Moon River
5 Capítulo Quatro
Notas iniciais
— Capítulo Quatro —
— Bella —
Seattle – Janeiro de 2000
O despertador tocando alto, uma música qualquer dos anos oitenta que eu cresci ouvindo por conta dos meus pais, me despertou em um susto. Eu odiava aquela música, por esse motivo ela era o toque do despertador, só assim para eu acordar e poder jogar o aparelho do outro lado do quarto.
— Ah Deus, por que as pessoas não podem começar a viver depois das duas da tarde? — choraminguei, desligando o despertador com força, o que resultou em minha mão doendo.
Minha mão...Edward...Moon River...Olhos verdes.
Sentei de uma vez na cama, ficando tonta pelo ato abrupto, mas precisava colocar minha cabeça no lugar e ter certeza de que a noite passada não tinha sido um sonho. Bom, o curativo continuava em minha mão e eu ainda sentia meu coração palpitar freneticamente ao me lembrar do sorriso e do olhar de Edward Cullen.
Senti minhas bochechas corarem absurdamente, então recordei que tinha entregado meu número a ele. Como uma garotinha tola, peguei o celular herdado do meu irmão mais velho, esperando encontrar uma chamada de Edward ali, mas não havia nenhuma.
Eu era realmente ingênua, óbvio que Edward sendo do tipo de pessoa que era nunca iria olhar para a garçonete. Ele era rico e se tinha sido cordial comigo devia ter sido por pena, afinal nunca que nossas classes se misturariam.
Edward devia ser o tipo de garoto que ri das empregadas, que esnoba os garçons em um restaurante e nem se preocupa se o resto do mundo está se encaminhando para uma desgraça total por conta das diferenças entre classes sociais. E eu desprezava aquele tipo de pessoa, não fazia sentido estar me importando com alguém daquele feitio.
— Oi Bella, acordou cedo! — Jessica Stanley, que dividia o quarto comigo na universidade, falou ao entrar no dormitório.
— É, bom dia! — exclamei, saindo da cama e afastando Edward dos meus pensamentos.
— Pensei que ia dormir até mais tarde, você não foi trabalhar ontem? — ela indagou, balançando tanto sua cabeça enquanto falava que o rabo de cavalo ia de um lado para o outro, pelas suas roupas ela tinha acabado de voltar de sua rotineira corrida matinal.
— Fui, mas acabei sendo demitida. — Fiz uma careta ao dizer aquilo, mamãe iria querer me matar por ter perdido o emprego tão rápido.
— Oh Bella, sinto muito! — Jessica disse, se esforçando muito para tentar soar como se realmente importava se eu estava ou não desempregada.
Ela não era tão rica quanto Edward devia ser, mas o pai era dono de algumas lojas e a família Stanley tinha uma boa grana. Jessica não passava de outra garota mimada que tinha tudo que queria, quando quisesse, estava de fato pouco se importando para minha condição financeira.
— Se precisar de alguma ajuda, talvez papai possa te arranjar um emprego — ela sugeriu, cogitei a ideia de aceitar, mas não queria me rebaixar tanto assim a Jessica, a garota já gostava de se sentir superior, isso só pioraria.
— Valeu Jessica, vou arranjar outra coisa.
— Se mudar de ideia é só me procurar, amigas são para isso, posso te emprestar grana se quiser — ela falou, acenando para mim, pegando sua toalha e indo para o banheiro.
— Vaca! — resmunguei quando ela saiu.
***
Passei a manhã inteira evitando meu celular, o deixando desligado e trancafiado dentro de uma cômoda em meu dormitório. Lavei minha pilha de roupa suja, fui comer em uma lanchonete ali perto que eu gostava e reli minhas partes favoritas de O Morro dos Ventos Uivantes.
Quando recuperei meu celular, só para saber se meus pais, meu irmão ou minha cunhada tinham ligado, levei um belo susto. Não tinha apenas uma chamada perdida, mas sim dez e todas de um número desconhecido.
Hesitante liguei para aquele número, implorando que fossem ligações por engano, ou que alguém da minha família tinha mudado de número e se esqueceu de me contar antes. Porém, não foi o que aconteceu.
