Moon River
16 Capítulo Doze
Notas iniciais
— Capítulo Doze —
— Bella —
Seattle – Janeiro de 2000
Caminhei com passos firmes até a joalheria dos Denali, eu estava com o vestido de Tanya lavado e passado, colocado com cuidado em uma capa apropriada e pronta para pedir demissão de um trabalho que nem tinha começado. Obviamente que depois do jantar com os Cullen, eu não poderia aceitar um emprego que tinha envolvimento direto com um deles, Edward no caso, então diria a Tanya que agradecia tudo, mas não poderia ficar.
Tanya também estava chegando à joalheria naquele momento, em um carro branco e grande demais, ela saiu do carro sorridente. Sorri para ela também, ainda que soubesse que não era um dos melhores sorrisos. Eu tinha passado boa parte da noite em claro, me remexendo na cama por não conseguir dormir graças aquele jantar e com a aparição de Esme em meu dormitório.
— Oi Bella! — Tanya veio até mim, parando em minha frente. — Pensei que Edward viria com você.
— Temos que conversar, Tanya — murmurei, lhe entregando o vestido.
— Tudo bem? — Tanya questionou, avaliando-me atentamente.
— Podemos entrar? — indiquei a loja.
— Claro, vamos. — Tanya assentiu, indo na frente para poder abrir a loja. — Quer champanhe? Água? Você parece nervosa.
— Não, estou bem assim — falei, Tanya apenas assentiu novamente, então me levou para dentro do escritório. Ela colocou o vestido no armário, voltando e sentando-se a sua mesa. — Senta Bella, você está me assustando. Aconteceu algo com Edward? Estou tentando falar com ele a manhã inteira e agora no comecinho da tarde, mas ele não me atende.
— Ele está bem, eu acho — sussurrei, sentando também. — Mas aconteceu algo ontem, no jantar com os pais dele.
A expressão de Tanya passou de preocupada para raivosa em instantes.
— O que eles fizeram?
Respirei fundo, a noite passada tinha sido terrível em vários aspectos.
— Carlisle e Esme Cullen trataram-me como se eu não fosse nada mais que um lixo — falei, sentindo lágrimas em meus olhos. — Disseram que eu não era a mulher certa para Edward, no começo estavam sendo apenas irônicos, depois começaram a atacar sem pudores. Eu sai antes mesmo do jantar ser servido, não conseguiria comer olhando para a cara deles.
— Bella, eu sinto muito! — Tanya exclamou. — Mas Edward já deve ter se desculpado com você milhões de vezes, o que decidiram sobre isso? Sem mais encontro com os Cullen até que eles percebam que você é a garota certa sim para o filho deles?
— Não — respondi. — Eu sai de lá sem Edward, Tanya — contei. — E não foi ele quem apareceu em meu dormitório depois daquilo. — Suspirei.
— Então, quem?
— Esme — falei o nome da mulher, lutando contra a vontade de vomitar que a mesma me despertava. — Esme foi até mim e não sei se com o intuito de me humilhar ainda mais, ou seja lá porque.
— Por que Esme iria atrás de você? Isso não parece algo que ela faria — Tanya confessou. — Mas a ignore, você precisa conversar com Edward, ele não tem culpa do que os pais tenham falado.
Eu senti minha expressão fechar.
— Ele não é para mim, Tanya.
— Ah me poupe, Isabella Swan! — Tanya levantou-se. — Você já se sentiu assim por outro cara como se sente pelo meu amigo? Dá para ver por seus olhos brilhando toda vez que fala nele o quanto gosta de Edward. Não deixe um amor verdadeiro passar, seria a pior decepção de sua vida, falo isso por experiência própria.
Encarei Tanya, que naquele momento parecia vulnerável.
— Está falando de Jasper? O marido de Alice.
— Estou — Tanya confirmou, sentando-se na cadeira ao meu lado, encarando as próprias mãos sobre o colo. — Eu o amava de verdade, Bella — disse baixinho. — Então minha irmã morreu e fiquei tão perdida, acabei me distanciando dele e foi o momento perfeito para Alice Cullen aproximar-se dele e o roubá-lo. Não deixe os Cullen roubarem Edward de você.
— Não é tão simples, Edward parece ser tão submisso às vontades dos pais. O cara sonhador, engraçado e tão cheio de energia que conheci parece se apagar diante deles.
Tanya ficou calada por um tempo, até que acabou dizendo:
— Ele sempre foi assim. Edward tem a péssima mania e a personalidade fraca, tentei por anos o fazer mudar isso, ser mais ele mesmo, mas parece impossível. Nunca entendi porque ele é tão fraco ao que os pais querem, mas ele é. E você pode ajudá-lo, Bella.
