Moon River

18 Capítulo Catorze


Notas iniciais
Boa leitura! (Lembrando que ainda teremos alguns capítulos no passado, então não posso sumir com eles de uma hora para outra, sejam compreensivos. Sábado tem capítulo em 2016.)

— Capítulo Catorze —

— Bella —

Seattle – Janeiro de 2000

Seguranças, Edward tinha seguranças, não no singular, no plural mesmo. Dois seguranças altos, fortes demais e que pareciam que poderiam matar alguém com um simples apertar de mãos. Um chamava-se Félix, o outro Paul e eu estava aterrorizada com o fato de Edward precisar deles.

— É necessário — Edward murmurou constrangido quando foi me buscar no sábado para o jantar de aniversário do pai dele. — Recebemos mais uma daquelas ameaças recentemente, aparentemente alguém detestou o fato de Alice ter se casado com o filho de um político. Ela teve de ser escoltada do aeroporto até nossa casa, está um poço de nervos. — Abriu a porta para que eu entrasse no banco de trás do carro, os seguranças entraram no banco da frente e Paul era quem dirigiria.

— Ela está bem? — perguntei a Edward. — Você sabe, ela está grávida e tudo o mais — sussurrei para que os seguranças não nos ouvissem.

— Está sim, só ficou irritada por ter sua lua de mel encurtada, não era seguro passar muito tempo afastada do país. — Edward segurou em minha mão, depositando um singelo beijo na mesma. — Senti sua falta — ele disse.

— Também. — Suspirei, aconchegando-me em seu corpo.

Tinha exatamente uma semana desde que nos conhecemos e parecia que eu tinha vivido uma vida inteira ao lado de Edward, nosso primeiro encontro desastroso no meio do casamento da irmã dele. Nosso primeiro encontro de fato no domingo quando demos nosso primeiro beijo. O jantar na segunda onde brigamos, então nossa reconciliação na terça. O restante da semana tinha sido o mais tranquilo possível. Até porque eu não tive meu caminho cruzado por mais nenhum Cullen, de toda a forma foram dias muito bons.

Edward e eu almoçávamos juntos após minhas aulas, então ele me deixava para trabalhar e eu tinha um belo tempo para ajudar Tanya em tudo, até mesmo vetar suas extravagâncias. Então, de noite, Edward e eu nos reencontrávamos novamente e passeávamos pela cidade.

Eu deveria estar exausta depois de uma semana tão longa, mas a verdade era que estava tão bem por estar junto de Edward que cansaço era algo que podia muito bem ser deixado de lado. Apesar de tudo, ficar com Edward me deixava absurdamente feliz.

— Você tem um perfume maravilhoso. — Fiquei mais próxima dele, apoiando minha cabeça em seu peito podendo ouvir seu coração bater. Nossas mãos continuavam entrelaçadas e sorri para aquilo, eu nunca tinha me sentido tão próxima a alguém como me sentia de Edward.

Parecia loucura a forma rápida que tudo estava encaminhando, mas eu não conseguiria encarar aquilo de outra forma. Rosalie disse que eu devia relaxar e curtir, que amores devem ser insanos e intensos, decidi que era uma boa hora para ouvir os conselhos da minha cunhada.

— Bella — meu apelido soou perfeito na voz de Edward. — Obrigado por ter me feito ficar, não sei se teria sido uma decisão sabia voltar para New York.

Remexi-me no banco, para poder olhar para seu rosto e mesmo no escuro do interior do carro eu podia ver o brilho em seus olhos. Toquei gentilmente em seu rosto, sentindo sua barba começar a crescer, beijei seus lábios por um instante, deliciando-me com o toque de sua boca.

— Foi a minha melhor decisão pedir que você ficasse — falei. — Além do mais, eu não poderia te deixar ir e perder o fabuloso jantar na casa dos Cullen. — Edward riu, sabendo que eu estava sendo irônica.

— Eles prometeram se comportar — Edward disse, mesmo parecendo hesitante quanto a isso. — E já que estamos falando sobre família, você ainda não me disse quando poderei conhecer a sua. Sei que eu fui precipitado em te apresentar tão cedo para meus pais, mas quando conhecerei os seus? Forks não fica há três horas daqui?

— Fica — respondi, sentindo-me ansiosa por aquilo. Papai ia adorar Edward, Rosalie claramente já tinha um fã clube montado para o mesmo e depois de interrogá-lo por tudo, Emmett também gostaria do Cullen, quem me preocupava era Renee. Ela seria inconveniente e me deixaria constrangida, ficaria louca de felicidade quando descobrisse que eu estava namorando (afinal era aquilo que Edward e eu éramos) um herdeiro de uma fortuna.