— Bella. — Meu apelido saiu em um sussurro pelo fone do celular, era Edward. — Eu estive te ligando nas últimas horas — ele falou, eu podia senti-lo sorrindo.
— Esteve? — perguntei, mordendo meu lábio inferior. — Não tinha percebido isso com as dez chamadas perdidas, pensei que fosse algum perseguidor.
— Me desculpe se isso foi o que pareceu, Bella. Não queria que achasse que eu sou um maníaco ou coisa assim — ele começou a falar rápido, tropeçando em suas próprias palavras, o que me fez rir.
— Está tudo bem, estava brincando, não te acho um psicopata nem nada parecido — falei. — Na verdade dez ligações nem é nada comparado ao que meu pai faz quando eu não o atendo.
— Ufa, isso me alivia bastante. — Ele riu também. — Você está ocupada?
— Bom, eu estava lendo O Morro dos Ventos Uivantes...
— Então não está ocupada — ele me interrompeu.
— Ei, esse livro é maravilhoso.
— Eu o detesto — Edward afirmou. — Mas que tal discutirmos sobre o mesmo em um café agora a tarde? Conhece algum que pode me levar? Não conheço a cidade tão bem.
— Edward, não acredito que essa seja uma boa ideia — murmurei.
— Claro que é Bella, ou você quer que eu me perca em Seattle? Sou bonito demais, pense no que podem fazer com uma pessoa que tem esse rostinho esculpido pelos deuses.
— Você existe mesmo, Edward? — perguntei gargalhando.
— Eu não só existo, como também te deixarei apreciar esse rosto herdado diretamente dos deuses gregos. Que tal no Bernie’s Café? É perto do salão onde estávamos ontem.
— Você disse que não conhecia a cidade tão bem, não caia em sua própria mentira — brinquei, já procurando por uma roupa para sair.
Não conseguia acreditar que estava mesmo fazendo aquilo, mas era impossível resistir ao que meu corpo queria e ouvir a sanidade mental que ainda possuía.
— Tudo bem, você me pegou garota, mas ainda quero te ver. Pode escolher outro café se quiser, contanto que não seja um que venda descafeinado, acho isso um absurdo. — Ri mais uma vez, era tão difícil não rir do que ele falava.
Pensei no Bernie’s, eu nunca tinha ido lá, mas só a frente do lugar parecia ser cara demais para alguém como eu.
— Podemos nos encontrar no Books and Coffee, fica perto da biblioteca central da universidade, é bem fácil de achar. Não corre o risco de verem seu rostinho olimpiano e te sequestrarem.
— Te encontro lá então, vinte minutos é o suficiente para você?
— Claro — concordei.
— Bella? — ele me chamou antes de desligarmos. — Estou ansioso para nos vermos e por favor, não ria da minha cara quando nos encontrarmos.
— O que quer dizer com isso? — perguntei confusa.
— Você vai entender na hora, até daqui a pouco.
***
Cheguei a Books and Coffee em rápidos dez minutos, o local ficava bem próximo ao prédio do meu dormitório. Era uma aconchegante cafeteria, que também funcionava como livraria, aquilo queria dizer que era um belo lugar para se ficar e relaxar, tomando um café de qualidade e lendo um bom livro.
Entretanto, naquele dia, relaxar era a única coisa que eu conseguiria fazer ali. Estava tão apreensiva por ter marcado uma espécie de encontro com Edward, o que aquilo de fato significava afinal de contar?
Por qual motivo Edward estava tão interessado em manter contato com a garçonete desastrada do casamento de sua irmã?
O barulho da porta se abrindo me sobressaltou, mas não era ele...E se tudo aquilo fosse um jogo? Edward poderia ser como os garotos maus e patéticos de histórias que se lia aos montes por ai? Ele teria coragem de me fazer de boba e marcar um encontro que não ia aparecer?
Levantei-me rapidamente, pegando minha bolsa, disposta a sair dali e não pensar mais em Edward Cullen. Eu não seria boba de ficar esperando por alguém que nunca apareceria.
Não cheguei a dar um passo para longe da mesa, quando a porta foi aberta mais uma vez. Então, era Edward, cinco minutos adiantado.
