Moon Dominant. ~Hiatus~
5 Just Keep Going.
Notas iniciais

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Girei o volante no carro tentando entrar na rua pequena. Era para ser um atalho, que aparentemente alguns conhecia, não muitos! O transito caótico, me fazia ficar irritada, eu estava perdendo meu sábado, para poder fazer um favor para minha mãe.
Não tinha problemas, eu havia garantido, mas fazia mais de um mês que não folgava no sábado por isso tinha que aproveitar. Minhas unhas já tinham tido dias melhores, assim como meu cabelo. Pensei me programando para chegar cedo ao Salão de Beleza. Mas não conseguir. Desmarquei, e remarquei para de tarde depois do almoço.
Quando finalmente cheguei a Igreja Sant Anne. Estacionei ali na frente mesmo, e sair arrumando aquele vestido azul de crochê. Fazia um calor ensolarado em NOLA aquela hora, embalado por um vento fresco. Um belo sábado. Pensei colocando meus óculos de sol, quando o sol ameno bateu no meu rosto.
Dei a volta no carro, e abrir a porta de trás, puxando uma caixa grande de papelão com a ajuda do meu joelho. Não era exatamente pesada, já que eu tinha uma força maior do que qualquer humano. Mas passava a impressão.
Fechei a porta com um chute e liguei o alarme. Comecei a subir as escadas com rapidez, vendo as portas antes fechadas, entre abertas.
Depois do que ouve ali há alguns meses atrás, ninguém nem mesmo chegava perto. Bruxas do Tremé amaldiçoando crianças, para o padre não se envolver nos seus negócios fora notícia de semanas no Quartel.
Marcel Gerard, o ex-líder dos vampiros, havia dado um jeito nelas, ou em suas cabeças em lanças. O admirava como líder por aquilo, ele fazia o que tinha que fazer para que ninguém abusasse do seu próprio poder. Vampiros não podiam matar crianças, ou mesmo quase ninguém sem permissão, eles se alimentavam, apagavam as mentes, e às vezes até os curava. Tirando alguns casos, a limpeza era bem completa.
Acidentes de carros, corpos afogados no Mississipi, acidentes menos raros. E a maioria voltava para um novo tour na adorada Nova Orleans nas férias. O turismo estava em alta. E todos, principalmente a facção humana queria que continuasse daquela forma. Ou seja, que o dinheiro entrasse sem barreiras.
Pensei naquilo, quando passei pela porta e vir às luzes naturais das velas banhando as sombras agourentas da nave, somente as janelas do alto fazia o sol entrar, passei pelos bancos de madeira, ainda carregando a caixa cheia de peças de porcelana feita em casa, que era completamente delicada e que ia ser vendida na rifa da igreja. Girei meu pescoço olhando para os lados, e uma sensação estranha pinicou minha nuca. Dei um giro completo, e quase tropecei ou exclamei pelo susto.
— Cruzes! Você saiu d’onde? — Perguntei sem me conter, sentindo certa apreensão por ver o vampiro tão perto de min.
— Minhas sinceras desculpas, eu estava vindo bem atrás de você. — Disse Elijah Mikaelson, um tanto quanto divertido pelo meu espanto. Sorrir polidamente voltando a colocar minha mascara “distante” entre qualquer um. Até mesmo um lorde inglês, como Francesca o catalogava. — Ah, permita-me. — Ofereceu ele tentando retirar a caixa das minhas mãos e braços como um perfeito cavalheiro.
Inclinei-me para o lado, evitando tão gesto.
— Não tem problema. — Garantir afastando-me dele também, voltando a andar por entre os bancos. Percebi um olhar surpreso nos seus olhos. Mas ele nada disse, apenas seguiu caminhando ao meu lado. — Parabéns pela festa ontem, realmente foi... — Inclinei a cabeça, e sorrir minimamente. Ele esperava minhas palavras. — Ninguém morreu. — Tentei brincar, apesar de toda a verdade nas palavras para retirar o clima estranho de desconhecidos entre nós.
