Moon River
15 Capítulo Bônus
Notas iniciais
— Capítulo Bônus —
— Renesmee —
New York – Janeiro de 2016
Quando tinha cinco anos de idade vi pela primeira vez como era estar em New York, mamãe e eu tínhamos ido passar as férias de inverno com meus tios e meu primo, junto dos meus avós e foi tudo simplesmente mágico para mim. As luzes, as vitrines com decorações natalinas, o mar de gente que cruzava as ruas, tudo parecia totalmente atrativo.
Mamãe dizia que eu era a pessoa mais curiosa que ela já tinha conhecido, tinha de concordar com ela. Por isso era tão difícil não ter conhecido meu pai, vivia constantemente com aquelas duvidas em minha cabeça, sobre tudo que dizia respeito a ele.
E, mamãe quase não falava dele, eu tentava ser legal e não forçá-la a falar do mesmo — afinal deveria doer pra caramba perder alguém que se ama —, mas não resistia enchê-la de perguntas. Mas, tinha algo que mamãe sempre falava, que me deixava bastante feliz.
Papai era um sonhador, como eu mesma era. Isso fazia o meu coração aquecer, saber que tinha aquela semelhança com ele, que nós dois víamos a vida com olhos diferentes da maioria.
O ruim disso era o fato de o meu maior sonho ser justamente conhecê-lo, o que nunca aconteceria.
Entretanto, eu estava em New York, começando outra fase da minha vida. Não poderia e não deixaria com que nada me deixasse para baixo. Mamãe estava tão animada com o novo emprego e eu com a mudança, seriamos felizes e a vida melhoria e muito para nós duas.
— Acha que vão gostar de mim na escola? — perguntei para Riley que tinha ido me buscar em casa no primeiro dia de escola.
Eu adorava meu primo, era o mais perto de um irmão que eu tinha.
— Olha, sendo bem franco, acho que vão te jogar do topo da Estatua da Liberdade. – Riley sorriu zombeteiramente para mim. — Você é uma mala, Ness.
— Vá se danar, Riley! — ordenei, revirando os olhos. — É sério, eu vim do outro lado do país, acha que vão me aceitar?
— Nessie, você está em uma das cidades mais culturais do mundo, tem gente de todo lugar em New York, acha mesmo que vão se importar com uma menina de Seattle? Isso não é nada demais, deixa de estresse, vão te adorar, ou nem te notar.
— Que animador! — Dei um soco em seu braço.
— É sério, fique tranquila, você vai ser bem recebida.
Assenti, olhando para o céu e pedindo silenciosamente que papai me ajudasse naquilo.
***
Riley era mais velho do que eu, logo não iríamos ficar na mesma turma, então assim que chegamos a escola tivemos de nos separar. Agradeci por não ter herdado o péssimo senso de direção de mamãe, o que não me deixou ficar igual uma perfeita perdida no primeiro dia de aula.
As primeiras aulas até que foram suportáveis, ainda que ninguém além dos professores tivessem falado comigo e eles só falaram para me mandarem fazer apresentações para o restante da turma. Era terrível ser a novata em pleno meio do ano letivo, mas ninguém fez piada de mim, ou me jogou um saco de tomates podres como pensei que seria.
Por fim, na hora do almoço encontrei com meu primo no refeitório, ele guardava um lugar na fila para mim e estava junto de outro garoto e de uma garota. O outro menino era mais branco do que eu mesma conseguia ser, tinha cabelos loiros bem claros, olhos azuis e uma musculatura que indicava ser jogador de alguma coisa, não que eu tenha prestado tanta atenção em seu corpo. A menina estava segurando a mão do outro, enquanto esbanjava um contente sorriso esbranquiçado, ela era da minha altura, mas aparentemente mais velha, os cabelos eram loiros dourados e os olhos azuis pareciam muito da cor do céu em um dia claro.
— Gente, essa é Renesmee, minha prima — Riley falou quando me juntei a eles. — Renesmee esses são Demetri e Jane — apresentou os outros dois.
— Ai que bom, Riley é o único feio da família! — Jane exclamou, fazendo Demetri gargalhar e meu primo ficar emburrado.
— Eu odeio sua namorada, Demetri — Riley disse para Demetri, que deu de ombros.
