Moon River

13 Capítulo Dez


Notas iniciais
Oi gente, tudo bem com vocês? Hoje venho lhes convidar para ler minha outra história no mundo da Saga Crepúsculo: Psycho Killer https://fanfiction.com.br/historia/652591/Psycho_Killer/. Espero que gostem desse capítulo de Moon River, boa leitura!

— Capítulo Dez —

— Bella —

Seattle – Janeiro de 2000

Nunca tive que enfrentar pais de namorados, ou eles não estavam nem ai para mim, ou não estavam nem ai para os próprios filhos. Mas, sabia que com os Cullen seria diferente, eles não queriam apenas jantar comigo, aquilo me parecia muito mais como uma tortura para saber se eu merecia, ou não, estar junto do filho deles.

Obviamente aquilo tudo era muito fora do normal para mim, Edward já era maior de idade, não precisava da aprovação dos pais a respeito de namoros. Ainda assim, não queria largar tudo para cima, claro que também era precipitado já estar sendo apresentada aos pais dele, mas eu nunca tinha me sentindo daquele jeito, tão viva e tão bem, com mais ninguém como me sentia com Edward.

— Atrasado, como sempre — o homem, pai de Edward, falou. — Você podia ao menos honrar os compromissos que marca Edward, já que não dá a mínima para sua vida profissional, no mínimo mantenha sua vida profissional nos eixos.

Carlisle Cullen não parecia ser um homem velho, mas a expressão em seu rosto era muito autoritária e rígida. Os cabelos dele eram loiros, quase platinados de tão claros que eram, os olhos num tom de azul acinzentado, semelhante a Edward apenas na altura.

— Você conhece Edward, Carl, sempre sendo o mesmo garotinho que vivia no próprio mundo quando criança — a mãe de Edward disse, no mesmo momento senti o mesmo apertando minha mão com força.

— Parem, por favor, não demoramos tanto assim — Edward disse, erguendo o rosto e colocando suas costas em uma postura ereta. — Bella, esses são meus pais, Carlisle e Esme Cullen — os apresentou, fazendo com que ambos levantassem para me cumprimentar.

— Olá, é um prazer conhecê-los — falei, sabendo que meu tom de voz tinha soado quase desesperado, o que era ridículo, eu nunca tinha sido daquele jeito.

O aperto de Carlisle em minha mão foi firme, mais um pouco de força e chegaria a doer. Esme por outro lado, mal tocou em minha mão, como também vi que ela limpou a mesma em seu vestido azul escuro logo depois do contato.

— Estávamos ansiosos para conhecê-la, Isabella — Esme falou, indicando que Edward e eu devêssemos sentar, então fizemos aquilo, ficando de frente para os pais dele.

— Podem me chamar de Bella — pedi, sorrindo gentilmente para ambos, eu faria aquilo dar certo. Eu tinha conquistado a simpatia da professora mais carrasca da faculdade, uma de psicologia que parecia odiar todos, mas que se deu bem comigo, os Cullen não iriam me odiar para a frente.

— Ele não para de falar em você, Isabella, desde que se conheceram dois dias atrás — Esme prosseguiu sua fala, como se eu não tivesse a interrompida. — E pelo que estou vendo, você parece mesmo inesquecível. — Não foi preciso de muito para detectar o tom debochado em sua voz, mas continuei ignorando, eu conseguiria ser superior a Esme.

— Onde vocês estavam para se atrasar? — Carlisle perguntou a Edward, folheando o encarte de vinhos.

— Com a Tanya, Bella vai trabalhar com ela na joalheria — Edward respondeu, arrancando um risinho baixo de sua mãe. — Elas já parecem grandes amigas, não é Bella? — ele me perguntou, lançando um grande sorriso para mim, também ignorando sua mãe.

— Tanya é uma pessoa muito legal, gostei bastante dela — respondi, sorrindo verdadeiramente desde que encontrei os pais dele aquela noite.

— Bom, espero que ela tome um rumo em sua vida, os pais estavam tendo muitos problemas com a garota. Onde já se viu não querer casar, ainda por cima querer ser modelo profissional. Levar isso como uma diversão, um trabalho ou outro é aceitável, mas pessoas do nosso nível social não tem trabalhos desse porte, chegaria a ser ridículo — Esme proclamou.

