Moon River
49 Capítulo Bônus
Notas iniciais
— Capítulo Bônus —
— Renesmee —
New York – Junho de 2016
Alec beijou meu pescoço, fazendo com que eu arfasse com seus lábios em minha pele. Puxei seus cabelos, ele gemeu e sua mão segurou com mais força em minha cintura, puxando-me para ele.
Com a mão livre Alec tocou por dentro da minha blusa, fazendo com que eu fechasse os olhos, sentindo seu toque contra meu corpo quente. Ele chegou até meu seio coberto pelo sutiã e eu deixei um longo gemido escapar, enquanto continuava totalmente entregue a sua boca fazendo um estrago em meu pescoço.
Passei minha perna por seu quadril, aumentando o contato de nossos corpos. Agradeci por estar de calça jeans, ou eu não me responsabilizaria pelo que aconteceria naquele quarto. Mas, aquilo pareceu demais para Alec, que respirou fundo em meu pescoço, antes de se afastar totalmente de mim.
— O que foi? — perguntei quando ele sentou do outro lado de sua cama, a música que eu tinha colocado para tocar continuava em um volume alto.
Alec jogou-se ao meu lado, segurando minha mão contra seu peito, estabilizando sua respiração.
— Você vai me enlouquecer, Renesmee — declarou. — Não pode ficar me provocando assim, eu sou fraco.
Eu ri, virando-me na cama para abraçá-lo.
— Desculpe — pedi, encaixando-me em seu braço. — Não era minha intenção deixá-lo louco, só um pouquinho, na verdade. É só para você ver o que tem aqui fora, para que na sua faculdade onde aquelas garotas mais velhas, loiras e com peitos enormes não te roubem de mim.
Alec bufou, girando na cama e ficando sobre mim, suas mãos segurando as minhas. Não era uma posição que me deixava muito sã, eu realmente tinha feito muito bem em colocar calças aquele dia.
— Não sou maluco de te trocar por nenhuma garota mais velha peituda — falou, curvando-se para colocar seus lábios nos meus, mas sem me beijar de verdade, apenas para me provocar. — Além do mais, eu prefiro ruivas.
— Ruivas? — Arquei uma sobrancelha. — Não sei se gosto muito de ser tratada no plural, Volturi.
— Okay, ruiva. — Ele voltou a me provocar com sua boca. — Apenas uma, que é você, Renesmee. — Mordeu meu lábio e não pude conter um gemido.
— Mas você vai estar lá, cercado por elas e todas vão estar dispostas a te dar sexo.
Alec saiu de cima de mim, claramente irritado.
— Sério? De novo esse papo? — reclamou, tirando o relógio que meu pai tinha dado a ele no dia anterior, depois do meu namorado receber seu diploma do colegial, colocando sobre a mesinha ao lado da cama. — Já falei que não estou com você por sexo, Nessie, eu te amo. — Encarei seus olhos azuis, aqueles que eu amava.
Sentei na cama, esticando minha mão até a dele.
— Eu sei, desculpe — pedi baixinho, lançando meu melhor olhar doce a ele. — Só que eu estarei presa no colegial por mais dois anos, enquanto você estará conhecendo um mundo novo na faculdade. Não passo de uma garota inexperiente, estou com medo que enjoe de mim.
— Não vou — ele afirmou, sem hesitar ao falar aquilo. Eu adorava o fato de Alec ser sincero comigo, até mesmo quando queria jogar alguma verdade difícil em minha cara fazia aquilo sem distorcer a realidade.
— E você vai querer transar — continuei, suspirando. — Você nem é mais virgem. — Ele revirou os olhos. — E eu não consigo passar de amassos.
— Renesmee, pare, okay? — Alec segurou em meu rosto com ambas as mãos. — Você está sendo boba. Eu não vou te trair porque você e eu não transamos. Já falei que isso não é o que move o que nós temos, nunca vai ser. Eu esperarei o quanto for preciso até que você esteja pronta para transar, ficarei precisando contar com minha mão para que eu não fique maluco durante esse tempo? Sim, precisarei, mas vou suportar. — Eu sorri, Alec sempre seria o garoto de piadas ruins que conheci no primeiro dia de aula.