— Como se eu gostasse de você. — Jane mostrou a língua para ele. — Oi Renesmee. — Estendeu a mão para mim, prontamente apertei a mão dela. — Sou Jane Volturi, sua mãe e a minha vão trabalhar juntas. Mamãe disse que eu devia ser legal com você, mas sou sincera, então se eu te detestar vamos fingir que não nos conhecemos, tudo bem?
— Parece um bom plano para mim — concordei sorrindo.
— Esse é Demetri Buttler, meu namorado, mas estou o vendendo. — Jane apontou para o garoto.
— Obrigado pela consideração, Jan. — Demetri ficou tão emburrado quanto meu primo.
— Homens, tão sentimentais — Jane debochou, me puxando para o lado dela.
A fila estava tão grande que tivemos bastante tempo de conversar ali, descobri que ela tinha dezessete anos, um irmão gêmeo e que namorava Demetri desde os quinze. O namorado aproveitou para falar que eles acabariam casando, Jane disse que nem morta se casaria, mas pelo sorriso que ela deu e seus olhos brilhando, percebi que era o que ela realmente queria.
Logo que conseguimos pegar nosso almoço, que não parecia muito gostoso, fomos para uma mesa qualquer que já contava com algumas pessoas. Percebi que Riley tinha razão, assim como o resto da cidade, a escola também não se atrelava a grupinhos, tinha gente de todo lugar e pelo menos superficialmente todos estavam juntos.
— Cadê o Alec? — Riley perguntou para Jane, enquanto roubava um pedaço de pizza do meu prato, bati na cabeça dele por isso. Ele podia ser mais velho e maior, mas não era dois e eu sabia me defender muito bem de ladrões de pizza.
— Devolve. — Arranquei da mão dele.
— Você é tão chata, priminha — Riley bufou.
Eu apenas ri, focando em comer. E era o que estava fazendo quando ele apareceu, usando um casaco do time de futebol americano e rindo de algo que lia na tela do celular. Senti meu coração bater alucinadamente naquele momento, algo bem próximo do que eu sentia quando via o Zac Efron, mesmo que eu só o visse por uma tela...Mas enfim, o garoto que caminhava em nossa direção era simplesmente espetacular.
Se eu tinha achado Demetri musculoso era porque não tinha o visto antes, isso sem falar no fato dele ser alto. O cabelo era uma bagunça de fios castanhos escuros, que o deixava com aspecto de quem tinha acabado de acordar. E o sorriso dele, por Deus, era o sorriso mais bonito que eu já tinha visto no mundo inteiro e chegava até seus olhos que mesmo de longe eu podia vez que eram azuis.
Quase surtei quando o garoto sentou bem na minha frente, do lado de Demetri. Ele continuava digitando e rindo do que via em seu celular, então passou algum tempo até que falasse com qualquer um na mesa.
— Ei, oi gente! — exclamou. — Lembram-se do Heitor, que estudava com a gente ano passado? Ele acabou de me mandar uma mensagem, foi a uma tourada na Espanha e disse que o touro olhou com vontade de matá-lo. Eu perguntei se o touro não queria realmente levá-lo para um jantar. — Riu sozinho, eu não achei muita graça naquilo, mas bem, só apreciar o riso dele pareceu suficiente.
— Como eu queria ser filha única — Jane choramingou. — Oh Deus, que mal te fiz? — Dramatizou, o que me fez rir e chamar a atenção de Alec.
— Quem é ela? — perguntou, roubando a maça da bandeja de Demetri, que não reclamou. — Quem é você? — questionou então para mim.
— Renesmee Swan, minha prima, lembra? — Riley falou. — Eu disse que ela viria para aula hoje.
— Ah cara, você quer que eu me concentre em outra coisa fora o pobre coitado do Heitor prestes a virar jantar de touro? — Ele riu outra vez, voltando as mensagens.
Senti vontade de bater minha cabeça na mesa, sério que eu tinha ficado deslumbrada com um cara que parecia tão idiota quanto aquele? Eu sonhava em ter um relacionamento sério, não me envolver com uma criança no corpo de um adulto.
— É meu irmão, Alexander, ou Alec — Jane disse para mim. — O ignore.
Assenti, mesmo sabendo que não seria muito fácil ignorar alguém tão bonito quanto o irmão dela.