— Como foi para a irmã dela — Carlisle entoou, chamando um garçom que estava parado dentro da sala como se não estivesse ali antes.

— Podemos parar de falar nisso? — Edward pediu.

— Claro querido, não queremos falar sobre a ousadia da Tanya no meio desse jantar tão importante. — Esme sorriu para mim. — Bonito vestido Isabella, onde o arranjou? Não me diga que é de catalago, parece tão chique.

— Na verdade é de Tanya, ela o emprestou para mim — respondi, alisando a saia do vestido por debaixo da mesa. — Foi muito gentil comigo.

— Gostei do seu penteado, mas ainda acho que os Estados Unidos não estejam prontos para esse estilo, quem sabe na Europa — ela alfinetou, o que fez minha expressão bondosa desaparecer, eu não conseguia mais tentar ser simpática com aquela mulher que parecia muito com uma naja. — Carl, peça logo esse vinho, você escolhe demais! — exclamou para o marido. — Seja como Edward, faça escolhas simples.

— Traga o mais caro — Carlisle ordenou para o garçom, que deixou a sala reservada onde estávamos no restaurante.

— Então Isabella, soubemos que você estava trabalhando na festa de casamento da nossa filha — Esme voltou a falar, colocando a mão sobre a do marido. — Uma pena não ter ficado até o final, assim que Edward falou sobre você ficamos loucos para conhecê-la, saiba que fomos bem rígidos com a dona do Buffett pelo modo como ela a tratou.

Eu não podia acreditar naquilo, na verdade acreditava que teria sido mais fácil ela ter rido junto com a minha ex chefe por eu ser tão desastrada.

— Ah sim! — Edward exclamou, parecendo se lembrar de algo. — Não lhe contei, mas depois da festa mamãe realmente colocou a mulher em seu lugar.

— Isso é sério? — perguntei surpresa.

— Claro — foi Carlisle quem respondeu. — Ninguém age daquela forma insolente diante de um Cullen, ela viu que Edward estava ao seu lado e a destratou mesmo assim. Mas agora a mulherzinha está em seu devido lugar, tomamos providencias que ela não trabalhe mais em nenhum Buffett da cidade.

Fiquei estática, aquilo tudo era mesmo necessário? Parecia demais, exagerado.

— Obrigada, eu acho — murmurei.

— Espero que lembre-se do que fizemos por você, então nos compense no futuro — Carlisle disse aquilo bem sério.

— Conte-a eles um pouco sobre a faculdade, Bella — Edward pediu. — Bella tem as maiores notas, não é? — Seu rosto parecia tomado de orgulho ao dizer aquilo.

— Bom, isso é realmente bom, inteligência é algo que deve ser aclamado — Carlisle falou. — Mas nos conte sobre seus pais, o que eles fazem da vida?

— Meu pai é policial, em Forks, uma cidadezinha há algumas horas daqui. Minha mãe é dona de casa, mas quando pode ajuda uma amiga em um restaurante, para ajudar nas despesas de casa — respondi, não me sentindo nada envergonhada por aquilo, eu amava meus pais, o que eles faziam para viver era honesto e digno.

— Interessante — o homem fez uma careta. — Você pretende se formar no que na faculdade?

— Jornalismo.

Naquela hora o garçom apareceu trazendo vinhos, então começamos a fazer os pedidos. Agradeci por ter feito um curso online de italiano e saber ao menos o básico do que dizia naquele cardápio, mas ainda assim optei pelo prato mais comum e não tão caro, eu não queria uma conta alta minha nas costas dos Cullen.

— Já foi a Itália? Você fala italiano muito bem! — Esme pareceu contente com aquilo, logo após me ouvir pedir, pelo menos ela reconhecia um dos meus pontos positivos.

— Fiz um curso pela internet — contei. — Meu pai escolheu meu nome por achar a Itália linda, um dos meus sonhos de vida é viajar para lá, é o que pretendo fazer depois da faculdade.

