Notas iniciais
Gente do céu! Como é bom voltar a postar na M.D Eu queria agradecer e dedicar completamente esse capítulo a Becca Mikaelson Cullen! Obrigado mesmo pela primeira recomendação dessa fic! Não sabe o quanto isso me anima a voltar a escrevê-la! Enfim gente, eu peço um pouco mais de paciência, minha outra fic esta em um nível crítico e eu preciso me atender mais a ele. Boa leitura!

Entrei no Russet com passos lentos, tentando passar pelas pessoas que estavam se agrupando na entrada. Humanos; sempre em busca de lugares que não precisavam estar. Pensei revirando os olhos. Indo direto para o bar.

— Ei Jane Anne! — Exclamei alto chamando a atenção da garçonete que também era dona. Ela acenou do outro lado, atrás do galpão, enquanto fazia um drink rápido. — Sophie esta ...

Antes de eu perguntar a pergunta por cima do barulho das pessoas falando, da música, e de todo o tilintar de vidro. Jane Anne , a bruxa, apontou com o queixo para a cozinha. Assentir com a cabeça, colocando as mãos dentro do bolso lateral da minha jaqueta preta, e fui em direção a cozinha. Naquela hora a cozinha era fechada, só o bar, e a música ao vivo continuavam até a meia noite.

Abrir as portas de correr para o lado, e tomei um susto ficando paralisada.

— Doce Lua! Sai da mesa, que nojo! — Exclamei sem me conter, soando completamente maligna. Sorrir minimamente, adorando implicar com a cozinheira, que estava beijando um cara, que estava entre suas pernas, quase a deitando na mesa no meio da cozinha, para consumar todo aquele fogo entre eles era óbvio.

— Ella, não podia ser uma amiga normal.. — Sophie afastou o cara, e desceu da mesa. Ele estava virado de costas, e pude jurar que arrumava sua calça. — E ir embora depois de abri a porta, ou mesmo bater antes de entrar?

A bruxa arrumava sua blusa com certa vergonha fingida. Sophie não era o tipo de mulher que era moral a ponto de sentir vergonha de ficar com alguém.

— Poder eu posso. — Dei de ombros. — Mas não fiz, agora dispense seu cara e vamos, combinamos de sair, lembra?

Sophie revirou os olhos, e sorriu como se pedisse desculpas para o homem, que só encarava o chão. Ela falou algo sobre ligar depois, enquanto voltamos todos juntos para o salão. A bruxa deu mais uns beijos no homem estranho, e subimos juntas para o apartamento em cima do restaurante.

— Qual era o nome dele? — Indaguei olhando pela cortina, a rua cheia de turistas.

— Caio, Carlos, sei que começa com C. — Disse alto enquanto entrava para seu quarto.

Acabei rindo, e a esperando. Íamos sair para dançar. O sábado prometia. Pensei indo até o quarto da bruxa para me conferir no espelho, e apresá-la. Sophie escolheu uma roupa bem estilo dela. Uma camisa folgada vermelha, com ombro caído, e até a metade da barriga, e uma saia preta curta de couro marrom.

— Quer algo emprestado? Ou vai mesmo ficar nesse seu basiquinho preto? — Perguntou ela zombando quando zombei de suas botas de combate, a bruxa pelo menos tinha cinco pares, e todas pretas.

— É um macacão. — Revirei os olhos não ligando. Eu havia amado aquele macacão todo preto, super-colante, com as costas abertas, até a metade da minha coxa, fazia minhas curvas ficarem bem a monstra. E a jaqueta cheia de zíperes pratas nos bolsos invisíveis, me dava um ar perigoso.

Quando voltamos para baixo, ainda replicando com a roupa uma da outra, a banda de Jazz, já agitava menos o povo por tocar algo mais lento.

— Jared a direita. — Sussurrou Sophie atrás de min.

— Qual Jared? — Perguntei só para confirmar, dando a volta no corpo de um casal que estava a minha frente. E que preferia ficar se pegando no meio do espaço aberto, do que ir até um beco qualquer como qualquer um! New Orleans tinha um ar quase sexual. Principalmente a noite. Não os culpava.

— Tipo o Jared másculo, negro, lindo sorriso, e ... — Sophie não precisou terminar.

— Oh. — Soltei, jogando meu cabelo para o lado, olhando para a direita como se fosse um movimento casual.

Jared Tarder, um dos lobisomens da família Crescente. O tipo de lobo, que sempre tinha algo a dizer, ou mostrar. Não era só ele que estava na rodinha, havia Oliver, Erik, e Chris. Todos lobisomens.

— Só um olá. — Prometi, puxando Sophie até aquele lado. Ela bufou, mas seus olhos declaravam certa diversão.

