Notas iniciais
Apenas quase um prólogo!

Apenas uma loba.

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Me remexi novamente no meu lugar nada confortável enquanto ouvia.

— Acha mesmo que essa paz vai durar? — A pergunta feita por Francesca, em total deboche fez os homens prenderem a respiração, como se esperassem um golpe do Alfa. Ou, meramente um grito.

Que não veio já que ela era filha dele. Mesmo assim Francesca estava andando perto demais do limite que sua condição privilegiada lhe dispunha.

— Durou a mais de cinquenta anos com Marcel na frente, não vejo porque seria diferente com o Híbrido na frente. — Tio Alejandro abriu as mãos como se mostrasse aquele ponto que todos conheciam.

Eu voltei a tomar aquele café forte que havia comprado enquanto vinha para a casa do meu tio, já meu pai que estava do lado do Alfa, como o Beta de cara fechada, pareceu captar meu movimento indecoroso, segurei o revirar de olhos, eu precisava me manter acordada de alguma forma.

Eu não soubera porque estava ali, até ver todos os meus irmãos, e todos os primos ali também. Sentados em espaços mínimos saboreando cada palavras dos mais velho, em um anseio quase psicótico por guerra. Talvez se nosso sobrenome não fosse Guerrera não teríamos o mesmo instinto, mas também, não deixaríamos de ser lobisomens.

Tudo indicava que Marcel, o líder dos vampiros, que se dizia o rei por quase, 100 anos, havia caído, e deixado o lugar vago para o antigo rei. O híbrido milenar que trouxera novamente a família Original de vampiros para Nova Orleans.

E eu pensando que estávamos tendo uma semana calma.

— Então, é isso?! Vamos abaixar a cabeça para outro vampiro! Não veem a oportunidade aqui? Nesse exato momento? — Lançou Francesca eufórica, e não pude deixar de notar o quanto a matilha concordava com suas palavras. — Deveríamos ir com tudo em cima deles, agora, nessa troca de liderança, vamos ser os Alfas que essa cidade ...

— Chega! — Gritou Alejandro apertando minimamente mais os braços da sua poltrona. Com suas mãos enormes. — Você não é mais uma garotinha e mesmo assim pensa como uma! — Aquelas palavras pareceram laminas de tão afiadas, principalmente para uma feminista como minha prima que soltou uma careta. Mesmo assim ele não parou. — Não vamos ter outra guerra tão cedo! Nossa família esta se restaurando aos poucos, e mesmo assim, não é o suficiente para se erguer contra os Originais. Não são vampiros normais que morrem com uma simples estaca no coração, ou nossas mordidas, chega de falarmos sobre guerra! Até eu e Filipe decidimos algo que a situação nos exija.

— Concordo, irmão. — Garantiu meu pai quando os olhos do Alfa vieram até ele.

O silêncio longo, pesado e quase sufocante, foi cortado pela campanhia. Leah que era a senhora Guerrera com sua barriga de grávida proeminente e que estava do lado do meu pai, demonstrando toda sua posição de não desafiar o marido a ser tão silenciosa que mal a vir, fez questão de tentar se levantar.

— Não. — Mandou papai, levantando a mão como se pedisse sem palavras, para ela não se esforçar, e depois encarou seus filhos perto do batente da porta dupla, aonde eu estava.

Seus olhos apenas passaram pelo meu rosto, como se eu fosse uma obra de arte que você não se dar ao luxo de olhar duas vezes.

— Sinto cheiro de bruxa. — Disse Alejandro, fungando como um verdadeiro caçador. — Myrella. — Fiquei surpresa de ver meu nome sair dos lábios do Alfa, de forma suave, como só falava com Francesca. — Faça-nos o favor.

Apenas assentir com a cabeça, e me pus de pé, entre a orda de filhos de Filipe que mal significavam algo para min. Ele era meu pai, sim, mas não tinha se casado, entre seus seis casamentos, com minha mãe, por isso eu não me sentia propriamente conectada com eles, ou mesmo papai.

Sair da sala empanturrada de lobisomens, sentindo seus olhos em min, e andei me equilibrando em cima do salto alto, arrumando meu tailer a medida que andava. Havia saído direto do trabalho, e por isso não pude me trocar. O que só fazia Alissa, e, Miah, fuxicarem que eu queria me mostrar. Novamente, revirei os olhos para suas piadinhas de mal gosto.