***
O restante das aulas foram realmente inspiradoras e consegui puxar papo com algumas pessoas e ela foram bacanas, ainda que não possa dizer que tenha me tornado amiga de alguma delas. Na verdade, eu preferia muito o grupinho de amigos de Riley, mesmo que fossem mais velhos eram bem legais.
Estava no pátio da escola, esperando pelo meu adorável primo quando o celular informou que eu tinha recebido uma mensagem.
Riley: Foi mal Ness, estou preso na quadra de basquete resolvendo uns problemas, o treinador está bem puto porque perdemos a última partida. Te encontro em alguns minutos.
— Ai que maravilha! — resmunguei, encolhendo-me dentro do casaco, o clima de New York não era tão péssimo, mas eu estava realmente cansada o que não ajudava muito a esperar no frio.
Senti alguém cutucar minhas costas, então virei e vi que era Alec. Por um momento esqueci como se falava, por sorte ele foi o primeiro a se pronunciar.
— Oi, Renesmee não é? — perguntou.
— Isso — murmurei.
— Alec Volturi, acho que não nos apresentamos muito bem antes — ele falou, apertamos as mãos e senti vontade de o abraçar. Oh, eu sentia que estava traindo meu futuro marido — Zac Efron — só por aquele contato mínimo. — Tudo bem? Você está vermelha.
— É o frio — menti.
— Não vai embora? É aquele tipo de pessoa que fica na escola até o zelador expulsar? — Sorriu, um sorriso que chegava até seus olhos.
— Não. — Ri. — Meu primo está com o time de basquete, eu tenho de esperá-lo para ir para casa.
— Quer uma carona? — Alec perguntou, fiquei muito tentada a aceitar, mas mamãe arrancaria meus olhos se soubesse que tinha voltado com um garoto para casa, mesmo que fosse filho dos chefes dela.
— Ah não, obrigada — agradeci. — Posso esperar Riley mesmo, sem problemas.
— Te vejo por ai?
— Claro — concordei, sentindo-me mais tola ainda por sorrir tanto para ele.
— Até mais! — Alec acenou, afastando-se em direção a um dos carros no estacionamento.
Eu fiquei tão feliz com nossa conversa que quando meu primo apareceu, quase meia hora depois, nem consegui brigar pelo atraso.
***
Simplesmente amava New York, aquelas ruas, as pessoas, o metro, gostava até mesmo de toda a barulheira que fazia e que muitas vezes me acordava de noite. Eu era apaixonada por aquela cidade, nunca tinha me sentido tão feliz quanto estava me sentindo naquele lugar.
Ainda que mamãe e eu tenhamos tido um desentendimento logo no meu primeiro dia de aula, pois fui confessar que como uma tola de filmes da Disney estava apaixonada por Alec, nada tirava minha alegria de estar em New York. A escola era maravilhosa, mesmo com tanta lição, as pessoas mais ainda e eu sentia que podia ser muito feliz ali.
Ao longo daquela semana tinha me aproximado bastante de Jane e ela parecia muito mais que uma amiga, uma espécie de irmã mais velha que me dava dicas de tudo que era possível. Eu a adorava e o fato dela não fingir que não me conhecia dizia que também gostava de mim. Demetri também era muito bacana, ainda que mais na dele.
Quanto a Alec...Bom, ele era do time de futebol americano da escola e parecia conhecer todos ali, não falei com ele depois do nosso momento fofo que sonhei por dias no meu primeiro dia de aula.
Quer dizer, uma vez eu estava andando pelos corredores e passei por ele, disse um oi, mas ele estava focado demais na música que tocava em seus fones de ouvido para me ouvir. Ainda assim, eu continuava suspirando por ele toda a vez que o via. Se um dia Zac Efron desprezasse meu amor, eu certamente colocaria Alec no topo da minha lista, bem a frente do Josh Hutcherson.
***
O sábado começou bem estranho, primeiro com mamãe e tia Rosalie aparentando estarem nervosas, mamãe liberando que eu fosse procurar um emprego. Depois uma amiga dela aparecendo, uma tal de Tanya que eu nunca tinha ouvido falar, mas por algum motivo parecia familiar.
Mamãe parecia tão ansiosa e nervosa perto dela, sem falar no fato de Tanya ter até chorado ao me conhecer. Não fazia ideia de quem era aquela mulher, nem o motivo da aparição dela deixar minha mãe tão agitada, mas nada parecia normal.