— Eu te amo — falei, vendo Alec sorrir. Rastejei na cama até perto dele, fazendo ser minha vez de beijar seu pescoço. — Lamento por você precisar usar sua mão, talvez possa usar a minha de vez em quando — sussurrei em seu ouvido.
— Está falando sério? — ele perguntou ansioso, enquanto eu continuava distribuindo beijos e mordidas em seu pescoço.
Abri a boca para responder, mas no mesmo instante o meu celular tocou. Precisei de toda força do mundo para me afastar de Alec.
— Oi — atendi papai, eu não estava surpresa que era ele, Edward Cullen parecia ter um sexto sentido quanto aos momentos para me ligar, sempre quando eu estava prestes a me divertir muito.
— Nove da noite, por que você não está em casa mesmo, Renesmee? — perguntou ironicamente.
— Foi mal, Alec já está indo me levar — falei, revirando os olhos. Ele era tão certinho.
— Não tente me enganar, dessa vez, entendido?
— Mas...
— Dá ultima vez você chegou quase meia noite, se isso repetir você pode dar adeus a Alexander, Renesmee Cullen!
— Okay, já estou indo — resmunguei.
— Resmungar não adianta nada, venha logo! — papai mandou, desligando antes de mim.
Alec e eu apenas nos arrumamos para sair, não seria nada bacana atormentar Edward Cullen. Despedi-me dos pais dele que estavam na sala, então Alec me levou de metrô até o apartamento de papai, que era onde eu estava ficando com mamãe aquele fim de semana. Por sorte o tempo de ficar mudando de apartamento todo dia porque meus pais não assumiam que estavam morando juntos, estava acabando, nós nos mudaríamos para um apartamento novo na semana seguinte, que seria de todos nós.
Papai estava na sala quando cheguei lá, Alec tinha me deixado na portaria, achando mais seguro não dar de cara com Edward depois do nosso momento mais sério na casa dele.
— Viu? Eu estou viva, não precisa surtar — falei para ele.
— Muito engraçado. — Papai revirou os olhos. — Veio sozinha?
— Não, Alec me deixou aqui, mas ele já foi. Você não vai poder ameaçá-lo hoje.
— Isso acaba toda a diversão do fato da minha filha ter um namorado — ele comentou, me fazendo rir.
— Cadê a mamãe? Isso aqui está silencioso demais. — Arranquei meus sapatos.
— É mesmo. — Papai franziu o cenho. — Posso ouvir meus próprios pensamentos sem ela xingando ou gritando perto de mim — ele brincou.
— Coitadinho, você irá aturá-la até quando estiverem velinhos e surdos, ela ainda gritará mais. — Depositei um beijo em seu rosto. — Preciso conversar com ela.
— Algo que possa ser compartilhado comigo?
— Não — afirmei. — Fique ai pensando nas mil formas de matar meu namorado da próxima vez que o encontrar.
Subi as escadas do duplex, encontrando mamãe no escritório que papai tinha ali, ela parecia trabalhar. Ou, estava apenas vendo seu Facebook pelo notebook.
— Mãe, preciso falar com você — falei, trancando a porta para que papai não tentasse entrar ali para ouvir nossa conversa.
— Estou trabalhando, então se for sobre seu toque de recolher é melhor dar meia volta. — Ela continuava digitando sem olhar para mim. — Você está com sorte, seu avô nem me deixava sair de casa depois das seis caso Emmett não estivesse comigo.
— Não, não é sobre o adorado toque de recolher de Edward Cullen — falei apreensiva, não estava confiante em falar sobre o assunto que me levou ali, mas sabia que precisava. — É sobre sexo — murmurei, fazendo mamãe me olhar pela primeira vez desde que entrei no escritório.
— Você transou? — ela perguntou baixinho, ficando mais branca do que já era, fechando o notebook imediatamente.
— Não, não — neguei rapidamente. — Por favor, não comece a surtar, eu juro que ainda sou virgem.
Ela respirou aliviada, levantou-se e me puxou até o sofá que tinha ali no escritório.