— Bella?

— Mais um pouco de tempo, okay? — pedi. — Quando as coisas se acalmarem, eu estou ocupada com a faculdade, o trabalho e você tem toda sua nova vida em Seattle sendo planejada agora. Podemos esperar mais um pouco de tempo até ir a Forks para que conheça meus pais, quem sabe depois da festa da joalheria? Podemos tirar um fim de semana e ficar lá, a cidade é pequena, mas acho que gostará do aconchego — sugeri.

— Perfeito — Edward concordou. — Se é o que quer eu aceito.

— Obrigada. — Sorri aliviada. Rose tinha ordens expressas de não contar nem a meu irmão sobre Edward, muito menos aos meus pais. Na hora certa eu contaria a eles, mas aquele não era o momento para mais constrangimentos familiares.

Não demorou muito mais para o carro conduzido por um dos seguranças entrar na mansão dos Cullen, era de fato uma mansão, com grandes portões cor de bronze e até mesmo o brasão da família desenhado ali. Senti-me entrando em um cenário de filme de máfia, como se a qualquer momento forças inimigas fossem entrar ali e render a todos nós.

O carro contornou uma fonte que tinha no jardim da frente, então parou diante uma escadaria que levava ao interior da casa, uma casa que devia ter uns três andares, mais sótão e porão. Eu nem queria pensar como devia ser demorado limpar tudo aquilo, mas certamente eles tinham empregados para cuidar disso.

— Senhorita Swan! — Paul abriu a porta do lado onde eu estava no carro, ajudando-me a sair. Eu estava enfiada em um vestido longo que Tanya tinha insistido para que eu usasse, ainda que o jantar fosse apenas para os Cullen e amigos próximos. O vestido tinha sido um presente dela para mim, era preto e discreto, mas obviamente caro e bonito, o que me deixava com medo eram os saltos altos e finos demais como armas em meus pés.

— Valeu — falei para Paul. — Quer dizer, obrigada! — Corrigi meu vocabulário ao perceber que ele não era o dos mais refinados.

— Vamos? Chegamos cedo, o que é excelente! — Edward exclamou, vindo até mim e segurando em minha mão. — Teremos tempo de ficar com minha família antes do restante dos convidados chegarem.

— Claro, vamos. — Acenei positivamente com a cabeça, me arrependendo porque aquilo poderia soltar o coque que eu tanto tinha sofrido para fazer. Tanya tinha se disponibilizado a ir comigo para um salão, para que pudéssemos nos arrumar juntas, mas depois do vestido isso era demais e preferi me arrumar sozinha. O coque até que estava bem feito e minha maquiagem não parecia com a de um palhaço, então não parecia ter sido um resultado tão ruim assim.

Edward sorriu para mim, aquele sorriso que poderia se passar anos e eu não esqueceria, ajudando-me a subir a escadaria até ficarmos diante a porta principal. Ele não abriu a porta como eu faria se estivesse chegando a casa dos meus pais, foi formal e tocou a campainha o que até me deu vontade de rir, mas o nervosismo era bem maior.

— Boa noite, senhor Cullen, seus pais lhe esperam na sala de estar — a empregada que abriu a porta falou, uma voz calma e suave.

— Obrigado — Edward agradeceu, fazendo com que eu entrasse primeiro.

— Posso pegar seu casaco, senhorita? — a empregada perguntou para mim.

— Claro. — Tirei o casaco, entregando a ela, Edward fez o mesmo em seguida.

Fomos em direção à sala de estar, que assim como o resto de toda aquela mansão era linda. Mesmo que em tons pasteis, bem diferente da minha fascinação por cores vibrantes, o local era esplêndido.

O que deixava o lugar desagradável era a presença de Esme e Carlisle.

— Olá Isabella, ficamos tão felizes quando soubemos que tinha aceitado o convite para o jantar! — Esme exclamou, levantando-se do sofá. Ela usava um vestido dourado que parecia fazer seu corpo brilhar. Como acreditar que aquela mulher tinha dois filhos já maiores de idade? O corpo dela mentia isso muito bem.

— Eu que agradeço pelo convite, Esme — falei, lhe lançando um sorriso cordial e aceitando seu aperto de mão seguro. — Acredito que começamos isso errado, podemos ter uma relação melhor, não é mesmo? — Esme assentiu, ainda que não parecesse muito contente por aquilo. — Edward e eu estamos tão bem juntos, vocês não vão querer ficar de fora das nossas vidas. Não seria tão ruim perderem contato com o próprio filho? —Debochei, mas mantendo um tom de voz contido, Edward ao meu lado abafou uma risada.