— Não acho que possa.
— Sabe o cara sonhador, engraçado e enérgico que acabou de descrever? Eu não via Edward agindo assim desde antes da faculdade. Quando ainda estávamos no colégio ele conseguia ser menos manipulado, mas desde que te conheceu parece que tudo voltou com força. O ajude, por favor, faça Edward sair das assas do pai.
Apoiei as mãos no rosto, sem ter ideia do que fazer. Eu tinha meus próprios problemas, conseguiria lidar com os de Edward?
— Não acredito que possa lidar com isso, Tanya — murmurei. — Não sei se estou apaixonada o suficiente por Edward. — Tirei as mãos do rosto, surpreendendo-me a ver Edward no escritório, Tanya olhava chocada dele para mim.
— Eu...Vou deixar vocês sozinhos. — Ela saiu da cadeira, deixando a sala apressadamente.
Edward parecia não ter dormido, estava com um aspecto cansado e as roupas completamente amarrotadas eram as mesmas do dia anterior. E ele parecia fraco, como se fosse despencar a qualquer momento no chão.
— Oi — sussurrou, assumindo o lugar de Tanya.
— Desculpe pelo que ouviu, Edward — pedi constrangida.
— Ouvi quase tudo, entrei na joalheria pouco depois de vocês — Edward contou. — Sabia que viria até aqui, para aceitar o emprego de vez, ou dispensá-lo.
— Eu vim dispensá-lo.
— Meus pais sempre me consideraram fraco — Edward contou, desviando o olhar para a parede. — Mas não era fraqueza, sabe? Eu só odiava tudo isso, o mundo que vivemos. As festas, os negócios, as pessoas. Sou um Cullen, Bella, as pessoas esperam que eu ame quem sou, mas não amo. Imagino minha vida bem diferente da que estou vivendo, da que vou acabar tendo no futuro. Queria ser médico, ter uma casinha com cerca branca, um cachorro e um filho ao menos. Eu nunca senti que meu pai me amava de verdade, não sei porque, mas ele parece me odiar. E, parece que quanto mais tento provar a ele que sou capaz de fazer o que seja, mas papai me considera um puta fracassado.
— Edward... — Queria tocar nele, mas hesitei.
— Então, bom, eu realmente sou fraco. Porque sempre acabo fazendo tudo que meus pais querem, para tentar provar que consigo, ainda que tudo não me agrade. Joguei tênis por anos e era péssimo nisso, mas eles não conseguiam nem mesmo reconhecer meu esforço.
— Sinto muito.
— Eu entendo — Edward por fim voltou a me olhar. — Entendo você não querer se aproximar de mim, ou da minha família. Não sei se me aproximaria se fosse você, só posso falar que estou apaixonado e sei que não é pouco. — Levantou. — Desculpe ter entrado em sua vida e ter feito ouvir tudo aquilo dos meus pais noite passada, mas não precisa recusar o emprego aqui por minha conta.
Edward levantou, se encaminhando em direção a porta.
— Eu não acho que vai ser bom ficar o encontrando...
— Eu não vou ficar — ele disse, sem olhar para mim. — Meus pais voltam para New York no próximo Domingo, vou com eles. Tenho a faculdade, estágios na empresa, não posso mais ficar em Seattle.
— O... O quê? — minha voz falou ao falar aquilo. — Você está indo embora? — Finalmente me levantei.
Edward continuava parado diante da porta, uma mão segurando na maçaneta e a outra pressionando seu próprio pescoço. Parecia tenso.
— Sim. — Apoiou a cabeça contra a porta.
— Olhe para mim, Edward — pedi, aproximando-me mais dele.
— E ficar com uma imagem sua irritada e chateada pelo resto da minha vida? Você foi uma das melhores pessoas que conheci, Bella e nos conhecemos a menos de uma semana. Percebe a profundidade de tudo isso? Ou sou o único nisso também? Eu nunca senti nada por alguém da mesma forma que sinto por você!
— Olhe para mim, Edward! — repeti, exclamando daquela vez.
Por fim, Edward virou de frente para mim. Os olhos receosos, as mãos indo parar dentro dos bolsos do casaco que ele usava. Respirei fundo, então fui até Edward. Tanya tinha dito que um amor verdadeiro nunca deveria ser deixado passar e meu pai uma vez disse que eu saberia perfeitamente quando estaria apaixonada para valer por alguém.