O sorriso em seu rosto era tão belo quanto eu me lembrava da noite anterior, mas tinha algo de diferente em seu rosto. Prestei atenção, notando uma marca — levemente fraca — preta sobre seus lábios. Edward tinha um bigode desenhado com caneta ali, era por isso que tinha pedido para que não risse dele, quando nos falamos pelo telefone.
Quando Edward se aproximou ainda mais de mim, foi impossível não rir do bigode desenhado em seu rosto. Minha reação o fez ficar emburrado, mas eu não conseguia parar de dar risada do estado em que ele se encontrava.
— Pedi para você não rir, Bella — ele falou, comprimindo os lábios logo em seguida, o que só deixou o falso bigode em mais evidencia.
— Edward, como você quer que eu não ria disso? — indaguei, parando de rir aos poucos.
— Pensei que você fosse uma pessoa mais sensível — disse, de forma magoada, porém voltou a sorrir logo em seguida. — Oi Bella! — sussurrou, então se curvou e depositou um beijo em meu rosto, se demorando no ato alguns segundos, o que achei formidável.
— Oi Edward! — Sabia que estava corada graças ao beijo, mas não dei a mínima, não era tão ruim assim corar por conta dele. — Tenho de admitir algo, pensei que você não viria.
O sorriso em seu rosto desapareceu, Edward arqueou uma sobrancelha e com a voz séria disse:
— Nunca te enganaria, Bella!
Assenti, confiando em suas palavras. Edward indicou a mesa onde eu estava sentada antes, então nós dois nos sentamos. Frente a frente, sem que conseguíssemos desviar o olhar.
— Por que pensou que eu não viria? — Edward questionou, ainda sustentando uma expressão séria no rosto. Seus olhos verdes me avaliavam com tanta atenção que eu me sentia como um livro aberto, como se só de me olhar ele pudesse saber tudo sobre mim.
— Sei lá, não vejo motivo algum para você querer me encontrar — falei, o vendo revirar os olhos.
— Isso...
— Me deixe terminar, por favor — pedi, colocando as mãos sobre a mesa para que eu parasse de estalar os dedos. — Só quero dizer que nós não temos em nada em comum, eu sou apenas a garçonete do casamento de sua irmã, que você muito educadamente ajudou, mas fora isso não encontrei motivo algum que pudesse te fazer querer marcar de me encontrar, em pleno domingo de tarde.
— Não preciso de motivos para querer estar com você, eu só quero estar, isso basta para mim. — A fala dele foi tão intensa que eu precisei desviar o olhar, era muita informação para tão pouco tempo.
Para meu alivio, já que funcionou como uma distração, a garçonete veio até nós perguntar o que queríamos. Pedi apenas um café, estava sem vontade de comer qualquer coisa, na verdade parecia que meu estômago se encontrava completamente embrulhado. Edward por outro lado pediu um café e um torta de chocolate, dizendo ser fascinado por chocolate.
— É a melhor coisa que inventaram — proferiu quando a garçonete se afastou, eu tinha analisado como ele a tratou, nada grosseiro, nada arrogante, apenas simpático e educado. — Acredito que chocolate possa curar qualquer ferida.
— Tudo bem, acho que compreendi sua fascinação por chocolate — falei, a garçonete já tinha voltado com nossos cafés e seu pedaço de torta.
— Obrigada Debby! — Edward agradeceu lendo o crachá dela, a garota que devia ser um pouco mais velha do que eu, deu uma risadinha por ele ter sorrido para ela, então se afastou praticamente suspirando.
Eu a entendia.
— Então — comecei, colocando açúcar em meu café. — Quando pretende me contar o que te fez ganhar esse estilo bigode de canetinha?
Edward riu, quase se engasgando com o pedaço de torta que comia.
— Bom, ao menos você o acha estiloso — falou após engolir. — Enfim, depois que você foi embora e eu me vi sozinho naquela festa chata e entediante, acabei indo parar na mesa das crianças.
— Ai meu Deus. — Voltei a rir. — Você foi sequestrado pelas crianças e elas fizeram isso com você?