— Claro! — Esme apertou minha mão com mais força, então a soltou.

— É bom vê-la, Isabella — Carlisle não se deu ao trabalho de levantar-se do sofá, continuando a apreciar o uísque que bebia. — Quer beber comigo?

— Ah não, muito obrigada — agradeci, sentando diante dele e da esposa no sofá oposto, junto de Edward. — Vai que um dos seguranças bebe e eu precise assumir o volante — provoquei, Edward que estava depositando um beijo em minha bochecha riu em meu ouvido.

— Bebo com você, pai! — Edward exclamou, pondo-se de pé. — Mas só um pouco, aparentemente a noite vai ser tão animada que não precisarei de álcool para isso. — Se encaminhou até um bar nos fundos da sala, voltando com um copo de refrigerante para mim. — Pensei que Alice e Jasper já estariam aqui?

— Alice deve ter se distraído abrindo os presentes do casamento — Esme comentou. — Bonito vestido, Bella!

— Não é mesmo? — Sorri para ela. — Adorei o seu também, tão elegante e charmoso, Carlisle você tem uma esposa linda! — exclamei.

— Obrigado — Carlisle agradeceu, sem fingir animação alguma com isso. — Edward, Alice e Jasper ficaram direto em Seattle até o aniversário dela em Março, ela quer fugir do tumulto de New York por conta daquele motivo. Então, já que está disposto a ficar aqui também, seja um bom irmão e fique de olho nela.

— Alice já é maior de idade, casada e em breve será mãe, por que eu tenho de ficar a vigiando? — Edward revirou os olhos, depositando uma mão em minha coxa.

— É o irmão mais velho dela e você vai estar em Seattle...Sendo menos eficiente do que seria em New York, seja um pouco mais útil. — A mão de Edward apertou minha coxa, não de forma dolorosa, mas que logo me fez perceber que a fala do pai tinha o deixado bravo.

— Quem sabe você precisasse ser mais útil, tanto aqui quanto em New York — Edward proclamou, conseguindo me surpreender pela forma que falou com o pai.

— Cuidado como fala comigo, seu menino insolente! — Por fim Carlisle se pôs de pé.

— Você me trata como se eu fosse um garotinho, estou lhe tratando como um igual, só mais um garotinho mimado. — Edward não se levantou, permaneceu com seu corpo colado ao meu, o aperto sobre minha coxa tinha se tornado completamente normal novamente.

Carlisle estava quase respondendo a fala de Edward, com o rosto já vermelho de raiva, quando Alice e seu marido entraram na sala, distraindo o patriarca da família Cullen. A expressão imediatamente mudou ao ver a filha, passando de furiosa para uma tranquila, como também um sorriso preencheu o rosto dele.

Até um cego poderia ver o quanto Carlisle poderia se importar mais com Alice do que com Edward. Um pai e uma mãe não deveria ter filhos favoritos como estava claro que o Cullen tinha, nem mesmo minha mãe e seu jeito difícil de se lidar tinha alguma predileção entre Emmett e eu.

— Papai! — Alice exclamou, indo abraçá-lo. — Trouxe os charutos cubanos que o senhor pediu, quem disse que eu não encontraria dos melhores em pleno Caribe? — Ela riu consigo mesma.

Alice era uma garota ainda, tinha minha idade, mas algo nela parecia mais maduro. Talvez o fato de já ser uma mulher casada, ou por eu saber que ela esperava um bebê. Ainda assim, ela não parecia ter simplesmente dezoito anos. Sua pose confiante, seu olhar penetrante e principalmente seu sorriso cheio de camadas assustadoras a faziam parecer muito mais velha do que realmente era.

— Ora ai está você! — Ela exclamou para mim, depois de abraçar rapidamente a mãe. — Olá!

— Bella, essa é Alice! — Edward nos apresentou.

— Edward, querido irmão, como se a sua namoradinha não me conhecesse. — Alice riu graciosamente.

— Na verdade eu não te conhecia — admiti. — Nem sabia direito quem estava casando até conhecer Edward em seu casamento. — Dei de ombros.

O sorriso no rosto de Alice tornou-se uma careta, ela pigarreou até voltar a sorrir decentemente.

— Pobrezinha, morava em outro planeta! — Alice exclamou, rindo sozinha.

— Chega Alice — Jasper, o marido dela e melhor amigo de Edward, disse. — Oi Bella, é bom finalmente conhecê-la. Edward não poupou meus ouvidos nem mesmo durante minha lua de mel para falar de você. — Eu tive de sorrir para aquilo.

— Acredite, Edward parece ter sofrido bastante com seu casamento — falei para Jasper. — Sinto que ele queria ter sido a noiva — Brinquei.