Havia certos homens, lobisomens ou bruxos, que meramente atiçavam algo em min. Jared pertencia ao grupo. Ele sempre mostrava o que queria, sem joguinhos de sedução. Se estava afim, beleza. Se não, o que era improvável, tinha também dignidade. Mas aqueles braços musculosos, ou o sorriso brilhante e os olhos verdes ... Era de enlouquecer qualquer mulher.

— Oi Meninos. — Cumprimentei sorrindo, dando um olhar rápido para aquela calça jeans apertada do lobisomens que virou completamente seu corpo para me encarar. — Ou melhor, dizer; olá homens. — Molhei meus lábios sensualmente com a ponta da minha língua.

— Olá princesa. — Disse Jared se aproximando para me dar um beijo de cumprimento no rosto. — Linda como sempre. — Concluiu ele banhando seu rosto com aquele sorriso enorme.

Ficamos nos encarando com sorrisos maliciosos, e era sobre aquilo que eu falava! Química! Simples e pura.

— Agradeço o elogio, você também está ótimo. — Garantir, pensando na sua retaguarda naquele jeans.

— Ah, eu também estou ótimo, obrigado. — Disse Oliver querendo atenção como sempre.

— Ui, o totó quer um osso. — Brinquei sorrindo sarcasticamente, me aproximando da mesa alta que eles estavam cercando. Havia tanta cerveja ali, que ligando os pontos, concluir que eles não eram os únicos lobisomens presentes. — Chris, Erik. — Cumprimentei os outros, enquanto eles riam da cara emburrada do loiro, e Sophie já tinha achado de algum jeito uma dose de vodca. Julguei pelo conteúdo transparente, e pela careta que ela fez a tomar. — E você é... — Tentei achar seu nome mais não conseguir.

Era um garoto novo do lado de Erik, cabelos castanhos, rosto magrelo que eu jurei que podia ter espinhas. E um olhar assustado quando eu o olhei fixamente.

— Arhann....Eu sou. — Gaguejou ele de forma fraca, olhando para os lados como se buscasse ajuda.

— Sabe é proibido menores de idade depois das dez. — Joguei verde, vendo o desespero nos olhos do garoto que claramente era de menor.

Sophie deu uma gargalhada alta, se encostando demais em Erik, que não parecia se preocupar.

— Qual é, alivia a barra para o nosso Benny. — Pediu Jared, dando um tapa forte nos ombros fracos do garoto, que quase gemeu de dor. — Ele começou a trabalhar essa semana na madeireira, e como fizemos horas extra hoje, decidimos lhe pagar uma cerveja.

— Não estou vendo nada demais. — Garantir colocando meus cotovelos na mesa, sentindo um braço forte do lobisomem negro se enrolar na minha cintura de forma quente. — Benny, de Benjamin? — Indaguei levantando um braço para um dos garçons que se aproximava.

— Sim senhora.... — Começou a dizer de modo respeitoso, como se falasse com sua mãe que o tivesse pegado fazendo coisa errada.

A mesa explodiu em gargalhadas deixando o garoto vermelho de vergonha. Céus, ele era fofo!

— Só Ella, meu querido. — Garantir ainda rindo.

— Eu vou dançar um pouco, já que aparentemente não vamos sair daqui. — Informou Sophie, puxando Erik para a pista de só casais que se mexiam suavemente a base do som profundo do saxofone.

— Aff, eles não desaparecem tão cedo. — Gemeu Oliver, tomando um longo gole depois da sua cerveja.

Encaramos automaticamente sua fixação, que dava até a porta da frente. Como o lugar parecia um pouco menos cheio, eu podia ver com clareza, Marcel Gerard e Niklaus o híbrido entrando pelas portas, logo atrás deles, Elijah. Como um trio de badboys do lugar, ou melhor, gangsters. Sentir um aperto suave dos braços de Jared ao meu redor, se auto flexionando aparentemente.

— Qual é meninos, estamos em um lugar público no meio do French Quarter. — Falei recebendo a tequila do garçom que se aproximava, e retirava as garrafas vazias de cerveja, depois de reabastecer a mesa. — Se acostumem!

— Não seja tão politica Ella. — Pediu Oliver, sussurrando. — Ou vamos pensar que você esta do lado deles. — O loiro tinha seus olhos em fendas.

Troquei o peso do pé direito, para o esquerdo, sabendo que aquelas botas tinha hora para ser tirada, principalmente se eu ficasse muito tempo de pé. E lhe olhei secamente.

— Estou do meu lado, Ollie, diferente de você, penso no que seria bom para a minha vida, antes de fingir que sou uma guerrilheira. — Disse acidamente.