Andei pelo corredor do saguão, vendo casacos em cabiteiros, e finalmente a porta dupla de vidro, fazendo a silhueta feminina aparecer por causa da luz suave que vinha de fora para dentro. Não havia empregados na casa que poderiam ter arrumado aquela bagunça de roupas.

Soube assim que vir o rosto da bruxa, o motivo por qual Alejandro havia me mandando até ali.

— Sophie, como vai? — Perguntei gentilmente vendo a jovem bruxa também sorrir em reconhecimento, e suspirar relaxando o corpo minimamente.

Eu conhecia Sophie Deveraux a muito tempo, ela morava na rua debaixo, aonde eu cresci. Brincávamos de boneca, e com o passar do tempo, erámos próximas o bastante para toda a comunidade sobrenatural saber, que se tinha alguém com tato com bruxas, era eu.

— Bem, e você Ella? — Ela também devolveu a pergunta, e eu apenas li falei o essencial. — Agnes me mandou entregar isso. — a bruxa me entregou uma carta amarelada, lacrada com cera de vela vermelha, com um brasão.

— Entendo.— Peguei a carta, e a batuquei na minha coxa sem me importar. — Como tá o Gumbo? — Indaguei ainda sem conseguir só dispensá-la.

— Ótimo, guardo um pouco pra você. — Garantiu ela me dando uma piscadela, enquanto caminhava de costas a ponto de sair da varada.

— Valeu. — Lhe dei outra piscadela. Sentindo que a tensão do momento, não faria uma bruxa ficar na rua por muito tempo.

Fiquei receosa por ela ir embora sozinha, mas quando olhei novamente a ponto de fechar a porta, ela já não estava ali. Entrei novamente na casa, vendo que a conversa, mesmo pequena, fora claramente ouvida por todos. Não encarei ninguém, e os mais espertos encaravam a carta como se fosse uma bomba. Ofereci ao Alfa, que me agradeceu com um aceno, como se eu tivesse voltado da guerra, e feito um bom trabalho em matar o inimigo.

Tentei voltar para o meu lugar, mas vir que ele foi ocupado por Rosa, e toda sua malignidade infantil de adolescente. Bufei baixinho, vendo Francesca se encolher no banco, em um convite mudo para me sentar ao seu lado, na frente do Alfa e Beta.

Ótimo, pensei sarcástica, vendo minhas irmãs se movimentarem para cochichar algo, provavelmente seria "Mas uma forma dela querer bancar a especial"

Enquanto me sentava, podia ouvir o rascar de papel. Alejandro leu rapidamente, sobre a vista de todos, e depois suspirou sorrindo minimamente. Ele lançou a carta para Felipe, e depois passou a informação:

— As bruxas foram espertas, também não querem outra guerra. — O Alfa parecia bem mais calmo agora, tínhamos as bruxas como aliadas a tempo demais para que a discordâncias não abalassem aquela aliança.— E falta apenas duas matilhas pequenas para entrarmos nessa com a gente.

— E quanto aos humanos? — Perguntou Francesca sem largar o osso.

— Enquanto o dinheiro entrar, eles ficaram quietos. — Deu de ombros Felipe, sendo concordado por todos.

— Amanhã haverá uma reunião com a nova direção, Francesca irá comigo. — Garantiu Alejandro, desapontando seus filhos homens por algum segundo, até que eles se tocaram que entrar em uma reunião com o inimigo não era o sonho de ninguém, exceto minha prima que sorriu altiva, e balançou a cabeça, concordando com sua escolha.

— Diego irá comigo. — Falou Filipe, sem delongas, dando honra ao seu primogénito boboca que ousou abrir a boca em choque. Papai lhe deu um olhar mortal, e Diego se endireitou ao lado da sua esposa, também grávida que tremeu com a possibilidade de não ver seu marido nunca mais.

— Ótimo, terminamos por hoje. — Encerrou o Alfa, fazendo as vozes de todos criarem vida, enquanto se levantavam e rumavam para a saída, ou mesmo o quintal ou pela casa.