— Basicamente, eu perdi uma aposta e minha punição foi desenharem o bigode em mim.
— Tem vinte anos Edward, não acha errado apostar com crianças? — inquiri.
— Elas que tiveram a ideia, duvidaram da minha capacidade de comer o máximo de docinhos em um minuto, mas acabou que não deu certo e eu perdi. Mas agora tenho um bigode estiloso, o que pode ser melhor do que isso? Além de chocolate, é claro!
— Tudo bem senhor Edward Bigode Estiloso, por que ainda não o tirou?
— Porque eu queria ver sua reação a isso, o que foi excelente, sua risada é feia, mas ao mesmo tempo bonitinha.
— Não tenho risada feia — me defendi.
— Tem sim! — Edward exclamou. — Nada como um porco gritando, mas bem perto.
Rimos juntos mais uma vez, então ficamos apenas concentrados em nossos cafés por um tempo. A cafeteria estava vazia aquela tarde, apenas Edward e eu como clientes, o resto do pessoal da faculdade ainda não tinham voltado para valer das férias de inverno.
— Vai ficar em Seattle até quando? Você disse que é de New York, não é?
— Sou sim — Edward confirmou, não se importando em passar o dedo no prato para pegar os resquícios da cobertura de sua torta, ele realmente não parecia com alguém arrogante ou com síndrome de superioridade. — Quanto a faculdade, acho que ainda não vou voltar, Seattle parece mais interessante. — Olhou diretamente em meus olhos.
— Faculdade de que? — perguntei, evitando me deixar abalar por seu olhar cheio de significados.
— Administração, ao que parece o fato de eu ser o único filho homem e o mais velho entre Alice e eu, me caracteriza como o herdeiro imediato dos negócios de papai. — Bufou, fazendo uma careta.
— Então não é isso que quer? Parece ser algo bacana, já ter um emprego logo depois de se formar, nunca conviver com o medo de ser demitido e por último acabar herdando tudo.
— Não, isso é horrível! — Edward proclamou, limpando as mãos em um lencinho, parecendo revoltado com toda aquela história da faculdade. — Eu queria ser médico, cresci querendo ser um, mas fui jogado para algo que não queria. Não posso sair, não tem escapatória, entende? Eu não tenho grana para bancar uma universidade de medicina, meus pais tem e eles são ótimos chantagistas emocionais que conseguem tudo que querem de mim. — Edward suspirou. — Me desculpe, acho que fui um pouco exagerado.
— Está tudo bem. — Estiquei minha mão sobre a mesa, para tocar na sua, Edward desviou a atenção para nossas mãos entrelaçadas. — Não precisa ser contido comigo, eu gosto que as pessoas sejam verdadeiras, principalmente com seus sentimentos.
— Você é tão incrível, Bella — falou, usando sua outra mão para tocar meu rosto. — Lamento dizer isso, mas fico contente que tenha caído ontem para que pudéssemos nos conhecer.
— Quer saber? Eu também estou contente que isso tenha ocorrido — murmurei, sentindo sua mão ainda sobre meu rosto.
— Então, me conte mais sobre você Bella — Edward pediu, tirando sua mão do meu rosto para pegar minha xícara de café e beber um pouco. — Além do fato de você colocar tanto açúcar em seu café, o que é errado com o café e com sua saúde.
— Cala a boca. — Tirei a xícara da mão dele, controlando uma nova risada. — E o que quer saber de mim, Cullen? — indaguei.
— Tudo, quero conhecer cada detalhe de Bella Swan.
— Então comece pelo meu nome, é Isabella na verdade, ainda que eu preferia que fosse Bella.
— Interessante, me conte mais. — Ele se debruçou sobre a mesa, com sua atenção totalmente focada para mim.
Então eu contei, por horas — literalmente — ficamos conversando, sobre minha cidade natal, sobre a vida dele em New York. Contei o quanto estava empolgada com a faculdade e esperava um dia trabalhar em um grande jornal. Edward disse que mesmo não se achando um empresário bom, gostava da empresa da família por ela ser ligada a criatividade por ser de Publicidade.
