Moon River
12 Capítulo Nove
Notas iniciais
— Capítulo Nove —
— Bella —
New York – Janeiro de 2016
Um dia Tanya Denali foi minha amiga, um dia compartilhamos nossos sonhos, nossos medos e nossas frustrações. Mas aquilo foi há muito tempo, quando pensei que eu poderia confiar nela. Aquela mulher ali na minha frente, parecia uma completa estranha. Alguém que tinha casado com o homem que eu amei, o homem que ela tinha tido como um amigo por anos. E aquela mesma mulher, a que eu não confiava mais, estava diante do meu maior segredo e poderia arruinar minha vida.
— Mamãe? Tudo bem? — Nessie perguntou, olhando de Tanya para mim. A mulher na minha porta encarava minha filha, eu queria bater a porta na cara dela, tirá-la de perto de Renesmee.
— Tudo, vá para cozinha — ordenei para a garota, me aproximando da porta.
— Mas mãe... — Renesmee começou a falar, olhando curiosa para Tanya.
— Cozinha, Renesmee — mandei mais uma vez, ouvindo Tanya prender a respiração ao ouvir o nome dela, eu sabia que ela tinha associado tudo de uma vez ali.
Assustada com meu tom de voz, como pelo fato de eu não ter dito quem era Tanya, Renesmee seguiu para a cozinha. Queria ir atrás dela, mas não podia fazer isso até tirar a esposa do pai dela do nosso caminho.
— Bella, eu não consigo acreditar nisso — Tanya murmurou, segurando-se no batente da porta como se fosse desmaiar.
— Vá embora Tanya, suma da minha vida! — exclamei. — Eu não quero você aqui, não quero que fique perto dela.
— Precisamos conversar, muita mais agora do que antes — Tanya disse, segurando a porta que eu estava para fechar. — Se você me mandar embora agora eu volto, e conto tudo para sua filha.
— Você não se atreveria — falei, mas temendo que ela fizesse exatamente aquilo.
— Faço sim — Tanya insistiu. — E conto tudo para Edward também.
Senti minha cabeça doer, aquilo era um pesadelo. Edward e Renesmee não podiam nem sonhar com a verdade, de forma alguma.
— Tanya...
— Só quero conversar, Bella. Prometo que irei lhe ouvir, mas para isso preciso que não me expulse.
Suspirei, cansada demais para brigar.
— Tudo bem — cedi. — Mas não pode ser aqui, me espere lá embaixo, preciso dizer a Renesmee que vou ter de sair.
— Não tente fugir, Bella! — Tanya exclamou antes de sair do meu apartamento, pisando firme no chão com seus saltos.
Fiquei algum tempo ali, parada, paralisada talvez. As últimas vinte e quatro horas estavam sendo uma loucura, encontrar com Edward e Tanya na festa, então a mesma surgir pela manhã no meu apartamento. Como diabos ela tinha descoberto onde eu morava?
— Bella? — Me virei, vendo Rosalie ali. — Aquela era Tanya? Renesmee a descreveu lá dentro, eu não posso acreditar.
— Era ela sim — confirmei.
— O que você vai fazer?
— Ela me intimou a ir conversar com ela. — Respirei fundo, seguindo para a cozinha. — Renesmee? — A garota levantou o olhar do pedaço de bolo que comia.
— Quem é aquela mulher, mãe? Eu nunca lhe vi tão atordoada — Renesmee murmurou.
— É uma amiga minha de Seattle — falei, odiando me referir a Tanya como amiga.
— Amiga? Você parecia tão irritada por estar a vendo, amigos não agem bem assim, sabia? E eu nunca a vi antes, qual o nome dela?
— Renesmee, não se meta nos assuntos da sua mãe! — Rosalie calou a sobrinha, ela conseguia ser mais severa do que eu.
— Eu vou sair para tomar café com ela, fique com sua tia — disse para Renesmee.
— Mas se ela é sua amiga porque não toma café conosco? Eu fiz um bolo ontem, quem sabe...
— Renesmee, pare! — Rosalie mais uma vez a calou, a garota olhou para nós duas confusa, claramente sem entender porque estávamos agindo daquele jeito.
— Converso com você depois, Nessie — falei, pegando meu casaco sobre um dos bancos do balcão da cozinha, então segui para fora do apartamento.