— O que está acontecendo?
— É que logo Alec irá para a faculdade — murmurei, olhando para minhas próprias mãos. — Eu sei que ele me ama, que não irá me trair, mas tenho medo dele me chutar pra ficar se esfregando com aquelas garotas mais velhas.
— Já conversou com ele sobre isso?
— Sim, várias vezes, eu sei que posso confiar nele, mas ainda assim fico insegura de ser deixada de lado na primeira semana.
Mamãe afagou meu rosto, fazendo com que eu olhasse para ela.
— Você acha que transando com Alec isso fará com que ele nunca se afaste? Querida, sexo não pode ser usado dessa forma — ela disse corando. — Não pode fazer apenas por pressão, muito menos para prender seu namorado.
— Eu sei. — Suspirei. — Sei também que ainda não estou pronta para transar de verdade, mas...
— Mas...
— Há uma parte de mim que quer isso, muito. — Senti minhas bochechas corando.
— É normal — ela afirmou. — Você é adolescente. — Suspirou também. — Está com uma pilha de hormônios lhe deixando maluca.
— Como foi para você? — decidi perguntar. — Sua primeira vez, digo. — O rosto de mamãe assumiu um tom de vermelho mais forte do que antes.
— Foi...Normal, acho.
— Com quem? — perguntei curiosa, vendo ela toda encabulada. — E, nem adianta dizer que foi com meu pai, você não tem cara que esperaria até a faculdade para isso.
— Renesmee! — ela bateu em minha coxa, fazendo com que eu gargalhasse. — Mas sim, não foi com seu pai. Deus, como eu queria que tivesse sido. Foi com um aluno intercambista.
Arregalei os olhos, surpresa com aquilo.
— Multicultural. — Reprimi uma risada.
— Ele era indiano, muito bacana e inteligente, provavelmente deve ter virado dono de uma empresa de tecnologia — ela comentou. — Enfim, eu transei com ele, um pouco antes dele voltar para a Índia. Foi em casa, em Forks. Eu estava fazendo tudo com pressa, com medo e nervosa. Emmett a qualquer momento voltaria do treino de futebol, mamãe tinha saído para fazer compras em Port Angeles e seu avô estava no trabalho.
— Quantos anos você tinha? — indaguei.
Mamãe fez uma careta e logo soube que não foi muito velha.
— Quinze — sussurrou. — Mas era maio, faltava pouco para setembro e eu ter dezesseis — defendeu-se.
— Claro, muito pouco — debochei, ganhando um olhar feio dela.
— Ness, você é nova demais para sexo.
— Parece ser algo de família, não é mesmo?
— Renesmee! O que estou falando é que você é nova demais, não deve sentir-se pressionada só porque seu namorado vai para faculdade. Até porque Alec nem deixará a cidade, vocês continuarão se encontrando regularmente. Não se force a fazer sexo. — Ela segurou em minha mão, respirando fundo. — Mas, se você realmente quiser fazer, por favor, faça isso com consciência. Use camisinha e, se quiser eu posso te levar ao médico para tomar remédios. Seu pai ia morrer se você me aparecesse grávida.
— Obrigada, mamãe — agradeci.
Vi os olhos dela se encherem de lágrimas.
— Por que você está chorando? — perguntei alarmada.
— Porque você não é mais minha garotinha.
— Mamãe! — eu ri, a puxando para meus braços. — Eu sempre serei sua garotinha, tudo bem que eu quase fiz coisas com meu namorado hoje, mas isso não quer dizer nada.
— Você precisa de sorvete! — ela exclamou.
— Preciso?
— Sim, você precisa de muito sorvete. — Ela me puxou para fora do escritório. É, talvez eu precisasse mesmo.
***
Carmen Denali era a vaca que tinha armado para minha mãe. Meus pais estavam noivos. E meu namorado me amava. O mundo parecia muito bem alinhado, caso na existisse um número sobrando na equação: Carlisle.
— Você podia ser um pouquinho mais sociável — foi a primeira coisa que falei para meu avô paterno quando entrei em seu carro na manhã seguinte ao jantar de noivado dos meus pais.