— Quando você conhecer a alma da pessoa, quando souber como ela se sente de verdade. Quando você a ver rindo e chorando, tristeza e felicidade são emoções fortes, Bells. Um dia irá encontrar um homem que te faça sentir tudo ao mesmo tempo, isso quer dizer que o que sente por ele não é passageiro, amor verdadeiro não é algo de momento. Os dois irão sentir junto, seja chorando ou rindo, é o que o amor faz.
— Não vá embora — pedi a Edward.
— Da joalheria? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Sim. — Assenti. — E da rua, da cidade e da minha vida. — Cheguei até ele, esticando meu corpo para tomar seu rosto em minhas mãos. — Eu não me importo com seus pais, Edward, é com você que quero estar.
E o beijei ali, tendo o beijo prontamente retribuído.
***
Edward e eu ainda estávamos nos beijando quando Tanya reapareceu, ela soltou um gritinho animado, para sair novamente do escritório. Ri nos lábios dele, imaginando a expressão dela ao nos ver ali aos beijos, quando antes eu estava toda cheia de conflitos em relação ao que sentia por seu amigo.
Nunca acreditei que realmente existisse amor a primeira vista, ou qualquer coisa assim, mas no momento que vi Edward naquela festa algo aconteceu comigo. Desde aquela noite, a cada nova vez que eu o via mais queria o ver. Eu mesma conseguia imaginar nós dois em uma casinha com cerca branca, com filhos e um cachorro chamado Fred.
— Desculpa, desculpa mesmo. — Edward me apertou contra seus braços, colocando seu rosto na curva do meu pescoço.
— Está tudo bem. — Afaguei seus cabelos. — Você não é seus pais eu tenho de entender isso, não posso ficar o julgando pelos erros deles.
— Obrigado! — Edward se afastou o suficiente de mim para que pudéssemos nos olhar. — Por ser melhor do que eu.
— Não, não sou melhor do que ninguém. — Toquei em seu rosto. — Mas, o que vai fazer agora? Irá voltar com seus pais para New York?
— Não, não mesmo! — Edward exclamou. — Vou ficar em Seattle, tenho algum dinheiro guardado. Algo meu mesmo, que arranjei trabalhando honestamente na empresa da família nos últimos cinco verãos, meus pais não podem reaver esse dinheiro e sou maior de idade, então...Eu fico, procuro um emprego, posso começar algum curso técnico.
Edward claramente perdido, eu não sabia se aquela era a melhor escolha, ele tinha um padrão de vida alto. Mudar de forma tão brusca seria um grande choque.
— Tem certeza disso?
— É a única certeza de que tenho em minha vida, Bella. Quero ficar perto de você, nada mais. — Seu corpo voltou para perto do meu, então Edward me beijou rapidamente.
— Ei pombinhos, eu não quero atrapalhar a reconciliação, mas preciso mesmo trabalhar. Tenho exatamente um mês para planejar uma festa e isso está me deixando doida — Tanya disse, aparecendo apenas com a cabeça para o interior do escritório.
— Tudo bem, eu tenho de ir, conversar com meus pais e tudo mais — Edward disse receoso, dando um beijo em minha bochecha. — Te ligo mais tarde, tudo bem?
— Claro — concordei, sorrindo para ele.
— Tchau Tanya, cuide de Bella.
— Bella é bem grandinha, sabe se cuidar sozinha — Tanya disse.
— Mas...
— Ela está certa, eu sei me cuidar — falei para Edward.
— É, além do mais se eu fosse cuidar dela teria de deixar de fora os carinhas do clube de striptease que contratei para nos divertir. — Tanya brincou, fazendo com que eu risse e Edward revirasse os olhos.
— Tchau meninas!
Então ele foi embora, mas eu sabia que era momentaneamente.
***
Tanya e eu passamos o resto da tarde de fato trabalhando, ela tinha ideias ótimas para festas, mas realmente precisava de alguém que a ajudasse a organizar os mínimos detalhes e colocar tudo em prática. Formamos uma boa dupla e mesmo com algumas horas de serviço, tivemos um dia bastante produtivo.
Edward não tinha ligado até a hora que acabamos o trabalho naquele dia, então aceitei sair com Tanya para jantar. Só que, para minha extrema felicidade, fomos a uma lanchonete perto da faculdade, nada cheio de luxo ou caro. Nós passamos um bom tempo ali, comendo e rindo de besteiras.
Eu estava entrando no prédio do meu dormitório quando Edward finalmente ligou, parei ali mesmo no hall, não seria legal conversar com ele na frente de Rosalie.