Tia Rosalie então me levou para a confeitaria que eu pretendia trabalhar, passamos um bom tempo lá e era claro que ela estava me prendendo ali para que mamãe pudesse conversar com sua amiga. E quando voltei para casa, mamãe apareceu com uma conversa bem estranha sobre um antigo cara que ela gostou.
Mas, tudo ficou muito melhor quando ela concordou em irmos jantar com Jane e a família dela. O que pareceu muito bom para mim, uma vez que Alec estaria lá.
Pegamos um táxi para ir até o apartamento dos Volturi, que era um pouco distante do nosso em uma área da cidade mais cara. Antes de nos mudarmos mamãe tinha comentado que achava estranho os filhos de pessoas ricas como os dos Volturi estudarem em uma escola pública, na verdade ela era bastante complicada quando o assunto era conviver com pessoas claramente ricas. Não entendia o motivo disso, mas quanto mais crescia menos entendia de mamãe.
— Pare de bater o pé, vai acabar fazendo um furo no chão do carro — mamãe falou, eu estava tão impaciente para chegar a casa dos Volturi que não conseguia conter minha agitação.
Tinha experimentado umas dez roupas diferentes, até me decidir por um vestidinho azul que chegava até meus joelhos e saltos pretos não tão altos. Meu cabelo era o problema, parecia que tínhamos brigado aquele dia e o bendito não ficava do jeito que eu queria. Acabei o prendendo em um rabo de cavalo, mesmo odiando o fato do meu rosto ficar tão exposto.
— Desculpe — pedi, controlando minha perna.
— Está tão nervosa assim por conta de um garoto? — mamãe perguntou, mas ela também parecia ansiosa com algo, então não podia me julgar por aquilo.
— Não é qualquer garoto, mãe!
— Pensei que você seria apaixonada apenas pelo Zac Efron, até ele começar a precisar de plásticas. — Suspirou. — Saudades de quando se apresentava por ai como Senhora Efron, era fofo.
— Eu sempre serei a senhora Efron — proclamei.
— Vamos, fale o que Alec tem de tão especial, estamos presas no trânsito de qualquer jeito. — Lançou um olhar emburrado para o motorista.
Mamãe odiava pegar trânsito, o que sempre a deixava irritada, mas naquele dia ela parecia à beira de um colapso de nervos.
— Ah mãe, isso é constrangedor — murmurei, não querendo falar sobre Alec com ela.
— Renesmee! — exclamou, olhando para mim com a mesma cara emburrada de antes.
— Tá, tudo bem, eu falo — concordei. — Bom, Alec é bonito e isso é incrivelmente superficial, mas não posso fingir que não percebi o quanto o garoto é gato! — exclamei, o que surpreendentemente a fez rir.
— Ah querida, eu lhe entendo — ela disse parecendo perdida em seus pensamentos. — Vamos ver, ele é loiro como a mãe?
— Não, moreno. É do time de futebol americano, então tem um corpo bem...Gostoso — sussurrei a última palavra, sem querer que o motorista ouvisse, como também envergonha de falar aquilo para mamãe, mas não tinha palavra melhor para definir Alec.
— O que mais? — mamãe perguntou, ainda sorrindo, o que queria dizer que eu não estava encrencada.
— Os olhos dele. — Abri um enorme sorriso. — Mamãe, é possível se apaixonar por um par de olhos? Sei lá, parece que eu posso ver a alma dele só por eles.
Mamãe deu um sorriso diferente, um que eu tinha visto poucas vezes. Todas quando ela se referia ao meu pai.
— Sim — mamãe respondeu minha pergunta. — É totalmente possível se apaixonar por um olhar, foi um dos motivos que me fez ficar apaixonada por seu pai, filha.
A abracei, mas não chorei, nem ela, continuávamos sorrindo. Era bom ouvir um pouco de papai.
— O que mais te encantou nele?
— O jeito que ele sorria — mamãe respondeu prontamente. — Era lindo, ele tinha o sorriso mais bonito do mundo. E era atencioso comigo, carinhoso e mesmo quando me irritava eu continuava o amando. — Senti os braços dela apertarem com mais força meu corpo e seus lábios encontrarem o topo da minha cabeça, dando um beijo no lugar.
— Papai deve ter sido um cara incrível.
— Ele foi sim.