— O quê? — Me encarou.
— Sabe, você não é um homem sem coração, Carlisle, eu sei disso.
— Renesmee...
— Você ama meu pai, eu também sei disso. Não sei o que te mantém afastado dele, nem quero saber, mas você poderia tentar ser mais gentil com seu filho — continuei a falar, sem ligar para sua interrupção. — Talvez devesse fazer disso seu projeto de vida: Mudar meu jeito de ser para me dar bem com minha família.
— É um título péssimo, você pretende trabalhar com publicidade, tem de mudar isso — ele falou, me fazendo bufar.
— Carlisle!
— Aqui. — Ele me ignorou, colocando um folder em minha mão, era do evento para onde estávamos indo. — O que tem de errado ai?
— Cor da fonte — respondi prontamente.
— Isso — Carlisle assentiu. — Boa garota.
— Que gentil — debochei. — Você me trata como um cachorrinho adestrado. — Joguei o folder de lado. — Quer que eu deite e role no chão? Enquanto você me dá novas ordens?
— Você é muito atrevida! — ele exclamou.
— Sim, puxei a mamãe. — Dei de ombros, distrai-me olhando pela janela.
— Desculpe — Carlisle falou, fazendo com que eu o olhasse, ele estava sério, mas tinha um brilho em seus olhos. — Não queria tratá-la como um cachorrinho, você não é um ser irracional que eu possa adestrar. É minha neta, é inteligente, esperta e muito melhor do que eu. Sou um idiota, espero que possa me desculpar.
— Você ainda tem muitas pessoas a quem pedir desculpas — foi tudo que falei. — Começando por seu próprio filho. — Vi o olhar de Carlisle se encher de culpa. — Você não vai levar seu precioso dinheiro, muito menos seu nome para o caixão, Carlisle, tudo que vai levar consigo é o amor que sua família sente. Mas, agindo como age, não vai ter nem isso. Sei que Esme te ama, que eu, Lucy e Luke também, só que você estará cheio de culpa e ressentimento se nunca se entender com meu pai. Papai não vai mais agir como o cachorrinho adestrado e obediente que você queria que ele fosse, ele não é mais assim. Vai perdê-lo caso não mude e, eu não ficarei entre vocês dois, eu sempre escolherei meu pai.
Nós ficamos em silêncio pelo resto do caminho, mas eu sabia que a cabeça de Carlisle estava tudo, menos em paz.
***
O evento estava cheio, mas Carlisle e eu tínhamos credenciais que nos davam acesso a cada local, nos permitindo ir e vir por onde quiséssemos. Era uma parte boa de ser um Cullen, você conseguia acesso fácil.
Ele me apresentou a diversas pessoas, me explicou várias coisas que estavam sendo apresentadas ali e, eu sabia que mesmo ele sendo péssimo em relações familiares, era extremamente competente no campo profissional. Carlisle tinha herdado muito dinheiro dos pais, a empresa e o nome que ele tanto prezava.
Eu não era tão radical quanto mamãe, achando que o nome Cullen só trazia problemas, sabia que não era para tanto. Nós poderíamos fazer dele um nome com benefícios, o problema era o fato do patriarca ter a mente de um homem do século quinze.
— Venha comigo, tenho de te apresentar a Marcus Hook — Carlisle proclamou, tirando-me de perto de um stand que eu estava gostando bastante de ver.
— Quem? O cara que você acha que é o mandante das ameaças? Foi mal, Carlisle, não quero ficar de frente para o cara que pode querer enfiar uma bala na minha cabeça.
— Ele não vai, eu garanto. Na verdade eu não acho mais que seja ele, tem sido um tolo nos negócios, é um inútil burro. — Carlisle segurou em minhas costas, guiando-me até seu rival nos negócios. — Você vai acabar assumindo essa empresa um dia, precisa conhecer seus concorrentes.
— Papai assumirá antes de mim, eu ainda tenho tempo até conhecer o Hook.
Carlisle balançou a cabeça.
— Duvido muito que Edward ainda assuma a empresa, ele detesta aquele lugar. Sempre detestou.