— Engraçadinha. — Edward me abraçou, beijando o topo da minha cabeça. — Jasper é muito galante, mas não chega aos seus pés.

— Claro, isso mesmo! — Alice proferiu, obviamente sendo sarcástica, mas eu estava usando aquilo como arma de defesa aquela noite também, então não poderia julgá-la. — Eu tenho de lhes contar todos os detalhes da viagem! — Alice soltou um gritinho animado, puxando Jasper para um sofá, sentando quase no colo dele.

— Todos? Foi mal, eu não quero saber sobre o que fizeram no quarto — Edward disse, fazendo com que eu gargalhasse e mais uma vez sua irmã fizesse uma careta. Porém, como antes Alice se recompôs e logo estava detalhando a viagem de lua de mel, pelo menos deixando a parte do quarto de fora.

Aquilo durou cerca de meia hora, até mais Cullen aparecerem na mansão o que me fez pensar que eles se proliferavam na água como Gremlins. Caius Cullen era o irmão mais novo de Carlisle e absurdamente parecido com o mais velho, até mesmo no olhar superior. Ele nem se deu ao trabalho de olhar para mim por mais de dois segundos quando fomos apresentados. Caius chegou a mansão junto de James, seu filho único.

James tinha um sorriso fácil, olhos azuis como os do pai e tio, cabelo loiro e até mesmo um bronzeado bem melhor do que o de Alice que tinha acabado de voltar da praia. Edward e ele se cumprimentaram normalmente, como primos deveria ser, mas algo não me convenceu nele. Seja pelo jeito que ele me olhava demais, ou pelo modo como bebia como se não tivesse fundo.

A verdade era que James poderia ser um pouquinho assustador.

Fiquei mais aliviada quando Tanya chegou junto de seus pais, Eleazar e Carmen Denali. E soube no primeiro momento que assim como a filha, os pais também eram pessoas bacanas. Eles foram totalmente simpáticos comigo e até mesmo me agradeceram por estar sendo tão boa no trabalho na joalheria, o que me encheu de orgulho.

— O que estamos fazendo aqui? — perguntei a Edward quando fugimos das conversas na sala até o jardim traseiro da mansão. Logo mais a frente ficava uma piscina que deveria ser olímpica, com uma área envolta digna de um clube. E aquela nem era a casa dos Cullen oficial sendo que eles moravam de fato em New York.

— Queria ficar um pouco sozinho com você, longe daquela confusão toda. — Edward ficou de frente para mim, apoiando suas mãos em minha cintura e sua testa na minha, fazendo com que ficássemos bem próximos.

— Eu não acredito o quanto é possível estar apaixonada — confessei em um sussurro, fazendo com que ele sorrisse. — Parece um conto de fadas.

— Isso quer dizer que teremos um final feliz? Não é?

— Teremos. — Finalizei qualquer distância entre nós dois o beijando.

Beijá-lo estava se tornando a melhor parte da minha vida, não só por Edward ser bonito e extremamente desejável, mas por ele também ser muito mais do que aquilo. Era como tinha dito para ele, não sabia o quanto possível era me apaixonar até estar com ele.

— Jessica foi passar o fim de semana na casa dos pais — falei após o beijo, claramente pegando Edward de surpresa. — E os pais dela moram em outro estado, então sem chances dela voltar hoje.

— Onde quer chegar? — Edward perguntou, afagando minhas bochechas que certamente estavam coradas.

— Pode dormir comigo — murmurei. — O que acha? — indaguei com medo de estar parecendo desesperada ou idiota.

— Dormir? — Ele deu um sorriso malicioso.

— Sabe o significado de dormir neste contexto, Edward — continuei murmurando.

— Tem certeza disso, Bella? Eu não quero fazer nada fora de seu tempo. — Edward afastou-se um pouco de mim, como para comprovar sua fala.

— Eu tenho certeza — afirmei.

— Casal, o jantar vai ser servido, melhor entrarem — James apareceu ali, sorrindo diretamente para mim.

— Obrigado James, já estamos indo — Edward o dispensou e só voltou a falar quando ele voltou a entrar na casa. — Falamos disso depois do jantar, okay? — Assenti.

— Edward? Você confia em James? — perguntei com receio dele não gostar daquela pergunta.

— Do James? — Edward arqueou uma sobrancelha, soltando de minha cintura para segurar minha mão. — O que tem ele?

— Não sei. — Balancei a cabeça. — Só não gostei dele — contei. — Sei que isso é preconceituoso, que eu mal o conheço, mas...