***
O apartamento dos Volturi era lindo, vovó Renee ficaria maluca se visse e ia questionar a mãe de Alec e Jane sobre cada móvel que tivesse ali. Então seria totalmente indiscreto e ela nos mataria de vergonha, o que sempre acontecia.
O sonho de vovó era ser uma granfina, morar em um apartamento de luxo e ter pelo menos duas empregadas a servindo. Ela nunca escondeu que era infeliz com a vida que levava em Forks, junto de vovô Charlie, o sonho dela era ver mamãe e tio Emmett crescendo na vida e a tirando daquele buraco como chamava a casa que morava.
Mas tio Emmett logo casou, teve um filho, se mudou e não a levou junto. Além do mais, meus tios tinham uma boa situação de vida, mas não eram milionários que poderiam dar tudo que vovó quisesse. Na verdade ela tinha criado um grande caos com tia Rosalie certa vez, quando a mesma lhe deu uma televisão nova de Natal, quando o que vovó queria eram férias em um cruzeiro e fez questão de nem desembrulhar a televisão.
Tia Rosalie, que nunca foi a pessoa mais calma do mundo, simplesmente jogou na cara de vovó que ela e tio Emmett não se esforçavam dia e noite trabalhando, para darem um presente bacana para ela, para que a mesma o recusasse daquela forma, diante toda a família. Eu amei minha tia ainda mais depois daquilo, ela deixou bem claro para Renee que ninguém ali era rico para bancar as extravagâncias que ela tanto queria.
Então, sem tio Emmett para dar trela aos seus desejos impossíveis, sobrava mamãe. Mamãe que estudava e sonhava em ser uma grande jornalista, mas que teve isso tudo interrompido quando eu apareci em sua vida. Renee não fazia questão alguma de esconder o quanto não me tolerava, mamãe nunca tinha dito nada, mas eu sabia que minha nada doce avó deve ter dado sugestões bem extremas a ela quando engravidou.
Mamãe voltou para a faculdade quando eu cresci, arranjou um trabalho e era uma excelente jornalista. Mas tendo que sustentar uma casa e uma filha sozinha, era óbvio que não tinha como transformar a mãe em uma milionária com seu salário.
Tirei Renee de minha cabeça, a noite ia ser boa e não deixaria que ela me afetasse.
Jane foi quem abriu a porta quando chegamos ao apartamento, ela deu um gritinho animado a me ver e pulou em meus braços. Então se apresentou para mamãe e a abraçou também, já era certo o quanto eu gostava daquela garota.
— Mamãe já está vindo — ela falou, ajudando a gente a guardar os casos. — Está brigando com algum jornalista dela. Cuidado para ela não descontar em você Bella.
— Pode deixar — mamãe riu.
— Vocês tem um belo apartamento — comentei, sendo levada junto de mamãe, por Jane, até a confortável sala de estar. Era toda trabalha em tons claros que dava a sensação de ser maior ainda e era onde ficava a escada que dava acesso ao segundo andar do duplex.
— Não seja formal Renesmee, temos menos de trinta anos — Jane pediu com uma careta. — Sentem-se, não fiquem ai fortalecendo a musculatura da perna.
Estávamos prestes a sentar quando Sulpicia apareceu, ela era extremamente parecida com os filhos — ou eles com ela na verdade — olhos azuis da cor do céu que Jane e Alec tinham, o cabelo loiro igual ao da filha e a altura do filho. Ela cumprimentou mamãe, que então nos apresentou, Sulpicia disse o quanto estava animada em me ver e disse que eu era linda, o que imediatamente me fez corar. Por fim nós quatro sentamos.
Mamãe e Sulpicia passaram a conversar sobre um dos jornalistas que tinha acabado sendo preso por ter discutido com um entrevistado aquela manhã, nem uma das duas controlaram os risos ao falar do pobrezinho, mas segundo Sulpicia ele já estava sendo auxiliado pelos advogados do jornal. Eu estava ouvindo Jane falar sobre algum show que tinha visto na televisão noite passada, mas só parte da minha cabeça estava focada naquilo, eu queria saber onde estava Alec. Por fim ele apareceu no topo da escada, descendo enquanto digitava algo em seu celular e ria.
— Finalmente apareceu! — Sulpicia exclamou, ficando de pé e fazendo que mamãe e eu levantássemos também.
