu não estava envolvida com aquilo, Carlisle, só para refrescar sua mente — disparei, o fazendo revirar os olhos.
— Desculpe-me Isabella, mas você parecia extremamente suspeita naquela época, guarde suas magoas no passado, não tenho tempo para nenhuma delas — debochou. — O caso é que fomos ameaçados na época do casamento de Alice e Jasper, então quando Isabella e Edward estavam publicamente juntos, outra vez quando Lucy nasceu, no casamento de Edward e Tanya, no nascimento de Luke e agora que descobriram sobre você ser parte da família — ele disse para Renesmee.
— E as outras ameaças? – perguntei.
— É como Edward disse, identificáveis, a policia conseguiu rastrear a maioria delas. Mas essas são enviadas por cartas anônimas, com endereços e nomes de remetentes falsos, entregues a nós pelo correio da empresa, é mais fácil enviar algo para lá do que para qualquer uma de nossas casas. A policia já está cuidando dessa nova carta, mas é igualmente como as outras, o endereço de remetente vinha de um restaurante que não funciona desde dois mil e treze, os donos se mudaram para o Alabama e tem setenta anos, não são as pessoas nos ameaçando.
— É alguém próximo — Renesmee sussurrou. — Não por me conhecer, já que meu rosto foi espalhado pelo mundo inteiro nas últimas semanas, mas é alguém próximo por não estar querendo apenas dinheiro, mas por querer nos matar.
— Sim — Edward confirmou. — Carlisle tem alguns nomes que podem ser, Marcus Hook, é o em destaque na lista dele.
— Por quê? — perguntei.
— Nosso inimigo direto nos negócios — Carlisle disse.
— Meu professor disse que você desviava dinheiro público, isso não pode ter a ver com algum político querendo calá-lo? — Renesmee o confrontou.
— Eu não desvio dinheiro público. — Carlisle sorriu sorrateiramente.
— Claro, todos acreditamos em sua decência, Carlisle. — Bufei.
— Eu sou o diretor financeiro, Bella — Edward disse. — E, se Carlisle desvia não é pela empresa. Mas bom, Renesmee está certa, pode ser algum político querendo te fazer ficar quieto.
— Pode ser qualquer um com grana, esse é o ponto. — Carlisle sentou-se em uma poltrona. — Não estamos lidando com um bandido de esquina, é alguém com grana, que tem muita gente fazendo isso funcionar sem ser pego, provavelmente até mesmo infiltrado na policia. As cartas todas sem digitais, manuseadas cuidadosamente com luvas, endereços de remetente e documentos de identificações falsos, depositadas em correios de rua, não em agências. Ou colocadas dentro da empresa, um lugar que está sempre cheio, alguém passando despercebido pelas câmeras. Eu podia...
— Não podemos confrontar cada funcionário — Edward interrompeu o pai. — Você sabe disso, fizemos isso na época do nascimento de Luke e foi um caos. Vamos reforçar a segurança, pressionar a policia e fazer isso ser resolvido de uma vez por todas, sem criar mais alardes, ou iremos de fato cair.
— Então até que a gente descubra quem é qualquer um é suspeito de querer dar um tiro na minha cabeça? — Renesmee estava levemente desesperada.
— Ninguém vai dar um tiro na sua cabeça — Edward a tranquilizou. — Mas você terá de ter seus próprios seguranças agora e não aceito constatações, Renesmee — disse antes dela debater, vi Carlisle lançar um rápido olhar admirado para o filho.
— Quando é seu aniversário? — Carlisle perguntou a Renesmee, voltando a prestar atenção nela.
— Novembro.
— Ah, então precisaremos criar um evento só para anunciá-la decentemente como uma Cullen. É ridículo ver seu nome em noticias de fofoca, temos de fazer isso de um jeito certo. — Ele virou-se para mim. — Organize com Esme uma festa para que isso aconteça, depois que resolverem com Edward a história da inclusão do nome Cullen na identidade de Renesmee.
— Carlisle, Renesmee não terá uma festa de anunciação como se fosse um investimento conquistado — Edward deixou bem claro antes que eu pudesse protestar contra aquilo. — Ela terá o nome em sua identidade, mas não precisa de um evento para que o mundo a reconheça, eu sou um Cullen e sou pai dela, esse é o reconhecimento necessário.
— Edward... — Carlisle começou a falar, mas o filho levantou-se, então o interrompeu.
— Não, você não irá expor minha filha como um troféu. Não irá obrigá-la a fazer nada, já conversamos sobre isso, então não se esqueça. Você é apenas o avô dela, não o dono. — Carlisle espumava de raiva, mas Edward não parecia se importar, segurou no ombro de Nessie e a guiou de volta para a sala de jantar. — Vamos terminar de comer.