Minhas pernas tremiam mais conforme eu ia descendo as escadas do prédio, encontrei Tanya parada perto da porta de saída, encarando confusa um panfleto de uma banda que se chamava Bomba de Bosta. Ela olhou para mim, ao ouvir meu tropeço no último degrau da escada, deu um sorrisinho, mas não disse nada sobre minha falta de coordenação.
— Bomba de Bosta, o que acha? Devem ter letras realmente tocantes — ela disse, abrindo a porta para que eu saísse. — Deveríamos ir ao show, lembra quando Edward nos levou para aquele show de música clássica? Nós reclamamos tanto com ele, coitado, mas foi tão entediante, Bomba de Bosta deve ser muito melhor.
A ignorei, saindo do prédio. Passei a andar rápido, seguindo para uma cafeteria que ficava na outra rua, eu nunca tinha ido lá, mas era o lugar mais longe que chegaria com Tanya.
— Podemos pegar um táxi? Esses saltos estão me matando — ela reclamou, apressando o passo para me alcançar. Nunca entendi qual era a necessidade de sempre estar em cima de saltos altíssimos, Tanya já era alta, não precisava daquele artefato de tortura.
— Já estamos perto, pare de reclamar. — Continuei andando rápido, virando a esquina, já avistando a cafeteria, Tanya emitiu um som de felicidade quando a viu também.
Entrei no lugar e não contive uma careta, deveria ser a cafeteria com aspecto mais sujo que já tinha visto. Ainda assim eu não daria meia volta e procuraria por outro lugar, sentei a mesa mais próxima, vendo Tanya parada na entrada, hesitante.
— Você quer conversar, ou não? — questionei.
— Quero, claro — ela afirmou, caminhando até a mesa. Pegou alguns lencinhos no recipiente em cima da mesa, tirou um frasquinho de álcool em gel da bolsa, ensopou os papeis com o mesmo, então limpou a tampa da mesa, como o banco que sentaria. Eu queria dizer que não acreditava no que estava vendo, mas era Tanya e aquilo não era algo tão fora do comum vindo dela. — Pronto, bem melhor — ela disse, parecendo convicta que o lugar estava livre de bactérias, então sentou-se, mas não retirou o casaco preto, que cobria o vestido branco que ela usava,
Peguei o cardápio, me arrependendo assim que o senti gorduroso, alguma autoridade pública deveria fechar aquele local. Tanya esticou o pescoço, para poder ler o menu. Chamei a garçonete, pedindo um café, a mulher a minha frente pediu um chá de hortelã.
— Agora podemos conversar — Tanya anunciou quando as xícaras foram colocadas a nossa frente, peguei o potinho de açúcar, o despejando sem pena no meu café. — Ela é filha dele, não é?
Larguei o pote de açúcar sobre a mesa, sentindo as lágrimas tomarem conta dos meus olhos.
— Bella?
— Sim, ela é filha dele — confirmei.
— É, não tinha como não ser, eles são absurdamente parecidos — Tanya disse, olhei para ela, a vendo com lágrimas nos olhos também. — Por que nunca contou a Edward, Bella?
— Sério, Tanya? — Fiquei mais irritada do que já estava até ali. — Você realmente acha que eu deveria ter contado ao Edward? Depois de tudo que ele me fez sofrer?
— Bella, Edward foi tão inocente naquela confusão quanto você — Tanya afirmou.
— Inocente? Ele acreditou que eu era uma ladra! — gritei, atraindo todos os olhares das pessoas que estavam na cafeteria para nós. Tanya se remexeu no banco, dando um sorriso amarelado para todos, então voltou a me encarar.
— Não crie um tumulto, Isabella.
— Eu fui presa Tanya. — Senti as lágrimas tomarem conta do meu rosto. — Eu passei uma semana presa, você não faz ideia de o quanto aquilo me quebrou. Minha família até hoje não sabe o que passei, ninguém sabe. Toda a humilhação que sofri naquele lugar, por conta de um crime que não cometi e meu namorado acreditou, Edward não podia ter acreditado.
— Bella, Edward estava cego, todos nós vimos as joias na sua bolsa...
— Mas você não acreditou, não foi? — a confrontei. — Ele acreditou, porque Edward é um fraco e nunca me amou de verdade.
— Pelo amor de Deus, Bella, Edward nunca amou outra pessoa como amou você! — Tanya disse brava. — Tem todo o direito de ficar brava com ele, afinal ele não devia mesmo ter acreditado que era você a responsável pelo roubo daquelas joias, mas...