— Vai amar o local, é tudo muito lindo! — Edward exclamou, se inclinando para beijar minha bochecha, foi impossível não sorrir com o gesto dele. — Fomos lá no verão passado, foi ótimo, não foi? — virou-se para os pais, que o encaravam, continuei ignorando suas expressões emburradas.

— Foi. — Esme suspirou. — Devia mesmo ir para a Itália, Bella, quem sabe não consegue uma bolsa e termina sua faculdade lá.

— Não acho que queira deixar os Estados Unidos agora — falei a provocando, entendendo perfeitamente sua fala.

— Eu lhe entendo, não quero sair de Seattle tão cedo. — Edward segurou em minha mão.

— Mas você vai — Carlisle disse entredentes. — E vai quando sua mãe e eu voltarmos para New York, você já foi muito disperso Edward, está na hora de se focar em seu futuro e todos sabemos que não é aqui — continuou a falar. — Muito menos ao lado dessa garota que irá manchar o nome da nossa família.

Aquilo foi o suficiente para mim, principalmente depois de Carlisle dizer aquilo com nojo em sua voz. Levantei-me da cadeira, a empurrando para o lado e tirando as mãos de Edward de mim, sai da sala batendo a porta com força, então praticamente corri até o lado de fora do restaurante.

Eu estava bem longe da faculdade e não conhecia aquele lado da cidade tão bem ao ponto de encarar qualquer transporte público sozinha, então me vi obrigada a esperar um táxi para voltar para meu dormitório. Aquele dia estava acabando da pior maneira possível, só queria enfiar-me debaixo das minhas cobertas e poder dormir, seria ótimo poder apagar e só acordar quando eu tivesse esquecido de Edward e da família dele.

O táxi apareceu bem na hora que ouvi o Cullen gritar meu nome, mas consegui entrar no carro antes dele me alcançar. Dei o endereço para o motorista e implorei para ele ir bem rápido, enquanto o carro ia se afastando, podia ver Edward esperando os manobristas levarem a Ferrari de seu pai para ele, isso se ele fosse mesmo sequer se dar ao trabalho de ir atrás de mim.

Paguei o táxi com o dinheiro que tinha guardado no all star, era um velha técnica adquirida com meu irmão mais velho para casos de emergência. Eu já estava entrando no prédio do dormitório, quando mais uma vez ouvi Edward me chamar.

— Bella, precisamos conversar! — ele exclamou, correndo até mim.

Eu parei, mesmo sabendo que deveria entrar e deixar trancado do lado de fora.

— Não dá, Edward — disse antes que ele voltasse a falar. — Simplesmente não dá, seus pais são pessoas horríveis, repugnantes e mesmo que eu goste de estar com você, não posso estar com eles.

— Não somos um pacote, você não precisa estar com eles.

Coloquei o rosto entre as mãos, contendo a vontade de gritar.

— Somos de mundos completamente diferentes, Edward Cullen. Você é herdeiro de uma empresa que pode ser comparada a um Império, eu sou só uma garota qualquer que teve que estudar muito a vida toda para conseguir uma bolsa para a faculdade porque não tem grana para nada. Seus amigos, sua família, seu estilo de vida. — Apontei para a Ferrari. — Gosto de você, gosto mais do que devia gostar de alguém que mal conheço, mas não vou seguir em frente com essa história.

— Eu estou apaixonado por você, Bella! — Edward gritou, chamando a atenção das pessoas que circulavam por ali, para nós. — Você não pode ignorar isso.

Sabia que também estava apaixonada por ele, era estranho, novo e misterioso, mas ainda sabia que não era algo que devia dar corda. Se tratava de um sentimento que seria muito melhor cortar quando ainda se estava no inicio, pois era claro que depois de maduro ele machucaria muito mais.

— Também não posso ignorar o jeito que seus pais me trataram, o jeito que todos irão me tratar quando descobrirem que uma garota pobre como eu está com o filho de uma família considerada uma realeza.

— Não ligo para nada disso, Bella — Edward disse, se aproximando mais de mim e tomando meu rosto em suas mãos. — Vamos mandar todos para longe, quero ficar com você, sei que quer ficar comigo também.