— O que você faz com o meu filho, Isabella? — Carlisle perguntou a mim. — Sempre que está perto dele, Edward virá alguém tão cabeça dura.
— Com cabeça dura você quer dizer alguém que pensa por si só — o corrigi. — Mas me admira que ainda o chame de filho, desistiu de acreditar que ele não é sangue do seu sangue, Cullen?
Carlisle me olhou assustado, como se tivesse acabado de ver um fantasma.
— Como você sabe?
— Edward me contou, que no dia do roubo das joias você confessou a ele que tinha suspeitas sobre a paternidade. Bom, isso deve deixá-lo maluco, por que não faz um teste de DNA, por que não confronta sua esposa?
— Você não é parte desse mundo, não entende o quanto isso poderia nos arruinar. Acha que eu perderia meu herdeiro? Que eu deixaria Alice comandar a empresa? Ela é péssima com negócios, por isso eu tentei fazer Edward tão bom quanto eu, o que obviamente não saiu como esperado. O que só me faz acreditar que ele não possa mesmo ser meu filho.
— Ou talvez você seja um péssimo pai. — Dei de ombros. — O que claramente é, mas você não será um avô para Renesmee da mesma forma que foi um terrível pai para seu filho. Irá respeitá-la, irá ouvi-la e nunca irá a fazer ficar insegura como fez com Edward.
— Eu não seria capaz disso — Carlisle ficou de pé. — Você criou uma garota forte, algo que eu não consegui com Edward. Devo realmente parabenizá-la por isso, apesar de tudo eu sei que você criou uma Cullen decente.
— Ela não é uma Cullen.
— Ela é sim. — Carlisle sacudiu a cabeça, depois bebeu o resto do uísque. — É por isso que você a escondeu de nós, por medo de perdê-la. Mas, você ainda nem perdeu Edward, não é? Ele ainda está ai, completamente apaixonado por você como era anos atrás, não irá perder sua filha também. Por isso proponho uma trégua.
— Uma trégua? — Arqueei a sobrancelha.
— Sim, por Renesmee, eu quero que ela faça parte dessa família. Quero desde o momento que ela me enfrentou sem nem mesmo ter trocado uma palavra comigo antes disso. Mas sei que eu não posso afastar você dessa família, Isabella e ter sua filha junto de mim ao mesmo tempo. Eu não consegui fazer isso antes quando tentei lhe dar dinheiro, não conseguirei agora.
— Você armou a história das joias — falei com ódio.
— Não fui eu. — Os olhos de Carlisle se encontraram com os meus, mas ele sorriu debochadamente. — Aceite a trégua, Isabella. Veja só, eu um Cullen firmando um acordo, é um milagre.
Estendeu a mão em minha direção. Apenas me afastei de Carlisle.
— Não confiava em você, não será agora que confiarei. — Me dirigi à sala de jantar, ele permaneceu ali.
***
O jantar continuou em um silêncio mórbido, tendo apenas como barulho os sons de garfos e facas, taças e garrafas. Renesmee estava realmente mal depois de receber a carta, praticamente só revirava a comida de um lado para o outro no prato, enquanto encarava a mesma.
Edward praticamente não comia também, sem tirar os olhos da filha. Eu sabia que mesmo que ele estivesse tentando soar confiante com toda aquela história das ameaças não resultarem em nada, estava preocupado com tudo aquilo.
— Então, onde você estuda, Renesmee? — Lucy perguntou quando a sobremesa foi servida, Carlisle continuava na sala de estar, provavelmente bebendo todo o uísque que Edward tinha ali. Minha filha murmurou o nome da escola, ainda concentrada em rolar a comida em seu prato, daquela vez um pedaço de torta de maça.
— Nunca ouvi falar, é particular? — foi a vez de Esme perguntar.
— Não — Renesmee negou.
— Ah, então seja melhor você mudar-se para a escola que Lucy estuda, é excelente! — Esme anunciou, parecendo contente com sua ideia.
Renesmee largou o talher, então virou-se para Esme.
— Eu gosto da minha escola, tenho certeza de que a de Lucy deve ser fantástica, mas eu realmente não me importo. Minha mãe é a única responsável legal por mim, pelo menos até Edward. — O Cullen não pareceu muito feliz em Renesmee voltar a chamá-lo pelo nome. — Se colocar como meu pai diante a justiça, então até lá só mamãe tem o direito de me tirar daquela escola e me colocar onde quiser. E, eu tenho certeza de que ela não quer isso.