— Ele demorou um mês para ir atrás de mim, Tanya. Você não sabe o que isso significa para mim, ele foi naquela prisão, mas só para me acusar. Ele me acusou, eu nunca roubaria aquelas joias. Cristo, você e seus pais sempre foram pessoas maravilhosas para mim, me dando o trabalho, tanta liberdade na joalheria, eu nunca os trairia daquele jeito.
— Claro que não, sei disso, por isso você não passou mais tempo presa.
— Obrigada por aquilo Tanya, por ter convencido seus pais a não me manterem presa pelo resto da minha vida por um crime que não cometi, por ter pagado meus advogados, limpado meu nome, mas eu não te devo mais nada.
— Não estou lhe cobrando nada, não é a mim que deve algo. — Tanya bebericou seu chá. — É horrível. — Afastou a xícara de si.
— Não vou contar nada a Edward, Tanya — deixei bem claro. — E se você se atrever a contar a ele, eu fujo com minha filha. Ninguém vai nos achar, ninguém vai tocar nela.
— Bella, seja mais racional. Edward merece saber que tem uma filha! — exclamou indignada.
— Não posso deixá-lo conhecer Renesmee, não posso deixar ninguém daquela família chegar perto dela. — Suspirei, encarando o café a minha frente.
— Bella...
— Foram eles Tanya, você sabe disso tão bem quanto eu, não é? Foram os Cullen que colocaram aquelas malditas joias na minha bolsa, era a forma perfeita deles me tirarem da vida de Edward. Não sei se foi apenas Esme e Carlisle, ou a princesinha Alice também estava no meio, mas tenho certeza de que tem o dedo de um deles nisso.
— Você não tem provas disso, o que está falando é algo tão sério quanto as acusações que fizeram contra você.
— Mas você sabe que foram eles também, não sabe? — voltei a perguntar. — Diga Tanya!
Ela passou a mão pelos cabelos absurdamente loiros, olhando para os lados antes de dizer:
— Claro que eu também acredito que foram eles, quem mais iria armar aquilo contra você, Bella? Os Cullen te detestavam, seriam baixos o quanto fosse necessário para tirá-la da vida de Edward. Mas eu assim como você, não tenho prova alguma que os incrimine. As câmeras do salão pararam de funcionar misteriosamente aquele dia, lembra? Eles armaram tudo muito bem. E lamento muito Bella, mas eu não posso comprar essa briga, nem mesmo por você. — Tanya parecia com medo. — Os Cullen são desprezíveis, sou parte da família deles agora, mas sei que eles não se importariam em me ferrar também.
— Por que você se casou com Edward? — indaguei.
— Não quero falar disso. — Ela limpou as lágrimas que corriam silenciosamente por seu rosto.
— Por quê? — perguntei entredentes.
— Quer mesmo saber? — Ela pareceu muito brava ali. — Porque depois que você foi solta e saiu das nossas vidas, depois que eu te ajudei, meus pais estavam putos da vida comigo, afinal eu tinha ajudado uma ladra segundo eles e toda a classe rica de Seattle. Então eu fui embora para Paris, minha irmã não estava muito contente comigo também, mas ela me acolheu. E tudo pareceu melhor no ano seguinte quando conheci Louis, mas ele era só um grande babaca que tentou me matar.
Senti que naquele momento fiquei o mais sem expressão e reação possível.
— Como? — perguntei quase gaguejando.
— Era um relacionamento abusivo, ele era nojento, mas me fazia acreditar que ele era o único homem que teria em minha vida. Não sei quantas vezes apanhei dele, verbalmente e fisicamente, só sei que quando ele apontou uma arma para mim foi o limite.
— Sinto muito por isso — falei honestamente.
— Foi por isso que me casei com Edward. — Ela abraçou a si mesma. — Porque ele ainda estava se recuperando do que houve entre vocês e eu precisava urgentemente limpar meu nome. Foi um casamento por conveniências se quer saber, o que ele sente por mim e o que sinto por ele ainda é o mesmo de quinze anos atrás, somos só amigos que agora dividem um sobrenome.
— Não me importo com isso — menti.
— Bella, você precisa contar a Edward. — Ela voltou a falar sobre Renesmee. — Que mentira inventou a ela?
— Eu disse que o pai dela era um cara que trabalhava comigo em Seattle, que ele morreu antes mesmo de eu descobrir estar grávida.