— Oi mãe? — Ele levantou o olhar da tela do celular e pareceu surpreso de ver mais pessoas ali. — Ei. — Guardou o aparelho no bolso.
— Alec, essa é Bella Swan, trabalha comigo lá no jornal.
— Oi senhora Swan — Alec disse, apertando a mão de mamãe.
— Senhorita — mamãe o corrigiu ele baixinho.
— E Renesmee você já conhece — Sulpicia falou, voltando a sentar e a falar sobre o assunto do jornalista preso, mamãe sentou junto a ela e retomou a conversa, mas não deixou de me lançar um olhar bem sugestivo.
— Oi Renesmee! — Alec pegou seu celular, então voltou a digitar nele, sentando-se do lado da mãe, que nem tão discretamente revirou os olhos para ele.
— Mamãe, Ness e eu vamos para meu quarto, quero mostrar uns vídeos para ela — Jane falou para a mãe, que concordou.
— Chamo vocês quando o jantar estiver pronto.
Jane segurou em minha mão, puxando-me para o segundo andar onde seu quarto ficava. Ele era fofo, com uma tonalidade azul bebê agradável, uma grande cama e tinha até uma parede decorada com luzes de natal.
— Fica a vontade, vou procurar os vídeos, você vai amar essa banda! — ela falou, sentando-se a escrivaninha e ligando o notebook.
Dei uma volta por seu quarto, até parar e encontrar o que parecia uma coleção de revistas.
— Você coleciona revistas?
— Sim, quero ser jornalista de moda um dia. Meus pais já disseram que eu vou acabar sendo repudiada por todos por conta do meu senso critico, mas que se dane. — Ela deu de ombros. — Falando nisso, o seu vestido e esse sapato não combinam, mas falamos sobre isso melhor outro dia.
— Okay — concordei gargalhando.
Peguei uma das primeiras revistas do topo da coleção de revistas de Jane, sentando em sua cama para ver tinha algo de útil ali. Quem sabe uma informação que dissesse porque meus sapatos não combinavam com meu vestido.
Estava folheando a revista quando uma página chamou minha atenção, então logo percebi que era por ter uma foto da amiga de mamãe ali, Tanya. Segundo a matéria ela se chamava Tanya Cullen e só ali percebi que ninguém tinha dito o sobrenome dela aquela manhã. Na reportagem dizia que Tanya era dona de uma agência de modelos e tinha sido uma no passado, aquela reportagem era sobre um desastroso desfile que ela organizou em Los Angeles.
— Sabe algo sobre Tanya Cullen? — perguntei a Jane.
— É uma herdeira, se casou com um Cullen. O que só faz dela mais rica ainda.
— Cullen? — O telefone de Jane tocou, a distraindo.
— É. Espere um segundo é Demetri, ele não me ligou o dia inteiro, tem de ouvir poucas e boas. — Jane saiu do quarto, olhei mais uma vez para a foto de Tanya na revista, querendo entender os laços que ela tinha com minha mãe, algo parecia estranho.
— Oi Swan. — Levantei os olhos da revista, vendo Alec parado na porta do quarto da irmã.
— Oi — sussurrei, deixando a revista e Tanya Denali de lado.
— Nossas mães não param de falar sobre trabalho é entediante — Alec disse, entrando no quarto e jogando-se na cama da irmã sem se importar em tirar os sapatos. — Vocês vieram de onde? — ele perguntou.
— Seattle — continuei sussurrando, envergonhada demais para falar direito.
— Você só sabe sussurrar? — Alec perguntou, eu passei algum tempo sem responder graças ao fato da camisa que ele usava ter um subido um pouquinho, revelando sua barriga definida.
Sério, ele tinha só dezessete anos, como conseguia aquilo? Ele não devia ser tão gostoso, digo, malhado.
— Ah...Eu... — comecei a gaguejar. Bom Renesmee, muito melhor que sussurrar.
Alec riu, a risada que eu já tanto gostava, então sentou-se, ficando perto demais de mim.
— Você é bacana — ele falou. — Meio calada, ou melhor meio esquisita quando fala, mas parece ser alguém realmente obrigada.
— Isso era para ser um elogio? — perguntei o desafiando.
— Olha só, você disse uma frase inteira sem sussurrar ou gaguejar.
— Não sou idiota, na verdade sou bem inteligente para minha idade. — Lancei um sorrisinho presunçoso a ele.
— Quinze anos?