Não falei nada, eu sabia exatamente o quanto papai odiava a empresa, eu estava lá todo dia trabalhando com ele. Logo chegamos até Marcus Hook, que devia ser alguns anos mais velho que meu avô, mas que tinha a mesma pose de dono do mundo.
— Ah, então essa é a filha perdida de Edward! — Marcus exclamou com desdém quando Carlisle me apresentou a ele.
— Sim, tão perdida quanto os cabelos sumidos em sua cabeça — rebati, Carlisle pigarreou, contendo uma risada.
— Eu...Você... — ele gaguejou, passando a mão pela cabeça parcialmente careca.
— Nós vimos seus próximos projetos no stand da sua empresa — falei, ignorando o choque dele. — Todos tão bem feitos, não é, Carlisle? — perguntei sarcasticamente ao meu avô.
— Claro, não ficarei nada admirado se você ganhar um premio por isso. — Carlisle sorriu debochadamente. — De quanto foi seu lucro, cem, duzentos dólares?
— Ah podemos lhe emprestar algum dinheiro caso vá a falência. — Marcus Hook ficou vermelho até mesmo em sua careca com minha fala.
— Ou lhe dar um emprego. — Carlisle deu de ombros. — Eu pretendo me aposentar em no máximo vinte anos, tenho certeza de que Nessie será uma boa chefe para você.
Marcus Hook bufou, afastando-se da gente.
— Você quer mesmo que eu assuma a empresa? — perguntei a Carlisle, ele sorriu para mim, um sorriso sincero que não era muito comum vindo dele.
— Eu quero, você é a melhor versão do seu pai e a minha melhor versão. Não poderia colocar tudo que construí nas mãos de outra pessoa que não fosse você.
Sorri para ele, sentindo-me feliz por aquilo, por ter tanta confiança depositada em minhas mãos.
— Eu vou precisar da sua ajuda — declarei. — Não vou poder simplesmente assumir uma empresa como essa do nada, ainda tenho muito o que aprender. Você terá de me ensinar muita coisa, Carlisle Cullen.
— Eu irei — ele prometeu.
O abracei.
— Preciso que se entenda com meu pai, Carlisle, por favor — implorei. — Não por mim, mas por vocês dois, vocês precisam restaurar o que resta dessa família.
Ele não disse nada, apenas me abraçou mais forte. Enterrei meu rosto em seu peito, desejando que meu avô um dia pudesse colocar o amor acima de qualquer outra coisa.
— Edward —
New York – Junho de 2016
Eu a amava tanto, desde o jeito que ela dormia, até o modo como se entregava a mim quando estávamos fazendo sexo. Eu simplesmente não conseguia sentir mais nada além de amor por aquela mulher, principalmente agora que ela tinha um anel em seu dedo comprovando que ela me amava tanto que estava disposta a virar minha esposa.
Toquei no rosto adormecido de Bella com a ponta dos dedos, observando sua respiração calma. Ela estava nua em nossa cama, coberta apenas por um lençol branco depois de se entregar a mim, depois de aceitar ser minha noiva, de dizer que me daria mais um filho.
Como eu poderia não amá-la? Sim, ela tinha feito algo terrível ao esconder Renesmee de mim, mas nós dois erramos e juntos estávamos superando toda a merda que fizemos em nossos passados.
Estávamos nos reerguendo e tudo parecia tão mais sólido e consistente.
Nunca mais deixaria ninguém se colocar em nosso caminho, eu nunca mais deixaria nada afastá-la de mim. Eu pretendia morrer com noventa anos com Bella ao meu lado, depois de uma longa vida feliz de casados, com pelo menos dois filhos e netos, ainda que a última parte me deixasse morrendo de medo.
Bella abriu os olhos, chocolates, para a nova manhã que nos cercava. Eu sorri, ela sorriu também e, o mundo nunca pareceu tão bonito quanto naquele instante.
Long Island – Julho de 2016
Renesmee e Bella estavam nadando, enquanto Esme e eu estávamos na areia, sentindo o calor do Sol queimar nossas peles. Era quatro de Julho e, nós quatro mais Carlisle tínhamos viajado para a praia.