— Eu... — Esme gaguejou.
— Renesmee está certa, eu também não pretendo tirá-la da escola que estuda quando for seu responsável legal também — Edward disse para a mãe. — E não sugira como Isabella e eu devemos criar nossa filha, nem mesmo você pode fazer isso.
— Eu lhe criei, Edward! — Esme recuperou sua voz.
— Então me deixe criar minha filha — Edward falou, empurrando para longe de si seu prato com sobremesa. — Se vocês puderem ir embora, agradeceria, acho que já percebemos que esse jantar não nos levará a nada.
— Que bom que admitiu, irmão! — Alice exclamou.
Edward a fuzilou com os olhos.
— Ah, por favor, vá embora agora! — Tanya levantou-se com rapidez, fazendo sua cadeira ir ao chão. Ela tinha parado de beber depois da carta e, não parecia mais tão bêbada assim. — Vamos Alice, para fora, eu estou farta de você. Não passa de uma vaca como Renesmee bem disse. Ainda sou esposa de Edward, então ainda posso mandar nesse apartamento, então vá embora!
Alice, assim como todos os outros ali, olharam chocados para Tanya. Eu só consegui sorrir, sentindo-me bem vendo aquela cena. Talvez seria melhor se alguém desse um tapa no rosto afetado de Alice, eu definitivamente me candidataria aquele cargo.
— Tanya, isso não são modos de tratar sua cunhada! — Esme disse barbarizada.
— Eu logo irei me divorciar de Edward, então não farei mais parte dessa família e graças a Deus não serei mais cunhada de Alice. Mas, agora, saiam. Edward já pediu, mas eu estou ordenando. — Tanya arrumou o vestido. — Lucy isso não é nada contra você, querida. A garota ao meu lado assentiu, ainda que continuasse chocada.
Alice foi a primeira a sair da sala de jantar, pisando firme no chão. Jasper e Esme a seguiram. Lucy levantou-se, abraçou Tanya e saiu atrás.
— Vamos nos despedir — Edward chamou por Renesmee, que prontamente foi com ele.
— Você foi maravilhosa, mas podia ter dado um belo tapa na cara de Alice — falei para Tanya, pegando o champanhe que Edward tinha deixado para trás em sua taça.
— Acredite, é o sonho da minha vida. — Tanya revirou os olhos que encaravam o local onde a cunhada estava minutos atrás. — O seu também, não é? Podíamos invadir o apartamento dela e dar uns bons tapas naquela cara azeda.
Gargalhei, recostando-me a cadeira imaginando a cena.
— Tanya, por favor, controle-se — Edward pediu quando voltou a sala de jantar. Reparei em Renesmee atrás dele, parecendo pior do que antes.
— A culpa é toda da sua irmã — Tanya resmungou.
— Ness? — chamei por minha filha, então a vi fechar os olhos e começar a chorar. — Ah Renesmee! — Fui rapidamente em sua direção, sem dar tempo de Edward fazer nada. — Filha, o que houve?
— Isso tudo, eu tentei ser tão forte, mas aqui estou chorando. — Ela enterrou o rosto em meu ombro, soluçando.
— Você foi, foi incrivelmente forte. — Afaguei suas costas. — Não precisa se culpar por nada.
— Renesmee? — Edward a chamou, fazendo com que ela a olhasse. — Vamos conversar okay? Você, sua mãe e eu? — Ela concordou com um aceno de cabeça. — Tanya...
— Podem ir conversar — ela disse entendendo. — Vou ajudar Nelly com essa bagunça toda.
Edward agradeceu, então fomos para a sala já vazia.
— O que eu tenho de fazer agora? Viver em uma bolha cercada de seguranças? Não vou mais nunca poder sair sozinha? — Renesmee começou a questionar quando chegamos lá. — Eu estava pensando em conseguir um emprego, não vou poder? E não quero ir para Yale, é longe daqui, não quero ficar longe de New York por anos, eu amo esse lugar.
— Você vai andar com seguranças, mas eles não ficarão te cercando, com o tempo nem os notará lá, eu prometo. — Edward segurou na outra mão dela, Renesmee estava sentada entre nós dois. — Você pode sair sozinha, vou tentar te colocar com seguranças apenas em ocasiões que precisem de um reforço, talvez só até algum tempo para que essa ameaça perca sentido, mas sempre terá de dizer a mim e a sua mãe onde está, com quem está. E, bom, se você conseguir um emprego, pode ficar com ele. Alías, o que tem em mente? E eu já disse, você não precisa ir a Yale caso não queira, nem a outro lugar. Tudo continuará o mais normal possível, eu lhe prometo, filha.