— Isso — confirmei. — Então, você é do time de futebol americano, não é? — Eu rezava internamente para não voltar a bancar a boba.
— É, mas estou no time reserva, então não é lá essas coisas. — Alec fez uma careta e até assim continuou bonito. — Na verdade é meio decepcionante.
— Eu acho bacana! — exclamei. — Pelo menos você tem um casaco legal e pode ver o jogo bem perto do campo, enquanto as pessoas se apertam nas arquibancadas lotadas, com casacos feios.
— Eca, sai da minha cama, seu imundo! — Jane voltou, brigando com o irmão. — Ness vamos descer, o jantar já está pronto.
— Okay. — Estava prestes a sair da cama, quando Alec saiu antes, indo até o lado que eu estava e estendendo a mão para mim.
— Deixe com que eu lhe ajude! — Segurou em minha mão, ajudando com que eu saísse da cama.
O toque ali pareceu muito melhor do que na segunda-feira quando nos cumprimentamos, isso aliado ao fato dele me olhar diretamente nos olhos me deixou completamente boba.
— É só uma cama, Romeu! — Jane bufou. — Se quiserem trocar saliva façam isso fora da minha vista.
A fala dela fez com que eu voltasse a ficar constrangida. Soltei da mão dele, a seguindo para fora do quarto.
Mamãe e Sulpicia já estavam sentadas a mesa quando chegamos a sala de jantar, foi um momento muito bom com todos eles. Jane e Alec eram divertidos e as implicâncias entre eles me fazia rir para valer, o que por um momento me fez sentir muito a falta de ter um irmão. Sulpicia também era bacana e estava fazendo mamãe parecer mais distraída do que quer que fosse que estava a deixando preocupada desde o começo daquele dia.
— Vamos ao clube amanhã, Renesmee deveria vir conosco — Jane falou e vi Alec sorrir com aquilo.
— Sim, você realmente deveria vir! — Alec exclamou. — Ela pode Senhorita Swan?
— Eu não sei... — Mamãe começou a falar.
— Riley irá conosco — Alec disse. — E mamãe também vai.
— Eu vou ficar no SPA, não contem com minha presença — Sulpicia disse, pegando mais um pouco de sobremesa. — Pode vir comigo Bella, uma massagem é tudo que precisa para se sentir revigorada.
— Não, eu estou bem — mamãe mentiu, ela não estava bem, eu a conhecia bem demais para isso. Como também sabia que não adiantaria perguntar o que ela tinha, não teria uma informação concreta. — Mas tudo bem, Renesmee pode ir.
— Que maravilha! — Jane comemorou.
— Sabe jogar tênis? Tem uma quadra ótima lá, se quiser posso te ensinar a jogar — Alec sugeriu e foi muito difícil conter a vontade de gritar por aquilo.
— Sei jogar sim.
— Finalmente alguém que saiba jogar, Jane é péssima.
— E eu moro na mesma casa que você, então cuidado quando estiver dormindo Alexander! — Jane ameaçou.
***
O restante do jantar foi tão bom quanto antes, o que até me deixou bem triste quando mamãe anunciou que estava na hora de irmos embora, mas como eu veria os Volturi no dia seguinte — como também ficaria com eles até de tarde — não pude ficar tão chateada. Jane se despediu de mim mandando-me levar um biquíni caso liberassem a piscina aquecida e Alec dizendo estar animado para nossa partida de tênis.
Naquela noite acabei dormindo com mamãe, era minha única forma de estar com ela sem ser curiosa sobre o que estava a deixando daquele jeito. Eu a amava tanto, odiava vê-la mal com algo.
Acordei extremamente animada, correndo para me arrumar e não me atrasar. Seria feio e rude da minha parte fazer os Volturi esperarem e ainda teríamos de ir buscar Riley na casa dele, então não tive tempo de conversar com mamãe, principalmente sobre Tanya Cullen, uma vez que o nome dela tinha voltado a rondar minha mente.
— Tchau mamãe! — gritei, pegando minha bolsa quando uma mensagem de Jane avisou que eles já estavam esperando por mim.
— Tchau querida, cuide-se — mamãe gritou de volta do seu quarto.