Porém, Carlisle não seria Carlisle caso não estivesse trancado em casa. Era sempre assim, até mesmo quando Alice e eu éramos crianças e viajávamos com ele.
— Ela é tão parecida com você! — Esme exclamou, os olhos fixos em Nessie que saia da água, Bella continuou lá. Renesmee veio rapidamente até a mesa onde Esme e eu estávamos na varanda, bebeu um pouco do meu suco e voltou correndo para a água junto da mãe.
— Eu nunca pensei que conseguiria amar tanto alguém quanto amo ela — desabafei.
Esme afagou meu braço, fazendo com que eu a olhasse no rosto.
— É maior do que tudo, Edward, o amor que sentimos por um filho — ela disse, seus olhos verdes fixos nos meus.
Talvez ela me amasse mesmo, mas eu duvidava que Carlisle sentisse qualquer sentimento por mim, principalmente por suspeitar que eu não era seu filho legitimo. Eu queria confrontar Esme, fazê-la falar sobre aquela história, mas eu não queria uma confusão, não com Renesmee e Isabella se divertindo tanto.
Não sabia se conseguia acreditar que Esme tinha traído Carlisle, uma, ou sei lá quantas vezes. Minha mãe sempre pareceu perdidamente apaixonada por ele, mesmo Carlisle sendo tão fechado em relação aos seus próprios sentimentos.
Eu não conseguiria trair Bella, eu não conseguia pensar em outra mulher com ela ao meu lado. Mas, minha mãe e meu pai não eram nós dois, eles podiam ter muita sujeira debaixo de seus tapetes.
Incluindo o fato de eu poder não ser filho de Carlisle. Era por isso que ele preferia tanto Alice? Por ela ter os mesmos olhos dele? Por ser tão parecida com ele?
Suspirei, voltando a olhar Renesmee na água. Isabella e eu teríamos outro filho, ou filha, estávamos realmente trabalhando nisso, mas eu não conseguia pensar em um mundo que eu deixaria minha filha de lado por ter outro.
Renesmee era um ponto de luz para mim, senão fosse por ela em minha vida tudo teria continuado tão escuro e sombrio. Ela me devolveu a vontade de viver, me fez perceber que eu tinha de mudar e, colocou Bella de novo em meu caminho.
— Edward?
— Sim? — Nem me dei o trabalho de olhar para Esme.
— Não perca isso — ela sussurrou, fazendo por fim que eu a encarasse, mas ela estava concentrada em Bella e Renesmee. — Sua família, não perca sua família.
— Como Carlisle está perdendo? — questionei irritado, Esme respirou fundo.
— Como Carlisle está perdendo — ela respondeu. — Eu o amo, mas não sei se meu marido conseguirá deixar de ser tão orgulhoso, se ele deixará seu nome para trás e perceber que tem algo mais importante.
Eu não acreditava que Carlisle conseguiria, então apenas fiquei calado, deixando Esme ter o último fio de esperança no marido.
***
O cheiro do mar e o balanço do iate me faziam querer vomitar, mas todo o resto era tão maravilhoso que eu considerava que tudo aquilo podia ser superado. As estrelas no céu azul escuro, o vento em meu rosto e, principalmente o fato de que eu estava prestes a ver os fogos na companhia das duas pessoas que mais amava no mundo.
— Eu estou tão enjoada — Renesmee murmurou, aparecendo ao meu lado.
Passei meu braço por seus ombros, a puxando para perto de mim.
— Sinto muito, você não deveria passar por isso em seu primeiro passeio de barco — falei, ela apenas assentiu, ainda verde como Bella tinha insistido em dizer que nós dois estávamos.
— Papai? — Nessie chamou baixinho, a voz doce.
— Sim?
— Eu tenho medo.
— De cair? — Estávamos na proa, se ela quisesse poderíamos ir para o meio do iate, ou voltar a costa.
— Não, bom, não literalmente — ela sussurrou.
— O que quer dizer? — perguntei, voltando meu rosto para dela, seus olhos verdes estavam cheios de expectativa.