Falamos sobre livros, filmes, músicas. Discutimos porque ele achou meu gosto musical deprimente e desatualizado, me brigou porque eu não gostava de música dos anos oitenta e seu ritmo alucinado. Eu o briguei por nunca ter lido Romeu e Julieta na versão original, por ele achar O Morro dos Ventos Uivantes ruim e por criticar a quantidade de açúcar em meu café.
Foi...Maravilhoso estar com Edward. Nos riamos, a conversa fluía muito bem e parecíamos estar nos dando muito bem, ainda que discordássemos de alguns assuntos.
— Gente, desculpa atrapalhar vocês, mas preciso que saiam, já estamos atrasados para fechar. — Debby, nossa garçonete veio até nós, enquanto Edward esfregava um pedaço de lencinho molhado no bigode de canetinha, ele disse que a tinta era realmente bem forte já que não tinha saído nem mesmo no banho, mas aos poucos desaparecia.
— Já? — perguntei a ela, chocada que eles já estavam fechando. Olhei pela janela, vendo o quanto o céu já se encontrava escuro.
— Não podem ficar abertos por mais meia hora? — Edward indagou.
— Infelizmente não — respondeu, nem estava mais deslumbrada com a beleza de Edward.
— Tudo bem, pode trazer a conta — ele pediu, então Debby esticou o papel para ele na mesma hora, Edward e eu nos entreolhamos e sorrimos, estávamos mesmo sendo expulsos.
— Quanto deu? — perguntei a ele, depois dos nossos primeiros cafés e da torta, ainda tínhamos comido muito mais, depois que o embrulho em meu estômago evaporou.
— Para que quer saber? — ele questionou, entregando uma nota de cem para Debby. — Pode ficar com o troco como gorjeta.
— Edward, eu quero dividir a conta com você — insisti.
— Que tal assim, saímos outro dia e você paga a próxima conta? — ele propôs. Odiei aquilo, não o fato de ter um futuro encontro com ele, mas dele não querer que dividíssemos a conta.
— Sério que o troco é toda minha gorjeta? — Debby perguntou, dando a mínima para meu dilema.
— Sim — Edward confirmou. — Mesmo vocês nos expulsando gostamos de você, Debby! — ele exclamou se levantando.
— Obrigada! — Debby corou.
Me levantei também, pegando minha bolsa, acenei para Debby, que fez um sinal de positivo para mim e sai da cafeteria com Edward.
— Está com um carro alugado ou vai pegar um táxi? — perguntei quando chegamos a rua.
— Primeiro vou te deixar no prédio do seu dormitório, está tarde demais para te deixar perambulando sozinha por ai.
— Não vou ser sequestrada, Edward!
— Sequestrada? Estou me referindo a você tropeçar e se machucar — falou. — Confesse o quanto isso é a sua cara.
— Não posso discordar disso.
Edward segurou minha mão, o que por um segundo me surpreendeu, mas foi bom. Apenas respirei fundo, deixando sua mão junto a minha.
Caminhamos em silencio até o prédio do meu dormitório, o campus estava praticamente vazio e bastante quieto. Era agradável, assim como estar com Edward ao meu lado, segurando minha mão firme, como se fosse necessário a ele.
— É aqui — anunciei ao parar na frente do meu prédio. — Foi bom sair com você, Edward — sussurrei.
— Podemos sair amanhã?
— Não, eu tenho aula e preciso ir atrás de um novo emprego.
— Eu posso ir com você — ele sugeriu.
— Na minha aula?
— Não, atrás de emprego, posso ser útil.
— Como?
— Meu rostinho bonito esculpido pelos deuses.
Ri mais uma vez aquele dia.
— Tanto faz,você tem meu número, me ligue e combinamos — cedi, soltando minha mão da sua. — Até mais, Edward!
— Espera, tem algo que preciso fazer — falou, se aproximando de mim.
Suas mãos seguraram em meu rosto, Edward se inclinou, então me beijou. Senti meu corpo ficar mole, como se estivesse desaparecendo em seus braços, meu coração acelerou e minhas mãos tremulas seguraram em sua cintura.
Era um beijo com gosto de chocolate e café, um beijo que eu nunca iria esquecer.
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