Renesmee suspirou, soltou da minha mão para poder abraçar Edward.
— Obrigada, obrigada — ela murmurou agarrada a ele.
— Vou cuidar de você, Nessie, eu prometo — Edward tocou no rosto dela cheio de lágrimas. — Eu estive tempo demais praticamente sozinho no mundo, agora tenho uma garota incrível comigo, é mais do que sempre pedi.
— Ah, não seja meloso. — Nessie riu, limpando as lágrimas, Edward riu também. — Tudo bem, eu estou bem — disse para mim. — Pode nos levar agora? Estou realmente cansada.
Edward concordou, fomos nos despedir de Tanya e Nelly, então partimos dali. Nessie não estava mais animada com o elevador panorâmico como quando chegamos ali. O caminho até nosso apartamento foi tranquilo, ela estava praticamente dormindo no banco de trás e Edward dirigia centrado nas ruas diante de si, eu apenas apoiei minha cabeça na janela e fechei os olhos, mesmo sabendo que não dormiria tão rápido quanto Renesmee.
— Vou subir com vocês, só para saber se está tudo certo — Edward anunciou quando paramos diante do prédio que morávamos. — Amanhã irei pedir para os seguranças voltarem a ficar aqui, okay? — perguntou para mim quando subíamos as escadas, Renesmee vinha segurando em meu braço, praticamente se arrastando.
— Tudo bem — concordei sabendo que aquilo era o melhor para Nessie.
— Você quer ir ao Central Park amanhã? — ele perguntou a Renesmee, que pareceu se animar na mesma hora.
— Sim — respondeu empolgada.
— Posso entrar antes? Só para checar se está tudo bem? — Edward apontou para as chaves em minha mão quando paramos na porta.
— Vai em frente! — Passei o chaveiro a ele, que entrou na frente, Renesmee e eu ficamos no hall de entrada, quando ele parecia inspecionar o apartamento, então apareceu calmo.
— Podem entrar. — Encostei a porta.
— Vejo você amanhã, pai! — Nessie o abraçou, Edward deu um sorriso aliviado ao vê-la o chamar daquele jeito mais uma vez. — Boa noite, mãe! — Acenou para mim, então seguiu para seu quarto.
— Venho buscá-la às nove, isso é cedo demais? — Edward perguntou, parando na minha frente no corredor apertado próximo a porta.
— Não, é um bom horário.
— Ótimo — Edward afirmou.
Sua mão foi até a maçaneta da porta, mas passou alguns segundo apenas a encarando, até que se voltou para mim, ficando mais próximo do que antes.
— Edward? — sussurrei seu nome, sentindo minha respiração acelerar com a proximidade dele.
— Aquilo, mais cedo — ele começou a falar, era bem mais alto do que eu, mas estava inclinado em minha direção. — Foi ridículo.
— O quê? — perguntei confusa.
— O beijo que me deu, a Isabella Swan que eu conhecia não beijaria daquela forma tão sem graça. — Uma de suas mãos ficou firmada em minha cintura, enquanto a outra tocou em meu rosto.
— Edward...
— Só não pense em nada, Bella — sussurrou, finalizando a distância entre nós dois ao colocar seus lábios nos meus.
Senti toda a tensão em meu corpo desaparecer como em um passe de mágica, meus braços envolveram seu pescoço, o deixando colado a mim. Edward pressionou seu corpo contra o meu, fazendo com que eu gemesse baixinho, então sua língua estava na minha boca e eu estava tendo o melhor beijo em anos.
Edward era quente, seu corpo, sua boca. E, eu me senti sendo levada de volta para os anos dois mil, em nosso primeiro beijo. Não tinha como não retribuir, não tinha como não querer beijá-lo. Ele fazia aquilo absurdamente bem.
Sua mão que estava em minha cintura foi até meu rosto, o tomando para si. Eu continuava entre a parede e ele, sentindo meus seios contra seu peito. Minhas pernas entre as suas, aquele vestido parecendo mais fino do que antes, era como se eu não estivesse vestindo nada e, como se pudesse ler minha mente Edward passeou suas mãos por meus braços, então até os lados de meus seios, lentamente até parar novamente em minha cintura.
Antes do que eu esperava, acabou. Abri os olhos, deparando-me com os verdes dele queimando sobre os meus castanhos, sua língua passeou por seus lábios, então ele tocou nos meus com um dedo, afastando-se de mim em seguida.
— Isso. — Arrumou a manga de sua camisa social. — Foi um beijo decente. — Abriu a porta. — Boa noite, Isabella.
Então, Edward saiu. Deixando-me ofegante e de boca aberta.
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