— Eu tenho medo de não te orgulhar, de não orgulhar mamãe.
— De onde tirou isso? — indaguei.
— Carlisle quer que eu assuma a empresa. — Parei de respirar. — E, bom, é o que eu quero também. Mas eu não sei como vocês, principalmente mamãe, irão reagir quando isso acontecer.
— Renesmee, você assumir a empresa futuramente não faria eu, nem sua mãe, sentirmos nada negativo ao seu respeito. Nós te amamos, iremos respeitar cada escolha que você fizer. Se uma delas for assumir a empresa, como você aparentemente quer, faça isso.
— Você não está chateado? — Seus olhos verdes me fitaram. — Por eu estar tão ligada a empresa? A Carlisle também, isso tudo, vocês dois...
— Renesmee, se há uma certeza que eu tenho sobre Carlisle é que ele realmente gosta de você e, que ele te admira.
— Vocês precisam conversar.
— Há algumas coisas que palavras não são capazes de consertar, Nessie — murmurei, ela respirou fundo, me abraçando com força.
Eu estive uma vida inteira querendo agradar Carlisle, mudando e me moldando aos gostos dele. Tudo para que ele sempre acabasse me afastando, achando que tudo que eu fazia era insuficiente, eu não conseguia pensar em me entender com ele, não depois de anos de magoas.
Algum tempo depois Carlisle parou ao nosso lado na proa do iate, Nessie saiu dos meus braços para os dele e eu deixei. Sabia que ela gostava dele, eu não podia evitar uma aproximação entre ambos.
Os fogos não demoraram a surgir no céu, o pintando de diversas cores. Eu senti-me bem, mesmo que fisicamente ainda estivesse enjoado, como Carlisle e Nessie também estavam.
— Valeu a pena, não é? — perguntei a Carlisle falando sobre os fogos, ganhando um sorriso dele, que esticou a mão e afagou minha cabeça por um instante. Eu quis abraçá-lo, mas eu não conseguia. Não era apenas a barreira construída por ele nos separando, era a que eu tinha construído também. Duas barreiras sólidas demais para serem quebradas.
New York – Julho de 2016
Aquela casa era estranha para mim, fazia anos que eu tinha deixado aquele lugar para me mudar para meu próprio apartamento e, antes disso, eu passava a maior parte do ano estudando no internato em Boston, então não estava mais familiarizado com a mansão Cullen. Ainda assim, cedi ao pedido de Esme e fui passar a véspera do meu casamento com Bella lá, praticamente sozinho já que ela esteve fora a maior parte do tempo e Carlisle não se importou em deixar seu escritório.
Já se passava da meia noite quando deixei meu antigo quarto ali, seguindo até a sala no terceiro andar onde Esme mantinha meu piano. Eu mal me lembrava de quando aprendi a tocar, só sabia que sentia falta.
Tentaria ensinar Renesmee a tocar o mais breve possível, talvez ela gostasse.
Eu estava ali a pelo menos dez minutos, quando ouvi a porta se abrindo e vi Carlisle entrar. Ele segurava algo e, depositou sobre o piano. Confuso, parei de tocar, observando a caixinha de joias preta que ele tinha deixado ali.
— O que isso significa? — perguntei.
— São as alianças de seus avós — Carlisle respondeu, olhando para a joia também.
— De...
— Anthony e Charlotte Cullen — Carlisle completou, o nome Anthony brincou em minha mente, tudo que eu queria era descobrir que Bella estava grávida de um menino para que ele pudesse receber meu segundo nome, não em homenagem ao meu falecido avô, mas por muito tempo antes Isabella ter dito que gostaria de um bebê nosso chamando-se assim.
— O que está fazendo com elas aqui? — peguei a caixinha, as observando mais de perto.
— São suas — Carlisle respondeu.
— Minhas? Você tem certeza de quer me dar as alianças dos seus pais? Sabemos que...