— Soube que a reunião com os humanos não acabou bem. — Sussurrou Chris também entrando na conversa, e fazendo-me parar de encarar Oliver, como ele a eu. Chris era bonito, rústico, mas de certa forma sua aura silenciosa sempre me fazia o esquecer. O encaramos, esperando por mais. — Eu saio com a secretária, da secretária de defesa. — Ele deu de ombros, me fazendo franzi o rosto. — Soube... — Ele sussurrava tanto, que praticamente líamos seus lábios. — Que o meio lobo, abaixou a renda dos humanos. Aparentemente eles não estão contentes.

A tensão do momento nos fez ficar em silêncio. Saboreei minha bebida, sentindo minha garganta queimar. Certa apreensão apertou meu peito. O meio lobo, era como Klaus era chamado na surdina.

— Quer saber. — Disse voltando-me para Jared. — Porque não me convidou ainda para dançar? — Quase fiz um bico que não ficou nada infantil.

Ele riu, e puxou minha mão, enquanto dava de ombros. Encarei Benny lhe oferecendo meu copo.

— Tome, experimenta isso, se não vomitar, te pago outra rodada. — Lhe dei uma piscadela, andando de costas, o vendo por um momento encarando o copo com certo medo no olhar.

Rodei os calcanhares, entrando junto com Jared na pista. Quando a música ¹“I put a spell on you” começou. Coloquei minhas mãos nos ombros do lobisomem, que me puxou para a quentura natural do seu corpo, fazendo-me prender a respiração por uns segundos. Suas mãos fortes e grosas apertaram a base da minha baixa coluna, como uma massagem, sempre se movendo de um modo sensual. Começamos com alguns passos mínimos em círculos, só movendo mais nossos troncos. Enquanto nossos olhos estavam fixados um no outro.

Jared abaixou sua cabeça tocando sua bochecha na minha, e seu nariz ficou na curva do meu pescoço. Subir um pouco minhas mãos, enrolando meus dedos no seu pescoço, deixando meu queixo no seu ombro. Giramos um pouco mais, sempre naqueles passos suaves. E quando eu não pensava em nada fora daquele espaço, só no cheiro de sabonete do lobisomem, das suas mãos sempre me apertando cada vez mais entre ele e o nada, na forma que ele só ameaçava descer suas mãos um pouco mais, como uma tortura. Eu vir olhos familiares, mesmo que não fossem exatamente.

O híbrido estava do outro lado da cerca que dividia algumas mesas e a pista, e sua cadeira estava de frente para a mesma. Ele tomava um gole de algo, enquanto Marcel Gerard gesticulava com os braços, e só seu irmão parecia ouvir. Sorrir minimamente sem me conter, sabendo que ele me encarava, mesmo de longe, podia sentir seu olhar indagador em min. Desci um pouco minhas mãos pelos braços de Jared, fazendo uma caricia em cada parada.

Afastei-me, e o lobisomem entrelaçou seus dedos na minha mão, enquanto eu me afastava mais, para ele me virar em um giro e me puxar novamente para seu corpo. Ainda de costas, ele abraçou-me pela cintura, enquanto não parávamos de dançar lentamente. Seus lábios tocaram levemente minha clavícula, fazendo um arrepio gostoso percorrer meu corpo. Eu levantei meus braços, os passando pelo pescoço de Jared.

Ainda encarava o híbrido, que não desviava tão pouco o olhar da cena. Molhei meus lábios com a ponta da língua, enquanto Jared puxava minha cintura para o seu colo de maneira forte. O lobisomem me virou novamente, me fazendo parar de encarar o loiro, Jared ficou quase rude, segurando com um braço minha cintura, enquanto eu jogava meu corpo para trás... Quando voltei para cima, remexi meu corpo em um ziguezague lento, e sensual, tocando o peitoral de Jared com ambas as mãos. Nós giramos agora rapidamente, três vezes, quando a guitarra fez seu solo. Soltei uma risadinha, sentindo a mão forte do lobisomem tocar meu rosto, passeando até minha orelha para jogar meu cabelo para trás. Voltei a abraça-lo pelos ombros, e agora Niklaus afastava seu olhar de nós, mas não seu irmão, que parecia procurar a causa de tal paralisia visual do loiro.

Quando cruzei com seus olhos curiosos, Elijah parecia ter me notado, desviei descaradamente os meus olhos primeiramente, e sorrir para Jared, deixando minha testa grudada na sua. Ele nos virou novamente, e eu abaixei um braço de seu pescoço, colocando-o para trás, sentindo seus dedos se entrelaçarem-se aos meus.

— Acho que preciso de outra bebida. — Acabei falando, o puxando enquanto andava de costas para a sua mesa.

— Hoje a noite é sua. — Declarou ele maliciosamente, em um sussurro rouco, me fazendo arrepiar.