Os mais velhos primeiro, respeitosamente, davam um beijo na mão forte, porém envelhecida de Alejandro, que usavam um anel de ouro com uma pedra preta. O anel da lua, que evitava que nos transformemos. Ou só quem tinha acionado sua maldição. Meu anel era pequeno e feminino , mas não menos poderoso em conter a fera que havia dentro de min.

— Tio. — Cumprimentei o Alfa, lhe dando também um beijo rápido em sua mão.

— Soube que você e Francesca estão cuidando muito bem do Cassino. — Disse ele sem largar minha mão.

— Ella cuida apenas da Galeria de arte, papai. — Corrigiu Francesca altiva, e nem por isso me importei menos em manter alguma conversa sobre min nos lábios do Alfa, quando sentia os olhos afiados de Ruth, a nova mulher de meu pai, encarando-me o tempo todo. — Mas, tenho que dizer que tem dados muitos lucros ultimamente. — Continuou minha prima mais velha, parecendo adorar meu embaraço, que apenas ela podia ver, já que foi a mesma que me treinou a escondê-lo sobre camadas e mais camadas de postura e cordialidade.

— Não é nada. — Garantir, me virando para Filipe, que me ofereceu a mão. — Boa noite, meu pai.

— Boa noite Ella.— Disse ele sem muita emoção, apenas sendo cordial.

Mas o Ella, o meu apelido soou com certa, ternura, em sua voz. Eu não sabia porque eu queria tanto a aprovação dele, ou mesmo um pouco de reconhecimento. Eu era uma mendiga perto de sua mesa, aceitando qualquer migalha de afeto, que ele estava disposto a dar. Pensei não gostando da analogia.

Falamos mais algumas palavras, ou pelo menos Francesca e Alejandro falaram, quando me dispensaram. Ou só um dos dois.

— Veio de carro? — Perguntou minha prima enquanto andávamos pelo meio do jardim.

— Não, vou ver minha mãe, e ela mora a algumas quadras, a noite esta bonita enfim. — Disse olhando para o céu estrelado, abraçando meu corpo, necessitando urgentemente de uma bebida quente.

— Acho que você não entendeu que estamos em uma guerra. — Sussurrou Francesca em tom de segredo, claramente zombando de min, por querer andar sozinha.

Revirei os olhos em descaso, e sorrir meigamente.

— Só nessa sua cabecinha a lá Voldermort. — Rebati fazendo ela dar de ombros.— Ainda estamos na nossa cidade, prima, e convenhamos, quem nunca andou por essas ruas pela noite?

— Não seja piadista, sabemos que você não tem graça. — Disse ela sem emoção, vendo um dos seus seguranças abrindo a porta do seu carro blindado, e outro o portão da casa vitoriana de Alejandro.— Anda, pelo menos me deixe-lhe dar uma carona até o Russelt.

Dei de ombros mentalmente, tirando minha bolsa do ombro, quando o segurança também segurou a porta aberta do carro me esperando.

Francesca ficou em silêncio, como sempre, ligando seu celular que tinha sido desligado por causa da reunião mais chata do mundo. Eu fiz o mesmo com o meu, e liguei para minha mãe, lhe avisando que iria passar por lá dali a algumas horas.

Acabei descendo antes da Praça Jackson, por causa de outra passeata de casamento, que tinha bloqueado a rua para carro. Me despedir de Francesca, que apenas foi ela, ao me dar um aceno de até logo. E sair do carro, ziguezagueando pelas pessoas.

Quando vir, fiquei distraída com o movimento de pintores, a música artística e ao vivo, que era um Jazz suave, ou mesmo um Blues intenso, ou o Creole que fazia as crianças dançarem, como seus antepassados. Nova Orleans era uma cidade mágica, a medida que o sol já estava no seu fim, e a noite cobria as ruas, junto com as estrelas.

Fiquei um pouco na praça vendo o colorido de uma tela, ganhar vida, pelas mãos de um pintor local. Era incrível poder estra atrás de um artista como o que se encontrava naquelas ruas. Livre de conceitos arcaicos. Apenas uma tela branca, se transformando em algo admirável.

Bondye. — Sussurrei a palavra Creole para Bom Deus. Começando a falar sozinha. Claramente, não esperando resposta.

— Tirou as palavras da minha boca. — Sussurrou a voz também absorta na pintura a nossa frente.