— Ei, tudo bem? — falei assim ao atender.
— Oi, como foi o trabalho? Tanya lhe enlouqueceu?
— Não — respondi. — Nós nos divertimos bastante até, saímos para jantar e o trabalho foi bem produtivo. Falou com seus pais?
— Sim. — Edward suspirou. — Não foi tão divertido quanto seu tempo com Tanya, mas chegou a ser produtivo.
— O que eles falaram sobre você ficar em Seattle?
— Piraram — Edward respondeu. — Mas concordaram que eu ficasse com algumas condições.
— Quais? Edward você não tem de aceitar condições algumas de sua família, são seus pais, não seus donos — murmurei, encarando meus próprios pés no tênis.
— Eu sei, mas também não posso ser totalmente independente de uma hora para outra. Tenho aquele dinheiro, mas não seria o suficiente para me manter, muito menos pagar uma faculdade de medicina. E ainda que eu tenha o sobrenome Cullen, eu nunca ganharia uma bolsa, todas as universidades iriam querer dinheiro Cullen de uma forma ou de outra.
— O que decidiu?
— Vou ficar em Seattle, na casa que temos aqui, o que vai economizar dinheiro de aluguel e tudo mais. Foi um pedido dos meus pais, não posso discordar desse tão rapidamente, sabe que te falei sobre as ameaças que sofremos, se descobrissem que estou sozinho pela cidade iriam atrás de mim, um sequestro de herdeiro sairia bem vantajoso para quem quer que fosse. Mas não é comigo que estou preocupado, você está comigo agora Bella, tenho medo de que alguém te machuque para me atingir.
— Então vai ficar na casa dos seus pais...
— Com alguns seguranças — Edward completou. — A outra ideia foi que eu começasse a fazer cursos livres na universidade de Seattle, línguas, matérias de psicologia, quem sabe voltar a estudar piano.
— Você toca piano? — perguntei me distraindo com aquilo.
— É, mas não pratico tem tempo — confessou. — Enfim, meus pais não veem com bons olhos que eu me meta em algum curso técnico, e a opção de fazer alguns cursos livres não é tão ruim assim. Eles também não querem que eu procure por um emprego, então decidi ir estagiar na filial da empresa que temos aqui. Querendo ou não sou o cara que vai comandar ela no futuro, não tem sentido ficar fingindo que não. Mas eu posso fazer isso se tornar mais agradável, não precisa ser ruim.
Paramos de falar por um tempo, ficando calados apenas ouvindo a respiração um do outro.
— Bella?
— Sim?
— Está zangada comigo? Por eu não me desprender dos meus pais?
— Não — falei a verdade. — Eu lhe entendo, isso não seria simples. E bom, se acha que isso não é ruim, estou do seu lado. Prometo, entendeu? Sei que mesmo não sendo o que você quer, vai ser um ótimo administrador da empresa no futuro, então estarei aqui te apoiando a ser o melhor.
— Obrigado.
— Não fique para baixo, okay? — disse ao ouvir sua voz triste. — Nem sempre temos o que queremos, mas sempre podemos continuar lutando.
— Ah, não estou triste por nada disso. — Edward riu suavemente do outro lado da linha. — Estou triste que não vou te ver mais hoje.
— Sei que sou irresistível, mas agora vai ter de dividir minha atenção — brinquei.
— Quem? — Edward perguntou curioso.
— Meus livros, tenho mesmo de ir estudar. Nos falamos amanhã? Podíamos ir almoçar juntos, tenho um tempinho livre antes de ir para o trabalho.
— Perfeito para mim — Edward concordou. – Bella?
— Oi? — perguntei já me levantando para seguir para meu quarto.
— Meus pais, eles querem pedir desculpas ao que falaram para você ontem à noite. No sábado Alice volta de viagem e é o aniversário de papai, teremos um jantar aqui em casa. Sei que provavelmente não vai querer vir, mas eu tinha de te contar. Vou participar do jantar e sair o mais rápido possível, podíamos ir ver um filme depois. Você escolhe, mas se fizer uma escolha ruim terá de lidar pelo resto das nossas vidas com o fato de que o primeiro filme que vimos juntos era horrível.
Eu ri.
— Não vamos ver um filme, não ainda — falei. — Vou ao jantar com você — anunciei.
— Sério? — Edward perguntou surpreso.
— Sim, sua família não me dá medo Edward. Vocês podem ser os Cullen, mas eu sou uma Swan e nós somos fortes.
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