— São suas — Carlisle insistiu, interrompendo meu discurso sobre eu supostamente não ser seu filho. — Meu pai me mandou dá-las ao meu filho mais velho quando esse fosse se casar, pouco antes de morrer entregou-as a mim. — Eu sabia que Charlotte tinha falecido quando Carlisle tinha cinco anos de idade e Caius quatro, que desde a morte da esposa Anthony não se casou com mais ninguém. Anthony morreu dois meses antes de eu nascer e, Carlisle ainda com vinte e poucos anos de idade na época, assumiu a empresa deixada pelo pai.
— Por que não me deu quando casei com Tanya? — perguntei confuso.
— Porque você não a amava — Carlisle respondeu e, eu o olhei. Seus olhos tão diferentes dos meus era tudo que via em seu rosto, eu cresci odiando os meus, desejando ter os de Carlisle, querendo ser minimamente parecido com ele. Eu não odiava mais, não com Nessie tendo meus olhos, eu não podia odiar algo que minha filha tinha.
— Você tem certeza de que quer que eu fique com elas? — questionei, apertando a caixinha em minhas mãos. — Eu já fiz a minha e de Bella, não preciso...
— São suas, Edward — Carlisle disse pela terceira vez aquela noite, sobre o silêncio da sala de música. — Seu avô as deixou para você e sua esposa, espero que você e Isabella as usem. Você pode repassar a Nessie quando ela se casar, ou ao filho que você e Isabella pretendem ter. — Eu não tinha ideia de como ele sabia disso, então apenas franzi o cenho. — É uma joia de família, apenas garanta que sempre terá um Cullen as usando — ordenou.
— Eu não tenho um padrinho — murmurei. — Isabella escolheu suas madrinhas, mas eu não. — Dei de ombros. — É comum que o padrinho guarde as alianças para o noivo.
Carlisle continuava me olhando, sério.
— Você pode fazer isso, Carlisle? Ser meu padrinho de casamento.
Ele pegou a caixinha da minha mão, guardando em seu bolso.
— Obrigado pelo convite — falou, encaminhando-se para a porta.
— Obrigado por aceitar — falei para o nada, ele já tinha deixado-me para trás.
Veneza – Julho de 2016
Enquanto Bella estava em meus braços, enquanto esperávamos pelo resultado, um filme passava em minha mente. A primeira vez que eu a vi, quando eu a beijei, nossa primeira noite juntos, quando eu a perdi. Então, ela voltando a minha vida. Os lábios dela dizendo que tínhamos uma filha. Lembrei do olhar nervoso, melancólico e ansioso de Nessie quando nos vimos, então quando ela me chamou de pai, como eu adorava o sorriso dela.
O meu casamento com Bella, a perfeição que aquele dia foi para nós dois, com tudo dando certo. O discurso de nossa filha. A lua de mel maravilhosa que tivemos em Veneza.
Eu amava a vida que tinha com Bella, o fato dela ter me dado uma filha e ter feito com que eu voltasse a enxergar o mundo colorido. Então, lá estávamos, esperando por um acréscimo de mais uma cor.
Que veio, quando a listra rosa surgiu no teste. Bella começou a chorar assim que viu, eu ainda estava extasiado. Pensei que aquilo não me surpreenderia como quando descobri sobre Nessie, eu estava esperando aquele filho, mas ainda assim meu coração batia alucinadamente, meus olhos encheram de lágrimas e eu me senti a pessoa mais sortuda do mundo.
Mais um filho, mais um filho com a mulher que eu amava.
Guardei o teste em meu bolso, segurando no rosto de Bella, enquanto o enchia de beijos, deixando um sorriso romper meu rosto.
— Obrigado, obrigado por isso — agradeci, apoiando minha testa na dela, sentindo as lágrimas de Bella molharem minhas mãos.
— Eu estou tão feliz — ela disse, encaixando seus braços envolta da minha cintura.
— Eu também, eu também. — Levei minhas mãos até sua barriga, agachando-me no chão para ficar a altura dela. — Oi bebê — falei com sua barriga, fazendo Bella rir entre seu choro. — Prometo ser o melhor pai do mundo para você, bebê.
Renesmee, aquele bebê e Isabella eram tudo para mim. Eu não precisava de Carlisle, eu tinha minha própria família.
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