— Na verdade quem deveria receber parabéns, é a senhorita. — Ele disse, me fazendo parar de andar completamente, para me volta a ele. Mesmo com óculos de sol. Eu levantei a sobrancelha. — Acho que não foi o único ao notar que foi sua pessoa, que impediu uma briga entre os lobisomens. — Colocou as palavras de modo suave, como colocou suas mãos dentro do bolso da sua calça. Um gesto casual demais para não soar forçado.
— Oh, sobre isso que fala? — Soltei uma risada desacreditada, balançando minha cabeça negativamente. — Não foi nada, acredite em min. — Pedi de modo simpático. — Senhor Mikaelson, quando se trata de lobisomens qualquer osso lançado aos seus pés se torna uma tese, do porque o céu é azul. — Filosofei quase estupidamente para alguém que não via o tanto que eu via nas matilhas.
— Quer dizer que eles brigam por tudo. — Disse o vampiro original elegante, afastando uma parte do seu terno para, colocar uma mão dentro do bolso. Seu terno era impecavelmente caro. Soberbo até. Como se sua presença sufocante, não fosse suficiente para deixar qualquer coitada aos seus pés. Ele parecia o tipo de homem que achava que a aparência demonstrava mais poder do que outras formas. — Parece os conhecer. — Observou bem.
Notei que seu perfume me rondava como se viesse de todos os cantos. Algo agridoce, como creme de barbear e... Com certeza era Black Polo.
— Porque os conheço. — Disse de modo óbvio. Saindo dos meus devaneios de como ele era cheiroso. — Sou uma loba afinal.
— Que se mistura. — Acabou soltando, e apertei meus lábios com força, e ele se sobressaiu também, parecia que tinha falado o que lhe veio a mente. Ele riu suavemente se recompondo em segundos. — Só quis dizer, que Francesca não parece se misturar.
— Ou mesmo nenhum, Guerreira. — Completei suavemente irônica, seus pensamentos. Já conhecia sim a minha família, fúteis ao extremo. Também percebi o modo como ele falou “Francesca”, eu sabia analisar as pessoas, por ser na infância muito introspectiva pelos meus traumas. Para conhecer alguém você só precisava ouvir, ver seus tiques, o modo como sua voz mudava em timbres, ou mesmo seus olhos pareciam querer guardar alguns segredo. Elijah Mikaelson estava presumindo que minha prima era como ele. Sabia, mesmo, manter distancia da ralé. Algo que eu odiava em Francesca. — Vou lhe contar um segredo, senhor Mikaelson. — Me aproximei levemente dele, e olhei para os lados antes de sussurrar ao seu lado, mantendo sempre uma distância impessoal. — E esse é de graça. — Zombei quase maliciosamente, me sentindo um pouco atrevida. Ele apenas esperou pacientemente, me encarando fixamente, parecendo não gostar de não poder ver meus olhos. Sorrir por um segundo e depois fiquei séria. — Eu não sou como os Guerreiras. — Disse por fim, lhe dando um aceno de cabeça. Esperando que o assunto estivesse encerrado.
Dei dois passos, aproximando-me do altar no meio das estatuas com lenções branco. Suas próximas palavras me paralisaram.
— Então é como quem? Os Crescentes? Os Navarros? Labonair? — Suas indagações pareciam secas.
Obviamente lhe dar as costas não era um costume bem visto por ele. Quem se importava não é? Obviamente o assunto para ele não estava acabado. Quase bufei.
Apenas girei meu pescoço, lhe dando mais um sorriso que meramente não chegava aos meus olhos, ou ao meu âmago. Era seco.
— Sou como uma bastarda, apenas isso. — Revelei em pró dele não ficar tentando me avaliar.
Porque eu nunca esqueceria quem eu era, já que as matilhas não esqueciam, então porque não fazer da minha vergonha, meu escudo?