Rodei meu corpo, mordendo meus lábios, e dois passos antes de chegar a mesa, paramos para um garçom passar. E a cena toda mudou. Virou um pandemônio completo, e eu iria com toda certeza me perguntar depois o que teria acontecido se não parássemos.

As janelas se estilhaçaram quando o som alto de tiros foi ouvido. Meu ouvido extrassensível doeu de certa forma que eu sentir minha cabeça, figurativamente, ser atingida por pedaços de agulhas afiadas. Os gritos das pessoas tão pouco ajudavam. A correria ou o braço de Jared que me jogou no chão quando alguém gritou “Abaixem”, não foi o pior momento, quando o impacto no chão me fez perder o ar. Sentir meu ombro trincar, como se um osso tivesse ficado fora do lugar, e tudo ficou enervado ao meu redor. Gemi de dor, e rolei para o lado, sentindo o corpo de Jared por perto. O barulho de tiros parou, e logo veio mais gritos.

— Socorro, alguém me ajude! — Muitos gritavam aquilo, mas de certa forma apenas um tinha aquela voz.

Fiquei de quatro, sentindo a palma da minha mão arder, quando um caco de vidro pareceu cortar-me, não dei importância, apenas me levantei sentindo o zunido no meu ouvido, e tentei andar. Oliver estava ali atrás da mesma mesa de antes, só que agora a mesa estava virada. Olhei para a palma da minha mão podendo ver um vidro que ardia minha pele, e o retirei sem jeito.

— Ollie, o que...

Antes de continuar, coloquei a mão na boca, e me debrucei sobre Benny, ele estava de costas, convulsionando, vermelho pela falta de ar. Suas costas estavam cheias de pequenos buracos que desapareciam em segundos pelo sangue que manchava cada vez mais sua camisa.

— Alguém chame uma ambulância! — Gritei para ninguém especificamente, pegando a mão do garoto. — Cadê o anel, cadê o anel... — Repeti em quase um mantra procurando em cada dedo dele o anel da lua que devia ser tirado para ele se curar de modo sobrenatural.

— Sua maldição... Não é ativada. — Choramingou Oliver, segurando a lateral de sua barriga, tentando conter seu próprio ferimento.

Sentir meus olhos maiores, em completo horror. Mordi meus lábios com força, sentindo a dor me acordar, então segurei fortemente a mão do garoto, ele se segurou nela, como se fosse uma âncora e também a apertou, quando fiquei tão perto dele quanto era possível, lhe sorrir corajosamente.

— Tudo bem, vai ficar tudo bem. — Garantir e mentir, tentando lhe passar algum conforto. — Você é um bom garoto....

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa que pudesse lhe passar qualquer conforto, seus olhos que me encaravam em meio a sua dor, perderam o fogo, seu corpo parou de tremer, e ele ficou ali, estirado ao chão, morto.

Sentei ao seu lado, ainda segurando sua mão, sentindo meu ombro arder como se estivesse em braças. O processo de cura estava sendo barrado pela magia do meu anel, que retirei sem demora, quando coloquei meu dedo na boca e o puxei com os dentes, só para não parar de segurar a mão do garoto. Erik, Chris, Jared, e alguns lobisomens que estavam por ali, fizeram um circulo ao nosso redor, seus rostos transfigurados pela dor.

Com a mão livre, dei um soco no chão, fazendo a madeira trincar ao redor do piso. Soltei a mão já sem vida de Benjamin, e me levantei sem presa, sentindo meus olhos arderem. Olhei para os olhos dos lobisomens, e eles refletiam os meus. Amarelados, como se nossas feras internas estivessem doidas para serem libertadas para pularem na garganta de alguém.

Entre dois ombros, vi os vampiros nos encarando, com certa relutância em se aproximarem. Os lobos captaram onde meus olhos estavam parados, e também se viraram para os responsáveis. Apertei minhas mãos com força, sentindo a ferida na mão esquerda já fechada entre meu anel da lua. Mas o apertei mais, a fazendo voltar a abrir, e o sangue pingar no chão.

Pensei por um segundo, se os vampiros originais, Elijah e Klaus. tinham voltado para New Orleans para reiniciarem uma guerra, ou só eram idiotas o suficiente para cutucarem humanos ambiciosos, e acharem que nada iria acontecer. Marcel parecia saber das consequências, mas não tinha mais poder.

Porque aquilo, era culpa deles. E ninguém os deixaria esquecer.

Notas finais
1: Se vocês notarem, essa é a música do trailer que eu amo demais! I Put a Spell on you. Annie Lennox Look da Myrella! http://mlb-s1-p.mlstatic.com/macaco-curto-macaquinho-importado-frete-gratis-8436-MLB20004198687_112013-O.jpg