Entrei no carro de Sulpicia, sentando ao lado de Jane no banco de trás, a mãe e o irmão dela estavam na frente. Cumprimentei todos, mais animada ainda com o passeio. Eu nem sabia dizer se era por estar indo jogar tênis, ter um dia longe dos trabalhos da escola, ou simplesmente por não ter sido desprezada por todo mundo em New York como tinha medo.
Logo pegamos Riley e o grupinho estava formado, ainda que Demetri não pudesse ir por estar ocupado em um evento familiar, o que não alegrava muito Jane. Assim que chegamos ao Clube Sulpicia seguiu para seu precioso SPA, nós quatro fomos tomar um brunch e acho que nunca comi tanto quanto naquele dia.
Passamos um bom tempo ali conversando e rindo aos montes.
— Vamos Renesmee, qual foi seu momento mais constrangedor? — Jane perguntou, logo depois de falar o dela, que tinha sido ao andar pelos corredores da escola sem ver que sua calça estava molhada de água.
— Tudo bem, quando eu tinha uns nove anos de idade mamãe arranjou um namorado novo — comecei a falar. — Um dia eu acordei de madrugada e os dois estavam no quarto ao lado...
— Ah acho que já sei o que vai falar — Alec disse, rindo alto. Eu adorava o jeito espontâneo dele, era carismático.
— Sim, isso mesmo. — Senti-me nauseada só de lembrar. — Só lhe digo uma coisa, uma menina de nove anos não devia ouvir a mãe transando com ninguém.
— Tia Bella mandando ver — Riley caçou e joguei uma uva nele.
— O pior era que ele era recém chegado aos Estados Unidos vindo da Argentina, então quando fui perguntar na manhã seguinte o que estavam fazendo ele começou a se explicar e pedir desculpas em espanhol, o que só me deixou mais confusa.
— Okay, eu andei molhada na escola, Riley caiu na frente de uma garota quando foi chamá-la para sair e Renesmee ouviu a mãe transar — Jane disse. — Acho que seu momento constrangedor não barra o da Ness, irmão — falou para Alec.
— Ai que você se engana, pequena irmã — Alec disse em um tom debochado, então virou-se para mim. — Desculpe Nessie, vou roubar seu lugar de momento mais constrangedor.
— Ah é? Tente! — Cruzei os braços.
— Eu não só ouvi papai e mamãe transando, como vi — Contou, Jane parecia que ia vomitar, Riley gargalhou e segurei no braço de Alec, incrédula. — Sim, eu tinha seis anos de idade e estava chovendo...
— Ele tem medo de trovões, é ridículo — Jane se recuperou do choque para falar aquilo.
— Enfim, fui até o quarto deles e vi. Nunca vou me esquecer, é um trauma que vai me acompanhar até a morte.
— Ai, chega! — Jane pediu. — Vamos logo jogar, esse papo vai me fazer vomitar.
— Proponho um jogo em duplas, Nessie e eu, contra você e Riley — Alec disse.
— Eu vou ganhar — Jane afirmou. — E você vai ficar choramingando, vamos Riley.
Logo nos preparamos para o jogo, eu estava mesmo com saudades de jogar tênis. Não que eu quisesse ser jogadora profissional, só era algo que gostava para passar o tempo. Minha escolha de carreira ia por um caminho bem diferente, ainda que eu soubesse que talvez mamãe não fosse concordar tanto assim com o que eu queria.
O jogo não foi tão fácil assim, não por Riley que era péssimo, mas Jane não era tão ruim quanto o irmão tinha dito. Mas nós — Alec e eu, o que soava bonitinho — dois fazíamos um bom par em quadra. Estávamos quase no final do mesmo com um placar bem apertado quando finalmente fiz o ponto da vitoria.
— Ganhamos! — Alec gritou. — Lida com isso Jannett!
— Oh meu Deus, o nome dela é Jannett? — perguntei recuperando o fôlego, Alec assentiu. — Ei nós ganhamos! — exclamei absorvendo aquilo finalmente, então corri até ele para comemorar.
Alec me surpreendeu e me segurou pela cintura, então encostou seus lábios no canto da minha boca. E obviamente não me afastei dele, ainda que estivéssemos suados, cansados e morrendo de sede. Ele era muito melhor e certamente mais real que Zac Efron.
— New York fica cada vez melhor — sussurrei.
— Pare de sussurrar. — Alec jogou a raquete no chão, segurando minha cintura com as duas mãos, então eu tomei a iniciativa e o beijei pra valer.
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