Talvez eu tenha ficado tempo demais lá, apenas parada, para não sentir a presença de ninguém ao meu lado. E o ninguém desse caso, era uma versão meio contemporânea de um Lord Inglês. Até mesmo o timbre, com sotaque na voz. O rosto quadrado, cabelo loiro curto, me fazia pensar em James Bond britânico, estilo Daniel Graig.

— Você pinta? — Perguntou o homem ao meu lado, como se incia-se uma conversa banal, entre dois desconhecidos.

Desviei rapidamente meu rosto, e meus olhos descarados, que o examinavam com certo fascínio. Tentando parecer casual.

— Um pouco. — Consentir sem o encarar, porém sentindo seus olhos no meu rosto. — Porém, faz tempo. Agora só admiro. — Continuei com um sorriso de lado pequeno, agora sim me voltando para o olhá-lo, porém seu rosto já estava voltado para o quadro de novo. Havia um brilho nos seus olhos, que me faziam acreditar que a cor era, ou azul, ou verde.

— Essa praça a muito tempo, vem sendo palco de grandes artistas. — Refletiu ele para si mesmo. — Qual será a história desse especificamente? — A pergunta claramente não foi feita para min, e como eu, ele também parecia sofrer por falar sozinho.

Um tique que eu tinha adquirido muito nova, e tentava muito parar. Mesmo assim, estreitei meus olhos olhando o "todo" que era o artista que pintava o quadro escuro, vermelho, preto, branco, e ao mesmo tempo surreal, de um rosto macabro.

Ele pintava com uma rapidez forçada, como se quisesse acabar rápido. E tinha um vidrinho pequeno ao lado da sua mesa de cores, parecia bebida que ele sorvia a cada dez pinceladas. O ritmo de Jazz agora era frio, lamuriante , distante. Ele estava em um palco, representando uma papel.

— Ele é furioso. — Decretei por min mesma, como se só ouve-se o pintor a ser analisado — Sombrio. Não se sente seguro, e não sabe o que fazer a respeito disso. — Pendi a cabeça para o lado, respirando fundo, sentindo certa melancolia por dar aquele diagnóstico. — Deseja poder dominar seus demônios, em vez de deixar seus demônios o controlarem. — Vir pela minha visão periférica, que o homem loiro ao meu lado, tinha os olhos maiores do que o normal, assim como o queixo trincado. — Ele esta... perdido, sozinho. — Sentir um arrepio, de incomodo, de falar de alguém de tal forma, que lembrava os quadros que eu via todo o dia. — Desculpe-me. — Pedi, engolindo em seco. — Ele apenas deve esta bêbado. — Disse, não melhorando muito a situação.

— Não, não, eu acho que você tem razão. — Disse o homem ao meu lado, finalmente me encarando .

Seu rosto era bem mais que bonito, era, como uma escultura romana antiga. Fazia você não saber exatamente o que havia de tão bonito em um porte tão másculo, mas mesmo assim, você tentava achar. Longos cílios claros, que faziam uma sombra cobrir seus olhos, e lábios rosados não eram masculino, mas, de alguma forma, parecia ser certo no rosto dele.

Sorrir sem mostrar os dentes, apenas para acabar com aquela sensação idiota de esta dando bandeira. E voltei a olhar para a frente, enquanto cruzava meus braços.

— Isso que dar ser Curadora. — Brinquei dando de ombros.

— Você é Curadora? — Indagou ele parecendo curioso.

— Sim, trabalho com arte, o dia todo. — Disse lentamente voltando a encarar seu rosto. Novamente a sensação torpe de querer o "admirar", friamente, de longe, me deixou chateada. Eu estava ficando muito sem noção. Pensei. — E você pinta? — Perguntei também, não deixando o assunto morrer.

Antes dele responder, virei minha cabeça para trás, deixando meu queixo no ombro, quando ouvir meu nome sendo chamado. Era Lois, um dos amigos que eu tinha, caminhando até nos. Voltei a encarar o homem loiro... Mas ele já não estava ali, ou mesmo por perto. Franzi o rosto, e depois sorrir minimamente, sentindo Lois me dar um leve beijo na bochecha, enquanto lançava seu violão para as costas.

— Ei Ella!

Não conseguir me concentrar no que ele falava, apenas assentia, e olhava a torto e a direito, tentando encontrar o homem sinistramente atemporal.

Notas finais
;) Até logo!