— Não, não quero. — Tirei suas mãos de mim. — Chega Edward, vamos acabar o que mal começou, é o melhor para nós dois.

— Bella...

— Não, por favor não me ligue, eu não quero falar com você — insisti, o olhando uma última vez antes de me virar de costas e entrar no prédio do meu dormitório.

Sentia meus olhos arderem e sabia que queria chorar, mas não podia fazer aquilo pelos corredores, esperaria até chegar ao meu quarto. Isto se tornou impossível quando entrei lá e dei de cara com Jessica, ela estava estudando, mas largou seus livros a me ver.

— Oi Bella, como foi seu encontro com Edward? — ela perguntou soando simpática, o que sabia que era puro fingimento. Jessica apenas queria saber mais sobre ele e a família Cullen.

— Não encha minha paciência, garota. — Passei direto por ela, indo buscar roupas em meu armário.

— Que vestido é esse? Ele é lindo! Por Deus, é um Dior? — Com a fala de Jessica só consegui pensar em Tanya, eu teria de ir até a joalheria no dia seguinte, recusar o emprego e devolver o vestido a ela. — Bella, me responda!

— Se jogue debaixo de um carro e faça um favor para a humanidade — falei para Jessica, indo para fora do quarto, em direção ao banheiro. Só pude ouvi-la gritando algo como:

— Vaca metida!

Quando sai do banho, evitei meu quarto, eu estava estressada demais para cruzar de novo com Jessica e ter mais uma briga estúpida com ela. Então, segui para o hall do prédio, poucos alunos ainda estavam ali, com o passar do tempo todos foram indo embora e fiquei sozinha, apenas os seguranças permaneciam na portaria, fiquei no meu canto olhando para as paredes por pelo menos duas horas, remoendo na minha cabeça o jantar com os Cullen.

Eles tinham sido arrogantes, ignorantes e o pior de tudo, preconceituosos comigo.

— Isabella? — A voz, mesmo que eu só tenha ouvido aquela noite, de Esme soou atrás de mim em um tom inconfundível. Levantei do sofá que estava, virando para ela, a vendo sozinha ali, muito melhor do que com seu marido filho da puta.

— O que está fazendo aqui? — questionei.

— Vim pedir desculpas — ela colocou sua bolsa sobre o sofá. — Não só por meu comportamento, mas pelo do meu marido também, fomos muito...Hostis com você, não deveríamos ter lhe tratado daquele jeito.

— Acho que Carlisle não se arrepende, não é? Já que ele não está aqui.

— Acredite Isabella, é muito difícil para todos nós que temos Cullen em nossos nomes, pedirmos desculpas. Se meu marido não veio, é porque ele é o que leva isso mais a sério, mas sei que ele também está arrependido por ter dito aquilo. — A mulher era muito parecida com o filho, ou melhor o contrário acontecia. Edward tinha herdado os mesmos olhos verdes dela, assim como o cabelo ruivo e também as feições do rosto mais afinadas, ainda que nele tudo fosse mais destacado.

— Não posso aceitar as desculpas, nem as suas, muito menos as que nem existem do seu marido.

— Então não as aceite. — Esme deu de ombros, recuperando sua bolsa. — Mas tenho que dizer que nunca vi meu filho tão apaixonado por alguém como está por você, meu marido e eu podemos não achar a melhor escolha de Edward, mas isso não quer dizer que não possa ser integrada ao nosso mundo. Posso transformá-la em uma garota que um dia teria condições de carregar o nome da nossa família.

Eu ri, o que pareceu assustar aos seguranças.

— Não quero fazer parte do mundo de vocês, Esme Cullen. — Ela sorriu, parecendo gostar de algo em minha frase.

— Ótimo, sei que Edward consegue uma pessoa muito melhor. — Esme tocou no meu rosto, o levantando. — Mas preciso admitir, Bella. — Revirou os olhos. — Você é uma garota forte, esta é uma qualidade Cullen, se você se esforçasse seria muito mais como nós e muito menos como a garota que é agora.

Notas finais
O que acharam?? Comentem, por favor. Vejo vocês no próximo, beijos! Lola Royal. 19.03.16