— Bella isso é muito baixo. — Tanya ficou com uma expressão de nojo. — É a sua filha, como pode mentir para ela desse jeito?
— Como acha que eu poderia contar a verdade? — a confrontei. — Ah Renesmee, você não faz ideia de quem é seu pai. Um cara que acreditou que eu era uma ladra, quem foi um dos primeiros a ligar para a policial e me viu sendo algemada na frente de todos e não disse nada. É isso que acha que eu deveria ter dito a ela? E como acha que seus sogros e sua cunhada reagiriam ao saber dela? Eles diriam que eu teria aplicado um golpe da barriga em Edward. Não Tanya, eu não podia envolver Renesmee com essas pessoas.
— Edward sempre quis ter filhos, você está negando o maior sonho da vida dele!
— Por que você não dá filhos a ele? É a esposa. — Bati na mesa.
— Porque eu não posso ter filhos, se eu pudesse Edward e eu já teríamos, talvez essa fosse a parte que nos mantivesse realmente de pé depois de tantas merdas que tivemos de passar. — Tanya enfiou o rosto entre as mãos. — Conte a eles, Bella!
— Não!
— Eu vou contar, você sabe disso. — Ela voltou a me olhar. — Estou te dando a oportunidade de ser verdadeira com sua própria filha e com Edward, faça isso.
— Tanya, por favor — implorei. — Ele vai querer tirá-la de mim, eu não posso perder Renesmee, ela é tudo que eu tenho! — Comecei a chorar para valer, Tanya saiu de seu banco, contornou a mesa e sentou ao meu lado, me abraçando.
Minha primeira vontade foi de afastá-la, mas eu não consegui. Tanya estava certa, ela era minha amiga, ela confiou em mim quando ninguém mais confiou, ela brigou com todos para me tirar daquela cadeia, como não deixou que ninguém descobrisse sobre aquilo. Se não fosse por ela eu continuaria presa, meus pais saberiam da história e o que seria pior, Renesmee teria nascido de uma mãe presidiária e sido mandada diretamente para o covil dos Cullen.
— Eu sinto muito, eu sinto muito — ela entoou, me abraçando mais forte. — Você não deveria ter passado por nada disso, ter criado sua filha sozinha, precisado mentir para ela. Ah Bella, você deveria ter me procurado, eu nunca lhe negaria ajuda.
— Tanya, não faça com que eu conte a verdade a ninguém. Edward irá tirá-la de mim, Renesmee me odiará — pedi, erguendo o rosto para olhá-la.
— Não posso compactuar com sua mentira, Bella — ela disse, passando a mão pelo meu rosto, tentando levar as lágrimas embora. — Eu prometo que irei ficar ao seu lado, impedir que Edward faça alguma bobagem, até mesmo tento conversar com Renesmee, mas eu não vou esconder a verdade.
Assenti, eu sabia que ela estava certa, assim como Rose sempre esteve. Aquela bola de neve de mentiras tinha chegado longe demais, estava na hora de desmanchá-la.
— Como você me encontrou? Edward sabe onde eu estou? — questionei.
— Não, ele não faz ideia — ela respondeu. — E bom, você pode odiar o sobrenome Cullen, mas ele abre muitas portas. — Tanya não pode de deixar um sorriso surgir em seu rosto. — Só precisei fazer uma ligação para o jornal que Jasper te viu entrar no inicio da semana, logo soube onde você morava. Precisava te ver depois daquele encontro desastroso da última noite.
— Você é péssima! — exclamei, rindo baixinho.
— Sempre soubemos disso, querida — Tanya sorriu para valer. — Eu senti sua falta, Bella. Você foi a única amiga verdadeira que eu tive depois de que minha irmã faleceu. Sei que o momento não é propicio, que eu casei com o homem que você ama...
— Eu não amo Edward.
— Mas eu quero que saiba que ainda nutro a mesma amizade por você, que a confiança que depositei em você quinze anos atrás permanece intocada. — Então Tanya me abraçou mais uma vez, com a péssima mania dela de sair abraçando todos e espalhando seu perfume por ai. — E meu Deus, você fez uma filha linda! — exclamou, parecendo uma adolescente vendo seu ídolo preferido.
— Não posso discordar disso. — Gargalhei. — Ela é a cara do Edward, não é?