Dei um último aceno para o vampiro, e puxei minha caixa para cima, chegando finalmente ao altar. Coloquei ali a caixa, em cima da mesa, e o som suave de passos se aproximando por ambas as portas, fizeram certa curiosidade me assolar.
De um lado entrava o híbrido parecendo sempre esta ali, caminhando no meio dos bancos para ficar ao lado do seu irmão. Pensei por um segundo se ele não teria ouvido aquela conversa curta com seu irmão mais velho. Mas antes de analisar aquilo, sorrir para o Padre que se aproximava.
— Padre O'Connell, que bom que esta de volta. — Disse soando simpática, oferecendo minha mão para ele apertar.
— Tentarei pensar assim. — Disse ele um pouco cansado, mas de certa forma educado como sempre. Ele apertou minha mão, e depois fez um sinal da cruz na frente do meu rosto. — Que Deus a abençoe.
— Que assim seja. — Toquei levemente meu peito, um gesto Créole. E abaixei minha cabeça humildemente por um segundo em reverencia. — Eu trouxe algo que minha mãe lhe mandou. — Continuei o encarando fixamente. — Não quero atrapalhar. — Garantir olhando para os irmãos que cochichavam ao longe ainda.
Mesmo que eu sentisse seus olhos em nos, e sabendo que eles ouviam a conversa, fingia que estava tudo bem.
— Reuniões. — Sussurrou Padre Kieran com os olhos maiores, todavia como estivesse lembrando de um compromisso. Ele assentiu com a cabeça, encarando por um segundo a caixa. — Allegra é sempre uma boa paroquiana, logo a visitarei, prometo.
Apertei minhas mãos assentindo com a cabeça.
— Ela gostará. — Garantir, mordendo meus lábios depois, remexendo meus pés não gostando do assunto. Não quando havia presente dois vampiros originais a menos de alguns passos entre nós. — Seja bem vindo padre, e tenha um bom dia.
Retirei meus óculos de sol, finalmente, reparando o quanto seus olhos quase podiam dizer. “Assim espero”.
Com certa apreensão. Descemos juntos os degraus, ao mesmo tempo em que os irmãos se aproximavam. Dei um aceno leve para o híbrido como um “oi” mudo, e acabei percebendo novamente como ele era... Másculo.
Não sei por que deixei passar que ele era quase um lobisomem. Era meio óbvio agora. Como também era óbvio que eu não gostava da forma como ele fingia ser mil vezes superior a minha pessoa. Ou seus olhos se aprofundarem como visão de raios-X quando me encarava.
Talvez eu estivesse ficando paranoica, ou só estava reagindo como queria reagir.
— Padre, temos uma hora marcada. — Elijah disse polidamente frio, parecendo querer ser o presidente dos Estados Unidos.
Deus! Como alguém podia ser tão parecido com Francesca?
— Minha deixa. — Disse mais para min mesma, não curtindo ser olhada por todos. — Senhores. — Lhes concedi uma pequena reverência.
— Senhorita. — Disse apenas os irmãos, suas vozes diferentes, mas parecidas me arrepiaram.
Acenei um adeus, e eles abriram um caminho, em um V, bem na minha frente, quando dei um passo para frente.
Antes de sair da área dos bancos, olhei por sobre os ombros, vendo os irmãos seguirem o Padre pela lateral da porta dos fundos que dava em sua sala.
O olhar do híbrido deve ter captado o meu, porque ele se virou, e deixou seu rosto banhar de malicia quando sorriu de lado. Não pude evitar um sorriso, incrédulo. Estávamos em uma Igreja pelo céu! Porém, de alguma forma, aquele sorriso beirando a perversão, não me chocou completamente. Talvez Elijah percebendo a inclinação do corpo do seu irmão, também se virou, e seu rosto era completamente blasé.
Voltei a olhar para frente, e sair da Igreja respirando fundo. Esperava não ficar sendo barrada por aqueles irmãos no French Quarter. Eles deixavam oficialmente minha cabeça girando. E estranhamente, era tanto no bom, quanto no mal sentido.
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