— Não se preocupe, só tem um Cullen que você precisa gostar e sou eu! — Edward exclamou brincalhão, fazendo-me rir.

— Convencido — falei e, antes de irmos de volta ao mundo dele, eu o beijei mais uma vez.

***

O jantar não foi o dos melhores, na verdade eu me sentia sufocada naquele lugar, ainda que literalmente não estivesse nem um pouco apertada sentada a mesa da sala de jantar. Edward estava a minha esquerda, sentado ao lado da mãe e Tanya a minha direita, do outro lado dela seus pais e nas cabeceiras da mesa Carlisle e do outro lado Caius. James, Alice, Jasper e os pais dele — isso queria dizer o prefeito e a esposa dele — que tinham chegado enquanto Edward e eu estávamos do lado de fora, estavam do outro lado da mesa.

A comida também era maravilhosa, mas tudo aquilo e aquelas pessoas me davam sensação de falta de ar. Os assuntos pareciam tão superficiais, os sorrisos fingidos e principalmente uma clara falta de interesse real por estarem ali.

Eu gostava de reuniões em sala de estar, caixas de pizza, garrafas de cerveja, um programa bobo na televisão. Risadas, jogos de tabuleiro, quem sabe amanhecer por estar tão envolvido naquele tempo que fica com amigos.

Nem mesmo a presença de Edward, ou o esforço de Tanya em me incluir em cada assunto que ela começava pareciam funcionar para que eu me integrasse ali. Eu preferiria muito mais estar com pessoas que não me olhavam como se eu fosse uma intrusa, ou que precisassem de vários tipos de talher para comer.

— Você está bem? — Edward perguntou para mim baixinho, enquanto Tanya ria de alguma piada que Jasper tinha acabado de contar.

— Um pouco tonta — falei, ainda me recuperando de Alice ter falado há pouco que uma das empregadas que nos serviam deveria ser demitida só porque estava sem salto alto, o que segundo ela demonstrava despreparo.

Minha vontade era enfiar a cara de Alice no bolo que foi servido como sobremesa, era o bolo de aniversário de Carlisle, mas ninguém cantou parabéns ou sequer lhe desejou coisas boas. Onde estava o coração de todos aqueles ali?

— Quer ir embora? — Edward perguntou, deixando de lado seu pedaço de bolo.

— Sim, por favor — pedi na mesma hora, eu tinha sido o forte o máximo que deu, mas não era mais suportável. Queria continuar ali e conversar com Tanya, falar mais com seus pais e até mesmo com Jasper, mas estava se tornando insuportável.

— Nós precisamos ir — Edward se levantou, chamando a atenção para si, fazendo com que eu levantasse também.

— O quê? — Esme perguntou, soando meio desesperada. — Nem terminamos a sobremesa ainda Edward, sente-se.

— Bella não está bem, nós vamos embora, mãe — Edward disse, parecendo decidido.

— Oh ela não está bem? — Alice soou tão falsa quanto o resto da noite. — A comida foi demais para você? Deve estar acostumada a comer nesses restaurantes de beira de estrada.

— Na verdade esses são os melhores, você deveria ir lá qualquer dia, quem sabe isso resolveria essa sua cara de morta de fome azeda. — Não pude me conter e disse aquilo, o que foi suficiente para Tanya gargalhar, rindo bem mais alto do que de todas as piadas de Jasper.

— Isso não é jeito de uma dama se comportar! — Alice exclamou horrorizada.

— Edward controle sua namorada — Esme disse barbarizada.

— Não dá, mamãe. — Edward ajudou-me a levantar. — Bella está certa, Alice é tão magra, deveria mesmo parar de comer só alface e se alimentar de verdade. Quem sabe um bacon bem gorduroso feito para caminhoneiros.

— Que horror! — Alice exclamou.

— Vamos Bella! — Edward segurou em minha mão.

— Vocês são os melhores — Tanya sussurrou para a gente, antes de deixamos a sala de jantar que tinha ficado em um clima bem pesado.

Edward e eu rapidamente deixamos o interior da mansão, seguindo para o carro, mas ele me surpreendeu quando deu uma única ordem para os seguranças.

— Vocês estão dispensados por hoje, vou dirigir por conta própria agora.

— Senhor Cullen, não é seguro! — Félix falou.

— Vamos correr esse risco. — Edward tirou a chave da mão dele, abrindo a porta do carona para mim. — Para onde senhorita Swan? — perguntou para mim quando já estávamos dirigindo fora da propriedade Cullen.

Sorri para Edward, sabendo muito bem o que eu queria.

— Para minha cama.

Notas finais
Bella tava tão amorzinho nesse capítulo! O que acharam? Beijos! Lola Royal. 04.04.16