— Mais parecida impossível, é como ver a versão feminina dele. Ele vai surtar, vai querer sair espalhando para os quatro cantos do mundo que tem uma filha. Ela se chama Renesmee, era o nome que ele queria não é? A junção do nome da sua mãe com a da víbora da Esme?
— É — confirmei. — Eu odeio aquela mulher, mas foi um modo de apaziguar a culpa que eu estava sentindo por não contar a ele.
— Você já sabia que estava grávida quando ele foi lhe procurar um mês depois, não é?
— Já, eu quis contar Tanya, juro. — Suspirei. — Mas só conseguia me lembrar de Edward gritando no dia da festa que eu tinha roubado aquelas joias, eu não consegui.
—Vamos resolver tudo isso, todos esses malditos problemas do passado! — Tanya exclamou, parecendo uma palestrante de autoajuda. — E quanto antes melhor, você que contar a Edward ou a Renesmee, primeiro?
Parei para pensar, aquilo estava acontecendo tão rápido, eu não sabia como agir.
— Não faço ideia.
— A Edward, então. — Tanya decidiu por mim. — Renesmee é uma adolescente, mas ele talvez vá encarar isso bem pior, precisamos acalmá-lo antes de contar a ela, até para que o idiota não tome nenhuma medida drástica e assuste a menina.
— É, acho que sim — murmurei, ainda perdida com tudo aquilo. — O que está fazendo? — perguntei quando ela jogou uma nota de cem sobre a mesa. — Um café e um chá não custam tudo isso.
— Não tenho nota menor. — Ela deu de ombros. — Não faça essa cara de nojo, Isabella Swan. Apresse-se, temos que ir.
— Ir? Para onde? Não Tanya, eu ainda não posso contar isso a Edward, preciso de um pouco mais de tempo para me preparar.
— Ah isso? Não, eu sei que precisa. — Ela me ergueu do banco, me arrastando para fora da cafeteria. — Vamos para seu apartamento, preciso conhecer Renesmee melhor, querendo ou não ela é minha enteada e tenho de abraçar aquela menina para ter certeza de que ela é real.
Deixei Tanya ir comigo para o apartamento, ela era a única pessoa com o sobrenome Cullen que eu não tinha medo de que chegasse perto de Renesmee. Ela confiava em mim, e eu confiava nela. Eu só não confiava em Carlisle, Esme e muito menos em Alice.
Como não tinha ideia de que seria realmente seguro contar a Edward a verdade, parecia que estava voltando a quinze anos atrás, quando tudo foi muito incerto e perigoso. Mas ali não era perigoso para mim e ele, mas para Renesmee, a garota que por toda sua vida tratei como se fosse quebrar a qualquer momento.
E ela podia quebrar, o que mais me assustava naquilo e que eu mesma poderia me ferir depois de quebrá-la. Era um sentimento egoísta, queria privá-la para seu bem — ao menos na minha concepção —, mas sabia que no fundo todas aquelas mentiras foram para defender a mim mesma.
Olhei para Tanya enquanto abria a porta do apartamento, sabia que não tinha mais escapatória. Passado e presente se chocariam, muitos poderiam sair feridos, mas era o certo a se fazer.
Renesmee estava na sala com Rosalie quando entramos, Tanya ao meu lado parecia empolgada demais, mas também hesitante. Fiz um sinal para que ela me acompanhasse, então falei:
— Renesmee, essa é Tanya, minha amiga.
— Oi — Renesmee murmurou, colocando-se de pé, Rosalie olhava apreensivamente para todas nós.
— Bella, eu ainda não acredito — Tanya disse para mim, mas sem tirar os olhos de Renesmee.
— Não acredita no que? — Renesmee perguntou totalmente perdida naquela situação.
— Tanya só está emocionada por lhe conhecer, ela foi minha amiga antes de eu engravidar, não sabia da sua existência. — Sorri gentilmente para Nessie, que sorriu para mim, então para Tanya.
— É um prazer lhe conhecer, Tanya! — Renesmee esticou a mão para ela. — Não conheci muitas pessoas do passado da minha mãe, você conheceu meu pai?
Tanya apenas ignorou a mão dela e a abraçou, começando a chorar em seguida. Minha filha me olhou assustada, mas retribuiu o abraço. Eu respirei aliviada, Tanya não machucaria Renesmee. Eu realmente podia confiar nela e talvez tinha de fato recuperado uma amiga.
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